VOCÊ LEMBRA DO CANTOR JÚLIO NASCIMENTO? ELE SUMIU DA TV NO AUGE DA CARREIRA E HOJE VIVE ASSIM

Veio  a prima da Dalzisa. O papá, a mãe está a sofrer, tá lá na cama gemendo, abraçada com malandra. Eram músicas que caíam na boca do povo e já não saíam. daquelas que toda a gente sabia de cor sem sequer perceber que aprendeu. E não ficou só na rádio e na festa. O Júlio chegou à televisão, apareceu no programa do Raul Gil, na Record, e também no  SBT, daqueles palcos que entravam na sala das famílias ao fim de semana,  e partilhou o palco com pessoas grande do mesmo mundo, amado Batista,

Mastruz com Leite, Frank Aguiar, é Chan, o desconhecido que apanhou para vender o primeiro disco, estava agora lado a lado com os nomes que tocavam no país  inteiro. E aqui vale a pena parar um segundo para sentir o tamanho do mesmo. Este é o mesmo homem que aprendeu a tocar guitarra pagando ao professor com o chiclete.

O mesmo que fez o primeiro instrumento com uma lata de goiabada e linha de pesca. Este homem vendeu mais de 1 milhão de cópias de um só disco. Numa altura em que vender  1 milhão significava prensar 1 milhão de discos e fazer com que cada um chegue à mão de uma pessoa, ao balcão de uma loja, no feira, no interior.

Não era número de tela, era disco verdadeiro, empilhado, vendido um a um. Júlio Nascimento estava no topo, enchendo  concerto, a passar na rádio, a aparecer na TV, com o bolso, enfim, respondendo a todo o aquele esforço. E é exatamente aqui que esta história faz a pergunta que trouxe -lhe até esse vídeo.

Como é que  um homem que chegou tão alto, que vendeu tanto, que encheu um espectáculo de 10.000 pessoas, simplesmente desaparece da televisão? Para onde foi essa voz que o Brasil inteiro conhecia? A resposta  começa a aparecer. No que veio a seguir. A queda de Júlio Nascimento não foi um tombo.

Não houve escândalo, não houve briga, não houve aquele acontecimento único que deita por terra uma carreira de uma só vez. Foi pior de certa forma. foi devagar, foi silenciosa, foi da maneira que quase ninguém percebe enquanto está a acontecer. Para compreender, precisamos de olhar para o que estava  a mudar no Brasil naquela viragem de século.

Lá pela metade dos anos 90, o gosto do povo começou a se transformar. Outros ritmos foram chegando, ocupando o rádio, ocupando o pouco espaço que a televisão dava paraa música popular. O aché explodiu, o O pagode tomou conta, o sertanejo se renovou e mais para a frente veio o forró electrónico  e tudo o que veio depois.

E o brega tradicional, aquele de seresta, aquele que falava de traição e de coração partido, aquele que tinha enchido as rádios FM  de Teresina e lotado praça de 10.000 pessoas, foi ficando de lado nas grandes emissoras. Não  que o povo tenha deixou de gostar. O fã continuava lá, mas a porta da comunicação social nacional, aquela que um dia colocou o Júlio  no programa do Raul e na Sala das Famílias no fim de semana, essa porta foi-se fechando aos pouquinhos,  sem aviso, sem despedida.

Um dia a música tocava em rede nacional, no outro tocava apenas nas rádios do interior e depois só na memória de quem viveu. E Júlio fez a coisa mais digna que um artista podia fazer. Não lutou contra o tempo.  Recolheu para o lugar onde ainda era rei. O circuito do norte e do nordeste.

Festa de cidade, evento de interior, o palco regional. Continuou a gravar, continuou  a rodar, continuou a cantar para quem nunca o abandonou. só que longe das câmaras que um dia transformaram-no em fenómeno. E foi exatamente nesta nova fase mais modesta que aconteceu o episódio mais comentado da parte difícil da história dele.

Ano de 2015, Salvador, na Bahia, no bairro de Águas Claras. Estava marcado um concerto numa churrascaria daqueles  que prometiam uma grande noite de brega. O dono do espaço preparou tudo. Estava, como ele próprio descreveu depois, tudo pronto, só faltando o cantor chegar, cantar e fazer a festa. A expectativa era de casa cheia, só que na altura apareceram apenas 45 pessoas na plateia. 45.

