O Labirinto das Identidades: o desaparecimento de Cari Farver e a investigação que revelou anos de perseguição digital
Durante vários anos, centenas de mensagens, dezenas de endereços eletrónicos falsos e uma sucessão de episódios aparentemente desconexos fizeram as autoridades acreditar que Cari Farver estava viva, escondida algures e determinada a perseguir um antigo companheiro. Na realidade, ninguém da sua família a via desde novembro de 2012. Por detrás das mensagens atribuídas a Cari encontrava-se uma pessoa que construiu uma complexa rede de identidades falsas, acusações e encenações para desviar as suspeitas.
O caso começou em Omaha, no estado norte-americano do Nebraska, envolvendo três pessoas cujas vidas se cruzaram através de encontros ocasionais: Dave Kroupa, Cari Farver e Shanna Golyar, conhecida entre os amigos como Liz.
Dave tinha 37 anos e acabara de sair de uma relação de aproximadamente 12 anos com Amy Flora, mãe dos seus dois filhos. Depois da separação, mudou-se para Omaha, onde começou a trabalhar numa oficina automóvel e alugou um pequeno apartamento. Sem intenção de iniciar um novo compromisso, passou a utilizar aplicações de encontros, deixando claro às mulheres que conhecia que procurava apenas relações ocasionais.
Foi através de uma dessas aplicações que Dave conheceu Shanna Golyar. Os dois tinham alguns aspetos em comum: eram divorciados e tinham filhos de idades semelhantes. Inicialmente, mantiveram uma relação de amizade. Conversavam, jantavam juntos, jogavam videojogos e conviviam com amigos.
Com o tempo, a proximidade tornou-se física, mas Dave continuou a afirmar que não desejava uma relação exclusiva. Segundo o seu relato, Shanna aceitou essas condições, embora ocasionalmente demonstrasse interesse em transformar o vínculo num relacionamento mais sério.
Cerca de sete meses depois de conhecer Shanna, Dave recebeu uma nova cliente na oficina onde trabalhava. Chamava-se Cari Farver e precisava de reparar o automóvel. Dave afirmou ter sentido uma atração imediata, embora tenha mantido uma postura profissional.
Cari tinha também 37 anos. Era mãe de um adolescente chamado Max e trabalhava na área da programação informática. Anos antes, após o nascimento do filho, tinha sido diagnosticada com depressão e perturbação bipolar. Fazia tratamento e contava com o apoio dos pais, que participavam ativamente na educação de Max.
Apesar das dificuldades enfrentadas no passado, em 2012 Cari encontrava-se numa fase estável da vida. Tinha emprego, casa própria, automóvel e independência financeira. Familiares e amigos descreviam-na como uma mulher inteligente, sociável e muito ligada ao filho.
Depois daquele primeiro encontro na oficina, Dave e Cari voltaram a cruzar-se numa aplicação de relacionamentos. A conversa não avançou imediatamente, mas, alguns dias depois, ela regressou à oficina devido a outro problema no automóvel. Desta vez, os dois decidiram jantar juntos.
Durante o encontro, Shanna telefonou repetidamente a Dave, alegando que precisava de recolher alguns objetos que tinha deixado no apartamento dele. Depois do jantar, Cari acompanhou Dave até casa, mas Shanna chegou pouco depois. Cari saiu do local e cruzou-se com ela à entrada do edifício.
Mais tarde, Cari telefonou a Dave e convidou-o para ir até à sua residência. Apesar de a casa ficar a cerca de uma hora de distância, ele aceitou. Ambos concordaram que não pretendiam iniciar uma relação séria.
Nas semanas seguintes, continuaram a encontrar-se. Nessa altura, Cari estava envolvida num projeto profissional que frequentemente a obrigava a trabalhar até tarde. Como o apartamento de Dave ficava a poucos minutos do emprego dela, os dois combinaram que Cari poderia permanecer ali durante a semana.
Segundo Dave, tratava-se de uma solução temporária. Cari não tinha abandonado a casa onde vivia e nenhum dos dois se considerava parte de um casal formal.
