Massacre da Família Feroldi: A Pista que Mudou Tudo

Massacre da Família Feroldi: A Pista que Mudou Tudo

Um homem acaba de perder a mulher, os dois filhos pequenos e uma menina de 10 anos, todos assassinados na mesma noite a golpes de faca dentro da própria casa. E cinco dias depois deste massacre, é ele quem acaba preso acusado de ter feito aquilo com a própria família. No dia seguinte, quando os polícias o levam de viatura para um estabelecimento prisional longe daquela pequena cidade, antes de entrar no carro, este homem pára, olha fundo nos olhos de um polícia militar que ele conhecia há muitos anos e diz que

não matou a família dele, que está a ser preso injustamente e pede a esse polícia que o ajude a encontrar quem realmente fez aquilo. O policial responde que vai fazer o possível e o impossível de descobrir. E esse é o elo principal. desta corrente de factos. Naquele momento, com tudo o que a polícia tinha na mesa, este homem tanto podia ser o pai mais injustiçado daquela cidade quanto o assassino mais frio que ela já tinha visto.

 E o que ia acabar decidir de que lado estava não foi uma impressão digital nem uma arma encontrada na cena do crime, foi uma touca esquecida no matagau perto daquela casa. Eu sou Marcos Campos e hoje vamos lá para uma pequena cidade no interior de Santa Catarina, no final dos anos 90, para um caso em que uma família inteira foi assassinada numa única noite dentro de casa, sem ninguém ver nada e sem ninguém ouvir nada.

 E olha, já te adianto uma coisa, ok? Este é um daqueles casos que parecem ter um culpado evidente ali nos primeiros dias de investigação e que no meio do caminho, na verdade, as coisas viram completamente do avesso. A investigação esteve quase um mês inteiro empacada, digamos, sem uma única pista que prestasse. E o que desbloqueou, digamos, tudo no fim não foi a perícia, não foi uma confissão arrancada na pressão, foi uma pessoa que simplesmente não conseguiu mais carregar na consciência o que sabia.

 Assim, já se ajeita e vamos aos factos. A casa. A história começa num sábado à noite, no primeiro dia de Agosto de 1998, em Curitibanos, uma pequena cidade, no planalto de Santa Catarina. Quem contou os bastidores desta investigação toda foi um dos homens que nela trabalhou do início ao fim, o sargento Márcio Pedrão, conhecido lá na cidade como sargento Pedrão.

 Ele era do serviço reservado da Polícia Militar no setor de investigações que os militares chamavam de P2. Inclusive o sargento Pedrão tem um livro de memórias, não é, das atuações dele, onde esta história está incluída. Ora, naquele sábado à noite, naquela noite de sábado, melhor dizendo, o O telemóvel dele tocou com uma ordem bem precisa, curta, aprontar-se, reunir a pessoal no quartel e ir até ao local de uma ocorrência.

 Não era uma ocorrência qualquer. Quando chegaram, o que encontraram foi uma casa inteira transformada em cena de crime pavorosa. A casa era de uma família conhecida ali na região, os Ferold. A primeira vítima estava logo ali na garagem da casa. Era a dona da casa, a Sandra Aparecida dos Santos, de 25 anos à época, caída no seu próprio sangue, com a garganta completamente degolada.

 E a garagem era apenas a entrada do que esperava a equipa lá dentro daquela casa. Na sala de visitas, caída atrás de um sofá, estava a Diane, a irmã mais nova da Sandra. A menina tinha 10 anos apenas. Num quarto estavam os dois filhos da Sandra e do marido, o rapazinho Robson de 5 anos e o mais novo Ricardo de apenas 2 anos de idade. Todos degolados.

 Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal das Lajes, outro concelho ali de Santa Catarina. E foi a autópsia que mostrou o quadro completo do que tinha acontecido ali. O Ricardo, o bebé de do anos, foi o único que recebeu um golpe só certeiro na garganta. Pelo que entendeu a perícia, foi retirado do berço onde estava a dormir.

 Os outros não tiveram a mesma rapidez na morte. A Sandra, para além de degolada, levou mais quatro estocadas no tórax. Robson, outro rapazinho, mais dois golpes profundos. E a Diane, a menina de 10 anos, foi a que mais sofreu uma dezena de golpes pelo corpo. Para quem investigou aquilo, a quantidade de ferimentos na Diane indicava que tinha sido a vítima que mais tempo esteve diante do agressor ou agressores, provavelmente a que mais viu aquele terror se materializando.

