O ano é 1970 e diziam que Pelé estava acabado, que a seleção brasileira estava em crise. Até porque mudámos de técnico faltando pouco tempo para o Mundial e o planeta não acreditava que era possível jogar com cinco números 10 ao mesmo tempo. Segundo muitos, a tática europeia estava a prevalecer o talento brasileiro, mas o nosso país foi até ao México mostrar que as críticas estavam erradas.
E tudo o que envolveu esta campanha é cinematográfico. Nem os melhores argumentistas conseguiriam descrever tamanho acontecimento, lances históricos, vinganças, reviravoltas e, no final, a decisão de título do país do futebol. Vamos conhecer a história real da melhor seleção de sempre e, sem exagero, a melhor equipa que o jogo já presenciou.
Como boa parte das histórias da seleção brasileira, o início é uma tragédia. Depois das conquistas do bicampeonato de 5862, o O Brasil parecia ser uma seleção invencível, mas o que poderia representar a confiança acabou muito rapidamente se transformando em soberba. A seleção de Aimor Moreira, de 63 a 66 acumulou várias derrotas.
perdeu para o Paraguai 3-0 paraa Argentina, 5-4 para a Bolívia, foi derrotado por Portugal, Holanda, Itália e sofreu uma derrota por 5-1 paraa Bélgica. E como em toda a crise, adivinho que a Confederação Brasileira de Desportes, entidade que depois viria a tornar-se CBF, fez trouxe de volta um campeão para acalmar os ânimos.
O atual treinador campeão do mundo saiu, Armoré Moreira, e Vicente Veola foi contratado para o seu lugar, técnico que tinha sido campeão do primeiro título mundial do Brasil. E no primeiro momento resultou. A seleção voltou a vencer e chegou grande à Taça de 66, no entanto a geração dos craques anteriores estava a aposentar-se ou entrando no final da carreira.
Mesmo assim, Garrincha, Jalma Santos e Belini foram chamados. Pelé, Jainho, Gerson e Tostão também estiveram na convocatória, mas no final a equipa que foi até Inglaterra mostrou-se mal preparado e fraco. A equipa chegou a vencer a Bulgária na estreia com golos de Pelé e Garrincha, mas perdeu a segunda jornada por 3-1 para a Hungria.

Sem o número 10 no Gramato, depois da caçada dos búlgaros no primeiro jogo. Edson tentou voltar para a jornada decisiva contra Portugal, mas de novo foi perseguido pelos defensores e terminou o jogo com a perna enfachada. Sem substituições permitidas, o Rei do O futebol e o Brasil terminaram a participação com mais uma derrota por 3 a 1 e com o 11º lugar num total de 16 seleções responsáveis pela pior campanha da história da seleção brasileira até hoje em Mundiais.
O Brasil saiu de 1966, menor do que realmente era. E pela primeira vez foi possível ver a superioridade física e técnica dos europeus em relação às equipas sul-americanos. Ou seja, estávamos em crise e o que que a Confederação Brasileira sempre faz recorrer aos ídolos. Só que naquela altura a gente só tinha dois técnicos campeões do mundo, desta vez regresso do bicampeonato.
O O treinador Aimoré Moreira voltou a assumir a seleção entre 1966 e o final de 68. Comandou a equipa em 19 jogos com 10 vitórias, cinco empates e quatro derrotas. Com a proximidade das eliminatórias para o Mundial de 70 e percebendo a falta de ligação entre o povo brasileiro e a sua seleção nacional, é aqui que a política começa a influenciar.
O governo viu a oportunidade de transformar os jogadores do futebol em novos heróis nacionais, mas que precisava de passar pela figura de um treinador que, para além de competente fosse carismático. O presidente da CBD, João Avelande, convidou o João Saldanha para assumir o posto. Saldanha é uma das figuras mais interessantes do futebol brasileiro, mas aqui é de salientar que na altura o treinador nem sequer trabalhava como técnico.
Apesar de uma passagem pelo Botafogo há alguns anos, o gaúcho de Alegrete vivia dedicado ao jornalismo. Chegou para a disputa das eliminatórias em 69, num grupo com Paraguai, Colômb e Venezuela. Apenas o primeiro classificado se qualificaria pra Mundial no México. A equipa de Saldanha reunia craques que muita gente achava que seria impossível colocar a atuar juntos, mas resultou.
