Choque em Direto: A Maior Guerra do Conservadorismo Explode!

Choque em Direto: A Maior Guerra do Conservadorismo Explode! Malafaia Confronta Datena por Trabalhar no Governo Lula. Apresentador Admite Ter-se Vendido por Dinheiro e Comodidade, Enquanto o Pastor Confessa Usar a Igreja para Fazer Política e Apoiar Corruptos! Uma Chocante Lavagem de Roupa Suja que Deixou o País em Choque!

Malafaia EXPLODE contra Datena e acusa aproximação com o governo Lula!  

Uma notícia mudou para sempre a relação entre dois dos homens mais influenteQs do conservadorismo brasileiro. O que começou por ser um anúncio profissional rotineiro transformou-se na maior guerra pública entre um pastor e um apresentador que o país  já presenciou. Quando José Luiz da Atena decidiu aceitar trabalhar na TV Brasil, a emissora pública do governo Lula, ele não imaginava que estaria a trair o homem que sempre o defendeu publicamente.

O que vai ver agora nunca deve ter acontecido e as consequências foram devastadoras para ambos os lados. O anúncio foi feito numa tarde comum. José Luiz da Tena, aos 67 anos, aceitou para conduzir um programa semanal na TV O Brasil, a emissora pública do governo Lula, o mesmo governo que o apresentador tinha massacrado durante três décadas de televisão, o mesmo PT que criticou em milhares de programas em direto.

 A primeira entrevista seria com o próprio presidente Lula. As redes sociais explodiram em minutos. A direita brasileira sentiu-se traída e ninguém se sentiu-se mais traído do que Silas Malafaia. O pastor tinha defendido da Atena publicamente durante anos, partilhou os seus vídeos, elogiava a sua coragem, dizia que era um dos poucos jornalistas honestos do Brasil.

 Agora Datena tinha aceitou trabalhar para o inimigo. Foi então que Malafaia pegou no telefone. Datena viu o nome Silas Malafaia na tela. O seu coração disparou. Sabia exatamente porque o pastor estava ligando. Hesitou por segundos intermináveis ​​antes de atender. Alô, pastor. A voz de Malafa saiu gelada como gelo.

 José Luiz, diz-me que o que eu acabei de ler é mentira. Diz-me que não aceitaste trabalhar na TV do governo Lula. Datena respirou fundo. Não adiantava fugir. Silas, eu aceitei sim. É uma decisão profissional. Estou exausto depois de 30 anos a fazer programa pesado todos os dias. Decisão profissional. Malafaia explodiu. José Luiz, passou três décadas atacando este governo.

 Chamou o Lula de corrupto ao vivo milhares de vezes e agora vai trabalhar para a TV dele. Silas, a TV Brasil é uma empresa pública, não é do PT. Não me venha com essa da Atena. O pastor estava furioso. A TV Brasil é comandada por quem? Financiada por quem? Pelo governo Lula. Pode chamar do nome que quiser, mas vai trabalhar para o homem que passou anos a dizer que era a desgraça do Brasil.

 Datena tentou manter a calma. Pastor, tenho 67 anos. O meu corpo não aguenta mais 3 horas de programa todos os dias. A TV Brasil ofereceu-me um formato mais leve, um programa semanal de entrevistas. E o primeiro convidado vai ser o Lula, não vai? Malafaia não esperou resposta. Vai sentar-se na frente do homem que chamou-lhe corrupto e vai fazer o quê? Entrevista de peluche? Vai puxar o saco dele? Vou fazer as perguntas que precisam de ser feitas.

 Perguntas que precisam de ser feitas? O pastor riu sem humor. José Luiz, acha mesmo que o governo que te contratou vai deixá-lo fazer perguntas duras pro presidente? Acha que vai ter liberdade para confrontar o Lula sobre corrupção? sobre o mensalão, sobre petrolão. Silas, tenho garantias contratuais de liberdade editorial.

Garantias contratuais? Malafaia estava incrédulo. José Luiz, viveu 30 anos na televisão e ainda acredita numa garantia contratual de liberdade editorial em TV governamental? Está a ser ingénuo ou está se fazendo-se de parvo? Datena começou a irritar. Silas, com todo o respeito, quem decide onde trabalho sou eu.

 Não é você, não é ninguém. Tem razão. Quem decide é você, mas quem vai pagar o preço da sua decisão também é você. Porque a partir de agora, José Luiz, perdeu toda a credibilidade com a direita brasileira. Credibilidade? Atena elevou a voz pela primeira vez. Pastor, construí a minha carreira em cima da credibilidade, 30 anos a fazer jornalismo.

