Esta musa fez sucesso e muito dinheiro nos anos 50 e 60, mas o vício do álcool, cigarros e calmantes arruinaram a sua vida e carreira. Hoje verá toda a percurso desta talentosa cantora que foi acusada de ter abandonado o filho em um internato com oito anos e faleceu precocemente no dia do casamento do filho.
Maissa Figueira Monjardim nasceu em 6 de junho de 1936 na cidade do Rio de Janeiro. Mas apesar de ser do estado do Rio, veio de uma família tradicional e influente do Espírito Santo. Descendente de uma linhagem tradicional, a futura cantora era neta do Barão de Monardim e bisneta do Comendador José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim.
Figuras que desempenharam papéis importantes na história política do Estado. Criada em uma mansão no bairro Carioca, Botafogo, a infância de Maissa foi rodeada de luxo e expectativas elevadas, mas também marcada por profundas inquietações internas. Desde cedo, Maissa mostrou um espírito questionador e rebelde, desto dos padrões femininos impostos pela sociedade da época.
A sua relação com os pais era um exemplo disso. O seu pai, Alcebia Guaraná, Monjardim, conhecido como Monja, era advogado e fiscal de rendimento, mas também um homem boio apaixonado por música. Ele frequentemente promovia encontros musicais em casa, em que a jovem Maissa primeiro contacto com a música popular brasileira.
Foi nesses encontros em que ela aprendeu a tocar guitarra e a cantar. Já a mãe da Maissa figueira Monjardim era mais rígida e tentava manter a filha dentro dos padrões de comportamento esperados para uma jovem da elite. Aos 7 anos, Maissa foi matriculada no colégio Assunção e depois no tradicional internato de freiras Sacrecuer de Mari.
Em 1947, quando Maissa tinha 11 anos, a família mudou-se para o interior de São Paulo, fixando residência em Bauru. Depois, em 1950, a família mudou-se para São Paulo devido ao trabalho do seu pai. Devido ao interesse de ser cantora, a inquietação de Maissa foi crescendo com o tempo. Desde adolescente que gostava de fumar e beber em público.
Usava cabelos curtos e calças, o que era considerado um afronta na época. Ao mesmo tempo, era sentimental e vaidosa, dedicando-se a escrever poesia de amor e canções. Inclusive, aos 12 anos, após ter ficado de castigo, compôs o seu primeiro samba canção Adeus, demonstrando uma maturidade musical precoce. Assim, desde a infância, a vida de Maissa foi um constante embate entre tradição e liberdade, entre as convenções impostas pela sua família e pela sua personalidade vibrante e transgressora.
Aos 18 anos, ainda muito jovem, casou com André Matarazo, que era um amigo da família e herdeiro de uma das famílias mais ricas e tradicionais do Brasil. A diferença de idade de 17 anos entre os dois não foi um problema, porque a Maissa era secretamente apaixonada por ele desde a adolescência. A cerimónia aconteceu na tradicional catedral da Sé e após o matrimónio, Maissa incorporou o apelido do marido na sua assinatura.
O casamento, embora inicialmente parecesse um conto de fadas, logo revelou as suas sombras. Maissa sentiu-se aprisionada num universo rígido e conservador, onde a sua liberdade artística e pessoal eram constantemente cerceadas. André, ciumento e possessivo, não aceitava a sua vocação para a música.
Queria que ela fosse dona de casa e não trabalhasse, sobretudo na noite paulistana. Assim, com pouco tempo de casados, nasceu o único filho do casal, Jaardim, que mais tarde se tornaria um conceituado realizador de televisão e cinema. Apesar de a sua vocação latente, a carreira musical de Maissa teve um início inesperado e quase acidental.
Em 1956, durante uma reunião familiar, foi incentivada pelo produtor Roberto Corte Real a gravar um disco. Um dia eu estava numa festa em casa do meu pai e mais outras pessoas proprietárias de fábricas de disco e eu estava ali a cantar, feito uma doida, músicas minhas. E a partir daí, me convidaram para fazer um disco com músicas e letras minhas e a partir daí começou uma descarreira na minha vida.
O álbum Convite para ouvir Mais composto integralmente por canções autorais, foi lançado com um carácter beneficente, tendo o lucro doado a um hospital que tratava o cancro. No entanto, o disco foi um sucesso imediato. As canções carregadas de emoção e melancolia conquistaram as rádios de São Paulo e cariocas, levando Maissa a um patamar inesperado.
O reconhecimento rápido trouxe consagração, mas também gerou tensões pessoais. O seu marido não aceitava a crescente fama e menos ainda a sua carreira de cantora. Assim, para seguir o seu sonho, Maissa tomou uma decisão difícil. Mesmo amando o marido, ela decidiu separar-se dele, indo viver com o filho em casa dos pais. Emissora de televisão, muito famosa na época, que decidiu contratar-me.