Foram seis jogos na campanha com seis vitórias. O jogo da classificação, o último contra o Paraguai, foi jogado no o Maracanã com 183.000 adeptos. O golo do 1-0 saiu dos seus pés, Pelé, que colocou o Brasil no Campeonato do Mundo de 1970. O técnico dizia que ele tinha 22 feras e assim ficou imortalizado o nome As feras de Saldanha.
Depois de muitos anos, era uma seleção com cara de Brasil. Mas mesmo assim Saldanha ouviu críticas. Um dos os seus principais inimigos declarados era o treinador do Flamengo na altura, Yustrich, que deu uma entrevista criticando o trabalho de Saldanha e especialmente a sua forma de lidar com a preparação física. A resposta do treinador da seleção foi muito pouco amistosa.
O João foi até à concentração do O Flamengo com o seu revólver procurando tirar satisfação. Por sorte, toda a delegação rubro negra estava a viajar e ele deu de cara com o CT praticamente vazio. Pois é, mas a próxima crise seria com alguém muito mais poderoso. Depois das eliminatórias, a seleção fez uma série de jogos amigáveis, um deles contra o Atlético Mineiro.
O avançado Dário José Santos, mais conhecido por Dadá Maravilha, marcou o golo da vitória do Galo do Amistoso. Mas na verdade Dadá já vinha a abanar as redes há muito tempo e era um dos principais jogadores de futebol. Mesmo assim, não era suficiente para impressionar Saldanha, que considerava que tinha melhores opções para o ataque.
Acontece que Dadar era um dos jogadores favoritos de MS, militar que comandou o país entre 69 e 74. O presidente fez então uma grande pressão para que o avançado central fosse convocado para a Copa. O técnico não obedeceu ao pedido, soltando uma das frases mais famosas da história. Nem eu escalo o ministério, nem o presidente escala latino.
Você tá vendo que nos entendemos muito bem. Portanto, três meses faltando para a Copa começar, João Saldanha foi despedido. João era uma figura extremamente complexa e com fortes opiniões. Porém, de facto, dentro do campo, as férias já não pareciam ser mais as mesmas. No primeiro amigável após eliminatórias, a seleção foi derrotada por 2-0 frente a uma Argentina que nem sequer se havia qualificado.
Noutro confronto contra o Chile, O Saldanha ia deixar o Pelé no banco, mas antes de tomar a decisão oficial foi despedido. Inclusive, a relação entre o rei do futebol e o treinador não era das melhores. E o técnico também queria que Pelé fizesse um exame aos olhos para perceber se não estava com problema de visão. Disse que ele tava cendo.
Aí disse: “Epá, ele está muito mal, sabes? Está cego, já não está a ver. Porra, o cara ficou louco. Eu achei que foi talvez até de maldade dele, mas eh ele ele teria de fazer alguma coisa, teria que se apanhar alguma coisa e conseguiu porque foi um tumulto danado. Até que Zagalo foi anunciado para o comando da amarelinha.
O treinador esteve nas conquistas do bicampeonato de 5862 como jogador e já estava habituado com o meio ambiente. Com pouco tempo de preparação, restando até ao México, era uma aposta o A sua fama era de retranqueiro, não montava equipas bonitas de ver jogar. Num dos primeiros amigáveis, já deu indícios de como pensava o futebol.
Deixou Pelé no banco para iniciar com Tostão, que voltava a ganhar minutos depois da cirurgia no olho. A partida acabou empatada a 0 a 0. Depois do apito final, os adeptos vaiaram a equipa e o técnico. Sob os gritos de retranqueiro, o técnico disse que saiu do estádio com várias ideias de mudança. Um mês depois, a delegação chegava ao México para iniciar a preparação.
Os 22 escolhidos por Zagalo para conquistar o tricampeonato foram Félix, Leão e Ado, como guarda-redes. Carlos Alberto Torres, Brito, Piaza, Everaldo, Marco António, Baldote, Fontana, Joel e Zé Maria paraa defesa. Os médios Clodoaldo, Gerson, Rivelino e Paulo César Caju, enquanto no ataque foram chamados Jairzinho, Tostão, Pelé, Roberto Miranda, Edu e Dadá Maravilha.
