A HISTÓRIA MAIS TRISTE DOS MAMONAS ASSASSINAS FOI ESCONDIDA POR ANOS  s

A HISTÓRIA MAIS TRISTE DOS MAMONAS ASSASSINAS FOI ESCONDIDA POR ANOS  s

Mamonas assassinas. É assim que nós queremos recordá-los.   Ah, meu, deixa, deixa-me concentrar, meu. Como é que vou fazer xixi assim?  Estou aqui. Vou tirar uma coisa. Sem isso não consigo viajar. Eu também. Aí ó, confirma o evento para livro 100 gra 29 agora morrendo esta noite sonhei com negócio assim parecia que o avião caía não sei como quer dizer.

Minutos depois o avião embateu contra o monte. Em 2 de Março de 1996, o Brasil foi dormir sem imaginar que estava prestes a perder o maior fenómeno da música nacional. Em questão de segundos, cinco jovens que pareciam imparáveis ​​desapareceram para sempre, deixando famílias destruídas. Posso afirmar com toda a certeza que nunca fui tão feliz na minha vida como eu fui com ele.

 Porque para além de ele ser meu namorado, era muito mais do que amigo, do que companheiro, do que cúmplice, do que tudo, porque nós fazia tudo junto. Questão sem resposta. Você vai ficar com saudades dos mamonas assassinas? Fita. Por quê? Porque porque foi viajar. E uma história tão assustadora que até hoje arrepia quem conhece os pormenores.

Mas o que quase ninguém sabe é que horas antes da tragédia, um dos membros dos mamonas assassinas gravou um vídeo falando sobre um sonho perturbador envolvendo a queda de um avião. Esta noite sonhei com um negócio assim, parecia que o avião caía. Não sei. Ouça de novo daqui a 5 segundos. A última previsão de judessa noite sonhei com um negócio destes parecia que o avião ca não sei como quer dizer.

 E quando esse vídeo foi encontrado depois do acidente até as próprias famílias ficaram em choque. Eu não estou a acreditar direito nessa morte. Não parece que que é mentira. Parece que vai aparecer na televisão que é engano, alguma coisa assim, não é? Por trás das piadas, do humor e da alegria que conquistaram todo o Brasil, existia uma última noite marcada por pressentimentos, decisões estranhas e pormenores que a grande comunicação social nunca explicou direito.

 E quanto mais se mergulha nesta história, mais difícil fica a acreditar que tudo aconteceu daquela forma. Hoje vai descobrir a verdadeira história do acidente que destruiu não só uma banda, mas nove vidas e várias famílias de uma só vez. Antes de compreender aquela madrugada que parou o Brasil, precisa de conhecer quem eram aqueles cinco rapazes longe dos palcos e das câmaras.

 Porque por trás do fenóo chamado Mamonas Assassinas existiam jovens comuns vindos da periferia de Guarulhos, que nunca imaginavam que teriam um destino tão cruel. O vocalista Dinho, cujo nome verdadeiro era Edmundo Diniz Borges Fernandes. O meu nome é Dinho, sou vocalista, cantor da banda também. Cresceu numa família simples e desde criança chamava a atenção pela energia quase impossível de ignorar.

 Ele fazia piada de tudo, transformava qualquer conversa em riso.  O Fábio está aí. Fábio meu de e tinha uma facilidade impressionante para conquistar as pessoas.  Mas quem com ele convivia dizia que por trás daquele jeito explosivo e engraçado existia também um rapaz extremamente sensível. Toda a gente tem motivo para chorar.

 A gente quer ser um motivo diferente, a gente quer dar alegria às pessoas. Eu acho que é isso que está a pegar bem. Sabão cra não deixa os cabelos do enrol. Bento o guitarrista era quase o oposto. Bento Rinoto, guitarrista, fizemos o que a gente gosta. Filho de imigrantes japoneses, era tímido, calado e reservado.

Conseguiu agradar a um público que é muito fiel, não é? São as crianças, certo? Eles gostam e para o ano continuam sendo crianças ainda, não é? Isto que é o bom. O teu corpo violão, meu docinho de coco. Enquanto Dinho dominava os ambientes falando sem parar, Bento parecia preferir deixar que a sua guitarra falasse por ele e falava muito.

