VOCÊ LEMBRA DO CANTOR REGINALDO ROSSI O QUE ELE DEIXOU PARA OS FILHOS APÓS A MORTE VAI TE CHOCAR!

Batia pelo sofrimento, pelo amor não correspondido, pela dor de quem ama sozinho. Batia pelo brega e foi aí que tomou a decisão mais importante da vida. Uma decisão arriscada que poderia acabar com tudo ou transformar -lo em algo muito maior. Em 1972, lançou Monamur, meu bem, Mafem. E naquele momento nascia o rei do brega. A música explodiu.

Era impossível ouvir sem sentir algo. As mulheres choravam, os homens identificavam-se e o Brasil inteiro começava a cantar em conjunto. Reginaldo Ross não tinha apenas mudado de estilo. Ele tinha encontrado o que todo o artista procura a vida inteira, o seu verdadeiro lugar no mundo. Mas o que ele ainda não sabia é que esta escolha abriria também as portas para uma vida de excessos, dinheiro fácil e decisões que cobrariam um preço muito elevado no futuro.

Nos anos 80, Reginaldo Rossi não era apenas um cantor, era um fenómeno. Era o tipo de artista que quando subia em palco nem precisava de cantar. O público já o fazia por ele. Em 1980, o álbum A Volta marcou o início de uma fase completamente diferente. Veio o primeiro disco de ouro com mais de 100.000 exemplares vendidos.

E aquilo era só o começo. Dois anos depois, em 1982, canções como a raposa e as uvas já estavam espalhadas por todo o Brasil. Era impossível não ouvir Reginaldo em rádios, bares, festas e principalmente nos momentos de dor. Mas o que aconteceu em 1987 mudou tudo. Foi nesse ano que nasceu garçom.

E o que esta música fez é algo que poucos artistas na história conseguiram. Original do Ro verdadeiro, malta. O maior sucesso da temporada. Olha lá. Saiba que o meu grande amor hoje vai-se casar. >> Foram mais de 2 milhões de exemplares vendidas numa época sem internet, sem redes sociais, sem streaming. Era disco físico, comprado, ouvido, repetido, até gastar.

Empregado de mesa virou mais do que uma música, tornou-se um desabafo coletivo, tornou-se o hino de quem amou e perdeu. E a a partir daí, Reginaldo Rossse deixou de ser apenas um artista de sucesso. Ele se tornou uma lenda e juntamente com a fama veio o dinheiro, muito dinheiro. Shows lotados pelo Brasil inteiro, agendas fechadas durante meses, cachets altíssimos.

Segundo o seu antigo empresário, Reginaldo chegou a ganhar mais de 1 milhão de reais por mês. Por mês? Agora pensa nisso. Nessa altura, sem o mercado digital de hoje, este valor era simplesmente absurdo. Ele podia ter construído um império, podia ter garantido gerações, podia. Mas enquanto o Brasil via apenas o brilho dos palcos, havia algo a acontecer nos bastidores, algo silencioso, algo perigoso.

Porque quando o dinheiro entra facilmente e a fama sobe demasiado rápido, nem todos consegue segurar. E foi exatamente aí que começou a parte mais negra da história do rei do brega. Enquanto o público via apenas aplausos, sucesso e multidões a cantar, a realidade de Reginaldo Ross nos bastidores era bem diferente e tudo começou com um hábito que aos poucos se tornou uma sentença.

O cigarro. Reginaldo não fumava pouco. Ele fumava cerca de quatro maços por dia. Era algo fora de qualquer controlo. Uma rotina constante, automática, quase impossível de interromper. Mas esse não foi o único problema. Havia outro vício, muito mais silencioso e extremamente perigoso para alguém que ganhava tanto dinheiro.

Os jogos de fortuna ou azar, casinos, baralho, caçanquis. Reginaldo se envolvia cada vez mais neste universo. Não era diversão ocasional, era impulso, era necessidade, era o tipo de hábito que começa pequeno. Mas quando você apercebe-se, já está a levar tudo embora. E o dinheiro desaparecia. Parte do que ele ganhava nos concertos, e estamos a falar de valores altíssimos, simplesmente desaparecia nas mesas de jogo, sem controlo, sem planeamento, sem limites, e juntamente com isso vinha a bebida.

