“O ITALIANO NÃO IA DEIXAR O HEXA”: RONALDO E ROMÁRIO E o RECADO BRUTAL APÓS A ELIMINAÇÃO QUE CHOCOU

“O ITALIANO NÃO IA DEIXAR O HEXA”: RONALDO E ROMÁRIO E o RECADO BRUTAL APÓS A ELIMINAÇÃO QUE CHOCOU

Eu não estou aqui a dizer que o Ancelote é o principal culpado, mas tem culpa para caralho nesta derrota. Muita coisa. E outra coisa, vou fazer-te uma pergunta. Ele tira o o o Guimarães, Bruno Guimarães, e põe o Éerson a que e porquê? Quero perceber qual o que que ele quis fazer naquela porra. Eu também não percebi, mas vamos lá também. Eu estou a ser advogado do diabo.

Não, B. Olha aqui, não temos lateral. Aí tinha o tempo porque não convocou. Pera lá. O lateral que primeiro erro. Vamos lá. O seu lateral direito, convocou o lateral direito, o lateral se lesionou, ele convocou o defesa. Pois, o lateral direito dele era o Militão. Sim, mas eu estou a falar, ele convocou o O Oli magoou o gajo, o gajo que tinha que ter trazido outro lateral, ele trouxe outro. Não sei, porra.

 Mas, porra, problema. Não tem o futebol brasileiro, mas há alguém melhor do que o Éerson para fazer a lateral do que o lateral. Nós temos bons jogadores que fazem diferença nos seus clubes, mas que na seleção têm que estar bem entrosadinhos também, não é, para para eles renderem o que rendem no clube, não é? Vemos o quão determinante é o Vini no Real Madrid, queremos isso dele aqui.

 Eh, e ele tenta muito isso também, ele vai para cima, mas às vezes não acontece. Mas assim, logicamente são os dois principais jogadores, não é? E e o adepto vai cobrar, vai cobrar. Por mais que eu, particularmente, eu gosto do Hendrick, acho que ele vai ser ainda um jogador que nos vai dar muita felicidade, mas ontem foi terrível.

 Depois muita gente diz: “Ah, o O Andrick é novo, foda-se que é novo, ele tem de fazer a porra do golo, novo, meio velho, que se foda. Se ele está ali, ele tem essa responsabilidade de fazer o golo. Não tem jeito nenhum. Esta culpa de que do Hendrick ter falhado o golo foi do Hendry que tem chegar ali e tem de se concentrar para fazer o golo, porque ela ali é a última bola, é a bola decisiva, a bola que vai decidir o jogo, mas o jog jogo de Campeonato do Mundo.

 Ou seja, por mais que eu particularmente, gosto do Hendrick, eu acho que ele ainda vai ser um jogador que nos vai dar muita felicidade, mas ontem ele foi terrível. o Neymar a 100% fisicamente, que não é o caso do Neymar de hoje. Por isso é que eu disse que na neste jogo de ontem o Neymar não seria titular. Agora, pá, ninguém pode ter a ousadia ou a coragem de colocar a culpa do Neymar em algum tipo de resultado positivo.

 Acho uma sacanagem, cara. Inclusive, quero aproveitar aqui, ele próprio disse que é a última Taça dele, felicitá-lo por essas Taça do os quatro Campeonatos do Mundo. É o único brasileiro que, se não me engano, fez quatro golos em Campeonato do Mundo e agradecer o Neymar por tudo o que nos proporcionou com a camisola da seleção brasileira.

 Romo, como se vê? De la culpa, Romo, entrenador decepción. Brasilecepcionou uma coisa imprante. Brasil que hoje não é o Brasil que conocemos, que queremos. Por que que o Vinícius Júnior entregou a bola para Bruno Guimarães bater o penálti contra a Noruega? O Brasil foi eliminado pela Noruega na Mundial com destaque para o O avançado Halland, que marcou dois golos na partida.