 E havia uma coisa nos ferimentos que chamou bastante a atenção dos investigadores, a precisão. Os cortes eram tão certeiros que o próprio O sargento Pedrão chegou a comparar a habilidade de quem usou aquela faca com a de um cirurgião. Parecia que aquilo era obra de alguém experiente neste tipo de coisa.

 Quem fez aquilo sabia o que estava a fazer com uma lâmina. Ainda nessa noite, a polícia tentou levantar alguma coisa com os vizinhos ali, mas não conseguiu nada porque ninguém viu nada, ninguém ouviu nada, nem um grito de socorro. E tinha um motivo, talvez, para isso, porque a casa de família Ferold ficava afastada das outras ali da região, um local de pouca visibilidade e de noite tornava-se ainda mais difícil de alguém ter percebido qualquer movimento estranho por lá.

 No dia seguinte, um domingo, os peritos iniciaram o trabalho técnico e o delegado regional, Dr. José Luiz, chamou a equipa do P2 para somar com a Polícia Civil. O objetivo, evidentemente, era um só. Quem tinha feito aquela barbaridade? Começa a primeira camada de problema, digamos, na história, porque de toda a família que vivia ali naquela casa, havia um sobrevivente, o pai das crianças, o marido da Sandra.

 Ele tinha sobrevivido àquela noite e em poucos dias ia ser precisamente ele o nome no centro de todas as suspeitas, o sobrevivente. O nome do homem que sobreviveu a este massacre familiar é Valdir Ferold. Na cidade, era conhecido pelo apelido de Bugio. Tinha 49 anos quando tudo aconteceu. Era o marido da Sandra e o pai do Robson e do Ricardo.

 E era o dono de um matadouro de bois que ali se encontrava junto da casa dele. Algumas fontes que relatam o caso também descrevem o Sr. Valdir como um açogueiro. Assim, de todas as pessoas da casa, ou seja, a esposa, os dois filhos deste e a menina que era irmã da esposa do senor Valdir, que por alguma razão estava na casa nesse momento, todos morreram, menos ele.

 Aquele sábado, o Valdir teria passado à tarde e o início da noite em um bar ali da zona chamado Dom Chopinho. Segundo consta, ficou ali o todo o dia a jogar às cartas com amigos, saiu daí por volta das 11 da noite, foi diretamente para casa e foi ele quem encontrou aquela cena que descrevi. Desesperado, então ligou para a polícia avisando que toda a família tinha sido assassinada.

 Ou seja, este primeiro olhar investigativo foi precisamente por estar fora de casa num bar na hora em que a família foi atacada, que não estava entre os mortos. Quando voltou, por volta das 11, como já disse, o crime já tinha acontecido. Então ele foi primeiro a encontrar e a chamar a polícia. Nos dias seguintes, sem a polícia chegar a um lugar definitivo, talvez, o Valdir começou a correr atrás por conta própria.

 Ele foi falar com as pessoas ali, perguntar, tentar puxar alguma informação que levasse até quem tinha morto a sua família, quem tinha alguma razão para tal. E foi exatamente este movimento que se virou contra ele. Até este ponto, a investigação ainda não estava a andar muito. Assim, o Dr. José Luiz pediu reforço para Florianópolis e veio então para Curitibanos um delegado lá do departamento de estado de investigações, o Renato Endes, com parte da equipa dele.

 E logo depois disso, no no dia 6 de agosto, 5 dias já depois do crime, o poder judicial lá de Curitibanos expedi um mandado de detenção contra o Sr. Valdir. Seria então um pedido de detenção preventiva, alegando que o Valdir estaria a aliciar testemunhas e atrapalhando a investigação. Ou seja, por esse lance aí, não é, dee estar falando com as pessoas ali para tentar encontrar alguma razão para aquilo, virou-se contra ele, como disse, foi aí emitido um mandado de detenção que acabou por ser, na verdade, de prisão temporária. Agora, presta bem atenção

neste ponto da história, porque ele é o nó, digamos, está bem? Nesse elo todo. O Valdir sempre negou ter feito qualquer tipo de aliciamento à testemunha. A versão dele era que só tinha conversado com vizinhos para ver se alguém sabia de alguma coisa que pudesse ajudar a encontrar o assassino da família dele.