E este programa chamava-se convite para vir a Maissa. teve bastante sucesso, tanto sucesso que me fez separar do meu marido, da minha família, enfim, da minha gente, porque não estavam muito de acordo com o meu sucesso. O divórcio foi um grande escândalo, tanto mais que o desquit não era algo comum. Ainda assim, ela passou a usar o seu apelido de novamente solteira, não quis pensão do ex-marido e não teve medo de enfrentar os preconceitos.
Em 1957, antes mesmo de oficializar o divórcio, Maissa já brilhava na Record com um programa próprio que tinha patrocínio da Abrasivos Bombril e gravou seu segundo disco intitulado Maissa. O seu talento era inquestionável, recebendo com menos de um ano de carreira os prémios de A maior revelação feminina, melhor compositora e melhor letrista.
No ano seguinte conquistou o troféu Roquete Pinto, de melhor cantora de 1958, consolidando-se como uma das vozes mais marcantes do Brasil. No mesmo ano, já divorciada, mudou-se para o Rio de Janeiro, a sua cidade natal. Aí, ela foi contratada pela TV Rio e ganhou outro programa, agora com o patrocínio dos biscoitos Piraquê.
Foi durante este período que ela lançou o seu terceiro disco, Convite para ouvir Maissa número dois, que foi um sucesso de crítica e de vendas. Ele trazia a canção que se tornaria o seu maior sucesso, Meu Mundo caiu. O meu Mundo caiu. Maissa terminou os anos 50 com a sua carreira em grande ascensão, tornando-se a cantora mais bem paga do Brasil, com reconhecimento da crítica e popularidade.
Já nos anos 60, a carreira de Maissa atingiu um patamar internacional. A sua voz atravessou oceanos e ela realizou turnneias pela América Latina, Europa e Japão. In 1961, juntamente com grandes nomes da música brasileira, como Roberto Menescal, participou na histórica Tourê que apresentou a bossa nova ao mundo. Nos Estados Unidos, Maissa gravou o álbum Maa Sings Songs Before Dawn, lançado pela Columbia Records.
Durante a sua estadia no país, ela apresentou-se na sofisticada casa Blue Angel Night Club, que era a principal discoteca de Nova York no momento. Em 1963, subiu ao palco do Olímpia de Paris, a mais famosa sala de espetáculos da capital francesa. Durante essa década, as suas interpretações intensas e a sua voz melancólica tornaram-se um sinónimo da dor de cotovelo, com o seu disco Canção do Amor mais triste, sendo emblemático na proposta.
Maissa também brilhou na televisão, participando em importantes festivais e comandando programas musicais. Em 1966, foi finalista do segundo festival de música popular brasileira com Amor Paz. No mesmo ano, ela participou no Festival Internacional da Canção, onde recebeu o prémio de melhor intérprete brasileira.
Depois de alguns anos se dedicando à carreira e digressões no estrangeiro, Maissa fixou residência no Brasil novamente. Em 1969, estreou na Rede Tupi o programa Maissa Especial, para além de se apresentar com o espetáculo A Maissa de hoje, na casa de espectáculos do Canecão, no Rio. Nos demos o luxo de ir para um lugar chamado Canecão.
Fomos fazer um concerto lá e pela primeira vez pusemos num palco 17 músculos no FP. Na década de 70, Maissa explorou novas facetas artísticas. Ela estreou-se como atriz na novela O Cafona da Globo, onde a sua personagem Simone reflectia muito da sua própria personalidade. Ela ainda integrou o elenco da telenovela Bella Mi da Rede Tupi e montou o espetáculo teatral Voisec sem sucesso.
O seu álbum Ando Só numa multidão de amores também não obteve sucesso comercial. Assim, Maissa dedicou-se a temporadas de espectáculos em discotecas, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas no final de 1972, a cantora decidiu afastar-se da vida artística e foi viver para sua casa de praia em Maricá, no litoral fluminense. Aqui é a minha casa, Maricá.
Eu aqui tenho a possibilidade de fazer uma coisa muito importante, que é viver, é conviver com a natureza, é conviver com os meus bichos. E dentro desse viver também existe o que faço atualmente, que é pintar mal bem, não interessa, mas pintar. A trajetória de Maissa foi marcada não só pelo talento incomparável, mas também por uma vida amorosa movimentada, com romances intensos e muitas vezes destrutivos.
Ela teve relações com vários homens, como o compositor Ronaldo Bôcoli, que supostamente teria traído a sua mulher Nara Leão com Maísa, com o maestro Júlio Medaglia e com o empresário espanhol Miguel Azanza, com quem veio a casar. Com este último, viveu uma história bem marcante. Quando o seu ex-marido, André Matarazo faleceu.
