LEMBRA DAS MENINAS QUE GLÓRIA MARIA ADOTOU HÁ 17 ANOS? HOJE ACONTECEU O QUE TODOS NÓS IMAGINÁVAMOS
Diz-me uma coisa, lembras-te das duas meninas que a Glória Maria adoptou na Baía há 17 anos? A Maria tem 15 anos e a Laura 14. Na altura, muita gente viu aquela notícia com carinho. Afinal, não era qualquer pessoa, era Glória Maria, uma das jornalistas mais famosas do Brasil. Uma mulher que atravessava o mundo, entrava em locais que quase ninguém entrava.
entrevistava grandes personalidades, aparecia em reportagens históricas e parecia ter uma vida completamente tomada pela televisão. Só que de repente aquela mulher que o Brasil conhecia como sinónimo de coragem, viagem e liberdade apareceu a viver uma transformação silenciosa. Ela tinha-se tornado mãe.
Duas meninas pequenas entraram na sua vida, Maria e Laura. duas irmãs biológicas que viviam numa instituição em Salvador e que nesse encontro inesperado mudaram para sempre o destino de Glória Maria. Mas talvez a parte mais emocionante desta história não seja apenas a adoção, é o que veio depois. Como era a convivência de Glória Maria com as filhas? Porque ela decidiu adotar as duas, quem formava a rede de proteção destas raparigas? O que aconteceu quando Glória Maria partiu em 2023, deixando a Maria e a Laura ainda adolescentes e principalmente como elas
estão a viver hoje. Porque quando uma mãe parte, principalmente uma mãe que construiu tudo sozinha, uma questão aparece com força. Quem vai cuidar? Quem vai proteger? Quem vai continuar aquela história? E no caso das filhas de Glória Maria, a resposta mostra que esta não é apenas uma história sobre a fama, televisão ou adoção.
É uma história sobre o amor planeado até depois da desferdida. Ela pensou em tudo. Antes de ser mãe, Glória Maria era vista pelo público como uma mulher livre. Livre no modo de viver, livre no modo de falar. No modo de se colocar no mundo. Ela não parecia presa a um modelo tradicional de vida. Enquanto muita gente esperava que uma mulher famosa se casasse, tivesse filhos, montasse uma família nos moldes mais conhecidos, Glória Maria parecia seguir outro caminho.
Era a mulher dos aeroportos, das malas feitas, das grandes reportagens, dos encontros improváveis. Glória Maria mostrou o mundo a milhões de brasileiros. Entrou em comunidades, palácios, desertos, templos, festas populares e até locais de risco. Ela tinha uma presença que misturava a elegância com a ousadia.
Falava com autoridades, artistas, religiosos, líderes e pessoas simples com a mesma naturalidade. E na vida pessoal era discreta. Ela viveu relações, namorou, amou, mas nunca transformou os próprios amores em espetáculo. A própria jornalista chegou a falar de relações com homens e estrangeiros e também até de um casamento civil discreto feito longe dos holofotes.
Mas ainda assim havia uma coisa muito clara. Glória Maria não parecia uma mulher que precisava de casamento ou maternidade para se sentir completa. E esse pormenor é muito importante para compreender a força dessa história. Porque ela não se tornou mãe por pressão. Não se tornou mãe porque alguém disse que estava na hora.
Não virou mãe porque faltava alguma coisa para completar uma imagem pública. Glória A Maria tornou-se mãe porque encontrou duas meninas. E, por vezes, é assim que a vida muda, não chega a fazer barulho, não envia aviso, não pede agenda, simplesmente coloca uma pessoa perante a outra e muda tudo. Glória Maria não era aquela mulher que passou a vida inteira a dizer que sonhava com filhos.
Pelo contrário, durante muitos anos ela dizia que não tinha esse desejo. A carreira preenchia a vida dela. Nunca tive vontade de ser mãe, porque o meu trabalho era o meu filho. O trabalho, as viagens, as reportagens, os projetos, os amigos os compromissos. Tudo parecia girar em torno daquela mulher irrequieta, curiosa, sempre pronta para a próxima agenda.
