Por que a PRISÃO de segurança máxima de El Chapo é PIOR que a morte

Vamos explorar agora porque é que a prisão a Deeges Florence nos Estados Unidos, é considerada o lugar mais inóspito da Terra. Um local tão brutal que muitos prefeririam o inferno do que lá viver. Incluindo Joaquim El Chapo Guzman, um dos criminosos mais perigosos e conhecidos do mundo. Número um, o pesadelo diário de El Chapo na Solitária.

Na prisão ADX Florence, localizada nas montanhas rochosas do Colorado, os detidos vivem sob um regime extremo de confinamento. Todos os dias, sem exceção, cada recluso passa nada menos de 23 horas completamente isolado numa cela minúscula feita de betão sólido. Durante a única hora diária em que são autorizados a sair da cela, ainda têm de permanecer com os tornozelos acorrentados.

A construção da cela foi planeada de forma a que o preso nunca veja o mundo exterior. Nem árvores, nem ruas, nem pessoas, nem mesmo o horizonte. Se assistiu a Prison Break e pensa que sair de uma prisão de segurança máxima é apenas uma questão de inteligência, saiba que nem um personagem como Michael Scoffield conseguiria escapar à ADX.

Lá dentro, escapar não é apenas difícil, é praticamente impossível. E a segurança não se limita apenas aos muros altos. Estende-se muito além, com sistemas eletrónicos, sensores e vigilância constante. É um verdadeiro labirinto da tortura psicológica. Número dois, a trajetória que levou El Chapo até à prisão mais segura do mundo.

El Chapo nasceu no interior do México, numa pequena cidade chamada Badiraguato, localizada no estado de Sinaloa. O seu nome verdadeiro é Joaquim Arquivaldo Guzm Loera. Sobre a sua data de nascimento, há Divergências. Algumas fontes afirmam que nasceu a 25 de dezembro, enquanto outras registam o no dia 4 de abril de 1957.

Desde muito cedo, enfrentou uma vida marcado pela pobreza extrema e por uma convivência difícil com o pai, um homem violento que também estava envolvido com o narcotráfico. Quando ainda era adolescente, foi expulso de casa e precisou de se virar sozinho. Sem opções de trabalho na sua cidade natal e rodeado por uma cultura dominada pelo tráfico de drogas, El Chapo acabou por se envolver no mesmo ramo.

Aos 15 anos de idade, já cultivava e comercializava a sua própria plantação de canábis, mergulhando de vez no submundo do crime. Número três, o início da vida no crime organizado. Foi durante esta juventude atribulada que Joaquim ganhou a alcunha que o mundo inteiro conhece, El Chapo, que em espanhol significa baixinho por causa da a sua estatura de apenas 1,67 cm.

Apesar da aparência inofensiva, ele cedo mostrou ser alguém extremamente perigoso. No final da década de 1970, El Chapo começou a atuar de forma mais intensa no crime organizado, trabalhando para o traficante Héctor Palma, conhecido como Elguero, que significa loiro. A sua principal função era supervisionar o transporte de grandes quantidades de droga dentro do estado de Sinaloa até à fronteira com os Estados Unidos.

Desde essa altura, ele demonstrava ser ambicioso, impiedoso e calculista. Era conhecido por punir com extrema violência qualquer atraso na entrega das drogas. Há relatos de que, em certas ocasiões, El Chapo disparava sobre a cabeça dos seus próprios aliados que cometiam falhas graves, mostrando que não perdoava erros.

Número quatro, a ascensão meteórica dentro do cartel de Guadalahara. Nos anos iniciais da década de 80, El Chapo conseguiu um cargo de confiança dentro do cartel de Guadalajara, que nessa altura era comandado por Miguel Angel Félix Galardo, também chamado de El Padrino. O padrinho Galardo era o traficante mais poderoso do México e El Chapo foi nomeado responsável pela logística do cartel.

