Tal. De alguma forma, o tema da novela, como eram retratadas as coisas, influenciava a vibração, o clima do camarinho ou o bastidor ou era apenas mais uma novela? Só mais não havia ali uma energia diferenciada. Tinha, tinha. Tinha sim. Um dos episódios mais recordados aconteceu durante a gravação de uma das cenas mais fortes da novela, A cremação da personagem Alexandre, representando não apenas a despedida da personagem, mas também a abertura à sua viagem espiritual.
E foi exatamente neste momento em que algo aconteceu. Já ouviu falar sobre o acontecimento misterioso durante as gravações da novela A Viagem? É uma história que ainda hoje emociona quem estava presente. Na cena da cremação do personagem Alexandre, algo inexplicável aconteceu. Uma linda borboleta amarela entrou no estúdio interrompendo as filmagens, mas não foi uma simples invasão.
Ela pousou delicadamente sobre o caixão cenográfico e depois voou em círculos em redor de Cristiane Torloni. O momento tocou profundamente a todos, tanto mais que Cristiane havia perdeu o seu filho num acidente de viação três anos antes. A borboleta parecia ter escolhido precisamente ela, como se trouxesse uma mensagem do além. Você sabia que no espiritismo a borboleta simboliza a transformação da alma e a libertação do espírito? Foi como se o universo conspirasse para transformar aquela simples gravação num momento sagrado de conexão? Esta história faz-nos refletir sobre os
mistérios da vida e como por vezes a realidade supera a ficção. Até hoje a memória desta borboleta permanece viva nos relatos de quem participou na novela. Se no estúdio já havia sinais estranhos, fora dele as experiências não eram menos inquietantes. Cristiane Torloni, que dava vida à heroína de Ná, relatou acontecimentos misteriosos no seu próprio apartamento durante o período de gravações.
Na altura, a atriz vivia sozinha num imóvel antigo e logo começou a aperceber-se que havia algo de invulgar no local. Quando começámos a gravar, eu estava vivendo provisoriamente num apartamento, que era um apartamento daqueles antigos que tinham, sabe quando no nos quartos tinham aqueles aquelas botõezinhos que apertava-se e na cozinha, baixava-se onde que estava a chamar.
Aham. E chegava de noite na no princípio das gravações, a casa não estava em paz. Eu estava a viver sozinha e ficava pitando. Quarto um, quarto dois, caía coisa na na sala. Eu, nunca fui uma pessoa assim impressionável, sabe? Na casa da minha avó era uma casa antiga. Eu não tinha medo de ficar sozinha, não achar tem espírito, não fui, nunca fui, nem sou assustado.
Mas não te deixavam dormir? Não me deixava dormir. Depois um dia eu liguei ao Wolf, que é de uma família espírita muito tradicional de Goiás, eu disse: “Wolf, eh, nós pedimos licença para fazer este trabalho porque eu acredito nessas coisas. Quando você vai lidar com coisas que são reais mesmo, tem que, sabe, fazer uma mentalização.
Ou quando faz personagens, pessoas que existiram, como já fiz alguns, eu sabe, eu me concentro-me nisso. Eu digo, sabe, eu sinto que é uma homenagem, de alguma forma, eu sinto que fui escolhida para fazer aquele trabalho. Eu disse, precisa de fazer alguma coisa. Estou tão cansada, pá. Chega à hora de dormir, a casa transforma-se num que quadro caí essas coisas, é, caía coisa, tal, e aquilo começou a dar-me incomodar mais do que assustar.
precisa de fazer alguma coisa. Depois fizeram um encontro lá num numa casa de, não é, de casa dos espíritos, não é, para variar, não é? E eu fiquei quietinho em casa, eles rezaram lá, eu me concentrei e parou. Este pormenor talvez explique parte da entrega da atriz na sua personagem. Diná, afinal era retratada como uma mulher que, mesmo após a morte não desistia de proteger aqueles que amava, movida por uma força espiritual intensa.
