Era o dia 18 de agosto de 1977. As ruas de Memphis, no Tennessei, estavam tomadas por uma multidão de mais de 80.000 pessoas. Todos eles ali por uma única razão, dizer adeus ao homem que mudou a música para sempre. Mas antes do caixão sair de Graceland, antes do cortejo percorrer as ruas de Memphis, aconteceu algo que ninguém esperava.
Uma música começou a tocar. Não era Jail House Rock, não era Hound Dog, não foi nenhum dos sucessos que tinham feito o mundo enlouquecer. Era um hino, um hino de igreja e depois outro e depois mais um. Três hinos gospel escolhidos por Elvis antes de morrer. Por quê? O que sabia Elvis sobre estas músicas que o resto do mundo não sabia? Do outro lado do mundo, no Brasil, milhões de brasileiros estavam colados à televisão naquele dia.
Muitos choravam, alguns nem percebiam bem o inglês, mas sentiam. E há um pormenor que quase ninguém sabe. Nesse mesmo dia, num hospital em Memphis, havia um brasileiro. Um médico mineiro chamado Raul Lamin, que fazia residência nos Estados Unidos, foi chamado à pressa para participar na autópsia do homem mais famoso do mundo.
Quando ele entrou naquela sala e viu quem ali estava, quase não acreditou, o seu ídolo, o rei. E foi um brasileiro que pôde confirmar ao mundo. Elvis Presley tinha mesmo morrido. Bem-vindo ao dossier VIP. Hoje vai descobrir quem era Elvis quando as câmaras apagavam-se. O filho devotado que chorava abraçado à mãe. O menino pobre do Mississipi que aprendeu a cantar dentro de uma igreja antes de conquistar o mundo.
Você vai entender por razão estas músicas tocavam tão fundo na alma de Elvis que ele quis ouvi-las no último momento da sua vida. E a história por detrás de cada uma delas vai surpreender-te. Isto não é só a história de um funeral, é a história de quem Elvis Presley realmente era. E se ficar até ao fim, vai perceber porque é que esta história ainda faz chorar pessoas que nem sequer tinham nasceu quando ele morreu.

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Tens de voltar atrás. Muito atrás, Atupelo, no Mississipi, uma cidade pequena, pobre, esquecida no mapa do sul dos Estados Unidos. Era ali que vivia uma família chamada Presley, Vernon e Gladis, e o filho destes, Elvis Aaron, nascido a 8 de janeiro de 1935. A família não tinha dinheiro, não tinha luxos, não tinha nada que o mundo hoje associa ao nome Elvis Presley.
Mas tinha uma coisa, tinha fé. Gladis Presley era uma mulher profundamente religiosa, levava o pequeno Elvis à igreja todas as semanas. A Assembly of God, uma igreja pentecostal, onde a música não era apenas um acompanhamento, era o coração do culto. As pessoas cantavam com toda a alma, batiam palmas, choravam, gritavam de alegria.
E o pequeno Elvis ficava ali, de olhos bem abertos, a absorver tudo. aquelas vozes, aquelas harmonias, aquele sentimento de que a música podia tocar algo dentro das pessoas que as palavras normais nunca conseguiriam alcançar. Foi ali, naquela pequena igreja do Mississipi, que Elvis aprendeu a cantar, não escola de música, não com um professor particular.
Foi aí, entre hinos e orações, que a voz mais famosa do séc. XX encontrou o seu primeiro palco. E que nunca saiu dele, mesmo quando a a fama chegou. Mesmo quando o rock and roll o transformou numa lenda viva, mesmo quando Graceland se tornou o seu palácio, o gospel era a sua raiz, era o a sua casa, era o lugar onde Elvis Presley sentia-se mais ele próprio.
A história de como Elvis se tornou famoso é uma daquelas histórias que parecem inventadas, mas que são completamente verdadeiras. Em 1953, um jovem de 18 anos entrou num estúdio de gravação em Memphis. chamado Sun Studio, pagou 4 do seu bolso para gravar duas canções. “Um presente para a mãe”, disse.
