Como um EX GOLEIRO Virou o MAIOR GOLEADOR da História

No final dos anos 80, uma equipa de futsal infantil do Rio de Janeiro vivia na lanterna do Campeonato Carioca. O time precisava de guarda-redes e sobrou para um miúdo magrelo que tinha entrado no clube sem lugar na equipa de linha. Ele foi para a baliza porque não tinha outro lugar para ele. Não resultou.

O time seguia perdendo. Num dia qualquer, o técnico cansou-se de perder e decidiu testar uma loucura. Tirou o miúdo da baliza e jogou ele na linha, no ataque, para ver o que acontecia. O que aconteceu foi o seguinte. O menino marcou quatro golos e o equipa venceu o líder da competição por 5 a quero falhado, promovido ao ataque por puro O desespero do treinador chamava-se Ronaldo Luiz Nazáo de Lima.

Anos depois, esse mesmo miúdo seria eleito o melhor jogador do mundo por três vezes, marcaria os dois golos que dariam Brasil ou penta campeonato e tornar-se-ia, por quase uma década, o melhor marcador da história dos Campeonatos do Mundo. Agora, em 2026, o mundo inteiro está parado por mais uma Mundial de Futebol e a cada nova geração de atacantes que surge, a comparação é sempre inevitável.

O avançado que muita gente considera, inclusive eu, o mais letal que o futebol já produziu, o gajo que definiu o que um avançado-centro podia fazer com a bola nos pés. Para entender o tamanho deste jogador, é preciso voltar para uma casa simples no subúrbio do Rio, onde o menino pobre, dentuço e apaixonado por futebol, crescia a dormir no sofá.

Ninguém naquele bairro imaginava que ali morava o futuro maior goleador do planeta. Ronaldo nasceu em 18 de Setembro de 76 em Itaguaí e foi registado só no dia 22. O seu nome veio de uma homenagem, Ronaldo Valente, o médico que levou a dona Sónia no dia do parto num Carocha até à maternidade. A família vivia em Bento Ribeiro, na zona norte do Rio.

O pai Nélio era vendedor ambulante, a mãe Sónia era sorveteira. Ronaldo era o mais novo de três filhos e a casa era apertada o suficiente para ele dormir no sofá. A infância foi pobre, ainda que não miserável. O dinheiro em casa era contado e o lazer do miúdo cabia no que era gratuito, a bola e a rua. Pento Ribeiro tinha as peladas de esquina.

os parques de campismo de terra batida, as equipas improvisadas de miudagem. Era aí que o Ronaldo passava o tempo que devia estar a passar na escola. Na escola o miúdo não se encaixava. Os dentes incisivos abertos renderam o cruel apelido de Mónica em referência à personagem nos quadrinhos. Hum.

Mas fora dela, na pelada do barro, era outra história. Aí o dadado, como a família chamava, mandava e a miudagem toda já sabia que aquele miúdo magro tinha algo de diferente com a bola nos pés. Os pais separaram-se quando Ronaldo tinha 11 anos. O Bac da separação empurrou o miúdo ainda mais para dentro do futebol, que se foi tornando o local onde ele fazia sentido.

Ele matava a aula para ir ao Valqueir e ténis clube perto de casa. A bola já ocupava o espaço que a escola nunca conseguiu preencher. E foi precisamente no Valquíri que aconteceu o primeiro capítulo improvável desta história, o capítulo que quase ninguém conhece e que mudou a posição de um futuro craque mundial.

O miúdo entrou no clube sem lugar na equipa de linha. A única forma de jogar era indo à baliza. E foi ali de guarda-redes que a carreira do maior avançado-centro da história começou da forma mais errada possível. A casa do número 114 da rua General César recebeu o convite. O menino podia entrar no Valquíria Ténis Clube como sócio atleta, só que não tinha lugar na equipa mirim de linha.

A solução foi colocar o Ronaldo na baliza. O miúdo virou goleiro por falta de opção e a experiência foi um fracasso. A equipa afundou na lanterna do Campeonato Carioca de Futsal e nada indicava que aquele menino magro debaixo da trave tinha qualquer outro futuro no desporto. O técnico Marquinho chegou ao limite da paciência com as derrotas.

