POR DENTRO DA MANSÃO ABANDONADA DE SILVIO SANTOS APÓS SUA MORTE

Mas a vida dele estava ainda muito longe do luxo, muito longe da mansão no Morumbi. E talvez o mais impressionante seja imaginar que um homem que começou por vender objetos baratos nas ruas acabaria por ser dono de um património bilionário e de uma das casas mais famosas do país. Na juventude, Sílvio serviu o exército como paraquedista.

Depois disso, mergulhou de vez na rádio. Nos anos 1950, conseguiu espaço como locutor e apresentador, passando por estações importantes até chegar a São Paulo. Trabalhava praticamente sem parar. Fazia locução, vendia anúncios, improvisava programas e aproveitava qualquer oportunidade para crescer. Foi nessa altura em que conheceu Manuel de Nóbrega, um encontro que mudaria completamente a sua vida.

O Manuel era dono do baú da felicidade. Sucesso do baú é o Sílvio, um livrete que permitia às famílias parcelarem brinquedos e eletrodomésticos. O negócio enfrentava graves problemas e estava perto de se afundar. Muitos teriam fugido daquela situação, mas Sílvio viu a oportunidade onde todos via fracasso.

Ele assumiu o controlo da empresa e reorganizou tudo. É que ele não deu só isso, não. Ele também me deu a televisão. Aos poucos, o baú começou a crescer de forma impressionante e junto com aquele crescimento nasceu algo ainda maior, a ambição de dominar também a televisão. E quando o Silvio entrou na TV, o Brasil nunca mais foi o mesmo.

No início dos anos 1960, A televisão brasileira ainda gatinhava. Quase ninguém imaginava que aquele meio de comunicação tornar-se-ia tão poderoso. Mas Silvio Santos viu o futuro antes de muita gente. Em 1961, apareceu pela primeira vez na televisão apresentando o programa Vamos Brincar à Forca na antiga TV de São Paulo.

E bastaram poucos minutos no ar para que as as pessoas perceberem que havia algo diferente naquele homem. O Sílvio não parecia um apresentador tradicional. Ele brincava, improvisava, ria alto, conversava diretamente com o público e criava um clima que fazia com que o telespectador sentir que fazia parte do programa.

Enquanto muitos apresentadores mantinham uma postura séria e distante, Silvio transformava a televisão numa grande conversa de domingo. E aquilo explodiu. Os programas começaram a crescer rapidamente em audiência. Vieram novos quadros, caravanas, prémios em dinheiro, jogos com o auditório e um estilo que se tornaria impossível de copiar.

O programa Silvio Santos tornou-se um ritual para milhões de famílias brasileiras. Em muitos lares, o domingo praticamente começava quando a voz dele surgia na televisão. Enquanto isso, os negócios também disparavam. O baú da felicidade cresceu de forma gigantesca. Depois veio a Telecena, que se transformou num fenómeno nacional. As empresas começaram a surgir ao redor do nome dele como peças de um império que não parava mais de aumentar.

E então chegou o passo mais ousado de todos. Em 1981, Silvio fundou o Sistema Brasileiro de Televisão, a SBT. Muita gente pensava que ele não conseguiria competir contra gigantes da televisão brasileira. Mas Sílvio tinha algo que nenhuma concorrência conseguia comprar. Conexão com o povo.

O SBT rapidamente se tornou uma das maiores estações do país, revelando artistas, programas humorísticos, telenovelas, apresentadores e momentos que marcaram gerações inteiras. O homem que um dia vendeu canetas na rua agora comandava um verdadeiro império da comunicação. Em 2013, a revista Forbes colocou Silvio Santos na lista de bilionários do planeta, com fortuna estimada em 1,3 mil milhões de dólares.

Ele era o único artista brasileiro naquela lista, um feito quase inacreditável para alguém que começou do absoluto zero. E foi precisamente durante este auge que surgiu a mansão do Morumbi, uma casa construída não só para mostrar riqueza, mas para representar todos os aquilo que ele tinha conquistado depois de décadas de trabalho obsessivo, uma propriedade gigantesca que se transformaria no coração da família Abravanel durante quase 50 anos.

Só que ninguém imaginava que décadas depois aquele lugar acabaria mergulhado em silêncio, guardando recordações de glória, o medo, a felicidade e a despedida. Quando Silvio Santos decidiu construir a sua mansão no Morumbi, em São Paulo, ele era já um dos homens mais famosos do país.

