DANIEL ALVES: A MULHER QUE O TIROU DA CADEIA E DEPOIS ACABOU COM ELE

DANIEL ALVES: A MULHER QUE O TIROU DA CADEIA E DEPOIS ACABOU COM ELE

Daniel Alves é o lateral direito mais vencedor da história do futebol. 43 títulos oficiais, seis taças do Rei, três Liga dos Campeões, oito vezes campeão de Espanha, duas Copas América, uma Confederações, um Euro olímpico. Ele jogou no Bahia, no Sevilha, no Barcelona com Messi, no Juventus com Cristiano, no PSG com Neymar, no São Paulo, no Pumas.

Beijou troféu em Atenas, em Wembley, em Berlim, em Kardef. E em 20 de janeiro de 2023 entrou de cabeça baixa, algemado, numa vanda Moços de Esquadra rumo à penitenciária de Brians 2, nos arredores de Barcelona. 14 meses depois, no dia 25 de março de 2024, saiu daquele mesmo edifício a andar devagar com uma camisa branca que estava demasiado grande nele.

 A caução foi de 1 milhão de euros, R 5 milhões e meio deais ao câmbio dessa semana. A versão oficial a que saiu nos jornais brasileiros e espanhóis é a versão da mãe heroína. Dona Lúcia, 70 anos, lá do Juazeiro, hipotecou tudo que tinha para tirar o filho. Mas essa é a versão limpa, a versão dos editoriais. Hoje, neste vídeo, vai ficar a conhecer a outra versão,  a que vai do quintal de uma casa de bairro em Juazeiro até um escritório no passeio de La Castelana em Madre.

 Fica até  o final porque vai saber quem é uma mulher de madre que ninguém da família Alves conhecia até janeiro de 2024 e que hoje, em junho de 2025, está  com um processo a correr no tribunal civil de madre contra aquela família. Você vai-se lá entender porque é que a dona Lúcia voltou  de Barcelona com menos 11 kg do que tinha quando embarcou e do que apareceu na caixa de correio da casa dela um ano depois.

 E o mais perturbador, vai ler a cláusula quatro de um contrato de seis páginas que Daniel Alves jura nunca ter assinado e que hoje vale mais do que a caução que pagou pela sua liberdade. Guarda esse nome porque ele volta. Cláusula 4. ª Para perceber porque é que uma senhora de 70 anos lá de Juazeiro hipotecou a casa onde ela criou cinco filhos.

 E  porquê esta hipoteca não bastou e teve de entrar mais gente na história? A gente precisa de recuar 35 anos atrás para uma  casa de tijolo à vista na rua de chão batido no bairro Maringá, em Juazeiro,  Baía. Para um menino de 6 anos que ainda não sabia chutar a bola em condições, mas já tinha decidido  uma coisa: Juazeiro, Bahia, cidade do sertão, do São  Francisco, da fronteira com Petrolina, do calor que rachava a parede em outubro.

 Bairro Maringá, casa pequena, três divisões, casa de banho do lado de fora. Domingos Alves da Silva trabalhava de sol a sol na lavoura de melancia e de cebola.  que arrendava com mais dois irmãos a uns quilómetros do centro. Maria Lúcia ficava em casa  a cuidar dos filhos, mas cuidar não era estar parada. A Lúcia cozinhava.

 A Lúcia lavava em silêncio  à noite no fundo do quintal, na altura em que ninguém via. Eram cinco. O Daniel era o do meio. Nasceu  no dia 6 de maio de 1983. O quarto que partilhava com os irmãos tinha duas camas, três crianças e um ventilador que ninguém ouvia desde 1989. O cheiro da casa era de erva seca, de fogão a lenha, de café requentado, de roupa estendida no estendal de arame.

 Aos 6 anos, o Daniel já corria no quintal com uma bola de meia que ele próprio enrolava. Aos sete, levava a chinelada do pai quando regressava a casa depois das 8. Aos 8 marcou o primeiro golo num campinho de terra batida atrás da escola e voltou a correr para casa, suado, descalço, com a planta dos pés gretada.

 Foi nesse dia que ele disse a frase à mãe. Estava sentado no banco da cozinha a descascar uma manga com a faca de cabo de osso e olhou para a Lúcia, que estava junto ao fogão mexendo uma panela de feijão. Disse assim com aquela voz fina de menino do sertão: “Mãe, um dia vão gritar o meu nome em todo o Brasil.

 A senhora vai ver.” A Lúcia não  respondeu, continuou a mexer feijão. Os filhos do sertão  naquela época prometiam muita coisa. Quase nenhum cumpria. Mas a A Lúcia nessa noite não dormiu descansada. E ela ia lembrar-se desta frase muitas vezes nos anos seguintes. Ia lembrar-me dela na primeira vez que viu o filho de chuteira no jornal de Salvador.

 Ia recordá-la na vitória da Copa do Mundo sub 20 em 2003. ia lembrar-me dela em Wembley, em maio de 2011, vendo o filho beijar uma taça de orelhas brancas dentro do estádio, que tinha visto na televisão a vida inteira, e ia recordar dela, com mais dor do que orgulho, na noite de 20 de janeiro de 2023, sentada no sofá, vendo o nome do filho passar no Jornal Nacional  pelo pior motivo possível.

 Mas a gente está em 1991. Ainda na cozinha, no feijão, o primeiro treinador de Daniel foi um senhor chamado Adoton, treinador de uma escolinha de bairro que se reunia nos finais de semana num campinho junto à matriz.  Adaiton era pedreiro de profissão e treinador por amor. Tinha pernas curtas, voz grossa e uma frase que repetia aos meninos quando iam entrar para um jogo.