“Mas o destino tinha outros planos”. Sam Philips, o dono do estúdio, ouviu aquela voz e percebeu que havia ali algo de diferente, algo que nunca tinha ouvido antes. Uma voz que misturava o gospel das igrejas negras do Sul com o country das rádios brancas. Uma voz que não pertencia a nenhum género e que, por isso mesmo, criou um novo género.
Em 1956, Helvis Presley foi o artista mais famoso dos Estados Unidos. As tuas As aparições na televisão eram eventos nacionais. As mães odiavam-no, os pais achavam-no perigoso, os jovens adoravam-no e toda a gente, de uma forma ou de outra, tinha uma opinião sobre Elvis.
Ele provocava reações, mexia com as pessoas, fazia-as sentir coisas. E que no mundo da música é o maior talento que alguém pode ter. Mas mesmo no meio de toda aquela loucura, Elvis gravou o gospel. Em 1957, lançou o seu primeiro álbum de música sacra, Peace in the Valley. Não porque a editora quis, não porque fosse uma jogada comercial, mas porque Elvis quis, porque precisava.
Porque a música gospel era a única música que o fazia sentir em paz consigo mesmo. E ao longo de toda a sua carreira, mesmo nos momentos mais loucos e mais caóticos, Elvis voltava sempre ao gospel, como quem regressa à casa depois de uma longa viagem. Mas nem toda a história de Elvis é de triunfo. A segunda metade da sua vida foi marcada por uma sombra crescente que poucos conseguiam ver por detrás dos holofotes.
O casamento com Priscila Bolier, que parecia um conto de fadas, terminou em divórcio em 1973. A filha destes, Lisa Marie, ficou com a mãe e Elvis ficou com Graceland, com os seus músicos, com os os seus guardascostas, mas cada vez mais sozinho. Os concertos continuavam, o público continuava a aparecer, mas Elvis estava a mudar.
O corpo, que uma vez tinha sido sinónimo de vitalidade e sensualidade, começava a mostrar os sinais de uma vida vivida em excesso. Os problemas de saúde acumulavam-se. As dependências de medicamentos prescritos eram um segredo que toda a gente à sua volta conhecia, mas que ninguém falava abertamente. Elvis tomava pastilhas para dormir, pastilhas para acordar, pastilhas para a dor, pastilhas para a ansiedade.
ciclo que o seu corpo ia tolerando cada vez menos. Em 1977, aqueles que estavam perto dele descrevem um homem que já não era a sombra do que tinha sido, um homem cansado, um homem que por vezes parecia já não estar completamente presente, mas que ainda assim subia ao palco, que ainda assim cantava, que ainda assim dava tudo o que tinha aos fãs que o adoravam.
O último concerto de Elvis Presley teve lugar a 26 de de junho de 1977 em Indianápolis. Quem lá estava diz que foi uma noite estranha. Havia momentos de brilho absoluto, aquela voz que ainda dominava qualquer sala e momentos de evidente fragilidade. Menos de 2 meses depois, Elvis Presley estava morto. 16 de agosto de 1977.
Era uma tarde quente de Verão em Memphis. Dentro de Graceland, a rotina era aparentemente normal. Elvis tinha estado acordado até de manhã, como era habitual. Tinha jogado squash, tinha lido e depois tinha ido descansar. Foi a sua namorada na altura, Gingeralden, que o encontrou no chão do banheiro.
Inconsciente, os paramédicos foram chamados de imediato. Fizeram tudo o que podiam, mas quando chegaram ao Baptist Memorial Hospital, os médicos já sabiam. Elvis Aaron Presley tinha morrido. A causa oficial foi um ataque cardíaco. Elvis tinha 42 anos. A notícia saiu às 17 horas, hora de Memphis. E em minutos, numa época sem internet, sem telemóveis, sem redes sociais, o mundo inteiro ficou a saber.