Na manhã de 13 de novembro de 2012, ambos saíram normalmente para trabalhar. Algumas horas depois, Dave recebeu uma mensagem atribuída a Cari, na qual ela afirmava que desejava uma relação mais séria e pretendia viver com ele de forma permanente.
Dave respondeu que esse não tinha sido o acordo estabelecido entre os dois. A partir desse momento, as mensagens tornaram-se hostis. A pessoa que escrevia em nome de Cari acusava-o de ter destruído a sua vida e utilizava uma linguagem agressiva que Dave considerou incompatível com o comportamento que ela tinha demonstrado até então.
Quando regressou ao apartamento, Dave verificou que todos os objetos de Cari tinham desaparecido.
Nos dias seguintes, começou a receber dezenas de mensagens diariamente. Os contactos chegavam por telefone e correio eletrónico, apesar de Dave bloquear repetidamente os números e endereços utilizados. Sempre que mudava de número, novas mensagens apareciam pouco tempo depois.
Shanna também começou a receber mensagens atribuídas a Cari. Nelas, Cari supostamente acusava Shanna de impedir a existência de uma relação entre ela e Dave. Outras mulheres com quem Dave tentava encontrar-se passaram igualmente a ser contactadas.
A perseguição tornou-se cada vez mais invasiva. Algumas mensagens descreviam as roupas que Dave usava ou davam a entender que ele estava a ser observado. Outras ameaçavam Shanna e as mulheres que se aproximavam dele.
Ao mesmo tempo, Dave e Shanna retomaram a proximidade. De acordo com Dave, os dois apoiavam-se mutuamente perante uma situação que acreditavam ser provocada por Cari.
No final de novembro de 2012, Shanna encontrou uma mensagem ofensiva escrita no interior da sua garagem. O episódio representava uma mudança significativa: aquilo que até então parecia restrito ao ambiente digital passava a envolver invasões e danos materiais.
Shanna e Dave procuraram a polícia e apresentaram uma queixa contra Cari Farver por assédio.
Em janeiro de 2013, Dave encontrou o automóvel de Cari estacionado perto do seu apartamento. Como já tinha trabalhado no veículo, reconheceu-o imediatamente. Fotografou a matrícula e informou as autoridades.
A polícia procurou Cari nas imediações, mas não a encontrou. O automóvel foi apreendido e examinado. Naquela primeira análise, os investigadores localizaram apenas uma impressão digital num recipiente de rebuçados. A impressão não correspondia a Cari e não foi identificada nas bases de dados consultadas.
Apesar da recuperação do automóvel, as mensagens continuaram. Dave afirmou que, em pelo menos duas ocasiões, marcou encontros através de aplicações e, pouco antes de se encontrar com as mulheres, recebeu mensagens afirmando que os perfis eram, na verdade, criações de Cari.
Em agosto de 2013, a casa de Shanna foi atingida por um incêndio considerado intencional. Os filhos não estavam na residência, mas os animais domésticos morreram. Devido às ameaças anteriores, a suspeita voltou a recair sobre Cari.
Pouco depois, a oficina onde Dave trabalhava foi vandalizada. A situação levou-o a adquirir uma arma para proteção pessoal.
Em novembro de 2013, Amy Flora, antiga companheira de Dave e mãe dos seus filhos, também começou a receber mensagens ameaçadoras atribuídas a Cari. A perseguição parecia agora alcançar todas as mulheres que mantinham alguma ligação com Dave.
Depois do incêndio, Shanna mudou-se de residência. Segundo o relato apresentado posteriormente, evitou fornecer o novo endereço a Dave por receio de que Cari o descobrisse.
Em janeiro de 2014, uma amiga de infância visitou Dave. Durante a estadia, ele recebeu mensagens afirmando que estava a ser observado ao lado de outra mulher. Nessa mesma noite, um tijolo foi lançado contra uma das janelas e alguém tentou movimentar a maçaneta da porta.
Dave voltou a contactar a polícia, recordando que já tinha apresentado várias denúncias. Contudo, durante muito tempo, os episódios foram tratados como um caso de assédio sem agressão física direta contra ele.