 Mesmo jovem, já era considerado por muita gente um músico acima da média. Júlio Rasek, o teclista, carregava uma personalidade diferente dentro do grupo. Sou o Júlio Rassque, sou teclista, sempre tímido, calado, mas atencioso com os fãs. Era mais introspetivo, mais observador e muitas vezes parecia estar noutro mundo.

 amigos próximos contavam que ele tinha um jeito mais espiritualizado, mais reflexivo, e esse pormenor se tornaria assustadoramente importante horas antes da tragédia. Já Sérgio Reoli e Samuel Reoli eram irmãos inseparáveis. Cresceram dividindo praticamente tudo: o quarto, os sonhos, as dificuldades e a paixão pela música. De quem surgiu a ideia de pôr o nome na banda de Mamonas Assassinas? Foi do Samuel.

 Pode falar de onde? Quer dizer, da cabeça. A família inteira acompanhou os dois tentando vencer na vida em comum desde adolescentes, sem imaginar que também partiriam juntos cedo demais. Cinco jovens entre os 22 e os 27 anos, sem origem rica, sem empresários poderosos no início, sem privilégios, apenas talento, amizade e um sonho gigantesco de vencer através da música.

 E o mais impressionante é que conseguiram muito mais rápido do que qualquer pessoa poderia imaginar. Antes da fama nacional, os mamonas assassinas eram apenas uma banda chamada Utopia. Tinham uma banda chamada Utopia, um grupo que fazia covers de todos os estilos. Durante anos tocaram em pequenos bares, festas de bairro e eventos onde quase ninguém lhes prestava atenção.

Utopia outra vez. Muitas vezes recebiam cachets baixos. enfrentavam maus equipamentos e regressavam a casa sem saber se algum dia conseguiriam realmente viver da música. Mas existia uma diferença naquele grupo. Eles não tentavam parecer graves o tempo inteiro. Enquanto outras bandas queriam transmitir imagem de rebeldia ou romantismo, aqueles cinco rapazes transformavam qualquer ensaio em uma completa confusão.

 misturavam o rock pesado com piadas, improvisavam letras absurdas e faziam os próprios amigos rirem até perderem o ar. Foi precisamente aquilo que mudou tudo. Em 1995, decidiram abandonar o nome Utopia e nasceram oficialmente os mamonas assassinas. O novo projeto era ousado, estranho e completamente diferente do tudo o que existia na música brasileira naquela época.

 Eles misturavam rock, pagode, heavy metal, sertanejo, música portuguesa e humor escrachado em letras cheias de duplo sentido, palavrões e sátiras do quotidiano brasileiro. Ninguém imaginava o que aconteceria a seguir. O álbum lançado nesse ano tornou-se um fenómeno praticamente instantâneo. Em poucos meses, vendeu mais de 2 milhões de cópias.

 Era algo gigantesco para a época. Os mamonas em apenas 7 meses venderam mais de 2 milhões de exemplares. Isso nunca tinha acontecido antes na história do disco no Brasil. As músicas passavam nas rádios o dia inteiro. Crianças decoravam letras inteiras. Os adolescentes imitavam o jeito dos membros e programas de televisão disputavam quem conseguiria entrevistá-los primeiro.

 O Brasil simplesmente ficou obsecado pelos mamonas. Passaram a viver uma rotina enlouquecedora. Espetáculos lotados, viagens constantes, entrevistas, gravações, hotéis e aeroportos. Quase todos os dias a banda mal tinha tempo para descansar. Mas mesmo no meio daquela correria absurda, os cinco pareciam felizes por finalmente estarem a viver o sonho que começou nos bairros simples de Guarulhos.

 O que ninguém percebia é que aquela velocidade toda começava também a cobrar um preço pesado. E semanas antes da tragédia, as pessoas próximas já notavam sinais de cansaço físico e emocional nos membros, mas havia um pormenor ainda mais perturbador a acontecer nos bastidores, sobretudo com Júlio Rassek.

 No início de Março de 1996, os mamonas assassinos já eram tratados como os artistas mais populares do país. A agenda estava completamente preenchida e existiam planos ambiciosos para expandir o sucesso da banda para fora do Brasil, principalmente em Portugal, onde as músicas começavam a explodir entre os brasileiros que viviam no país.

 Na noite de 2 de março de 1996, a banda aterrou em Brasília para mais um espectáculo.  E como acontecia em praticamente todas as as apresentações dessa fase, o público parecia fora de controlo. Gente a cantar cada música do início ao fim, os fãs chorando, empurra empurra nos bastidores e uma energia que fazia parecer que aqueles cinco rapazes viveriam para sempre naquele auge.