E veja bem, isto não diminuía Glória Maria em nada. Pelo contrário, mostrava uma mulher que não encaixava em expectativas prontas. Ela parecia ter criado a própria rota. Só que a maternidade quando chegou não veio como uma obrigação, veio como um encontro. E talvez por isso tenha sido tão forte, porque uma coisa é fl mãe durante anos, outra coisa é olhar para uma criança e sentir de forma quase inexplicável que aquela criança já pertence à sua vida.
Glória Maria contou mais de uma vez que quando viu as meninas sentiu algo que não sabia explicar. Não era uma decisão fria, calculada, burocrática. Era como se aquela história já estivesse à espera por ela em algum lugar. E aqui começa uma das partes mais bonitas e mais delicadas desta trajetória. Glória Maria, a repórter que atravessava o planeta, encontrou a maternidade não em uma grande cobertura internacional, não num tapete vermelho, não numa festa de famosos.
Ela encontrou a maternidade dentro de um abrigo em Salvador, naia. Tudo aconteceu em 2009. A jornalista estava numa fase diferente da vida. Afastada por um período da televisão, ela dedicava-se a experiências pessoais e trabalhos voluntários. Foi neste contexto que se aproximou de uma instituição em Salvador. Imagine a cena.
Uma mulher habituada a estúdios de televisão, câmaras fotográficas, viagens internacionais e grandes reportagens entra num abrigo de crianças. Ali não havia público, não havia chamada de programa, não havia uma manchete pronta, havia crianças. Histórias interrompidas cedo demais. Olhares à espera de colo, cuidado, destino.
E no meio daquele ambiente, A Glória conheceu a Maria. A menina era ainda muito pequena e Laura também. E a jornalista, que tinha passado a vida perante acontecimentos grandiosos, se viu tocada por algo simples e profundo. O vínculo que nasce sem explicação. Tinha-me apaixonado pelas duas, certo? tinha, sabia que eram as minhas filhas. Surgiram e eh por acaso eu não pensei nunca em ter filhos até ao dia em que vi as duas pela primeira vez e que eu tinha a certeza que eram as minhas filhas.
Não foi uma adoção pensada em projeto público, não foi uma decisão para melhorar imagem, não foi uma cena montada, foi uma mulher a encontrar duas meninas. Fui conhecer o abrigo que vi a Maria gatinhando. Depois ela virou assim, olhou para mim. Falei, mudou. E o interessante é que a primeira grande viragem desta história veio justamente quando Glória Maria compreendeu que aquelas duas crianças não estavam ligadas apenas pelo mesmo lugar, eram irmãs biológicas.
E este pormenor mudou tudo, porque a a partir daí a história deixou de ser apenas sobre adotar uma criança. Passou a ser sobre não separar duas vidas que já tinham uma à outra. Sim, a Maria e a Laura eram irmãs. E quando Glória Maria compreendeu isso, a história mudou de tamanho, porque ali já não era apenas o encanto por uma criança, era um encontro com duas meninas que vinham da mesma origem, do mesmo sangue, da mesma história.
Depois quando ela foi buscar a fista no tribunal, ela viu que tinha duas crianças com o mesmo pai e a mesma mãe. Elas eram irmãs. A jornalista tinha chegado àquele orfanato em Salvador para fazer um trabalho voluntário. Não entrou ali à procura de uma filha, muito menos imaginando que sairia de lá com a vida completamente transformada.
Mas bastou conviver com aquelas meninas para alguma coisa tocar fundo. Primeiro veio o carinho, depois a aproximação. E quando descobriu que a Maria e a Laura eram irmãs biológicas, não teve coragem de separar as duas. Ela não quis escolher uma, optou por ficar com as duas. Isto deixa a história da jornalista ainda mais bonita, porque Glória Maria não adotou apenas duas crianças.
Ela preservou um laço, manteve duas irmãs juntas, pegou numa história que poderia seguir caminhos separados e transformou em família. A jornalista, que parecia invencível perante as câmaras, rendeu-se a duas meninas pequenas e quando a Glória amava, amava por inteiro. Só que este amor era apenas o começo.