 Joga como se o estádio fosse seu, como se a bola fosse a sua  e como se a claque fosse a sua família. O Daniel cresceu ouvindo esta frase e ia repeti-la  anos depois em duas entrevistas dadas à imprensa europeia.  sem que ninguém percebesse de onde ela vinha. Domingos, o  pai era homem das antigas, trabalhador, calado, durão.

 A regra que ensinava aos filhos era a regra que tinha aprendido com o próprio pai. Homem que se preze e não chora na mesa, não chora na vida. E uma regra mais grave, que dizia em surdina aos rapazes, quando a mãe não estava por perto, o homem faz-se com a palavra dura e o pé firme. Mulher chora, homem aguenta. O Daniel ia carregar essas frases sem saber.

 Ia repeti-las em discursos, em entrevistas,  em rodas de bar. ia mandar bordar a frase do pai numa almofada que comprou em Sevilha em 2004 e que se mantém até hoje numa casa de Castelde Deffels que já não habita. Quando o telhado da vida dele caiu em janeiro de  2023, não chorou diante das câmaras, não chorou nas três primeiras  visitas da Joana em Brian 2.

 A primeira vez que Daniel Alves chorou em público foi quase um ano depois, em fevereiro de 2024, e foi numa sala  que tinha apenas três pessoas lá dentro, ele, o advogado e a  mãe. Mas a gente vai voltar a esta cena no ato 5. Por enquanto a gente regressa a Juazeiro. Em 1996, com 13 anos, Daniel já era diferente dos outros meninos do bairro.

 mais magro, mais rápido, mais decidido. Naquele ano, um olheiro do Esport Clube Bahia, descendo o sertão à procura de miúdos, passou por Juazeiro num fim de semana de torneio entre escolinhas. A Dayon, o pedreiro treinador, apontou para o Daniel a meio da partida e disse uma frase que o olheiro ia repetir 27 anos depois, numa entrevista a um portal de Salvador.

Aquele menino ali vai jogar à Taça do Mundo. Anota o nome. O olheiro anotou. Estávamos em 1996. O Daniel tinha 13 anos. E foi também em 1996 que aconteceu uma cena que ninguém da família registou em foto. Ninguém da imprensa cobriu. Ninguém em Juazeiro se lembra-se. A Dona Lúcia tinha 41 anos, sentou-se no banco de cimento da praça em frente à igreja matriz numa tarde de domingo sozinha à espera que o marido saia da reunião na paróquia.

 Daniel atrás dela jogava ao volante com um primo. Ela esteve ali uns 40 minutos. Ninguém parou para falar com ela. Ninguém naquela praça sabia quem ela era, nem ia saber durante muitos anos. Anota aquela praça, guarda esse nome, porque ele volta. O olheiro do Bahia, depois desse final de semana em Juazeiro de 1996, voltou para Salvador e disse o nome do Daniel a duas pessoas.

 Uma delas era o diretor das camadas jovens do clube. A outra era um agente português sediado em Salvador, que trabalhava com transferências de rapazes brasileiros para equipas de Portugal  e da Espanha. O nome deste agente foi muito repetido na imprensa brasileira em 2002 e 2003. Continua vivo hoje reformado em Lisboa. Não o vamos pronunciar aqui.

Guarda esse nome porque ele volta. Daniel mudou-se para Salvador em 1998. Tinha 15 anos. Foi viver para uma pensão gerido pelo Bahia, dividindo o quarto com mais três rapazes da formação. Um deles, um defesa, que iria desistir do futebol dois anos depois e voltar ao sertão para abrir uma oficina de automóveis.

 Em 2001, com 18 anos, Daniel estreou-se no profissional do Bahia, camisola  22, lateral direito. Magro, raivoso, rápido, com um drible curto que ninguém tinha visto desde os tempos áureos de Bobô. Fez 13 partidas naquele ano. Numa delas, contra o Sport  em Salvador, driblou três jogadores na linha lateral, levantou para a baliza com uma cavada de pé esquerdo e o atacante  do Bahia mandou para o fundo da rede.

 O agente português, que se encontrava na bancada de honra, acompanhada de dois  homens de fato escuro, levantou-se e disse a boca baixa para o homem ao lado: “Este joga em Sevilha  em janeiro”. E tocou. Em Janeiro de 2003, Daniel Alves desembarcou no aeroporto de São Pablo, em  Sevilha, com 19 anos completos.

 Levava uma mala de rodas, um cordão de São Bento herdado da avó e a foto da mãe Lúcia dentro  da carteira. Não falava uma palavra de espanhol. Ia a aprender em três meses, mas com sotaque baiano  que nunca perdeu. Foi em Sevilha que Daniel Alves virou-se.  Daniel Alves. Em duas épocas e meia, virou capitão.

 Venceu duas taças da UEFA, uma Taça do Rei, uma Supertaça Europeia. Em 2008, o Barcelona pagou 35 milhões e meio de euros por ele. Foi o lateral direito mais caro da história até àquele momento. Daniel tinha 25 anos e em 2008 também se casou pela primeira vez. com Dinorá Santana, baiana de Salvador, com quem namorava desde adolescente. Dinorá era duas coisas que muita mulher de jogador brasileiro dessa geração não era. Era leitora e era calada.

 Tinha 25 anos quando se casou. Engravidou no primeiro ano. Em 2009 nasceu Daniel Filho. Em 2012 a Vitória de Norá é uma personagem deste vídeo.  Anota o nome porque nós voltamos. Em 2017, ela e Daniel separaram-se. Em 2025, mais concretamente em junho de 2025, Daniel ganhou na justiça civil espanhola um processo contra ela e recuperou cerca de R$ 4 milhões deais, que, segundo o jogador, ela teria movimentado indevidamente  da sociedade conjugal.

