O futebol brasileiro é um ecossistema fascinante, moldado por personagens complexos que despertam paixões extremas, discussões intermináveis e narrativas dignas de grandes romances. No centro dessa engrenagem repleta de drama, estratégia e superação, destaca-se a figura de Alexi Stival, amplamente conhecido no mundo do esporte pelo apelido de Cuca. Nascido na cidade de Curitiba, no estado do Paraná, no dia sete de junho de 1963, o treinador construiu uma das trajetórias mais sólidas, vitoriosas e, simultaneamente, polêmicas do cenário esportivo nacional. Desde as suas origens nos campos de terra batida da periferia até o topo das competições continentais mais prestigiadas da América do Sul, a vida de Cuca é um testemunho de como o talento tático e a obstinação podem coexistir com turbulências pessoais e escândalos jurídicos de repercussão internacional.
A paixão de Cuca pelo esporte começou a se manifestar ainda na infância, quando ele passava os dias correndo atrás da bola nos tradicionais campos de várzea de sua cidade natal. Aquela atmosfera competitiva e genuína serviu como o laboratório ideal para que o jovem paranaense desenvolvesse não apenas uma habilidade técnica refinada, mas também uma leitura de jogo apurada que se tornaria sua grande marca registrada no futuro. Com muita determinação, Cuca conseguiu ingressar no futebol profissional no final da década de 1970, atuando como um meio-campista de características marcadamente ofensivas. Sua boa visão de jogo, capacidade de distribuição de passes e aproximação constante com o ataque rapidamente o transformaram em um jogador de destaque no cenário regional, atraindo o interesse de equipes de maior estrutura.

A primeira grande oportunidade de projeção nacional surgiu durante sua passagem pelo Juventude, de Caxias do Sul, onde suas exibições consistentes chamaram a atenção da diretoria do Grêmio. No ano de 1984, Cuca desembarcou no tricolor gaúcho para viver o período mais glorioso de sua carreira como atleta profissional. Integrando um elenco qualificado e extremamente competitivo, o meio-campista participou ativamente das campanhas que culminaram na conquista da prestigiosa Copa Libertadores da América e, posteriormente, da Copa Intercontinental, consolidando o Grêmio como campeão mundial daquela temporada. Essa vivência nos bastidores de um clube vencedor e o contato direto com as pressões de jogos decisivos foram fundamentais para moldar a mentalidade competitiva que ele carregaria para sempre.
Após o sucesso estrondoso no Rio Grande do Sul, Cuca teve uma carreira de andarilho no futebol, vestindo as camisas de diversos gigantes do esporte brasileiro, como o Internacional, o Palmeiras e o Santos. Em todas essas instituições, ele deixou mostras de sua versatilidade e qualidade técnica no setor de meio-campo, embora sem alcançar o mesmo status de ídolo incontestável que outros craques daquela geração desfrutavam. Na década de 1990, continuou sua jornada por clubes tradicionais, incluindo o Coritiba, a Portuguesa e o Remo, além de ter tido uma breve e enriquecedora experiência no futebol europeu ao defender as cores do Real Valladolid, na Espanha. Finalmente, no ano de 1996, aos trinta e três anos de idade e após uma última passagem pela Chapecoense, Cuca tomou a difícil decisão de pendurar as chuteiras e encerrar seu ciclo como jogador de futebol. No entanto, sua ligação visceral com os gramados estava longe de chegar ao fim; na verdade, o capítulo mais impactante de sua história estava prestes a começar na beira do campo.
A transição para a carreira de treinador ocorreu de maneira natural e rápida. No ano de 1998, Cuca assumiu seu primeiro desafio no comando técnico do Uberlândia, iniciando uma nova e promissora jornada profissional. Ao longo das décadas seguintes, ele desenvolveu uma abordagem tática única, caracterizada pela intensidade, ofensividade e uma capacidade extraordinária de motivar seus elencos. O comandante passou pelo banco de reservas de algumas das camisas mais pesadas do país, como Avaí, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Santos, Palmeiras e Atlético Mineiro. Cada um desses trabalhos foi marcado por uma identidade muito clara: times que jogavam de forma vertical e que se entregavam completamente em busca do resultado.