º E agora segura esse contraste porque ele  diz tudo. O primeiro concerto da vida de Júlio lá em 1991, no seu auge, tinha reunido mais de 10.000 pessoas numa só cidade. 10.000. E ali em 2015, numa noite que era para ser grande, havia 45 cadeiras ocupadas, o mesmo homem, a mesma voz, 24 anos de distância entre um número e o outro.

E ainda houve mais. Segundo o que se noticiou na altura, na chegada do artista ao local, ocorreu um tiroteio nas redondezas. Diante de tudo  aquilo, da plateia minguada e do perigo à porta, o Júlio decidiu não subir para o palco e foi-se embora. O resultado  foi que o dono da churrasqueira, que tinha bancado o evento do seu próprio bolso, ficou no prejuízo e teve de devolver o dinheiro de quem comprou o bilhete para não criar problema de maior.

E aqui a a história tem dois lados e o justo é contar os dois com o mesmo respeito. Do lado do proprietário do espaço, ficou a conta pagar  e a sensação amarga de que o cantor chegou e foi embora sem cantar. Foi um prejuízo a sério, foi dor de cabeça e este não escondeu a revolta. Do lado da produção de Júlio, a explicação foi outra.

Não dava para fazer um espectáculo a sério para 45 pessoas, ainda para mais com um tiroteio bem ali ao lado,  pondo todo o mundo em risco. Quem tinha razão? Isso fica para si decidir nos comentários. O que ninguém pode negar é aquilo que aquela noite representava. O homem que vendeu 1 milhão de cópias, que encheram  praça, que partilhou o palco com o Amado Batista, via-se agora num salão quase vazio, num bairro de Salvador, com a polícia do lado de fora.

Era o retrato de uma queda, mas não a queda de quem fez  por merecer. Era a queda natural de quem viveu o auge numa época e teve a coragem de continuar de pé quando essa época virou. Porque é aqui que muita gente largaria tudo, penduraria a guitarra, arranjaria outra vida, desaparecia de vez sem deixar rasto. Júlio Nascimento fez o contrário.

E o que fez a partir dessa noite é precisamente o que responde à questão que está à espera desde o começo deste vídeo. Afinal, onde é que este homem está e como vive hoje? Então vamos à questão que o trouxe até aqui. Depois de tudo isto, do milhão de exemplares ao salão de 45 pessoas, onde se encontra o Júlio Nascimento hoje? Ele está  em Salvador, na Baía.

É lá que vive hoje, enquanto outra parte da família ficou no Maranhão, na terra onde tudo começou. E a resposta à primeira pergunta, aquela que abriu o vídeo, é simples e direta. Sim, ele ainda canta, nunca parou. Pode ter desaparecido da televisão nacional, pode ter saído do rádio das grandes cidades, mas  Júlio continuou a fazer o que sempre fez.

Roda o Norte e o Nordeste com a agenda de concertos com força, principalmente na Baía, cantando para o público que nunca o largou. é o fã de sempre, aquele que aprendeu  Ladyane de cor lá atrás e continua aparecendo na festa para ouvir de novo. E há um número que mostra o tamanho da dedicação deste homem à música. Ao longo da vida, não parou de gravar.

O site oficial dele fala em 38 discos. 38.  Pensa no caminho percorrido entre aquele primeiro vinil carregado a pé por 18 km e o disco número 38. É uma vida inteira dentro da música, sem largar a mão dela um minuto. Agora, a outra  pergunta, a que mais gera curiosidade? Ele ficou rico ou perdeu tudo? E aqui vou ser honesto com você,  porque é o mais correto a fazer com a história de um homem que está vivo.

Não existe um número público,  não existe fortuna declarada, não dá para cravar saldo de conta de ninguém. O que se pode dizer, com base naquilo que se conhece, é o seguinte: a vida dele hoje é a de um artista que trabalha. Os espetáculos são pagos por quem contrata, festa a festa, cidade a cidade.

Não há ostentação à vista, não há luxo escancarado. É o ganho de quem ainda sobe ao palco para fazer o que sabe. E há uma fala dele que diz muito sobre o homem por detrás do cantor. Falando sobre o Maranhão, a sua terra, ele comentou numa entrevista que ali atiraram-lhe muitas pedras e resumiu com um ditado que todo o brasileiro conhece. Santo de casa não faz milagre, tem um que de mágoa naquilo,  mas tem também a serenidade de quem já compreendeu como funciona a vida.