O sucesso na televisão crescia de forma absurda. Os negócios multiplicavam-se dinheiro e o antigo vendedor ambulante do Rio de Janeiro vivia agora uma realidade que parecia impossível até para quem o acompanhava desde o início. Mas a casa que construiu não era apenas luxuosa, era praticamente um palácio escondido num dos bairros mais nobres da capital do Estado.

A propriedade tinha cerca de 2000 m quadrados, um tamanho difícil até de imaginar. Enquanto uma boa parte dos apartamentos em São Paulo não chega sequer a 100 m², aquela mansão parecia um pequeno mundo particular criado para abrigar a família a Bravanel. O estilo escolhido foi clássico, elegante e imponente.

A decoração misturava móveis sofisticados com influências francesas, grandes salões, enormes lustres e ambientes que transmitiam a sensação de riqueza sem exageros modernos. Tudo transportava aquele ar tradicional que combinava perfeitamente com a imagem de Sílvio Santos. Lá dentro existia praticamente de tudo.

Piscina, sauna, ginásio completa, enormes jardins, áreas de convivência gigantescas, salas preparadas para receber empresários, artistas, políticos e convidados importantes. Era o tipo de casa onde cada corredor parecia guardar uma história diferente. Mas havia uma divisão específica que anos depois chamou a atenção do Brasil inteiro.

Um quarto completamente dedicado às bonecas. O espaço foi criado para seis filhas de Sílvio, Cíntia, Sílvia, Daniela, Patrícia, Rebeca e Renata. E não era um quarto comum, era quase um cenário de filme, bonecos raras, coleções delicadas, mobiliário personalizados e uma atmosfera que parecia saída de um conto infantil. Quando imagens deste quarto começaram a circular após a morte do apresentador, muita gente ficou impressionada com o dimensão e o cuidado daquele espaço.

Aquilo mostrava um lado que pouca gente via no dono da SBT. O lado de pai, extremamente dedicado à família. Foi dentro daquela mansão que as filhas cresceram, que os aniversários luxuosos aconteceram, que as reuniões familiares atravessaram décadas. E também foi aí que ocorreram alguns dos eventos mais comentados da elite brasileira.

Os casamentos das filhas de Silvio Santos se tornavam notícia nacional. A imprensa acompanhava cada detalhe. Vestidos milionários, decoração extravagante, convidados famosos. Tudo acontecia atrás daqueles portões gigantes do Morumbi. Durante décadas, aquela casa foi sinónimo de prestígio, poder e sucesso absoluto.

Mas existe algo de assustador sobre grandes mansões. Por mais bonitas que sejam, também podem se transformar num palco de pesadelos. E foi exatamente isso que aconteceu em agosto de 2001, quando aquela residência milionária deixou de ser um símbolo de luxo e tornou-se cenário de uma das histórias mais tensas da televisão brasileira. Nesse mês de Agosto de 2001, ninguém imaginava que a mansão de Silvio Santos, conhecida pelas festas luxuosas e pelo clima familiar, se transformaria no centro de uma crise que pararia o Brasil inteiro. Tudo começou no dia 21 de

Agosto de 2001. Patrícia Abraanel tinha apenas 23 anos e levava uma vida relativamente discreta, longe dos holofotes da televisão. Mas naquela manhã, homens armados invadiram o residência da família e raptaram a filha de Sílvio Santos. A notícia caiu como uma bomba. O país inteiro acompanhava cada atualização com tensão.

Os jornais interrompiam a programação. Rapto da filha do empresário e apresentador Sílvio Santos. Patrícia Bravel. As emissoras faziam turnos ao vivo e milhões de brasileiros tentavam compreender como algo daquele tamanho podia acontecer precisamente com a família mais famosa da televisão brasileira.

Durante dias, o silêncio e o medo dominaram a mansão do Morumbi. Eles apanharam-me como tá como tá na televisão mesmo. Eu ia pra faculdade a sair. Silvio Santos apareceu publicamente tentando manter a calma. Só agradecer a vos na compreensão. Agradecer-vos. Em entrevistas dizia que não pagaria resgate, mas nos bastidores a situação era muito mais delicada do que parecia.

