A pequena multidão que acompanhava o funeral mal se apercebeu da tragédia. Ele morreu ali enquanto [a música] exercia o seu ofício, junto do túmulo que ajudara a erguer, [música] mas que jamais poderia almejar. O seu martírio foi rápido, quase um sussurro abafado, mas os lamentos naquela tarde [música] eram todos para a filha de Hermelino Matarazo.
Não houve velório nem qualquer cerimónia, nem havia quem chorasse a sua perda. Ao coveiro, [música] cujo nome foi esquecido pela história, coube apenas uma cova rasa, longe da glória e [música] da arte que a sua pobreza negara. Mas no reino da morte, que a todos iguala, não há qualquer [música] distinção. Se a vida lhe negara a dignidade de uma lápide, o solo sagrado da consolação se tornaria o seu lar pela eternidade.
Fazam questão de marcar a sua presença com grandes obras, com monumentos ou com capelas. E a razão é semelhante a aquela que nós falámos. É muito motivado, aliás, por aquilo que nós falou, não é? Já que já não posso ser sepultado dentro de uma igreja, tenho dinheiro, construo a minha dentro do cemitério. Exatamente.
A lógica era essa mesmo. E aqui há uma história também de assombração. Ah, pois, tem a história mais famosa. Tand, está a ficar noite, mas vamos lá, certo? Vamos lá. história mais famosa de assombração do cemitério, ela passa-se aqui e ela tem início na ocasião do enterramento de uma relativa, de uma parente do Conde Matarazo em que o sepultador, o coveiro, morre, tem um mal súbito durante este processo de enterramento, cai duro lá, morre.
E aí dizem que desde então, desde esse trágico acontecimento, cada vez que alguém precisa de encontrar um túmulo aqui no cemitério e não sabe onde está, toca o sino seis vezes da capela e aí quem tem sensitividade, ele se manifesta, se se apresenta, se materializa para essa pessoa, para quem não tem, sai atrás do túmulo e encontra o túmulo misteriosamente.
E foi assim que o coveiro esquecido deixou o mundo dos vivos para habitar o mundo das lendas. Desde esse fatídico dia, o mausoléu Matarazo nunca foi o mesmo. Os funcionários mais antigos do cemitério, aqueles que viveram na pele a mesma dor e indiferença vividas pelo pobre coveiro, juravam que de algum modo ele encontrou o seu lugar no relegado cemitério da Consolação.
Conta-se que ao entardecer a sombres guia do coveiro fantasma pode ser vista por olhares atentos à entrada do mausoléu ou apoiada sobre as lápides vizinhas que ele próprio pavimentara. Nas noites mais silenciosas, é possível ouvir uma estranha melodia murmurada directamente das profundezas do mausoléu. Seriam os lamentos da família Matarazo ou os ecos da dor e da tristeza do homem que sucumbiu subitamente, esmagado pela grandiosidade que o rodeava.
Se se aventurar pelo cemitério da Consolação, procure pelo mausoléu Matarazo e se ouvir, não olhe para estátua de bronze no topo, mas para os degraus abaixo. Talvez se depare com a silueta curvada, o espírito de um humilde coveiro que hoje habita o mausoléu mais imponente de São Paulo. E se ouvir lamentos de dor ou murmúrios melódicos, faça uma oração por esta alma que nunca encontrou paz, nem mesmo no descanso eterno.
[música] O cemitério da Consolação, um labirinto de mármore e sombras, guarda histórias [música] de tragédias que transcendem a morte. Entre elas, uma das mais perturbadoras não evoca monstros nem aparições [música] disformes, mas antes a mais sombria das obsessões humanas. [música] É a saga de Nenê Romano e Moacir Pisa, um drama de paixão, ciúme e violência que se recusa a encontrar o descanso eterno.
Década de 1920, um tempo de moralidade rígida e de muita hipocrisia. De um lado, Albertina Rodrigues, a lendária nenê romano, uma cortesã de luxo, cuja beleza e independência eram vistos pela elite com escândalo. Do outro lado, Moacir Pisa, um advogado de renome, herdeiro de uma das mais tradicionais famílias de São Paulo, um homem de posses e pai de família, cuja vida era uma fachada de respeitabilidade.
Esta é uma escultura do Francisco Leopoldo Silva que traduz o sentimento da família do Dr. Moacir Pisa. Pizza era um grande advogado de São Paulo. Ele acabou por se relacionar com uma rapariga assim, uma rapariga sensacional chamada Nenê Romano, independente. A as pessoas estão a dizer isso dos anos 20.
Então é um período, um período que nós sabe como as mulheres eram tratadas, não é, segregadas, tolidas do seus suas vontade, os seus direitos. Romano é uma mulher super independente, autónoma. O que os uniu amor, mas uma obsessão do tia que consumiu Moacir. E depois ela envolveu-se com um menino que era genro de uma grande lavradora do interior de São Paulo.

