Meu filho Carlo nunca dormia sem rezar 3 Ave Marias… e isso não era por acaso

Três Avé Marias. Só isso. Três orações que rezava todos os dias antes de dormir, desde os 7 anos de idade, sem falhar uma única noite, e que me revelou numa conversa de 20 minutos no seu quarto em Setembro de 2006, serem a razão pela qual não tinha medo da morte. Se eu te contasse que estas três orações simples protegeram o meu filho de cair em pecado mortal durante toda a adolescência, numa época de internet sem filtro, pornografia a  um clique, tentações por todos os lados, acreditaria se eu te disser que essas mesmas três

Avé Marias prepararam-lhe a alma para encontrar Jesus na hora da morte e que hoje 18 anos depois, o seu corpo está incorrupto, exposto em Assis, desafiando a ciência. Acharia exagero? Eu também acharia. O meu nome é Antônia Salzano Acutes, tenho 58 anos. Sou italiana  de Génova, mas vivi a maior parte da a minha vida adulta em Milão.

 Sou casada com Andrea Acutes  aos 34 anos, mas este testemunho é sobre Carlo, Carlo  Acutes. O menino que se tornou beato, o santo da internet, o adolescente que morreu com 15 anos de leucemia fulminante e cujo corpo até  hoje permanece intacto, visitado por centenas de milhares de pessoas todos os anos.

 Mas eu não Vou falar do Carlo, que já conheces. Não vou repetir as  histórias que estão em todos os sites católicos, em todas as biografias, em todos os documentários. Eu vou falar do  Carlo que só eu vi. O menino que acordava às 6h15 da manhã todos os santos dias para ir à missa comigo  antes da escola.

 O adolescente que passava horas ao computador a criar  sites sobre milagres eucarísticos, mas que também gostava de jogar videojogos e ver filmes de aventura. O filho que numa noite de setembro chamou-me ao quarto dele, fechou a porta, sentou-se na beira da cama e contou-me algo que nunca tinha contado antes, um segredo.

 E esse segredo mudou a minha vida e pode mudar a sua também. Eu  não fazia ideia de que aquela conversa de 20 minutos naquele pequeno e desarrumado, com posters de santos na parede e o computador ligado na página de algum milagre eucarístico, seria a última vez que o meu filho me ensinaria algo sobre Deus enquanto ainda estava vivo.

 Mas antes de te contar esta noite, preciso que entenda que Milagre não começou com o Carlo, começou comigo. Maio de 1998, O Carlo tinha acabado de fazer 7 anos.  >>  >> E finalmente chegou o dia em que ele esperava há dois anos, a primeira comunhão. Para mim, como te disse, aquilo era apenas mais um acontecimento da vida católica tradicional.

 fotógrafo contratado, vestido branco para ele,  aquelas roupinhas de batizado adaptadas, festa depois em casa da minha mãe com bolo, salgados,  tios, primos, presentes, protocolo. Eu nem me lembro bem o que sentia naquele dia. Acho que eu  estava mais preocupada com os pormenores práticos, se o fotógrafo ia chegar a horas, se a roupa do Carlo estava bem passada, se eu tinha comprado lembranças suficientes  para dar aos convidados.

 Mas para Carlo, aquele dia era tudo. Ele acordou sozinho às 5h30 da manhã. Eu acordei com o barulho dele a andar pelo corredor. Levantei-me preocupada,  achando que ele estava maldisposto. Carlo, está tudo bem? Ele estava no  casa de banho, lavar o rosto, se arrumando. Está tudo bem, mãe? Só não consegui dormir mais.

The Sainthood Kit of Carlo Acutis: 8 Steps for a Holy Life

Por quê? Está nervoso? Ele olhou para mim sorrindo. Aquele sorriso meio torto que sempre tinha. Não, estou feliz, muito feliz. Hoje é o dia mais importante da minha vida. Eu pisquei confusa. Dia mais importante da vida, com 7 anos. Eu pensei que ele estava exagerando da maneira que criança exagera quando recebe um brinquedo novo ou vai paraa Disney.

 Mas não era um exagero, era verdade.  Para ele, receber Jesus pela primeira vez era o dia mais importante. Muito mais importante que o aniversário,  que o Natal, que qualquer outra coisa. Tomamos café juntos em silêncio.  Ele quase não comeu. Tinha de estar em jejum para comungar. Só tomou um copo de água.

 A Andreia desceu também, ainda sonolento, de pijama. Bom dia, campeão. Ansioso. O Carlos sorriu muito. Às 7 e eu saímos de casa. A missa da primeira comunhão era às 8 horas na igreja de Santa Maria Segreta, a mesma que Carlo tinha pedido para entrar pela primeira vez aos 4 anos. Quando chegámos, a igreja já estava cheia.

 Pais, avós, padrinhos, famílias inteiras, crianças de branco, todas arranjadas, umas nervosas, outras distraídas, algumas a chorar porque a roupa estava apertada. cena típica de primeira comunhão. Mas Carlo, Carlo estava concentrado. Ele sentou-se no banco da frente onde as crianças ficavam e não tirou os olhos do altar nem uma vez.

 Não olhou para o lado para ver quem estava ali. Não acenou  aos primos, não mexeu na roupa, apenas olhava pro altar.  Como se já estivesse a rezar, a missa começou. Padre a celebrar  cânticos, leituras. Eu estava sentada a uns bancos atrás, junto ao Andreia, tentando  prestar atenção, mas honestamente estava aborrecida.

 Missa sempre foi aborrecida para mim, longa, repetitiva, cansativa, mas disfarçava porque era o dia do meu filho. Até que chegou o momento da comunhão. O padre chamou as crianças, uma a uma, paraa frente do altar. O Carlo  foi um dos primeiros. Levantou-se devagar, juntou as mãos e caminhou até ao padre.

  Ajoelhou. O padre pegou na hóstia, ergueu e disse: “Corpo de Cristo”. Carlo respondeu com voz firme: Ámen. E recebeu. E nesse preciso momento, ele começou a chorar. Não foi choro de dor, não foi choro de medo, foi choro silencioso, intenso, profundo, lágrimas escorrendo-lhe pelo rosto, olhos fechados,  mãos ainda juntas.