 Assim, tem duas leituras do mesmo gesto, digamos, para a polícia. Um homem que andava a bater de porta em porta, não é, das possíveis testemunhas. Era alguém a tentar influenciar o que elas iam contar paraa polícia, né, para desviar dele próprio a suspeita do crime. Já para ele, para algumas pessoas, ele era um pai desesperado, fazendo a investigação por conta própria que a polícia ainda não estava a conseguir fazer.

 E foi esta segunda leitura que a justiça naquele momento não comprou. Foi decretada, então, como disse, a prisão temporária dele. Numa cidade pequena, uma acusação destas tem um peso enorme, não é? O homem que tinha perdido toda a família era agora suspeito de tê-la matado. Mas curiosamente a opinião pública da cidade não engoliu esta ideia fácil, ok? Pelo menos não todos.

 O O Valdir tinha um bom relacionamento com a maioria das pessoas que ali se encontravam. Muita gente convivia com ele no dia a dia e boa parte da cidade se recusava a acreditar que aquele homem fosse capaz de fazer aquela barbaridade com a esposa, com os filhos. Enquanto a cidade discutia se era culpado ou não, a polícia trabalhava com várias hipóteses ao mesmo tempo.

 No início, chegaram a suspeitar que a própria Sandra tivesse morto todos e depois posto fim a ela mesma, porque ela e o Valdir tinham discutido naquela tarde de sábado, segundo consta. Mas a análise técnica no corpo dela derrubou essa ideia. cogitaram logo de cara também latrocínio, ou seja, um assalto que acabou em morte, não é, ou em mortes, mas afastaram isso também porque da casa supostamente só tinha assumido um aparelho de som.

 Ou seja, a ideia de um aparelho de som ter custado e feito toda aquela cena, aquele massacre horroroso, não era muito, digamos, não tinha um peso muito importante na investigação naquele momento. Bom, descartadas estas duas hipóteses, ficaram duas suspeitas em cima da mesa naquele momento. O crime passional ou uma vingança.

 No dia 7 de agosto, foi realizada uma sexta-feira, o Valdir foi transferido então paraa Florianópolis. E foi aí, antes de entrar na viatura que ia fazer a transferência, que disse pro comandante da PM aquela frase ali que eu contei-vos no início do episódio, que não tinha morto a família, que estava a ser preso injustamente e que pedia ajuda para encontrar o verdadeiro culpado.

 Poucos dias depois, no dia 11, foi transferido de novo, desta vez de Florianópolis para um estabelecimento prisional na cidade de Caçador. E nesse mesmo dia 11, a equipa do P2 fechou-se ali numa sala do quartel para rever tudo do caso. Já tinham passado 10 dias desde o crime e a investigação estava nas palavras do próprio sargento na estaca zero.

 Nenhuma pista, nenhuma informação, nada que levasse a lado nenhum. Foi quando então decidiram voltar para casa da família Ferold, onde tudo aconteceu, para investigar novamente os mínimos detalhes. A equipa voltou ao local do crime para fazer uma nova varredura, um pente fino de verdade. E foi nessa segunda passada que apareceu a primeira peça concreta deste puzzle macabro nas traseiras da casa escondido dentro de um taquarau.

 Para quem não sabem, malta, taquaral é aquele matagal fechado de taquara, que é um tipo de bambu fino aí, selvagem, que cresce bem espesso, esconde-se ali com facilidade qualquer coisa, não é, que as pessoas ponham atrás dele ali. Então eles encontraram ali nesse lugar um aparelho de som que tinha desaparecido da residência, lembra-se? Quem escondeu aquilo fez questão de esconder muito bem, ok? E junto do aparelho tinha uma peça deste puzzle, uma touca branca com listras vermelhas semelhantes, ou pelo menos dava entender que era de uma equipa

de futebol, sabe? Internacional lá do sul, só que sem o escudo da equipa, um touca daquelas baratas, sabe, que eram vendidas na época, vindas do Paraguai. A polícia recolheu então o som, aquela touca e tirou várias fotografias da touca para utilizar na investigação. Aquela peça de roupa tornou-se a nova linha de trabalho da polícia.

 E é aqui que o caso começa a mexer, dar uma volta por um caminho ali que ainda ninguém controlava. A central de operação da Polícia Militar recebeu uma chamada anónima nesse mais ou menos, nesse período aí que estava a acontecer isso. Um homem a dizer que sabia quem tinha morto a família Ferold. Pela identificação da linha ali, eles conseguiram descobrir que aquilo vinha de um orelhão ali da cidade.