Simplesmente assustador a quantidade de lenda que tinha nesse elenco. No dia 3 de junho, o Brasil fez a sua estreia contra a Tchakoslováquia e começaram de titular os números 10 de Santos, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo e Botafogo. Apesar disso, o jogo começou com susto para a seleção. Logo no início da partida, Pelé também falha um golo por baixo das traves.
Foi um prato cheio para quem dizia que o rei estava acabado. E o jogo continuava a todo o vapor, ali e cá, tendo as duas seleções a oportunidade de marcar. Até que acheoslováquia abriu o marcador aos 11 minutos com um golo de Petras. Mas o Brasil não estava morto. Logo Tostão teve uma oportunidade.
Em seguida, numa bela jogada de Relino, o guarda-redes fez uma boa defesa. Aos 20 minutos, cara perder esta chance aí que seria o 2-0 no marcador. É o famoso ditado. Quem não faz? Logo Pelé sofreu uma falta e R Ivelino disparou uma patada. Aquele jogão estava empatado, 1 a 1. E vejam que interessante este lance.
O defesa brasileiro complica-se e recua a bola para o Félix, lembrando que naquela época era permitido. Dito isso, o esquadrão de amarelo continuava testando o guarda-redes, inclusive era a bomba de todos os lados e o guarda-redes adversário estava a fazer uma excelente partida. Até que aos 41 minutos, um lance de golo que se tornou mais famoso do que a maioria das bolas que entram.
O dia em que o coração de todos os amantes de futebol parou durante 3 segundos. Pelé viu o guarda-redes adiantado e arriscou atrás do meio de campo e decide tentar enganar o guarda-redes. E quase, quase, quase quase quase que ele estádio que ele faz o A bola passou perto do poste, mas não entrou. O estádio foi à loucura.
O planeta não acreditou na ousadia do camisa 10 e o rei dava o seu cartão de visitas no México. Aquele lance ficou eternizado como o golo que o Pelé não fez. Em seguida, a Thagoslováquia não aproveitou mais uma chance e o confronto foi para o intervalo com o empate. No início do segundo tempo, houve mais remates dos rapazes e boa defesa do Félix.
Até esse momento, a seleção de Zagalo não estava a fazer uma boa partida. A verdade é essa, mas meu amigo, sabe como é, não é? Quando o jogo está difícil, amarrado, complicado, os grandes aparecem. E depois apareceu Edson Arantes do nascimento. Depois de um passe espetacular de Gerson, o canhoto de ouro, o rei dominou no peito e marcou o seu primeiro golo na Copa.
2-1, reviravolta brasileira. Mas em seguida os rapazes perderam um golo inacreditável. Em 70 já gostavam de homenagear o nosso canal. Estamos juntos. Lembrando, você não podia bobear contra esta equipa. E mais uma vez deram liberdade para o Gerson. E deixar este tipo livre era como deixar um pedaço de carne à frente do leão.
O canhota de ouro achou Jairzinho, que chapelou o arqueiro e fuzilou para o golo. 3-1 para o Brasil. Aos 81, Jair recebe a bola de Pelé e o Furacão faz uma tempestade na defesa adversária e remata no canto do guarda-redes. 4-1 para o Scret brasileiro que deu início à campanha na Taça. Infelizmente o Gerson, autor de duas belas assistências que desafogaram o Brasil no jogo, acabou por sair ferido e ficou fora de ação para a partida contra os atuais campeões do mundo, a Inglaterra.
Para o seu lugar tinha também o grande médio, Paulo César Caju. Vale por dizer que antes da descolagem do Rio de Janeiro, o O treinador Zagalo afirmou que a seleção ia para a guerra armada. Abre aspas, saberemos utilizar a retranca, que é a arma dos adversários, como saberemos explorar o génio, que é a nossa arma. Fecha aspas.
Enfrentar os ingleses logo na segunda volta era pedreira. Os atuais campeões do mundo regressavam 4 anos depois como um dos favoritos. Os britânicos estavam numa invencibilidade de 10 jogos, com apenas uma derrota nos últimos 21, tendo vencido a Holanda de CF nesse período. Foi a Inglaterra que começou por ter as melhores chances. Nos primeiros 10 minutos só deu os gajos, principalmente nos remates do Bob Shon.
Assistindo ao amarelo pela televisão, os telespectadores puderam presenciar uma das defesas mais impossíveis da história do nosso desporto. Jairzinho passou pela marcação no lado direito e cruzou para Pelé no meio da área. O Rei saltou mais alto que o defesa e fez o movimento de cabeceamento que todos os manuais de avançado-centro deveriam ensinar.