 A versão de Deorá, que ela só falou em entrevistas curtas, sempre foi outra. Mas isso é tema pro ato 6. Em 2008, em Barcelona, ​​Daniel começou a ganhar muito dinheiro. Em valores da época, recebia algo próximo de 6 milhões de euros por época de salário base. Mais luvas, mais publicidade. Comprou uma casa em Castelo de Féus, à beira-mar, durante 2.

hões2 milhões euros. Segundo o registo de imobiliário daquela região, comprou um automóvel desportivo italiano cujo modelo  não interessa muito. Comprou para a mãe em Juazeiro uma casa nova num bairro melhor. E esta casa, anota lá, é a casa que ia ser hipotecada 16 anos depois. Guarda esse nome porque ele volta.

 A casa do Juazeiro. E aqui entra um pormenor que poucos da imprensa brasileira pesquisaram. Em 2009, em Sevilha, segundo fontes ligadas ao meio jurídico daquela cidade, que pediram anonimato,  teria havido um episódio, uma denúncia de assédio de uma mulher que trabalhava num restaurante perto do estádio  Santis Pisuan, onde Daniel ainda costumava jantar quando regressava à cidade.

 A denúncia foi arquivado em três meses, nunca chegou aos jornais. A mulher, segundo as mesmas fontes, recebeu um valor que não foi tornado público e assinou um acordo de confidencialidade.  O nome dela nunca apareceu em lado nenhum. Hoje ela teria 47 anos e viveria fora de Espanha. Estamos a falar aqui, e é importante deixar claro, de uma versão que circula no meio jurídico de Sevilha, mas que nunca foi confirmada por documento.

 Daniel sempre negou em silêncio qualquer episódio anterior aos factos de 2022.  A versão oficial da sua família é que nunca houve denúncia em Sevilha, mas as fontes existem e o meio conhece. Anota  ali, porque isto aqui não pode esquecer. E aqui entra [a música] o que ninguém da imprensa desportiva quis ver na época.

 Existia, nos anos de 2009 a 2015, um pequeno círculo de pessoas trabalhando em redor do Daniel Alves, que tinha uma especialidade silenciosa, limpar problemas. Não era um departamento oficial, não tinha cartão de visita. Eram dois advogados, um assessor de imprensa sediado em madre e um intermediário que circulava entre Sevilha, Barcelona e Madre.

 Um quinteto invisível. eram pagos por fora, resolviam o que era necessário resolver. E em 14 anos de carreira espanhola, segundo aquelas mesmas fontes, eles teriam resolvido pelo menos cinco situações graves antes que virassem manchete. Cinco. Anota o número. Em 14 anos, em 2022,  na noite de 30 de de dezembro, este círculo já estava em ruínas.

 Dois dos quatro membros tinham morrido. Um terceiro tinha-se mudou para Portugal e cortou o contacto. O quarto tinha mudado de cliente em 2019. Daniel Alves, em dezembro de 2022, estava sozinho, sem rede de proteção, sem aparelho, e ele ainda achava que tinha controlo. Lisette, a mulher do agente português dos anos 90, citamos no início deste  ato sem nome, viu o resumo daquele círculo desmoronar-se e registou em silêncio.

 Ia recordá-lo muitos anos depois,  quando o nome do Daniel já tivesse saído dos noticiários desportivos e voltasse a aparecer apenas nos noticiários policiais. ia recordá-lo quando ouvisse uma frase específica na cozinha de um apartamento em Lisboa em fevereiro de 2024, dita por um amigo do marido. Mas voltamos a essa cena. Em 2008, em Barcelona, ​​Daniel Alves era ainda um menino do sertão, tentando perceber por tinha tanto dinheiro na conta.

 ganhava, gastava, voltava a ganhar. Pagava contas de gente que ele mal conhecia, mandava dinheiro  para familiares em Juazeiro pelo Western União. Pagava a conta do hospital da tia avó que nunca tinha visto e ainda sobrava porque o salário era grande demais para um menino que tinha aprendeu a comer arroz com ovo aos 9 anos.

 E aqui entra a primeira questão que ninguém da imprensa fez no momento certo. Onde estava a dona Lúcia em 2008, enquanto o filho explodia na Europa? A resposta é simples e cruel. Dona Lúcia estava na cozinha do Juazeiro. Daniel mandou um avião, mandou um hotel, mandou convite. Lúcia foi a Barcelona em 2010.  Ficou três dias, voltou.

 disse que o frio doía-lhe nos ossos, que a comida não tinha sabor, que as pessoas falavam demasiado alto, mas a verdade que ela disse só para uma cunhada anos mais tarde é outra. Lúcia regressou a Juazeiro porque tinha medo daquele mundo, porque sentiu, sem saber explicar,  que o filho dela já tinha entrado numa engrenagem da qual ela já não conseguia protegê-lo.

 E ela tinha razão. Faltavam 14 anos para o telefone dela tocar pela última vez. E quando tocasse, ia ser de madrugada e do outro lado da linha ia ter uma voz desconhecida em espanhol, dizendo coisas que ela não ia compreender.  De 2008 a 2016, Daniel Alves foi a peça mais subestimada do melhor equipa de futebol da história.

 Aquele Barcelona de Pepe Guardiola, depois  de Tito Vila Nova, depois de Luís Henrique, ganhou tudo o que dava para ganhar. espanhol em sequência. Champions em 2009, 2011 e 2015. Taça do Rei como se fosse rotina, dois mundiais  de clubes, Supertaças europeias, Supertaças Espanholas.  Daniel jogou com Messi, com Iniesta, com Xavi, com Henry, com Eto, com Suares, com Neymar.

 foi o lateral que mais deu assistência ao maior jogador da história. 399 jogos, 23 golos, 101 assistências, das quais 42 para o argentino.  Não estamos a falar de um bom lateral, estamos a falar do melhor lateral direito que o futebol mundial viu desde Cafu. E em paralelo a tudo isto, a vida pessoal do Daniel ia rachando lentamente, sem que ninguém de fora prestasse atenção.

