FALIDA, HUMILHADA E MAIS: ASSIM VIVE HOJE ESSA CANTORA FAMOSA DOS ANOS 80…
Enquanto esta musa brilhava nas tabelas, o marido desviava toda a sua fortuna e a acudia nos bastidores. Ela vivia um pesadelo, cinco provocados pelo marido e, no final, impedida de ter filhos biológicos. A fortuna construída com tanto esforço, tinha desaparecido. Seus anos dourados de sucesso já havia acabado e ela mal tinha onde morar.
Como está esta cantora hoje em dia? Hermelinda Pedroso Rodrigues de Almeida, mais conhecida por Perla, nasceu a 17 de de março de 1951, na cidade de Cacupé, no Paraguai. criada numa família musical, cresceu ouvindo os acordes da guitarra do pai, um músico habilidoso. Desde pequena que absorvia cada nota e reproduzia as canções com precisão.
Ainda criança, imaginava-se nos palcos enquanto estava a montar um cavalo e tendo o milharal e os animais como plateia. Em casa, a sua mãe sempre a chamou de Pérola que significa Pérola, um nome que se tornaria a sua identidade artística. Isto porque, com o pai e a irmã, que também cantava, integrou o conjunto Las Maravilhas del Paraguai, apresentando-se em festas e ouvindo os aplausos que a faziam sonhar com voos mais altos.
O desejo de expandir os seus horizontes fez com que as duas abandonassem o grupo para atravessar de canoa a fronteira para o Brasil, confiando numa promessa de um empresário que nunca apareceu. Perdidas, passaram uma noite na esquadra até serem levadas para uma churrascaria em Foz do Iguaçu. Foi ali, entre mesas e pratos, que Perla começou a cantar para um novo público.
Eu queria ser artista, ser querida pelo público brasileiro, pelo público do mundo. Assim, todas as dificuldades da infância ensinaram-na a ter resiliência. Desde menina que Perla sonhava viver no Brasil. Escrevia no quadro negro que um dia atravessaria a fronteira. A sua mãe incentivava a jovem a manter este sonho e correr atrás dele.
Quando finalmente conseguiu chegar ao país, em 1970, sentiu que estava exatamente onde estar. O destino levou-a ao Rio de Janeiro, onde começou a atuar no bar e restaurante O bigode do meu tio. Eu queria conquistar o meu espaço e não foi fácil. Foram muitos os momentos difíceis para mim, de saudade da minha família. Passei muito frio, muita fome.
Eu cantava nas madrugadas porque não havia espaço para mim de dia. O seu talento singular chamou a atenção do escritor Nelson Rodriguez, que numa de as suas críticas descreveu a sua voz como um fenómeno raro, capaz de traduzir a paixão das músicas espanholas, a delicadeza das guaranhas e a intensidade da música brasileira.
Foi essa visibilidade que atraiu os olhares dos uma editora que decidiu apostar na jovem cantora. Paralelamente à carreira, Perla também vivia mudanças na sua vida pessoal. Casou com um brasileiro e, por isso, deixou o Rio para viver por alguns anos em Santos, no litoral paulista. Porém, mais tarde mudou-se para São Paulo, onde iria consolidar a sua percurso na música.
A década de 1970, trouxe a realização de tudo o que ela tinha imaginado quando cantava no Paraguai. A sua chegada ao Brasil foi o primeiro passo de uma viagem que a transformaria num ícone da música romântica e popular. A voz forte, grave e carregada de emoção logo chamou a atenção das grandes editoras discográficas e não demorou para que ela se tornasse uma das artistas mais requisitadas.
O grande divisor de águas na sua carreira aconteceu em 1976, quando assinou um contrato com o grupo sueco Abeba para fazer versões das suas músicas para o Brasil. A primeira delas, Fernando, foi um sucesso estrondoso. A canção embalou romances, fez parte da banda sonora da vida de milhares de brasileiros e tornou-se um dos maiores êxitos desse ano.
Eu vou amar-te, Fernando. A partir daí, outras versões vieram como pequenina, Chiquitita e Eu Sei Tudo, professor. Yes, sir, I can Boogie, além de adaptações de êxitos italianos e norte-americanos. O seu repertório romântico e acessível conquistou o público. Ao longo da sua carreira, Perlaçou mais de 30 álbuns e acumulou números impressionantes.