Ele continua amando a terra dele, mesmo sabendo que nem sempre a terra da gente é a que mais reconhece o nosso valor. Portanto, é esse o retrato de hoje,  um homem que viveu o rebentamento e viveu a queda e que no fim das contas continuou de pé a fazer música, sem os holofotes da televisão, sem os 10.

000 de uma praça, mas com a guitarra na mão, a voz ainda firme e um público fiel que atravessou as décadas juntamente com ele. E quando se junta tudo,  a lata de goiabada, os 18 km, o milhão de cópias, o salão vazio, os 38 discos, uma coisa fica clara, esta história nunca foi só sobre fama. No fim das contas, esta nunca foi apenas a história de um cantor de brega, é a história de um país inteiro  contada na vida de um só homem.

Pensa em tudo o que nós aqui percorremos.  Começou numa casa pobre de colinas no Maranhão com um rapaz de 7 anos que não tinha guitarra e fez uma com uma lata de goiabada e linha de pesca. Terminou com 38 discos gravados e uma voz que o Norte e o Nordeste reconhecem nos primeiros segundos. Entre uma coisa e outra, teve dois meses de lavoura para comprar um violão usado.

Teve aula paga com pastilha elástica. Teve foto batida na rua para juntar o dinheiro da gravação. Houve 18 km andados a pé atrás do próprio disco e uma noite inteira dormida à porta de uma loja fechada, só para perceber o que estava a acontecer. E houve o rebentamento, o telefone da rádio que não parava de tocar.

O milhão de cópias de Ladyane numa época em que vender 1 milhão era prensar 1 milhão de discos e fazer com que cada um chegue à mão de uma pessoa. Os 10.000 de um só concerto. A televisão, o Raul Gil, o palco dividido com Amado Batista e Mastruz com Leite, o auge  de quem chegou lá acima vindo lá de baixo, sem atalho, sem padrinho, sem nada além de teimosia.

E houve a descida também, porque a fama é assim. Ela chega como um furacão e vai embora no silêncio. O gosto do povo muda, o rádio toca outra coisa, a porta da televisão fecha-se lentamente e um dia o mesmo homem que encheu praça se vê num salão com 45 cadeiras ocupadas e um tiroteio no exterior.

Não por culpa dele, mas porque a época que o consagrou simplesmente virou. Só que repara numa coisa.  É precisamente aí que a história torna-se grande. Porque muita pessoas, depois de viver  tudo isso, teria pendurado a guitarra e desaparecido de vez. O Júlio não. Ele recolheu para o lugar onde o povo ainda o esperava e continuou.

Continuou a cantar, continuou a gravar, continuou a subir no palco para o fã que aprendeu Lady Anne de cor lá atrás e nunca o largou. Sem holofote, sem multidão de 10.000, mas com a voz firme e a mesma vontade que nunca ninguém conseguiu tirar da cabeça dele. E talvez seja essa a lição que fica quando o vídeo acaba. A fama leva muita coisa quando se vai embora.

Leva a televisão, leva a praça cheia, leva o nome da boca de todo o  mundo. Mas há uma coisa que ela não consegue levar. A origem de um homem. Ela não apaga o menino da lata de goiabada, não desfaz os 18 km, não rasga o sonho que nasceu numa casa de chão batido no interior do Maranhão. Júlio Nascimento não voltou ao topo, mas nunca deixou de ser quem sempre foi.

E no fim, o que fica de pé não é o tamanho do espectáculo que se faz, é o tamanho da coragem de quem nasceu sem nada e decidiu mesmo assim que ia cantar. E depois, quero saber de ti qual a música do Júlio O nascimento marcou mais a sua vida? Ladyane, daisa ou O regresso da Adnalva? Escreve aí nos comentários que eu vou ler cada um.

E conta-me também,  és do tempo do Tocafitas, da rádio FM ou descobriu o brega dele mais tarde? Se esta história te tocou, deixa o teu like, subscreve o canal e ativa o sininho, porque aqui contamos sempre a história da  verdade por detrás dos artistas que embalaram a a nossa vida. E fica ligado porque no próximo vídeo  tem outro nome que brilhou.

desapareceu da televisão do nada e deixou toda a gente se perguntando o que  aconteceu.

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