Talvez o ambiente carregado do apartamento tenha funcionado como combustível involuntário para este interpretação tão marcante. Diz que estamos vivos. Tem, quer dizer, isto é um conceito, lógico. A gente pode estar vivo num plano, pode ir para outros planos, a gente pode estar mais do que morto. Porque claro, ter ter o corpo físico ainda, o corpo espiritual, este é um conceito da nossa cultura ver que em Marte estamos morto.
Outro fenómeno curioso nos bastidores foi a sintonia quase telepática entre Cristiane Torlone e Lucinha Lins. Na novela, as duas interpretavam as irmãs Tiná e Estela, personagens que partilhavam não apenas laços de sangue, mas também uma ligação espiritual profunda. Nunca mais me vou deitar. Você não percebe. Eu sei. Meu Deus do céu.
Você não percebe? Meu Deus. Ela morreu. Ela morreu. Ela morreu. Cristiane Torlone começou a receber cartas de fãs. Muitas destas cartas eram mensagens de gratidão e encorajamento, mas algumas chamaram ainda mais a atenção. E depois não tinha tempo para ler as cartas porque a partir daí chegava a novela, era uma coisa impressionante.
E depois quando chegou mais ou menos a meio para o fim, que a vida só estava entre o céu e o inferno e a terra, mas ficou mais calmo, eu Comecei a abrir as cartas. A maioria eram cartas psicografadas dizendo: “Não se acalma, está tudo bem, esse trabalho precisa de ser feito, vai confortar as pessoas, vocês estão acalmando as pessoas.
” E aí respondias: “É, não, eu rezava porque essa é a nossa ferramenta, não é?” Orava. Outra atriz que sentiu diretamente a força da sua personagem foi Laura Cardoso, que interpretava a dona Guomar. Na trama, Guomar era uma mulher atormentada pelas manifestações espirituais de Alexandre. A sua interpretação intensa, marcada por expressões de medo e desespero, acabou transcendendo a tela.

Já ouviu falar da novela que assustou dois países ao mesmo tempo? Em 1994, a viagem não era apenas mais uma novela brasileira. Ela tornou-se um fenómeno que ultrapassou as fronteiras da ficção. A história tinha de tudo, espiritismo, drama e o famoso vale do suicidas. Mas foi uma personagem em particular que roubou a cena pelos motivos mais inesperados.
Laura Cardoso, interpretando a Doce Guomar, se transformava-se completamente quando possuída pelo espírito vingativo de Alexandre. E sabe o que aconteceu? As crianças ficaram literalmente apavoradas. Não só no Brasil, mas principalmente em Portugal, onde a situação se tornou tão grave que até os especialistas em saúde mental infantil necessitaram de intervir.
Imaginem só, pequenos telespectadores desenvolvendo medo do escuro e pavor de dormir sozinhos. A atuação foi tão convincente que muitas crianças passaram a ver a Laura Cardoso como um verdadeiro fantasma. O caso foi de tal forma impactante que as autoridades portuguesas chegaram a considerar tirar novelas espíritas do horário nobre.
É incrível como uma interpretação brilhante pode ultrapassar as barreiras da ficção, não é verdade? Entre todos os atores, talvez ninguém tenha sentido tanto o peso da trama quanto Guilherme Fontes. Fujam de mim quando eu sair daqui. Vou levar os dois mesmo depois de morto. Na pele de Alexandre, representava a escuridão.
Um jovem dominado por impulsos destrutivos, incapaz de se libertar da sua própria raiva, condenado a vaguear como espírito obsessor. A sua interpretação era tão marcante que acabou por gerar consequências até na sua vida pessoal. Certa vez, o ator contou que apanhou o metro vestido de preto. Ao ser reconhecido, apercebeu-se da reação assustada de alguns passageiros.
Muitos olhavam como se fosse uma verdadeira assombração, incapazes de separar a figura da personagem da pessoa real. Não aproveitava para chatear não? Porque para eu no teu lugar. Se eu fizer um papel de Alexandre, saio de preto na rua à noite assustando os outros. Não, fiz algumas provocações. Você fez? Apanhei um metrô de preto, de preto, radical, ia de cabeça baixa, ninguém fala comigo.