 Em 2014, segundo a imprensa cor-de-osa espanhola, Daniel teria sido visto em três eventos diferentes em madre, sem deorá, na companhia de mulheres diferentes em cada um. As revistas, leituras e semana publicaram fotos. de Norá, em Castel deffels, recebeu chamadas da sogra a perguntar se estava bem. Disse que sim. Mandou as crianças à escola, pegou no carro, foi até ao porto de Barcelona, ​​sentou-se num banco em frente ao mar e ficou ali 3 horas sem se mexer.

 Lúcia, em Juazeiro, descobriu pelo programa de mexericos da emissora local. Uma vizinha que limpava a casa três vezes por semana chegou correndo numa manhã de terça-feira com a revista na mão. A Lúcia leu na cozinha sem óculos segurando a revista a 15 cm do rosto. Não disse nada. subiu para o quarto, acendeu uma vela em frente à imagem de Nossa Senhora Aparecida que tinha em cima do criado-mudo.

 Rezou meia hora, desceu, foi tratar do almoço e aqui entra o segundo grande buraco da história oficial, a imprensa cor-de-osa espanhola. Durante 15 anos viveu da família Alves cada movimento, cada foto na praia, cada festa em Ibisa, cada beijo numa discoteca em madre, cada lágrima no aeroporto, virava capa. Ola pagava, lecturas pagava 10 minutos pagava.

 Hubo dinheiro a circular e muito. Não da família Alves para a imprensa, da imprensa para o meio envolvente da família, para fotógrafos, para informantes,  para os empregados de mesa que avisavam quando Daniel chegava a um restaurante, parairos de hotel que vendiam o número do quarto. Neste ecossistema, [a música] alguém ficou rica. várias pessoas.

 Na verdade, uma delas, anota lá, é a empresária que vai aparecer no ato 6 deste vídeo. Em 2014, tinha 38 anos, era sócia de uma agência de modelos no Centro de Madre e tinha começado a circular nos mesmos eventos sociais que a família Alves frequentava. Ela conhecia-nos do entorno de  Joana Sans, ainda antes de Joana, mas a gente vai voltar a ela.

 Por enquanto,  ela é apenas uma sombra. Em 2015, em Ibisa, O Daniel conheceu  Joana Sans, modelo espanhola, 22 anos na época, filha de uma família trabalhadora das Ilhas Canárias. Em setembro  de 2015, já viviam juntos. Em junho de 2017,  casaram numa cerimónia íntima em Formenteira, organizada por uma assessora de eventos de madre.

 De Norá já estava separada legalmente do Daniel desde fevereiro desse mesmo ano. Em 2016, Daniel saiu do Barcelona paraa Juventus. Em  2017 foi ao Paris Saint-Germain. Em 2019 regressou ao Brasil para o São Paulo.  Em 2022 foi para o Pumas no México. Cada mudança  era uma quebra salarial.

 Cada queda salarial era uma fissura extra no nível de vida da família. Daniel em 2020 ainda mantinha quatro casas, três carros caros, duas equipas de pessoas trabalhando para ele a tempo inteiro. Em 2022, mantinha duas casas, um carro caro e uma equipa reduzida. A imprensa desportiva via os números e fazia conta. A imprensa cor-de-osa via as fotos e fazia outra conta.

 As duas contas juntas  davam total que ninguém na família calculou direito. O Daniel tava rico no balanço, pobre em cash-flow e rodeado de gente cara que vivia dele. Em paralelo, Lúcia Enjuazeiro tinha aprendeu uma coisa em 2018. Ela tinha ficado um mês inteiro  hospedada em Castelo de FS com o filho e a nora Joana e esta viu o que Joana mandava apagar do Instagram.

 Cada vez que aparecia algo de errado, ela viu a Joana receber telefonemas a meia voz que duravam 2 horas. Ela viu o seu filho chegar a casa às 5 da manhã, num Domingo de Páscoa, e dormir até à hora do almoço de segunda-feira. Lúcia não disse nada. Lúcia regressou a Juazeiro com 11 kg a mais do que tinha ido. Comida, segundo ela.

 Mas não era comida,  era a preocupação. E essa preocupação dali a 6 anos ia ser cobrada na conta do corpo dela. Mas isso a gente volta no ato sete. Aqui é onde a coisa começa a ficar  feia. Em outubro de 2022, a Joana e o Daniel estavam em crise. Tinham-se separado uma vez em 2021, voltado em 2022, separado de novo em setembro de 2022.

 Em outubro, Daniel viajou sozinho para Barcelona, oficialmente para visitar amigos. Joana ficou em Ibiza. A imprensa cor-de-osa registou tudo. E em dezembro, mais concretamente no dia 30 de dezembro, na Bu Son em Barcelona, ​​aconteceu o que ia mudar tudo. Imagina por momentos que é uma mãe de 67 anos sentada numa cozinha de bairro de Juazeiro num final de dezembro de 2022.

 Não tem tido notícia do filho há 15 dias. Você está ver o noticiário da noite  segurando uma chávena de café e de repente o apresentador local num programa de televisão da Bahia começa a falar uma frase que envolva o nome do o seu filho e a palavra  agressão e a cidade Barcelona. Você não percebeu bem o que ele disse.

 Você levanta-se da cadeira, pega no telefone, liga ao filho. O telefone toca uma vez, duas vezes, três vezes. Cai na caixa postal,  toca de novo. Cai na caixa de correio, toca de novo. Daniel Alves, na noite  de 30 para 31 de dezembro de 2022, ligou para um advogado em madre às 11:17 da manhã.

 Ainda em horário espanhol,  pediu orientação. O advogado, segundo fontes ligadas ao escritório que pediram anonimato, terá dito a Daniel uma frase que mudou tudo. Daniel, dessa  vez não dá para pagar. A menina foi à polícia. Daniel desligou, olhou através da janela do apartamento onde  estava. Não dormiu durante mais 36 horas.