 Mas o que chamou a atenção foi o Vinícius Júnior não bater o penálti que poderia mudar completamente o jogo. Acabou por entregar a bola para Bruno Guimarães bater, que acabou por falhar, rematou a meia altura no lado esquerdo do guarda-redes. Vinícius Júnior foi muito criticado por não assumir a responsabilidade, pois ele é o grande protagonista desta seleção.

 Em entrevista após jogo, Vini Júnior revelou, não bateu o primeiro penálti contra a Noruega, porque a escolha do batedor já tinha sido definida por critérios estatísticos da comissão técnica liderada por Carlo Anchelote. Vocês tm noção que esta decisão mudou completamente o jogo. Vini Júnior é o nosso melhor jogador.

 Ele tinha que ter batido penálti no lugar do Bruno Guimarães. Eu sou o gajo que mais moral dá ao Vinícius Júnior. Então eu posso falar num jogo destes, oitavos de final de Taça, é o gajo da equipa que tem que chamar a bola, é o tipo da equipa que tem que apanhar a bola, meter debaixo do braço e cobrar o penálti.

 Eu acho, sem querer pá dono Guimarães, sem querer meter culpa no Rini, mas num jogo destes, jogo grande, o gajo da equipa é o que tem que apanhar a bola. Dá-me, eu que vou bater o penálti. A minha opinião. É ele, é o gajo que está a decidir a Copa, é o gajo que está carregando o Brasil. Deu senti falta o Vinícius Júnior a pedir a bola e a cobrar o penálti.

Porque não Vinícius Júnior e o o Bruno Guimarães? Porque fizemos una estatística de de un ano dos jogadores de rival também de nostro o a tirar o penalti Neymar depois depois Drafha e depois Drafiña e Bruno era Bruno Guimaris e depois Bruno Guimarais era Martinelli e escolhemos Bruno Guimarais porque pensávamos que era o melhor no campo.

Não tinha, não gostava de bater penálti, no meu entendimento, golo de penálti estava por fora. Eu eu era a minha visão assim, portanto nunca prestei atenção nisso. E nesse quando acabou o jogo, cara, se há determinados momentos que tu tens que estar ali e pôra, mostrar o que que tu és.

 Eu sei, sabia do meu tamanho, sei da minha, sabia da minha responsabilidade e sabia que ali os rapazes confiavam em mim. Então, porra, meu irmão, esta é a hora do grande. E eu era grande, percebe? E ali eu era o maior. É. Então eu disse: “Meu irmão, a tá quem vai bater?” Eu disse: “Professor, pus o dedo assim, queres bater?” Eu disse: “Quero, não vou bater, pode pôr esta porra”. Depois foi isso que aconteceu.

Pegar na caminhada para esta paragem, mano. Foda-se, né? Porra, [ressonando] uma eternidade tenso, não é, meu irmão, Taça do Mundo, todos ali a olhar e a responsabilidade que eu tinha mais do que os outros pelo que eu tinha dito e que toda a gente tinha ouvido. Então, de que se realmente acontecer um resultado negativo, o maior culpado sou eu que tô vou est preparado para isso.

O seguinte, era foi fodido, foi um peso do caralho. Ela e ela vão e que tu pens tu pensaste em bater da forma como bateste? Tu apanhaste bem errado. Eu, de facto assim, é, foi, não foi errado porque ela entrou, mas o o objetivo não era bater na trave, era para entrar diretamente ali naquela na lateral na lateral ali da É, não, naquele jeito ali.

 É, é, pá, quando pegas na trave, mano. Porra, o meu cu fez assim, ó. [risos] Piscou. É verdade que não treinava penáltis? Não, não estaria numa lista de decisão por perto. Quando foi para decisão por perto do Mundial, falou o professor, deixa comigo. Eu vou bater isso aí. É, é a minha vez.