 Só que quando a polícia lá chegou, era um homem embriagado, passando um trote que acabou detido por falsa comunicação. A essa altura dos factos, a equipa já tinha apanhado bastante. Rodavam atrás de cada pista e cada trote. Chegaram a se acidentar de automóvel durante uma dessas corridas.

 Ou seja, era um trabalho de formiguinha, digamos, às escuras. Mas alguns dias depois [música] veio uma outra ligação. Desta vez era uma voz feminina, de mulher, de um orelhão ali na estação rodoviária de Brunópolis, que é uma cidade vizinha, dizendo saber quem eram os autores da chassina. A polícia identificou a linha também e foi atrás.

E descobriram que esta mulher tinha ido até Brunópolis e depois ela voltou porque ela comprou um bilhete de autocarro para lá voltar para a cidade de Curitibanos. era uma senhora evangélica ali da cidade que vivia no bairro de São Luís, ali mesmo em Curitibanos. Os os investigadores foram então até à casa dessa senhora.

 Ela de primeira sim negou ter feito qualquer chamada, mas confirmou que tinha estado em Brunópolis. E depois mostraram para ela as fotos da tal touca branca e vermelha encontrada ali no Taquaral. E a senhora ficou branca como um fantasma naquela hora. A reação dela deixou claro ali para os investigadores que ela conhecia aquela touca.

 Ela continuou a negar, mas a partir dali a polícia passou a investigar melhor e discretamente aquela senhora e a sua família. E o que eles descobriram fechou, digamos, o cerco. Duas netas desta senhora, mas o companheiro de uma delas tinham trabalhado em casa do Valdir Ferold. As duas mulheres como auxiliares da Sandra dentro da casa ali, e o homem no matadouro do Valdir, no exterior, seja da casa, não é? Tinha duas lá dentro e o gajo a trabalhar por fora lá.

 Os três viviam juntos, ou seja, as duas netas desta senhora, mais o companheiro de uma delas, numa casa de madeira, sem pintura, no bairro de Santo António, também em Curitibanos. A polícia, então, com base em tudo isto, nestas ligações circunstanciais, levou os três a prestar um depoimento e os três negaram tudo.

 Como ainda não havia uma prova assim ou provas suficientes para segurar qualquer pessoa ali, não é, acabaram sendo libertados. E o caso, de novo, nesse momento, encravou. meio que parecia escorrer pela mão da investigação, a confissão. Só que havia uma pessoa que não estava aguentando mais o peso de tudo isto. Adivinho? Aquela senhora, a avó daquelas pessoas, precisamente a mulher que tinha iniciado toda esta parte da investigação ligando do tal orelhão lá para Brunópolis.

Algum tempo depois de terem libertado os três suspeitos, a mesma senhora voltou a ligar para a polícia, agora de um orelhão lá do bairro de São José, em Curitibanos mesmo. A guarnição correu para lá e chegou com ela ainda ao telefone. E desta vez ela falou, dá para perceber aqui, não é, que havia uma pressão gigantesca a crescer dentro dela, na cabeça dela, no psicológico dela.

 Bom, ela disse que não conseguia mais dormir, não conseguia mais comer, que a consciência não estava deixando-a em paz por estar calada protegendo os autores. Levada para esquadra, ela contou tudo. Os assassinos da família Ferold, segundo esta senhora, eram mesmo as duas netas dela e o companheiro de uma delas. Isso aparentemente confirmava o que a reação dela diante daquela foto já tinha denunciado.

 A touca encontrada no taquaral junto do aparelho de som furtado era de uma das netas. Aquela peça de roupa que a polícia tinha encontrado por acaso no matagal, era no fim o fio que ligava a sua família ao crime. Eu só fiquei com uma dúvida aqui, porque assim, quando o polícia mostra a foto para ela, assusta-se, diz: “Caramba, da minha neta”.

 Mas aparentemente ela já tinha uma desconfiança, porque ela ligou antes, certo? Ela foi lá para Brunópolis antes dela ter visto a foto. Seja como for, isso por si só era uma prova circunstancial, não é? Mas havia um peso psicológico formando-se nisso tudo, que ia culminar num ponto sem retorno, que eu já conto.