Para trazer a Maria e a Laura para casa, ela ainda enfrentaria uma longa espera. O processo de adoção durou cerca de 11 meses. E durante esse tempo, Glória A Maria fez algo que mostra o tamanho da decisão. Ela mudou-se do Rio de Janeiro para a Havaia para ficar mais perto das raparigas enquanto a documentação era analisada. Pensa nisso.
Uma mulher com carreira estabelecida, casa, amigos, trabalho e vida no Rio, simplesmente desloca o próprio eixo para acompanhar de perto duas meninas que ainda não estavam legalmente em sua casa, mas que já estavam dentro do seu coração. Para o público, Glória Maria podia parecer uma pessoa para quem tudo era fácil.
Afinal, ela era famosa, conhecida, respeitada, tinha acesso a locais e pessoas que a maioria não tinha. Mas a adoção não é um atalho. A adoção é esfera, é fafelada, é ansiedade, é entrevista, é avaliação, é a cabeça trabalhando dia e noite, é imaginar o quarto, a rotina, o futuro e ao mesmo tempo saber que tudo precisa de seguir o caminho certo.
E glória Maria esperou, esperou como mãe. Antes de levar Maria e Laura para casa, já estava a viver aquela maternidade, já estava presente, já estava perto, já estava a construir vínculo. E quando finalmente tudo se concretizou, a sua vida mudou de um jeito profundo. A repórter que mostrava o mundo ao Brasil descobriu um novo mundo dentro de casa.
Glória Maria costumava dizer que a vida dela mudou completamente depois das filhas. Antes o trabalho ocupava quase tudo. Depois da Maria e da Laura, a prioridade passou a ser outra. Ela continuou a ser Glória Maria. continuou trabalhando, viajando, aparecendo na TV, fazendo reportagens marcantes. Mas agora havia duas meninas à espera por ela, duas filhas, duas vidas pequenas que transformaram a rotina da mulher que parecia pertencer ao mundo.
E a sua convivência tinha pormenores muito bonitos. Glória protetora, não transformava as meninas em montra. Mostrava aqui uma foto, uma aparição ali, uma homenagem, um aniversário, mas não fazia da infância das filhas permanente. Ela conhecia o peso da fama, sabia como a exposição podia ser dura e talvez por isso tenha tentado dar a Maria e Laura uma vida com amor, mas também com alguma proteção.
Só que proteção não queria dizer distância. A Glória Maria era um presente à sua maneira. Quando viajava, continuava ligada. Quando precisava de sair e as meninas estavam a dormir, deixava recados. E tem até uma lembrança muito delicada contada pelas filhas. A mãe escrevia no espelho com batom, avisando que tinha ido viajar, que voltaria em breve, que as amava.
A gente estava a dormir, né? E aí ela escrevia eh no espelho e a mamã foi viajar, volto em breve, amo-te. Imaginem isso, uma mãe a escrever o recado para as filhas ao espelho com batom. Que cena tão bonita. Não é uma mansão, não é uma jóia, não é uma viagem internacional. É uma mãe a deixar um recado ao espelho para as filhas acordarem, sabendo que ela tinha saído, mas que não se tinha afastado.
É esse o tipo de pormenor que mostra a Glória Maria que o Brasil não via na sua totalidade. A Glória Maria, jornalista era gigante, mas a Glória Maria, mãe, era feita de presença. Bilhetes, colo, ralhete, cuidado e saudade. A jornalista não queria apenas criar duas meninas famosas para serem suas filhas.
Ela queria formar duas pessoas fortes. falava de educação, de limite, de tecnologia, de tolerância, de identidade. E tenho ainda mais orgulho de mostrar às minhas filhas o que é que podem fazer. Ela sabia que a Maria e a Laura iriam crescer olhando para o mundo cheio de comparações, exigências e padrões. E uma das suas frases que mais marcou as meninas foi: “Sê tu a tua própria inspiração”.
Esta frase que Maria chegou a usar numa t-shirt depois da morte da mãe resume muito o que a jornalista tentava ensinar. Não se comparar tanto, não vivir à procura de aprovação, não achar que a vida do outro é sempre maior, melhor, mais bela, é encontrar força na própria história. Elas aprenderam desde muito pequenas que existe a discriminação, que a mãe dela sofreu e sofre ainda.