A família vivia dias de desespero absoluto, sem saber como tudo terminaria. Depois de sete dias em cativeiro, no dia 28 de agosto de 2001, Patrícia foi libertada. O Brasil respirou de alívio, mas o que parecia o fim da história era apenas o início do capítulo mais assustador de todos.

Dois dias depois, a 30 de agosto, o raptor Fernando Dutra Pinto estava a ser procurado pela polícia. Cercado e sem saída, tomou uma decisão desesperada. regressou à mansão de Silvio Santos e desta vez o alvo era o próprio apresentador. Sílvio estava dentro de casa a fazer exercícios na academia quando se apercebeu da invasão.

Em poucos minutos, toda a residência mergulhou no caos. O homem que fazia o Brasil sorrir aos domingos estava agora frente à frente com um criminoso armado dentro da própria casa. A família tornou-se refém. O mais impressionante é que, mesmo naquela situação extrema, Silvio Santos conseguiu manter uma calma quase inacreditável.

Enquanto os polícias cercavam a mansão do exterior e helicópteros sobrevoavam a região, começou a conversar com o sequestrador, tentando controlar a situação, e, aos poucos, conseguiu algo que parecia impossível. Com habilidade emocional e muita inteligência, Sílvio convenceu Fernando Drapinto a libertar os outros familiares.

No final, decidiu permanecer sozinho como refém para evitar que a situação terminasse em tragédia. Foram 7 horas de tensão absoluta. O caso tomou proporções gigantescas. Emissoras do mundo inteiro noticiavam a crise em direto. A movimentação em frente à mansão parecia cena de cinema. E o episódio ficou ainda mais surreal quando o então governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, foi pessoalmente até ao local participar nas negociações.

Lá dentro, Silvio Santos tentava sobreviver usando apenas a conversa e foi precisamente isso que lhe salvou a vida. Depois de horas de negociação, Fernando Dutra Pinto entregou-se finalmente. O sequestrador acabou preso, enquanto o O Brasil assistia aliviado ao fim daquela crise que parecia impossível de acreditar, mas algo tinha mudado para sempre naquela mansão.

As paredes que antes guardavam apenas memórias de festas, risos e celebrações agora também transportavam a lembrança de uma noite de medo que marcou a história da televisão brasileira para sempre. Depois do trauma do rapto, a mansão do Morumbi nunca mais foi vista da mesma forma pelo público. Mas longe das câmaras e das manchetes, aquela casa continuou a ser o principal refúgio da família Abravanel.

Porque existe uma coisa que muita gente se esquece quando pensa em Silvio Santos. Por detrás do empresário bilionário e do apresentador irreverente, existia um homem extremamente ligado à família e isso era evidente dentro daquela residência. Sílvio foi casado pela primeira vez com Maria Aparecida Vieira, conhecida por Sidinha.

Com ela teve as filhas Cíntia e Sílvia. O casamento parecia sólido, mas a felicidade era interrompida de forma dolorosa quando Cidinha morreu em 1977, vítima de cancro. Pessoas próximas afirmam que aquela perda abalou profundamente Silvio Santos, que por muito tempo evitava falar sobre o assunto publicamente. Anos mais tarde, reconstruiria a vida ao lado de Iris Abravanel, autora de telenovelas do SBT.

Com a Iris vieram a Daniela, Patrícia, Rebeca e Renata. Aos poucos, a mansão foi ficando cada vez mais cheia de vida. Filhas a correr pelos corredores, netos a brincar no jardim, almoços enormes, reuniões familiares atravessando a madrugada. Enquanto o O Brasil via Silvio como uma figura quase mítica da televisão, dentro de casa, fazia questão de preservar momentos simples em família.

E talvez isso explique por ele ter permanecido naquela residência durante tanto tempo, mesmo podendo viver em qualquer lugar do mundo. A mansão não era apenas um imóvel de luxo, era o local onde a história da família tinha sido construída. Com o passar dos anos, no entanto, tudo começou a mudar lentamente.

As filhas cresceram, casaram, construíram as suas próprias vidas. Algumas passaram a ocupar posições importantes dentro do grupo Sílvio Santos. Patrícia Abravanel se tornou o rosto mais conhecido da nova geração, assumindo cada vez mais espaço na televisão e aproximando-se do estilo do pai perante as câmaras. Enquanto isso, o Sílvio envelhecia.