11 discos de ouro, dois de platina e um de platina duplo. Foram mais de 15 milhões de discos vendidos. Um feito raro para qualquer artista latino-americano. E Perla também se aventurou no cinema participando nos filmes O estranho vício do Dr. Cornélio e de Nero Maldito dos anos 70. Quer que eu passe uma cantada nele para que possa estar à vontade com ela? Isso mesmo.
Deixe comigo, tá? Eu sei disso. Você é muito inteligente. A sua presença na TV também era constante. Era figura frequente nos programas de auditório, sobretudo no programa Silvio Santos, onde aparecia deslumbrante com os seus longos cabelos negros, dobrando os seus sucessos e arrancando calorosos aplausos.
O seu auge estendeu-se por toda a década de 70 e início dos anos 80. Durante um período, chegou a lançar dois álbuns por ano, mas a sua popularidade não se limitava ao Brasil. Perla fazia digressões pelo exterior e era celebrada em toda a América Latina. A sua capacidade de interpretar canções em português e espanhol ampliou o seu alcance, consolidando-a como um artista de renome internacional.
Naqueles anos áureos, Perla viveu o sonho que nutrira desde menina. O seu nome estava entre os grandes da música brasileira. As suas canções tocavam nas rádios e o seu rosto estampava as capas das revistas. Mas o que ela não sabia é que no futuro a sua vida passaria por provações que colocariam à prova a força que ela tinha construído.
Desde jovem, Perla sonhava ser mãe. Tinha um instinto maternal aguçado, forjado na infância ao cuidar dos cinco irmãos enquanto os pais trabalhavam. Mas a vida impôs-lhe uma dor cruel. Após cinco abortos provocados pelo ex-marido, ela foi impedida de ter filhos biológicos. Foi então que o destino interveio de forma inesperada.
Durante a participação num programa de televisão apresentado por Cristina Rocha, Perla assistiu a um momento único. Uma mulher de costas para as câmaras estava a doar uma bebé de apenas 21 dias. Naquele instante, algo dentro dela acendeu. “Esta é a minha filha”, pensou, sentindo uma ligação imediata. O que tornou tudo ainda mais especial foi a coincidência marcante.
Ambas nasceram no dia 17 de março com 30 anos de diferença. O nome da menina não poderia ser outro senão Perla. Para a cantora, a adoção foi o maior ato de amor da sua vida. Apesar do brilho intenso nas décadas anteriores, a A carreira de Perla começou a perder espaço nos grandes media nos anos 90. Com as mudanças na indústria discográfica e o aparecimento de novas tendências musicais, as suas versões de êxitos internacionais já não tinham a mesma força nas rádios.
Ainda assim, a cantora seguiu se apresentando, mantendo-se próxima do público fiel que a acompanhava desde os tempos áureos. sem o apoio das grandes editoras discográficas, passou a lançar discos independentes, muitos deles financiados pelo clube de fãs. Em 1999, lançou o CD especialmente para si, seguido de Perla Canta Abeba e outros hits em 2002, revivendo a sua paixão pelas versões musicais.
Mesmo longe dos holofotes, continuou a fazer espetáculos e elevando a sua voz para diferentes palcos pelo Brasil. Durante anos, Perla brilhou, encantando multidões com a sua voz marcante e presença magnética. Mas nos bastidores a sua vida pessoal era um contraste cruel com o sucesso profissional. O casamento, que começou como uma promessa de amor e parceria, tornou-se uma prisão de abusos e traições.
Casada com o seu empresário, Perla depositava nele não só a sua confiança, mas também o seu futuro financeiro. O que ela não sabia era que enquanto enchia concertos e vendia milhões de discos, ele desviava grande parte dos ganhos. Depois, vieram os abusos físicos e psicológicos. Eu tinha que ficar calada e cantar”, desabafou numa rara entrevista sobre os anos de terror que viveu ao lado do ex-marido.
Os sinais de violência eram silenciados pelo medo e pela pressão para manter as aparências. Eu não podia ficar arrefecida, não podia ficar menstruada, não podia ficar rouca. Tinha que trabalhar, havia ser o que tinha de ser uma máquina de faturamento. Nos bastidores era obrigada a suportar as humilhações, enquanto em palco precisava de sorrir e continuar a encantar o seu público.