Ela estava a viver em Madrid com Miguel e decidiu levar o seu filho Jear com eles. Contudo, ela e o empresário viajavam sempre em trabalho e tinham pouco tempo para a criança. Ao mesmo tempo, Maissa queria que o filho tivesse uma educação no Brasil ou vivesse com os avós. Por isso, o matriculou-se num colégio interno em Madrid, mas raramente visitava o filho.
Isto tornou-se um motivo de conflito constante de Maissa com os seus pais, que queriam ter a guarda do neto. Ela não sabia, mas no futuro este também seria um conflito entre ela e Jamie. O seu casamento com Miguel foi uma união de altos e baixos, com escândalos de ambos, traições, agressões e quezílias públicas.
Assim, o casal separou-se e Maissa voltou a viver no Brasil em Copacabana. Mas o seu filho continuou a estudar no colégio interno em Espanha. e ela não fazia muito contacto com ele. A pressão emocional e o sofrimento que sentia levaram Maisa ao consumo excessivo de álcool, vício que influenciou profundamente a sua personalidade e carreira.
Ela também era viciada em cigarros, calmantes e de quebra tomava anfetaminas para emagrecer. As brigas e confusões em que se envolvia fizeram com que ela fosse muitas vezes capa de jornal. Um dos episódios mais notórios ocorreu quando, num surto de fúria, ela tirou uma garrafa de whisky em direção à cantora Elis Regina, que estava num relacionamento com o seu ex-namorado Ronaldo Bôcoli, e só não foi atingida porque Roberto Menescal assegurou.
Nos seus escritos, Maissa reconheceu os danos do defeito, registando frases como: “É ela, a bebida, que me faz maltratar as pessoas a quem mais amo e a mim própria, para além de arruinar a minha carreira de cantora e de artista. Ela também lutava contra a depressão, uma doença que a acompanhou durante anos e que se manifestava em crises de melancolia e tentativas de autoestermínio, pois sentia-se incompreendida e solitária, uma sensação que transparecia nas suas letras e na sua interpretação visceral.
Entre amores falhados, escândalos mediáticos e conflitos internos, Maissa seguiu vivendo no limite entre o génio e a a autodestruição. Desde 1972, Maissa iniciou um processo de isolamento, indo viver para a sua casa de praia. Nesse período, estava casada com o ator Carlos Alberto, que foi viver com ela.
No entanto, o casamento acabou e assim a depressão da cantora tornou-se agravou-se conforme o seu isolamento social aumentou. Os motivos para o término foram as suas crises de ciúmes, as suas explosões e, claro, ter inventado uma gestação para que Carlos Alberto continuasse ao seu lado. Mas antes você é ciumenta? Não, sou cão ciumento. Não pode ser mais ciumenta do que eu.
Mas o C dá-te motivo aí, pá. Você dá, dá muito bem feito porque não vejo. Tudo bem. Em meados da década de 70, o seu filho J regressou de Espanha e não quis mais a ver ou falar com ela, acusando-a de tê-lo abandonado no colégio interno com apenas 8 anos. A rejeição do filho agravou ainda mais a saúde mental dos Maissa.
Assim, ela passou a procurar de forma incessante o perdão dele. Alguns anos depois, Jie conseguiu perdoar a mãe, mas ainda tiveram outros conflitos, como pela decisão do rapaz de casar jovem. Em 1975, Maissa fez uma das suas últimas atuações musicais na discoteca Igrejinha, em São Paulo, numa época que mais tarde ficaria conhecida como a Tour do Adeus.
Os seus olhos, outrora vibrantes, refletiam uma profunda tristeza e cansaço. No dia 22 de janeiro de 1977, após ter prestigiado o casamento do seu filho, Jaie Monjardim, a cantora deixou a cerimónia e decidiu regressar sozinha para a sua casa em Maricá. Quando atravessava a ponte Rio Niterói, Maísa sofreu um acidente de viação, um bastante violento, com o carro a chocar contra a mureta da ponte.
Maissa foi socorrida e levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O relatório médico confirmou que estava sóbria no momento do acidente e tinha apenas 40 anos quando perdeu a vida. Mesmo após a sua partida, Maissa nunca foi esquecida. A sua vida foi imortalizada na minissérie Maissa quando Fala o coração, dirigida pelo seu filho Jamie em 2009.
A sua ousadia, talento e vulnerabilidade inspiraram artistas de outras gerações e prestaram homenagens, incluindo enredos de escolas de samba e tributos. A sua voz, impregnada de paixão e sofrimento, ecoa até hoje, o que lhe garante um lugar eterno no panteão da música popular brasileira.
O que achou da história de vida da cantora Maissa? Conte-me nos comentários, subscreva e não se esqueça de deixar o seu gosto. Assista a este vídeo que está a aparecer aí no ecrã. Te espero lá.