As rádios interromperam a programação, as televisões transmitiram em direto. Nas ruas de várias cidades, as pessoas pararam, olharam umas para as outras e choraram. Em Memphis, o que aconteceu nas horas seguintes foi algo que a cidade nunca tinha visto e nunca mais se esqueceu. As pessoas começaram a aparecer em frente a Graceland, primeiro aos pares, depois às dezenas, depois às centenas, depois aos milhares.
Vinham de carro, de autocarro, a pé, vinham de outros estados. Alguns viajaram durante a noite, queriam estar perto, queriam sentir que faziam parte daquele momento. O presidente Jimmy Carter fez uma declaração pública, descrevendo Elvis como um símbolo da vitalidade americana e ordenou o envio de 300 militares da Guarda Nacional para ajudar a manter a ordem em Memphis.
As bandeiras da cidade foram colocadas a meia aste. Uma cidade inteira dobrou os joelhos perante o seu rei. No dia seguinte à morte, o corpo de Elvis foi trazido de volta para Graceland. A família tinha decidido que o velório seria aberto ao público. Uma enorme decisão, uma decisão que mostrava o quanto a família de Elvis compreendia a relação especial que ele tinha com os seus fãs.
O caixão era branco, coberto de flores, colocado no salão principal da mansão, aquele salão que Elvis tanto amava e onde recebia os amigos e os músicos que faziam parte da a sua vida. que as portas de Graceland abriram-se e as pessoas entraram em fila, em silêncio, com os olhos vermelhos e os lenços na mão. Passavam junto ao caixão, alguns tocavam na madeira, alguns diziam uma palavra em voz baixa, alguns simplesmente olhavam e continuavam.
Mais de 75.000 pessoas passaram por Graceland naquele dia. Era agosto, o calor era sufocante, mas ninguém saiu da fila, ninguém desistiu, porque para aqueles pessoas despedirem-se de Elvis era mais importante do que qualquer desconforto físico. Do lado de fora, a multidão estendia-se por quilómetros. As lojas fecharam, o trânsito parou.
Memphis tinha-se transformado numa cidade de luto coletivo e dentro de Graceland, enquanto os fãs desfilavam em silêncio, a família de Elvis reunia-se para organizar o funeral. Um funeral que tinha de ser digno do maior nome da música popular. Um funeral que tinha de refletir quem Elvis era realmente. Não o ícone, não a lenda, mas o homem, o rapaz da igreja de Túpelo, o filho de Gledes, o homem que amava o gospel mais do que qualquer outra coisa no mundo.
E agora chegamos ao coração desta história, as músicas. Porque Elvis Presley não era apenas um cantor, era um homem com convicções musicais muito profundas. sabia exatamente o que amava, sabia exatamente o que o tocava e as pessoas que trabalharam com ele ao longo dos anos sabiam isso melhor do que ninguém.
Jade Sumner era um dos baixos gospel mais famosos de sempre. Tinha trabalhou com Elvis durante anos. Kathy Westmel era assoprano do grupo de Elvis. The Stamps Quartet eram os coralistas que acompanhavam Elvis em quase todos os concertos. Estas pessoas não eram apenas músicos contratados, eram amigos, eram companheiros, faziam parte da família musical de Elvis.
E quando chegou o momento do funeral, foram eles que tomaram o palco, não de um estádio, mas do salão de Graceland para cantar os hinos que o rei amava, os hinos que ele próprio tinha escolhido. Porque sim, Elvis tinha falado sobre isso, tinha deixado claro ao longo dos anos quais eram as músicas que mais significavam para ele, quais eram os hinos que lhe tocavam a alma de uma forma que nenhuma outra música conseguia.
E no dia do seu funeral, estes hinos soaram pela última vez para ele, para sempre, para todos os outros. O silêncio que se instalou no salão de Gracelanda, era daqueles silêncios que pesam, que se sentem no peito, que fazem as pessoas susterem a respiração sem perceber porquê. E então J Sumner abriu a boca e a primeira nota de How Great Dart encheu a sala. Quão grande és tu.