Mesmo mantendo o bom humor característico, a energia já não era a mesma dos tempos em que passava horas em palco a animar caravanas e auditórios lotados. Em setembro de 2022, aos 91 anos, ele realizou a sua última gravação como apresentador. Foi um momento simbólico. Pouca gente imaginava que aquele seria praticamente o encerramento definitivo de uma era iniciada ainda nos anos 1960.

Aos poucos, a rotina dentro da mansão mudou. Os corredores antes movimentados começaram a ficar silenciosos. As reuniões diminuíram e a casa, que durante décadas parecia viver em festa, começou a transmitir uma sensação diferente, quase melancólica, como se o tempo tivesse finalmente alcançado um homem que parecia eterno para os brasileiros.

E depois veio 2024, o ano em que o país se aperceberia que estava prestes a perder uma das figuras mais importantes da sua história na televisão. No início de 2024, muita gente ainda acreditava que Silvio Santos conseguiria desafiar o tempo por mais alguns anos. Afinal, durante décadas ele pareceu imbatível. Mesmo longe da televisão com frequência, o seu nome continuava vivo na memória de todo o país, mas a saúde já começava a dar sinais preocupantes.

Em julho de 2024, Sílvio foi internado no Hospital israelita Albert Einstein após ser diagnosticado com H1 N1. Para alguém de 93 anos, uma gripe deste tipo podia rapidamente se transformar em algo perigoso. Quando a notícia veio a público, milhões de brasileiros ficaram apreensivos. Dois dias depois, ele teve alta e, por breves momentos, pareceu que tudo voltaria ao normal mais uma vez.

Só que nos bastidores a situação era mais delicada do que o público imaginava. No dia 1 de agosto de 2024, Silvio Santos voltou a ser internado para realizar exames de imagem e receber acompanhamento médico mais intenso. A partir daí, a tensão aumentou silenciosamente. Os boletins médicos passaram a ser acompanhados quase como comunicados de estado.

Nas redes sociais, artistas, apresentadores e fãs demonstravam preocupação constante. O Brasil inteiro parecia esperar por uma recuperação milagrosa, mas ela não aconteceu. No dia 17 de agosto de 2024, veio a notícia de que muita gente se recusava a acreditar. A morte do apresentador Silvio Santos aos 93 anos. Silvio Santos tinha morrido aos 93 anos.

A causa da morte foi broncopneumonia causada por complicações da infecção por H1N1. A reação foi imediata. Emissoras interromperam a programação. 17 de agosto de 2024, dia em que o apresentador Silvio Santos já foi. Artistas choraram ao vivo. Pessoas comuns gravaram vídeos emocionadas, recordando momentos da infância perante a televisão, porque a sensação era estranha demais.

Para milhões de brasileiros, Silvio Santos sempre pareceu fazer parte da própria estrutura do domingo. Era como se ele nunca fosse embora, mas foi. E talvez uma das decisões mais surpreendentes tenha sido a forma discreta como tudo aconteceu. Atendendo a um pedido do próprio apresentador, não houve velório aberto ao público.

O enterro seguiu as tradições judaicas da família e aconteceu de forma reservada no dia 18 de agosto de 2024 no cemitério israelita do Butantã. sem grandes cerimónias, sem despedidas televisionadas, algo completamente diferente da grandiosidade que marcou toda a sua vida. Enquanto o Brasil ainda tentava processar a perda, outro pormenor começou a chamar atenção de quem passava pelo Morumbi.

A mansão de Silvio Santos tinha ficado silenciosa. Pela primeira vez em quase 50 anos, aquela casa já não tinha o homem que acordava cedo para comandar programas. administrar empresas e movimentar um dos maiores impérios da comunicação brasileira. E o vazio ali deixado começaria a despertar curiosidade em todo o país.

Depois da morte de Silvio Santos, começou uma das maiores movimentos patrimoniais da história da televisão brasileira. Durante décadas, construiu um império gigantesco. Empresas, estação de televisão, imobiliário, marcas famosas, aplicações financeiras e negócios espalhados em diferentes setores. E quando os números começaram a aparecer, muita gente ficou impressionada com o tamanho real daquela fortuna.