 Eu eu tinha naquele até aquele momento, tinha batido dois penaltis. Um penálti foi pelo Barcelona. em Barcelona perdi. E o outro penálti foi uma final que o PSV jogou, não sei se foi Nacional, independente, uma final no em Tóquio que acabei por fazer. Então assim, não era grande fã de bater penálti. Foi de campeão de clube. É isso.

 Afinal PSV e nacional, independente, alguma coisa. E eu não era muito de de treinar penálti, porque eu particularmente não gostava de bater penáltis. Não gostava era de treinar também, certo? Também. É, também. E no final, na final eu, assim, entendi que quando a gente é grande, Galvão, o grande tem de aparecer nos grandes momentos.

 Então assim, eu tinha uma uma responsabilidade maior, não sei se maior do que os outros, mas pelo que eu tinha dito, pelo que me tinha comprometido com o Brasil, tinha a certeza que ali aquela ali era o meu momento, era a minha hora. E o Parreira começou a perguntar quem iria bater e eu levantei rapidamente o dedo.

Professor, estás comigo? Quer? Eu disse: “Claro, claro que eu quero.” Depois fui lá e bateu na trás. Quase matou a gente do coração. Pois, quase me matou também. 24 anos. É esse o tamanho da nossa vergonha. 24 anos sem levantar uma Taça do Mundo. E agora em 2030 vamos completar 28. O maior jejum da história da seleção mais vencedora do planeta.

 E o pior de tudo não é ter perdido, o pior é como perdemos paraa Noruega. Hoje, dois nomes que sabem o que é ser campeão do mundo, dois tipos que ergueram a taça de verdade, saíram do silêncio para falar o que toda a claque estava gritando. Ronaldo Fenómeno e Romário não pouparam ninguém. E o que disseram sobre o Vinícius, sobre o Anchelote e sobre esta seleção vai doer.

 Mas é a verdade que ninguém teve coragem de dizer. Então, cola aqui até ao fim, porque hoje vamos falar sem filtro. Vai doer, mas é necessário. Deixa-me começar pela cena que resume tudo. Minuto 13 do primeiro tempo. Cunha invade a área, sofre o penálti. Pênalti para o Brasil cedo contra uma Noruega que ainda estava a ajeitar-se.

 Era o momento de sair na frente, de calar o estádio, de tomar o controlo. E aí aconteceu a cena mais surreal da noite. Quem apanhou a bola para bater não foi o Vinícius, não foi o Neymar, não foi o Cunha, não foi o Ryan, não foi o Martinelli, foi o Bruno Guimarães, um médio-defensivo, um tipo que na carreira inteira tinha batido três penáltis, três, e colocaram nas costas dele a responsabilidade de abrir o marcador numa oitava de final de Taça do Mundo.

 Ele caminhou para a bola com o pânico estampado nos olhos, bateu no meio da altura e o Neiland defendeu sem esforço nenhum, balde de água fria. E ali, naquele preciso momento, muita gente já sentiu o que ia acontecer, porque um equipa que desperdiça assim, uma equipa tão confuso que nem sabe quem bate o penálti, é uma equipa que não está pronta.

E é aqui que entra a primeira paulada, a que veio do maior dos maiores. Ronaldo Fenómeno, bicampeão mundial. O tipo que carregou o Brasil às costas em 94 e em 2002 não engoliu esta eliminação calado e foi direto ao ponto que ninguém queria tocar, o Vinicius Júnior. Ronaldo disse com todas as letras que o Vinícius também tem de assumir a responsabilidade, que toda a gente sabe o talento que ele tem, mas que esta não foi um bom Mundial dele, que ele nunca apareceu nesta seleção, o jogador que domina o mundo com a camisola do clube,

que na altura em que o Brasil mais precisou das suas estrelas, elas simplesmente não apareceram. E deixa-me dizer-te porque que isto é tão pesado. Porque não é um qualquer jornalista a falar, não é um adepto revoltado no Twitter. É o Ronaldo, o maior avançado-centro da história do futebol brasileiro.