Ele coordenava os embarques de cocaína que vinham da Colômbia para o território mexicano, utilizando rotas complexas e estratégias inovadoras. A sua fama de durão e a sua capacidade de liderança tornaram-no uma peça essencial dentro da organização. No no entanto, em 1989, Galardo foi detido sob a acusação de envolvimento no assassinato de um agente da DEA, Drug Enforcement Administration.

Enforcement Administration, o causou um grande abalo na estrutura do cartel. Com a queda do líder, o cartel fragmentou-se e ao Chapo, juntamente com outros membros, fundou o cartel de Sinaloa. Número cinco, a construção de um império internacional das drogas. Após o colapso de vários cartéis colombianos, El Chapo viu uma oportunidade de ouro para expandir os seus negócios e aumentar o seu poder.

Com criatividade e ousadia, ele encontrou formas inusitadas de contrabandear drogas. Escondia cocaína em extintores de incêndio e até mesmo em latas de pimento com rótulos falsificados. O cartel passou também a fabricar e distribuir outras drogas, como a metanfetamina, a heroína, a éxtase e a canábis. Em pouco tempo, o cartel de Sinaloa tornou-se uma força dominante no narcotráfico global.

Ele operava em mais de 50 países e em todos os cinco continentes, tornando-se a organização criminosa mais poderosa e lucrativa do planeta. Mas a par com o crescimento da operação, vieram também maiores riscos e inimigos. Número seis, o massacre no aeroporto e a entrada nos holofotes. No no dia 24 de maio de 1993, um tiroteio chocou o México e o mundo.

Oreu no parque de estacionamento do aeroporto Miguel Hidalgo em Guadalahara. Múltiplas pessoas foram mortas, incluindo um importante membro da Igreja Católica, o cardeal Juan Jesus Pousadas ao Campo. Os responsáveis ​​pelo ataque seriam membros do cartel rival de Tijuana, liderado pelos irmãos Arelano Félix.

Eles estavam à procura de El Chapo e acreditavam que estaria naquele aeroporto. Ao avistarem um carro branco do modelo Grand Marquis, abriram fogo, pensando que era o veículo de Guzman. No entanto, quem estava dentro do carro era o Cardial, vestido com a sua batina clerical. Foi atingido por 14 tiros a queima roupa.

El Chapo também estava nas proximidades com os seus seguranças e fugiu assim que o tiroteio começou. A tragédia resultou em sete mortos e fez com que o nome de El Chapo ganhasse as manchetes internacionais. Número s, a fuga para a Guatemala e a primeira captura de El Chapo. Após o assassinato do cardeal Pousadas ao campo e a enorme como que o caso causou nos media mexicanos e internacional, as autoridades decidiram intensificar a perseguição aos envolvidos.

O governo mexicano ofereceu uma recompensa de 15 milhões de pesos pela captura dos irmãos Benjamim e Ravier Arelano Félix, líderes do cartel rival. e também por El Chapo e o seu antigo aliado, Héctor Luiz Palma. Sentindo-se encurralado e sabendo que o cerco estava a ser fechando, El Chapo fugiu para a Guatemala.

Aí passou a usar um nome falso, José Luiz Ramirez. Apesar da mudança de identidade e do novo esconderijo, a sua fama precedia-o e não demorou muito tempo para que as autoridades guatemaltecas também começassem a investigar a sua presença no país. Em 9 de Junho de 1993, foi capturado perto da fronteira com o México, juntamente com a sua suposta amante Maria Del Rossio del Vilhar Beesserra e mais quatro companheiros.

Imediatamente foi entregue ao governo mexicano que o levou para o estabelecimento prisional de Almoloia de Ruares, conhecido por Altiplano, uma das prisões de segurança máxima mais conhecidas do país. Número oito, o interrogatório, as confissões e os primeiros dias atrás das grades. Assim que chegou à prisão de Altiplano, El Chapo foi apresentado à imprensa como um troféu da justiça.