 E aqui aparecem finalmente os nomes e o motivo suposto. As duas netas eram a Carla Maria Vaz, de 22 anos, e a irmã dela de 15 anos, que era companheira de um rapaz chamado Rodrigo Cristiano Tibes, de 19 anos, conhecido ali na região pelo apelido de Vermelho. Carla e a irmã tinham trabalhado na casa da Sandra, uma como doméstica, e a outra ajudando ali na fachina.

 E segundo a avó, as duas furtavam roupa interior e pequenas quantidades de dinheiro da patroa. Talvez aí esteja, não é, o fecho do elo ali da por que razão esta senhora desconfiava disso, não é? Bom, a A Sandra descobriu esses furtos aí das duas empregadas dela e despediu as duas. Quando o vermelho soube que a companheira e a cunhada tinham sido mandadas embora, foi tirar satisfação com o Valdir e acabou despedido também lá do matador.A bomba que sacudiu a Itália e causou a morte do juiz que inspira Sergio  Moro | Internacional | EL PAÍS Brasil

 E no acerto de contas, o Valdir pagou tudo que lhe devia, mas ficou a faltar uma pequena quantia, coisa de R$ 10 ou R$ 15, as fontes variam um pouco, o que não tinha ali na altura e pediu ao rapaz voltar para receber no outro dia. E estamos a falar, malta, do final dos anos 90, ok? Ou seja, R$ 10 ou R$ 15 não é evidentemente o que é hoje, não é? Portanto, havia ali um outro valor, mas seja como for, ainda era uma quantia assim pequena que o senhor Valdir se dispôs a pagar no outro dia.

 Só faltava ali naquele momento. Com o depoimento desta avó, então, desta senhora ali, a polícia pediu o mandado de detenção destes três elementos. E no mesmo dia em que este aconteceu, o Valdir recebeu o mandado de libertação e saiu lá do presídio de caçador. Tinha passado lá quase um mês depois de ter sido preso pelo assassinato da própria família.

 E finalmente agora ele estava livre. A detenção dos três foi rodeada de cuidado. Cada um foi levado numa viatura separada para que não tivessem tempo para combinar qualquer versão ali no caminho. E a esquadra que ficava na rua das Lajes tinha as ruas em volta fechadas e o edifício isolado. Porque a população lá de Curitibanos tomada de fúria, quando soube de tudo isso, queria fazer justiça com as próprias mãos.

 Dentro da esquadra, já no início, os três continuaram a negar, mas a polícia leu a cada um separadamente o depoimento da avó e depois a coisa começou a desmoronar-se. A menor, a de 15 anos, confessou o primeiro e ainda mostrou onde estavam escondidas as facas utilizados no crime e as roupas que eles vestiam nessa noite.

 A Carla negou no início, mas colocada perante o depoimento da avó e do depoimento da A própria irmã mais nova, também confessou. E o rapaz, o vermelho, que negou por mais tempo que todos, acabou por confessar também de madrugada perante dois juízes e dois promotores. E foi a confissão deles que revelou o que realmente tinha acontecido naquela casa. a noite.

Pela versão que o Rodrigo Vermelho deu, o plano daquela noite nem sequer era a casa dos Ferold. Os três tinham saído para assaltar o supermercado Duarte, que ficava na entrada ali do bairro de São José, perto da casa de família. Ou seja, parece que já existia ali uma sementinha do mal neles, não é? Uma coisa má.

 A ideia era render os três funcionários lá do mercadinho e roubar, mas quando eles chegaram perto, viram que tinha uma quarta pessoa no local. Acharam que não ia dar bom, não é? que poderia acontecer alguma coisa ali que não iam controlar e desistiram desse plano. Foi aí que o Rodrigo teve a ideia de ir até a casa do Valdir para cobrar aquela pequena quantidade de dinheiro que tinha faltou ali, não é, na na questão da demissão dele.

 E no caminho, a Carla sugeriu outra coisa. Vamos saltar a casa da antiga patroa? Quando chegaram, as duas irmãs esconderam-se atrás de uma carrinha que estava na frente da casa ali e o Rodrigo bateu à porta. Quem atendeu foi a Diane, a menina de 10 anos. E ele perguntou então à menina se o bújio, ou seja, o Sr. Valdir, estava em casa. Ela disse que não.

