Renato Corte Real. Ele gozou a ditadura na cara dura e os generais nunca perceberam. Brasil, 1970. Um homem está num estúdio da TV Globo em São Paulo. Do lado de fora daquele estúdio, o país está em silêncio. Não o silêncio da paz, o silêncio do medo. O ato institucional número cinco está em pleno vigor.
Os artistas estão sendo presos. Músicas estão a ser proibidas antes de chegar ao rádio. Peças de teatro são canceladas na véspera da estreia. Caetano Veloso e Gilberto Gil estão exilados em Londres. Chico Boarque luta palavra a palavra para que as suas composições não sejam destruídas antes de chegarem ao disco. O O Brasil está amordaçado de uma forma que a maioria das pessoas hoje em dia mal consegue imaginar.
E este homem dentro do estúdio sabe tudo isto. Ele sabe o que acontece a quem cruza a linha. Ele sabe o nome das pessoas que foram presas. Conhece artistas que desapareceram e mesmo assim veste uma fantasia de Napoleão, sobe para um cavalinho de pau de brinquedo, olha para a câmara e começa. O programa vai para o ar, o Brasil ri e os generais que controlam tudo naquele país não percebem absolutamente nada do que acabou de acontecer perante os seus olhos.
Esse homem chamava-se Renato Corte Real. E o que ele fez dentro daquele estúdio e em muitos outros estúdios durante muitos outros anos é uma das histórias de resistência mais extraordinárias, mais engenhosas e mais esquecidas que o Brasil já produziu. Hoje vai descobrir o método preciso que ele e Jô Soares desenvolveram para passar textos subversivos pela censura da ditadura.
Um método tão bem construído que funcionava por anos sem que nenhum agente do regime conseguisse desmontar. Vai entender porque textos que ele escreveu nos anos 60 voltaram ao ar na TV Globo 40 anos depois, sem alterar uma única palavra. E o que isso revela sobre a dimensão do que ele criou? Você vai descobrir o momento em que o cerco começou a apertar e a decisão silenciosa que tomou antes que fosse tarde.
E no final vais compreender por um homem que quase ninguém recorda hoje é na verdade a prova de que o riso pode ser mais poderoso do que qualquer arma que um regime autoritário consiga empunhar. E se ainda não se subscreveu o canal do CE VIP, faça-o agora. Prima o botão de inscrição e ative o sininho. Aqui há investigação.
Todo o dossier que nós lançarmos, você vai ser o primeiro a saber. Fica até ao fim. Esta história foi esquecida por tempo demais. Para que sinta o peso real do que Renato Corte Real fez, precisa primeiro sentir o peso real do momento em que o fez. E isso exige que a gente pare um instante e entre de verdade naquele Brasil de 1970.
Não como curiosidade histórica, mas como realidade vivida. O ato institucional número 5, decretado em Dezembro de 1968, tinha dado ao regime poderes que iam para além do que qualquer lei democrática poderia imaginar. Não era apenas a possibilidade de prender sem mandado, de fechar o Congresso, de caçar direitos políticos.
Era algo mais profundo e mais corrosivo do que isso. Era a instalação do medo como ambiente permanente. O medo não precisava de se concretizar em prisão para funcionar. Ele funcionava antes disso, no momento em que um artista pegava numa caneta para escrever e pensava duas vezes antes de colocar a primeira palavra no papel.
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É neste ambiente que estreia na TV Globo um programa chamado Faça Humor não Faça Guerra. O título já é uma declaração, uma referência ao slogan do movimento hip americano que o regime militar brasileiro detestava profundamente. E os dois homens que criaram este programa, que escreveram cada guião e que protagonizaram cada episódio, eram Renato Corte Real e Jô Soares, dois argumentistas, dois atores e dois potenciais alvos.
Porque se algo no programa fosse considerado subversivo depois de irem para o ar, eles seriam os primeiros a responder. Pense no que isso significa na prática. Não tinham o anonimato de um panfleteiro de rua. Estavam na televisão com o rosto amostra, os nomes nos créditos, o endereço rastreável e mesmo assim sentaram-se, escreveram, ensaiaram e foram para o ar todas as semanas, durante anos.