 Mas algumas pessoas aperceberam-se que o clima naquela noite estava diferente. Integrantes da equipa relataram anos mais tarde que alguns membros da banda pareciam mais cansados ​​do que o normal. A rotina vinha sendo brutal. Resultado de tudo isto, lotação esgotada em todos os concertos. Eles chegaram a fazer quatro espetáculos por dia, sete espetáculos por semana, percorreram todas as grandes cidades do Brasil.

 Um público de quase 2 milhões viviam em hotéis, ensaiando, se apresentando, comendo depressa, trabalhando, trabalhando, trabalhando. Que linda que ficou uma, viu? Como melhora. Aos poucos começava a desgastar todo o mundo. E foi precisamente nessa noite que aconteceu algo que mais tarde se tornaria um dos pontos mais assustadores de toda esta história.

 Horas antes do embarque, apareceu Júlio Razek visivelmente abalado, comentando a um sonho perturbador que tinha tido envolvendo um avião. 12 horas antes de morrer. Sexta noite eu sonhei com um negócio assim, parecia que o avião ca não sei como dizer. No início muitos pensaram que fosse apenas mais uma conversa aleatória entre amigos cansados ​​depois de tantos dias intensos.

 Mas quem viu Júlio naquele momento dizia que ele não parecia estar brincando. Ele falava a sério. Segundo relatos próximos da banda, Júlio estava inquieto, desconfortável e estranhamente silencioso em vários momentos daquela noite. E isso chamava a atenção precisamente porque, apesar de ser mais reservado, costumava entrar nas brincadeiras do grupo.

 Enquanto isso, o espetáculo seguia normalmente. O público ria, cantava e celebrava sem imaginar que estava assistindo à última apresentação completa dos mamonas assassinos. Quando o espetáculo terminou, pouco antes da meia-noite, os cinco músicos seguiram para o aeroporto para embarcar no jato executivo que os levaria de volta para São Paulo.

 Era apenas mais um voo depois de mais um espectáculo. Pelo menos era isso que todos os acreditavam naquele momento. O avião que levaria os mamonas assassinos de volta para casa era um LERJet 25D, prefixo PTLSD, operado pela empresa Taxi Aéreo Madrid. Além dos cinco elementos da banda, seguiam também a bordo o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Taqueda e dois funcionários da empresa aérea, Isaac Solto e Sérgio Porto.

 Ao todo, nove pessoas embarcaram naquele madrugada sem imaginar que nenhuma delas voltaria viva. O voo partiu de Brasília, aparentemente sem qualquer problema grave. No interior da aeronave, o clima já não era o mesmo da euforia do palco. Não bebam, não respirem, não se levantem, não olhem para mim, calem-se, fiquem quiet até para Depois de horas de espectáculo e viagens constantes, o cansaço finalmente começava a vencer.

 Alguns descansavam, outros conversavam baixo, enquanto o avião seguia em direção ao aeroporto de Guarulhos, cidade onde praticamente tudo tinha começado para aqueles cinco jovens. Lá fora, a situação era diferente. A madrugada em São Paulo estava fechada, com pouca visibilidade e condições difíceis para a aterragem. Mesmo assim, a aproximação inicial aconteceu dentro do esperado.

 Mas nos minutos finais, quando o jato já se preparava para tocar no solo, algo obrigou o piloto a abortar a aterragem. A manobra se chama arremetida. é quando o avião interrompe a aterragem e volta a subir para tentar novamente um procedimento considerado relativamente comum na aviação. O problema foi o que aconteceu segundos depois.

 A torre de controlo informou que para reiniciar a manobra de aterragem, o piloto deveria seguir pela direita em direção à Via Dutra, mas o piloto avisou que iria para a esquerda, onde fica a Serra da Cantareira. Mas por razões que até hoje geram discussões, o avião acabou por seguir na direção errada, aproximando-se perigosamente da Serra da Cantareira.

 E então aconteceu o impensável. Pouco depois da meia-noite, o Learet atingiu a serra em alta velocidade. O impacto foi tão violento que os moradores próximos relataram um estrondo enorme cortando o silêncio da madrugada. Numa questão de segundos, o maior fenómeno musical do Brasil deixava de existir. O Brasil amanheceu hoje mais triste.

Estão mortos todos os membros do irreverente grupo Mamonas Assassinas, o maior fenómeno da história recente da música brasileira. Acidente aéreo mortal. A notícia que era difícil de acreditar colocava um ponto final na trajetória dos Momonas. É que naquele momento o país inteiro ainda dormia sem saber que uma das maiores tragédias da história da música brasileira tinha acabado de acontecer.

