Nos dias que antecederam o crime, Suzane e os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos planearam cada detalhe da execução. [música] O cenário escolhido não foi uma rua deserta ou um local distante, foi a própria casa, o mesmo lar onde ela crescera. E é isso que até hoje causa arrepios em quem revisita esta história.
O mal não veio de fora, nasceu dentro de casa. O casal foi sepultado no cemitério da zona ocidental da capital na presença dos dois filhos. O duplo assassinato é ainda um mistério para a polícia. Foi nesta casa de classe média alta que o engenheiro Manfredon Ristofen, de 49 anos, e a mulher, Maríia, de 50 anos, foram mortos com pancadas na cabeça.
Os dois filhos do casal tinham saído. O miúdo disse à polícia que ficou nesta casa de jogos eletrónicos até às 3 da madrugada. A irmã contou que estava neste motel com o namorado e que antes de regressar a casa passou para buscar o irmão. Ao chegarem encontraram os pais mortos e chamaram a polícia. A polícia não descarta a hipótese de assalto e levanta uma suspeita que entrou na casa poderia ser um conhecido da família.
é que o circuito de TV que fazia vigilância e os alarmes estavam desligados à hora do crime e não havia sinais de arrombamento. Depois disso, o silêncio que se instalou [música] no interior da residência nunca seria o mesmo. Assim, o suposto ladrão sabia onde tinha jarro de água na cozinha, onde estava a faca e onde estava o saco de lixo.
Susane subiu as escadas que conduzem ao quarto dos pais. Verificou-se Manfred e Maríia dormiam. Desceu e fez sinal de positivo. Os irmãos cravinhos subiram o casal com golpes de barras de metal. Susane esperou no andar de baixo e diz que tentou não ouvir o que se passava no quarto dos pais. Mas algo mais, algo que não está impresso nos relatórios policiais.
parece ter nascido ali. A casa foi engolida pela tragédia, como se as paredes tivessem absorvido o horror daquela noite. Desde então, os vizinhos relatam que algo na atmosfera da rua mudou. O peso inconcebível da maldade pairava no ar. À noite, as sombras da casa pareciam alongar-se, cobrindo o asfalto com uma presença que ninguém ousava encarar por muito tempo.
Nos deuses, nós estamos em frente à mansão, onde o casal Ristofin foi assassinado em Outubro de 2002. Nós tentámos um contacto com a nova proprietária, mas esta preferiu não gravar entrevista. Eu estou aqui com a Márcia Fernandes, que é a sensitiva. Márcia, assim que chegámos ao local, já nos falou, né? Tô sentindo uma energia ruim. É isso.
Explica-me o que é que tem aqui, o que que guarda esta mansão. Pois, na verdade é assim, não é? Eu estive aqui uma semana ou duas depois do do do sucedido e na altura estavam aqui, os mortos. Hoje não vejo os mortos aqui. Tanto que é claro que ela foi embora para um plano melhor e ele, o pai dela, está na em cima dela. É impossível a pessoa ser feliz aqui, sinceramente.
Sim. O que existe nesta casa é assim, ela vai ser uma casa maldita, onde todo o mundo vai ter medo de passar por perto e vai lançar essa energia eletromagnética, esse pensamento negativo para casa. Então esta casa vai partir um monte de coisas, as pessoas vão ficar doentes com corrimento nasal ou com frio à toa.
É uma casa, digamos, de padrão vibratório baixíssimos. Durante quase duas décadas, o imóvel permaneceu abandonado. O que antes fora símbolo de status e conforto, transformou-se num monumento ao luto e à decadência. O mato tomou conta do jardim, a piscina consumido pelo lodo e as janelas escuras cobertas de pó, pareciam olhos mortos a observar a rua.
Aos poucos, a residência foi sendo engolida por um tipo de silêncio antinatural, [música] um silêncio que gritava aos ouvidos daqueles que se permitiam absorvê-lo. Embora não haja qualquer prova, Os moradores anónimos da região teriam relatado experiências perturbadoras. Não se trata apenas das memórias de um crime deondo.
Há relatos vívidos de sons inexplicáveis vindos sempre do andar de cima, [música] exatamente onde as duas vidas foram brutalmente estirpadas. Não eram gritos, mas sussurros abafados, ruídos como o arrastar de móveis pesados, passos ritmados e um som metálico [música] indistinto. Ainda no campo das especulações, os visitantes relataram um frio inexplicável ao atravessarem os portões de madeira escurecidos pelo templo.
