Os corpos dos pais foram encontrados. Já o do filho nunca foi encontrado, nem vivo, nem morto. Quando foi fundar a República em 55, ela não havia qualquer móvel, apenas o quadro do menino que era chumbado na parede. Eu acho que o menino ele está aqui mais como um fantasminha camarada, sabem? Um amigo da casa mesmo.
A gente diz sempre que a gente nunca está sozinha aqui, não é? A gente há sempre alguém para ficar com a gente. É como se ele fosse quase um anjo da guarda nosso. E é no quarto deste menino que o Mateus dorme há mais de um ano. O estudante conta que já presenciou uma história invulgar envolvendo outro morador que dormia no quarto.
Ele ficou preso no local após se aperceber que a chave se havia quebrado. Saltei a janela, entrei no quarto também deu a volta. Aí revirei. A gente revirou o quarto, reviramos tudo e não encontramos essa outra parte da chave. nem que não dava realmente para virar o ali na fechadura. Então a gente precisou arrombar o a porta do quarto para poder libertá-lo então para sair e até hoje a gente não sabe o que é que aconteceu com essa outra parte da chave.
Os moradores da República seguem uma tradição para não contrariar o menino. Tentamos sempre evitar, não é, sair um pouco desta tradição referente ao menino, como é manter o quarto branco, manter o quadro na parede e manter essa luz acesa que vem sido passado geração em geração este conselho, não é? Foi neste cenário que nasceram muitas das lendas que sobrevivem até aos dias de hoje.
Entre elas, uma das mais conhecidas é a do Vira Saia. António Francisco Alves, que ficou conhecido por Vira Saia, era um homem muito rico de posses. Ele recebeu esse apelido porque estrategicamente costumava virar a saia da santa, que ficava em oratório em frente à sua casa, dando a direção para onde ia o ouro do quinto.
Ele chegou mesmo a ser conhecido como Robin dos Bosques das Gerais, já que o seu bando cometeu diversos saques durante o transporte do quinto da coroa portuguesa. E quanto mais o bando roubava, maior era o desespero da coroa portuguesa. Por isso, a recompensa para quem dedurasse o chefe do bando era cada vez mais alta.
O negócio estava tão grave que qualquer suspeito era morto e a sua cabeça pendurada à saída de Vila Rica. Viraçai e o seu bando foram dedurados por um espanhol que não tinha dinheiro suficiente para voltar paraa sua terra natal. Os militares invadiram esta casa com a mesma violência que mataram toda a família de uma forma cruel.
Só mulher e filhas foram visitadas e atiradas para um matagau. Mas o esconderijo do ouro nunca foi encontrado. Após a morte de Viraçaia, o bando, que antes era conhecido como almas no Purgatório, passou a chamar-se os Vira-saias. Era difícil saber onde terminava o bandido e começava o fantasma. O virça ficou marcado como uma mistura de assombração e ameaça real, tornando-se lenda e aviso ao mesmo tempo.
Eu nunca acreditei muito nisso, mas a minha avó contava que antigamente muita gente via o espírito do viraçaia aqui em Ouro Preto. Eu cresci a ouvir essa história e até achava graça. Uma noite eu já era jovem, tinha uns 15 anos e estava a regressar sozinho de uma quermesse. Quando cheguei à Santa Efigénia, estava muito escuro, mas vi um homem ajoelhado no passeio.
Eu achei estranho e comecei a andar mais devagar. Quando eu estava a chegar perto dele, atravessei a rua e fiquei só a olhar. Virou-se para o meu lado e começou a me encarar. Eu fingi que não vi e comecei a correr, mas quando olhei para trás, ele já tinha desaparecido. Não sei se era o viraça mesmo, isto já há uns 40 anos, mas até hoje dá-me um frio na espinha só de lembrar.
O Museu da Inconfidência, antigo presídio e atual guardião dos restos mortais de Tiradentes, é também palco de fenómenos estranhos. Inspirada nas ideias do pensamento iluminista, a Inconfidência Mineira é um marco na história de Minas e do Brasil. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é apontado como o líder do Motim.
Delatados e presos, os inconfidentes tiveram as sentenças de morte comutadas no exílio, com exceção dos tiradentes, que seria enforcado. No centro da sala, a pintura leitura da sentença de tira dentes, da autoria de Leopoldino Joaquim Teixeira de Faria, retrata o momento da condenação do Marte.