 Ele ficou ali ajoelhado  durante quase um minuto inteiro. As outras crianças já tinham voltado para os bancos, mas ele continuava ali a chorar. Eu Olhei para a Andrea assustada. O que tá a acontecer? Andreia encolheu os ombros, sem compreender  também. O padre se aproximou-se, colocou a mão no ombro do Carlo e sussurrou qualquer coisa.

 Carlo assentiu, levantou-se lentamente, limpou o rosto e voltou para o banco. Mas ele continuava chorando baixinho durante o resto da missa inteira. Quando acabou, saímos da igreja e eu fui a correr até ele.  Carlo, meu filho, o que aconteceu? Por que chorou? Olhou-me com os olhos ainda vermelhos, mas sorridentes.

 Eu senti-o, mãe. Senti o quem? Jesus. Eu senti-o dentro de mim. E ele é, ele é muito bom, mãe, muito bom. E depois ele abraçou-me e continuou a chorar no meu ombro. E eu Fiquei ali parada, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer,  porque o meu filho de 7 anos tinha acabado de ter uma experiência mística  que eu, com 32 anos, batizada, crismada, católica de berço, nunca tinha tido.

Depois da missa, fomos para casa da minha mãe para a festa. Bolo, salgados, refrigerante, música, familiares a falar alto, crianças a correr, festa normal. Mas o Carlo  estava diferente. Não quis brincar com os primos, não quis comer bolo. Ficou sentado num canto da sala, quieto, a olhar para a janela, como se ainda estivesse a processar o que tinha acontecido na igreja.

 Minha mãe percebeu. Antónia, o Carlo  está bem? Ele parece distante. Ele está bem, mãe. Acho que ele está só emocionado ainda. Ela olhou para ele com aquele olhar de avó que compreende coisas que a mãe não compreende e disse: “Este  menino é especial, Antónia. Muito especial. Cuida bem dele.

” Senti-a sem entender direito o que ela quis dizer. Especial como? Mas ia descobrindo aos poucos. Nos dias seguintes, a primeira comunhão, Carlo mudou, não radicalmente, mas visivelmente. Passou a pedir para ir à missa todo dia. Não só domingo, não só de vez em quando, todos os dias. Mãe, amanhã vamos à missa antes da escola. Eu suspirei. Carlo, missa todos os dias é muito.

 Você tem escola, tenho trabalho. Mas mãe,  a missa é de manhã cedo, às 7. Dá tempo, por favor. Eu olhei para ele, aqueles olhos suplicantes, e eu cedi. Tá bom, vamos tentar. E começamos. Todo santo dia, às 6h15 da manhã, eu acordava, acordava o Carlo, nós tomava café rapidamente e ia à missa das 7 horas.

 No início, odiava acordar cedo, sair de casa com sono,  sentar naquela igreja fria, com meia dúzia de velhinhas a rezar o terço, sacrifício puro. Mas o Carlo, o Carlo amava. Ele entrava naquela igreja como quem entra num parque de  diversões. Sentava-se à frente, prestava atenção em tudo, cantava os cânticos, rezava as respostas.

  E quando chegava a hora da comunhão, ele chorava de novo, todos os dias, lágrimas silenciosas a escorrer pelo rosto, como se cada vez que recebia Jesus fosse a primeira vez, como se nunca ficasse normal, como se nunca se habituasse. Eu ficava a olhar para aquilo todos os dias e pensando: “O que é que este menino vê que eu não vejo? O que ele sente que eu não sinto?” E aos poucos  comecei a querer sentir também.

 Passou um ano, depois dois, depois três. O Carlo tinha 10 anos agora e a rotina continuava missa todos os dias antes da escola. Ele nunca queixou-se, nunca pediu para parar, nunca quis dormir até mais tarde, nunca. E eu eu continuava a ir com ele, mas sinceramente ainda não sentia nada.  ou quase nada.  Por vezes, muito raramente durante a consagração, aquele momento em que o padre ergue a hóstia e diz: “Este é o o meu corpo”.

 Sentia algo, uma pontada, um aperto no peito, uma vontade estranha de chorar sem motivo, mas passava depressa e eu ignorava. Até que um dia Carlo fez algo que mudou tudo. Tinha 11 anos. Estávamos a regressar da missa de manhã, a passear pela rua,  ainda escuro, sol nascendo devagar. O Carlo estava quieto, pensativo. De repente, parou no meio da calçada.

 Mãe, posso perguntar-te uma coisa? Claro, filho. Ele hesitou como se estivesse a escolher  as palavras com cuidado. Sente Jesus quando comunga? O meu coração  gelou porque eu sabia a resposta e eu sabia que ele merecia a verdade. Respirei fundo. Não, Carlo, eu não sinto. Ele olhou para mim  a sério. Por quê? Eu não sei.

Talvez porque não tenho fé suficiente. Talvez porque nunca aprendi. Talvez porque ele me interrompeu. Não é isso, mãe. Então, o que é? Você não sente porque não pede para sentir. Eu franzi a testa. Como assim? Ele continuou. Eu rezo, mãe, antes de comungar, peço a Jesus para me ajudar a senti-lo.

 Eu peço-lhe para me tocar, para ele me mostrar que ele  está ali. E ele mostra. As lágrimas começaram a subir. Faz isso todo dia? Todos os dias? Abracei-o ali mesmo na rua  e chorei porque o meu filho de 11 anos estava a ensinar-me a rezar. Meu filho estava a ensinar-me a ter fé. O meu filho estava a salvar-me.

 Naquela noite, antes de dormir, rezei pela primeira vez a sério na minha vida. Não, Pai Nosso decorado, não Avé Maria automática. Eu simplesmente fechei os olhos e disse: “Jesus, não sei se Tu estás a ouvir-me, eu não sei se tu se importa, mas ajuda-me a sentir como o Carlos sente-se, por favor.” e dormi.

 E no dia seguinte, quando fui comungar,  senti. Não foi uma explosão mística, não foi choro incontrolável, mas foi algo, um calor suave no peito,  uma paz que não tinha antes, uma certeza pequena, mas real.  Ele está aqui. E, a partir daquele dia, missa deixou de ser uma obrigação, passou a ser o encontro.

 Os anos passaram, Carlo crescia e a cada ano ele ficava mais intenso, não sentido negativo, no sentido de focado, determinado, apaixonado por Deus. Ele não era fanático, não era aborrecido, não era daqueles  que ficam a pregar para todo o mundo. Pelo contrário, ele era normal, jogava videojogos, via filmes, tinha amigos, gostava de cães.