Este hino tem uma história longa e fascinante. Foi escrito originalmente em Sueco em 1885 por um missionário chamado Carl Boberg. Depois de uma violenta tempestade que o apanhou no campo, Boberg ficou maravilhado com a força da natureza e com a paz que se seguiu à tempestade e escreveu um poema sobre isso, um poema sobre a grandeza de Deus vista através da grandeza do mundo.
O hino foi traduzido para inglês e tornou-se um dos mais cantados nas igrejas protestantes de todo o mundo. Mas foi Elvis Presley quem o imortalizou para uma geração inteira. Em 1967, Elvis gravou uma versão que ficou para sempre na história da música gospel. A a sua voz nessa gravação tem uma qualidade quase sobrenatural.
Há momentos em que parece que Elvis não está simplesmente a cantar, está a confessar. Está até a oferecer algo muito pessoal, muito íntimo, ao Deus em quem acreditava. A gravação ganhou um Grammy. O único Grammy que Elvis alguma vez ganhou ao longo da sua carreira foi por música gospel. Pensa nisso. O homem que revolucionou a música popular do século XX ganhou o seu único prémio da academia por um hino.
Isso diz tudo sobre o que era verdadeiramente importante para ele. No funeral, quando How Great D Art soou pela primeira vez, muitos dos presentes não conseguiram conter as lágrimas, porque aquela música era o Elvis. Não o Elvis dos palcos, não o Elvis das capas de revista, o Elvis verdadeiro, o Elvis da alma.
E quando o caixão foi retirado de Graceland, quando os portões da mansão abriram-se para a última vez com Elvis lá dentro, o música voltou a tocar. Uma reprise, uma última despedida, como se a própria mansão estivesse a cantar para ele. A segunda música foi Amazing Grace. E se há uma canção no mundo que consegue fazer chegar pessoas que nunca foram a uma igreja na vida, esta música é Amazing Grace.
Há algo naquela melodia, naquelas palavras, que vai diretamente ao centro do peito de qualquer ser humano. Amazing grace, how sweet the sound, that saved a ratch like me. Graça, admirável, que doce som, que salvou um miserável como eu. A letra foi escrito por John Newton, um inglês que durante anos foi capitão de um navio negreiro, um homem que participou ativamente no tráfico de escravos e que depois, depois de uma violenta tempestade no meio do Oceano Atlântico que quase o matou, teve uma conversão. Largou o negócio dos
escravos, tornou-se pastor e escreveu a Masing Grace como uma A confissão, como um reconhecimento público de que ele era exatamente aquele miserável de quem a letra fala. A história por detrás desta música torna-a ainda mais poderosa. E Elvis conhecia esta história. Elvis sabia o peso daquelas palavras e escolheu-a para o seu funeral porque ela falava de algo que ele compreendia profundamente.
A ideia de que ninguém é perfeito, de que todos erram, de que todos precisam de graça. Elvis tinha os seus demónios, tinha as suas contradições, tinha os os seus pecados, como ele próprio teria dito. E Amazing Grace era a música que dizia que mesmo assim havia esperança, que mesmo assim havia redenção, que mesmo assim havia graça.
Quando o Stamps Quartet cantou Amazing Grace naquele salão de Graceland, houve um momento, dizem os que estavam presentes, em que o próprio silêncio parecia cantar, um momento em que o tempo parou, em que toda a dor e toda a saudade e toda a admiração de todos os presentes fundiu-se numa única sensação. A sensação de que se estavam a despedir de alguém que tinha sido muito maior do que qualquer um deles tinha percebido enquanto ainda estava vivo.
A terceira música foi Peace in the Vale. Paz no vale. E esta tem uma ligação especial com Elvis que vai muito para além do funeral. Elvis gravou o filme Peace in the Valley em 1957. Era jovem, era já famoso, mas escolheu gravar este hino gospel num momento em que poderia ter gravado qualquer coisa, num momento em que tudo o que saía da boca de Elvis se transformava em ouro e ele escolheu o gospel.