A sala exibe a composição feita com duas das traves de madeira que teriam pertencido à forca em que Tiradentes foi suplicado na Praça da Lampadosa, no Rio de Janeiro. Os documentos originais dos autos de Devaça, que apresentam as acusações e condenações aos inconfidentes, também estão expostos nesta sala. Duas lápides encontram-se na sala da inconfidência, uma com os restos mortais de Maria Doroteia de Seixas, a eterna Marília de Diceu.
A outra, em honra da poetiza e ativista política Bárbara Ele. Guardas relatam vultos, grilhões arrastando-se pelo chão e até sussurros provenientes das celas fechadas. O passado ali não é apenas recordado, ele caminha pelos corredores. E nas igrejas e cemitérios, locais em que a fé e a morte sempre andaram lado a lado, as histórias acumulam-se.
Gente que viu figuras de preto a rezar sozinhas no altar e ao aproximar-se não encontrou ninguém. ou que ouviu cânticos em latim vindos do interior das igrejas trancadas por fora. Ouro Preto tem 131 igrejas, capelas e passos. Mas todos estes lugares de devoção não foram nem são capazes de espantar os espíritos assombrados que deambulam pela noite.
Há quem duvide, a quem acredite, a quem morra de medo e a quem jure que já viu e leva muito a sério os casos de aparições misteriosas que acontecem na cidade. E foi na igreja de Santa Efigênia que a A professora Lilian afirma ter visto uma assombração. Há 15 anos, ela estava em frente à igreja com os amigos.
quando começou uma forte chuvada e um senhor ofereceu abrigo na capela que fica dentro do cemitério. A chuva parou e aí nós agradecemos e saímos na frente. Ele vio atrás de nós e saímos para o portão e viemos embora. Já ia descendo para vir embora e se encontramos com uma senhora a subir aqui à ladeira.
Depois ela pegou, achou estranho estamos a sair do cemitério e perguntou-nos: “U, é impressão minha se estavam a sair do cemitério?” Eu disse: “Não, estava sim. Nós explicámos o que que tinha acontecido. A P falou assim: “Não, mas impossível, não é? Porque depois está fechado, já há bastante tempo, o pessoal entra pelo outro portão porque eu é que tenho a chave sou eu.
” Pegamos fica: “Mas estranho porque o rapaz abriu para nós, não é?” Ela disse: “Não, porque quem tinha a chave daí era o meu irmão, que era o coveiro e como faleceu e eu é que tenho a chave deste portão.” Depois desceu todo o mundo assim apavorado, certo? E por falar em cemitérios, são estes os locais considerados os mais mal assombrados de Ouro Preto.
O cemitério é um lugar assombrado, sempre tem histórias muito pesadas de cemitérios e de pessoas, sabe, a andar na noite. Mulheres principalmente. Eu não sei sequer uma história de um homem andando na noite. Sempre mulheres e mulheres de branco, mulheres de negro. Muita coisa ligada a tesouro escondido, sabe? coisas assim ligadas à história da cidade mesmo.
As raparigas de branco que são que aparecem ali na assombrando, não é, elas foram raparigas que não conseguiram casar com quem amavam. Agora as de preto, não sei bem o que lhes aconteceu. Elas são mais tenebrosas. Hoje a cidade abraça o seu lado obscuro. Os Turs noturnos levam os visitantes por esse lado invisível de Ouro Preto. Guias contam as lendas com a mesma seriedade com que um historiador narra uma batalha.
Porque aqui lendas e memórias confundem-se o tempo todo. E se você visitar Ouro Preto à noite, ouvir o silêncio, mas evite enfrentar a escuridão durante demasiado tempo. ou ela irá certamente encará-lo de volta. Atividade paranormal. Presidente Olegário. Recentemente, Presidente Olegário, uma pacata cidade no interior de Minas Gerais, tomou as manchetes de todo o Brasil por uma história no mínimo curiosa.
Um enigmático vulto que por alguns dias fez muita gente dormir de luz acesa. Ruas da cidade de Presidente Olegar. Está a ver que ali tem um portão? Do lado do portão tem o quê? Isto, esta que eu gostaria. Do lado do portão existe uma casa de muro. OK. Agora olha esta outra imagem registada por uma câmara de segurança à noite, cidade de Presidente Olegário, Alto Paranaíba.
Olha o que acontece durante a noite. Ai meu Deus, um vulto a subir a rampa. De repente o portão não abre. O vulto passa, de repente está na calçada. E da calçada, reparem bem, continua a andar, continua a andar, continua a andar na calçada, certo? Olha onde vai parar o quê? dentro da casa. Não, não estou a acreditar não. Põe outra vez.