Durante os interrogatórios, confessou ter estado no aeroporto no momento da tiroteio que matou o cardeal e disse ter visto membros do cartel rival, arelano félix no local. Alegou que fugiu da cena a apanhar um táxi e nos dias seguintes viajou de automóvel até ao fronteira mexicana com a Guatemala, onde foi detido.

No dia seguinte à sua captura, em 10 de Junho de 1993, apareceu diante dos repórteres vestindo o uniforme da prisão sob uma chuva miudinha. respondeu às perguntas de forma breve, negando o envolvimento direto com armas ou com o crime e dizendo que apenas plantava milho e feijão. Apesar das suas palavras, os factos diziam o contrário.

Poucos dias depois, As autoridades de El Salvador interceptaram um grande carregamento de cocaína ligado ao cartel de Sinaloa, ligando ainda mais El Chapo a uma rede internacional de tráfego. Número no a vida de luxo e privilégios dentro da prisão. Ao contrário do que se poderia imaginar para um detido de elevada perigosidade, El Chapo não viveu uma rotina dura na prisão.

Na verdade, a sua estadia foi marcado por regalias, mordomias e um estilo de vida que em pouco se assemelhava com o de um prisioneiro comum. Segundo relatos da jornalista mexicana Anabel Hernandes, no seu livro Ema e as outras senhoras do narco, El Chapo e o seu aliado Palma Salazar, conseguiam manter relações sexuais com prostitutas que eram levadas até à prisão.

Quando não podiam mais contar com estas visitas externas, passaram a subornar funcionárias do sistema prisional, como enfermeiras, cozinheiras e fachineiras. Além disso, faziam pedidos de comida de elevado padrão, refeições sofisticadas, trazidas de fora e recebiam mesmo remessas regulares de viagra.

Todos estes luxos eram sustentados por subornos e por um fluxo constante de dinheiro enviado por o seu primo, o também temido traficante Arturo Beltran Leiva. Enquanto outros reclusos enfrentavam a dureza do sistema penitenciário, El Chapo parecia ter transformou a prisão numa extensão do seu império. Número 10. A primeira grande fuga e o medo da extradição.

Mas a vida confortável de El Chapo estava com os dias contados. No ano de 2001, começou a circular entre os presos a notícia de que o México e os Estados estavam a assinar um acordo de extradição, sabendo que se fosse enviado aos Estados Unidos nunca teria qualquer privilégio ou hipótese de subornar funcionários. El Chapo decidiu agir.

Elaborou um plano de fuga detalhado. No no dia 19 de janeiro de 2001, ele simplesmente desapareceu da prisão de Poente Grande. Algumas versões afirmam que saiu escondido num carrinho de lavandaria. Outras dizem que simplesmente caminhou pelos corredores com a ajuda de funcionários corrompidos. O facto é que conseguiu escapar e permaneceu foragido por mais de uma década.

O seu desaparecimento escancarou a corrupção dentro do sistema penitenciário mexicano e aumentou ainda mais a sua lenda como um dos criminosos mais escorregadios da história moderna. Número 11. El Chapo torna-se a celebridade internacional do crime. Durante o período em que esteve foragido, El Chapo passou de chefe do tráfico a ícone pop do crime organizado.

Em 2009, a revista Forbes incluiu o seu nome na lista das pessoas mais ricas do mundo. Apareceu na posição número 7001 com uma fortuna avaliada em 1 bilião de dólares. No mesmo ano foi também listado como uma das 41 pessoas mais poderosas do planeta. A decisão da revista gerou críticas dentro e fora dos Estados Unidos, mas não foi a primeira vez que a Forbes incluiu traficantes nas suas listas.

Pablo Escobar já tinha sido citado anos antes. No México, o número 7001 passou a ser uma espécie de código. Jovens passaram a utilizar a cifra nas redes sociais em referência ao traficante. A mitologia em torno do nome El Chapo só crescia. Número 12. Recaptura. Nova fuga espetacular e a engenharia de um túnel. Em 2014, depois de anos de perseguição, as autoridades mexicanas finalmente conseguiram capturar novamente El Chapo.