Com o passar do tempo, o controlo do ex-marido sobre a sua vida se tornou insustentável. Quando finalmente conseguiu libertar-se desse relacionamento, Perla viu-se num cenário desolador. A fortuna, construída com tanto esforço, tinha desaparecido. As suas economias estavam esgotadas e ela mal tinha onde morar. A decepção e a solidão levaram-na a um comportamento inesperado.
Começou a acumular objetos de forma compulsiva, preenchendo a sua casa com recordações de um passado que parecia escorrer entre os seus dedos. Diagnosticada com transtorno de acumulação, Perla passou a viver no meio ao caos. A sua casa, antes um refúgio, tornou-se um labirinto de objetos empilhados que para ela tinham um enorme valor sentimental.
Eu sentia que se deitasse algo fora, estaria a perder mais uma parte de mim”, confessou entre lágrimas ao recordar esta fase sombria. Foi apenas com a ajuda externa que conseguiu dar o primeiro passo para reverter esta situação. Num momento de desespero, Perla recebeu o apoio do apresentador Geraldo Luiz, que ao cobrir a história no seu programa, mobilizou esforços para ajudá-la a recuperar a dignidade.
O programa não só revelou ao público o estado crítico da sua casa, mas também promoveu uma grande ação para reorganizar a sua vida. Diante das câmaras, Perla chorou ao ver o seu lar limpo e livre dos excessos que se tinham tornado uma prisão emocional. A superação deste período difícil não foi imediata, mas marcou o início de uma nova fase.
Aos poucos, Perla foi reconstruindo a sua autoestima, compreendendo que a sua identidade não estava ligada aos bens materiais que acumulava, mas sim a sua voz, a sua história e ao carinho dos fãs, que nunca deixaram de apoiá-la. A Record apoiou ainda Perla em mais um momento de pura emoção. Após enfrentar traições, dificuldades e perdas, Perla reencontrou finalmente a sua família no Paraguai.
O regresso às raízes foi carregado de sentimentos intensos, pois a cantora não via os seus familiares há muito anos. O encontro foi marcado por uma descoberta comovente. Uma de as suas irmãs, já falecida, deixara um presente para ela, um gesto simbólico, carregado de memórias e afeto, como se ainda estivesse presente em espírito, acolhendo-a de novo no lar.
Perla, emocionada, abriu o presente diante das câmaras e das lágrimas dos parentes. Ali, entre abraços e recordações, ela percebeu que, apesar de tudo, nunca esteve sozinha. Sua história, a sua música e o seu coração sempre pertenceram àele lugar. O reencontro não foi apenas um regresso ao Paraguai, mas um reencontro com as suas raízes e a sua própria essência.
Mesmo com a distância que manteve da sua família, a cantora tem muito orgulho em ter transformou a dura realidade em que viviam. Em entrevista, contou que conseguiu dar três casas aos pais e que ajudou no sustento de todos os seus irmãos. Após anos de dificuldades, Perla criou um novo capítulo na sua trajetória.
Em 2018, a cantora lançou a sua autobiografia Perla, a eterna pequenina, que narra a sua ascensão, desafios e superações ao longo da sua percurso pessoal e carreira musical. A grande reviravolta surgiu em 2021, quando após um concerto em Cascavel, no Paraná, conheceu os empresários José Eduardo Sampaio e Roberto Caifer.
Enxergando o potencial e a importância do seu legado, eles decidiram investir na sua retoma artística. Com isto, Perla voltou aos palcos, dando início a uma nova série de apresentações pelo Brasil, além de lançar um site oficial e começar a planear um novo álbum e DVD. Apesar da rotina de concertos, a cantora escolheu viver longe do burburinho das grandes cidades.
Atualmente, vive numa quinta isolada na Granja Viana, em São Paulo, rodeada de natureza, onde leva uma vida simples e tranquila. Aos 74 anos, Perla sente-se em paz e abraça a nova fase da vida com leveza. revelou que nunca fez plásticas e rejeita qualquer preocupação com a idade. Ela tornou-se também bisavó de um menino e sempre que possível aproveita para passar tempo com a sua família.
Com o coração repleto de gratidão, Perla Paraguaia continua a encantar plateias, provando que a sua voz ainda emociona gerações. Com mais de 30 álbuns lançados, a cantora reafirma sempre a sua gratidão ao Brasil e aos brasileiros. Já conhecia a história da cantora Perla? Qual a música desta musa que mais gosta? Já me diga nos comentários, inscreva-se e deixe o seu gosto.
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