Põe aqui atrás para mim. Põe aqui atrás para mim. Eu não estou acreditando. Põe aqui no plasma para mim. O gajo está, o gajo, sei lá, assombração, o vulto, o que que é? Vem aqui atrás a subir a rampa, passa pelo portão, vai pelo passeio e vai parar dentro da casa. A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Seria um fantasma, uma alma penada? O facto é que a imagem partilhada por uma moradora de Patos de Minas intrigou o mundo.
Uai, foi muito difícil na altura em que eu vi. Eu imaginei muitas coisas, fiquei com medo. Graças a Deus só hoje vi de manhã. A minha irmã que postou no grupo da família e hoje de manhã que vi. Mas se eu tivesse visto ontem acho que eu nem dormia, não dormia. Agora, o que é que acha que é? É uma alma penada, uma assombração.

Ai, eu acho que é uma alma penada, uma coisa do outro mundo, como se costuma dizer, o cemitério ao fundo, uma imagem daquela ali a desaparecer no meio do muro. É de arrepiar, não é? Ui! Tens medo, Cidneia? Eu estou, pessoal da família já não durmo na mamã tão cedo. Ai, ai, toda a gente com medo. Pessoal da família está tudo a questionar, certo? Tá.
Tem um cunhado que vive no Goiás que disse que não vai tão cedo a da mamã. Soube que aqui em Presidente Olegário tem um fantasma a passear pelas ruas. Mas aqui há muito fantasma, porque há muita gente feio. Fantasma. É qual? Tenho mais medo de vivo. Mais medo do vivo. Aham. Agora estamos atrás desse fantasma, hã? Boa sorte. Mas depois a verdade veio ao de cima.
Depois de muita especulação, análises paranormais e teorias mirabolantes, o tal fantasma foi identificado. E, para desilusão de muitos, não era uma alma penada, nem uma sombra do além. Era o senhor Gaspar da Silva, um senhor de 76 anos, residente na região e conhecido por um hábito peculiar, fazer caminhadas noturnas pelo cemitério de Presidente Olegário.
E sim, houve até quem chamasse o pobre senhor do Gasparzinho. Mas, aqui entre nós, só porque desta vez o fantasma tinha o nome de BI e morada fixa, não quer dizer que não existam. Ainda estão por aí, se não circulando pelas ruas de Minas Gerais, continuam vivos no imaginário de um povo que sabe transformar qualquer sombra em história e qualquer história num bom causo de assombração.
Agora, o pessoal que se encontrar com o senhor aqui pela urente legário, pode ter medo do senhor, é preciso ter medo? Graças a Deus. Belo Horizonte é uma cidade planeada, moderna para a sua época, construída com régua, com passo e promessa de civilidade. Mas a verdade é que ela foi erguida sobre antigas ruínas e essas ruínas ainda dizem: “Basta prestar atenção aos sussurros que ecoam à noite, nas esquinas antigas, nos carris enterrados, nos palácios silenciosos”.
Na centenária Belo Horizonte é preciso recuar bastante no tempo para conhecer a origem das lendas que ainda mexem com o imaginário popular. Neste museu onde funcionava a Secretaria de Finanças no século XIX, os mais corajosos são convidados a conhecer um pouco mais deste universo mágico e fantasmagórico. Quem visita esta sala encontra, para além dos mobiliário original daquela época, um aparelho de TV com moldura.
É aqui que são contadas as histórias de alguns dos fantasmas mais famosos da capital mineira. Um deles é o fantasma da Lagoinha. Descendo a região central em direção à Lagoenha, chegámos a um dos bairros mais antigos e boémios da capital. Foi ali, no meio de bares, estações de elétrico e ruelas estreitas, que surgiu o avantesma da lagoinha.
Relatos surgiram ainda na década de 1940. O avantesma era descrito como um homem alto, sempre vestido de preto, mas com um pormenor sinistro, sem rosto, nenhum traço, nada, apenas uma sombra humana desfigurada, envolta por um forte cheiro de enxofre. Diziam que ele surgia misteriosamente nas madrugadas com uma única missão, empurrar os eléctricos para fora dos trilhos.
Motorneiros relatavam sentir o vagão tremer, ouvir uma gargalhada metálica e perder o controlo da máquina por segundos que pareceram horas. Com o fim dos eléctricos, esperava-se que o avantesma desaparecesse, mas ele apenas mudou de vítima. Hoje, os motoristas de táxi e autocarros da região juram vê-lo parado nas esquinas ou atravessando lentamente na frente do veículo, obrigando a uma friada brusca.