 Um cara que quando o Brasil precisou, em 2002, saiu do inferno das lesões e fez com que os dois golos da final. Ele sabe exatamente o que é ser a estrela que decide. E quando um gajo deste tamanho olha para o Vinícius e diz: “Não apareceste quando a gente mais precisou”. Não tem defesa possível, porque é a mais pura das verdades.

 O Vinícius que engole um defesa no Real Madrid, que decide Champions, que é o melhor do mundo aos fins de semana. Esse Vinícius nunca desembarcou nessa Copa. E um talento deste tamanho, escondido bem na hora mais importante, é um crime contra a camisola amarela. Mas o Ronaldo não parou no Vinícius.

 E aqui a coisa fica ainda mais quente, porque ele virou a mira para o banco de suplentes, para o homem que ganha 5 milhões por mês para comandar esta seleção, o Carlo Ancelote. E o fenómeno foi lapidar. Disse que o Anchelote cometeu demasiados erros, que até hoje não percebe porque é que o João Pedro nem sequer foi convocado.

 E presta muita atenção nisso, que ele não compreende porque o Hendrick passou a maior parte do torneio sentado no banco. Segura essa frase porque ela é uma bomba. O Hendrique, o menino de ouro, a jóia que o Real Madrid pagou uma fortuna. O cara que quando entrou contra o Japão participou no golo da classificação, o cara que contra a Noruega entrou no segundo tempo e com um minuto em campo já teve uma chance claríssima de golo, frente a frente com o guarda-redes.

 Um minuto foi tudo e o que ele precisou para assustar. E este miúdo, esta força da natureza, esteve a copa inteira a apodrecer no banco enquanto o Ancelot insistia em jogadores apagados. Ancelot errou e errou muito, mas nem muito, muito nesta Mundial e vocês não dizem nada usar o Neymar apenas neste jogo. Agora nós não temos melhor jogador do que o Neymar, caralho.

 Qualquer lugar do mundo preservari o Neymar. Um técnico tem obrigação de montar um esquema para preservar o seu ídolo, o seu melhor jogador. Como jogou lá, a equipa jogou pro Highland à espera de uma ou duas bolas. E aqui no Brasil é muito bom. É, é, é, é descartado. Os técnicos brasileiros estão a ver aí. Se fosse o técnico brasileiro, vocês estão arrebentado com o técnico brasileiro.

 A imprensa não não diz nada porque vocês são subsvientes dos europeus. Vocês querem o Brasil como futebol europeu. Nós não vamos ser europeus. Nós precisamos de dibores diferentes. Jogar contra a Noruega, um equipa fraca para cacete e nós ficávamos 90 minutos a defender contra a Noruega. Onde é que assumiu isso? O Brasil defender, ter posse de bola da Noruega.

 65% e o Brasil nada. Porra, já que não tens consciência disso, a imprensa não consegue ver esta merda que o Brasil jogou com medo da Noruega, porra. [música] Como é que vocês querem alguma coisa com o Brasil, porra, se vocês estão a acabar com o Brasil, [música] sem brilho, sem peso. Quando o Ronaldo pergunta porque é que o Hendrique ficou no banco, ele está a fazer a pergunta de 60 milhões de brasileiros.

 E o silêncio do Ancelote como resposta é ensurdecedor. E depois diz-me uma coisa, adepto, como é que explica isso? Um técnico que ganha R$ 5 milhões deais por mês, que tem um contrato blindado até 2030, acontecer o que acontecer, ganhe ou perca, que ainda por cima aparece a fazer publicidade de cerveja enquanto a selecção afunda.

 Este gajo apanhou o Neymar, o maior batedor de penáltis que a gente tem, o jogador mais decisivo do plantel e deixou-o no banco num jogo de mata a mata, decidido nos detalhes. deixou o Hendrick no banco, pôs um volante para bater o penálti mais importante do ano e quando tudo correu mal, quando o Halland fez os dois golos e eliminou-nos, a conta chegou, mas quem paga a conta não é ele, que se mantém rico e empregado até 2030.