 Já tínhamos contado o dinheiro, já tínhamos contado as casas. Já tínhamos contado as fissuras. O que vinha agora era de outra natureza. Faltavam 20 dias para o telefone de Juazeiro tocar pela última vez como o telefone de uma mãe normal. Guarda esse nome porque ele volta. 20 dias.

 No dia 13 de janeiro de 2023, a mãe de Joana Sans morreu em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, doença respiratória que vinha arrastando-se há do anos. Joana viajou para enterrar a mãe num cemitério com vista para o mar. Voltou a Barcelona no dia 18 de janeiro. Ainda não sabia que o marido ia ser preso 48 horas depois. Em 20 de janeiro de 2023, sexta-feira, 00:40 da manhã, Daniel Alves apresentou-se ao juízo de instrução número 15 de Barcelona na rua Luis Companis.

 Vestia uma camisa branca, calças de ganga, blusão escura.  Ainda pensava naquela manhã que ia dar declaração e regressar a casa. Aos 10 minutos do depoimento, a juíza decretou  prisão preventiva sem direito a fiança. Os moços da  esquadra entraram pela porta lateral. Daniel olhou pela janela, não disse nada, estendeu os pulsos para algema.

 Avan saiu do tribunal às 13:47. Em 2 horas estava à entrada da penitenciária de Brians 2, em Santa Estev Ces Rovieres, a 30 km de Barcelona. Daniel Alves saiu da carrinha, foi conduzido por dois agentes até ao sala de triagem, retirou o cordão de São Bento, que ainda usava, o mesmo  herdado da avó em 1998.

O cordão foi colocado num saco de plástico transparente,  numerado e arquivado. Em Juazeiro, nessa mesma sexta-feira, eram 9 da manhã, hora brasileira, quando o  telefone tocou em casa da dona Lúcia. Quem ligou foi um sobrinho de Salvador que tinha acabado de receber a notícia.

 Lúcia atendeu, ouviu durante 15 segundos, não disse nada,  desligou, subiu para o quarto, sentou-se na beira da cama, olhou para a imagem de Nossa Senhora Aparecida no criado-mudo. E aí, e só aí, passados ​​67 anos de vida  e três filhos enterrados na infância e um marido morto há 7 anos, dona Lúcia colapsou pela primeira vez.

Eram 14 horas em Barcelona e 9 horas em Juazeiro. Joana  em Castel de Féus, nesse mesmo instante vestia preto a regressar de um almoço com a tia em Ctiges. O telefone dela tocou. Era a irmã. A irmã disse uma frase que a Joana não se vai esquecer enquanto viver. Joana está em todos os canais. Senta-se primeiro.

A Joana sentou-se no banco da varanda, olhou para o mar, disse em voz baixa em catalão uma frase que mais ninguém ouviu.  E aqui entra o que ninguém compreendeu naquele momento. Joana Sans,  ali no dia 20 de janeiro de 2023, tinha 30 anos. tinha acabado de enterrar a mãe s dias antes, não dormia direito há três semanas, não comia direito a cinco e agora descobria  pela imprensa que o marido tinha sido detido por agressão sexual a uma jovem de 23 anos  numa discoteca em Barcelona, ​​uma semana antes do

funeral da mãe. Joana ali a 20 de janeiro de  2023 perdeu na mesma semana os dois pilares da vida dela. Ela mesma disse isso em comunicado público que pediu silêncio à imprensa. Ela usou essas palavras. Perdi os dois únicos pilares da minha vida numa semana. Ela não estava a ser dramática, estava a ser literal.

 E aqui entra o segundo buraco que ninguém pensou em encher. Quem cuidou de Joan Sans nos primeiros 30 dias após a detenção de Daniel? A resposta oficial é: ninguém. A Joana ficou sozinha em Castel de Fels, com o cão, com a irmã de visita aos fins de semana. Mas a resposta não oficial, a que circula entre fontes ligadas à imprensa cor- deosa madrilena é outra.

 Em fevereiro de 2023, três semanas depois da detenção, Joana terá começado a frequentar um restaurante na rua Hermozila, em madre, em três visitas que somam ao todo mais de 8 horas de conversa com a mesma mulher, mais velha, empresária do circuito da moda, conhecida no meio como amiga de uma amiga da Joana, esta empresária, a da agência de modelos, a que apareceu como sombra no acto Qu anota porque ela volta no ato seis com tudo.

Voltemos a Daniel. Em 14 meses de prisão, em Brians 2, Daniel teve 27 visitas autorizadas. A Joana visitou nove vezes nos primeiros seis meses e depois parou. De Norá, a primeira mulher,  visitou por duas vezes, ambas em 2023, e nunca falou disso publicamente. Os dois Os filhos do primeiro casamento foram uma vez, em junho de 2023, acompanhados de uma tia.

 Daniel Filho, na altura com 14 anos, não falou com o pai durante a visita. sentou-se na cadeira da sala de visitas, olhou para o pai através do vidro grosso e ficou os 50 minutos em silêncio. Saiu da prisão no carro e foi a primeira coisa que disse à tia: “Tia, não volto mais lá”. E não voltou. Em fevereiro de 2024, Daniel Alves foi condenado a 4 anos e meio de detenção por agressão sexual a jovem que o tinha.

 Denunciado, a sentença foi lida numa audiência pública da Miel Estava algemado. A mãe Lúcia, em Juazeiro, viu  a sentença ao vivo pela televisão da sala com o copo de água na mão direita. Não derramou o copo, não chorou. Ela vinha treinando para esse momento há um ano inteiro. Mas nessa noite, na cozinha de Juazeiro, com a luz do lava-loiça ligada e o resto da casa às escuras, dona Lúcia  tomou a decisão da vida dela.