Uns dizem que é só uma sombra, outros garantem que é mais do que isso. É uma presença consciente, uma força que resiste ao tempo. Ninguém sabe quem foi o avantesma em vida. Talvez um trabalhador esmagado pelos carris. Talvez uma alma revoltada com a modernização ou quem sabe apenas a face mística da própria cidade que se recusa a esquecer os seus fantasmas.
Tivesse uma resistência à modernidade, certo? Ele não queria eh ter uma vida mais pacata, não sei, talvez. E ali ele assombra os como se fosse os condutores, certo? Os motorneiros do eléctrico, certo? Então ele está sempre sentado nos carris do eléctrico. Ali é como se fosse uma resistência a este progresso da cidade, certo? Na zona nobre da cidade, rodeado por palmeiras imperiais e jardins bem cuidados, encontra-se o Palácio da Liberdade, símbolo do poder estadual.
Mas antes das colunas de mármore, antes dos tapetes vermelhos, havia ali um casebre. E nesse casebre vivia Maria Papuda. Maria era uma mulher pobre do povoado do Curral del Rei, que ali existia antes da construção da nova capital. Já ouviu falar do ressentimento de Maria Papuda com a construção do Palácio da Liberdade? Estamos no Palácio da Liberdade, em frente à Praça da Liberdade, o coração de Belo Horizonte.
Até ao ano de 1960, este edifício era a casa dos chefes de Estado. Pelo menos quatro governadores já morreram lá dentro. O Palácio da Liberdade guarda segredos que vão para além da política. Uma lenda antiga ronda os corredores e intriga quem visita o local. A história de Maria Papuda, uma mulher que, segundo o imaginário popular, teria lançado uma maldição sobre o local após ser forçada a abandonar a sua casa, que teria sido destruída para dar lugar à sede administrativa do governo mineiro.
Eu estou a chegar a esta sala que é um celeiro de história aqui no estado. Por aqui vemos todos os governadores que passaram e habitaram aquele imóvel e toda a gente quer saber. O fantasma Maria Papuda existe. Olha, são vários os fantasmas que habitam esse lugar. A Praça da Liberdade e o Palácio são alguns dos locais mais fantasmagóricos de Belo Horizonte.

A Maria Papuda, era uma antiga moradora da região, muito pobre, que foi expulsa desta região sem qualquer tipo de ressarcimento, porque ela não tinha inclusive a a o registo das terras. Maria Papuda foi uma mulher negra que viveu durante a segunda metade do séc. XIX e início do século XX, no que hoje é a cidade de Belo Horizonte.
O nome dela não foi descoberto e a alcunha é pejorativa. Isto porque ela sofria de bócio. A região de Belo Horizonte era conhecida como a terra dos papudos. As habitações sofriam a infestação de barbeiros que proliferam a doença de chagas, que tem por uma das consequências o bócio, popularmente chamado de papo. Quando chegaram os engenheiros com ordens para demolir tudo, foi obrigada a abandonar a sua casa à força.
Revoltada, segundo a lenda, Maria Papuda lançou uma maldição. Todo o governador eleito num ano par encontrará a morte. E assustadoramente não tardou para que a profecia fizesse a sua primeira vítima. E com o passar dos anos, as tragédias vieram. O primeiro deles foi Silviano Brandão em 1902. O segundo é João Pinheiro em 1908.
Raul Soares em 1924 e Olegário Maciel em 1933. Todos eles no exercício da função de governador de Minas Gerais, todos eles morrem por causas naturais. Então se fazia a pergunta: “O que que será que estava a decorrer na residência oficial do chefe do Estado Mineiro?” Quando não se sabia responder, voltava-se à antiga maldição da dona Maria, moradora no curral del rei.
Hoje há relatos de funcionários e Os visitantes do palácio que afirmam ter sentido a presença de Maria. Murmuros, passos e até sombração são atribuídos ao espírito inquieto da mulher que nunca aceitou a destruição da sua casa. Quero saber, professor. Quatro governadores já morreram por aqui. Muita gente já viu a Maria Papuda.
Tem coragem de dormir aqui uma noite? Eu não tenho coragem nenhuma. Eu estou correndo. Eu sei que aqui vou embora e que eu não quero ficar, não. Adeus, viu? Maria Papuda desapareceu da história oficial, mas não da cidade. A maldição, dizem, continua de pé. E acredita em almas penadas? Adoraríamos ouvir o seu relato.
E se gostou do vídeo, não se esqueça de gostar, partilhar e deixar o seu hype. E para aqueles que ainda não se inscreveram, este é o momento. Esperamos vê-los em breve. Até lá. [Música]