Foi enviado de volta ao presídio de segurança máxima de Altiplano. No no entanto, tal como da primeira vez, ele não permaneceu por muito tempo preso. No dia 11 de julho de 2015, realizou uma das fugas mais ousadas e cinematográficas de todos os tempos. Um túnel subterrâneo de 1,m5 kensão foi escavado da casa de banho de a sua cela até uma casa em construção fora da prisão.

O túnel estava equipado com iluminação, ventilação e até calhas para movimentar um motociclo adaptada. A engenharia envolvida na operação impressionou até os especialistas em segurança. El Chapo fugiu pela segunda vez e passou mais seis meses em fuga até ser capturado novamente. Era o prenúncio do que ele mais temia.

A extradição número 13, o julgamento nos Estados Unidos e a sentença definitiva. Depois da nova recaptura, o governo mexicano finalmente decidiu extraditar El Chapo para os Estados Unidos. A extradição foi realizada em 2017. O julgamento aconteceu em Nova Iorque, num tribunal federal. Em 2019, foi considerado culpado por dezenas de acusações, incluindo tráfico de droga, branqueamento de dinheiro, rapto, assassinato e liderança de uma organização criminosa.

A sentença foi exemplar. Prisão perpétua mais 30 anos adicionais. As autoridades americanas sabiam do seu histórico de fugas e tomaram todas as precauções possíveis. El Chapo foi enviado imediatamente para o local mais seguro dos Estados Unidos, a ADX Florence, conhecida como a alcatrá das montanhas rochosas.

Aí até hoje cumpre a sua pena, isolado e sem qualquer hipótese de escapar. Número 14. O que torna a prisão ADX Florence tão temida, a penitenciária administrativa de segurança máxima dos Estados Unidos, mais conhecida por ADX Florença, ou informalmente como Alcatrá das Montanhas Rochosas, é considerada a prisão mais segura e impenetrável do país e, possivelmente, do mundo.

Localizada numa área remota no estado do Colorado, mais precisamente no condado de Fremont, é operada diretamente pelo Bureau Federal de Prisões, uma divisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Inaugurada no ano de 1994, a ADX foi criada com um único propósito, abrigar os prisioneiros mais violentos, perigosos e incontroláveis ​​do sistema penitenciário federal americano.

Lá são confinados indivíduos que demonstraram comportamento extremamente agressivo contra funcionários ou outros reclusos em outras unidades. A estrutura e o regime da ADX foram planeados para oferecer um nível de controlo ainda maior que o das Prisões de segurança máxima convencionais. Cada aspecto da prisão, desde a arquitetura até aos protocolos de segurança, foi pensado para impedir qualquer possibilidade de fuga, motim ou contacto entre os detidos.

Por isso, muitos afirmam que estar ali é como viver uma espécie de morte em vida. Número 15. as celas e o isolamento extremo dos prisioneiros. A maior parte do complexo da ADX Florença está acima do nível do solo, mas existe um corredor subterrâneo que liga os blocos de celas à área da recepção.

Cada cela foi concebida de forma precisa para garantir o isolamento quase total do prisioneiro. As celas são pequenas e feitas quase inteiramente de betão. A cama, o banco e a mesa são esculpidos diretamente no chão. Há um chuveiro com temporizador automático que limita o tempo de utilização e evita inundações, e uma privada com sistema que se fecha automaticamente caso esteja entupida.

Não há torneiras convencionais. Tudo é feito para impedir que os objetos possam ser utilizados como armas. Um espelho de aço polido fixado na parede substitui os espelhos tradicionais. A iluminação é elétrica e só pode ser controlada remotamente pelos funcionários da prisão. Cada cela também pode conter uma televisão e um rádio, mas os conteúdos são estritamente limitados a programações religiosas, educativas ou recreativas previamente aprovadas.