Os mamonas já não eram só de Guarulhos. O Brasil inteiro se comoveu com a morte dos cinco miúdos e acompanhou emocionado o funeral dos jovens da banda. O caso de Dinho foi um dos mais difíceis para a família. Nessa morte não parece que que é mentira. Parece que vai aparecer na televisão que engana alguma coisa assim, não é? Olha, eu posso afirmar com toda a certeza que nunca fui tão feliz na minha vida como eu fui com ele.

Porque para além de ele ser meu namorado, ele era muito mais do que amigo, do que companheiro, do que cúmplice, do que tudo, porque fazíamos tudo junto. Para os familiares, aquele momento foi devastador. horas antes, todo o Brasil se ria das brincadeiras dele na televisão. Agora, a família precisava de lidar com uma dor impossível de colocar em palavras.

Mas depois surgiu a informação de que Júlio tinha realmente falado sobre esse pressentimento pouco antes do embarque. E isso transformou completamente a forma como muita gente passou a ver aquela última noite. Sim, para a família do Júlio, conviver com este depois da tragédia foi devastador. Não era apenas a perda de um filho e irmão, era também o peso emocional da imaginar que de alguma forma ele parecia sentir que algo terrível estava prestes a acontecer.

 E enquanto o Brasil transformava os mamonas assassinos em lenda, as famílias começavam a enfrentar um luto que mudaria as suas vidas para sempre. A dor atingiu cada família de uma forma diferente, porque enquanto o país via os mamonas assassinas como personagens engraçadas da televisão, dentro de casa eram apenas filhos, irmãos, amigos e jovens, cheios de planos que nunca teriam a hipótese de envelhecer.

 O pai Didinho passou anos praticamente sem conseguir falar sobre o assunto publicamente. Pessoas próximas diziam que a perda destruiu parte da alegria da família. A A mãe do vocalista também nunca conseguiu superar completamente o trauma. Afinal, em poucos meses, viu o filho sair de uma vida simples em Guarulhos para se tornar conhecido no Brasil inteiro e depois desaparecer de forma brutal da noite para o dia.

 Na casa da família Inoto, o silêncio tomou conta depois da morte de Bento. Quem conhecia o guitarrista dizia que era discreto mesmo fora dos palcos e talvez por isso a sua ausência tenha sido sentida de forma tão dolorosa. Não havia mais o som da guitarra, já não havia os ensaios, já não havia aquele jovem tímido a entrar pela porta depois das viagens, mas uma das situações mais devastadoras envolveu os irmãos Sérgio e Samuel Reoli.

 Os pais dos dois perderam os filhos ao mesmo tempo. É difícil até imaginar o tamanho desse vazio. Dois irmãos que cresceram juntos, sonharam juntos e conquistaram o país juntos partiram na mesma madrugada. Pessoas próximas da família referiram que o sofrimento foi tão grande que durante muito tempo o assunto quase não era tocado dentro de casa.

 E enquanto estas famílias tentavam sobreviver emocionalmente ao luto, outra dor começava a surgir longe dos holofotes. Porque não foram apenas os músicos que morreram nessa noite. O piloto Jorge Luiz Germano Martins, o co-piloto Alberto Taqueda e os funcionários Isaac Solto e Sérgio Porto também deixaram famílias destruídas.

 Esposas, filhos, pais e irmãos que praticamente desapareceram da cobertura mediática após os primeiros dias da tragédia. A viúva do piloto Jorge Luiz carregou um peso especialmente cruel. Depois que as investigações passaram a apontar erros humanos como a principal causa do acidente, o nome do marido começou a ser associado diretamente à morte dos mamonas assassinas.

E que peço atenção da plateia. Uma pessoa que morreu no acidente, que era o piloto, foi enterrada como culpada. E foi aí que começou uma batalha silenciosa que quase ninguém acompanhou pela televisão. Com o passar dos meses, as investigações oficiais começaram a tentar reconstruir os últimos minutos daquele voo.

 O trabalho foi conduzido pelo SENIPA, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira. Os peritos analisaram gravações, dados técnicos, rota da aeronave e os procedimentos executados durante a aproximação para pouso em Guarulhos. De novo, segundo o Serviço Regional de Proteção de Voo, as gravações mostram que o avião vinha demasiado alto e demasiado rápido.