A pergunta que fica suspensa no ar e que só vai ser respondida quando você compreender o método que desenvolveram é como conseguiria ter essa coragem entrar num estúdio de televisão, num país onde uma piada errada podia custar a liberdade e fazer humor mesmo assim? Deixa nos comentários. Quero muito saber o que pensa.
Antes de revelar o método, precisa conhecer o inimigo com precisão. Porque perceber como Renato e Jô venceram exige compreender exatamente o que eles estavam a enfrentar. E o que eles enfrentavam não era vago nem abstrato. Tinha nome, morada e dentes. Chamava-se Departamento de Censura Federal, diretamente ligado ao Ministério da Justiça, que a lógica de funcionamento era simples na forma e brutal no efeito.
Qualquer guião de televisão precisava de ser submetido a este departamento antes de ir para o ar. Os os agentes da censura liam linha a linha, procuravam referências políticas, críticas ao regime, conteúdo considerado subversivo ou imoral, segundo os critérios do poder de turno, e tinham autoridade absoluta para proibir, cortar, alterar ou vetar qualquer coisa que não aprovassem, sem recurso, sem negociação, sem explicação obrigatória.
O que muita gente não sabe é que o sensor não era um funcionário despreparado. Era alguém treinado especificamente para identificar táticas de resistência artística. Sabia das metáforas, conhecia os duplos sentidos, estava habituado a artistas que tentavam passar mensagens escondidas nos buracos da linguagem.
E mesmo assim, mesmo com este sistema em pleno funcionamento, com este profissional de olhos abertos a ler cada palavra, Renato e Jô conseguiram passar semana após semana. Para perceber como isso era possível, precisamos de voltar ao início. Precisamos de perceber quem era o homem que, antes de enfrentar a censura, passou anos a aprender a única coisa que a censura não conseguia controlar.
Campinas, no interior de São Paulo, 6 de outubro de 1924. Numa família ligada às artes sempre, nasce Renato Gomid Corte Real. Desde criança, ele demonstra algo que não se aprende em nenhuma escola, uma forma particular de olhar para as pessoas ao redor. Não o olhar de quem julga, o olhar de quem captura.
Ele observa um tipo humano, compreende o que há de universal naquele tipo e consegue reproduzir isso de uma forma que qualquer pessoa reconhece imediatamente. É uma capacidade rara e é exatamente esta habilidade que vai, anos depois tornar o seu humor impossível de censurar completamente, porque não censura o reconhecimento.
Não se proíbe uma pessoa de se rever no espelho. Em 1953, ainda jovem, ele inscreve-se num concurso de talentos na antiga TV paulista. A escolha do número que vai apresentar diz muito sobre quem ele é. Não canta, não dança, não faz mágica. Ele imita uma menina-propaganda, aquelas figuras sorridente e exageradamente entusiasmadas que vendiam produtos na televisão recém-nascida.
É uma escolha de observador, de alguém que viu aquele tipo humano, compreendeu o que havia de cómico nele e soube reproduzir com suficiente precisão para fazer rir o público. Ele vence o concurso, uma semana depois está contratado e inicia aí uma viagem que vai percorrer as maiores estações do Brasil.
TV Record, TV Tupi, TV Excel Celsior, TV Bandeirantes, acumulando não apenas créditos, mas algo muito mais valioso, acumulando domínio, domínio da linguagem televisiva, do timing cómico, da arte de criar personagens que chegam ao povo de forma direta e imediata, mas que transportam por baixo da superfície camadas que nem todos vêem.
Era este domínio que a ditadura mais tarde não saberia como combater. Mas para chegarem ao confronto, Renato precisava ainda de forjar as suas armas mais afiadas. Há um quadro humorístico que estreia na TV Record em 1961, que parece à primeira vista, uma comédia simples de casal.
Epitáfio e Santinha, duas personagens de interior. Ele torto e atrapalhado, ela com uma paciência de santa. que o nome já antecipa. O quadro é protagonizado por Renato e pela atriz Nair Belo e baseia-se numa antiga banda desenhada brasileira chamada Pafúncio e Maroca. Mas o que Renato faz com este material vai muito para além da fonte.
Nos diálogos que ele escreve para Epitáfio e Santinha, há algo que transcende a comédia de situação. Há uma captura precisa de algo permanente na alma brasileira, nas frustrações quotidianas. nas contradições de uma vida simples, nas pequenas verdades que qualquer pessoa do interior ou da periferia reconheceria sem esforço.
O público ri porque se vê e quando o público se revê num personagem, este personagem deixa de ser ficção e passa a ser memória. O sucesso é enorme, tão enorme que os textos escritos por Renato nesse período, aquelas palavras escolhidas com precisão de relojoeiro, voltariam ao ar no Zorra total da TV Globo, mais de 40 anos depois da primeira exibição, com as mesmas palavras, sem alterar uma linha.
O papel de Epitáfio passou a ser interpretado por Rogério Cardoso e o público riu-se da mesma forma, reconheceu as mesmas verdades, porque o que Renato tinha capturado não era o Brasil dos anos 60, era algo anterior e mais profundo, algo que sobrevive a qualquer regime e a qualquer censura.
Logo depois vem O Papá Sabe Nada, entre 1962 e 1966. Uma sátira direta ao programa americano O papá sabe tudo. Uma crítica embrulhada em comédia ao americanismo ingénuo que o O Brasil da época tentava importar junto com os frigoríficos e os carros. E foi neste programa que Renato dividiu o ecrã pela primeira vez com Jô Soares.
Os dois tornaram-se amigos e o que nasceu nessa amizade foi anos mais tarde a aliança que a ditadura não conseguiu desmontar. Se este vídeo está a dar-lhe algo que você não encontra noutro lugar, deixa já o like e subscreve o canal. Isso ajuda demais a levar essa história a mais pessoas. Existe um tipo raro de parceria criativa onde duas inteligências se encaixam de forma tão precisa que o resultado é impossível de prever a partir de cada uma delas separada.
Jô Soares era um animal de linguagem, verborreico, acutilante, com uma ironia que podia embrulhar uma crítica demolidora numa frase que parecia conversa de Botequim. O Renato era o oposto complementar. Não atacava pela inteligência explícita, atacava pelo reconhecimento emocional, pela capacidade de criar um tipo humano tão verdadeiro que o público baixava a guarda antes de se aperceber do que estava que está a ser dito.
Onde Jô provocava o pensamento, Renato provocava a identificação. E quando os dois trabalhavam juntos numa sala de guião, construíam algo que era simultaneamente popular o suficiente para chegar a qualquer brasileiro e sofisticado o suficiente para escapar à censura. A partir de 1970, esta parceria ganha uma nova dimensão.
Estão na TV Globo, no horário nobre, perante milhões de pessoas. são ao mesmo tempo protagonistas e argumentistas e juntos desenvolvem uma cadência de criação que é em si mesma parte do método de resistência. Mais de 20 personagens novas por ano, a uma velocidade que tornava humanamente impossível para a censura rastrear o significado de cada um antes de ir ao ar.
Mas a velocidade era apenas a camada exterior do sistema, o que estava no centro, o que realmente tornava o método invencível. Era algo que tinha a ver com a natureza do humor em si. E é sobre isso que precisamos de falar agora. Aqui está o coração de tudo. Aqui está a razão pela qual Renato Corte Real não foi preso, não foi exilado, não foi silenciado, enquanto artistas muito menos ousados do que ele pagaram preços muito mais elevados.
O método que ele e Jo Soares desenvolveram não era uma sorte nem um descuido da censura, era uma arquitetura. uma construção deliberada, calculada, que explorava uma fissura fundamental no sistema de controlo da ditadura. E essa fissura era esta: o sensor analisava texto escrito, lia palavras numa página, mas o humor não vive nas palavras.
O humor vive no espaço entre as palavras e a reação dos quem assiste. E esse espaço é invisível no papel. Pense na personagem Lelé, vivido por Renato, e o seu companheiro da Cuca. Vivido por Joáes. Dois homens vestidos de Napoleão cavalgando cavalinhos de pau de brinquedo, proferindo textos que no papel entregue ao sensor pareciam não sense puro.
Fras sem nexo, absurdo cómico sem destino político. O sensor Lia não encontrava nada de perigoso e aprovava, mas no ecrã acontecia algo que nenhuma leitura prévia de guião poderia capturar. O nonsense tinha uma estrutura interna. As frases aparentemente aleatórias seguiam uma lógica que o público brasileiro de 1970, um público que vivia sob o mesmo regime, que respirava o mesmo ar pesado de medo e contradição, descodificava de forma instintiva, visceral, sem ter de de análise.
O riso chegava antes da compreensão. E quando o riso chega antes da compreensão, a censura não tem como agir, porque a mensagem já passou. >> >> já entrou, já fez o seu efeito antes que qualquer agente a pudesse identificar. Depois havia o Sigismundo Fraude, uma paródia de Sigmund Freud, o pai da psicanálise.
No papel, uma personagem cómico que conduzia sessões de terapia absurdas. No ecrã, um analista que recebia doentes cujos sintomas eram alegorias precisas do Brasil real, os medos que não podiam ser nomeados, as angústias que não podiam ser discutidas, os comportamentos que só faziam sentido num país onde a realidade oficial e a realidade vivida eram coisas completamente diferentes.
O sensor via a terapia nonsense, o público via um espelho e havia ainda a dona Florisbela. A velhinha interpretada por Renato com uma delicadeza cómica que só um ator verdadeiramente completo consegue. As velhinhas são figuras de inocência em qualquer cultura. Ninguém suspeita de uma velhinha.
E foi exatamente por isso que Renato colocou na boca da dona Florisbela as verdades mais inconvenientes, as observações mais cortantes sobre o mundo ao redor. O sensor lia e via uma senhora simpática dizendo bobagens. O público ouvia e reconhecia tudo o que não podia dizer em voz alta. Em 1973, o método evolui para um nível mais ambicioso ainda.
Nasce o Satiricon, um programa que usa os próprios meios de comunicação do regime como alvo. Parodiava telejornais, novelas, programas de rádio, cinejornais. Ao parodiar esses formatos, expunha como esses mesmos formatos serviam ao regime, como a linguagem do telejornal moldava a realidade que apresentava, como a novela distraía o povo, como o cinejornal transformava propaganda em informação.
Era uma crítica ao sistema a partir de dentro do sistema e funcionava pelos mesmos princípios. Quadros de 2 a 4 minutos, ritmo impossível de acompanhar, significado que existia na performance. e não no papel. Anos de trabalho, centenas de personagens e nenhum general que entendesse o que estava acontecendo bem diante dos seus olhos.
Você acha que hoje ainda existe censura disfarçada no Brasil, nas redes sociais, na televisão, na música? Deixa nos comentários. Esse é o tipo de conversa que vale a pena ter. Nenhum sistema funciona para sempre. E a ditadura, mesmo sendo lenta, mesmo sendo frequentemente mais burocrática do que inteligente, não era cega.
Com o tempo, a temperatura foi subindo, não de forma dramática, não com uma prisão, não com uma proibição explícita endereçada a Renato, mas de forma gradual e inequívoca. O cerco foi apertando sobre os programas de humor político. A censura foi ficando mais atenta ao subtexto, mais desconfiada do absurdo, mais capaz de identificar as camadas que antes passavam despercebidas.
e outros artistas que tentaram caminhos semelhantes foram encontrando obstáculos crescentes. O ambiente foi mudando de temperatura e Renato percebeu na segunda metade dos anos 70, ele toma uma decisão que surpreende a muita gente. Abandona o dia a dia da televisão, deixa os estúdios da Globo, passa a fazer shows pelo interior do Brasil, em clubes, em espaços onde a lógica da censura televisiva não chegava da mesma forma.
é uma decisão que pode ser lida de muitas formas, cansaço, talvez medo, possivelmente. E o medo seria uma resposta completamente racional para o que estava acontecendo ao redor. Mas há uma terceira leitura que parece a mais precisa para um homem com a inteligência estratégica que Renato demonstrou durante toda a sua carreira.
Ele entendeu que o jogo estava mudando e entendeu que a decisão mais inteligente era sair de cena enquanto ainda escolhia a hora de sair, antes de ser empurrado, antes de ser forçado, antes de pagar um preço que ele não estava disposto a pagar. Havia uma vida inteira de palco esperando por ele fora dos estúdios e ele foi viver essa vida.
Em 1981, Renato Corte Real volta à televisão. Mas desta vez o palco é diferente. É o SBT, o sistema brasileiro de televisão recém-ci criado por Silvio Santos, chegando ao ar num Brasil que já sente os primeiros sinais de abertura depois de anos de regime fechado. Renato torna-se um dos pioneiros da emissora.
Participa do primeiro programa humorístico do canal, o Reapertura. O nome carrega um peso simbólico que provavelmente não passou despercebido a quem escolheu o título. Reabertura. Como se o humor também reabrisse, voltasse a respirar, saísse de um espaço sufocado para um espaço com mais ar.
Havia algo de circular e de belo nesse retorno. O homem que havia usado o humor como forma de resistência num Brasil fechado, voltando ao palco num Brasil que começava a se abrir. Mas o tempo que ele teria para construir essa nova fase seria muito curto. Em 9 de maio de 1982, Renato Corte Real morre em Campinas, sua cidade natal.
Câncer no fígado e no pâncreas. tinha 57 anos. Deixa a mulher Teresa Ferreira Corte Real, a Bizu, como era conhecida, com quem era casado havia 36 anos. Deixa os filhos Renato Júnior e Ricardo Corte real, que seguiria os passos do pai e se tornaria ator. O Brasil perde naquele dia de maio de 1982 um dos seus criadores mais originais e mais corajosos e perde em relativo silêncio, sem o reconhecimento público que ele merecia, sem a memória que uma história como a sua deveria ter garantido.
Se você chegou até aqui, compartilha esse vídeo agora. Histórias como a de Renato Corte Real só continuam vivas se as pessoas decidirem não deixá-las morrer. Há uma forma de medir o tamanho real de um artista que vai muito para além de audiências e prémios. É uma pergunta simples e implacável.
O que ele criou continua vivo depois de ele foi-se embora. No caso de Renato Corte Real, a resposta é das mais extraordinárias que a televisão brasileira pode oferecer. Os textos que escreveu a Epitáfio e Santinha nos anos 60 voltaram ao ar no Zorra Total da TV Globo mais de 40 anos depois, com as mesmas palavras, sem alterar uma linha.
E o público riu-se da mesma forma, com o mesmo reconhecimento, porque o que Renato tinha capturado naqueles textos não era uma época, era algo permanente na alma brasileira que nenhum regime, nenhuma censura e nenhum tempo consegue apagar. Pense agora no arco completo desta história. Um homem nasce em Campinas em 1924. Aprende a fazer humor na televisão brasileira desde os seus primórdios.

desenvolve personagem a personagem, programa a programa, uma capacidade única de dizer verdades através de tipos populares que chegam ao povo sem que o povo necessite de diploma para compreender. E quando o momento mais negro da história política do país chega, quando a ditadura amordaça, exila, prende e censura, este homem não foge e não se cala.
Ele entra num estúdio, veste um fato de Napoleão e faz rir o Brasil de uma forma que os generais nunca conseguiram compreender. Com método, com inteligência, com a clicidade de um parceiro igualmente genial. E quando percebe que o jogo está mudando, sai de cena com elegância, sem ser destruído, sem ser dobrado, sem abdicar de quem era.
O regime passou, os generais morreram. O AI5 foi revogado, a censura foi desmantelada e as piadas de Renato Corte Real continuaram a existir em arquivos, em memórias, em textos que voltam ao ar décadas depois, como se o tempo não tivesse tocado neles. Porque há uma coisa que nenhuma ditadura consegue censurar completamente.
A verdade, quando ela vem embrulhada em riso genuíno. Renato Corteal entendeu que com uma clareza que nenhum general nunca teve sobre nada. Ele não fez discursos, não escreveu manifestos. Ele fez rir o povo da própria prisão sem que os carcereiros percebessem. E essa é a vitória mais silenciosa, mais elegante e mais permanente que existe.
Se este vídeo te deu algo, uma história que não conhecia, um nome que agora não vai esquecer, subscreve o canal e deixa o like. E antes de fechar, responde aqui embaixo. Depois de tudo o que lhe descobriu hoje, acha que o Renato Corte real merecia ser muito mais lembrado do que é? E existe alguém na sua vida que resistiu de forma silenciosa a algo maior do que ele? Conta nos comentários.
Porque histórias como a do Renato só continuam vivas quando alguém decide não as deixar morrer.