Enquanto Dave e Shanna denunciavam Cari como perseguidora, a família dela tentava compreender por que razão não a via desde novembro de 2012.
No mesmo dia em que as mensagens hostis começaram a chegar a Dave, os familiares de Cari receberam comunicações nas quais ela afirmava que se mudaria para o Kansas para aceitar uma proposta profissional e começar uma nova vida.
A informação não era totalmente improvável. Cari tinha, de facto, recebido anteriormente uma proposta de trabalho naquela região. No entanto, deixou de atender chamadas e passou a comunicar exclusivamente por mensagens escritas.
A mãe de Cari e o filho, Max, inicialmente consideraram a possibilidade de ela ter interrompido a medicação e atravessar um período de instabilidade emocional. Cari já tinha abandonado o tratamento noutra ocasião por considerar que os medicamentos a deixavam excessivamente sedada.
Com o passar das semanas, porém, o seu comportamento tornou-se cada vez mais difícil de explicar.
Cari não apareceu num casamento familiar para o qual tinha confirmado presença. Faltou ao Natal, aos aniversários dos pais e ao aniversário do filho. Não compareceu a datas importantes, apesar da proximidade que sempre mantivera com a família.
A mãe pediu-lhe repetidamente que enviasse uma mensagem de voz, realizasse uma videochamada ou fornecesse qualquer prova de que era realmente ela quem escrevia. As respostas evitavam o pedido ou acusavam a família de tentar controlar a sua vida.
Em determinado momento, um homem telefonou anonimamente aos familiares e afirmou ter visto Cari num abrigo para pessoas sem residência. A família deslocou-se ao local, mas descobriu que a informação era falsa.
Max tentou confirmar a identidade da pessoa que lhe enviava mensagens. Fez perguntas pessoais, como o nome do primeiro cão da família, o seu segundo nome e a identidade do melhor amigo. Nunca recebeu respostas.
Noutra ocasião, uma mensagem enviada à melhor amiga de Cari afirmava que ela regressaria. Foram combinados um dia, uma hora e um local para o reencontro. A família aguardou, mas Cari não apareceu.
A convicção de que alguém poderia estar a fazer-se passar por ela aumentou depois da morte do seu pai. Cari era muito próxima dele, mas não compareceu às cerimónias fúnebres. Limitou-se a enviar uma breve mensagem de condolências.
Os familiares também notaram mudanças na escrita. As mensagens continham erros ortográficos e formas de expressão que não reconheciam como próprias de Cari.
Apesar das suspeitas, as autoridades consideravam possível que uma mulher adulta e financeiramente independente tivesse decidido afastar-se voluntariamente. A comunicação digital atribuída a Cari reforçava a impressão de que ela continuava viva.
Apenas em 2015, após insistência da família, uma nova equipa de investigadores analisou o caso com maior profundidade. Os agentes dividiram a investigação em duas linhas: uma procuraria sinais de que Cari estava viva; a outra procuraria indícios de que ela tinha morrido.
A análise financeira revelou um dado decisivo: nenhuma conta bancária de Cari tinha sido movimentada desde 13 de novembro de 2012.
Ela também não tinha utilizado cartões, recebido salários ou realizado qualquer outra atividade financeira. Não existiam registos que demonstrassem como teria sobrevivido durante mais de dois anos.
Os investigadores localizaram então as queixas apresentadas por Dave e Shanna. Segundo esses documentos, Cari estaria, durante todo aquele período, a perseguir Dave, Shanna e Amy Flora.
A contradição tornou-se evidente: Cari parecia extremamente ativa no ambiente digital, mas não deixava qualquer vestígio físico, financeiro ou profissional.
Foi então chamado um especialista em investigação forense digital. Durante as primeiras denúncias, Dave e Shanna tinham autorizado a polícia a copiar o conteúdo dos seus telemóveis. Contudo, esses ficheiros nunca tinham sido analisados de forma detalhada.