O simples ato de percorrer os passeios em frente à residência dos Richofen parecia despertar uma energia aprisionada há décadas no interior do imóvel. [música] O imóvel mantém-se vazio, sem moradores desde que ocorreu o crime. Também curioso em saber do rumor aqui da da casa da e o pessoal tem falado bastante que às vezes há um entre e sai, mas ninguém realmente vive aqui, não é? Mas é realmente bastante curioso este este caso e a gente quer saber, não é, que que tá a acontecer por aí.
E é um pormenor intrigante. Mesmo na era digital, onde tudo pode ser visto de cima, aquele endereço esconde-se. Se se tentar encontrá-lo no Google Maps, apenas um borrão, um retângulo desfocado que cobre exatamente o local onde o mansão deveria aparecer. Embora não seja em comum esta tentativa de ocultar o imóvel no Google Maps também alimenta o mistério.
Além dos proprietários do imóvel e um jardineiro que vão por vezes ao local, a mansão é visitada por curiosos. Com o tempo, os curiosos que não encontravam a propriedade no mundo digital decidiram confrontá-la no mundo físico. E assim, muitos deles acampavam em frente à residência, tentando [música] descobrir os segredos escondidos no interior da propriedade.
E, por sua vez, outros relatos surgiam. Alguns alegaram que [a música] em poucos minutos no local, coisas estranhas aconteciam. Sons de vozes, gritos distantes e vultos atravessando o quintal observado pelas fendas no portão de madeira. Outros falavam de uma sensação opressiva [música] e de um peso inexplicável sobre os ombros.
Até mesmo os trabalhadores contratados para limpar a casa após o leilão do imóvel, em plena luz do dia, teriam reportaram portas a ranger e o som de passos enigmáticos no segundo andar completamente vazio. Embora muitos destes relatos sejam facilmente refutados, os estudiosos do paranormal que estiveram no endereço afirmam que a tragédia deixou marcas profundas no próprio imóvel, como se o ato brutal dos irmãos cravinhos e de Suzane Bonstoffen contra os próprios pais, [música] a indequasse entre os quartos abandonados da propriedade.
Um elo de ligação entre os mundos, irremediavelmente [música] rompido na fatídica madrugada de 31 de outubro de 2002. O estigma da tragédia. [música] Alguns acreditam que a morte é um ponto final, mas para quem estuda o lado invisível da realidade, ela é apenas uma vírgula, uma pausa numa narrativa que continua a [música] ecoar nos locais onde a dor foi intensa demais para desaparecer.

[música] Devido às relações entre os [música] espíritos, se assim podemos dizer desequilibradas entre os espíritos de vidas anteriores, podem ativar reminiscências [música] aonde provoque no espírito reencarnado, no caso aqui a Suzane, o seu namorado, o irmão do seu namorado, [música] reminiscências, memórias lá no subconsciente que não conseguem traduzir, [música] que acabam por caminhar, culminando para catástrofes, para situações de desespero para situações [música] inesperadas e dolorosas.
O número 630 da A rua Zacarias de Gois não é apenas [música] o cenário de um crime brutal, é um símbolo do que os investigadores [música] chamam de energia residual, a marca deixada por um trauma profundo. [música] E se observarmos com atenção, perceberemos que o fenómeno se repete em diferentes partes [música] do mundo, casas, prédios e até hotéis que se tornaram pontos de intersecção entre a história e o sobrenatural.
De acordo com a [música] parapsicologia, uma casa estigmatizada é aquela que transporta nas suas paredes [música] o registo emocional de uma tragédia. Casas trágicas funcionam como fitas cassete do mundo espiritual. [música] Não pensam, não sofrem, mas repetem O trauma que presenciaram indefinidamente. E se for [música] verdade que o ambiente guarda o que vivemos, então talvez a mansão dos Von Ristofen nunca tenha realmente [música] se livrou daquela madrugada de outubro.
Vizinhos que passaram pelo [música] imóvel após a remodelação relatam que, mesmo sem qualquer vestígio físico [música] do crime, o lugar continua estranhamente silencioso. Não o silêncio comum das ruas [música] residenciais, mas aquele silêncio opressivo que antecede algo, o mesmo que encontramos em igrejas [música] vazias ou em cemitérios antigos.
Um som que não é ausência, [música] mas presença. A história mostra que certas construções parecem condenadas a carregar o peso dos seus próprios passados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o caso mais emblemático é o da mansão de Amtville, em Nova Iorque. [música] Em 1974, Ronald de Foil Júnior assassinou os seus pais e irmãos enquanto dormiam, alegando ter ouvido vozes vindas das paredes.