Mas o guarda-redes Gorton Banks operou um milagre, foi buscar a bola quase a bater na linha e evitou o golo brasileiro. Depois desse lance, o O Brasil passou a ter mais controlo do confronto, mas ainda muito equilibrado e até um pouco feio, tendo em conta consideração que era as duas últimas seleções campeões do mundo. Aos 30 minutos, Félix faz uma defesaça, mas juntamente com esta grande defesa, simplesmente levou um pontapé na cabeça.
O capitão Carlos Alberto Torres vai para cima do jogador inglês tirar satisfações e logo se inicia um princípio de confusão. Mas naquele momento já deu para notar a força e a união dos brasileiros. Tava todos juntos ali. Félix demorou a recompor-se, mas continuou em campo. Segundos depois, o jogador Li, que deu um remate na cabeça do guarda-redes brasileiro, pegou na bola e partiu para cima, mas não imaginava que o Carlos Alberto Torres estava ainda com muita raiva.
O capitão chegou forte e mostrou para o inglês que aquela competição tinha dono. Começa o segundo tempo e a partida continuava a morte. O esquadrão tentava, mas não conseguia furar a parede inglesa. Observação. Olhando todos os lances da Taça, admito que Fiquei impressionado com que o tal do O Rivelino jogava futebol. Impressionante. Misericórdia.
O cara tinha uma facilidade para cortar e enganar a marcação que era incrível, sem contar a potência do seu remate. Até que o golo do Brasil surgiu com o envolvimento de três génios. Tostão conduziu a bola, driblou entre as pernas de Mur, deixou WS no chão e cruzou para Pelé. O camisola 10 dominou de forma mágica, puxou a marcação de três defesas, rodou rapidamente e não me perguntem como, mas viu o jarzinho e tocou para o camisa sete, que meteu uma bomba na baliza do Gordon Banks.
1-0 para o Scret Canarim, um recado para os atuais campeões do mundo de que o Brasil estava de volta. Mas desengane-se quem pensa que a A Inglaterra tava morta. Continuaram chegando com muito perigo, principalmente com Bob Shon. Em seguida, a bola chega à área brasileira. Everto complica-se e a pelota sobra no pé do inglês.
Era só fazer, mas talvez ele se tenha amedrontado diante do paredão. Ainda houve um remate no travessão dos ingleses e uma chegada perigosa após erro de Félix. Posto isto, fim de papo. 1 a 0 para o Brasil. Uma vitória extremamente importante e quero trazer aqui de novo este lance. Olha como o Pelé recebe essa bola. O natural que todo o jogador faria era cortar e rematar para a baliza, mas talvez até hoje apenas o Pai do Céu saiba explicar como o Pelé sabia que o Jairzinho estava ali.
A equipa do Brasil até então funcionava de forma perfeita. Lembrando que há poucos dias da estreia Zagalo ainda tinha dúvidas. Deveria ou não escalar Tostão, mas o resultado do particular contra a Áustria tinha sido positivo e a opinião dos jogadores que faziam campanha para que os dois jogassem juntos mostraram a Zagalo que era possível unir Pelé com a fera de ouro, como era conhecido o avançado-centro do Cruzeiro.
O último adversário da fase de grupos foi a Roménia. Tínhamos ganho as duas primeiras, mas mesmo assim podíamos não nos classificar. Caso perdesse para os romenos e a Inglaterra vencesse a Checoslováquia por uma diferença de três golos, o Brasil terminaria a Taça na terceiro lugar do grupo. O desfalque de Gerson manteve-se e desta vez a seleção entrou também sem Rivelino.
No seu lugar, Piazza voltou ao meio-coampo e Fontana foi para a defesa. E engana-se quem pensa que foi um jogo fácil. Não, não. O O Brasil começou por criar as melhores hipóteses. e até que abriu o marcador com golo do Pelé de livre. Os homens de camisola amarela fizeram de tudo para perturbar a visão do guarda-redes romeno e conseguiram.