A vida boaia que o público via nos palcos era real, fora deles também. Noites longas, excessos constantes, decisões tomadas no calor do momento. Era uma combinação perigosa, porque enquanto milhões entravam, saíam milhões também. Mas não era apenas o dinheiro que estava a ser afetado. O património começou a desaparecer, imóveis foram vendidos, outros ficaram com dívidas acumuladas.

Contas foram sendo deixadas para mais tarde, sempre com a ideia de que o próximo espectáculo resolveria tudo. Só que o tempo não perdoa. E o mais impressionante, nem mesmo dentro de casa a situação era totalmente conhecida. A sua esposa Shelei de Rossi, que esteve ao seu lado durante décadas, não tinha uma noção completa do dimensão do problema financeiro que estava a formar-se.

E enquanto tudo isto acontecia, havia outro relógio a correr, silencioso, implacável. O corpo de Reginaldo já começava a cobrar o preço de anos de excessos. E o que viria a seguir? Ninguém estava preparado para enfrentar. Em novembro de 2013, Reginaldo Ross ainda subia aos palcos como se nada estivesse a acontecer. Nos nos dias 21 e 22 de novembro, realizou dois espetáculos no Manhattan Café Teatro em Recife.

Quem lá estava não fazia ideia de que estava a assistir aos últimos momentos de um dos maiores cantores da história do Brasil. Era o fim, mas ninguém sabia. Poucos dias depois, no no dia 9 de dezembro de 2013, a realidade bateu com força. Reginaldo foi internado às pressas. Os médicos precisaram realizar um procedimento urgente, uma toracocentese.

Foram retirados cerca de 2 L de líquido acumulados entre o pulmão e a pleura. 2 L. A situação era já extremamente grave. E depois veio a confirmação que iria mudar tudo. No dia 11 de dezembro de 2013, o diagnóstico cancro de pulmão agressivo, anos e anos de cigarro a cobrar o seu preço de forma brutal.

A notícia se espalhou-se rapidamente. O Brasil parou. Fãs de todas as partes começaram a enviar mensagens, orações, homenagens. As redes sociais ficaram tomadas por apoio e esperança, mas desta vez não havia retorno. A doença avançava rapidamente, implacável. E na manhã do dia 20 de dezembro de 2013, no Hospital Memorial São José no Recife, o silêncio tomou conta.

Reginaldo Rossse morreu aos 70 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos causada pelo cancro. Morreu hoje no Recife o cantor e compositor Reginaldo Ross. Ele lutava contra um cancro e conquistou o Brasil como o rei do brega. O rei do brega havia partido. O funeral aconteceu no cemitério Morada da Paz, ao som de Recife, a minha cidade.

Uma despedida que parecia um guião de filme. O Brasil chorava, mas enquanto todo o país lamentava a perda de um ídolo. Nos bastidores, a família enfrentava algo ainda mais duro, algo que ninguém, absolutamente ninguém, esperava. E foi exatamente depois da morte que a verdade veio ao de cima. Uma verdade difícil de acreditar, uma verdade que fez o Brasil inteiro se perguntar: “Como é que é possível?” Reginaldo Rossi, o homem que ganhou milhões, que teve discos de ouro, platina, concertos lotados, cachês altíssimos, não deixou fortuna, não

deixou imóveis de luxo, não deixou automóveis, investimentos, nada disso. Ele deixou dívidas. E o mais chocante dos tudo, a família não tinha dinheiro nem para pagar o funeral. >> O meu pai faleceu, eu e a minha mãe, a gente procurou nas contas e não tinha nada, nada, nada, nada. Nada. >> Sim.

O funeral do rei do brega precisou ser doado. O jazigo também. Pessoas próximas tiveram de ajudar porque simplesmente não havia recursos naquele momento. Agora pára e pensa nisso. Um artista que chegou a ganhar mais de R$ 1 milhão deais por mês, sendo enterrado com ajuda de terceiros. Quando essa informação veio a público, foi um choque nacional, mas a situação era ainda pior do que parecia.

A casa onde vivia no Recife acumulava cerca de R$ 800.000 nas dívidas entre o IMI e a manutenção. O O património estava completamente desorganizado. O dinheiro que entrou ao longo de décadas simplesmente já não existia. E não era só isso. A família ainda enfrentou dificuldades para aceder aos direitos de autor das músicas que deveriam garantir um rendimento após a morte.

