Abriram o CAIXÃO de JOÃO GOULART – Veja o que a EXUMAÇÃO do Ex Presidente MORTO revelou

Já parou para pensar por resolveram abrir o caixão de um antigo presidente do Brasil, 37 anos depois da sua morte? Não é uma cena de um filme? Isso aconteceu de verdade numa manhã de Novembro de 2013. E o que os peritos encontraram no interior daquele caixão, ou melhor, o que eles não encontraram, mudou completamente a forma como o Brasil olha para um dos capítulos mais obscuros da sua história.

Dizem por aí que João Gulad, o Jangle, morreu de enfarte enquanto dormia numa exploração na Argentina. Outros dizem que foi assassinado com comprimidos envenenados numa operação secreta coordenada por agentes de três países. E há quem diga que a verdade é ainda mais perturbadora do que qualquer das duas versões, porque envolve nomes, datas, locais específicos e um silêncio que durou décadas demais.

Que bom estarmos juntos para investigar este tema. Espero que esteja tudo bem consigo. Somos o canal Factos Explicados e você é sempre muito bem-vindo aqui ao canal. Hoje a gente vai acompanhar, pormenor por pormenor o que aconteceu no dia em que abriram o caixão de Jango, o que os peritos esperavam encontrar, o que de facto encontraram, o que a ciência foi capaz de provar e por mesmo depois de tudo isto, esta história ainda não tem um ponto final.

Mas para perceber porque alguém resolveu abrir este caixão décadas depois, precisamos de entender quem era João Gular. E mais do que isso, perceber porque é que a forma como morreu sempre incomodou tanta gente. João Belquior Marques Gular nasceu a 1o de Março de 1919 em São Borja, no Rio Grande do Sul, um pequena cidade no extremo oeste gaúcho, na fronteira com a Argentina.

Curioso como a história por vezes fecha círculos, certo? Nasceu na fronteira com a Argentina e foi na Argentina que tudo terminou. Jango chegou à presidência de forma indireta. Em setembro de 1961, o presidente Jâio Quadros renunciou passados ​​apenas 7 meses no cargo, numa das mais enigmáticas renúncias da história brasileira.

Por lei, o vice- assumia e o vice era o jango. O problema é que os militares não queriam jango de jeito nenhum. Uma enorme crise política se instalou. Só uma campanha popular massiva, a campanha da legalidade garantiu a posse do mesmo, ainda que enfraquecida. Jango governou a partir de 1961 a 1964. Em março desse ano, perante 300.

000 pessoas reunidas no Rio de Janeiro anunciou as reformas de base. A reação foi imediata. Em 31 de março de 1964, o golpe militar derrubou Jango. Ele recusou o confronto armado para evitar uma guerra civil e partiu para o exílio. Primeiro o Uruguai, depois a Argentina. E foi aí, numa quinta em Mercedes, a A 100 km de Buenos Aires, que João Gulara faleceu na madrugada de 5 para 6 de dezembro de 1976.

Tinha 57 anos, a causa oficial, enfarte do miocárdio. Só que nenhuma autópsia foi feita, nenhuma. A certidão de óbito argentina registou apenas enfermidade, doença, sem especificação, sem exame, sem investigação. E o governo militar brasileiro tratou o assunto com uma frieza calculada. organizou o traslado do corpo com urgência, enterrou o jango em São Borja sem honras de estado, sem bandeira, sem salva de tiros, como se fosse um cidadão qualquer.

Não é o presidente constitucional que havia sido. Esse pormenor nunca saiu da cabeça da família. A suspeita. Durante quase três décadas, a versão do enfarte ficou em pé. Não porque ninguém duvidasse dela, mas porque ninguém com informações concretas tinha falado. Isso mudou em 2008. Um homem detido numa penitenciária de segurança máxima do Rio Grande do Sul pediu uma entrevista à Folha de São Paulo.

O seu nome Mário Neira Barreiro, antigo agente dos serviços secretos uruguaio. E o que ele tinha para dizer era explosivo. Ira revelou que tinha sido designado pelo governo uruguaio para vigiar João Gular durante os últimos três anos de vida do ex-Presidente, de 1973 a 1976. instalou escutas, monitorizou cada passo, cada conversa, cada visita e depois afirmou com todas as letras que Jango não tinha morrido de enfarte, tinha sido envenenado.

Segundo Neira, existia uma operação secreta chamada Operação Escorpião. O plano substituir os comprimidos cardíacos que Jango tomava todos os dias por cápsulas envenenadas. A substância escolhida provocaria sintomas idênticos a um ataque cardíaco fulminante. Ninguém suspeitaria. E o mais gelante de tudo, Neira descreveu os locais onde se realizavam as trocas, no hotel Libertos Aires, na própria quinta e no porta-luvas do carro de Jango, locais acessíveis apenas para quem estava muito próximo do ex-Presidente.