A música fala de um lugar de descanso, de um vale onde há paz, onde não há dor, onde não há sofrimento, onde os leões deitam-se ao lado dos cordeiros e ninguém tem medo de nada. É uma visão do paraíso, mas não um paraíso distante e abstracto. É um paraíso concreto, sensorial, quase físico, um lugar que possas imaginar, um lugar para o qual podes anseiar.
Kathy Westmland cantou Peace in the Valley no funeral com uma delicadeza que os presentes descrevem como devastadora. A voz dela, suave e limpa, a cantar sobre um lugar de paz, enquanto todos, à volta dela, estavam mergulhados na dor da perda. Havia qualquer coisa de profundamente contraditório e, ao mesmo tempo, profundamente certo naquele momento, como se a música estivesse a dizer: “Ele está bem”.
Ele chegou ao vale. Ele encontrou a paz. E enquanto Katy cantava, muitas pessoas fecharam os olhos, deixaram entrar a música, deixaram-se levar, porque às vezes a música faz exatamente isso, leva-nos para lugares onde as palavras nunca chegariam. O funeral não se ficou por estas três canções. Ao longo da cerimónia, outros hinos foram cantados, outras orações foram feitas, outras palavras foram ditas.
Havia flores por todo o lado, rosas branchas, lírios, enormes coroas enviadas por artistas, presidentes, reis e rainhas de todo o mundo. Frank Sinatra enviou flores. Chat Atkins esteve presente. Anne Margaret, a atriz com quem Elvis tinha filmado Viva Las Vegas e com quem tinha tido uma relação, estava presente.
Caroline Kennedy enviou uma mensagem de condolências. Era um funeral de Estado quase, mas ao mesmo tempo era algo muito mais íntimo, porque a família de Elvis e os amigos verdadeiros que ele tinha queriam que aquele momento fosse real, que não fosse um espetáculo, que fosse uma despedida genuína. E a música foi o fio condutor de tudo.
A música foi o que transformou aquela cerimónia numa experiência que os presentes nunca esqueceram. Porque Elvis não era apenas um homem que cantava canções, era um homem que acreditava nelas, que as vivia, que as utilizava para comunicar coisas que, de outra forma, não conseguia dizer. E no seu funeral, estes músicas fizeram exatamente isso.
Disseram tudo o que havia a dizer. Mas a história de Elvis não terminou com o funeral. Dias depois, aconteceu algo que chocou a família e que poucos conhecem. Três homens foram apanhados dentro do cemitério de Forest Hill, onde Elvis tinha sido sepultado ao lado da sua mãe Gledis. Tinham ferramentas, tinham um plano, queriam desenterrar o corpo de Elvis Presley.
As razões exatas nunca foram completamente esclarecidas. Havia rumores de que queriam provar que o caixão estava vazio. Uma das primeiras teorias de que Elvis tinha fingido a sua própria morte. Havia quem dissesse que era por dinheiro, que havia quem pagasse fortunas por qualquer objeto ligado a Elvis, quanto mais pelo próprio.
A tentativa falhou, os homens foram detidos, mas o incidente assustou profundamente a família Presley. Vernon, o pai de Elvis, tomou uma decisão imediata. O corpo de Elvis e o corpo de Glades seriam transferidos não para outro cemitério, para o interior de Graceland, para o jardim da meditação, um espaço tranquilo dentro da própria propriedade, rodeado de árvores e flores.
Um lugar que Elves adorava, um lugar onde ele próprio se ia sentar e pensar nos momentos em que precisava de silêncio. E foi aí que Elves foi colocado para sempre, ao lado da mãe que tinha adorado, a mulher que o tinha levado à igreja, a mulher que lhe tinha ensinado a amar o gospel, juntos em paz no jardim que amava. Hoje, quando os os visitantes vão a Graceland e são centenas de milhares todos os anos, podem ir ao jardim da meditação e estar perto de Elvis.