Meses depois, a casa foi comprada pela família Lutz, que abandonou o local após 28 dias, alegando fenómenos paranormais intensos, odores inexplicáveis, [música] portas que batiam sozinhas e uma presença maligna que se movia pelos cômodos. Curiosamente, o padrão é semelhante ao da mansão de Ristofen, um lar destruído de dentro para fora, onde a fronteira entre o psicológico e o sobrenatural parece se dissolver.
O parapsicólogo britânico Guyon Playfir, conhecido por investigar o caso Enfield, que também esperou o filme Invocação do Mal 2, dizia que certos ambientes funcionam como rádios mal sintonizados, captando fragmentos de uma frequência que pertence ao passado. [música] Talvez a mansão Rofen seja um desses lugares onde o passado se faz sempre presente.
Talvez os ruídos, as luzes e a sensação de presença não sejam espíritos conscientes, [música] mas ecos residuais da noite em que tudo terminou. E há um pormenor simbólico que poucos percebem. O crime ocorreu a 31 de outubro, [música] o mesmo dia em que o mundo ocidental celebra o Halloween, o dia das bruxas. Para muitas tradições antigas, [a música] é a noite em que o véu entre os vivos e os os mortos torna-se mais fino, permitindo que as memórias, presenças e sombras transitam entre mundos.
Coincidência ou não, [a música] foi exatamente nessa data que o Lardos von Rofen cruzou a linha entre o ordinário e o o extraordinário, [música] o comum e o maldito. Indo para a Suzane Rofen, ela teve uma manifestação, manifestação assim, ela teve uma experiência sobrenatural na cadeia, não teve? Depois da morte dos pais, ela era colada ao carandiru que tinha sido demolida há pouco tempo e virou aquele parque.
Demolido. Sim, sim. Parque da juventude, certo? Naquele parque há umas árvores imensas. E estas árvores elas são tão frondosas que alguns ramos vão para cima da penitenciária feminina da capital. Sim, existe uma lenda, o livro explora muito isto, que quando a Suzane vai para lá, ela fica numa cela sozinha ao lado dessas árvores.
Ela via essas árvores pela janelinha gradeada. Uhum. E depois à noite, quando tinha vendaval, quando chovia, estas árvores que são gigantes, começavam a movimentar e fazia um barulho muito estranho. Elas faziam uns barulhos de galho a quebrar. A Suzane conta que ela tinha a impressão que aquelas aves estavam a sair do lugar e estavam caminhando.

E depois ela foi contar isso para uma colega de galeria. Aí ela disse: “Ai, tu não sabes?” Ela falou: “Não, o que é? Tu sabes que quando tiveste a chacina do Carantiru, que morreram 111 presos, algumas almas dos presos mortos no massacre incorporaram nessas árvores. O legado de um crime. Com o passar dos anos, o imóvel acumulou dívidas [música] milionárias de IMI.
Mesmo após sucessivos leilões e reformas, o interesse em habitá-la permanecia praticamente inexistente. Ninguém ousaria dormir naquele quarto outra vez. Ninguém vive, ninguém cuida, ninguém visita. Do muro é possível ver um mato alto e a piscina com água suja. Estas imagens internas foram cedidas com exclusividade ao domingo espetacular.
Veja as cadeiras de piscina, o carro na garagem, a lavandaria, tudo rodeado pela vegetação que cresce sem controlo. Por detrás do abandono, um desentendimento entre os herdeiros. Susane, mesmo de dentro da cadeia luta na justiça pelo dinheiro da família. Um desentendimento que se estendeu aos outros envolvidos no crime, os irmãos Cravinhos.
Após uma longa disputa judicial com o irmão, Susane abdicou da herança, mas Andreas nunca conseguiu viver ali novamente. A cada passo dado sobre [música] aquele chão frio, o eco de uma família despedaçada parecia recordar que o verdadeiro terror não está nas paredes, mas no que testemunharam. [música] No exterior, a antiga residência da A família Rofen [música] ganhou uma aparência limpa e anónima.
Mas para os moradores do Campo [música] Belo, a história que ela transporta nunca será esquecida, porque há locais que não precisam de fantasmas para serem assombrados, que tenham albergado o pior de nós. E você, acredita que os imóveis são assombrados pelas tragédias que presenciaram? Estamos ansiosos para ouvir a sua opinião.
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