O rei meteu uma bomba em o seu canto e não viu nem a cor da bola. Nesse momento, em três jogos, Edson já tinha calado todos os que diziam que ele estava acabado. E isso existiu, pois depois do Mundial de 66, em que o O Brasil perdeu com o Portugal de Eosébio, o número 10 foi até ao microfone e diz que não jogaria mais Taças do Mundo, porque segundo ele, não tinha sorte em mundiais.
Foram duas taças seguidas em que Pelé se lesionou na fase de grupos, mas a nossa sorte é que o rei resolveu jogar. Em 2019, o próprio voltou a falar sobre a quase desistência e agradeceu-lhe por ter mudado de ideias. Abre aspas, este sou eu depois do O Brasil foi eliminado do Campeonato do Mundo de 66 em Inglaterra.
Eu jurei nunca mais jogar outra. A lição é que nunca se deve ter medo de mudar de ideias. Fecha aspas. Voltando ao jogo, 3 minutos depois do primeiro golo, Jair parte para cima da marcação e toca no PC, que devolve a Jairzinho, que aumenta o placar. O 2-0 dava muita tranquilidade, mas nos minutos seguintes tudo começaria a mudar.
Os romenos começaram a usar muito mais a violência, caçando os craques em campo. Além disso, o treinador substituiu o guarda-redes aos 29 minutos e teve sorte, porque o ataque romeno percebeu que a defesa brasileira estava fora de ritmo e começou a arriscar mais. A Roménia reduziu 2-1. No segundo tempo, a coisa complicou-se e quando complicava era só accionar o rei.
Num passe genial de Tostão, bastou Pelé empurrar para dentro. 3 a 1 para o Brasil. O jogo tornou-se perigoso com o segundo tento apontado pela Roménia, 3 a 2.º Mas a equipa de Zagalo sofreu até ao final, segurou a vitória e a classificação. Dito isto, podemos dizer que as camisas mais pesadas de cada grupo se qualificaram.
No grupo um, passou a União Soviética e o México. Já no grupo dois, Itália e Uruguai garantiram a classificação. No grupo quatro, Alemanha e Peru conseguiram a vaga paraas quartas-feiras. Pela frente, no mata-mata, o Brasil defrontaria a A seleção peruana, comandada por um outro bicampeão do mundo, o brasileiro Didi. Enquanto a Inglaterra defrontaria os alemães, os uruguaios jogariam contra a União Soviética e os italianos apanhavam os donos da casa, os mexicanos.
Dessa vez, Gerson e Rivelino voltaram à equipa, mas Agalo perdeu Everaldo e teve de escalar Marco Antônio. Bora para o confronto que tinha uma orientação clara. Quando Gerson, Rivelino, estava com a bola, automaticamente procuravam Jairzinho, que marcando golos em todas as partidas já recebia a alcunha de furacão da Copa, mas foi Pelé que teve a primeira grande chance.
Gerson fez um grande lançamento, como era comum, e o rei acabou por ficar frente a frente com o guarda-redes, mas desperdiçou. Sim, era incrível como o canhota de Ouro punha a bola onde ele queria. Parecia que controlava a pelota com o poder da mente. Era normal ele fazer isso todo o jogo. Até que aos 11 minutos saiu o primeiro golo brasileiro com Rivelino.
Tostão recebeu à entrada da área e ajeitou com carinho para mais uma bomba do mei-campista. 1-0. Golo do apelidado de Patada atómica, meu amigo. Vejam esta jogada entre Pelé e Tostão. Simplesmente dois génios que se entendiam em frações de segundo. 4 minutos depois, Rivelino retribuiu a Tostão, que marcou o segundo com a ajuda do guarda-redes periguano.
Jogadinha que saiu de um canto curto. Pois é, os gajos tinham muito repertório, mas o jogo não tava ganho. Em seguida, Félix fez uma defesa segura numa bela jogada dos peruanos. Nessa altura também não tinha parvo no futebol, não. Com um início extremamente intenso, talvez o melhor nos mundiais, o Brasil deu bobeira. O estrela da seleção peruana, Teófilo Cubilas, lançou Galhardo, que com a ajudinha do Félix descontou 2-1.
Foi um famoso frango do guarda-redes brasileiro. Antes do final do primeiro, o árbitro marcou este livre indireto dentro da área para o Peru. Toda a seleção brasileira foi defender e resultou. Cubilas rematou para fora. Fim de papo 2 a 1 para o Brasil. Num jogo equilibradíssimo, incluindo os números mostraram bem isso.