Foram meses, até anos, de batalhas judiciais para regularizar algo que teoricamente já deveria estar resolvido. Ou seja, para além do luto, veio o peso das dívidas, da burocracia e da incerteza. E no centro de tudo isto estava um único nome, o filho, o homem que teve de encarar sozinho todas as consequências de uma vida sem planeamento.

Mas o que fez depois disso? Ninguém esperava. No meio de toda aquela confusão, dívidas, burocracias, pressões, havia apenas uma pessoa para lidar com tudo aquilo. Roberto Rossi. O Beto Rossi, o único filho de Reginaldo. Foi ele quem teve de enfrentar a realidade mais dura possível, perder o pai e, ao mesmo tempo, descobrir que não havia herança, apenas problemas para resolver.

Em entrevistas após a morte, Beto confirmou aquilo que muitos já suspeitavam, mas ninguém queria acreditar. >> O meu pai não deixou dinheiro nenhum. O património que era dele, dele, dele, ele vendeu tudo. Ele foi tudo para o pro espaço, para o carteiro. Jogo, jogo. >> O meu pai, como administrador era péssimo. Ele só sabia cantar.

>> O pai morreu sem dinheiro. O vício em jogos tinha consumido grande parte da fortuna. E o momento mais doloroso, saber que o enterro teve de ser custeado com ajuda de outras pessoas. Agora imagina o peso disto. Você perde o pai. E enquanto ainda está a lidar com o luto, precisa de correr atrás do dinheiro para o enterrar.

Precisa de resolver dívidas, precisa de enfrentar a exposição pública, precisa de ouvir julgamentos, opiniões, críticas e ainda assim seguir em frente. Mas foi exatamente isso que O Beto fez. Em vez de deixar o nome do pai desaparecer, decidiu fazer o contrário. Criou a banda de Rosse com um único objetivo, manter vivo o legado de Reginaldo Rossi.

Levar as canções do pai para novos palcos, novas gerações, novos públicos. Foi a forma que encontrou de transformar a dor em homenagem. Pessoal, o meu nome é Roberto Ross. Eu sou filho do cantor e compositor Reginaldo Ross e estou aqui para homenagear o meu pai. Mas a vida ainda guardava mais um golpe. Apenas 8 meses depois, no dia 15 de agosto de 2014, a sua mãe, Celeide Ross também faleceu, vítima de um ataque cardíaco aos 67 anos.

Em menos de um ano, Beto perdeu pai e mãe, ficou sozinho, com dívidas, com responsabilidades e com um apelido que carregava o peso de uma história inteiro, mas também com algo que ninguém podia tirar-lhe, o legado. E é exatamente isso que torna esta história ainda mais forte, porque no fim a questão que fica não é só sobre dinheiro, é sobre o que realmente permanece.

No final de contas, a história de Reginaldo Ross não se trata apenas de fama, dinheiro ou queda, trata-se de escolhas. Um homem que saiu de uma infância difícil, venceu, conquistou todo o Brasil e viveu no topo como poucos o conseguiram, mas que ao mesmo tempo nunca se preparou para o dia em que tudo isto terminaria.

Porque a verdade é dura, a fama passa, o dinheiro pode acabar, mas as consequências ficam. Reginaldo deixou dívidas, problemas e uma realidade difícil para o próprio filho enfrentar, mas também deixou algo que nenhum vício, nenhum erro e nenhuma falência conseguiram destruir. A sua música. São 14 discos de ouro, dois de platina e um de diamante.

Canções que atravessaram gerações e continuam vivas até aos dias de hoje, tocando em bares, festas, rádios e corações espalhados pelo Brasil. Em 2020, foi oficialmente reconhecido como patrono do brega pela Assembleia Legislativa de Pernambuco e em 2021 ganhou uma estátua no centro do Recife, sentado, como sempre se viu, numa mesa com um copo na mão, como se ainda estivesse ali, cantando as dores e amores de milhões de brasileiros.

E talvez seja isso que mais impressiona. Mesmo depois de tudo, mesmo com um fim tão difícil, Reginaldo Ross nunca deixou de ser o rei do brega. Agora diz-me, já sabia de tudo isso? Sabia que um dos maiores cantores do Brasil terminou a vida praticamente sem dinheiro? E mais importante, o que acha que vale mais? Viver intensamente o presente ou garantir o futuro de quem ama? Conta aqui nos comentários qual a música dele mais marcou a sua vida.

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