 E agora você vem dar-me lição de credibilidade. 30 anos a fazer jornalismo. Malafaia atacou de volta. José Luiz, fizeste 30 anos a fazer sensacionalismo, explorando a tragédia alheia, ganhando dinheiro em cima da desgraça das pessoas. Não me venha com essa de jornalismo. A acusação atingiu da Atena em cheio. Sensacionalismo, pastor. Eu sempre expus a verdade.

Sempre mostrei a realidade do Brasil. Se isso incomoda, problema é de quem não quer ver. Espôs a verdade? O pastor riu-se alto. José Luiz, expôs o que dava audiência. Quando criticar o PT dava ibope, criticou. Agora que o governo ofereceu-lhe dinheiro, você mudou de lado. Isto não é jornalismo, é oportunismo.

Oportunismo? Da Atena explodiu. Quem está a falar? O mesmo pastor que vive nos palanques de um político. O mesmo malafaia que utiliza a igreja para fazer campanha eleitoral? Quer falar de oportunismo comigo? Malafaia ficou em silêncio durante alguns segundos. A acusação tinha tocado fundo, mas não era homem de recuar.

 José Luiz, nunca neguei que defendo posições políticas. Eu sempre fui transparente sobre o mesmo. A diferença é que não mudo de lado, dependendo de quem me oferece mais dinheiro. Não muda de lado. Datena atacou com força total. Pastor, já apoiou quantos políticos diferentes? Quantos candidatos o senhor já subiu ao palanque para defender? E quantos destes o Sr.

depois abandonou quando não serviam mais? Abandonei quando traíram os princípios conservadores, quando eles enganaram o povo, ao contrário de vós que está a trair por dinheiro. Por dinheiro? Datena estava furioso agora. Pastor, trabalhei 30 anos na televisão. Ganhei dinheiro honestamente. Não preciso da sua aprovação para aceitar um emprego novo.

 Não precisa da a minha aprovação, mas vai precisar explicar a milhões de pessoas que acreditaram em si, porque aceitou trabalhar para o governo que sempre criticou. Vou explicar sim. Vou explicar que estou cansado, que tenho 67 anos, que o meu corpo já não aguenta a rotina que tinha e que a TV Brasil me ofereceu uma oportunidade de continuar a trabalhar com uma carga menor.

E vai explicar também que vai entrevistar o Lula. Malafaia não deu trégua. Vai explicar que se vai sentar na frente do homem a quem chamou ladrão e vai fazer uma entrevista amigável. Não vai ser entrevista amigável. Vou fazer as perguntas difíceis. José Luiz, não vai fazer uma pergunta difícil nenhuma, porque se o fizer, perde o emprego no primeiro programa.

 Você sabe disso tão bem como eu. Datena ficou em silêncio. No fundo, sabia que Malafaia tinha um ponto. Silas, eu vou fazer o meu trabalho da melhor forma possível. Se as pessoas me quiserem julgar, que julguem. Mas não vou aceitar ser julgado por si, que também tem suas contradições. Contradições, Malafaia irritou-se.

 Que contradições, José Luiz? Diz-me uma contradição minha, pastor, o senhor prega o evangelho de Cristo, mas vive metido em brigas política. O Senhor fala de amor ao próximo, mas ataca qualquer pessoa que discorda de si. O senhor defende os valores cristãos, mas apoia político que já foi condenado por corrupção.

 Quer que continue? A acusação de Datena foi direta ao coração de Malafaia. O pastor ficou alguns segundos sem resposta. José Luiz, I defendo quem está a ser perseguido, quem está a ser atacado injustamente. Isso é diferente de apoiar corruptos. Perseguido, da riu. Pastor, político condenado pela justiça não é perseguido, é criminoso.

 Mas quando é de direita, o senhor chama de perseguição. Quando é de esquerda, o Senhor chama justiça. Onde está a coerência nisto? A coerência está em defender quem partilha os mesmos valores, quem luta pelo mesmo projeto de país. Mesmo projeto de país? Daena estava indignado. Pastor, o projeto de país que o senhor defende inclui político corrupto, desde que seja de direita? Inclui a mentira, desde que seja contra a esquerda? Inclui burla, desde que seja para manter o seu lado no poder? Golpe. Malafaia explodiu novamente.