O património da família foi estimado em cerca de 6,4 biliões de reais. O apresentador Sílvio Santos deixou um património de quase 4 biliões deais. Um valor quase impossível de imaginar para alguém que começou por vender objetos nas ruas do Rio de Janeiro. A trajetória de Sílvio parecia resumir um dos maiores casos de ascensão financeira da história do Brasil.

Mas, juntamente com a fortuna veio também a responsabilidade de organizar tudo aquilo. Parte do património ficou com Iris Abravanel. A minha mãe viúva do apresentador. O restante foi dividido entre as seis filhas, envolvendo a participação nas empresas, imobiliário, investimentos e cargos estratégicos dentro do grupo Silvio Santos.

Só que existia um pormenor emocionalmente muito mais delicado do que dividir dinheiro, a mansão do Morumbi. Porque aquela casa não era apenas um bem milionário, era praticamente um monumento da história da família. a Bravanel. Cada quarto carregava memórias acumuladas ao longo de quase cinco décadas. Fotografias, objetos pessoais, presentes antigos, ambientes que ainda pareciam guardar a presença do dono da casa.

E talvez, por isso, nenhuma decisão imediata tenha sido tomada. Informações divulgadas meses depois apontavam que a residência permanecia sob administração familiar através da DPR Empreendimentos Imobiliários e Participações, sociedade ligada à família Abravanel. Ao mesmo tempo, começaram os rumores de que Iris Abravanel poderia deixar a mansão definitivamente para viver noutro imóvel mais discreto.

Foi aí que a situação começou a chamar a atenção do público. Com os portões quase sempre fechados e menos movimentação no local, vizinhos passaram a notar alterações na aparência da residência. O imóvel, que durante décadas foi associado a festas, carros a entrar e a sair, funcionários circulando e enormes reuniões familiares parecia agora cada vez mais quieto.

E existe algo curioso sobre locais que já foram cheios de vida. Quando ficam vazios, começam a gerar uma sensação difícil de explicar, principalmente quando pertenciam a alguém tão presente na vida dos brasileiros como Silvio Santos. Aquela mansão parecia ter parado no tempo, como se ainda estivesse à espera do dono voltar para mais um domingo de gravações na SBT, como se as paredes ainda carregassem ecos das gargalhadas, das reuniões familiares e da voz que durante décadas dominou a televisão brasileira.

Mas o momento que realmente transformaria aquela casa num assunto nacional ainda estava por vir e começaria com um vídeo gravado do lado de fora dos portões da mansão. Em maio de 2025, um simples vídeo publicado nas redes sociais acabou por despertar uma enorme onda de comoção por todo o país. As imagens mostravam a mansão de Sílvio Santos no Morumbi completamente encerrada.

Os portões permaneciam cerrados, não havia movimentação visível e parte do jardim apresentava um aspecto diferente daquele visual irrepreensível que marcou a residência durante décadas. Foi o suficiente para a internet explodir. Milhares de pessoas começaram a partilham o vídeo acompanhadas por comentários emocionados.

Muitos diziam sentir tristeza ao ver aquela casa silenciosa. Outros afirmavam que parecia impossível imaginar a mansão sem Silvio Santos, circulando pelos corredores ou recebendo a família aos fins de semana. E o impacto das imagens ia muito para além da aparência do imóvel, porque aquela casa representava uma era inteira da televisão brasileira.

Para muita gente, olhar para os portões fechados da mansão era como encarar o fim definitivo de uma geração que cresceu a ver o SBT. As brincadeiras de auditório. Ganharam ninguém. É nova, ninguém ganhou também. Ninguém entendeu. Vá, vamos lá. as caravanas e aos domingos comandados pelo maior comunicador da história do país.

O assunto tomou proporções tão grandes que o próprio SB T necessitou se pronunciar oficialmente. A emissora afirmou que a informação de que a mansão estaria abandonada não era verdadeira. Segundo o comunicado, o imóvel passava por reformas e ajustes na área exterior, o que explicaria o aspecto diferente observado nas imagens que se tornaram virais.

Mas mesmo com a explicação oficial, uma sensação continuou a dominar o público, a sensação de vazio, porque, independentemente de reforma ou manutenção, o facto era impossível de ignorar. Aquela residência já não era mais a mesma sem a presença de Sílvio Santos. O homem que transformava qualquer ambiente em espetáculo não estava mais ali e isso fazia com que toda a diferença.