Mas antes de eu te contar a reta final, quero-me apresentar. O meu nome é Neto e você está no canal Gol Perdido. Então inscreve-te aí para mais histórias perdidas como essa. Quero também agradecer o carinho que estamos a receber nos últimos vídeos. Dá para notar que estão curtindo mesmo. Estamos juntos. Voltando ao jogo, a sorte da Canarinho é que aquele confronto tinha um dono e o nome dele era Eduardo Gonzales de Andrade, mais conhecido por Tostão.
Mas antes houve uma jogadaça do Rivelino em que Jair apanhou-o na veia, mas a bola foi para fora. Até que aos 52 minutos, Rivelino passou para Jairzinho, que tocou para Pelé, e com um toque subtil e ajudinha da defesa, a bola parou no pé de Tostão que empurrou para a rede. 3-1 para o Brasil, mas os peruanos não paravam de correr nenhum minuto, acreditavam que era possível, até que ao 70, numa grande jogada do Peru, o número 10 Cubilas desconta.
O 3-2 era um resultado perigoso, mas o Brasil demonstrava muito mais qualidade e passou a novamente controlar o jogo. E, meu irmão, é incrível como muitas vezes os grandes craques abdicavam de atacar para defender. Tostão sempre a pressionar e Pelé também era importante a desarmar. E adivinha quem desarmou a bola dos peruanos no último golo brasileiro? Ele mesmo, o rei, aos 75 minutos, recupera a pelota, toca para o número nove, que acha Rivelino, e o médio só tem o trabalho para encontrar Jairzinho, até porque faltava o golo dele, driblo
o guarda-redes e marca o quarto golo brasileiro, o golo que matou o jogo e garantiu a qualificação brasileira para meias-finais da Copa do Mundo. Só para tu ter uma ideia, liga às notas. Pelé 8.1, Jair 8.3, 3, Rivelino 9.6 e Tostão nota 10. Foi um verdadeiro e sofrido Bayern, mas o Peru e o treinador Didi ficaram orgulhosos pelo confronto.

O próximo adversário era também da América do Sul, mas o seu nome trazia muito mais medo e receio do que os peruanos. Depois de 20 anos, o Brasil voltaria a defrontar o Uruguai em uma Copa do Mundo. O fantasma do Maracanasso ainda era recente, era o maior trauma da história do futebol brasileiro, título que, por sinal, sobreviveu até 2014.
O O Brasil perdeu o jogo da final da Taça do Mundo de 50 em casa para os uruguaios. Um empate bastava para conquistar o primeiro título mundial, mas assistiu a reviravolta uruguaia através dos pés de Giga. Aquele meu pesadelo, continuava muito vivo na cabeça dos brasileiros. Dito isso, Zagalo voltou a ter o seu 11 ideal completamente à disposição.
Estamos falando de Félix na baliza, Carlos Alberto Torres na direita. A defesa era composta por Brito e Piaza. Everaldo assumia o posto de lateral esquerdo, o meio abria com o Clodo alto e à sua frente o quinteto mágico. Rivelino, Gerson, Jairzinho, Pelé e Tostão. Enquanto o O Brasil chegava a voar, o Uruguai chegou até à semifinal com uma campanha bem meia boa.
Na fase de grupos, passou com uma vitória com um empate, perdendo na última jornada para a Suécia por 2 a 1. Nas quartos custou a marcar um golo na União Soviética e venceu apenas por 1-0. Apesar disso, quando a bola rolou, o O Brasil viu um fantasma à sua frente. Logo no início, Clodoaldo falha um lançamento e dá a bola aos uruguaios que chegaram fortes.
E a camisola celeste continuava a amedrontar com boas chegadas no ataque. Enquanto os camisa 10 pegavam na bola, desciam a lenha. Até que o defesa Brito errou um passe fácil e deixou a bola nos pés de Morales que encontrou Kubila. bateu fraco, mas o guarda-redes praticamente aceitou. 1-0 para os uruguaios. Não me pergunte o que passou pela cabeça do camisola um, mas lembrando, no Mundial de 50, para muitos, o grande vilão foi também um guarda-redes brasileiro.
Barbosa levou grande parte da culpa pela perda do título. Será que o filme se iria repetir? Foi então que passaram a utilizar a arma mais uruguaia possível no futebol, a catimba. O time brasileiro apanhou como poucas vezes na vida. Os uruguaios revesavam-se para cometer as faltas. Jogo ficou truncado, equilibrado, com hipóteses Laicar.