Conhecendo a fama que o Dadado tinha nas peladas do barro, decidiu arriscar, tirou o miúdo da baliza e pôs no ataque numa partida. Era uma aposta de que não tinha mais nada a perder. O resultado entrou para a lenda. Ronaldo fez quatro golos. A equipa venceu o líder da competição por 5 a qu no único jogo, um guarda-redes falhado virou a maior promessa de ataque que aquela quadra já tinha visto.

A atuação não passou despercebida. Um supervisor do Social Ramos, o clube mais tradicional que disputava o campeonato metropolitano, reparou no miúdo e levou-o para lá. E foi no Social Ramos que o talento do menino ganhou números absurdos. Numa única época de futsal, com cerca de 12 anos, Ronaldo marcou 166 golos. O miúdo que poucos meses antes era guarda-redes de uma equipa na lanterna, agora era um fenómeno de pontaria que todo o mundo na competição queria ver jogar.

A pequeno campo do futsal, com pouco espaço e marcação em cima, foi a escola que afiou o drible curto e a finalização rápida que o mundo veria anos mais tarde nos campos da Europa. E o sonho seguinte tinha nome e cor: O Flamengo de Zico. O ídolo miúdo era o Zico, o nome maior da história do Flamengo.

O sonho de Ronaldo era seguir os seus passos e jogar no rubro negro. Quando surgiu uma peneira do clube, o rapaz foi junto com cerca de 400 outros miúdos que disputavam uma vaga. Ronaldo foi aprovado. Passou no teste do clube que amava entre centenas de candidatos. O sonho estava ao alcance da mão e depois veio o obstáculo que nenhuma peneira média.

A casa de Ronaldo ficava longe da sede do Flamengo. Eram quatro conduções de autocarro para ir e voltar de cada treino. E a família não tinha dinheiro para suportar esse transporte todos os dias. O miúdo aprovado no Flamengo não tinha como pagar para chegar ao Flamengo. No dia seguinte à aprovação, Ronaldo não apareceu e não apareceria mais.

O sonho do Clube do Coração morreu por causa do bilhete de autocarro. Alguns quilómetros de distância e o preço de algumas conduções foram suficientes para fechar a porta do Flamengo ao maior talento que o Rio de Janeiro produziria naquela geração. A solução veio de um local bem menos glamoroso. Um dirigente chamado Ari de Sá, do Modesto São Cristóvão, propôs um esquema com Social Ramos.

Os destaques do futsal iriam jogar futebol de campo no São Cristóvão e o clube bancaria o transporte dos garotos. O São Cristóval não era o sonho de ninguém, mas era o clube que pagava passagem e foi a porta que estava aberta. Ronaldo agarrou. Aquela escolha forçada pela falta de dinheiro, acabou colocando o miúdo no caminho que o levaria ao profissional.

No Cristóão, longe dos holofotes, num pequeno clube da zona norte do Rio, o miúdo deu os primeiros passos no futebol de campo e precisou de muito pouco tempo para mostrar que havia ali algo que o Brasil inteiro logo ia querer ver. A estreia de Ronaldo no futebol de campo aconteceu em Agosto de 90. No primeiro jogo, marcou três golos na vitória por 5 a tr sobre o Tomazinho.

O recado foi dado logo à partida. Ele passou cerca de 2 anos e meio em São Cristóvão, nunca chegou a fazer um jogo profissional pelo clube, mas foi aí que se desenvolveu. Aos 15 anos 92, os empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pita compraram o passe do miúdo por $7.500. Tentaram colocar o jovem em clubes grandes, ofereceram Ronaldo ao Botafogo e ao São Paulo.

Os dois recusaram por questões de dinheiro. O destino apareceu pelas mãos de um campeão do mundo. Jairzinho, ídolo do Mundial de 70, viu o miúdo e indicou-o ao Cruzeiro. O clube mineiro fechou a contratação, convencido de vez depois de o Ronaldo ter sido melhor marcador do Sul-Americano sub-17 na Colômbia em 93 com oito golos, sendo o único destaque de um Brasil que terminou apenas em quarto.

Aos 16 anos, Ronaldo estreou-se no profissional do Cruzeiro e a explosão foi imediata. No dia 7 de Novembro de 93, protagonizou um jogo que ficou na história do futebol brasileiro. Cinco golos numa única partida contra o Bahia. Num dos lances, roubou a bola ao experiente guarda-redes uruguaio Rodolfo Rodriguez, num gesto de pura malandragem, empurrou para a rede.