Quem paga a conta é a claque, somos nós. E foi exatamente neste ponto que o Romário entrou em campo. Porque se o Ronaldo trouxe a análise fria de quem entende de golos, o Romário trouxe a revolta de quem tem o sangue quente. O baixinho, campeão do mundo em 94, um dos maiores génios que esta terra já pariu, não escondeu a indignação e resumiu o sentimento de um país inteiro numa frase que é um murro no estômago.

 Esse não é o Brasil de sempre. Esse não é o meu Brasil. E como dói ouvir isto, porque é verdade. Este não é o Brasil que enfiava cinco na Europa sem pedir licença. Não é o Brasil do Romário e do Bebeto a dançar à beira do campo. Não é o Brasil do Ronaldo, do Ronaldinho, do Rivaldo, aquele trio que fazia de defesa europeu acordar a suar de madrugada.

 Esse Brasil de hoje é uma equipa sem identidade, sem alma, sem aquela malandragem que fazia o mundo inteiro parar para ver. A gente tornou-se uma equipa comum, um time que controla a bola e não faz nada. que tem os nomes, mas não tem a coragem, que enche a boca para falar de exa e cai de novo nos oitavos para o mesmo tipo de seleção que a gente humilhava no passado. O Romário tem razão.

 Esse não é o nosso Brasil. E talvez o mais triste seja perceber que já não o é há algum tempo. E quando pára para medir o tamanho do buraco, dá tonturas. 24 anos sem uma copa. Para que perceba o que isso significa? Tem adepto brasileiro adulto, casado, com um filho, que nunca na vida viu o Brasil ser campeão do mundo.

Nasceu depois de 2002 e só conhece o Exa como uma lenda que os pais contam. A gente que já ergueu cinco taças, que tem mais taças do que qualquer outro país do planeta, que é o único a disputar todas as as taças da história, tornou-se coadjuvante. Esta é a pior campanha desde 1990, quando caímos nas oitavas para Argentina do Maradona, de 36 anos, e a gente voltou a tropeçar na mesma pedra, na mesma fase, com o mesmo sabor de fracasso na boca.

 E o mais vergonhoso, perdemos com a Noruega, uma seleção que a gente nunca tinha conseguido vencer em cinco confrontos na história. Três derrotas e dois empates. Vira e mexe, este fantasma escandinavo aparece para assombrar-nos e a gente nunca aprende a lição. E é por isso que o discurso do Ronaldo e do Romário magoa tanto, porque não é birra, não é saudosismo de velho reclamão.

 é a constatação de quem viveu o topo e agora assiste: “Impotente o Brasil se habituar à mediocridade.” Quando estes dois falam, não é inveja da nova geração, é cobrança de quem sabe o tamanho que esta camisola tem e não aceita vê-la a ser tratada como uma camisa qualquer. Eles ergueram a taça, têm autoridade moral para exigir.

 E o que estão a exigir é simples. Respeito pela história do Brasil. E não se fica por aqui, porque teve um pormenor que envergonhou ainda mais. A meio do jogo, alguns jogadores Os brasileiros ainda tiveram a ousadia de fazer aquele bailinho de deboche, o créu, para provocar os noregos. Provocar com que moral? Com que autoridade? Você está a empatar com a Noruega numa Taça do Mundo, uma equipa que nunca te venceu na história e ainda tem cara de sobrar para troçar do adversário.

 A arrogância de uma equipa que não ganha nada há 24 anos. E sabe como a Noruega respondeu ao deboche dentro de campo, com seriedade, com organização e com o Ralland a fazer dois golos para nos calar a boca. A lição mais dura de todas, a humildade. A gente perdeu a humildade e o futebol cobrou a fatura na hora.