Isto tem tudo a ver com Glória Maria, porque ela própria foi uma mulher que abriu caminhos num Brasil difícil, uma mulher negra, jornalista, pioneira, ocupando espaços onde pouca gente parecida com ela tinha chegado. Ela sabia o que era ser julgada, sabia o que era ser questionada, sabia o que era ter que provar valor muitas vezes.
Assim, quando ensinava a Maria e a Laura a serem a própria inspiração, ela não estava a repetir frase bonita, estava entregando uma lição de vida. E também há outro pormenor marcante, acredite se quiser. Glória Maria contou que conseguiu produzir leite e amamentar uma das filhas adotivas.
Ela tratava aquilo como um dos momentos mais bonitos da vida dela. Ela de todos os dias fazer, todos os dias fazer é um dia o seu leite. Para muita gente esta história parece quase inacreditável, mas para Glória Maria aquilo tinha um significado emocional profundo. Era como se o corpo também tivesse entendido a maternidade que o coração já tinha aceite.
E dali em diante, Maria e Laura não eram apenas filhas adotivas, eram filhas. Ponto final. Glória Maria era mãe solteira, mas não estava sozinha afetivamente. À sua volta existia uma rede de amigos próximos, pessoas que faziam parte da vida da família e que acompanharam Maria e Laura crescerem. E mais tarde essa rede faria a diferença.
Entre essas amizades, uma das mais comentadas era Marina Rui Barbosa. O nosso encontro é de outras vidas, então procuro também pensar que o o nosso encontro não termina aqui, sabe? Muita gente ficou surpreendida ao descobrir o quanto a atriz e Glória Maria eram próximas. Não era apenas uma amizade de evento, daqueles que aparecem em foto e somem depois.
A Glória tinha um carinho verdadeiro por Marina. Foi madrinha de O casamento dela e chegou a dizer publicamente que as filhas chamavam a atriz da tia Marina. Isto mostra a intimidade entre elas. Mostra que a Maria e Laura cresciam rodeadas por pessoas que não eram apenas colegas de televisão da mãe, mas sim figuras afetivas.
presentes no círculo familiar. E Regina Casé também surge nesta rede de afeto, amiga de longa data, uma mulher ligada à alegria, à cultura popular, à televisão e a uma forma muito calorosa de se relacionar. Regina Casé prestou homenagens à Glória Maria. apareceu em momentos ligados à família e era vista como alguém do círculo de confiança.
E ainda havia padrinhos, amigos, pessoas próximas que ajudavam a compor este entorno. E veja como a vida é curiosa. Enquanto Glória Maria estava viva, esta rede parecia apenas uma bela extensão da vida social dela. Mas quando a doença avançou e a despedida se aproximou, esta rede se tornou algo muito mais profundo, uma verdadeira proteção.
Porque Glória sabia que a Maria e a Laura precisariam de continuidade e ela não deixou isso ao acaso. Glória Maria enfrentou uma doença dura. Em 2019, foi submetido a uma cirurgia para a remoção de um tumor cerebral. Depois, vieram tratamentos, períodos de melhoria, novas batalhas. Não pensei na possibilidade do fim nem por um segundo.
Se eu não tivesse descoberto naquele momento, ele me mataria em 15 dias. Em 2023, a jornalista faleceu após complicações ligadas ao cancro. A notícia surpreendeu todo o Brasil. Para o país, Glória Maria era força. Para a Maria e a Laura, Glória a casa. Existe uma enorme diferença entre perder uma celebridade e perder uma mãe.
O público perde uma voz conhecida, o rosto da TV, uma memória afetiva. Mas uma filha perde o colo, o cheiro, a rotina, a repreensão. O conselho, a presença à mesa, a pessoa que sabe tudo sem precisar de perguntar. Maria e Laura eram ainda adolescentes quando a mãe partiu. E sabe, é nesta fase da vida que ainda nos está a conhecer-se, a compreender-se, ainda está a formar uma identidade, ainda está descobrindo quem é.