Um pormenor importante, as janelas são minúsculas em forma de fendas inclinadas para cima, permitindo ao recluso ver apenas o céu. Isso foi feito propositadamente para que os reclusos nunca saibam exatamente onde estão localizados dentro do complexo, dificultando qualquer planeamento de fuga. Número 16, o pátio de exercício e a rotina diária dos reclusos.

Na ADX, o que chamam de área de exercício se parece mais uma cela exterior de concreto. É um espaço cercado por muros altos, semelhante a uma piscina vazia, onde o recluso pode caminhar sozinho por apenas uma hora por dia, com exceção casos mais severos, onde nem esse tempo é permitido. O local é tão limitado que permite, no máximo, 10 passos em linha reta ou 31 passos em círculos.

Não há interação com outros reclusos. A alimentação também segue um protocolo rígido. Não existe refeitório. Todas as as refeições são preparadas fora do bloco de celas e entregues individualmente por agentes prisionais, diretamente na cela por meio de uma pequena abertura na porta de aço.

Existe um programa especial de 3 anos para que os prisioneiros passem por um processo lento e controlado de reintegração. No primeiro ano, o recluso fica isolado quase o tempo todo. Apenas no terceiro ano, com um comportamento exemplar, ele pode passar parte do dia fora da cela, interagir com outros reclusos e até fazer refeições numa área comum, mas isso é raro e rigorosamente vigiado.

Número 17, os programas de educação, recreação e reabilitação. Apesar da extrema rigidez do regime, a ADX oferece teoricamente algumas oportunidades de educação e atividades lúdicas aos reclusos. Os os reclusos que demonstram interesse podem participar em programas educacionais básicos como a alfabetização e a equivalência do ensino secundário, GED, para além de cursos de formação contínua, inglês como segunda língua e programas de formação vocacional.

Existe até um curso de orientação parental para aqueles que têm filhos. No quesito recreação, são oferecidas atividades físicas simples e orientações de bem-estar. Há também espaço para atividades manuais, como o trabalho com papel ou artesanato. Contudo, na prática, a maioria destes programas é extremamente limitada, uma vez que os presos permanecem confinados nas suas celas por 23 horas por dia.

Têm direito a apenas 5 horas semanais de recreação fora da cela. Mesmo as atividades mais simples são monitorizadas de forma intensa e acontecem muitas vezes individualmente. A ideia é manter o detido mentalmente ocupado, mas sem nunca abrir margem para o risco de agressão, planeamento de fuga ou contacto excessivo com outros reclusos.

O número 18, o sistema de segurança mais avançado do mundo. O que realmente faz da AD6 Florence um verdadeiro bunker penitenciário. Não é apenas sua arquitetura impenetrável ou o seu regime de isolamento extremo, mas sim a sua complexo sistema de segurança, considerado um dos mais modernos e rigorosos já implementados.

A penitenciária conta com aproximadamente 100 portas de aço que podem ser controladas eletronicamente a partir da central de segurança. Cada corredor, cada cela, cada canto da prisão é monitorizado 24 horas por dia por câmaras e sensores de movimento. Se houver qualquer indício de tentativa de fuga ou revolta, os agentes podem desencadear um botão de emergência que bloqueia instantaneamente todas as portas da unidade.

Fora dos muros da prisão, há vedações com 12 m de altura, cobertas de arame farpado e sensores de pressão no chão. Guardas fortemente armados patrulham a área constantemente e se isso ainda não bastasse, os cães treinados e até os lasers fazem parte do sistema de vigilância perimetral. É um ambiente onde a mais pequena falha ou distração é praticamente impossível.

Até hoje ninguém conseguiu escapar à ADX Florence e as autoridades fazem questão de manter esse recorde. Número 19, os níveis de segurança dentro da ADX Florença. Embora a ADX Florence seja, por definição, uma prisão de segurança máxima, é dividida internamente em diferentes níveis de confinamento e segurança, cada um com a sua função específica.