Até que aos 45 minutos da primeira parte, no meio de tudo isto, surge um herói improvável. Clodo Alto, um volante mais habituado a ajudar na defesa. Sobe tabela com tostão e chuta para encontrar o golo. 1-1, empate brasileiro. O gol animou a seleção no segundo tempo. Logo com uma grande jogada do Jairzinho, Brasil chegou com perigo.
Em seguida, Pelé pega a bola no meio-coampo e faz uma jogada sensacional até entrar na área e ser derrubado pelo defesa Fontes, que ainda pisou a perna do camisola 10. E o árbitro nada assinalou. Naquele momento meteram-se com o gajo errado. O rei não deixou barato e poucos minutos depois acertou uma cotovelada no defesa. Um lance claramente para expulsão, mas feito da forma perfeita para enganar o juiz que assinalou falta para o Brasil no lance.
Momento marcante porque reza a lenda, 1550, o lateral brasileiro Bigode tomou uma bofetada na cara de um uruguaio quando o jogo estava empatado e nada fez. Os dois envolvidos negam o alegado tapo, mas para muitos comentadores foi um ato que demonstrou fraqueza do brasileiro. Não sei se Pelé tinha conhecimento desta lenda, mas a sua ação foi totalmente o contrário. Levou pisão e revidou.
Apesar da possibilidade de utilizar os cartões, o árbitro espanhol deu apenas quatro amarelos num jogo com mais de 20 falta violenta. Depois de tanta porrada, Jairzinho apanha a bola de trás do meio-campo, toca para Pelé, que ajeita magicamente para Tostão, que devolve de forma perfeita a Jair. O O camisola sete escapou, driblou a defesa e fez o golo rasteirin na saída do guarda-redes.
2-1 para o Brasil aos 76 minutos de jogo, mas o Uruguai não estava morto. Bola levantada para a área, Kubila cabeceia e Félix redimiu-se com um milagre. O gol do alívio só chegou nos últimos minutos. Pelé levou a bola até à área adversária e ajeitou-o com carinho para Rivelino, que com a sua patada garantiu a qualificação 3-1 para a seleção brasileira de futebol.
Antes do Brasil comemorar o lugar da final, houve tempo para mais um dos não golos de Pelé. que ficaram para a história. Tostão faz uma jogada de génio e toca para o rei, que passa pelo guarda-redes uruguaio como se nada fosse, só com um drible do corpo, bate cruzado e rasteiro. Mas os deuses do futebol decidiram que ainda não era a hora dela entrar.
Um lance que ficou eternizado, completamente inédito e que só um génio igual a Edson teria capacidade para fazer numa meia-final de Campeonato do Mundo. Depois do trauma de há 4 anos, o Brasil chegava até à final com Pelé inteiro e com um equipa com potencial para entrar para história. Mas do outro lado havia uma Itália que tinha acabado de fazer o jogo do século contra a Alemanha de Backenbauer.
Os italianos chegaram à Copa sem perder há do anos e mantiveram a marca durante a competição. A equipe era liderado pelos craques Gigi Riva do Milan e Sandro Mazola no Interra de Milão. Do outro lado, a Alemanha tinha Guer Miller e Beckenbauer. O jogo iniciou-se a um ritmo acelerado e no segundo tempo Beckenbauer deslocou o ombro.
mesmo assim permaneceu em campo. O 2 a do tempo normal levou a partida paraa prorrogação. Esperava-se 30 minutos de baixa intensidade, mas foi precisamente o contrário. Miller colocou a Alemanha ocidental na frente e depois Burgmich e Riva recuperaram a liderança da Itália. Der Bomber empatou o marcador em 3 a trós erro de Riveira.
Por fim, Revera se redimiu e apenas 20 segundos depois marcou o quarto e decisivo golo que resolveu a partida. Resumindo, esta A Itália era um bicho papão, mas tinha mais em jogo do que isso. Afinal, aconteceria entre dois bicampeões do mundo, a Itália em 34 e 38 e o Brasil em 58,62. O tricampeonato de qualquer dos lados significaria também a conquista definitiva da Julias Rim.