Perder a mãe neste momento cria um vazio difícil de explicar. Só que Glória Maria, mesmo enfrentando a própria batalha, pensou no futuro das filhas. Ela já tinha dito em entrevista que se um dia não pudesse estar presente, as meninas teriam tudo encaminhado. Esta frase, depois da partida dela, ganhou outro peso, porque não parecia apenas uma declaração qualquer, parecia uma mãe garantindo, antes da sua partida, que as filhas não ficariam soltas no mundo.
No dia 2 de fevereiro de 2023, o Brasil recebeu a notícia da morte de Glória Maria. faleceu na manhã desta quinta-feira a jornalista e apresentadora Glória Maria em consequência de um cancro no cérebro. Foi um choque. Mesmo quem sabia da doença sentiu como se uma parte da televisão brasileira se tivesse afagado.
Glória daquelas figuras que pareciam eternas, sempre elegante, sempre forte, sempre curiosa, sempre com aquela presença que preenchia o ecrã. Mas para Maria e Laura, a notícia não era sobre televisão, era sobre a mãe, a mãe que deixava Bilite ao espelho, a mãe que ensinou a serem a sua própria inspiração, a mãe que viajava, regressava, abraçava, orientava, a mãe que tinha escolhido as duas quando ainda eram muito pequenas.
Depois da Ferda, apareceram as meninas no Fantástico numa homenagem emocionante. E ali o público viu um lado muito íntimo desta história. Não eram as filhas da famosa pousando diante das câmaras. Eram duas meninas frágeis tentando colocar a saudade em palavras. A Maria usou uma t-shirt com a frase da mãe: “Sê tu a tua própria inspiração”.
Explicou que a mãe falava muito aquilo, precisamente para que as pessoas compreendessem a importância de não se compararem tanto. As duas leram cartas. Maria lembrou a coragem da mãe. A Laura falou com doçura, dizendo que queria estar perto dela. Em um dos momentos mais tocantes, Maria apontou para o coração da irmã e disse que a mãe estava ali.
Poucas cenas explicam também uma ausência, porque quando alguém amado parte, a presença muda de lugar, sai da casa, da voz, do abraço e passa a viver na memória. Depois da morte de Glória Maria, muita gente se perguntou: “E agora? Com quem A Maria e a Laura vão ficar? Elas continuarão juntas. vão viver com familiares, vão mudar de rotina.
Quem vai cuidar da vida, dos estudos, da casa, do património, das decisões importantes. Era uma preocupação natural. Afinal, Glória Maria era mãe solteira. As meninas tinham perdido a principal referência e o público que acompanhava aquela história queria saber se estavam amparadas. E estavam. É aqui que entra Paulo Mesquita.
Era amigo de longa data de Glória Maria. Ele já acompanhava a vida da família desde o processo de adoção. Ele não apareceu depois da morte como alguém distante, improvisado, escolhido às pressas. Paulo Mesquita fazia parte da rotina, da confiança, da história. Glória Maria escolheu-o para cuidar das filhas e esta escolha mostra o quanto ela pensou mais à frente.
Paulo passou a ser o tutor de Maria e Laura e ficou responsável por acompanhar a criação das meninas depois da morte da jornalista. Mais do que uma figura simpática, ele se tornou uma presença afetiva. As meninas chamam-lhe pai e isso é muito forte, porque ninguém substitui uma mãe como Glória Maria, ninguém apaga uma história como aquela.
Mas uma família pode continuar de outra forma. Um cuidado pode ser mantido, uma promessa pode ser cumprida. Paulo não entrou para apagar Glória Maria, entrou para continuar aquilo que a jornalista deixou preparado. Recentemente, a Maria e a Laura fizeram uma homenagem a Paulo Mesquita no aniversário dele. E as palavras das duas mostraram muito sobre esta relação.
A Laura chamou-lhe o melhor pai do mundo. falou do carinho, da bondade, da importância dele na vida dela. Maria também agradeceu, dizendo que estava mais que especial. Para quem acompanha esta história desde 2009, esta homenagem tem um peso enorme, porque ela mostra que depois da dor houve continuidade. As meninas não foram separadas, não foram desamparadas, não perderam todas as referências de uma vez.