Os reclusos são alocados em seis unidades diferentes: população geral, unidade de segurança especial, unidade de segurança máxima, conhecida como controlo, unidade intermédia, unidade de transição e a temida faixa 13.º A faixa 13 alberga apenas quatro celas e destina-se aos prisioneiros considerados os mais perigosos e incontroláveis ​​de todo o sistema.

A unidade de controlo, por sua vez, é utilizada para manter aqueles que já cometeram atos violentos contra funcionários ou outros detidos em outras prisões federais. A unidade de A segurança especial é voltada para prisioneiros ligados a organizações terroristas ou sob medidas administrativas especiais. Essa A categorização permite que a prisão aplicar castigos, isolamento e vigilância de forma personalizada e estratégica, dificultando ainda mais qualquer tipo de organização ou revolta entre os reclusos. Número 20, os efeitos

psicológicos devastadores da solitária. Embora o sistema da ADX tenha sido criado com a intenção de manter o controlo total sobre os presos mais violentos, os efeitos psicológicos deste tipo de confinamento são profundamente destrutivos. Médicos, psicólogos e até ex-reclusos relatam que o isolamento extremo pode causar colapsos mentais severos.

A privação sensorial constante, a ausência de contacto humano e o silêncio absoluto afetam diretamente o cérebro. Um relatório da amnistia internacional publicado em 2014 revelou que os reclusos da ADX frequentemente passam dias inteiros sem ouvir uma única palavra a eles dirigida. Os sintomas comuns são a depressão profunda, cres de ansiedade, alucinações auditivas e visuais, surtos psicóticos e até automilação.

Um caso emblemático é o da Jack Powers, um ex-detido condenado por roubo e que tinha fugido de outra prisão antes de ser transferido para a ADX. Durante o seu tempo na solitária, ele entrou em colapso mental, arrancou partes das próprias orelhas, mordeu e arrancou um dedo e chegou a bater com a cabeça contra a parede para abrir um ferimento e injetar bactérias diretamente no cérebro.

Esses casos mostram que para muitos a ADX é de facto um lugar pior do que a morte. Número 21. As cartas escritas por El Chapo dentro da prisão. Mesmo isolado do mundo, privado de contacto com os filhos e de qualquer conforto humano, El Chapo continua a tentar comunicar. Recentemente escreveu uma carta de próprio punho em espanhol com o endereço remetente diretamente da cela da ADX Florença.

Colou dois selos com a insígnia do coração púrpura. Honraria americana concedida a militares feridos em combate como tentativa de atrair a atenção das autoridades. A carta foi dirigida ao juiz federal Brian Kogan, do Tribunal Distrital do Leste de Nova York, o mesmo que presidiu ao seu julgamento. Na correspondência, El Chapo começa por se desculpar.

Perdão por incomodar novamente. Em seguida, faz um pedido emocional. quer autorização para que a sua esposa, Ema Coronel, ex-rainha de beleza e mãe das suas filhas, possa visitá-lo. A Ema atualmente reside na Califórnia e, devido às regras rígidas da ADX, só o poderia ver com autorização judicial. Na mesma carta, Guzm refere ainda que sente muita falta das filhas e pede que possam visitá-lo durante as férias escolares, quando não tem compromissos académicos.

Por fim, El Chapo solicita ao juiz a permissão para realizar duas chamadas por mês, com a duração de 15 minutos cada, como forma de manter o mínimo de contacto humano com a família. Apesar do tom humilde e pessoal da carta, as As autoridades americanas continuam preocupadas com uma possível nova tentativa de fuga, ainda que até hoje nunca ninguém tenha conseguido escapar da ADX.

A reputação de Guzm como mestre das fugas impede que qualquer flexibilidade seja concedida facilmente. A ADS Florence não é apenas um lugar feito para punir, é um lugar feito para apagar. Para muitos é justiça, para outros é uma tortura. Mas uma coisa é certa, ali dentro até reis do crime como El Chapo descobrem o verdadeiro significado de estar sozinho.

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