Aí entro no metro, aquele metro cheio, as pessoas olha para mim, o pessoal levanta a carinha olhando assim. [Risadas] Já me exp. Este episódio demonstra como a viagem não era apenas uma novela para o público, era uma experiência coletiva de catar-se que mexia com emoções profundas e despertava medos enraizados. Portanto, tinha o núcleo da espiritualidade, aquilo aquilo mexia muito com as pessoas, mexia demasiado com as pessoas, certo? Eh, dos encontros feitos, das mesas brancas até.
Como é que era o processo? Vocês tiveram estudo sobre o mesmo? Sim, temos médiuns lá e para te falar, a grandeza de Claudinho Cavalcante que está lá no céu, ele ele sempre ele fazia o personagem de uma forma magistral, sendo ele um tipo sem qualquer credo. E arrepiei-me inteiro aqui agora, ó. Sendo ele um agnóstico sem qualquer credo, mas com um respeito gigantesco.
Uma vez um dos médiuns disse: “Nós respeitamos. Ele pode optar por não ter qualquer religião pré-concebida, mas ele dialoga com os irmãos de luz direta. E eu me arrepiava lá também. Portanto, assim, antes tinha que ter, tinha que ter um respeito, tinha de pedir uma autorização, então os médiuns ficavam lá. O que o aquela mesa, aquela cena da mesa tinha médiuns mesmo de verdade? Tinha, tinha tinha sempre um ou dois.
Sempre um ou dois. E o que os textos que vinham, aprovavam ou pediam sempre, sugeriam talvez um outro, um outro semelhante, mas a Sol, a equipa de investigação da Solang foi sempre muito primorosa nesse aspecto. Trabalho sério, certo? Muito grave, muito sério. Você vai você vai mexer com coisas tanto na na trama de de do Alexandre, do Guilherme Fontes, que é uma Cardoso, certo? uma trama que fala de obsessão e tudo, enfim, quanto também na na outra parte das orações, das preces, da das Eu acho muit é é muito bonito ver isso,

porque acaba eh acaba eh até as pessoas que estão a interpretar eh acabam por mudar, tendo uma uma visão e um respeito diferente quando esse trabalho é feito. Hoje em dia as pessoas têm muito mais fé, muito mais abertas. E isto é tão incrível, certo? Quando você fala de uma de uma história que a pessoa tem esse respeito, putz, é maravilhoso, certo? Recentemente, Breno Moroni, outro ator que era cético antes de ser escalado para a viagem, revelou pormenores surpreendentes dos tempos de gravação enquanto interpretava o papel do
enigmático mascarado Donai. Na altura, a sua identidade era mantida em absoluto sigilo, aumentando ainda mais a aura de mistério sobre a personagem. Em entrevista ao jornal Media Max, o ator revelou que sentia uma espécie de incorporação ao atuar como Adonai, comparando a experiência a um trans mediúnico.
Segundo ele, interpretar o Adonai foi algo que mudou os seus conceitos e a sua crença na vida após a morte. Era como se eu não estivesse no controlo de as minhas ações durante as gravações. É como se alguém estivesse a fazer aquilo por mim. Ainda hoje, quando vejo as cenas, parece que estou a assistir pela primeira vez.
O ator acredita que o ambiente nos bastidores e a proposta espiritualista da novela de alguma forma fizeram-no desenvolver um dom que ele desconhecia ter. Até hoje, décadas após a sua exibição, a viagem continua a ser lembrada como uma novela intemporal que ousou tratar de um tema rodeado de tabus. E os bastidores, repletos de fenómenos e coincidências, apenas reforçam a sensação de que aquele produção estava de facto sob uma influência muito maior.
Para muitos, a viagem não foi apenas uma ficção sobre o além, mas a confirmação de que o além já estava entre nós. E você, acredita na vida após a morte? Adoraríamos ouvir a sua opinião. E se gostou do vídeo, não se esqueça de gostar, partilhar e deixar o seu hype. E para aqueles que ainda não se inscreveram, este é o momento.
Esperamos vê-los em breve. Até lá. [Música] เ