O Império e os Bastidores de Abelão: A Trajetória de Glórias, Salários Milionários e a Vida Atual de Abel Braga

O futebol brasileiro é um cenário composto por personagens intensos, mas poucos conseguem transitar entre a liderança técnica e o carisma paternal de forma tão perfeita quanto Abel Carlos da Silva Braga. Conhecido popularmente pelo carinhoso apelido de Abelão, esse carioca legítimo marcou seu nome na história do esporte de duas formas distintas e igualmente grandiosas: primeiro, como um zagueiro de extrema seriedade e vigor físico; depois, como um dos treinadores mais vitoriosos, polêmicos e bem pagos que o país já viu. Compreender a dimensão de Abel Braga exige uma viagem no tempo que passa pelos gramados poeirentos da década de setenta, cruza o Oceano Atlântico em direção à Europa e atinge o ápice em noites inesquecíveis em Porto Alegre e no Japão. Fora dos campos, a vida desse ícone preserva mistérios sobre sua fortuna, seu patrimônio e a rotina reservada que mantém na Cidade Maravilhosa, longe da agitação incessante das salas de imprensa e dos estádios lotados.

A caminhada de Abel Braga no futebol começou bem antes de ele se tornar o comandante estrategista que o público se acostumou a ver na beira do gramado. Nascido no Rio de Janeiro, ele iniciou sua trajetória como atleta nas categorias de base do Fluminense no final da década de sessenta. Dotado de uma estatura imponente e de um senso de posicionamento invejável, não demorou para que o jovem defensor subisse para a equipe profissional do Tricolor das Laranjeiras. A afirmação veio com a conquista do Campeonato Carioca, um feito que ele repetiria outras vezes ao longo de sua passagem inicial pelo clube. Abelão vestiu a camisa do Fluminense com orgulho, somando dezenas de partidas e gols esporádicos que demonstravam sua presença perigosa também nas bolas paradas ofensivas. Após um breve período de empréstimo ao Figueirense, onde ganhou experiência disputando o Campeonato Brasileiro, o zagueiro retornou ao Rio de Janeiro para escrever um capítulo marcante no rival Vasco da Gama.

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Foi em São Januário que Abel Braga atingiu a maturidade plena como jogador de futebol. No Vasco da Gama, ele se transformou em um verdadeiro xerife da defesa, conquistando a torcida cruzmaltina com desarmes precisos e uma liderança natural dentro de campo. Sob o comando de grandes técnicos, ele liderou a equipe na conquista do Campeonato Carioca e de edições marcantes da Taça Guanabara. O desempenho seguro no Vasco deu a Abel projeção em nível nacional, resultando no ápice da carreira de qualquer atleta profissional: a convocação para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Argentina. Vestir a amarelinha em um Mundial consolidou seu status como um dos grandes defensores de sua geração. Ao todo, a passagem pelo Vasco da Gama registrou mais de duzentas partidas e mais de uma dezena de gols, tornando o clube de São Januário a equipe que ele mais defendeu em toda a sua jornada como jogador profissional.

O sucesso no Brasil acabou despertando o interesse do mercado internacional. No final dos anos setenta, Abel Braga arrumou as malas e partiu para a França para defender as cores do Paris Saint-Germain. Na Europa, ele provou que seu futebol era universal. Em duas temporadas brilhantes pelo clube parisiense, o defensor brasileiro manteve a regularidade e surpreendeu a imprensa local ao marcar quase dez gols, uma estatística impressionante para um zagueiro central naquela época. De volta ao território brasileiro, ele ainda teve passagens importantes pelo Cruzeiro e pelo Botafogo, antes de encerrar sua carreira como atleta profissional defendendo o Goytacaz em meados dos anos de oitenta. Encerrava-se ali a trajetória do Abelão jogador, um homem que conhecia os segredos do vestiário e a mentalidade dos atletas como poucos. Esse conhecimento profundo seria a base para a construção de uma carreira ainda mais espetacular e duradoura na beira do campo.

A transição de jogador para treinador ocorreu de forma natural e quase imediata, no próprio Goytacaz. Munido de seu diploma em Educação Física e de uma paixão inabalável pela tática, Abel Braga iniciou uma nova e desafiadora jornada. Assim como nos tempos de jogador, ele não hesitou em buscar espaço na Europa, cruzando o oceano para comandar o Rio Ave em Portugal. Esse período em terras portuguesas foi fundamental para moldar o estilo de jogo de suas futuras equipes. Ao retornar ao Brasil, Abel assumiu o comando de equipes de tradição como o Botafogo e o Santa Cruz, clube onde conquistou o Campeonato Pernambucano em uma final eletrizante contra o Sport. De volta a Portugal, ele ganhou a reputação de ser um especialista em reerguer clubes em situações financeiras ou técnicas delicadas, operando verdadeiros milagres com o Famalicão e o Belenenses, levando equipes da segunda divisão para as posições de elite do campeonato português.