Aliás,  tínhamos um pastor alemão chamado Briciola, que ele amava. Usava ténis, calças de ganga, camiseta, adolescente comum, mas com uma diferença. Ele rezava muito, todos os dias, missa. Todos os dias, terço. Todos os dias, meia hora de adoração ao  santíssimo sacramento.

 Ele ficava ajoelhado na frente do sacrário,  em silêncio, só olhando. E, além disso, as três Avé Marias antes de dormir. Eu Comecei a aperceber-me disso quando ele tinha uns 9 anos. Todas as noites, antes de apagar a luz, eu passava no quarto dele para dar  boa noite. E sempre, sempre, ele estava ajoelhado ao lado da cama, de mãos postas, rezando baixinho.

 No início, eu pensava que era o Pai Nosso ou alguma oração que tinha aprendido  no catecismo. Mas uma noite parei para escutar e ouvi: Avé Maria, cheia de graça e de novo. Avé Maria, cheia de graça e de novo. Avé Maria, cheia de graça. Três vezes, sempre três, nunca mais, nunca menos. Três Avé Marias. E isto repetiu-se todas as noites.

Durante anos, nunca perguntei porquê. Pensei que fosse apenas uma devoção pessoal dele, uma coisa bonitinha de criança que reza. Eu não fazia ideia do que estava por trás. Até setembro de 2006.  Setembro de 2006. O Carlo tinha 15 anos. Tinha acabado de iniciar o primeiro ano do ensino secundário. E estava diferente, cansado, pálido, com olheiras.

 No início, achei que era cansaço normal de adolescente, sono, crescimento, hormonas. Mas passado uma semana começou a ter febre, febre baixa. 37,5 37,8. Nada de alarmante. Dei antipirético,  mandei-o descansar, mas a febre não passava e começou a queixar-se de dores no corpo. Mãe, meu braço está a doer.

 Mãe, as minhas  pernas estão a doer. Mãe, estou muito cansado. No quinto dia, levei-o ao médico. Pediatra que o acompanhava desde pequeno. Exame físico. Nada de anormal. Deve ser uma virose, dona Antónia. Vamos pedir um hemograma completo, só para  ter a certeza. Colhemos sangue. Resultado saiu em 48 horas e quando o médico me ligou, o meu mundo desabou.

Dona Antónia, preciso que a senhora venha cá. Urgente.  Traz o Carlo. O que se passa, doutor? Silêncio. É melhor falarmos pessoalmente. Desliguei o telefone com as mãos tremendo. Peguei no Carlo, peguei na Andreia. Fomos para o consultório. O médico nos recebeu com cara séria, fechou a porta, sentou-se e disse: “O Carlos está com leucemia. Leucemia mieloide aguda.

Estágio avançado. Silêncio. A Andreia segurou-me a mão. Eu não conseguia  respirar. Carlo estava ali sentado ao nosso lado, olhando para o médico sem expressão, como se ele já soubesse, como se ele  esperasse por aquilo. O médico continuou. Vamos encaminhar para a oncologia pediátrica, começar quimioterapia imediatamente.

 O quadro é grave,  mas vamos lutar. Saímos do consultório em silêncio. Entrámos no carro e eu desabei. Chorei, gritei,  esmurrava o painel do carro. Porquê, meu filho? Por quê? Andreia chorava também em silêncio. E Carlo, Carlo estava sentado no banco de trás, olhando pela janela, calmo, em paz.

 Nessa noite não consegui dormir. Fiquei deitada na cama, a olhar para o tecto, com a mente a girar em lup.  Leucemia, meu filho. 15 anos,  estágio avançado. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça como sino fúnebre. A Andreia estava ao meu lado, também acordado, também em silêncio. A gente não falou, não tinha o que dizer.

 Às 2 da manhã, eu levantei-me, fui até à cozinha, fiz um chá de camomila que nem bebi. Fiquei ali sentada à mesa, olhando para a xícara fumegante, perdida. E então ouvi um barulho. Passos. Olhei para o corredor. Carlo, estava de pé, de pijama, descalço, parado à porta da cozinha, me olhando. Mãe, estás bem? Eu forcei um sorriso. Estou, filho, só não tenho sono.

E você, porque acordou? Ele deu de ombros.  também não estou a conseguir dormir. Ele se aproximou-se, puxou a cadeira, sentou-se do meu lado. Ficámos ali em silêncio por uns minutos, eu a olhar para a chávena,  ele a olhar para as próprias mãos e depois falou baixinho: “Mãe, eu não tenho medo.” Olhei para ele confusa.

Medo de quê, filho?  De morrer. O meu coração parou. Carlo,  não fala assim. Você não vai. Ele interrompeu-me, gentil, mas firme. Mãe,  eu sei que está grave. Eu ouvi o médico. Eu percebi e tá tudo bem. As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto. Como está tudo bem, Carlo? Como? Ele pegou a minha mão quente, firme e disse: “Porque eu sei para onde vou.” Eu tremi.

 Onde? Ele sorriu. Aquele sorriso dele meio torto, meio misterioso. Para o céu, mãe. Eu vou para o céu. Eu desabei. Chorei ali  à sua frente, sem conseguir parar, e abraçou-me com força, como se ele fosse o adulto e eu a criança. Mãe, posso contar-te um segredo? Eu limpei o rosto tentando recompor-me. Pode, filho, pode. Ele respirou fundo.

olhou para mim com aqueles olhos que pareciam carregar algo muito maior do que 15 anos  e disse: “Os três Avé Marias que rezo todos os dias antes de dormir, não são  só oração, são proteção. Eu franzi a testa.” Proteção de quê? Ele continuou lentamente, escolhendo cada palavra.  Proteção para não morrer em pecado mortal.

 proteção de Nossa Senhora para que quando eu morrer, vou logo para o céu. Silêncio. Eu fiquei ali paralisada,  tentando processar. Carlos,  de onde é que tirou isso? Ele explicou. Quando tinha 7 anos, logo após a a minha primeira comunhão, li sobre um santo, penso que era São Bernardo de Claraval. >>  >> Dizia que quem reza três Avé Marias todos os dias com devoção sincera, pedindo três graças específicas.