 Ela ia para Barcelona, ​​ia ela própria, ia hipotecar a casa, ia conseguir o dinheiro, nem que precisasse  vender a roupa do corpo. ia tirar o filho dela de Brians, dois nem que custasse a vida que ela ainda tivesse pela frente. Tinha 70 anos, não falava espanhol, nunca tinha entrado num banco fora de Juazeiro, não tinha cartão de  crédito internacional, mas havia uma coisa que aquele filho dela, em  14 meses de prisão, tinha desaprendido a usar. Força.

 Em primeiro de março de 2024, Lúcia entrou no avião em Salvador em direção a São Paulo, e de São Paulo rumo à madre, e de madre rumo à Barcelona. Vestia uma blusa azul-marinho que ela própria tinha costurado em 2019. Levava uma mala pequena,  uma mala de mão e dentro da mala, dentro da carteira,  dentro do bolso interior da carteira, um cartão com um nome, um nome que o filho dela nem sabia que estava ali.

 E é aqui que se resolve o primeiro loop deste vídeo, o nome A mulher de Madre. Guarda esse nome porque ele volta. Lúcia desembarcou em Barcelona, ​​Elprat, em 2 de Março de 2024, ao final da tarde. Foi recebida por uma cunhada de Daniel, que vivia em Castelfels desde 2018 e tinha um carro velho.

 Foi diretamente para um pequeno motel num bairro chamado Grácia, longe do centro turístico, escolhido pelo advogado da família por ser forreta e discreto. 70€ a diária. Duche com pouca pressão, janela que dá para uma parede. E aqui é onde a história se torna mais escura do que ninguém imaginou. Em 4 de março de 2024, 9 horas da manhã, a Lúcia atravessou Barcelona de táxi até ao escritório do advogado principal da defesa, perto da plaça de Catalunha. Falou meia hora.

 O advogado em Portunhol explicou o número o Tribunal Provincial de Barcelona tinha estipulava a fiança em 1 milhão de euros, R 5 milhões e meio deais. Quando o advogado disse o número, Lúcia não pestanejou, apenas perguntou: “Em quanto tempo consigo isso?” O advogado disse: “Daqui a dois meses com sorte”.

 Lúcia disse: “Dou-te três semanas”. A casa de Juazeiro, hipotecada por um amigo do filho mais velho, deu pouco mais de R$ 800.000. Os automóveis vendidos em três dias por outro amigo da família, mais 200.000 pequenos apartamentos que Daniel tinha em Salvador e em São Paulo deram juntos mais 1 milhão e meio.

 Daniel Filho, o filho mais velho do primeiro casamento, contribuiu com uma parte do que tinha guardado num fundo. Patrocínios antigos que ainda renderiam pingaram valores mais baixos, mas faltava. Faltava o equivalente a algo entre 500 e 600.000 para chegar ao milhão de exigido pela justiça espanhola. E é aqui que entra ela, a figura que este vídeo não vai nomear por razões legais, por respeito ao processo que continua a tramitar no Juízo Civil de Madre e por uma terceira razão que a  gente vai explicar agora. Em 10 de março de 2024,

dona Lúcia recebeu um cartão. Não foi entregue por um carteiro, foi  entregue em mão no interior do Hotel em Grác por uma assessora de moda madrilena de cerca de 45 anos, que falava português fluente  porque tinha vivido do anos em Lisboa. O cartão tinha um nome, um endereço e um número. A Lúcia leu-o duas vezes.

 guardou o cartão dentro do  livrinho de orações que sempre carregava. Disse à assessora: “Diz-lhe que sim, mas eu quero ler tudo antes de assinar”.  A assessora assentiu com a cabeça. Saiu quatro dias depois, a 14 de março de  2024, num escritório de advogados em Madre na rua Velásquezas, a dona Lúcia se sentou-se frente à frente com uma mulher que ela nunca tinha visto na vida.

 Eu já Mencionei esta mulher três vezes neste vídeo. Em 2014, tinha 38 anos. Era sócia de uma  agência de modelos no Centro de Madre. Em 2023, ela tinha 47 anos e tinha conversado com Joana Sans três vezes num restaurante da rua Hermozila. Em  2024, ela tinha 48 anos e estava sentada do outro lado de uma mesa de madeira escura, oferecendo à dona Lúcia o equivalente a 550.

000€ sob a forma de empréstimo silencioso. E aqui, caro espectador, este narrador não vai pronunciar o nome desta mulher por medo, não. Por respeito ao processo que a família Alves vai eventualmente abrir contra ela? Sim, mas principalmente porque as pistas para que a identifique já estão todas neste vídeo.

 Se você prestou atenção, já sabe quem é. E se não, volta às imagens. Olha o circuito da moda madrilena de 2014 a 2024. Ouve quem desapareceu das redes sociais de Joana Sans em 2024 e você mesmo vai chegar à mesma conclusão a qual a família Alves chegou em janeiro de 2025. Três coincidências apontam para a mesma pessoa.

 Primeiro [a música] é a empresária que tinha uma relação direta com a agência de modelos, onde Joana Sans trabalhou em 2017 e 2018. Segundo, é a pessoa que apareceu em três restaurantes diferentes  de madre em conversa com Joana entre fevereiro e maio de  2023. Terceiro, é a pessoa que desapareceu das redes sociais e apagou todas as fotos públicas com pessoas da envolvente da família Alves algures em 2024.

Três coincidências. Uma única pessoa, a família em privado, liga, o meio da moda madrilena conhece. E aqui entra o que era o contrato. O contrato tinha seis páginas. foi  redigido por um escritório de advogados em madre em espanhol jurídico carregado. Dona  Lúcia assinou a versão final em 18 de março de 2024 num cartório notarial do bairro de Salamanca.