 Agora deixa-me tocar na ferida que mais arde nesta história toda, porque é a raiz de tudo. Como é que o Brasil, o país do futebol, o penta campeão do mundo, o celeiro que exporta jogador e craque para o planeta inteiro, chegou ao ponto de necessitar de contratar um técnico estrangeiro para dirigir a seleção.

 Como assim? Não existe um brasileiro capaz de comandar o Brasil. Isto é uma humilhação que a gente naturalizou”, aceitou em silêncio. A confederação assinou por baixo dessa ideia absurda de que precisamos de procurar lá fora aquilo que sempre soubemos fazer melhor do que ninguém dentro de casa. E o resultado está aí.

 Um italiano, por mais vencedor que seja na Europa, que não conhece a alma do futebol brasileiro, que não compreende a nossa pressão, a nossa cultura, os nossos vícios e as nossas virtudes, sentado no banco da seleção penta campeã e falhando como tantos falharam antes. Porque no fim, meu amigo, a eliminação foi merecida.

 Doeu escrever isso, doeu pensar isso, mas é a verdade nua e crua. A Noruega mereceu passar, foi mais organizada, foi mais disciplinada, teve o Nyland a fazer defesa atrás de defesa e teve o Halland aproveitando cada erro nosso, que foram muitos. O próprio Ronaldo reconheceu a este nível, um ou dois erros acabam com a sua Taça.

 E nessa noite a gente cometeu demasiados erros. O penálti perdido, o Hendrick no banco, o Neymar no banco, as escolhas erradas, a arrogância, tudo juntou-se para construir mais um capítulo do nosso pesadelo. E deixa-me lembrar-te como foi a facada final, porque esta resume a nossa fragilidade. Depois de desperdiçar o penálti, depois de dominar a bola sem fazer nada com ela, nós foi punido da forma mais cruel.

 Minuto 34 do segundo tempo. Cruzamento pela esquerda e o Rand subiu mais alto que o Gabriel Magalhães para testar de cabeça. Sem hipóteses para o Alisson. 1-0. E 10 minutos depois, quando nos abrimos na desesperança para procurar o empate, o Cborg apareceu de novo, recebeu na quina da área com espaço de sobra e bateu rasteiro e cruzado, enquanto o Danilo chegava tarde, sempre tarde. 2-0.

 O Rand chegou aos sete golos na taça, empatado com o Messi e com o Mbappé na artilharia. Um monstro. Mas o que mais dói não é o talento dele. O que dói é que deixámos um gajo desse tamanho brilhar contra a nossa defesa como se fosse um treino. A gente facilitou, a gente entregou e ele, claro, não perdoou.

 E o golo do Neymar no fim de grande penalidade, nos descontos, aquele que fez a gente sonhar durante 3 minutos, só serviu para tornar tudo mais amargo, porque foi tarde demais. Foi o golo da despedida, não o da reação. Foi o Neymar, aquele que devia ter começado por jogar, marcando quando o caixão já estava fechado. Uma metáfora perfeita da nossa taça.

 O nosso melhor recurso utilizado tarde, quando já já não dava para mudar nada. Mas eu não te posso deixar só na dor, porque não pode ser essa a mensagem. A pergunta que fica, a que realmente importa, é uma só. A gente vai sair desta algum dia? A gente vai voltar a ser campeão do mundo algum dia? E eu quero acreditar que sim.

Mas, para isso, alguma coisa precisa mudar de verdade. E não é trocar um técnico por outro, é mais fundo. É recuperar o respeito por nós próprios, pela nossa história, pela nossa camisola. É deixar de externalizar a nossa identidade. É voltar a valorizar o miúdo de ouro que a gente tem, como o Hendrick, em vez de o deixar apodrecer no banco.