 Nossa Senhora protege na hora da morte. Ele continuou: “Cada Avé Maria é para uma graça diferente, mãe. A primeira é para pedir pureza,  para que eu não caia em pecado grave, principalmente pecado contra a castidade.”  Sabe pornografia? masturbação, pensamentos impuros, essas coisas. >>  >> A internet está cheia disso.

 É difícil fugir. Mas quando rezo esta Ave Maria, sinto Nossa Senhora a me protegendo. Sinto uma força que não é minha e consigo resistir. A segunda é para pedir humildade, para que eu não ficar orgulhoso, para que eu não ache ninguém, para que eu não pense que sou o dono da minha vida, que não preciso de Deus.

 Porque o orgulho é o pecado mais perigoso, mãe. Foi o pecado de Lúcifer e eu não quero cair nisso. E a terceira  é para pedir proteção na hora da morte, para que quando eu morrer e toda a gente vai morrer um dia, Nossa Senhora esteja lá à minha espera, segurando-me, levando-me a Jesus para que eu não morra sozinho,  para que eu não morra com medo, para que eu não morra em pecado mortal.

  Eu estava tremendo. E reza-se isso desde os 7 anos? Todos os dias, mãe, sem falhar, nem uma noite. Por quê? Ele olhou para mim sério. Porque eu sempre soube que ia morrer jovem. O meu estômago gelou. Como assim? Encolheu os ombros, tranquilo. Eu não sei  explicar. É uma certeza. Desde pequeno sempre senti que não ia viver muito, que Deus me ia chamar cedo e está tudo bem, porque eu preparei-me.

As lágrimas escorriam sem parar  agora. Carlo, apertou-me a mão. Mãe, não tenho medo, de verdade, porque eu sei que a Nossa Senhora está cuidando de mim. Ela sempre cuidou. E quando chegar a altura,  ela vai me buscar. Nessa noite ali na cozinha, às 2:37 da manhã, sentada ao lado do meu filho de 15 anos, que acabara de receber sentença de morte, senti Deus pela primeira vez na vida real.

  Não foi uma voz audível, não foi uma luz, não foi êxtase místico, foi presença, como se alguém tivesse entrado na cozinha e colocou as mãos nos meus ombros, dizendo: “Ele está seguro, confia em mim”. E depois, pela primeira vez desde o diagnóstico, consegui respirar. O Carlo olhou para mim com aquele sorriso suave.

Mãe, também devias rezar as três Avé Marias todos os dias, promete? Eu assenti chorando. Eu prometo, filho. E não esquece as intenções. A pureza, a humildade, a proteção na hora da morte. Estas três coisas. todos os dias não vou esquecer. Levantou-se, beijou-me na testa e disse: “Agora vou dormir.

 Tu também deveria.” Eu vou daqui a pouco. Ele saiu, voltou para o quarto e eu fiquei ali  sozinha na cozinha. E pela primeira vez, desde essa manhã horrível no consultório do médico, eu Rezei, não por hábito, não por protocolo, mas por necessidade.  Ajoelhei-me ali mesmo no chão frio da cozinha e rezei.

 Avé Maria, cheia de graça, o Senhor está convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa  Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Pela pureza. Pausa. Avé Maria, cheia de graça, pela humildade, pausa. Avé Maria, cheia de graça pela proteção na hora da morte.

 E quando terminei, senti uma paz inexplicável. Não era alívio, não era anestesia, era certeza. Certeza de que não importa  o que acontecesse, Deus estava no controlo e Nossa Senhora estava ali a cuidar do meu filho e de mim também. Levantei-me, sequei as lágrimas, fui dormir e nessa noite, pela primeira vez desde o diagnóstico, dormi.

 Os dias seguintes foram um furacão,  internamento no hospital de São Gerardo em Monza. Bateria de exames, biópsia de medula, tomografias computorizadas, ressonâncias magnéticas, reuniões com oncologistas. Início da quimioterapia.  Carlo perdeu o cabelo em duas semanas. ficou pálido, magro, fraco, vomitava, tinha febre, dores no corpo, era sofrimento puro, mas nunca se queixou nem uma vez.

 Todas as manhãs, antes de tomar os medicamentos, fazia o sinal da cruz e dizia:  “Jesus, ofereço esta dor por alguém que está a sofrer mais do que eu e não tem fé para suportar”. Eu via aquilo e pensava: “Quem é este menino? Porque ele não era só o meu filho, era santo vivo e as três Avé Marias. Ele continuava rezando todos os dias, mesmo fraco, mesmo com febre alta, mesmo dopado de remédio.

Antes de dormir, juntava as mãos, às vezes a tremer de febre, fechava os olhos e rezava. Eu ficava do lado de fora do quarto a escutar e rezava junto todos os dias. Pela primeira vez na minha vida, eu estava a rezar de verdade, não por obrigação, por amor. Duas semanas depois do início da quimioterapia, os médicos chamaram-nos para uma reunião.

 Sala fria, mesa grande, três oncologistas sentados, eu e Andreia do outro lado. E a frase que ninguém quer ouvir. O corpo dele não está a responder ao tratamento.  A leucemia está a progredir. Vamos tentar um protocolo mais agressivo, mas vocês precisam de se preparar. Preparar. Palavra suave para dizer: “Ele vai morrer.

” Saímos daquela sala em silêncio. Andrea chorou no corredor do hospital, encostado à parede, as mãos na cara. Eu  não chorei, não porque eu fosse forte, mas porque não tinha mais lágrimas. Eu tinha chorado  tanto nas últimas semanas que o meu corpo simplesmente secou. Voltámos para o  quarto do Carlo. Estava deitado, olhando para a janela, vendo a chuva cair lá fora.

 Entramos, sentamo-nos do lado dele. Ele olhou para pessoas e soube sem nós dizermos nada. Ele soube. Não está a funcionar, né? Andreia baixou a cabeça. Segurei a mão do Carlo. Eles vão tentar outro tratamento, filho. Mais forte,  talvez. Ele me interrompeu amável. Mãe, está tudo bem? Não está tudo bem, Carl. Não tá.

 Ele apertou-me a mão. Sim, está, porque eu sei para onde eu vou. Ele olhou para  mim, depois ao pai e disse algo que ficou gravado na minha alma para sempre. Eu não tenho medo de morrer. Eu só tenho medo de vocês ficarem tristes. Mas eu vou estar bem, prometo. Nossa Senhora já me garantiu. Andreia desabou,  abraçou o Carlo e chorou no ombro dele.