 As cláusulas principais eram cinco. Quatro delas eram financeiras padrão: juros, prazo, garantias, penalidades. A quinta era a primeira e a terceira a cláusula quatro. A cláusula quatro, a cláusula que está dando o título a este vídeo. Você lembra-se? Eu prometi no início. Aqui está a cláusula quatro dizia o seguinte: “Em tradução livre do espanhol jurídico para o português comum, a parte credora, ou seja, a empresária,  teria direito exclusivo de prelação sobre toda a a exploração comercial, audiovisual, editorial,  documental e

narrativa do testemunho, da história pessoal e do testemunho do Sr. Daniel Alves, nos 12 meses seguintes, a sua libertação da penitenciária de Brians 2. Em português comum, ela seria a dona do primeiro filme, do primeiro livro, da primeira entrevista paga, do primeiro documentário,  do primeiro tudo durante 12 meses.

Inegociável. A Dona Lúcia, naquele momento, no dia 18 de março de  2024, assinou. Não tinha alternativa. Faltavam  três dias para o prazo de pagamento da caução. Ela ainda não tinha lido a cláusula quatro com cuidado.  Tinha pedido ao advogado da família lê-la. O advogado, segundo que ele depois  contou a um colega em Salvador, leu, riu sem graça e disse à Lúcia: “Dona Lúcia, este aqui é um contrato de futuro.

 A senhora pode preocupar-se depois,  por enquanto, apenas assina. que a gente discute esse ponto quando ele sair. Ela assinou: “O dinheiro foi libertado em 1019  de março de 2024. A caução foi paga em 20 de março de 2024  às 14:45 hora espanhola. Daniel Alves saiu de Brians 2 a 25 de março de 2024.

A Lúcia ficou em madre mais 4 dias. voltou para o Brasil a 29 de março de 2024 num voo da Iberia que partiu da Madre Barajas às 13:25. Ela tinha embarcado em Salvador em primeiro de março com 64 kg. Ela aterrou em Salvador a 30 de março pesando 53, 11 kg. Em 30 dias não comeu em condições uma única refeição completa nesse mês.

Dormiu em média três horas por noite, andou de táxi pelas ruas de Barcelona e de madre segurando o livrinho de orações, de tal forma apertada que a capa de couro saiu do lugar e nunca mais foi a mesma. E aqui resolve-se o segundo loop deste vídeo, os 11 kg. Resolvido. Em maio de 2024, dois meses depois da libertação,  O Daniel descobriu o contrato.

 Ficou três dias sem falar com a mãe. Não por raiva, por vergonha. Vergonha do que ele tinha feito a uma mulher de 70 anos. Vergonha do que ele tinha custado àquela família. No quarto dia, o Daniel ligou à Lúcia. Não chorou. A Lúcia disse uma frase que Daniel ia repetir em sordina  para o advogado três semanas depois.

Filho, eu não fiz isto por ti. Eu fiz pelo teu pai, que se fosse vivo, ia querer que eu fizesse. Agora vê como  sais desta, porque eu já fiz a minha parte. Em janeiro de 2025, a A empresária de Madrid ainda não tinha cobrado conteúdo. Em fevereiro de 2025, mandou notificação extrajudicial. Em março de 2025, a condenação foi anulada  pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalúnia.

 Em 28 de março de 2025, o telefone do advogado da família tocou era a empresária. Disse em espanhol seco. Agora já pode falar. E agora a gente vai falar sobre o filme. Já tínhamos contado a caução, já tínhamos contado as casas hipotecada.  O que vinha agora era outra coisa. O que vinha agora era a cobrança, mas já não tinha mais nada para ela cobrar.

 Em 31 de março de 2025, três dias depois desse telefonema, Joana Sans  anunciou ao Instagram que estava grávida. Daniel reapareceu na cama dela na foto. O Brasil inteiro entendeu-o como um sinal de paz. A imprensa cor- deosa espanhola entendeu como um sinal de continuidade do casamento, mas a empresária de madre, a ler aquela foto no seu escritório na rua Velasquez, compreendeu o que era de verdade.

 Daniel não ia  mais dar uma entrevista a ninguém. O Daniel já não ia virar livro, filme, documentário. O Daniel ia ser pai pela terceira vez. E pai que está esperar um filho não vende a história. Pai esconde, protege, está calado. A cláusula 4 naquela tarde de 31 de Março de 2025 virou pó 12 meses depois da libertação, seria  25 de março de 2025. Já tinha passado por 6 dias.

Durante 6 dias. E é por isso [a música] que a empresária está hoje, em junho de 2025, com um processo cível a correr em madre contra a família Alves. Não pelo dinheiro que está a ser pago em prestações, pelo dano moral de uma cláusula vencida que ela jura ter perdido durante dois meses de atraso da justiça espanhola.

 Anota essa data,  25 de março de 2025. guarda esse nome porque ele volta. Em junho de 2025, a dona Lúcia ainda vive na mesma casa do bairro Maringá. Em Juazeiro, a hipoteca  foi liquidada com o que restava da venda do apartamento de São Paulo e com um contributo do próprio Daniel  depois de recuperou parte do dinheiro do processo civil contra de Norá.

 Daniel ganhou aquela ação em junho de 2025, R 4 milhões deais. O tribunal espanhol deu razão a ele. A justiça emocional, no no entanto, ainda não devolveu o que aqueles anos tiraram a Din Nora Santana. De Norá hoje, aos 42 anos, vive em Salvador, criando dois filhos em silêncio, sem falar com a imprensa, sem publicar nada nas redes.

 A filha Vitória, hoje com 17 anos, apagou o apelido Alves do Instagram em fevereiro de 2024. Mudou o utilizador em julho de 2024, retirou o pai da Bio em dezembro de 2024. Três pequenos cortes,  silenciosos, públicos. Três cortes que ninguém da imprensa cobriu. Daniel Filho, hoje com 16 anos, ainda não voltou a abrir o Ans 2 e nunca mais vai voltar.