Foram 12 golos em 14 jogos no Brasileirão desse ano. No ano seguinte, em 94, ele foi campeão mineiro e melhor marcador com 22 golos. Somando jogos oficiais e amigáveis, foram cerca de 56 golos em 58 partidas pelo Cruzeiro. Uma média absurda para um adolescente que mal tinha saído da adolescência. A fama rebentou rápido.

Antes mesmo de completar um ano como profissional, Ronaldo já recebia sondagens de clubes europeus e o Cruzeiro chegou a recusar uma proposta do Inter de Milão. O miúdo que não tinha dinheiro para a passagem de autocarro poucos anos antes, era agora cobiçado pelo futebol mais rico do mundo naquela época.

O Brasil inteiro já sabia o nome dele e a Europa também. Aos 17 anos, Ronaldo foi convocado paraa Taça do Mundo de 94 e sagrou-se campeão mundial sem entrar em campo uma única vez. Foi o início de uma relação com a seleção que daria os momentos mais altos e mais baixos da sua carreira, mas antes ele tinha um continente inteiro para conquistar.

No Mundial de 94, nos Estados Unidos, Ronaldo era o mais novo da seleção com 17 anos. O técnico Parreiro levou, mas não usou. O miúdo viu do Banco o Brasil conquistar o tetra campeonato. Foi o campeão do mundo sem pisar campo. Logo após o Mundial, o PSB Einhoven da A Holanda pagou cerca de 6 milhões de dólares para tirar o miúdo do Brasil.

Foi o mesmo caminho que Romário tinha trilhado anos antes. Na Holanda, Ronaldo explodiu de vez. Marcou cerca de 54 golos e 57 jogos pela PSV. foi o goleador do campeonato holandês e mostrou paraa Europa um tipo de avançado que ninguém tinha visto. Forte como defesa, veloz como ponta e com drible curto de um craque de rua.

Foi na Holanda também que o seu joelho começou a dar os primeiros sinais de problema. Em 96, o Barcelona contratou e a época que veio é considerada uma das maiores exibições individuais da história do futebol. Foram cerca de 47 golos em 49 jogos. Gol já arrancada do meio-campo, driblando toda a equipa, humilhando os zagueiros. Houve um golo contra a Compostela que tornou-se um símbolo daquela temporada.

Ronaldo pegou na bola perto do meio-campo, atravessou a defesa adversária inteira, levando três e quatro marcadores pendurados nele e empurrou para a rede. O treinador Bob Robson levou as mãos à cabeça no banco. Era o tipo de jogada que ninguém tinha visto um avançado centro fazer com aquela facilidade.

Nesse ano, com apenas 20 anos de idade, Ronaldo foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. o mais jovem da história receber o prémio, uma marca que se mantém até hoje. O O Barcelona durou apenas uma temporada. A O Inter de Milão pagou uma fortuna na época, um valor recorde para uma transferência e levou o craque para Itália.

Aí vestia a camisola 10 porque a nove pertencia ao chileno Zamorano. E foi em Milão que a imprensa italiana cravou o apelido que o acompanharia para sempre, o fenómeno. Em 97, foi eleito o melhor do mundo de novo e levou também a bola de ouro. Aos 21 anos, Ronaldo era o melhor jogador do planeta, o mais caro, o mais temido. E a Taça de 98 aproximava-se com a hipótese de coroar tudo isso.

O Mundial de 98 era para ser a consagração definitiva do fenómeno. Ele era o melhor do mundo, estava no auge e carregava o Brasil às costas rumo ao Penta. Mas o que aconteceu na véspera da final é até hoje um dos maiores mistérios da história do futebol. No Mundial de 98 em França, Ronaldo confirmou o favoritismo, marcou quatro golos ao longo do torneio, foi decisivo e levou o Brasil até à final contra os donos da casa.

A FIFA elegeria o melhor jogador da competição. Faltava apenas o título para fechar a história perfeita. Ele chegava àquela final com o melhor jogador do mundo em atividade, no auge físico e técnico com 21 anos. O Brasil era favorito e Ronaldo era o nome em volta do qual toda a equipa girava. Tudo apontava para uma noite de consagração.