 É voltar a jogar com aquela alegria e aquela coragem que fizeram o Brasil ser o Brasil. Porque o talento a gente tem, sempre teve. O que falta é reconquistar a alma que o Romário disse que a gente perdeu. E aí quero-te cá em baixo, porque este é o momento de desabafar de verdade. Você concorda com o Ronaldo de que o Vinícius tem de assumir a responsabilidade ou acha que atiraram-no para a fogueira? Acha que a culpa maior é do anti-elote, do elenco ou da confederação que trouxe um estrangeiro? E responde com sinceridade essa última. Acredita que o Brasil

vai ganhar o ex algum dia ou a gente se afundou de vez? Solta tudo nos comentários sem medo que leio um por um e respondo aos mais sinceros. Se esse vídeo falou o que estava a sentir e não conseguia colocar em palavras, deixa o like, subscreve a paradinha e ativa o sininho, porque mesmo na pior dor, a gente continua a ser o Brasil.

 E um dia, nem que seja no sofrimento, nós volta ao topo. Vemo-nos no próximo vídeo. O Vinícius Júnior deveria sim ter batido penálti no primeiro tempo pra seleção brasileira. é o craque da equipa, tem que ser o tipo decisivo. Teve um penálti no momento decisivo entre França e Paraguai. Quem colocou a bola debaixo do braço foi o Mbappê.

 Quando a coisa aperta para a Argentina, quem decidiu na Mundial passado e quem tem decidido por aqui é o Lionel Messi. Foi o Harry Kane que salvou a seleção inglesa e foi o Hall quem definiu a classificação da seleção norueguesa. É nesse momento que o craque da equipa tem que aparecer. É verdade.

 O Vini colocou o Hendrick na cara do golo no segundo tempo. Infelizmente o Hendrick perdeu uma bola que ele não costuma perder. Talvez tenha sido a única grande jogada do Vinícius Júnior nesta partida abaixo do que ele vinha fazendo no Campeonato do Mundo. Aqui sai devendo. Faltou o brilho e o fator decisivo para o Vinícius Júnior classificar a seleção.

Nós temos bons jogadores que fazem diferença nos seus clubes, mas que na seleção têm que estar bem entrosadinhos também, não é? para pr para eles renderem o que rendem no clube, não é? A gente vê o com determinante Elvini no Real Madrid, nós queremos isso dele aqui. Eh, e ele tenta muito isso também, ele vai para cima, mas às vezes não acontece, mas assim, logicamente são os dois principais jogadores, não é? E e o torcedor vai cobrar, vai cobrar.

 Romario, como visto? De qua, Romario? dentro decepciono decepción como brasileiro desiludiu uma coisa impressionante que hoje não é o Brasil que nós conocemos que queremos que o Vinícius Júnior entregou a bola Bruno bater o penálti contra a Noruega. O Brasil foi eliminado pela Noruega na Mundial com destaque para o O avançado Hand, que marcou dois golos na partida.

 Mas o que chamou a atenção foi o Vinícius Júnior não bater o penálti que poderia mudar completamente o jogo. Ele acabou por entregar a bola a Bruno Guimarães bater, que acabou por falhar, rematou a meia altura no lado esquerdo do guarda-redes. Vinícius Júnior foi muito criticado por não assumir a responsabilidade, pois ele é o grande protagonista desta seleção.

 Em entrevista após jogo, Vini Júnior revelou: “Não bateu o primeiro penálti contra a Noruega porque a escolha do batedor já tinha sido definida por critérios estatísticos da comissão técnica liderada por Carlo Anchelotti. Vocês t noção que esta decisão mudou completamente o jogo. Vini Júnior é o nosso melhor jogador.

 Ele tinha que ter batido penálti no lugar do Bruno Guimarães. Eu sou o gajo que mais moral dá ao Vinícius Júnior. Então eu posso falar num jogo destes, oitavos de final de Taça, é o gajo da equipa que tem que chamar a bola, é o tipo da equipa que tem que apanhar a bola, meter debaixo do braço e cobrar o penálti.