Data, está a repetir a narrativa da esquerda. Questionar a urna eletrónica não é burla. Defender as instituições conservadoras não é um golpe. Resistir ao o comunismo não é um golpe. Resistir ao comunismo. Datena abanou a cabeça. Senhor Pastor, o senhor vive num país imaginário, não há comunismo no Brasil? Nunca teve.

 O que tem é o senhor a usar o medo do comunismo para manipular pessoas. Manipular pessoas? Malafaia estava ofendido. Eu manipulo. E você que vai trabalhar na TV do Governo para fazer propaganda disfarçada de jornalismo, isso não é manipulação, propaganda disfarçada de jornalismo. Datena defendeu-se. Senhor Pastor, eu nunca fiz propaganda para ninguém.

 Sempre critiquei todos os governos quando erraram. Sempre criticou. O pastor atacou. E vai continuar a criticar agora que trabalha para a TV do governo Lula. Vai ter coragem de criticar quem te paga o ordenado? Datena hesitou. A pergunta era boa demais. Silas, nenhuma televisão tem liberdade editorial absoluta.

 Todas têm os seus limites, as suas pressões, os seus interesses comerciais ou políticos. Tem razão nisso, concordou Malafa. Mas existe diferença entre trabalhar numa TV privada com interesses comerciais e trabalhar numa TV governamental com interesses políticos diretos. A diferença é que na TV privada se serve os empresários.

 E na TV pública, serve o povo? Daena argumentou. Serve o povo? O pastor gargalhou. José Luiz, a TV do governo não serve o povo, serve o governo, serve quem está no poder. E você sabe muito bem disso. Então, o Senhor está a dizer que eu me vendi. Exatamente. Vendeu-se, vendeu a sua credibilidade, vendeu os seus princípios, vendeu tudo o que pregou durante 30 anos por dinheiro e comodidade.

Atena respirou fundo, sentiu uma raiva crescendo no peito. Silas, sabe qual é a diferença entre eu e tu? Eu assumo que vendi-me. Reconheço que estou aceitando trabalhar num local com limitações. Continua se escondendo atrás da Bíblia enquanto faz exatamente a mesma coisa. Eu não faço a mesma coisa. Não faz. Da atacou com tudo.

 Pastor, o senhor vende a sua influência a político, utiliza o púlpito para fazer campanha, pede o voto usando o nome de Deus e ainda tem a lata de dizer que não se vende. Eu não peço voto. Eu oriento os meus fiéis sobre qual o candidato defende os valores cristãos. Orientar sobre um candidato é pedir o voto, pastor.

 O senhor pode chamar do nome que quiser, mas é campanha política usando a igreja. Malafaia ficou em silêncio durante alguns segundos. Quando voltou a falar, a voz estava mais baixa. José Luiz, talvez tenha razão. Talvez eu realmente tenha misturado as coisas, mas pelo menos não trabalho diretamente para nenhum governo. Não trabalha diretamente, mas trabalha indiretamente.

Faz campanha, defende governo quando é de direita, ataca quando é de esquerda. Qual é a diferença? A diferença é que eu tenho liberdade para mudar de posição. Eu posso criticar quando necessário. Não vai ter essa liberdade na TV governamental. Pastor, o senhor não muda de posição. O senhor defende sempre à direita e ataca sempre à esquerda, independentemente de quem esteja certo ou errado.

 Isto não é liberdade, é partidarismo. E qual é o problema de ser partidário? Pelo menos souerente. Você que está mudando de lado. Eu não estou a mudar de lado, pastor. Estou a mudar de emprego. Continuo a ser a mesma pessoa com as mesmas opiniões. As mesmas opiniões. Malafaia riu-se. José Luiz, vai entrevistar o Lula como funcionário da TV dele.

 Vai ter as mesmas opiniões? Vai chamar-lhe de corrupto? vai cobrar sobre o mensalão, sobre o petrolão. Datena sabia que não poderia fazer isso, não na intensidade que fazia antes. Silas, vou fazer as questões dentro do possível, dentro do formato do programa. Dentro do possível? O pastor apanhou a brecha. Então você admite que terá limitações.

 Admite que não poderá ser o mesmo jornalista que era antes. Claro que terei limitações. Todo o jornalista tem. O senhor acha que tinha total liberdade nas outras emissoras? Acha que nunca fui censurado? Nunca fui proibido de falar alguma coisa? Mas agora vai ser pior. Agora vai estar a trabalhar diretamente pro governo.