 E o Carlo, magro, careca, fraco, doente, consolava o pai.  Pai, não chores. Eu vou para o paraíso e vou cuidar de vocês de lá. Eu prometo. Cinco dias depois daquela conversa, Carlo entrou em coma. Foi de manhã, logo depois do café. Ele tinha tomado os medicamentos, tinha falado comigo, tinha sorriu e de repente fechou os olhos  e não abriu mais.

 Chamamos os médicos, fizeram exames e confirmaram. Coma induzido pelo avanço da doença. Pode ser uma questão de horas ou dias. Não sabemos. Eu e a Andreia não saímos do lado dele. Segurávamos-lhe as mãos, conversávamos com ele, mesmo sabendo que não respondia. Rezávamos. O quarto vivia cheio de gente, padre da paróquia, amigos, família, mas quase não percebia.

  Eu só olhava para o meu filho deitado naquela cama, a respirar devagar, indo-se embora. Na noite do dia 11 de outubro, pelas 23 horas, o padre veio ao quarto e ministrou a extrema-unção, o sacramento da unção dos doentes.  Ungiu a testa do Carlo com olho santo, rezou sobre ele e disse: “Carlo, que o Senhor te perdoe todos os pecados,  cura-te na alma e no corpo e te leve-o em paz para o céu”.

 E eu,  olhando para aquilo, pensei: “Ele não precisa de perdão. Ele já está puro. As três Ave As Marias cuidaram disso e senti de novo aquela certeza.  Nossa Senhora estava ali à espera de ele. Nessa madrugada, às 6:37 do dia 12 de outubro de 2006, Carlo morreu. O monitor cardíaco que tinha feito aquele  bip bip bip constante durante dias tornou-se uma linha reta e um som contínuo.

 Atirei-me sobre ele,  abracei o corpo ainda morno. Gritei: “Não, Carlo, não. Volta! Volta para mim! Andrea me  segurou chorando também. Os médicos entraram, confirmaram o óbito, desligaram os aparelhos. Silêncio. Aquele silêncio  pesado, sufocante, insuportável que só a a morte traz.

 E ali, naquele quarto de hospital,  com o corpo do meu filho de 15 anos deitado naquela cama, o meu mundo acabou. Ou pelo menos foi o que eu pensei, porque eu não sabia ainda que aquilo não era o fim, era o princípio. Duas horas depois da morte, uma irmã da pastoral hospitalar, a irmã Teresa Gambino, eu nunca me vou esquecer do nome dela, entrou no quarto para preparar o corpo do Carlo pró velório. Eu não quis sair.

 Eu queria ficar ali, ver tudo, estar perto dele até ao último segundo. A Andrea tinha saído para resolver papelada de óbito, documentos, notário. Então era só eu e a Irmã Teresa.  Era uma senhora de uns 50 e tal anos, baixa, rosto gentil, mãos calejadas de quem já preparou centenas de corpos.

 Ela aproximou-se da cama, fez o sinal da cruz  e começou a trabalhar limpando-lhe o rosto, ajeitando o cabelo. Ele  ainda tinha um pouco, muito curto, vestindo a roupa que tinha levado, fato preto,  camisa branca, gravata azul e ténis. Eu tinha pedido para ela colocar ténis nele. Converse all Star Preto  que ele adorava.

 Ela achou estranho no início, mas obedeceu. Enquanto ela trabalhava, eu ficava sentada num canto a olhar. E de repente  a Irmã Teresa parou, olhou para o rosto do Carlo, tocou-lhe na mão e ficou ali paralisada durante quase um minuto. Eu aproximei-me. Irmã, está tudo bem? Ela olhou para mim com os olhos marejados.

Dona Antónia, preparo corpos há 21 anos e nunca nunca senti  algo assim. Sentiu o quê? Ela hesitou. Ele está quente. Como assim quente? O corpo dele não está frio, está morno. E o rosto? Ele está sorrindo. Aproximei-me mais. Olhei para a cara do Carlo e era verdade. Tinha um leve sorriso nos lábios. Não era rigor mortes, não era expressão acidental, era sorriso, como se ele estivesse a sonhar com algo bom,  como se ele tivesse acabado de ver algo belo. A Irmã Teresa continuou.

E há algo mais.  O quê? Ela olhou em redor, confusa. Tem um cheiro de flores cor-de-rosa,  talvez. Eu não sei de onde vem. Eu inspirei fundo e senti perfume suave, doce, celestial. Não era desinfetante, não era medicamento, era flores frescas e não tinha flores no quarto.

 A Irmã Teresa olhou para mim tremendo. Dona Antónia, quem era o seu filho? Eu respirei fundo. Ele era santo. E, então, pela primeira vez desde a sua morte, não chorei de desespero, chorei de gratidão, porque soube naquele momento com absoluta  certeza, as três Avé Marias tinham funcionado. Nossa Senhora tinha cumprido a promessa.

  O Carlo estava no céu. O velório foi no dia seguinte, 13 de de outubro, na igreja de Santa Maria Segreta. >>  >> A mesma igreja onde Carlo tinha pedido para entrar pela primeira vez aos 4 anos. A mesma igreja onde tinha feito a primeira comunhão. A mesma igreja onde ele ia todos os santos dias antes da escola, o seu lugar.

>>  >> Quando lá chegámos de manhã às 9 horas para organizar tudo antes do velório começar oficialmente ao meio-dia, eu  não estava à espera do que encontrei. A igreja já estava cheia, não de família, não de conhecidos próximos, mas de pessoas que nunca tinha visto na vida.

 Jovens,  adolescentes, crianças com os pais, professores, colegas de escola que mal conhecia. Gente da freguesia, gente da vizinhança, todos ali à espera. O padre Michele, o pároco,  viu-me e aproximou-se. Dona Antónia, não sei o que aconteceu, mas desde  de ontem à noite, quando anunciámos que o Carlo tinha falecido, as pessoas começaram a aparecem  e não param de chegar.

Olhei ao redor sem entender. Mas porque é que ele era só um menino, um adolescente comum? Padre Michele abanou a cabeça. Não, dona Antónia, ele não era comum e muita gente sabia disso. Quando o caixão chegou e foi colocado em frente do altar, aberto para que as pessoas  se pudessem despedir, a fila era enorme.