Segundo ele, a ordem teria partido do delegado do DOPS de São Paulo, Sérgio Para Flornhosi, um dos homens mais temidos da repressão militar brasileira. E a autorização final teria vindo do então presidente Ernesto Geisel. Flori faleceu em 1979, Geisel em 1996. Nenhum dos dois podia ser confrontado, mas o relato de Neira estava ali gravado, publicado, demasiado detalhado para ser ignorado.

Depois das declarações de Neira, a família Gular não ficou parada. O filho de Jango, João Vicente Gular, levou o caso ao Ministério Público, apresentou documentos, exigiu investigação e pediu algo que muito poucas famílias no mundo têm a coragem de pedir, a exumação do corpo do pai. Porque havia duas feridas abertas ao mesmo tempo.

A primeira, a suspeita de homicídio, a segunda, a humilhação póstuma. João Gular, presidente constitucional do Brasil, tinha sido enterrado como um pária, sem honrarias, sem bandeira, como se a sua vida e o seu governo não tivessem valido nada. E a família queria corrigir as duas coisas de uma só vez. E em 2013, com a Comissão Nacional da Verdade em Aividade, criada pelo governo Dilma Roussef para investigar crimes da ditadura, a oportunidade chegou.

O pedido foi aceite. A esumação estava autorizada. Enquanto os preparativos avançavam, o debate sobre a morte de Jango aqueceu de vez. A teoria do enfarte natural era a versão oficial desde 1976. Jango tinha um historial de cardiopatias, tinha stress crónico de uma década de exílio, tinha 57 anos. Médicos consultados à distância disseram que um O enfarte fulminante era clinicamente plausível.

Só que plausível não é o mesmo que provocado. E sem autópsia não há prova de nada. A teoria do envenenamento pela operação Escorpião era assustadora pela sua precisão. Não era uma acusação vaga. Era um plano específico, com um nome de código, com locais de execução, com nomes de responsáveis. Este nível de detalhe, por mais perturbador que fosse, tornava também a história mais verificável.

Mas aí precisamos de entender um pouco da ciência forense, porque é exatamente aqui que o caso se torna mais complexo. Imagine que alguém é envenenado com uma substância que imita um ataque cardíaco. Essas substâncias existem. São compostos que interferem com o funcionamento elétrico do coração.

O corpo entra em colapso, para tudo parece um enfarte natural. Agora imagine esse corpo enterrado por 37 anos. Uma boa parte das substâncias orgânicas, incluindo muitos tipos de veneno, decompõe-se com o tempo. A ação das bactérias do solo, a humidade, as variações de temperatura ao longo das décadas. Tudo isto vai apagando os rastos.

É como tentar ler uma mensagem escrita na areia depois da maré cheia. Os vestígios podem ter desaparecido, mas isso não significa que a mensagem nunca existiu. Esse era o desafio imenso que os peritos enfrentavam. E foi com este peso que chegaram ao cemitério de São Borja na manhã do dia 13 de novembro de 2013. O dia da exumação. O cemitério do Jardim da Paz amanheceu cercado.

Câmaras de todo o país, jornalistas internacionais, políticos, representantes da Comissão Nacional da Verdade, o governador do Rio Grande do Sul presente e a família, sempre a família, segurando as mãos uns dos outros num silêncio que dizia mais do que qualquer discurso. Uma estrutura especial foi montada em redor do cemitério. Os peritos paramentaram-se.

Era um procedimento técnico forense, mas ninguém ali conseguia fingir que era uma coisa qualquer. E depois chegou o momento. O caixão de João Gular foi aberto e depois aconteceu algo que pegou todos de surpresa. Os peritos esperavam encontrar muito pouco, afinal tinham 37 anos. O normal seria ter apenas alguns fragmentos de osso, pouca coisa para trabalhar.

Só que o que eles encontraram era muito mais do que isso. O estado de conservação dos restos mortais era surpreendentemente bom. Havia pêlos preservados, fragmentos de tecido, ossos em condição de análise, uma quantidade de material muito para além do esperado para uma sepultura daquele tempo.

Para a ciência forense, este era uma notícia extraordinária. Quanto mais material, maior a hipótese de encontrar respostas. Com todo o cuidado técnico possível, os peritos recolheram amostras. Cada fragmento foi catalogado, identificado, embalado em condições especiais de preservação. Cabelos, ossos, fragmentos de tecido, tudo guardado, tudo documentado, tudo preparado para seguir para os laboratórios.