Esta mulher começou a perceber que o comportamento do gajo tava a mudar, porque ele, como todos os que cruzavam nenê romano ficava completamente apaixonado. E ela e esta esta sogra viu que o casamento da filha para o vinagre era um casamento meio arranjadão. E ela contrata três capangas para darem um castigo na bebé romana, que era muito típico desta época, principalmente com mulheres bonitas, que era de retalhar o rosto.
Os gajos apanhavam a mulher, retalhava o rosto dela e depois ela consegue escapar, mas ela leva uma navalhada no pescoço, quase corre e por nenê romano circular com os homens muito importantes de São Paulo, ela acaba por receber uma assistência jurídica do Moacir Pisa, que era um super advogado da época. e o gajo apaixona-se por ela.
Têm um caso tórrgo de uma paixão louca. Só que ela não queria. Ela ela termina este relacionamento e ele não o ultrapassa. Fica muito louco atrás dela, meio perseguindo tal. Até que incapaz de aceitar o fim do caso que mantinha com Albertina e devorado pelo ciúme, planeou o ato final, um desfecho que mancharia para sempre o nome da sua linhagem.
Na noite de 25 de outubro de 1923, a cena final desenrolou-se não num castelo gótico, mas no interior claustrofóbico de um táxi sob as luzes da moderna avenida Angélica. Moacir tentou a última e desesperada súplica pela reconciliação. [música] Perante a recusa firme de Nenê, a razão se desfez. Sacou de um revólver e quatro disparos rasgaram o silêncio da noite.
Dois projécteis encontraram o coração de Nenê. Em seguida, um último estampido. Moir virou a arma contra si mesmo, selando também o seu fim, e um pacto macabro que nem a morte conseguiria quebrar. [música] O verdadeiro horror, porém, começou após o enterro. O escândalo era grande demasiado para a sociedade da época, que tentou esconder o crime, mas o cemitério da Consolação, com a sua fria ironia, tratou de os reunir para a eternidade.
Ela eh é sepultada no cemitério do Araçá, é sepultado na consolação e o a escultura em cima do seu túmulo é muito bonita. Eu acho que até tem também no se se procurar tem a escultura do túmulo do Moacir Pisa, que é uma interrogação a família do fulano por não compreender a sua loucura, por ter eh contrata um grande escultor chamado Francisco Leopold Sil.
E este gajo, atendendo ao pedido da família do Moacir, eh, faz esta escultura que é uma mulher nua, [música] em em curvada, não é, em sentido de pesar. Eh, em forma de interrogação. É muito porra. Este está no cemitério da Consolação, certo? No cemitério da Consolação. É incrível este esta sepultura. Cemitério da Consolação.
A energia densa que [a música] paira sobre os seus túmulos mencionada nas lendas tem características [música] específicas e aterrorizantes. Não é o medo de um fantasma errante, [música] mas a sensação opressiva de uma batalha que nunca se encerra. Funcionários antigos e aqueles que [a música] se aventuram-se pelo cemitério à noite relatam que o som do vento no ciprestes é [música] subitamente cortado por um estalido seco e metálico.
O som fantasma agórico de um revólver de 1920 sendo [música] engatilhado, repetindo o momento fatal. Há quem sinta um perfume nebriante de rosas, o preferido de nenê, que num instante se transforma no cheiro acre de pólvora. queimada. A lenda sussurra que Moacir, [música] preso ao local pelos próprios atos, ainda tenta num lup eterno e desesperado, obter o perdão [música] ou possuir a alma de Nenê, que permanece inalcançável mesmo a sete palmos da Terra.
Para quem [a música] caminha entre os seus túmulos, a lição é esculpida no ar frio. A morte encerrou [música] a vida de ambos, mas não teve poder para apagar a obsessão. Estão juntos, mas separados pela violência que os uniu, condenados [música] a partilharem para sempre o mesmo pedaço de terra batida. A dama da corte.
O cemitério da Consolação é um labirinto de histórias e a cada esquina a arte tumular recorda-nos que a morte é apenas o início de uma nova narrativa. O seu mausoléu Matarazo fala-nos sobre a maldição da riqueza, outros túmulos nos contam sobre a persistência da paixão e a tragédia da fama.
Em meio aos túmulos de mármore, a UMP destaca-se. Não pela grandiosidade, mas pela devoção popular que o rodeia. A lendária marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I, certo? Domintila de Castro, canto e Melo. Eu faço questão de reafirmar que é errado nós definirmos a existência da Marquesa pelo caso que teve com o Dom Pedro.
Foi uma menina de 14 anos que foi obrigada a casar. Vocês imaginam? 14 anos entrava entrava na idade, não é, no da o primeiro, a partir dos primeiros ciclos menstruais, ele identificava capacidade de reprodução da mulher e ela já podia casar, não é? já podia, o casamento já era tratado, foi isso que aconteceu com elas.
Casou com Alferes, que era um crápula e talvez tenha sido a primeira mulher separada oficialmente no Brasil, porque entre idas e vindas, a última tentativa de reconciliação dos mesmos, foi esfaqueada por ele. Então ele bebia, jogava, batia-lhe, violentava-a. E depois depois disso que ela tem o o o fatídico caso com Dom Pedro I, não é? Uma mulher que desafiou as convenções da sua época continua a deambular pelo cemitério, não em busca de vingança, mas para auxiliar aquelas que, como ela, procuram um destino melhor. [música] O ritual é
simples e, para muitos, desesperado. As raparigas que sonham em casar com um bom partido visitam o seu túmulo e fazem preces fervorosas. Rqueza tornou-se além de uma milagreira de cemitério e vou falar do seu devoto mais célebre, ela acabou por se tornar por conta de todos os estigmas, não é, da sua vida.
Final era amante de Dom Pedro com a morte da Leopoldina acabou, não é, por absorver toda a carga da dessa morte misteriosa da Leopoldina. Ela acabou por se tornar uma protetora das mulheres estigmatizadas destacadamente das prostitutas. Então, é um tipo de padroeira das prostitutas. Ah, já percebi. A, como milagreira, a malta vem aqui, faz pedidos, principalmente [música] de em temas afetivos, e depois dá uma volta em volta do desse desse sepulcro dela.
E quando acontece, quando atinge as graças, depois o pessoal põe alguma dessas plaquinhas. Uma coisa gira. O o mais notório devoto dela foi um rapaz que está ali, que com certeza que conhecem sem conhecer, que é o Mário Zan. O Mario Zan é o compositor daquela musiquinha, a música que mais toca no mundo em festa junina.
Mário João Zandomeneg, que era um acordeonista, né? eh, tocava acordeão italiano. A sua filha passou por uma dificuldade de saúde muito grande. Ele pediu ajuda à marquesa. Marquesa, segundo ele, intercedeu. Ela curou-se e desde então começou não só a cuidar do túmulo da marquesa, mas também de propagar essa capacidade dela milagrosa. A marqueza em vida foi uma força da natureza.
[música] O seu espírito aprisionado entre o mármore e a fé popular pode ser muito mais poderoso e imprevisível do que qualquer um ousa imaginar. [música] O sussurro das preces no silêncio da noite, a visão [música] de uma sombra feminina elegante e altiva pairando sobre o seu túmulo, são a prova de que o amor e o poder da marquesa [música] de santos resiste ao tempo e à morte.
A verdadeira assombração. Um dos maiores medos, medo da sociedade relacionado com sobrenatural são formas sobrenaturais que associadas a crianças. Então, por exemplo, aqueleinho ali, aquilo ali. Eh, é bem luta, é bem comum assim as pessoas terem mais medo de uma figura como aquela que é tipo simples para nós, é bonita, comum, tal.

do que de muitas vezes de obras gigantescas que nós vê por aqui. O cemitério da Consolação é mais do que um local de enterramento. É um portal para o passado sombrio de São Paulo. É [música] onde a história e a lenda se beijam na boca fria do mármore. Você pode visitar o local de dia como um turista e admirar a arte e a história.
[música] Esta verdadeira consolação só se revela quando o sol se esconde. [música] É neste momento que o coveiro fantasma retoma o seu posto, que a marquesa de Santos ouve os sussurros dos seus devotos e que a sombra de nenê romano [música] recusa-se a silenciar. As histórias que aqui contamos são apenas a ponta do icebergue, a centenas de outras almas inquietas, de outras tragédias não resolvidas.
Um convite para caminhar entre os mortos, para sentir o frio que não é do vento, mas da própria terra. [música] Um convite para ouvir os lamentos que não são de dor, mas de eternidade. Não é que eu diga que a pessoa que vê fantasma é a pessoa mais feliz do mundo, porque ela sabe que existe alguma coisa depois de morrer.
Então, então eu não, eu toda a gente que fala, epá, eu tenho uma experiência tal, diz: “Eh pá, então nunca vais ser triste”. Então apanha-se história de assombração e se começar a desse-la, vai perceber que traduz perfeitamente o tempo e espaço que aquela história foi concebida. E depois começa-se a desse começa-se a compreender como pensava uma comunidade, como as pessoas, quais eram os medos, quais eram os preconceitos, qual eram, é tudo consegue entender a partir de uma história, porque a história ela não tem editoria, o povo simplesmente sente,
o povo simplesmente conta. [música] Se tiver coragem, vá até lá, fique até ao anoitecer. E quando os portões se fecharem e estiver sozinho [música] com o mármore e as sombras, pergunte ao si mesmo: “Quem está realmente assombrando? [música] Quem? São eles, os mortos, que se recusam a descansar ou somos nós, os vivos, que simplesmente recusamo-nos [música] a esquecê-los?” A resposta, meu amigo, está no silêncio.
E o silêncio da consolação [música] é a coisa mais assustadora que alguma vez ouvirá. E acredita que [música] os cemitérios possam ser assombrados? Estamos ansiosos para ouvir a sua opinião. E se gostou deste vídeo, [música] deixe o seu like, o seu hype e não se esqueça de subscrever o [música] canal mais sobrenatural do Brasil.
Esperamos vê-los em breve. Até lá.