 Como o pouso não poderia ser feito com segurança, o piloto desistiu de descer, o que é um procedimento correto e comum. Conforme o relatório avançava, a conclusão começou a apontar para uma combinação perigosa de fatores naquela madrugada. Segundo as investigações, o avião realizou uma aproximação considerada inadequada para as condições daquele momento.

 A a visibilidade era baixa, a madrugada estava difícil para aterrar e a tripulação já demonstrava sinais de desgaste físico por excesso de trabalho e rotina intensa de voos. Quando o piloto decidiu arremeter, tudo passou a depender de segundos. A orientação correta era seguir um percurso específico de subida para evitar áreas montanhosas em redor de São Paulo.

 Mas durante a manobra, o Leerjet acabou por desviar para a esquerda, entrando exatamente na direção da Serra da Cantareira. Foi o suficiente para transformar uma tentativa de aterragem abortada em tragédia. A investigação também levantou discussões sobre a fadiga dos pilotos e as condições do setor de táxi aéreo naquela época.

 Em 1996, as regras de controlo de tempos de trabalho e descanso eram muito menos rígidas do que hoje e muitos profissionais enfrentavam escalas extremamente pesadas. Mas apesar das explicações técnicas, várias perguntas nunca deixaram de incomodar as famílias. O que aconteceu exatamente dentro dessa cabine nos segundos finais? Foi apenas erro humano? Houve falha de comunicação? Algum problema técnico contribuiu para a acidente? Ou tudo aconteceu depressa demasiado para qualquer reação? O relatório trouxe respostas técnicas, mas não

trouxe paz a quem perdeu alguém naquela noite. E enquanto o Brasil tentava seguir em frente, existia uma mulher a viver um sofrimento particular e quase invisível. a viúva do piloto Jorge Luís Germano Martins. Porque para ela, para além da perda do marido, ainda existia uma outra dor impossível de ignorar, ver o homem que amava a ser tratado por muita gente como culpado pela morte dos mamonas assassinas.

 Anos depois da tragédia, a viúva do piloto Jorge Luiz decidiu falar publicamente sobre o assunto e as suas declarações chamaram atenção porque mostravam um lado da história que quase nunca aparecia nas reportagens da época. Com um marido que faz tudo e você acorda viúva com duas filhas para criar. Depois acorda no olho do furacão.

Literalmente é o olho do furacão. Enquanto milhões de brasileiros lembravam-se dos mamonas assassinos com carinho e emoção, ela precisava de conviver diariamente com o peso de ouvir o nome do marido associado ao acidente que matou a banda mais amada do país. Em entrevistas, ela foi firme ao defender a memória dele.

Uma onda de que o peloterror não seria vítima se estivesse vivo connosco, não é? mas foi vítima, tão vítima quanto eh todos os que ali estavam. E todas nós somos vítimas até hoje. Para ela, reduzir toda a a tragédia à ideia de que o piloto errou era injusto e cruel. Afinal, ninguém conhecia melhor do que ela o homem que saiu para trabalhar nessa noite e nunca mais voltou para casa.

Conforme as audições que íamos tendo, não é, por causa do acidente, fui percebendo que muita coisa estava errada, porque sabia quem era o Jorge, eu sabia o profissional que ele era. O mais penoso é que enquanto o Brasil inteiro chorava os músicos, muitas das famílias da tripulação acabaram praticamente esquecidas com o passar do tempo.

 Os filhos do piloto cresceram carregando a sombra daquela tragédia. A família do copiloto Alberto Taqueda também viveu anos a tentar lidar com a perda silenciosamente, longe da atenção dos media. O mesmo aconteceu com os familiares de Isaac Solto e Sérgio Porto. E talvez essa seja uma das partes mais humanas e menos comentadas de toda esta história.

 Porque quando o avião caiu, não foram apenas cinco ídolos que morreram. Existiam nove pessoas ali dentro. Nove histórias interrompido, nove famílias destruídas na mesma madrugada, mas existe ainda outro pormenor que pouca gente conhece e que deixa esta tragédia ainda mais impressionante. Segundo relatos de pessoas ligadas à equipa dos mamonas assassinas, havia um membro técnico do grupo que normalmente viajaria junto naquele regresso a São Paulo.

 Um homem que trabalhava nos bastidores e acompanhava a banda havia bastante tempo. Só que nessa noite, por circunstâncias que variam, dependendo da versão contada, acabou por ficar em terra e, sem saber, escapou à morte por questão de minutos. Durante muito tempo, este sobrevivente indireto da tragédia preferiu manter-se longe dos holofotes.