No dia seguinte, os restos mortais de Jango partiram de São Borja para Brasília. E o que aconteceu quando aquela urna chegou à capital federal foi algo que muita gente que acompanhou nunca mais vai esquecer. Na base aérea de Brasília, o governo federal recebeu os restos mortais de João Gular com honras plenas de chefe de estado.

A Presidente Dilma Roussef estava presente. Ela caminhou até Maria Teresa Gular, a viúva de Jango, que tinha vivido décadas com a dupla dor de ter perdido o marido no exílio e de ver o país tratar esta morte como se fosse insignificante e entregou-lhe uma bandeira do Brasil dobrada. O gesto que nunca tinha sido feito, que deveria ter sido feito em 1976.

Pensa na ironia cruel da história. Os restos mortais de Jango estavam a regressar a Brasília pela base aérea, o mesmo lugar de onde partira as pressas, exilado em Abril de 1964. a mesma base, um Brasil completamente diferente. O resultado: Os exames forenses duraram meses. As As amostras foram enviadas para laboratórios nacionais e internacionais.

O perito cubano Jorge Perz, nomeado pela própria família para garantir isenção, coordenou parte das análises. Equipas de diferentes países se debruçaram sobre o material. Em dezembro de 2014, o relatório foi divulgado e o resultado foi inconclusivo. Os exames não encontraram a presença de medicamentos tóxicos ou veneno nas amostras.

O relatório concluiu que Jango pode ter morrido de enfarte, compatível com o seu historial de cardiopatias. Mas, e este má é o maior má de toda esta história. A ausência de veneno não prova que não houve envenenamento. O próprio perito Jorge Peres foi categórico ao apresentar os resultados. Do ponto de vista científico, as duas possibilidades se mantém.

E o Relatório trouxe uma frase que ficou gravada para sempre na memória de quem acompanhou o caso. A negação da presença de veneno não permite negar que a morte tenha sido provocada por envenenamento. Lê devagar mais uma vez. Não encontramos veneno, mas o veneno pode ter desaparecido com o tempo e, assim, não podemos afirmar que não houve crime.

O filho de Jango, João Vicente Gular, disse que a família já esperava um resultado destes, mas não desistiu. Pediu a partilha de arquivos com a Argentina e o Uruguai, pediu depoimentos de agentes americanos, pediu que a investigação continuasse. O mistério que continua. A história não terminou em 2014. Em 2025, quase 50 anos depois da morte de Jango, [música] Mário Neira Barreiro, agora com mais de 70 anos, fez uma nova declaração pública.

Está disposto a prestar depoimento oficial com força de prova legal, desde que o caso seja formalmente reaberto pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. Neira tem mais de 70 anos. O tempo [música] passa, esta janela vai-se a fechar e há outros fios soltos. O Ministério Público da Argentina analisa o caso.

A morte ocorreu em solo argentino e pode estar ligado à operação Condor, cuja investigação está muito mais avançada lá do que cá. Arquivos que estavam fechados estão a ser abertos. Testemunhos que estavam calados começam a aparecer. A história ainda está a ser escrita. E depois, depois de tudo isso, voltamos à pergunta que abriu este vídeo.

O que os peritos encontraram quando abriram o caixão de João Gular? Encontraram um corpo melhor preservado do que esperavam? Encontraram material suficiente para análise? E encontraram uma resposta que na prática não é resposta nenhuma. Não sabemos. A ciência não confirmou o envenenamento, mas também não o descartou.

E talvez esta inconclusão diga mais sobre esta história do que qualquer resultado definitivo diria. Porque ela mostra que quando não se faz a autópsia na hora certa, quando se enterra um presidente sem honras, sem investigação, sem transparência, o tempo cobra um preço que a ciência dificilmente consegue pagar décadas depois.

João Gular queria regressar ao Brasil. Os seus direitos políticos foram devolvidos em abril de 1976. Tinha o direito legal de regressar. A ditadura simplesmente recusou-se a emitir-lhe um passaporte. Meses depois, estava morto e o país em que ele governou mal soube que tinha morrido. Isto diz muito sobre o que foi a ditadura militar brasileira e diz muito sobre a importância de não deixar esta história morrer junto com as pessoas que a viveram.

E você, o que acha? João Gular foi assassinado pela ditadura ou morreu de morte natural e toda esta suspeita é uma grande sombra sem fundamento. Conta-me nos comentários. Se gostou do vídeo, dê o like, faz uma diferença enorme para o canal e inscreve-se para não perder os próximos. Muito obrigado pela sua companhia sempre especial.

A gente vê-se num próximo vídeo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *