A trágica e misteriosa morte de Agildo Ribeiro, o capitão do riso, o que nunca nos contaram. Quando os funcionários abriram a porta do apartamento, Agildo Ribeiro já estava sem vida. Ele tinha ligado para a portaria do condomínio quando começou a sentir-se mal naquele sábado de manhã. O síndico confirmou à Globo News que o ator ainda conseguiu fazer a chamada, que ainda tinha força para apanhar o telefone e pedir ajuda.
Mas quando os funcionários chegaram ao apartamento no Leblon, naquele bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro, onde tinha escolhido viver os seus últimos anos, já era tarde demais. O capitão do riso partira sozinho num sábado de manhã, dois dias depois do o seu 86º aniversário, com uma cirurgia vascular programada para aquela mesma semana.
E o carro da agência funerária só saiu do edifício às 16:10. Horas depois, são durante a tarde, o filho Marcelo Galvão chegou ao condomínio. O mesmo filho que Agildo só descobriu ter aos 81 anos. O mesmo filho que existiu durante 47 anos, sem que pai e filho soubessem um do outro. Um mês antes daquele sábado, Agildo tinha sido homenageado no prémio do humor, de pé, sorridente, aplaudido por uma plateia que não sabia que estava a ver a sua última aparição pública.
Quatro meses antes, tinha filmado o seu último trabalho no cinema. Continuou a trabalhar até ao corpo não deixar. E, mesmo assim, naquele sábado de manhã, não estava ninguém. Hoje vai descobrir o que aconteceu entre o telefonema para a portaria e o momento em que os funcionários o encontraram já sem vida e porque ninguém estava com ele naquele apartamento.
Vai conhecer a história que nunca entrou em qualquer homenagem, a da mãe que fez greve de fome para salvar o filho bebé enquanto o pai esteve preso pelo governo de Getúlio Vargas. vai-se lá entender a ironia mais perturbadora de toda a sua vida. O homem que trabalhava como telefonista antes de ser ator fez a sua última chamada para pedir socorro.

Vai descobrir porque é que a homenagem de março de 2018 foi, na verdade uma despedida que ninguém reconheceu na altura. E vai perceber como um homem que nunca parou de trabalhar, que nunca deixou o Brasil ver quando estava a cair, acabou por ser encontrado assim. E se ainda não se subscreveu o canal Do VIP, faça-o agora.
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Agildo Ribeiro morreu em casa, no Leblom, de problemas cardíacos, limpo, simples, encerrado com uma frase. Mas o que estava nas entrelinhas e o que ninguém parou para explorar com profundidade diz muito mais do que qualquer manchete consegue conter. Agildo tinha sofrido uma queda recente que o deixava com real dificuldade de se manter de pé.
Não era uma queda sem consequências, era uma queda que alterava a forma como se movia dentro do próprio apartamento. Tinha problemas cardíacos graves, já diagnosticados e acompanhados por médicos, e tinha uma cirurgia vascular marcada, agendada pelos próprios médicos para aquela semana. A semana que nunca chegou para ele.
Numa manhã de sábado, dois dias depois do aniversário que completara na quinta-feira, sentiu-se mal dentro daquele apartamento. A única pessoa a quem recorreu foi a portaria do próprio condomínio. Não um familiar, não um amigo próximo, a portaria. O síndico do edifício contou à Globo News que Aildo ainda conseguiu fazer a ligação quando começou a sentir-se mal, mas quando os funcionários subiram e abriram a porta, já estava sem vida.
E a questão que ninguém fez em voz alta, a mais simples e a mais pesada de todas, é onde estava todo o mundo? Como é que um homem nesta condição estava completamente sozinho numa manhã de sábado, dois dias depois do aniversário? A resposta não está numa só pessoa, nem numa só decisão mal tomada. Está numa vida inteiro de perdas acumuladas que foram esvaziando aquele apartamento do Leblon de ano para ano, cada perda em silêncio, até não restar mais ninguém.
Para perceber como isso aconteceu, é preciso voltar muito antes do Leblon, muito antes da Globo, muito antes do riso que o Brasil inteiro conheceu. É preciso voltar a um bebé, a uma prisão e a uma mãe que recusou comer para manter o filho vivo. E agora faço-te uma pergunta que quero muito que me responda nos comentários.
Um dos maiores nomes da nossa cultura foi encontrado assim sozinho depois de ligar para a portaria. Isto é tragédia pessoal, falha da sociedade ou as duas coisas ao mesmo tempo. Antes de continuar, se ainda não se subscreveu este canal, faça isso agora. É rápido. E deixa o like também, porque o que vem a seguir é a parte dessa história que ninguém contou.
A parte que começa muito antes do humor, num bebé, numa prisão e numa mãe que recusou comer para salvar o filho. O que quase ninguém sabe é que Agildo Ribeiro quase foi separado da mãe ainda bebé. por ordem do próprio governo. Para perceber como isso aconteceu, é necessário primeiro perceber quem era o pai. O capitão Agildo Barata Ribeiro não era um homem comum.
Era um dos líderes da intentona comunista de 1935, o Levante armado organizado pelo Partido Comunista Brasileiro e por Luís Carlos Prestes, que tentou derrubar o governo ditatorial de Getúlio Vargas. O levante durou poucas horas antes de ser sufocado pelas forças leais ao governo e o capitão Barata foi preso, condenado a 10 anos de prisão pela lei de segurança nacional, 10 anos que cumpriu integralmente, passando pela casa de detenção, pelo navio presídio Pedro I, pelas ilhas de Fernando de Noronha e Grande. O filho Agildo, tinha nascido em
abril de 1932, tinha apenas 3 anos quando o pai foi preso. O governo de Vargas não se contentou-se em castigar o pai. Foi mais longe, muito além. Sob o pretexto de que a mãe de Agildo passava bilhetes nos sapatos do filho durante as visitas à prisão, acusação que ela negou veementemente até o fim da vida, a mulher foi detida pelas autoridades.
E então chegou a ameaça mais brutal que um governo pode fazer a uma mãe, retirar o filho bebé dos seus braços e entregá-lo à tutela do juiz de menores. separar uma criança da mãe para punir um pai que estava preso e não podia defender a família. A resposta da mãe foi a única arma que lhe restava. Entrou em greve de fome. Recusou comer, recusou ceder, recusou aceitar que o filho fosse levado.
Ficou sem comer até que um abeas corpos fosse interposto na justiça, até que as ameaças cessassem, até que o filho ficasse com ela. E o filho ficou. Aquele bebé cresceu, tornou-se o maior nome do humor brasileiro, fez rir gerações durante 60 anos e partiu num sábado de manhã sem que ninguém estivesse ao lado.
Há uma brutalidade nesta simetria que não necessita de explicação. Uma mãe que recusou comer para manter o filho vivo. Um filho que acabou os seus dias sem que ninguém chegasse a tempo de estar com ele. A vida fecha círculos que ninguém escolheu abrir, mas a história da infância de Agildo Ribeiro guarda ainda outro pormenor que quase ninguém associa ao capitão do Riso e que quando se conhece transforma completamente a forma de olhar para aquela última ligação para a portaria do condomínio.
Antes de ser ator, antes da Globo, antes do planeta dos homens, antes de qualquer personagem ou bordão que atravessou gerações, Agildo Ribeiro trabalhou como telefonista. o homem das ligações, o que ficava do outro lado da linha atendendo, transferindo, ligando vozes que não se conheciam.
Foi esse o emprego que teve antes de o pai lhe dar o ultimato que mudou tudo, um ano para se sustentar como ator ou desistir. Com 17 anos de idade, de fato e gravata e gumex no cabelo, Agildo foi à audição no Teatro do Estudante. Declamou um monólogo de Romeu e Julieta de Shakespeare. Competia com nomes que se tornariam grandes da cultura brasileira.
Paulo Francisco, Augusto César Vanuti, Osvaldo Loureiro, Teresa Raquel e Consuelo Leandro, a mulher com quem acabaria casando. Foi aprovado. Nunca mais precisou de outro emprego enquanto viveu. Construiu 60 anos de carreira a partir dessa audição. Só que a vida tem uma forma implacável de fechar o que abre.
E o homem que começou a vida profissional a fazer chamadas, fez a sua última naquele sábado de manhã no Leblon, 86 anos depois, para a portaria do condomínio, da primeira ligação à última, a partir da cabine do telefonista à portaria do condomínio. Uma vida inteira entre duas chamadas. E há ainda a contradição que atravessa toda a formação de Agildo.
Ele foi educado no colégio militar, o filho do maior líder comunista do Brasil dentro de uma instituição militar do estado que o pai tinha tentado derrubar. Certa vez, já servindo o exército, um tenente chamou-o e disse-lhe: “És filho daquele barulhento da praia vermelha?” A resposta de Agildo revelou exatamente quem era e quem sempre seria.
Sou sim, com muito orgulho. Agora, se o Sr. acha que ele é barulhento, vá lá dizer isso para ele. Cresceu a navegar entre mundos que não se falavam e aprendeu desde muito cedo que a única forma de sobreviver entre contradições tão grandes era transformar tudo em riso. O humor não foi uma vocação, foi uma necessidade de sobrevivência que durou 60 anos e que nunca revelou ao Brasil o custo real de manter aquele sorriso.
E aqui preciso de te perguntar e quero que responda nos comentários. O filho do maior comunista do Brasil foi educado no colégio militar e usou tudo isso para fazer rir o país. Acha que o humor foi a forma que Agildo encontrou de sobreviver a tudo isso? Ou foi uma fuga ao que não conseguia enfrentar de outra forma? Para perceber como Agildo chegou àele apartamento vazio no Leblon, é preciso perceber que o vazio não apareceu de repente.
Construiu-se lentamente, com tempo, com uma paciência brutal, em três etapas separadas por anos. Três perdas que foram retirando presença dessa vida uma a uma, cada uma deixando um silêncio maior do que o anterior e que a seguinte não conseguia preencher. A primeira foi a ruptura com Jo Soares, uma parceria de quase uma década no Planeta dos Homens, um dos programas mais amados e mais vistos da história da televisão brasileira.
Nos anos em que o programa esteve no ar, as audiências eram de um Brasil diferente. Quando o planeta descia para os 72 pontos, o diretor Bonnie já enviava memorandos para todo o plantel, com esporro para todo mundo. Hoje, 32 pontos seria motivo de festa. Era um Brasil que parava para rir em conjunto e Agildo era uma das estrelas desse momento.
Até que nos bastidores da Globo, o programa foi encerrado e substituído pelo Viva o Gordo, com o mesmo elenco, os mesmos redatores, o mesmo horário, o mesmo tudo menos agildo. Ele estava na Europa quando soube, respondeu de lá com um cartão postal. A imagem era de Judas beijando Cristo. O nome era o beijo do traidor.
Job negou qualquer envolvimento até ao fim da vida, mas o facto estava ali cristalizado, imutável. E a ferida que abriu nunca fechou completamente. A segunda perda foi em 2009. Partiu o Didi Barata Ribeiro. A bailarina, a atriz, a mulher com quem a Gildo passou 35 anos da sua vida. Pensa no que são 35 anos.
São mais do que uma fase da vida. São a vida inteira de muita gente. São tempo suficiente para que uma pessoa se torne o ar de um apartamento, para que os seus hábitos, a sua voz, o seu cheiro, a sua presença num quarto se tornem tão naturais que a ausência não seja apenas solidão, seja uma alteração física do espaço que não tem forma de ser preenchida.
O apartamento do Leblon, que era deles, passou a ser só dele. E Agildo ficou naquele apartamento com o silêncio que Didi tinha deixado, a continuar a trabalhar, a continuar a sorrir para a câmara, a continuar a fazer rir o Brasil, sem deixar que ninguém ver o que estava lá dentro. A terceira perda foi em 2015.
Marília Pera faleceu, a primeira ex-mulher, a actriz extraordinária que foi uma das maiores vozes do teatro e da televisão brasileira. Uma mulher com quem Agildo partilhou não só um casamento entre 1965 e 1968, mas uma época inteira da vida. Os anos da juventude da Globo recém inaugurada da energia de quem está no início de algo enorme e sente isso.
Quando Marília faleceu em 2015, mais uma presença desapareceu do mundo de Agildo. Mais uma voz que só existia na memória. Três perdas. Três silêncios acumulados, um homem que foi ficando mais sozinho a cada ano, sem que o Brasil que o via na televisão soubesse de nada. E depois chegou março de 2018. 30 dias antes de morrer, Agildo Ribeiro estava no palco dos Prémios do Humor, o evento criado e apresentado por Fábio Porchá, que reunia os grandes nomes da comédia brasileira para celebrar quem tinha construído esse universo. Agildo
estava ali de pé. com o sorriso que o Brasil conhecia, recebendo o reconhecimento por uma carreira de 60 anos, com a elegância e a leveza que sempre foram a sua marca. E ninguém na plateia naquele momento. Nenhum dos colegas presentes, nenhum dos organizadores, nenhum dos jornalistas que cobriram o evento sabia que era a última vez, que 30 dias depois aquele homem faria a sua última chamada para a portaria de um condomínio e não estaria mais aqui.
A vida raramente avisa quando é a última vez. E Agildo não deixou avisar. Quatro meses antes, em dezembro de 2017, tinha filmado altas expectativas o seu último filme. Trabalhou até dezembro, foi homenageado em março e em abril partiu sem parar, sem descansar, sem recuar. Esse pormenor de estudo sobre quem agiu do Ribeiro foi até ao último momento.
Um homem que não parava, que não entregava os pontos, que não deixava o mundo ver a dimensão do que transportava por dentro. Durante 60 anos de carreira, criou personagens que faziam as pessoas rirem com os problemas e as contradições da vida. O professor Aquiles Arquelau, que parava imediatamente de falar quando a campainha suava, porque o campainha era a metáfora da censura que chegava. A múmia paralítica, o Dr.
Babaluff. personagens que viviam no limite do absurdo, porque o absurdo era a única linguagem capaz de dizer a verdade sem que a censura se apercebesse. Agildo foi o mestre desta língua. A homenagem de Marso foi uma despedida, só que ninguém sabia, só que ele talvez soubesse. Poucas pessoas sabem a dimensão real do que se perdeu quando Agildo Ribeiro morreu.
E isso diz muito sobre a forma como o Brasil trata os seus maiores enquanto ainda estão vivos. Agildo Ribeiro foi o primeiro João Grilo da história do teatro brasileiro. Em 1957, quando Ariano Suasuna era ainda um nome relativamente pouco conhecido fora dos círculos literários do Nordeste, Agildo interpretou a personagem central do Alto da Compadecida numa encenação que marcou quem estava na plateia.
O Brasil só conheceu o João Grilo no cinema com Mateus Nterga em 1998. 41 anos depois, mais de 10 anos antes de Mateus Nactergaelli nascer, Agildo já tinha dado vida àquela personagem. Foi um dos primeiros contratados da TV Globo em 1965, quando a estação tinha meses de vida e ainda estava a descobrir o que queria ser.
Foi o primeiro a satirizar a televisão dentro da televisão, no satiricon dos anos 60. O mesmo conceito que o tá no ar de Marcelo Adnet. faria décadas depois, sendo celebrado como inovação, sem que ninguém traçasse a linha entre os dois. Contracenava com o boneco Topo Gígio nos anos 60 e 70, numa altura em que ele próprio brincou que era uma espécie de Xuxa antes de existir uma Xuxa.
E o seu tio avô, Cândido Barata Ribeiro, foi o primeiro presidente da Câmara do Distrito Federal, a cidade do Rio de Janeiro, no final do século XIX. uma família inteira de primeiros, um homem que foi o primeiro em tudo o que importou na construção da cultura cómica brasileira e que o Brasil só parou para reconhecer completamente quando já não estava mais aqui para ouvir.
Você está a chegar no ponto mais pesado desta história. Antes de continuar, partilha este vídeo agora com alguém que sabe que precisa de ouvir isso, porque o que vem a seguir é onde todos os fios dessa vida encontram-se num único pormenor que não se pode ignorar. E então há o pormenor que fecha o círculo de toda a história, o pormenor que transforma o que poderia ser apenas uma morte triste numa das ironias mais pesadas da vida de Agildo Ribeiro.
A cirurgia estava marcada. Os médicos tinham diagnosticado o problema vascular com antecedência suficiente para agendar um procedimento. O tratamento estava planeado, estava na agenda daquela semana, a mesma semana em que morreu no sábado anterior, a semana que nunca lhe chegou. É impossível ficar com essa informação lado a lado com os outros factos que conhecemos agora.
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A queda recente com sequelas, os problemas cardíacos graves, o apartamento que tinha ficado vazio ao longo dos anos, a ligação para a portaria e não deixar as perguntas aparecerem. Se a cirurgia tivesse acontecido antes do fim de semana, o desfecho seria diferente? Se alguém estivesse com ele naquele sábado de manhã, um familiar, um cuidador, qualquer presença, o socorro chegaria a tempo? Estas não são perguntas com resposta.
São questões que ficam, que pesam, que dizem algo sobre como tratamos as pessoas que tanto nos deram, quando envelhecem, quando ficam vulneráveis, quando necessitam de alguém do outro lado da linha que não seja o portaria do condomínio. O menino que a mãe protegeu com a sua própria fome num governo que os queria separar. o telefonista que se tornou o nome maior do humor brasileiro, o homem das três perdas que foram esvaziando o apartamento ano a ano, o que trabalhou até dezembro de 2017 e recebeu a última homenagem em março de 2018.
Este homem foi encontrado assim, não no palco, não rodeado de aplausos, não rodeado de pessoas que o amavam num apartamento do Leblon. Depois de uma chamada que chegou tarde demais, com uma cirurgia marcada para a semana seguinte, que nunca chegou a acontecer, foi assim que o capitão do Riso foi encontrado.
E é exatamente isso que nunca nos disseram bem. E aqui é a questão que mais me pesa em toda a esta história e quero que responda nos comentários agora. A cirurgia estava marcada para essa semana. Agildo morreu antes de a fazer, ligando para o portaria do condomínio, sozinho. Isso foi azar ou o Brasil falhou com um dos maiores nomes da sua cultura? O velório decorreu no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro. A cremação foi no mesmo dia.
A cerimónia foi restrita à família e aos amigos mais próximos. Nenhum espaço público, nenhum cortejo, nenhum momento para que o Brasil que ele fez rir durante 60 anos pudesse estar presente e dizer adeus. O homem que passou seis décadas no centro das atenções saiu do mundo em silêncio total, da forma mais reservada e mais discreta possível.
E talvez isso também diga algo sobre quem ele era. Sobre um homem que viveu toda a sua vida a mostrar ao mundo exatamente o que queria que o mundo visse e aguardar o resto para si com uma disciplina que poucos conseguem sustentar durante tanto tempo. O Brasil reagiu nas redes sociais. Os colegas escreveram, os fãs prestaram homenagem.
Os projetos que nunca aconteceram ficaram para sempre no registo do que poderia ter sido. e o homem que a mãe protegeu com uma greve de fome, que cresceu na contradição entre o pai comunista e o colégio militar, que fez a a sua primeira chamada como telefonista e a sua última para a portaria do condomínio, que perdeu o grande amor, foi traído pelo maior parceiro, descobriu um filho aos 81 anos e nunca deixou o Brasil ver nada disto, que trabalhou até dezembro de 2017, que recebeu a última uma homenagem 30 dias
antes de partir. Este homem mereceu mais do que uma manchete de uma linha e um carro funerário a sair do edifício, sem que o Brasil soubesse o que estava a perder em tempo real. O capitão do riso, que nunca deixou ninguém ver quando estava a chorar, que fez tudo sozinho e no fim partiu da mesma forma.
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Até ao próximo vídeo.