 Eu fiquei ali sentada no primeiro banco junto ao Andreia e do Michele, o nosso filho mais novo, que na altura tinha 12 anos e estava destruído, vendo centenas de pessoas passarem em frente do caixão e todas diziam a mesma coisa. Ele parece que está a dormir, ele está sorrindo. Eu sinto aqui uma paz que eu nunca senti em nenhum velório.

 Tem um cheiro a flor. De onde vem? Eu ouvia aquilo e pensava: “Elas estão a sentir o que senti. Elas estão a ver o que eu vi. O Carlo não está morto. Ele só mudou de lugar. Uma senhora idosa que eu não conhecia aproximou-se de mim depois de ver o corpo. Ela estava a chorar. Dona Antónia, eu não conhecia o seu filho pessoalmente, mas ele ajudou-me.

 Eu franzi a testa.  Como assim? Ela explicou. O meu neto tem 14 anos. Estava viciado em pornografia, deprimido, quase se matou. Mas um dia conheceu o Carlo na igreja. Os dois conversaram. Não sei o que o Carlo disse, mas o meu neto mudou. Deixou de ver aquelas coisas, voltou a rezar,  voltou a sorrir e tudo por causa do seu filho. Ela segurou as minhas mãos.

  Obrigada. Obrigada por ter gerado um santo. E saiu.  E eu fiquei ali tremendo porque aquela foi a primeira de muitas histórias que ia ouvir.  Durante todo o velório, as pessoas aproximavam-se de mim e contavam como Carlo tinha ajudado alguém, como Carlo tinha rezado por alguém, como Carlo tinha dito algo simples, mas que tinha mudado uma  vida.

Disse-me para não desistir de Deus. Emprestou-me um livro sobre santos e isso converteu-me. Criou um site com milagres eucarísticos e isso fez-me voltar paraa igreja. Ele era diferente, puro, bom, sempre sorrindo. E quanto mais ouvia, mas eu percebia, não conhecia  o meu filho completamente. Eu sabia que era devoto, sabia que ele amava Jesus, sabia  que ele rezava muito, mas eu não sabia o impacto que ele tinha nas pessoas.

 Eu não sabia que já estava a salvar almas. Carlo foi sepultado no dia 13 de outubro, ao final da tarde, no cemitério de Ternengo, uma pequena cidade perto de Milão, onde a família do Andreia tinha uma casa de campo. Foi um enterro simples. Caixão de madeira clara, flores brancas. Padre rezando: “Família e amigos próximos, quando desceram o caixão para dentro da terra, desabei outra vez, porque dói.

 Dói ver sendo o corpo do seu filho coberto por terra. Dói saber que já não vai vê-lo. Dói a ausência.  Dói a casa vazia. Dói acordar de manhã e lembrar que ele já não está ali. Dói tanto que pensa que não vai sobreviver. >>  >> Mas sobrevivi porque era forte, mas porque tinha uma promessa para cumprir.

Nas primeiras semanas após a morte do Carlo, entrei num estado que só consigo descrever como piloto automático. Acordava, tomava banho, vestia-me, ia trabalhar ou tentava. Regressava a casa, preparava o jantar, dormia, repetia, mas por dentro eu estava morta. Não tinha gosto para nada, não tinha vontade para nada.

  Eu olhava para as roupas dele no armário e pensava: “Nunca vou ter coragem de tirar isto daqui”.  E eu olhava para o computador dele, ainda ligado na página do site milagres eucarísticos que ele estava desenvolvendo e pensava  como ele tinha tanta fé e eu não. Eu olhava para a cama dele feita,  vazia e pensava: “Nunca mais vou ver ele a dormir aqui”. Era dor física.

 Dor que aperta o peito,  que tira o ar, que dá vontade de gritar, mas não sair som nenhum. A Andreia estava igual, ou pior. Mal falava, mal comia, trabalhava como um robô. E Michele, o nosso filho mais novo, estava perdido. Tinha perdido o irmão, o melhor amigo, o exemplo. Ele fechou-se, parou de conversar, fechava-se no quarto.

 A casa tornou-se um museu silencioso da dor. Até que uma noite, duas semanas depois do funeral, tive um sonho. Não foi sonho comum, foi diferente, mais real,  mais nítido, mais presente. Eu estava numa igreja, não era a Santa Maria Segreta, era outra, maior, mais  clara, cheia de luz. E no altar, de costas para mim, estava o Carlo.

Estava vestido de branco, não de fato, mas de uma túnica branca, simples, bela, e ele estava ajoelhado,  rezando. Aproximei-me devagar. Carlo, virou a cabeça, sorriu, aquele sorriso dele. Olá, mãe. Eu comecei a chorar. Filho, onde estás? O que é este lugar? Ele levantou-se, veio até mim, abraçou-me e o abraço era real.

Sentia o calor, sentia o peso, sentia ele. Estou em casa, mãe, no céu, com Jesus, com Nossa Senhora. Eu estou bem, mais do que bem. Eu estou feliz, mas estou com tanta saudade.  Segurou o meu rosto com as duas mãos. Eu sei, mas precisa de continuar. Você prometeu. Prometi o quê? As três Ave Marias, todos os dias.

 Você prometeu, eu a senti a chorar. Eu estou a rezar, filho, todo o  dia. Assim, continua e ensina outras pessoas, porque isso salva a mãe, isso protege. Eu sei, eu sou a prova. E depois disse algo que mudou tudo. Mãe, eu não morri. Eu só mudei de endereço e daqui vou continuar a trabalhar, vou continuar a ajudar, vou continuar a salvar almas, eu prometo.

Ele abraçou-me de novo e sussurrou no o meu ouvido: “Não desistas, mãe. Confia em Deus. Confia em Nossa Senhora. Tudo vai fazer sentido.” Eu acordei sobressaltada. Olhei para o relógio. 3h33 da manhã.  Olhei para o lado, Andreia dormindo. Toquei no rosto, estava molhado de lágrima, mas dentro do peito tinha paz. Pela primeira vez em duas semanas.

Paz. E eu soube,  aquilo não foi um sonho, foi uma visita. Levantei-me, fui até ao quarto do Carlo, entrei, acendi a luz. Tudo ainda  estava lá. roupas, livros, computador, santos posters na parede. Ajoelhei-me do lado da cama dele e rezei: Avé Maria, cheia de graça  pela pureza.

 Avé Maria, cheia gratuitamente pela humildade. Avé Maria, cheio de  graça, pela proteção na hora da morte. E prometi: Carlo, eu vou ensinar o mundo inteiro a rezar estas três Avé Marias. Eu prometo. E a partir desse dia, comecei a viver de novo. Nos meses seguintes, algo extraordinário começou a acontecer. Pessoas que tinham ido ao velório do Carlo começaram a procurar-me, mandavam cartas, e-mails, telefonavam a contar milagres.

 Não espetaculares milagres de cura física  ainda, mas milagres de conversão. Dona Antónia, depois de eu ter visto o Carlo no caixão, senti  algo. Voltei para a igreja. Há 15 anos que não ia. Dona Antónia, comecei a rezar as três Avé Marias que a senhora mencionou na missa de sétimo dia e a minha vida mudou. A Dona Antónia, o meu filho, estava viciado em drogas.

 Eu pedi a intercessão do Carlo. Três meses depois. Ele entrou numa comunidade terapêutica. Hoje ele está limpo. Eu lia aquilo e chorava porque o Carlo tinha dito: “Vou continuar trabalhar, vou continuar a ajudar”. E ele estava a cumprir do céu. Em 2008, dois anos após a sua morte, o O padre Michele chamou-me para uma conversa. Dona Antónia, eu acho que precisamos pensar em abrir um processo de beatificação pro Carlo. Eu travei.

Beatificação, padre.  Era só um menino. Ele abanou a cabeça. Não, dona Antónia. Ele era santo. E a quantidade de testemunhos que chegam todos os meses, isto não é normal. A igreja precisa investigar. Não sabia o que dizer. Beatificação  parecia demasiado distante, coisa de santos antigos, de mártires, de fundadores de ordens religiosas,  não do meu filho, do menino que jogava videojogos e calçava ténis All Star, mas o padre insistiu.

  E em 2013, 5 anos depois, a diocese de Milão abriu oficialmente o processo de beatificação de Carlo Acutes. O processo durou anos. Investigação da sua vida, testemunhos de centenas de pessoas,  análise dos seus escritos, e-mails, posts em fóruns católicos, textos sobre santos, análise da heroicidade das virtudes dele.

 E uma pergunta que me fizeram várias vezes. Dona Antónia, o Carlo caiu em pecado mortal alguma  vez? E eu respondia com toda a certeza: Não, nunca. Como pode a senhora ter tanta certeza? Porque ele se confessava todas as semanas, porque comungava todos os dias e por ele rezava três Avé Marias todo  dia, pedindo proteção contra o pecado mortal.

 E foi aí que os investigadores se interessaram: “Conte mais sobre  estas três Avé Marias”. E eu contei tudo. A conversa  na cozinha três semanas antes de ele morrer. A sua explicação sobre as três intenções: pureza, humildade, proteção na hora da morte. o facto de rezar desde os 7 anos  sem falhar uma única noite.

 E os investigadores anotaram tudo e colocaram isso no relatório oficial. A devoção mariana de Carlo Acutes,  especialmente as três Avé Marias diárias, foi um fator determinante na preservação da sua pureza e santidade de vida. Em janeiro de 2019, 13 anos após a morte  dele, aconteceu algo que ninguém esperava.

 A igreja pediu a esumação do  corpo, procedimento padrão nos processos de beatificação. Precisavam de verificar o estado do corpo, recolher relíquias, fazer análises forenses. Eu tinha pavor daquele dia. Pavor de ver o corpo do meu filho decomposto. Pavor de ver ossos, caveira, nada, porque 13 anos é muito tempo.

 Mas no dia 23 de janeiro de 2019, pelas 9 da manhã, no cemitério de Ternengo, na presença de médicos legistas, padres,  bispos, e eu e a Andreia, eles abriram o túmulo e quando abriram o caixão, caí de joelhos. O corpo do O Carlo estava  intacto, não perfeito como no dia da morte, mas preservado.

 Pele, estrutura óssea perfeita,  sem decomposição. Os médicos ficaram em silêncio, fizeram exames, tiraram fotografias, analisaram e o relatório emitido semanas depois dizia: “Estado de conservação anómala, incompatível com o tempo decorrido, ausência de sinais de embalsamamento artificial, sem explicação científica plausível, incorrupto.

” Eu li aquele relatório chorando porque eu sabia por Nossa Senhora tinha cumprido a promessa. Ela tinha protegido o corpo dele na vida,  na morte e depois da morte. O corpo foi transferido para Assis, cidade de São Francisco, onde foi colocado num relicário de vidro no santuário da espoliação. E em 10 de outubro de 2020, num sábado chuvoso, com a presença de milhares de jovens do mundo inteiro, Carlo Acutis foi beatificado.

estava ali na primeira fila, a ver  o cardeal ler o decreto papal, vendo a imagem do Carlo a ser descoberta no  altar, ver multidões de adolescentes  cantando, chorando, rezando, meninos e meninas da idade que ele tinha quando morreu, usando calças de ganga, ténis, moletom, iguais a ele.

 E eu pensei:  “O meu filho já não é só meu, é de todo mundo.” e chorei, mas não  de tristeza, de gratidão, porque Deus tinha transformou a maior dor da minha vida na maior missão. Depois da beatificação,  algo explodiu. O mundo inteiro começou a conhecer o Carlo. Documentários, livros, reportagens,  redes sociais e, principalmente, as três Avé Marias.

Milhões de pessoas começaram a rezar  e os testemunhos começaram a chegar de todos os continentes, Brasil, Filipinas, Polónia, Estados Unidos, Índia, África, pessoas a dizer: “Eu Comecei a rezar às três Avé Marias e fui liberto do vício da pornografia. Comecei a rezar as três Avé Marias e o meu casamento foi salvo.

 Eu comecei a rezar as três Avé Marias e o meu filho voltou para a igreja. e Comecei a rezar as três Avé Marias e deixei de ter medo da morte. E cada testemunho que chegava era mais uma confirmação.  O Carlo estava certo. As três Avé Marias protegem, salvam, transformam. Hoje, 18 anos depois da morte do meu filho, posso dizer com absoluta certeza:  Carlo não morreu.