Silas, deixa-me fazer-te uma pergunta. Datena virou o jogo. Quando o Sr. defendia o governo Bolsonaro, tinha liberdade para criticar? Quando via algo errado, tinha coragem para falar? Malafaia hesitou. Sempre disse o que achava certo. Sempre. Datena pressionou. O senhor nunca passou pano para erro do Bolsonaro? Nunca justificou o injustificável? Nunca fingiu que não viu algo de errado? O pastor ficou em silêncio.

 Datena continuou: “Sabe qual é a verdade, Silas? Todos nos vendemos. Todos nós temos os nossos limites. Todos nós já defendemos o indefensável por interesse. Talvez tenha razão. A voz de Malafaia saiu mais baixa. Talvez eu realmente tenha passado pano para erros. Talvez tenha justificado coisas que não deveria justificar.

Datena não esperava esta admissão. Senhor Pastor, deixe-me terminar, José Luiz. Malafaia interrompeu. Quando diz que eu usei a igreja para fazer política, tem razão? Eu usei sim. Justifiquei dizendo que estava defendendo os valores cristãos, mas na prática estava a fazer campanha. Senhor Pastor, reconhecer isso já é um grande passo.

 E quando diz que eu defendi político corrupto, também está certo. Eu defendi político condenado pela justiça. Justifiquei dizendo que era perseguição política, mas no fundo eu sabia que havia ali um erro. Datena estava surpreendido com a honestidade do pastor. Silas, porque me está a falar isso agora? Porque também está a reconhecer os seus erros, está a admitir que vai ter limitações na TV do governo, que aceitou por dinheiro e comodidade.

 Poucos têm essa honestidade. Senhor Pastor, todos nós temos as nossas contradições. A diferença é que uns têm coragem de admitir e outros ficam se escondendo. É verdade. Malafaia concordou. E sabe o que é pior, José Luiz? O Brasil inteiro funciona assim. Político que se diz honesto, mas rouba. Pastor que prega humildade, mas vive numa mansão.

Jornalista que fala em ética, mas se vende. Todos somos hipócritas. Todos somos hipócritas. Datena repetiu devagar. E o que fazemos com ele? Continuamos a fingir ou temos coragem de admitir? Admitir é fácil aqui nesta conversa particular. Difícil é admitir publicamente, perder seguidores, perder audiência, perder dinheiro.

É verdade. Mas alguém precisa de começar. Alguém precisa de ter a coragem de dizer: “Eu errei, fui hipócrita, vendi-me”. Malafaia ficou pensativo. José Luís, vai admitir publicamente que está vendendo-se ao aceitar trabalhar na TV do governo Lula? Datena hesitou. Não vou usar estas palavras exatas, mas vou ser honesto sobre as minhas contradições, sobre o meu cansaço, sobre a minha decisão de aceitar um trabalho mais leve, mesmo sendo no governo que critiquei.

E eu, refletiu Malafa. Eu vou admitir que me envolvi demasiado em política, que utilizei a igreja para fazer campanha, que defendi político corrupto por interesse ideológico. Pastor, se ambos admitirmos os nossos erros publicamente, vamos ser crucificados. Os nossos seguidores vão abandonar-nos. Talvez sim, mas talvez seja isso que o O Brasil precisa.

 Menos gente a fingir ser perfeita e mais gente a admitir as suas falhas. Datena pensou por um momento. Pastor, sabes o que eu acho? Acho que esta conversa que estamos a ter agora deveria ser pública. Pública? Malafaia ficou surpreendido. Sim. Vamos fazer esta conversa em direto no meu programa. Vamos lavar a nossa roupa suja à frente do Brasil inteiro.

 José Luiz, isso seria devastador para ambos. Perderíamos muitos seguidores, talvez, mas ganharíamos respeito de quem está cansado de hipocrisia. De quem quer ver gente a assumir os seus erros, em vez de estar a justificar tudo. Malafaia pensou por longos segundos: “E teria coragem de admitir ao vivo que está a aceitar trabalhar no governo que sempre criticou por dinheiro e comodidade?” Teria.

 E o senhor teria coragem para admitir ao vivo que usou a igreja para fazer política e defender o corrupto por interesse ideológico? Teria. Malafaia respondeu sem hesitar. Então vamos a isso, pastor. Vamos mostrar ao Brasil que é possível ser honesto sobre as nossas contradições. Mas tem uma condição. Malafaia adicionou. Não pode ser encenação.

 Tem que ser real. Tem de haver confronto verdadeiro. Não pode ser aquela conversa bonita e arranjada. Concordo totalmente. Tem de haver briga. Tem que haver ataque, tem que haver roupa suja a ser lavada e depois, se sobrar algo, reconhecemos os erros. Exatamente. Malafaia concordou. Porque o povo não quer ver dois rapazes a elogiarem-se.