Foi no comando técnico do Atlético Mineiro que Cuca atingiu o zênite de sua carreira profissional e gravou seu nome de forma definitiva na história do futebol sul-americano. No ano de 2013, liderando um elenco estrelado que contava com a genialidade de Ronaldinho Gaúcho, o treinador comandou uma campanha épica e repleta de reviravoltas dramáticas que culminou na conquista inédita da Copa Libertadores da América para o clube de Belo Horizonte. A conquista foi um divisor de águas, transformando Cuca em um herói para a torcida atleticana. Anos mais tarde, demonstrando uma impressionante capacidade de se reinventar e manter o alto nível, ele levou o Palmeiras ao título do Campeonato Brasileiro em 2016, quebrando um longo jejum do clube paulista. No ano de 2021, em seu retorno ao Atlético Mineiro, o técnico realizou mais uma façanha espetacular ao conquistar a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro na mesma temporada, um feito raríssimo que consolidou aquele elenco como um dos mais dominantes do século. Como reconhecimento por sua excelência estratégica, Cuca recebeu por duas vezes o prêmio de melhor treinador do Brasileirão, consolidando seu status de referência técnica no país.

O sucesso estrondoso dentro das quatro linhas refletiu-se diretamente em uma valorização financeira espetacular, transformando Cuca em um dos profissionais mais bem remunerados de toda a América do Sul. Durante a sua segunda e vitoriosa passagem pelo Atlético Mineiro, no ano de 2021, os vencimentos mensais do treinador já orbitavam a impressionante marca de um milhão de reais, uma cifra compatível com o nível de exigência e com os resultados apresentados no campo. Esse patamar salarial foi superado no ano de 2023, quando Cuca aceitou o desafio de assumir o comando técnico do Corinthians. Na equipe paulista, seus rendimentos mensais ultrapassaram a barreira de um milhão de reais, englobando salários, luvas contratuais e bônus substanciais por metas de desempenho.
Com uma fortuna considerável acumulada ao longo de décadas de trabalho no topo da pirâmide do futebol, Cuca construiu um patrimônio sólido, embora adote uma postura consideravelmente discreta em relação à exibição pública de suas riquezas, propriedades e automóveis de luxo. É de conhecimento público que o treinador possui um refúgio particular de alto padrão localizado no município de Campo Magro, situado na região metropolitana de Curitiba. Esse sítio funciona como o santuário pessoal de Cuca, um espaço cercado pela natureza onde ele busca se desconectar completamente da rotina estressante das competições e das cobranças da mídia esportiva. Nesse local, o técnico desfruta de momentos de paz e simplicidade ao lado de seus familiares, dedicando seu tempo livre a atividades relaxantes, como realizar passeios a cavalo na companhia de sua neta e promover partidas recreativas de futebol com amigos próximos.
Apesar da busca constante por privacidade e segurança, a vida do treinador fora dos campos também passou por episódios inusitados e tensos. No ano de 2013, precisamente no período em que celebrava a conquista histórica da Libertadores, sua residência de veraneio, localizada no balneário de Ipanema, no litoral do estado do Paraná, foi alvo de uma invasão bizarra. Aproveitando-se da ausência do proprietário, um grupo numeroso composto por vinte e seis pessoas invadiu a propriedade de alto padrão. Quando as autoridades policiais foram acionadas e chegaram ao local, encontraram os invasores desfrutando tranquilamente da piscina da residência. Todos os envolvidos foram detidos e encaminhados à delegacia local para a tomada das medidas cabíveis. Atualmente, o treinador mantém sua residência principal na cidade de Belo Horizonte, mantendo seu vínculo afetivo e profissional com o ambiente do Atlético Mineiro, mas sempre que o calendário permite, ele viaja para o seu sítio em solo paranaense para recarregar as energias. No aspecto automotivo, uma curiosidade marcante ocorreu em 2013, quando, como forma de reconhecimento e premiação pelo título continental inédito, Cuca foi agraciado pela diretoria do clube mineiro com um automóvel Toyota Corolla XEi automático na cor preta, veículo que na época representava um alto padrão de conforto e mercado, simbolizando a gratidão institucional por seu trabalho.
No entanto, a narrativa da vida de Cuca não é composta apenas por salários milionários, taças reluzentes e momentos de lazer familiar. Uma sombra densa e persistente acompanhou o treinador durante a maior parte de sua trajetória madura, originada de um grave incidente ocorrido no ano de 1987, quando ele ainda atuava como jogador de futebol do Grêmio. Durante uma excursão de pré-temporada realizada pelo clube gaúcho na Suíça, Cuca e outros três atletas da equipe foram formalmente acusados pelas autoridades locais de envolvimento em uma agressão sexual contra uma menor de idade na cidade de Berna. O caso gerou um escândalo midiático imenso na época, resultando em um julgamento complexo conduzido pela justiça helvética.
Ao final do processo legal, Cuca foi condenado pela justiça suíça à revelia a uma pena de quinze meses de prisão. No entanto, o atleta nunca chegou a cumprir a determinação judicial em regime fechado, uma vez que já havia retornado ao território brasileiro quando a sentença final foi oficialmente anunciada, e a legislação brasileira impede a extradição de seus próprios cidadãos. Por muitas décadas, o episódio permaneceu adormecido nos arquivos da imprensa e na memória do grande público, sendo raramente mencionado nos debates esportivos cotidianos. Contudo, o cenário mudou drasticamente com a ascensão das redes sociais e o fortalecimento de movimentos sociais de defesa dos direitos das mulheres.
No ano de 2021, coincidindo com o seu retorno triunfal ao comando técnico do Atlético Mineiro, o fantasma do caso de Berna ressurgiu com uma força devastadora. A nomeação do treinador desencadeou uma onda intensa de protestos organizados por torcedores e, principalmente, por coletivos feministas ligados ao clube, que exigiam posicionamentos firmes da diretoria e explicações detalhadas sobre o passado do comandante. O debate sobre a moralidade e a responsabilidade social no futebol ganhou contornos ainda mais dramáticos em 2023, quando sua contratação pelo Corinthians gerou uma crise institucional sem precedentes na história do clube paulista, culminando em sua saída precoce do cargo após poucos dias de trabalho devido à imensa pressão popular e de patrocinadores.
Buscando colocar um ponto final definitivo na controvérsia que ameaçava sufocar seu legado esportivo, a defesa jurídica de Cuca intensificou as movimentações junto ao poder judiciário da Europa. Em uma reviravolta jurídica marcante ocorrida no mês de janeiro de 2024, a justiça da Suíça emitiu uma decisão oficial anulando a condenação por agressão sexual que pesava contra o treinador desde a década de 1980, encerrando formalmente o processo do ponto de vista legal. Ao longo de toda a sua vida, Cuca sustentou de forma veemente sua total inocência em relação às acusações, argumentando repetidamente que o processo havia sido conduzido de maneira irregular e que ele jamais havia sido ouvido pessoalmente pelas autoridades judiciais suíças para apresentar sua versão dos fatos. Embora a anulação jurídica tenha trazido um alívio legal definitivo para o técnico e sua família, o tema permanece vivo no imaginário popular, sendo constantemente relembrado e debatido sempre que o seu nome é ventilado para assumir o comando de uma nova equipe de expressão nacional.
Avaliar o legado de Alexi Stival no futebol brasileiro exige o exercício complexo de separar o estrategista genial que opera dentro das quatro linhas do homem que precisou lidar com as consequências de um passado turbulento. Como jogador, ele teve o privilégio de vivenciar a glória máxima de um título mundial e de compreender as engrenagens internas das principais instituições de futebol do país. Como treinador, ele demonstrou uma capacidade de liderança, resiliência e inovação tática que poucos conseguiram replicar na história recente do esporte nacional, transformando equipes desacreditadas em campeãs memoráveis e conquistando o respeito técnico de seus pares. Suas conquistas expressivas estão eternizadas nos museus dos clubes e na memória dos torcedores que vibraram com seus times ofensivos e copeiros. Cuca permanece como uma figura central do esporte, um homem cujo nome evoca grandes decisões táticas, salários expressivos e debates profundos sobre a ética, a justiça e a redenção no mundo do futebol.