Elas passaram a viver sob os cuidados de alguém que Glória Maria conhecia, confiava e queria por perto. Paulo também ficou ligado à administração das questões práticas da vida das herdeiras. Algo natural quando se trata de jovens que ainda estavam em processo de crescimento depois da morte da mãe. E o mais importante aqui não é o património, não, é a pertença.
Porque dinheiro nenhum substitui presença, documento nenhum substitui cuidado, casa nenhuma substitui o afeto. Quando duas meninas que perderam a mãe chamam alguém de fai, isso significa que ali existe mais do que obrigação, existe vínculo. Glória Maria, mesmo sem estar fisicamente presente, conseguiu deixar uma ponte para as filhas atravessarem o momento mais difícil da vida delas.
E talvez seja este um dos gestos mais bonitos desta história. Glória Maria não cuidou apenas enquanto foi viva. Ela cuidou também depois e continua cuidando. Hoje a Maria e a Laura cresceram. Aquelas duas meninas pequenas que o Brasil conheceu ao lado de Glória Maria já não são mais crianças.
Elas estão a viver uma nova fase com personalidades próprias, caminhos próprios e formas diferentes de lidar com a memória da mãe. A Maria aparece mais em alguns momentos públicos e nas suas redes sociais. Já Laura é mais discreta. Isso também deve ser respeitado. Cada filha lida com a própria história do seu jeito.
Uma pode falar mais, mostrar mais. homenagear mais em público. A outra pode guardar mais, viver de forma reservada, preservar silêncios. E as duas formas são legítimas, autênticas. O que chama a atenção é que mesmo seguindo em frente, as duas continuam muito ligadas à memória de Glória Maria. Participaram de homenagens, apareceram em momentos relacionados com o legado da mãe e no documentário sobre Glória Maria viveram cenas muito emocionantes.
Ela era uma pessoa muito engraçada também. Ela é a pessoa mais forte que eu conheço. Uma dessas cenas aconteceu em Búzios, um lugar que Glória Maria amava. No documentário, Maria e Laura estiveram na casa da mãe ao lado de Paulo Mesquita. Aí tiveram contacto com memórias, objetos, recordações. Conheceram pormenores de uma glória que era mãe, jornalista, mulher livre e apaixonada pela vida.
Entre as recordações estava até uma máquina de escrever, um símbolo bonito para uma mulher que passou a vida a contar histórias. Num outro momento muito forte, as filhas espalharam parte das cinzas de Glória Maria no mar de Jeribá, em Búzios, um dos lugares preferidos dela. Pensa na imagem, duas filhas diante do mar, entregando parte da mãe a um local que ela amava.
É uma cena de despedida, mas também de continuidade, como se Glória Maria regressasse a um pedaço do mundo que sempre fez parte dela. Glória Maria passou a vida a mostrar o mundo ao Brasil, mas talvez a maior viagem dela tenha sido dentro de casa, quando descobriu a maternidade ao lado da Maria e da Laura. Talvez tenha sido aquela viagem que era tão fantástica que nem ousei sonhar.
Ela que dizia não ter planeado filhos, encontrou duas irmãs na vaia e mudou tudo. Não separou as meninas, esperou o processo, enfrentou à distância, reorganizou a própria vida e criou as duas com amor, proteção e liberdade. E quando percebeu que talvez não pudesse estar presente para sempre, Glória Maria fez o que uma mãe faz.
Pensou no futuro, rodearam as filhas de pessoas de confiança, escolheu quem continuaria cuidando delas e deixou um caminho preparado. A Maria e a Laura perderam a mãe cedo demais. Nada apaga essa dor. Nenhuma homenagem substitui o colo, a voz, o olhar e a presença de quem mudou a vida delas. Mas elas não perderam o amor, não perderam a história e não perderam o legado.
Aquelas meninas que Glória Maria adotou há 17 anos cresceram. Hoje transportam no olhar a saudade, mas também a força de uma mãe que ensinou uma frase simples e poderosa. Seja você a sua própria inspiração. E ficou surpreendido ao saber como A Maria e a Laura estão hoje? Você se lembrava-se desta história de amor entre Glória Maria e as duas filhas? Deixe o o seu comentário aqui em baixo, participe connosco.
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Mais uma vez, o meu muito obrigado e até o nosso próximo vídeo.