A perícia revelou que milhares de mensagens e mensagens eletrónicas tinham sido produzidas através de contas falsas. Ao longo de aproximadamente três anos, o autor teria enviado entre 15 mil e 25 mil comunicações, utilizando dezenas de identidades e vários métodos para ocultar a origem das ligações.
Apesar das tentativas de disfarce, endereços de IP, fotografias, dispositivos e dados associados às contas começaram a conduzir os investigadores até Shanna Golyar.
Uma imagem obtida através de um sistema de monitorização de trânsito mostrava o automóvel de Cari em circulação cerca de um mês antes de ser encontrado perto do apartamento de Dave. Isso indicava que alguém continuara a utilizar o veículo depois do desaparecimento.
Também foram identificadas chamadas feitas para a residência de Cari antes de 13 de novembro, com recurso a um código que ocultava o número de origem.
Em maio de 2015, os investigadores informaram a mãe de Cari de que já não acreditavam num desaparecimento voluntário.
Durante uma entrevista, ela revelou que, no dia 13 de novembro de 2012, tinha recebido uma mensagem da filha afirmando que vendera todos os móveis da casa. Cari pedia que a mãe permitisse ao comprador recolher os objetos.
Como prova da suposta transação, foi enviada a fotografia de um cheque assinado por Shanna Golyar.
A ligação entre Shanna e os bens de Cari reforçou as suspeitas. Ainda assim, os investigadores precisavam de determinar o que tinha acontecido e reunir provas suficientes para sustentar uma acusação.
Em dezembro de 2015, Shanna compareceu numa esquadra para apresentar uma nova denúncia. Desta vez, alegou que Amy Flora, ex-companheira de Dave, era a verdadeira responsável pelas mensagens atribuídas a Cari.
Os investigadores decidiram aparentar que acreditavam na versão. Pediram autorização para copiar o conteúdo do telemóvel de Shanna, supostamente para provar o envolvimento de Amy.
Durante a conversa, Shanna mencionou saber que a arma de Dave tinha desaparecido. A informação despertou atenção porque, segundo os investigadores, Dave não lhe tinha contado o sucedido.
No dia seguinte, Shanna telefonou para os serviços de emergência e declarou ter sido atingida na perna enquanto caminhava sozinha num parque. Inicialmente, afirmou não ter visto o responsável. Mais tarde, acusou Amy Flora.
A investigação concluiu que o ferimento tinha sido provocado pela própria Shanna e que Amy não estava envolvida.
A perícia digital encontrou ainda dezenas de contas eletrónicas falsas e uma aplicação que permitia programar o envio automático de mensagens. Esse mecanismo explicava como Shanna e Dave podiam receber comunicações atribuídas a Cari mesmo quando estavam juntos.
Os investigadores estimaram que Shanna dedicava dezenas de horas por semana à criação de mensagens, perfis, fotografias e situações destinadas a sustentar a existência digital de Cari.
Para obter informações mais concretas, os agentes continuaram a fingir que consideravam Amy Flora suspeita. Incentivaram Shanna a tentar conseguir uma confissão escrita da alegada autora.
Pouco tempo depois, uma das contas falsas atribuídas a Amy enviou uma mensagem que descrevia detalhadamente o que teria acontecido a Cari. O texto afirmava que ela tinha sido morta, que os seus restos tinham sido destruídos e que o que restava fora colocado em sacos e descartado.
A precisão do relato levou os investigadores a acreditar que o verdadeiro autor conhecia detalhes que não tinham sido divulgados.
Os agentes pediram então mais informações. Uma segunda mensagem falsa afirmou que o crime tinha ocorrido dentro do automóvel de Cari.
O veículo, que estava sob custódia das autoridades há mais de dois anos, foi novamente examinado. Desta vez, os peritos trataram-no como uma possível cena de crime. Foram encontradas manchas que, após análise, corresponderam ao sangue de Cari Farver.
A polícia realizou uma busca à residência de Shanna. No local, encontrou objetos pertencentes a Cari, incluindo câmaras fotográficas e equipamentos retirados da casa dela.