 O povo quer ver confronto, quer ver sangue. E só depois disso, se ainda fizer sentido, surge a reflexão. Pastor, esta conversa que estamos a ter agora já é explosiva. Imagina em direto na televisão. Então, vamos fazer quando? Amanhã, no o meu último programa antes de ir paraa TV Brasil. Vai ser histórico. Os dois acertaram os pormenores.

 No dia seguinte, o estúdio de Datena estava apinhado de jornalistas e curiosos. A notícia tinha vazado que algo grande ia acontecer. Todos sabiam que seria a última aparição de Datena na estação antes de ir para a TV do governo. Quando o programa começou, Datena foi diretamente ao ponto. Hoje vai ser um programa diferente.

 Vou receber uma chamada do pastor Silas Malafaia e vamos ter a conversa mais honesta que a televisão brasileira já viu. Sem guião, sem combinação, só a verdade. O apresentador explicou a sua decisão rapidamente. Aceitei trabalhar na TV Brasil. Sei que muitos me criticam por isso. Dizem que me vendi, que traí os meus princípios e talvez estejam certos, mas vou explicar tudo agora.

 Datena pegou no telefone e ligou para Malafaia em direto. O pastor atendeu de imediato. José Luís, estamos em direto? Estamos, senhor pastor, e o Brasil inteiro está a assistir. Então, vamos começar. A voz de Malafaia saiu séria. José Luiz, vendeu-se, aceitou trabalhar para o governo que sempre criticou.

 E agora quer que eu finja que está tudo bem? Não quero que finja nada, senhor pastor. Quero que me ataque. Quero que fale tudo o que pensa, sem filtro, sem medo. Então vou falar. Malafaia elevou a voz. Você é um hipócrita. Passou 30 anos atacando a PT e agora vai entrevistar o Lula como funcionário da sua TV. Isso não é jornalismo, é prostituição intelectual.

O estúdio inteiro ficou em choque. A prostituição intelectual era uma acusação pesadíssima. Datena poderia ter desligado, poderia ter expulsado o malafaia do programa, mas não fez isso. Atacou de volta. Prostituição intelectual, da gritou. Quem está a falar? O pastor que o é a igreja para eleger político, que vem de influência religiosa em troca de poder? Quer falar de prostituição intelectual comigo? Eu uso a igreja para defender valores.

Está a usar o jornalismo para ganhar dinheiro do governo. Defender valores. Datena riu alto. Senhor Pastor, o senhor defende político corrupto, defende mentiroso, defende gente que ataca a democracia. Estes são os seus valores. Eu defendo quem está a ser perseguido pela esquerda. Perseguido pela esquerda? Daena explodiu.

 Pastor, político investigado por crime, não é perseguido, é suspeito. Mas quando é do seu lado, o senhor chama de perseguição. Quando é do outro lado, o senhor chama justiça. Porque a A justiça brasileira é aparelhada, é controlada pela esquerda. Aparelhada. Datena abanou a cabeça. Pastor, quando a justiça condenava a PT, o senhor elogiava.

 Dizia que era independente. Agora que condena à direita virou aparelhada. O senhor tem vergonha na cara? A pergunta foi dura demais. Malafaia ficou alguns segundos em silêncio. Quando voltou a falar, estava ainda mais irritado. José Luiz, não permito que questione a minha vergonha na cara. Eu sempre fui coerente. Coerente? Datena gargalhou.Silas Malafaia é condenado a pagar multa e se retratar em vídeo ao PT

 Pastor, o senhor é coerente em defender sempre à direita e atacar sempre à esquerda, independentemente de quem tenha razão ou errado. Isto não é coerência, é fanatismo. Prefiro ser fanático por uma causa do que se vender ao inimigo como você. Inimigo? Daena irritou-se. Pastor, o Lula não é meu inimigo, é um presidente eleito.

 Gostando ou não, foi escolhido pelo povo. Foi eleito com urna fraudada. Oh, por favor. Datena perdeu a paciência. Senhor Pastor, o senhor vai continuar com esta história da fraude? Não tem prova nenhuma. É só mimimi de quem perdeu. Não tem prova porque não investigaram. Não investigaram porque não há o que investigar.