 A última vez que falou com o pai numa videochamada foi em outubro de 2024. Falaram 12 minutos. Cinco deles em silêncio. Joana Sans, hoje com 32 anos, está à espera de uma menina. O parto está previsto para julho de 2025. Não conta com a empresária de madre há mais de um ano, não responde mensagens dela, não atende telefonemas. A última vez que se viram foi em janeiro de 2024, numa cafetaria do bairro de Salamanca e a conversa durou 6 minutos.

A Joana saiu sem terminar o cappuccino que tinha pedido. 5 anos de tentativas de gravidez, duas fertilizações em vitro, três abortos espontâneos, uma cirurgia nas trompas, uma endometriose crónica e a mãe falecida 7 dias antes da detenção do marido, Joana Sans pagou um preço que nenhuma manchete da imprensa cor-de-os espanhola nunca conseguirá calcular.

Dona Lúcia, em junho de  2025, utiliza ainda o livrinho de orações com a capa de couro torta. Ela já recuperou parte dos 11 kg perdidos. Parte, não todos, e dorme melhor desde que o filho regressou ao Brasil, mas ainda acorda às 4 da manhã, algumas noites sem motivo, e desce à cozinha tomar água.

 E é em maio de  2025 que aconteceu a cena. que reorganiza tudo o que acabou de ouvir. Era uma terça-feira, tarde e calor de quase 40º em Juazeiro. A Dona  Lúcia foi até a caixa de correio à entrada da casa, como fazia todos os dias. Tinha duas  contas de eletricidade, um folheto de farmácia e um envelope castanho, pequeno, sem remetente, endereçado a esta em letra de máquina.

 Carimbo postal de uma agência de madre. A Lúcia  entrou em casa, sentou-se na cadeira da sala, abriu o envelope com a tesoura. No interior, uma única coisa, uma  foto antiga em papel quadrado meio amarelado, daqueles que ainda se imprimiam em 1996. A foto era da Praça da matriz de Juazeiro num final de tarde.

 No banco de cimento, sozinha, uma mulher de 41 anos sentada à espera que o marido saia da reunião da paróquia. Atrás dela, dois meninos a jogar peteca. Um deles, o Daniel com 13 anos. A Lúcia segurou a foto, olhou para ela durante longos minutos. Não havia nada escrito atrás. Não havia bilhete dentro do envelope. Ninguém da família tinha tirado essa foto.

 Ninguém da família tinha esta foto. A foto era de 1996. 28 anos antes de Daniel fazer manchete que virou. 28 anos antes de qualquer pessoa do meio da moda madrilena conhecer aquela família. Significa para Lúcia e para nós que estamos  contando a história que alguém vigiava aquela família muito antes de qualquer um ali ter razão para ser vigiado.

Significa que o aparelho não arrancou em 2014, não começou em 2008, começou antes, muito antes, antes do primeiro casamento, antes da primeira lágrima na cozinha de Juazeiro. A Lúcia guardou a foto no livrinho de orações junto ao cartão da empresária madrilena, que ela ainda não tinha deitado fora. Os dois papéis dormem juntos, não se falam, mas estão ali, lado a lado, à espera.

 E a gente volta agora à imagem com que a gente abriu este vídeo. Aeroporto de Barcelona, ​​Elprat, em 21 de Março de  2024, 19:47. Uma senhora de 68 anos arrastando uma mala pequena no bolso interior do casaco, uma cópia de um contrato em papel sulfite com o canto dobrado. Atrás dela, a jornalista do Ola a tirar a foto que nunca seria publicada.

 À frente, o condutor a segurar o cartaz com um nome que não era o dela. Aquela mulher era dona Lúcia. O nome no cartaz era o apelido de solteira dela, que ninguém em Madria sabia. O cartaz não era para o público, era um código combinado pelo escritório do advogado para evitar que o imprensa, cor-de-rosa espanhola, percebesse  a chegada da mãe do Daniel.

 E a foto que a jornalista tirou foi recolhida em junho de 2024 por uma equipa da segurança da família. Está hoje guardada numa pasta.  Mais ninguém teve acesso. Mas o que ninguém da família Alves sabia e que talvez só esteja a entender agora é que aquela viagem da dona Lúcia ao escritório da rua Velascas já tinha sido previsto por alguém muito antes do dia 1 de março de 2024.

 Já estava a ser construída desde 2014, desde antes, desde aquela praça da matriz em 1996. Se esta história te tocou, se tu pensou em alguém enquanto ou via pequena, no interior de um estado brasileiro qualquer, faz uma coisa esta noite. Liga a essa mulher.  Não espera pelo domingo. Não espera o aniversário dela.

 Não espera que o destino te faça precisar dela, como O Daniel precisou da dona Lúcia em 2024. Liga hoje, porque há feridas no Brasil inteiro que só cicatrizam quando  alguém da família conta em voz alta o que aconteceu. Há coisas que a A imprensa cor-de-osa espanhola nunca vai compreender, porque não cabem na manchete.

 Há coisas que só cabem na cozinha de uma pequena casa em Juazeiro numa terça-feira, com um calor de quase 40º, com um envelope sem remetente em cima da mesa. Se este vídeo mexeu com você, partilha hoje à noite no seu grupo de família, no seu grupo da igreja, porque há mães no Brasil inteiro que estão a hipotecar casas para tirar filhos de buracos que nem sabem como o filho caiu.

 E estas mães precisam saber que alguém nalgum canto da internet está a contar a história delas.  Guarda esse nome porque ele volta. Dona Lúcia, Maringá, Juazeiro, Bahia, Brasil e aquela cláusula 4 que está vencida há 70 e poucos dias agora no momento em que este vídeo está a ser publicado, mas ninguém em madre ainda contou à empresária e talvez nunca conte. Yeah.

 

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