E depois veio a noite que ninguém explica até hoje. Horas antes da final, na concentração, Ronaldo teve uma convulsão. Roberto Carlos foi um dos primeiros a ver. O crack foi levado às pressas ao hospital, foi submetido a exames e foi libertado sem um diagnóstico conclusivo sobre o que tinha acontecido. As causas levantadas com o tempo foram muitas, desde o stress extremo a reação ao medicamento e nunca nenhuma foi confirmada em definitivo.

O técnico Zagalo já tinha tirado Ronaldo da equipa. A convocatória saiu sem o seu nome e depois, a cerca de 40 minutos do início da partida, o próprio Ronaldo apareceu no balneário a dizer que queria jogar. Zagalo cedeu, tirou Edmundo e recolocou o fenómeno entre os titulares. Foi um erro que custou caro.

O Ronaldo entrou em campo sem condições, mal conseguia andar durante a partida. num lance caiu no chão após um choque com o guarda-redes francês e todo o estádio segurou a respiração. [roncando] O Brasil abalado perdeu por 3-0 com a França de Zidane. O sonho do Penta tornou-se o pesadelo e Ronaldo, melhor jogador do torneio, saiu de França como um dos principais culpados pela derrota no julgamento da imprensa e dos adeptos.

O assunto rendeu tanto que anos mais tarde, em 2001, foi chamado a depor sobre um episódio na comissão de inquérito em Brasília. Aos 21 anos no auge absoluto, o fenómeno tinha vivido a noite mais escura da sua carreira e o pior ainda estava para vir. Se98 foi um golpe emocional, o que veio depois foi um golpe físico que quase encerrou a carreira do melhor jogador do mundo de vez.

Por duas vezes, o joelho de Ronaldo simplesmente cedeu e muita gente decretou que o fenómeno estava acabado. Em 99, ainda no Inter de Melão, durante um jogo contra a Lázio, o joelho direito do Ronaldo cedeu numa arrancada. A patela se deslocou. A imagem assustou o mundo do futebol. foi a primeira grande lesão de uma série que marcaria a carreira dele.

A recuperação mal tinha iniciado quando no regresso aos relvados em 2000, o mesmo joelho voltou a ceder numa lesão ainda mais grave. O rompimento do tendão exigiu a cirurgia e um processo de recuperação que durou cerca de 2 anos. Dois anos parados é uma eternidade no futebol. Ronaldo passou esse tempo longe dos courts, fazendo fisioterapia, lutando contra o próprio corpo.

Boa parte da imprensa e do meio do futebol decretou o fim. Um atacante que dependia tanto da explosão e da velocidade não voltaria mesmo depois de destruir o joelho duas vezes. Era o que diziam. A reconstrução foi lenta e solitária. Cada etapa da recuperação era um teste de paciência para um jogador habituado a resolver tudo na velocidade.

O craque que tinha saído o melhor do mundo aos 20 anos corria o risco real de terminar a carreira antes dos 25, sem nunca ter ganho uma Taça como protagonista. A história poderia ter terminado ali como a de um talento gigante interrompido pelas lesões, recordado mais pela tragédia de 98 e pelo joelhos do que pelos títulos. Ronaldo decidiu que não ia acabar assim.

Regressou aos poucos, primeiro no Inter, reconquistando depois espaço na seleção, sempre com a sombra da dúvida sobre o joelho. Cada jogo era a hipótese de provar que o Ronaldo ainda existia debaixo de todas aquelas cirurgias. Contra o que quase todos previam, Ronaldo voltou e não voltou para ser um ator secundário, voltou para escrever no Mundial de 2002 a maior história de redenção que o futebol brasileiro já viu.

Ronaldo chegou à Taça de 2002 rodeado de dúvidas. Tinha passado dois anos a reparar o joelho e ninguém sabia se o velho fenómeno ainda existia. A resposta vi em campo jogo após jogo. Ele desencantou e não parou mais. marcou em todas as fases, carregou o Brasil e foi recuperando a cada partida o estatuto que as lesões tinham ameaçado a tirar.

Foram oito golos ao longo do torneio, número que o fez melhor marcador da Copa. O time comandado por Felipão e com um trio ofensivo de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho chegou à final contra a Alemanha, em Yokohama. Do outro lado estava Oliver K, o guarda-redes alemão eleito melhor do torneio. Uma muralha que mal tinha sido vazada na competição inteira.