 E neste primeiro momento, segundo o próprio Rodrigo, hesitou, não teve coragem de agir e voltou lá para trás da carrinha, onde estavam as duas mulheres. Foi então que a Carla tomou a frente, foi lá e bateu à porta. Dessa vez quem atendeu foi a Sandra. A Carla agarrou a antiga patroa pelos cabelos e desferiu-lhe dois golpes de faca ali mesmo na garagem.

 A Sandra caiu no chão a sangrar e depois o Rodrigo e a menor entraram na casa. Rodrigo foi até ao Diane, que já estava escondida atrás do sofá, e foi ela que recebeu as 12 facadas antes de ser degolada. Em seguida, os dois foram até ao quarto das crianças. A Carla esfaqueou o Robson de 5 anos e o Rodrigo degolou o menino. Sobrou então o pequeno bebé Ricardo.

 A menor de 15 anos pegou na criança ao colo e pediu pr os outros dois não matarem. Mas o Rodrigo, pela própria confissão, não se conteve e degolou a criança. Olha, se isto não for um mal encarnado, não sei o que é, ok? Porque haja desconexão com o bem, com, não é, a humanidade para ter uma coragem de fazer um negócio destes.

 É de uma cobardia assim que extrapola qualquer racionalidade e de uma crueldade tão grande que até impossível encontrar uma palavra que encaixe nesta parte aqui. Antes de sair, o Rodrigo voltou a garagem, viu que a Sandra ainda dava sinais de vida ali e degolou a mulher da cozinha da casa, a Carla gritou para levarem alguma coisa.

 Foi quando então o aparelho de som roubado, mesmo que o polícia encontrou-o lá escondido no taquaral. Ainda pegaram uma espingarda calibre 22 que se encontrava na casa e segundo o que confessaram, se a espingarda estivesse carregada, teria sido usada para matar o Valdir depois. No final de contas, o homem que passou quase um mês preso injustamente acusado de matar a própria família, era, pela confissão dos próprios assassinos, o homem que também queriam matar naquela noite.

 Pá, dá para imaginar tudo o que se passou na cabeça deste homem, não é? Antes de chegar ao desfecho, vale aqui a pena fechar uma conta aí que ficou aberta lá no início, ok? Recorda que a polícia tinha descartado o roubo porque quase nada tinha desaparecido da casa? não fazia muito sentido, não. O aparelho de som custar toda aquela barbaridade.

 Pois a confissão mostrou que mesmo assim aquilo tinha sido um assalto desde o início. Eles entraram para roubar e saíram deixando quatro mortos. Na verdade foi apenas um assassinato. De uma requinte de crueldade absurda e cobardia ali, não é? E este contexto, não é, que aproxima o caso de latrocínio, que como vamos ver no julgamento, foi realmente o que foi usado como tese, foi um roubo que terminou em mortes aí.

 E não importa se o que levaram foi muito ou quase nada. Em fontes públicas, Rodrigo e Carla aparecem como condenados a 120 anos de prisão cada um, ok? A menor, por ser adolescente na altura, respondeu por outro caminho, como sabemos. A Carla foi cumprir pena na penitenciária feminina de Florianópolis. A menor foi para um centro de internamento na capital.

Sobre esta menina de 15 anos, a companheira do Rodrigo. Olha uma observação aqui. Por ter sido julgada enquanto adolescente, o processo dela ocorreu em segredo de justiça. Por isso, não existe informação pública sobre o que foi feito da vida dela depois e nem sobre onde ela está hoje. Em 2026, ela teria cerca de 43 anos.

 O Rodrigo, o vermelho, foi mandado para a prisão de Caçador, a mesma cidade onde o senhor Valdir tinha ido. E o que ficou em aberto até hoje é precisamente o seu destino. Em Os registos públicos sobre o caso também, incluindo do programa Linha Direta, ele aparece como foragido desde 19 de Novembro de 2000, quando fugiu do presídio de caçador.

 Ou seja, fugiu mesmo antes da condenação divulgada no ano seguinte, 2001. Desde então, nas fontes abertas consultadas, não aparece um registo fiável de recaptura. Pois é, malta. Eu disse que ia falar do julgamento, mas nem tem. Mas, a princípio aí parece que a revelia, não é? Não sei nem se esse o termo, porque se ele já tinha sido foragido quando foi anunciada esta pena lá.

 E o Valdir, deve estar se perguntando, não é? Bom, ele saiu da cadeia como nós vimos, mas carregou aquilo para o resto da vida. Ele tinha sido apontado por parte da cidade, estampado na imprensa como assassino da própria família. esteve cerca de um mês preso por um crime que não cometeu. Anos depois, interpôs uma ação de indemnização contra o estado de Santa Catarina por causa daquela prisão.