Numa das câmaras havia um vídeo gravado por Cari poucos dias antes do desaparecimento, no qual mostrava danos provocados no seu automóvel. O material indicava que os episódios de perseguição contra ela poderiam ter começado antes de 13 de novembro.
A investigação concluiu ainda que várias situações apresentadas por Shanna como ataques de Cari tinham sido encenadas. Segundo a acusação, ela própria teria enviado as mensagens, vandalizado os espaços, provocado o incêndio na sua residência e causado o ferimento na perna para acusar outras pessoas e afastar as suspeitas.
Shanna Golyar foi detida em dezembro de 2016.
O processo apresentava um obstáculo significativo: o corpo de Cari nunca tinha sido encontrado. Também não existia uma confissão direta. A acusação dependia de provas circunstanciais, digitais e forenses.
Pouco antes do julgamento, surgiu uma nova descoberta. Dave recordou-se de um tablet antigo que tinha guardado. O aparelho continha um cartão de memória anteriormente utilizado num telemóvel de Shanna.
O especialista forense conseguiu recuperar ficheiros eliminados. Entre eles estava a fotografia de um pé humano com uma tatuagem semelhante à de Cari. Segundo a acusação, a imagem tinha sido produzida depois da morte e encontrava-se no dispositivo associado a Shanna.
No julgamento, realizado em 2017, o Ministério Público apresentou uma reconstrução baseada nos dados digitais, nas mensagens falsas, nos endereços de IP, no sangue encontrado no automóvel, nos objetos de Cari localizados na casa de Shanna e na fotografia recuperada do cartão de memória.
A acusação sustentou que Shanna matou Cari por ciúmes e assumiu a sua identidade digital para criar a impressão de que ela estava viva. Depois, utilizou essa identidade para perseguir Dave, atacar outras mulheres e apresentar-se como vítima.
Segundo os procuradores, o objetivo era afastar Cari, reaproximar-se de Dave e controlar a narrativa durante os anos seguintes.
A defesa contestou a interpretação das provas e argumentou que não existia um corpo, uma arma identificada ou uma testemunha presencial do crime. Shanna declarou-se inocente e negou ser responsável pelas mensagens.
O tribunal, porém, considerou que o conjunto das provas demonstrava a sua responsabilidade.
Shanna Golyar foi condenada por homicídio em primeiro grau e sentenciada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Recebeu ainda uma pena adicional relacionada com o incêndio provocado na própria residência.
Mesmo depois da condenação, continuou a afirmar que era inocente e que o verdadeiro responsável permanecia em liberdade.
Os restos mortais de Cari Farver nunca foram encontrados.
O caso tornou-se uma referência sobre a importância da investigação digital em crimes nos quais a vítima parece continuar ativa através de mensagens, redes sociais e contas eletrónicas. Durante anos, a presença virtual atribuída a Cari confundiu familiares e autoridades, retardando o reconhecimento de que ela já não controlava os próprios dispositivos.
A investigação demonstrou que mensagens de texto, endereços de IP, aplicações de envio programado, metadados de fotografias e ficheiros eliminados podem revelar uma narrativa muito diferente daquela apresentada à primeira vista.
Também expôs as consequências da perseguição prolongada e da manipulação de identidade. A família de Cari passou anos a receber mensagens de alguém que utilizava o seu nome, enquanto o filho tentava obter uma simples resposta que confirmasse que a mãe ainda estava viva.
Por detrás de milhares de comunicações digitais existia uma ausência física que, durante demasiado tempo, não recebeu a atenção necessária. Foi apenas quando os investigadores compararam os dados eletrónicos com os registos financeiros, profissionais e pessoais que a estrutura da fraude começou a desmoronar-se.
O desaparecimento de Cari Farver não foi esclarecido por uma única prova, mas pela combinação de pequenos elementos acumulados ao longo dos anos. O caso mostrou que, no ambiente digital, uma pessoa pode parecer presente muito depois de ter desaparecido — e que descobrir quem realmente está por detrás de um ecrã pode ser decisivo para alcançar a verdade.