 Ele só mudou de endereço. E do céu ele continua trabalhando, salvando almas, protegendo famílias, intercedendo.  E as três Avé Marias que ele rezava todos dia antes de dormir, desde os 7 anos até os 15, tornaram-se um fenómeno mundial. Não porque são mágicas, não porque são fórmula secreta, mas porque são um ato de fé, um ato de confiança em Nossa Senhora.

 E quando se reza com fé, com sinceridade, com constância, a Nossa Senhora responde. Ela responde sempre: “Irmão, irmã, se estás a ouvir isto agora, não acredito que seja por acaso. Talvez você  esteja lutando contra algo. pornografia, masturbação, drogas, álcool, jogo, relacionamentos destrutivos.

 Talvez esteja a  preso numa vida que odeia, mas não consegue sair. Talvez esteja com medo. Medo da morte, medo do inferno, medo de não ser suficiente para Deus. Talvez tenha um filho, uma filha, um neto, um sobrinho que está perdido e já não sabe o que fazer. Eu entendo. Eu também já estive perdida. Eu também já pensei que Deus era  distante, frio e relevante.

Eu também já achei que a fé  era protocolo vazio. Até que o meu filho de 7 anos me ensinou que não é, que a fé é encontro, que a fé é transformação, que a fé é uma arma. E hoje eu Quero ensinar-te o que ele me ensinou. As três Avé Marias, simples, curtas, mas poderosas.

 Todas as noites, antes de dormir vai rezar três Avé Marias. Pode ser ajoelhado ao lado da cama, pode ser deitado,  pode ser sentado. O importante não é a posição, é a intenção.  Cada Avé Maria é para uma graça específica. Primeira Avé Maria, pela pureza. Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

 Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Intenção. Peça a Nossa Senhora que o proteja contra os pecados de impureza. >>  >> Principalmente pecados sexuais, pornografia, masturbação, fornicação, adultério, pensamentos impuros, relações que te afastam de Deus.  Peça força para resistir à tentação.

 Peça pureza de coração,  de mente, de corpo. Peça que ela te ajude a ver as pessoas como Deus vê, não como objetos.  Nossa Senhora, protegei-me, dai-me pureza, dai-me força para resistir. Segunda Avé Maria, pela humildade. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

>>  >> Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Intenção. Peça a Nossa Senhora que te proteja contra o  orgulho, contra a arrogância, contra a autossuficiência, contra achar que não precisa de Deus. Peça  humildade para reconhecer os seus pecados, para pedir perdão, para se confessar.

Peça humildade para servir os outros, para amar os outros, para perdoar os outros. Peça humildade para aceitar a vontade de Deus, mesmo quando não entende. Nossa Senhora, dai-me humildade. Ajuda-me a reconhecer que preciso de Deus sempre. Terceira. Avé Maria, pela proteção na hora da morte. Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.

Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. >> Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Intenção. Peça a Nossa Senhora que estar consigo na hora da sua morte. Que ela te segure, que te proteja,  que ela afaste o demónio, que ela te leve a Jesus.

 Peça que não morra em pecado mortal, que não morra sozinho, que não morra com medo, mas que morras em paz, sabendo que vai para o céu. Nossa Senhora, protegei-me na hora da minha morte. Esteja comigo, leve-me para o seu filho. Não é  só recitar, é pedir, é conversar, é confiar. Carlo não rezava as três Avé Marias correndo só para cumprir uma obrigação.

 Ele rezava devagar, com fé, com amor. E você precisa de fazer o mesmo. Eu não te vou prometer milagre instantâneo. Não vou dizer que amanhã vai acordar perfeito, sem tentação, sem luta. Não funciona assim. Mas garanto-te,  por experiência própria e por milhares de testemunhos que recebi nos últimos 18 anos, vais mudar  devagar. Sem barulho, mas vai.

Vai sentir uma força interior que não é sua, uma voz suave a dizer não quando a tentação vier. Uma paz que te não consegue explicar, um novo desejo de procurar Deus, de rezar, de se confessar, de comungar. Vai começar a ver diferente as pessoas, a vida, o sofrimento, a morte. Vai começar a perceber que não está sozinho, que Nossa Senhora está ali a cuidar de si, como ela cuidou do Carlo, como ela cuidou de mim, como ela cuida de todo o mundo que a invoca.

Irmão, irmã, Convido-te hoje, agora, neste exato momento, a fazer o mesmo que o meu filho fez. Rezar  três Avé Marias antes de dormir, todos os dias, sem exceção. Primeira Avé Maria, pela pureza. >>  >> Segunda Avé Maria, pela humildade. Terceira Avé Maria, pela proteção na hora da morte.

 Não importa se é jovem ou velho. Não importa se é santo ou  pecador. Não importa se acredita ou duvida, basta tentar  durante 30 dias. Reza as três Ave Marias todos os dias antes de dormir, com fé, com sinceridade, pedindo  estas três graças. E vai ver, vai sentir, Nossa Senhora vai tocar-te, ela vai proteger-te, ela vai transformar-te.

Como transformou o Carlo, como transformou o Lucas, como transformou a mim. E um dia, quando estiver deitado no seu leito de morte, velho, cansado, no último suspiro, ela vai estar lá à sua espera, sorrindo, estendendo a mão e dizendo: “Vem,  eu estava à espera. Agora vamos para o meu filho e tu vais morrer em paz, sem medo, sem desespero,  com certeza.

 Como o Carlo morreu, subscreve o canal. Deixa o o teu like, não por vaidade, não por números, mas porque isso ajuda a que mensagem a chegar mais longe. Porque tem gente a sofrer agora, presa no vício, com medo de morrer, pensando que Deus desistiu dela e esta  mensagem pode salvá-la. Comenta aqui em baixo.

 Comenta se já reza as três Avé Marias. Comenta se vais começar hoje. Comenta o nome de alguém por quem quer que eu reze. Eu leio tudo. Eu rezo por si. E partilha.  Partilha com aquele amigo que está viciado em pornografia, com aquela prima que está com medo da morte, com aquele filho que se afastou de Deus, com aquela mãe que está a sofrer por um filho perdido.

 Partilha, porque esta não é só história, é missão, é corrente de fé, é salvação.  Nossa Senhora, mãe de pureza, de humildade, de proteção, rogai por nós agora e na hora da nossa morte. Amém. M.

 

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