Avaliada em cerca de R milhões de reais, a propriedade se tornou uma das casas mais simbólicas do Brasil. Não apenas pelo valor financeiro, mas pelo peso emocional e histórico acumulado dentro daqueles muros. Aí aconteceram momentos que marcaram gerações. O quarto das bonecas criado para as filhas, as festas luxuosas, os encontros familiares, as reuniões empresariais, a academia onde Sílvio mantinha a sua rotina mesmo na velice e também a recordação daquela madrugada aterradora de 2001, quando toda a casa virou cenário de uma crise policial acompanhada pelo mundo.

Cada espaço da mansão parecia carregar uma camada diferente da vida dele. E talvez seja precisamente isso que torna aquela residência tão fascinante para o público até hoje. Não é apenas curiosidade sobre o luxo ou o dinheiro, é porque aquela casa se tornou uma espécie de cápsula do tempo da televisão brasileira, uma casa onde parte da história do Brasil aconteceu em silêncio, longe das câmaras.

E mesmo fechada, ela continua a despertar a sensação de que ainda existe algo vivo ali dentro. No final de contas, a mansão do Morumbi acabou por se transformar em algo muito maior do que uma propriedade de R$ 15 milhões deais. Ela virou um símbolo, um símbolo da trajetória quase inacreditável de Silvio Santos.

Um homem que saiu da pobreza, enfrentou dificuldades desde criança, vendeu produtos nas ruas e conseguiu construir um dos maiores impérios da comunicação da América Latina. Mas talvez o mais impressionante seja perceber que o verdadeiro legado dele não está apenas no dinheiro, nos imóveis ou nas empresas bilionárias, está na memória das pessoas.

Quantos brasileiros cresceram ouvindo a voz de Silvio Santos dentro de casa? Quantas famílias passaram anos se reunindo-se diante da televisão aos domingos? Quantas crianças sonharam em participar nos programas de auditório, ganhar brinquedos ou simplesmente ouvir aquele jeito único que ele tinha de conversar com o público? O Sílvio criou algo raro, uma ligação emocional com o país inteiro, e isso tornou-se ainda mais evidente depois da sua morte.

Artistas, apresentadores, empresários e pessoas comuns passaram a partilhar histórias pessoais que envolvem o comunicador. Muitos contavam que ele ajudava funcionários nos bastidores sem divulgar para ninguém. Outros lembravam conselhos, oportunidades ou gestos de generosidade que nunca chegaram ao público.

Um dos relatos que mais emocionaram os fãs surgiu poucos meses depois da sua morte. Segundo pessoas próximas da família, pouco antes de partir, Sílvio teria chamado as filhas para fazer um pedido especial. Queria que Luís Ricardo continuasse a receber oportunidades na SBT. Luís Ricardo havia trabalhou durante décadas ao lado dele nas publicidades do baú da felicidade e da telecena.

Mesmo perante o próprio fim, Sílvio ainda demonstrava preocupação com as pessoas que fizeram parte da sua caminhada. Este detalhe diz muito sobre quem ele era longe das câmaras. E talvez seja exatamente por é isso que aquela mansão provoca tanta emoção nas pessoas até hoje. Porque quando alguém passa em frente aos portões fechados daquela casa, não vê apenas uma residência milionária, vê recordações da infância, da família reunida na sala, dos domingos felizes, das gargalhadas espontâneas, de uma época em que a televisão parecia mais simples e mais

humana. Hoje a mansão permanece ali silenciosa, rodeada de memórias e questões sobre o futuro. Talvez seja renovada, talvez um dia seja vendida, talvez continue a pertencer à família durante muitos anos. Mas há uma coisa que dificilmente desaparecerá dali, a presença simbólica de um homem que marcou gerações inteiras.

Porque algumas pessoas morrem, mas aquilo que construíram continua vivo muito depois da despedida. E no caso de Silvio Santos, o seu legado não cabe dentro de nenhuma mansão. E depois, qual é a a sua memória mais forte de Silvio Santos? Quem é que quer quem quer dinheiro? Quem quer? Quem é que quer? Quem quer dinheiro? Quem quer? comenta aqui por baixo porque tenho a certeza de que há algum momento dele que tenha ficado marcado na sua memória.

E se gosta de histórias destas, subscreve o canal e ativa o sininho, porque ainda tem muita história surpreendente que o O Brasil não pode esquecer. Yeah.

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