De volta ao Brasil na metade da década de noventa, Abel Braga iniciou uma dança de cadeiras pelas principais comissões técnicas do país, deixando sua marca por onde passava. Comandou o Vasco da Gama e teve uma passagem marcante pelo futebol paranaense, onde dirigiu os três grandes clubes do estado em sequência. No Coritiba, ele quebrou um incômodo jejum de dez anos sem títulos estaduais, cravando seu nome na história do Coxa. No início dos anos dois mil, protagonizou momentos inesquecíveis, como a goleada histórica aplicada pelo seu Vasco sobre o arquirrival Flamengo em pleno domingo de Páscoa, um placar que entrou para o folclore do futebol carioca. Abelão também teve uma breve experiência no Olympique de Marseille, na França, e demonstrou sua capacidade de gerenciamento de crise ao salvar a Ponte Preta do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Todas essas experiências acumuladas pareciam estar preparando o treinador para o encontro definitivo com o seu destino.

O ano dourado na carreira de Abel Braga foi, sem sombra de dúvidas, o de dois mil e seis, quando ele retornou ao Internacional de Porto Alegre. Embora o início da temporada tenha sido doloroso com a perda do título estadual, o que se sucedeu nas semanas seguintes entrou para a galeria das maiores façanhas do esporte sul-americano. Com um elenco operário, unido e extremamente focado, Abelão guiou o Colorado à conquista da tão sonhada Taça Libertadores da América, superando o então campeão mundial São Paulo em uma decisão repleta de tensão e dramaticidade. A glória continental carimbou o passaporte do Internacional para o Mundial de Clubes da FIFA, realizado no Japão. O desafio final parecia intransponível: o temido Barcelona da Espanha, que contava com astros do calibre de Ronaldinho Gaúcho no auge de sua forma física e técnica.

A estratégia traçada por Abel Braga para aquela final mundial em Yokohama foi uma obra-prima de superação e inteligência tática. Diante de um adversário tecnicamente superior, o Internacional se desdobrou em campo. O jogo foi marcado pelo sacrifício físico extremo dos atletas colorados, exemplificado pelo zagueiro Índio, que jogou parte da partida com o nariz quebrado e sangrando abundantemente. Abel soube ler o andamento do confronto com perfeição e, no momento exato, promoveu a entrada de Adriano Gabiru. O resto é história: um contra-ataque perfeito, o gol da vitória por um a zero e o Internacional coroado como o melhor clube do planeta. Abelão atingia o topo do mundo, gravando seu nome de forma eterna na mitologia do futebol gaúcho e brasileiro.

Após a consagração mundial, a vida em Porto Alegre seguiu um fluxo de intensas emoções. A temporada seguinte trouxe turbulências com eliminações precoces, resultando em sua saída temporária, mas o vínculo com o clube era tão forte que ele retornou meses depois para erguer o troféu do Campeonato Gaúcho com uma goleada avassaladora de oito a um sobre o Juventude na grande final. Em seguida, Abel buscou a independência financeira definitiva no futebol exterior, aceitando uma proposta milionária para trabalhar nos Emirados Árabes Unidos. Lá, além de acumular títulos locais, ele teve seu nome fortemente ventilado para assumir o comando da seleção nacional daquele país. A saudade do Brasil e o apelo das origens falaram mais alto, e ele retornou ao Rio de Janeiro para escrever mais um capítulo de sucesso inquestionável no Fluminense.

A temporada de dois mil e doze marcou o ressurgimento do Fluminense sob a batuta de Abel Braga. Com um elenco estelar comandado dentro de campo pelo artilheiro Fred, o Tricolor das Laranjeiras realizou uma campanha espetacular, conquistando o Campeonato Carioca e o Campeonato Brasileiro com várias rodadas de antecedência. Naquela época, a valorização profissional de Abel atingiu patamares nunca antes vistos no mercado nacional. Ele se tornou o treinador mais bem pago do futebol brasileiro, recebendo um salário mensal estimado em setecentos mil reais, uma quantia astronômica que superava os vencimentos de outros medalhões da profissão como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho. A era de ouro parecia não ter fim, mas o futebol é um esporte de memória curta, e os resultados ruins do ano seguinte culminaram em uma demissão dolorosa do clube de seu coração.