A final era Ronaldo contra Chan e quem ganhou foi Ronaldo. Marcou os dois golos da vitória por 2 a 0. O primeiro nasceu de uma falha rara de C, que largou a bola num remate de Rivaldo e Ronaldo estava lá para empurrar para a rede. O segundo foi a finalização de quem nunca tinha esquecido como se deve fazer. O Brasil era penta campeão do mundo e o homem que 4 anos antes tinha sido crucificado na finais de 98, o mesmo que tinha destruído o joelho duas vezes, era de novo o melhor jogador do mundo.

Até o visual tornou-se marca registada daquela Copa. Ronaldo rapou a cabeça e deixou apenas um tufo de cabelo na parte da frente. O famoso Cascão. Foi uma jogada para desviar a atenção da imprensa que vivia em cima da forma física dele e acabou por se tornar um dos símbolos mais recordados do pinta campeonato.

A redenção de 2002 é o coração da lenda do fenómeno. Foi a prova de que o seu talento era maior que qualquer lesão, maior que qualquer convulsão, maior que qualquer julgamento. Caiu do topo do mundo e voltou ao topo do mundo pela porta da frente. Depois de 2002, ainda vieram Real Madrid dos Galáticos mais recordes e a despedida.

Os números que Ronaldo deixou explicam porque é que mais de uma década depois de parar, continua na conversa sobre o maior avançado de todos os tempos. Depois do Mundial de 2002, Ronaldo foi para o Real Madrid e integrou o Esquadrão dos Galáticos, ao lado de Zidani, Figo, Roberto Carlos e Beckham. Pelo clube espanhol, marcou 104 golos em 177 jogos.

foi duas vezes goleador e bicampeão da La Liga. Ainda jogou pelo Milan e fechou a carreira no Corinthians, onde conquistou o Paulista e a Taça do Brasil de 2009 e despediu-se dos relvados em 2011. Na reforma revelou sofrer de hipotiroidismo, um distúrbio que abranda o metabolismo e que tornou a luta contra o peso muito mais difícil nos últimos anos de carreira.

Foram cerca de 414 golos em clubes e seleção ao longo da carreira. Pela seleção brasileira, 62 golos e 98 jogos, o que o coloca entre os maiores goleadores da história do país. Foram três prémios de melhor jogador do mundo pela FIFA em 96, 97 e 2002. Duas bolas de ouro, dois Campeonatos do Mundo e o recorde que carregou com mais orgulho, 15 golos em Campeonatos do Mundo.

Marca que o fez o maior goleador da história dos mundiais durante 8 anos até ser ultrapassado pelo alemão close em 2014. O recorde dos 15 golos foi fechado no Mundial de 2006 na Alemanha. Ronaldo chegou aquele torneio longe da melhor forma física, alvo de críticas pelo peso e mesmo assim marcou três vezes.

O golo que ultrapassou o histórico de G Miller saiu de uma jogada individual contra a Ghana, com direito a drible ao guarda-redes e colocou o nome dele no topo da lista dos goleadores da Copa, onde permaneceria durante quase uma década. Ronaldo redefiniu a posição de avançado-centro, juntou força, velocidade e drible num pacote que o futebol não tinha visto antes, que se tornou modelo para todas as gerações seguintes de atacantes.

Quem assistiu ao fenómeno no auge descreve algo que os números não captam, a sensação de que cada vez que recebeu a bola de frente para a baliza, alguma coisa de extraordinário estava prestes a acontecer. A história de Ronaldo está repleta de momentos em que tudo podia correr mal. O sonho do Flamengo morreu por falta de dinheiro paraa passagem.

Botafogo e São Paulo recusaram o passe dele. O joelho cedeu duas vezes e quase terminou a carreira no auge. A convulsão de 98 transformou a consagração em pesadelo. Em cada um desses momentos, o caminho mais provável era o fim. Em cada um deles, o talento falou mais alto. Enquanto o Mundial de 2026 acontece e o mundo procura o próximo grande camisa.

A comparação continua sendo com ele, com o miúdo pobre de Bento Ribeiro, Dentusso, que dormia no sofá e não tinha dinheiro para a passagem de autocarro. o guarda-redes que deu errado e virou o fenómeno, talvez o avançado mais letal que o futebol já viu. E uma prova de que, por vezes, o lugar errado no início é apenas o caminho mais estranho para o lugar certo.

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