Pessoas próximas contaram que ele transportou um sentimento de culpa difícil de explicar, como se estivesse a viver uma vida que, na sua cabeça, também deveria ter terminado nessa madrugada. Segundo relatos dados meses depois do acidente, dizia pensar constantemente no que teria acontecido se tivesse embarcado juntamente com a banda.

Em alguns momentos, chegou a afirmar que sentia-se estranho por continuar vivo enquanto todos os amigos tinham partido. E este tipo de culpa é mais comum do que muita gente imagina em tragédias destas. Porque enquanto o Brasil transformava os mamonas assassinas num símbolo eterno da música brasileira, quem conviveu diretamente com eles precisava de aprender a sobreviver sem aquelas pessoas por perto, sem as piadas nos bastidores, sem os ensaios, sem as viagens e sem a rotina que até poucos dias antes parecia

normal. O tempo passou, os anos mudaram, mas a imagem daquela madrugada nunca saiu completamente da memória do país. A A Serra da Cantareira tornou-se um lugar marcado pela tragédia. O disco dos Mamonas continuou entre os mais vendidos da história da música brasileira. Novas gerações começaram a conhecer a banda através dos pais, da internet, de documentários e filmes estreados anos depois.

Mesmo pessoas que nem sequer tinham nascido em 1996 aprenderam a cantar canções como Pelados em Santos e vira vira. E talvez isso seja o mais impressionante de tudo, porque a carreira dos mamonas assassinas durou muito pouco tempo. Foram apenas alguns meses de sucesso absoluto antes do acidente. Ainda assim, o impacto cultural deixado por aqueles cinco jovens foi tão grande que o Brasil nunca conseguiu esquecê-los.

 Mas para as famílias, a fama eterna nunca substituiu a ausência. Os pais envelheceram sem os filhos. Os irmãos seguiram a vida transportando lembranças interrompidas cedo demais. E todos eles tiveram de assistir ao longo das décadas o país transformar aquela tragédia num símbolo nacional. Só que há uma questão que permanece viva até hoje.

 E se aquele voo tivesse sido cancelado? E se Júlio tivesse insistido mais no pressentimento? E se a arremetida tivesse seguido o percurso correto? Questões sem resposta que continuam assombrando esta história até hoje. 30 anos depois daquela madrugada de 2 de Março de 1996, a história dos mamonas assassinas continua rodeada de emoção, saudade e questões que talvez nunca sejam respondidas completamente.

 O Brasil seguiu em frente. Novos artistas surgiram, novas bandas dominaram as rádios e as novas gerações ocuparam os palcos. Mas poucas vezes o país viu um fenómeno tão explosivo quanto aqueles cinco rapazes de Guarulhos. Eles apareceram como um furacão e desapareceram demasiado depressa. E talvez seja exatamente por isso que a dor nunca desapareceu completamente da memória coletiva, porque os mamonas não tiveram tempo de envelhecer, não tiveram tempo de viver a decadência da fama, não tiveram tempo de se afastar do público.

Ficaram congelados para sempre no auge da alegria, da juventude e do sucesso. Enquanto isso, as famílias continuaram a tentar reconstruir a vida longe das câmaras. Pais que enterraram filhos demasiado jovens, irmãos que precisaram de aprender a conviver com o vazio. Pessoas comuns que viram o seu apelido se tornarem conhecidos nacionalmente por causa da pior tragédia das suas vidas.

 E no meio de toda esta história permanece aquele pormenor impossível de ignorar, o pressentimento de Júlio Razek horas antes do voo. Talvez nunca exista uma explicação para isso. Talvez tenha sido apenas coincidência. Talvez tenha sido intuição. Ou talvez certas histórias simplesmente transportam mistérios que nunca serão totalmente compreendidos.

 E ainda hoje quando alguém ouve uma música dos mamonas assassinos, existe sempre aquela estranha sensação de nostalgia misturada com tristeza, como se o Brasil inteiro ainda tivesse dificuldade em aceitar que tudo acabou tão depressa. E aí, já conhecia todos estes pormenores desta tragédia? Você acredita que o pressentimento de Júlio foi apenas coincidência ou acha que realmente houve algo de estranho naquela última noite? comenta aqui em baixo porque eu quero muito saber a sua opinião.

 E se esse vídeo te emocionou, partilha com alguém que também cresceu a ouvir os mamonas assassinas. Subscreve o canal e ativa o sininho, porque aqui nós recorda histórias que o tempo nunca conseguiu apagar. Oh.

 

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