 Eu acho sem querer saltar o Bruno Guimarães, sem querer culpar o Vini, mas num jogo destes, jogo grande, o gajo da equipa é o que tem que apanhar a bola. Dá-me, eu que vou bater o penálti. A minha opinião, é ele, é o gajo que está a decidir a Copa, é o gajo que está a carregar o Brasil. Deus sentir falta do Vinícius Júnior pertir a bola e cobrar o penálti.

Porque não Vinícius Júnior e o o Bruno Guimarães? Porque fizemos uma estatística de de un ano dos jogadores de rival e também de nostro o melhor a tirar o penalti Neymar depois Tiago, depois Rafinha e depois Rafinha e Bruno Guimar era Bruno Guimarais e depois Bruno Guimarais era Martinelli e escolhemos Bruno Guimarais porque pensávamos que era o melhor no campo.

Não tinha, não gostava de bater penálti, no meu entendimento, golo de penálti estava por fora. Eu acho, eu era a minha visão assim, então eu nunca prestei atenção a isso. E nesse quando acabou o jogo, cara, se há determinados momentos que tens que estar ali e porra, mostrar o que que tu és.

 Eu sei, sabia do meu tamanho, sei da minha, sabia da minha responsabilidade e sabia que ali os rapazes confiavam em mim. Então, porra, meu irmão, esta é a hora do grande. E eu [música] era grande, percebe? E ali eu era o maior. É. Então eu disse: “Meu irmão, a tá quem vai bater?” Eu disse: “Professor, pus o dedo assim, queres bater?” Eu disse: “Quero não vou bater, pode pôr essa porra”. Depois foi isso que aconteceu.

Pegar na caminhada para esta paragem, mano. Foda-se, né? Porra, uma eternidade tenso, não é, meu irmão? Mundial, todo mundo ali e olhando e a responsabilidade que tinha mais do que os outros pelo que eu tinha falado e que toda a gente tinha ouvido. Então, de que se realmente acontecer um resultado negativo, o maior culpado sou eu. Tô vou tá preparado para isso.

É o seguinte, era foi fodido. Foi um peso do caraças. Ela e ela vão p E que que tu pens tu pensaste em bater na forma como bateste? Tu apanhaste bem errado. Eu, de facto assim, é, foi não foi errado que ela entrou, mas [risos] o o objetivo não era bater na trave, era para entrar diretamente ali naquela na lateral na lateral ali da É, não, naquele jeito ali.

 É, é, pá, quando pega na trave, mano. Porra, o meu cu fez assim, ó. Puscou. [risos] É verdade que não treinava penáltis? Não, não estaria numa lista de decisão por perto. Quando foi para decisão por perto do Mundial, falou o professor, deixa comigo. Eu vou bater isso aí. É, é a minha vez. Eu eu tinha naquele até aquele momento, tinha batido dois penaltis. Um penálti foi pelo Barcelona.

em Barcelona perdi. E o outro penálti foi uma final que o PSV jogou, não sei se foi nacional, independente, uma final no em Tóquio que acabei por fazer. Então assim, não era grande fã de bater pênal foi de campeão de clube. É isso. Afinal PSV e nacional, independente, alguma coisa. E eu não era muito de treinar penáltis, porque eu não gostava particularmente de bater um penálti.

Eu não gostava era de treinar também, certo? Também. É, também. E no final, na final, eu, assim, entendi que quando a gente é grande, Galvão, o grande tem de aparecer nos grandes momentos. Então assim, eu tinha uma uma responsabilidade maior, não sei se maior do que os outros, mas pelo que eu tinha dito, pelo que me tinha comprometido com o Brasil, tinha a certeza que ali aquela ali era o meu momento, era a minha hora.

 E o Parreira começou a perguntar quem iria bater e eu levantei rapidamente o dedo. Professor, estás comigo? Quer? Eu disse: “Claro, claro que eu quero”.

 

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