 Mas sem o teor integral dessa decisão aí em mãos, o que lhe posso dizer é que o caso jurídico teve interpretações diferentes, sabe, sobre a responsabilidade do Estado. De um lado, a leitura de que a prisão tinha fundamento no que se sabia naquele momento da investigação. já do outro, a leitura de que houve abuso sim contra um homem sem passagem, pai, marido das vítimas, exposto publicamente como monstro antes de haver uma prova sólida contra ele.

O Valdir morreu anos depois de tudo isto, de causas naturais aos 67 anos. Aquela história, não é? A reputação do tipo fica dificilmente, aliás, volta intacta, não é? O boca a boca aí a cusquice faz o papel de manchar e não tem a mesma precisão para restaurar. Logo, a prisão é a origem disso, não é? Uma lambança irreparável, um assunto que em teoria pode ser complexo, mas queria saber a sua opinião sobre tudo isto, não é, de prender o gajo ali sem essa prova concreta contra ele.

 E há um pormenor interessante, não é, sobre estes anos finais do Sr. Valdir, que até soaicamente irónico. Depois de tudo o que ele passou, preso e apontado como assassino da própria família, o Valdir foi trabalhar precisamente dentro do sistema prisional. foi servidor, aparentemente, da penitenciária lá da região de curitibanos há cerca de 8 anos.

 E quando faleceu, no início de 2017, a A própria unidade o homenageou batizando um espaço ali com o seu nome, a Praça do Trabalhador, mestre Valdir Ferold, o Buújio, o homem que a justiça um dia deteve por engano, acusado de chassinar a própria família, terminou a vida respeitada e homenageada pelo mesmo sistema que um dia o tinha trancado.

Bem, é o mínimo que esperam, certo? Então, quando lá voltamos para aquela viatura no dia 7 de agosto, no início da história, o homem algemado que parou, olhou para o polícia amigo e disse que não tinha feito aquilo, isso ganha um tom muito mais pesado agora, não é? A polícia encontrou os culpados, na verdade, não é? Digamos que os culpados apareceram, não é, muito em função de uma boa mulher, cuja consciência falou mais alto.

 E sobre o Rodrigo Cristiano Tibes, o vermelho, que confessou ter degolado as crianças e a Sandra, nas buscas em fontes abertas, como já disse, não me encontrei nenhum registo fiável de que ele tenha sido recapturado, ok? Se ele estiver vivo hoje, em 2026, ele teria cerca de 47 anos. O paradeiro público dele permanece desconhecido quase 30 anos depois de uma das chacinas mais brutais registadas naquele interior de Santa Catarina.

 E fica uma última camada nesta história, aquela pergunta que não quer calar. Afinal, por que razão o fizeram? Se for atrás, vai encontrar duas respostas. Na ficha de foragido do Rodrigo, no próprio Linha Direta, o crime surge com cara de vingança. O trio terá ido até à casa para acertar contas com ex-patrão por causa de uma dívida, supostamente aqueles R$ 10, R$ 15.

º Já pelo relato do sargento Pedrão, por outras fontes e pelo próprio e entendimento da justiça, como disse, foi latrocínio. O que moveu tudo isto foi o roubo. Saíram para saltar e terminaram numa chacina. Mas a verdade real, a que explica como alguém entra numa casa a querer roubar [música] e tira a vida a quatro pessoas inocentes, três delas crianças, por tão pouco, este esta resposta só os próprios assassinos conhecem.

 E sinceramente, talvez até duvide que eles consigam explicar isso. Bom, para terminar, Rodrigo, como a pessoas viram, foi foragido, aparentemente não foi recapturado, não é, para terminar de cumprir a pena. A época, o tempo máximo era de 30 anos, não é, de embora tenham sido condenados a apenas superiores a 100 anos. Mas sobre a Carla, a cúmplice, não é, de tudo isto, eu não encontrei ipses líteres, informações do estado que ela se encontra hoje.

 Mas, como disse, 30 anos no máximo, houve remissão de pena aparentemente, no caso dela e deve estar em liberdade. Aí sobre este, espaço terapêutico dos comentários está sempre disponível aí para si colocar a sua opinião sobre tudo isto. Bem, agradeço imenso a sua companhia.

 

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