 Senhor Pastor, o senhor precisa aceitar que o seu candidato perdeu. Acabou. O povo escolheu outro. Malafaia respirou fundo. José Luiz, deixa-me te fazer uma pergunta. Você realmente acha que vai ter liberdade na TV do governo? Não, não vou ter liberdade total. Já admiti isso. Então, para quê aceitar? Porque estou cansado, pastor? Porque Tenho 67 anos.

 Porque o meu corpo não aguenta mais. Porque quero uma vida mais tranquila. É assim tão difícil de entender? Não é difícil de compreender. É difícil de aceitar. Porque está a desistir de ser um verdadeiro jornalista para ser marketeer de governo. E o senhor desistiu de ser pastor de verdade para ser cabo eleitoral de político? O silêncio foi pesado.

 Ambos haviam cruzado todas as linhas. Malafaia foi o primeiro a falar mais baixo. Talvez você tenha razão, José Luiz. Talvez eu tenha realmente deixado de ser pastor para ser militante político. Datena não esperava isso. Senhor Pastor, não, deixe-me falar. Malafaia continuou. Você está certo.

 Eu usei a igreja, usei a fé das pessoas, usei a minha influência religiosa para fazer política e isso está errado. Senhor Pastor, reconhecer isso ao vivo. O senhor sabe o que isso significa? Significa que estou a ser honesto pela primeira vez em muito tempo. E sabe de uma coisa? É libertador. Daena sentiu um nó na garganta. Senhor Pastor, então eu também vou ser sincero.

Eu vendi-me. Aceitei trabalhar na TV do governo por dinheiro e comodidade. Não é sobre jornalismo, não se trata de informar o povo, trata-se de ter uma vida mais fácil. José Luiz, admitir isso em directo. Você sabe que vai perder tudo, talvez, mas pelo menos vou dormir descansado, sem ter que fingir que sou algo que não sou.

Malafaia suspirou. Sabes o que é engraçado, José Luiz? Nós dois passamos anos a atacar a hipocrisia alheia e no final descobrimos que somos os maiores hipócritas. É verdade, senhor pastor. Atacamos nos outros exatamente o que fazemos. E o que fazemos agora? Agora tentamos ser melhores, tentamos ser honestos, tentamos arranjar o que der para consertar.

José Luiz, não vamos sair desta conversa como amigos. Continuamos a discordar de muita coisa. Eu sei, senhor pastor, mas pelo menos saímos mais honestos. É verdade. E talvez isso seja mais importante que concorde. Datena olhou para as câmaras. Vocês viram o que aconteceu aqui? Duas pessoas que discordam de quase tudo conseguiram ser honestas sobre as suas contradições.

 Malafaia completou pelo telefone: “O Brasil não precisa de gente perfeita, porque as pessoas perfeitas não existe. O Brasil precisa de gente honesta. Gente que tem a coragem de olhar para o espelho e admitir quando erra”. Datena continuou: “Errei ao usar a igreja para fazer política. Malafaia disse claramente: “E errei ao aceitar trabalhar no governo que sempre critiquei.

” Datena admitiu, mas pelo menos tivemos coragem de admitir. Datena terminou: “E você que está a assistir, tem a coragem de admitir os seus próprios erros ou prefere continuar a atacar os erros dos outros enquanto esconde os seus? comenta lá em baixo. Quando a chamada terminou, o estúdio explodiu em aplausos, mas Datena sabia que a repercussão seria dividida.

 Parte do público elogiaria a honestidade, outra parte atacaria o que consideraria fraqueza. E foi exatamente isso que aconteceu. Nas horas seguintes, as redes sociais dividiram-se. Uns chamaram a conversa de histórica, outros disseram que foi teatro. Mas ninguém ficou indiferente. Malafaia perdeu milhares de seguidores nesse dia.

 Da Atena também, mas ambos ganharam algo mais valioso, honestidade consigo próprios. Semanas depois, Datena estreou na TV Brasil. A entrevista a Lula foi menos combativa do que o seu público estava habituado, mas foi honesta dentro dos limites que o apresentador tinha admitido ter. Malafaia também mudou. Não deixou de fazer política, mas passou a ser mais transparente.

 Quando defendia algum político, admitia que era por afinidade ideológica, não por orientação divina. Nenhum dos dois se tornou perfeito. Continuaram a cometer erros, mas pelo menos deixaram de fingir. E nisso deram um exemplo importante. É possível ser relevante sem ser hipócrita. O Brasil precisa de menos gente a fingir que é perfeita e mais gente admitindo as suas falhas.

 Comenta lá: tu prefere seguir pessoas que fingem ser perfeita ou gente que admite os seus erros?  

 

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