Podem deixar flores, podem dizer uma palavra, podem simplesmente ficar ali em silêncio. E muitos choram, mesmo os que nunca o viram em vida, mesmo os que só o conhecem pela música, porque há qualquer coisa em Elvis que continua a tocar as pessoas de uma forma que é difícil de explicar. Há um último pormenor desta história que é impossível não contar.
No Verão de 1977, poucas semanas antes de morrer, Elvis tinha lançado uma nova música. Chamava-se Way Down, uma canção rítmica, energética, cheia de vida, com aquele baixo inconfundível de JD Sumner a ancorar tudo. Era exatamente o tipo de música que Elvis adorava, divertida, poderosa, cheia de alma.
A música tinha saído, mas ainda não tinha tido tempo para chegar ao topo das tabelas. E então Elvis morreu e aconteceu algo que ninguém esperava. Way down disparou nas rádios de todo o mundo, nas lojas de discos, em todo o lado. De repente, toda a gente queria ouvir Elvis, queria ouvir a sua voz, queria ter aquela última ligação ao homem que tinha partido.
Wayown atingiu o primeiro lugar nos Estados Unidos, atingiu o primeiro lugar no Reino Unido, ficou nas tabelas durante semanas. Era a última voz de Elvis a ecoar pelo mundo. Uma última canção, uma última despedida. Way down where the music plays. Way down like a tidle wave. Way down where the fire is blaz. Way down.
Lá em baixo onde a música toca. Lá em baixo como uma onda gigante. Lá em baixo onde as chamas ardem. Lá em baixo havia qualquer coisa de profético naquelas palavras. qualquer coisa que parecesse saber mais do que devia. 48 anos depois da morte de Elvis Presley, o seu legado não mostra sinais de abrandamento.
Graceland continua a ser um dos locais turísticos mais visitados dos Estados Unidos. Mais de 600.000 pessoas visitam a mansão todos os anos. O seu rosto continua a aparecer em capas de revista, em documentários, em filmes. A sua música continua a ser ouvida pelas novas gerações que nem sequer tinham nascido quando morreu.
Porque há artistas que são produtos do seu tempo, que brilham muito e que depois desaparecem substituídos pelo próximo. E há artistas que são algo diferente, que tocam algo universal, que falam uma linguagem que transcende o tempo e as gerações e os estilos musicais. Elvis é um destes artistas, mas o que este vídeo tentou mostrar, o que esta história tentou revelar, é que por detrás do ícone estava um homem.
Um homem simples, com raízes simples, com uma fé profunda e genuína. Um homem que quando chegou o momento da verdade não quis ser despedido com rock and roll, quis ser despedido com gospel, com os hinos da sua infância, com as músicas que a sua mãe lhe tinha ensinado a amar, com How Great Thart, com Amazing Grace, com Peace in the Valley, como se no final Elvis Presley quisesse dizer ao mundo: “Por baixo de tudo, por baixo da fama e dos discos de ouro e dos factos de lantejouas, eu era apenas um rapaz de tupelo que amava cantar para Deus. E é
assim que quero ser lembrado. Os reis morrem, as coroas enferrujam, os palcos são desmontados e os holofotes apagam-se. Mas há coisas que nenhuma morte consegue levar. Há vozes que continuam a ecoar muito depois do último suspiro. Há músicas que continuam a tocar no coração das pessoas gerações depois de quem as cantou já ter partido.
A voz do Elvis é uma dessas vozes. E enquanto houver alguém em qualquer parte do mundo a ouvir How Grande Dart com os olhos fechados e o coração aberto, o rei nunca morrerá de verdade. Obrigado por teres ficado até ao fim desta história aqui no Dos VIP. Se este vídeo te tocou, se aprendeste algo que não sabias, se sentiste algo que não esperavas sentir, deixa o teu like, subscreve o canal, partilha com alguém que ame Elvis ou que necessite de ouvir uma história assim hoje e comenta aqui em baixo qual
destas músicas tocou-te mais. How great D art, Amazing Grace ou Peace in the Vale? Eu quero mesmo saber. Até ao próximo DOS. Cuida-te. Yeah.