Pelas regras da FIFA de então, quem levantasse três vezes o Mundial ficaria com a taça em definitiva. Era um duelo para ficar marcado na eternidade. O público no Estado de Azteca era de mais de 100.000 pagantes. Só olhando para as imagens já é do gajo arrepiar. Combinação de cores, a icónica bola daquela taça telsta, as bancadas lotadas e coloridas, os balões à entrada, que era uma das grandes características.
Tudo faz crer que ali foi um dos ápices do futebol ou uma mudança de chave completa para o desporto. Mas o que aqui interessa é o campo. A Itália começou com tudo. Félix teve de trabalhar, mas logo a Canarinho passou a controlar o ritmo do jogo com muitos remates à baliza e pressão. Até que aos 18 minutos Tostão cobre a linha lateral e ao tocar no Rivelino, o número 11, antes de receber dá uma vista de olhos à área e quando está nos seus pés efetua o cruzamento.
A bola flutuou em cima dos italianos, encontrou Pelé, que abriu o marcador com uma espetacular cabeçada. O rei voltava a balançar as redes numa final depois de 58, quando com apenas 17 anos trouxe o Mundial para o Brasil da Suécia. Depois do 1-0, o confronto mantém-se equilibrado lá e cá. Mas aos 37, Clodo Alto, o que tinha sido importantíssimo na semi, que tinha apenas 20 anos na altura.
era o mais novo entre os titulares. Foi tentar dar um passe de calcanhar e os italianos recuperaram a bola. Félix sai atrapalhado do golo e sobra para a Bonegna empatar e marcar o 1-1. A partida foi para o intervalo empatada no marcador e com a Itália a ter mais números. Mas antes, vejam o que acontece no final do primeiro tempo.
A bola vai para área italiana e quando ela estava no ar, o árbitro simplesmente apita o fim do primeiro tempo. Meu sim, a bola ficou limpa para o Pelé fazer o golo. E aqui poderia tentar contar uma história um pouco mais emocionante, de superação, com drama e tudo mais, mas este Brasil era simplesmente absurdo e amassou a Itália. Verdade é esta.
Logo no início, por poucos centímetros, Pelé não marcou o seu segundo. Em seguida, em pontapé de livre, Rivelino acerta uma paulada no travessão. Até que aos 66, Gerson devolveu a vantagem ao Brasil num golaço de fora da área. 2 a 1 paraa nossa seleção. Em seguida, o canhota de ouro lança a bola para o local de perigo.
Belé ajeita para Jairzinho que marca o terceiro, completando a sequência de golos marcados em todos os jogos dessa edição. O amasso brasileiro ficou quase completo depois deste espetacular elástico do Rivelino. Meu Deus, jogava muito. Disse quase porque a cereja no topo do bolo ficou pro final.
Ainda sobrou tempo para o rei perder esse golo. Pois é, os Génios também falha, mas aos 87 o golo que cravou que o mundo estava a presenciar a melhor equipa da história. Tostão recupera a bola e toca para Brito que ajeita para Clodo alto. Gerson e Pelé ainda tocam na bola no seu terreno de defesa, mas foi o camisa cinco que deitou e rolou nos italianos e deixou a querida para Rivelino, que encontrou um belo passe para Jair.
O camisola domina, parte para cima e toca para Pelé, que passa com mestria para Carlos Alberto Torres. O lateral mete uma bomba e marca o golo que garante o tricampeonato mundial da seleção brasileira de futebol. Pelé dominou, Carlos Alberto está solto, correu Carlinho, virou golo. Ache Brasil. Maravilhoso, meus amigos, o passe de Pelé para Carlos Alberto, invadido o relvado pelos fotógrafos.
Os jogadores brasileiros emocionados com o golo de Carlos Alberto. É o tricampeonato mundial de futebol. Podem comemorar. Chorem connosco. Com um dos maiores golaços da história e o símbolo ao mesmo tempo, da qualidade coletiva e dos talentos individuais da seleção de Zagalo. Pelé rolou. Carlos Alberto Torres apareceu em velocidade e bateu cruzado.
Um banho de bola no México, 4-1 na final contra os italianos, dos quais o nosso país só tinha vencido uma vez antes dessa partida. Os nossos jogadores calaram-se aqueles que diziam que o futebol brasileiro estava morto ou que o rei estava acabado. O Brasil tornou-se tricampeão, Pelé também. E o esquadrão entrou para a história.
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