Após décadas dedicadas ao estresse diário dos treinamentos e das viagens, Abel Braga decidiu que era hora de desacelerar. No dia vinte e nove de junho de dois mil e vinte e dois, ele anunciou oficialmente sua aposentadoria do cargo de treinador de futebol. No entanto, o afastamento durou muito pouco tempo. No final daquele mesmo ano, impulsionado pelo desejo de ajudar na reconstrução do Vasco da Gama, ele aceitou o cargo de diretor técnico da equipe carioca, atuando nos bastidores do futebol. O que parecia ser um recomeço tranquilo revelou-se uma das experiências mais desgastantes de sua vida profissional. A temporada de dois mil e vinte e três do clube de São Januário foi recheada de crises, eliminações precoces na Copa do Brasil para equipes de menor investimento e uma luta desesperada contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro que só foi resolvida nos minutos finais da última rodada do torneio.

O desfecho dessa história nos bastidores foi conturbado e gerou profunda indignação em Abelão. Em dezembro de dois mil e vinte e três, a diretoria da SAF do Vasco optou por demitir o executivo de futebol Paulo Bracks, profissional que havia sido o responsável direto pela contratação de Abel. Solidário ao colega e revoltado com a decisão que considerou arbitrária, Abel Braga acabou sendo desligado do clube também. Ele não poupou críticas à alta cúpula vascaína, classificando publicamente a demissão de Bracks como uma tremenda injustiça e afirmando categoricamente que o executivo havia realizado o melhor trabalho de gestão do ano, dadas as condições oferecidas. Mesmo com o gosto amargo deixado por essa última experiência nos bastidores cariocas, o nome de Abelão continua forte no mercado esportivo, sendo constantemente lembrado para assumir cargos de liderança institucional, especialmente no Internacional, onde os torcedores mantêm uma gratidão eterna por seus feitos.

Longe do barulho ensurdecedor das arquibancadas e das polêmicas do cotidiano esportivo, Abel Braga desfruta de uma vida confortável e bastante reservada em uma localização privilegiada na zona sul do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira vitoriosa de mais de cinquenta anos dedicados ao esporte, ele soube administrar os excelentes salários e bônus por conquistas de títulos, construindo um patrimônio sólido e uma fortuna considerável que garante total tranquilidade para seus familiares. A imponente propriedade onde reside na capital fluminense serve como o refúgio perfeito para o ex-treinador e já foi utilizada como cenário para a realização de entrevistas exclusivas para canais de televisão e portais de internet de grande alcance nacional.

Apesar do expressivo poder aquisitivo acumulado com passagens pelo futebol do Oriente Médio e pelos maiores clubes do Brasil, Abel Braga sempre optou por manter uma postura de extrema discrição no que diz respeito à ostentação de bens materiais. Ao contrário de outras personalidades do mundo da bola que fazem questão de exibir coleções de relógios caros e carros superesportivos importados nas redes sociais, o ex-comandante prefere manter seus hábitos simples e os pés firmes no chão. Detalhes sobre os automóveis da família raramente chegam ao conhecimento público, sabendo-se apenas que ele se desloca pela capital fluminense utilizando veículos utilitários espaçosos que garantem o conforto e a segurança necessários para a sua rotina urbana diária. Essa discrição no âmbito pessoal contrasta com a figura imensa e explosiva que os torcedores se acostumaram a ver gesticulando calorosamente na beira do campo de jogo.

O legado de Abel Braga para o futebol brasileiro é algo que transcende as estatísticas frias de jogos disputados e os troféus de metal que preenchem as galerias dos clubes. Ele representou uma era em que o gerenciamento do lado humano dos atletas de futebol era tão ou mais importante do que os esquemas táticos desenhados nas lousas dos vestiários. Abelão era o treinador que abraçava seus jogadores nos momentos de falha, que assumia a culpa pelas derrotas diante dos microfones da imprensa para proteger o elenco e que cobrava dedicação extrema com o olhar firme de um pai que deseja o melhor para os seus filhos. Essa capacidade única de criar laços afetivos profundos e de fazer com que atletas medianos jogassem acima de suas capacidades reais foi o grande segredo de suas conquistas mais expressivas em nível nacional e internacional.

Mesmo enfrentando as dores e os desgastes físicos naturais provocados pelo passar dos anos, a paixão de Abel Braga pelo futebol permanece viva e pulsante em suas conversas e análises cotidianas. Ele continua acompanhando atentamente o desenvolvimento do esporte, debatendo novas ideias com os amigos de longa data e se mantendo atualizado sobre as tendências táticas modernas. A trajetória de Abelão serve como uma grande fonte de inspiração para os novos profissionais que estão iniciando suas caminhadas nas categorias de base do futebol brasileiro. A história do menino que começou a chutar uma bola de futebol nas Laranjeiras e terminou conquistando o planeta no Japão é a prova definitiva de que a seriedade no trabalho, aliada ao respeito mútuo e ao amor pelo jogo, é a receita ideal para alcançar a imortalidade no esporte mais popular do mundo.

 

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