O Papa Entrega Uma Carta Ao Padre Manzotti… E O Que Está Escrito O Faz Chorar  

O Papa Entrega Uma Carta Ao Padre Manzotti… E O Que Está Escrito O Faz Chorar  

o Papa entrega uma carta ao padre manzote e o que está escrito faz chorar o sol da tarde começava a pôr-se em Curitiba a tingir o céu com tons alaranjados que se refletiam nos Vitrais do Santuário Padre Reginaldo manzote terminava de celebrar a missa Dominical com a igreja completamente lotada como de costume o seu rosto Sereno transmitia paz enquanto abençoava os últimos fiéis que se aproximavam para receber uma palavra de conforto ou simplesmente tocar nas suas mãos a paz de Cristo esteja convosco repetia ele com um

sorriso Genuíno olhando nos olhos de cada pessoa a igreja foi-se esvaziando lentamente alguns fiéis ainda permaneciam em oração outros tiravam fotos do altar belamente ornamentado com arranjos de lírios brancos Padre manzote recolhia os seus paramentos quando notou um homem de fato escuro postura ereta e olhar atento que o observava discretamente do último banco quando o padre dirigiu-se à sacristia o homem levantou-se com um movimento preciso e o seguiu não havia nada de ameaçador na sua presença mas algo na sua postura

indicava uma importante missão Padre Reginaldo manzote perguntou ao homem com sotaque italiano suave aproximando-se cautelosa ente Sim sou eu respondeu o padre intrigado o homem inclinou-se ligeiramente a cabeça em sinal de respeito e sem dizer mais palavras retirou do bolso interior do casaco um envelope de papel envelhecido selado com cera vermelha que ostentava o inconfundível brasão papal os seus dedos de unhas perfeitamente aparadas estenderam o envelope com uma reverência quase solene O que é isto de quem vem questionou o

padre manzote sem tocar no envelope os seus olhos alternando entre o objeto e o rosto impassível do mensageiro o homem apenas sorriu enigmaticamente os seus olhos revelando uma compreensão que transcendia as palavras quando ler entenderá disse ele simplesmente em seguida fez um ligeiro movimento de cabeça virou-se e caminhou em direção à saída lateral da igreja os seus passos ecoando no chão de mármore O padre manzote observou paralisado enquanto o homem desaparecia entre os últimos fiéis que ainda circulavam no

átrio da igreja o envelope nas suas mãos parecia pesar mais do que devia como se transportasse não apenas papel mas memórias e revelações Padre está tudo bem perguntou a Dona Teresa uma das voluntárias do Santuário aproximando-se com ar preocupado ao notar a expressão perturbada do sacerdote sim Teresa apenas um pouco cansado respondeu Ele disfarçando a sua confusão e guardando rapidamente o envelope no bolso da batina já era noite quando o Padre manzote finalmente regressou à casa paroquial depois de atender diversos

fiéis com aconselhamento e orações individuais o seu corpo pedia descanso mas a sua mente estava completamente desperta intrigada pelo misterioso envelope que permanecera intocado no seu bolso durante toda a tarde no seu quarto simples com uma cama de solteiro uma pequena secretária de madeira escura e um crucifixo na parede ele finalmente se permitiu examinar o envelope à luz amarelada do candeeiro destacava o vermelho vivo da cera e os pormenores Dourados do razão papal as suas mãos tremiam ligeiramente não de medo mas de uma emoção

inexplicável que crescia no seu peito antes de romper o selo ajoelhou-se ao lado da cama senhor dá-me discernimento compreender o que está para vir murmurou em Oração Sincera os olhos fechados e as mãos juntas o silêncio noturno envolvia o quarto como se o mundo também aguardasse em suspense finalmente com com cuidado para não danificar o selo abriu o envelope de no interior retirou duas folhas de papel fino com uma caligrafia elegante e firme os seus olhos percorreram rapidamente o cabeçalho do documento parando

abruptamente ao reconhecer a assinatura no final da carta o coração do padre acelerou [Música] instantaneamente não pode ser sussurrou para si mesmo voltando ao início da carta para ler com mais atenção era sem dúvida uma carta pessoal do Papa não uma comunicação formal ou uma bênção Apostólica padronizada mas palavras escritas à mão pelo próprio Santo Padre dirigidas especificamente a ele à medida que os seus olhos percorriam as linhas uma frase em particular fez com que o seu corpo inteiro estremecer a senhora Luzia

Aparecida dos Santos tem falado muito sobre si O padre manzote deixou a carta cair sobre o colchão como se as palavras tivessem queimado os dedos Dona Luzia repetiu em voz alta o nome ecoando nas paredes do quarto simples como um chamamento do passado fechou os olhos com força e respirou profundamente tentando conter a onda de emoções que o invadia há mais de 30 anos que não ouvia aquele nome embora nos seus sonhos mais profundos aquela voz doce e aquelas mãos enrugadas ainda aparecessem de tempos a tempos na sua mente como um

filme a preto e branco que lentamente ganha cores surgiu a imagem de uma senhora de cabelos brancos apanhados num coque simples vestido florido desbotado e um sorriso que iluminava até aos dias mais sombrios da sua infância Dona Luzia a mulher simples que vivia no final da rua de terra batida na periferia de Curitiba que o acolheu quando todos os outros os rapazes rejeitavam-no por ser diferente demais demasiado quieto espiritualizado demais uma lágrima solitária escorreu pelo rosto do padre enquanto a memória

daquela mulher que há tanto tempo estava guardada num canto especial do seu coração voltava com toda a força trazendo consigo o aroma do café acabado de Coar e o som de antigas orações sussurradas ah noite avançava em Curitiba mas o sono parecia distante para o Padre manzote sentado na beira da cama com a carta do Papa ainda nas suas mãos ele permitiu-se mergulhar nas memórias que há tanto tempo mantinha cuidadosamente guardadas como relíquias preciosas que não devem ser expostas com frequência para não perderem o seu brilho na sua

mente as Ruas de Terra do ba bairro Vila Esperança materializaram se vividamente era um desses lugares simples onde a A pobreza material era compensada pela riqueza das relações humanas Reginaldo tinha apenas 12 anos quando a sua família mudou-se para uma pequena casa de dois quartos naquela localidade filho único de pais trabalhadores que saíam antes do amanhecer e regressavam já noite o menino Magricela e introvertido passava muitas horas sozinho a observar o mundo pela janela Estreita da cozinha Foi numa

tarde chuvosa de inverno que ele a viu pela primeira vez a Dona Luzia caminhava lentamente com um guarda-chuva preto gasto nas mãos Parando para ajudar um cão de rua que se abrigava debaixo de uma caixa de cartão encharcada a senhora de aparência frágil mas gestos decididos retirou Um Pedaço de Pão do saco de compras e ofereceu ao animal fazendo depois um carinho rápido no seu cabeça molhada aquele simples gesto de bondade captou a atenção do menino Reginaldo nos dias seguintes começou a observar discretamente aquela senhora

que vivia sozinha na última casa da rua uma construção modesta com um pequeno Jardim onde cresciam ervas medicinais e flores coloridas mesmo no inverno mais rigoroso memória avançou para o seu primeiro encontro real com a Dona Luzia regressando da escola Reginaldo encontrou a senhora a lutar para carregar duas sacos pesados ​​de compras sem pensar por duas vezes ofereceu ajuda que Deus o abençoe o meu filho disse ela com um sorriso que parecia iluminar todo o seu rosto em rugado como se chama Reginaldo respondeu timidamente nome de Santo

comentou ela sabia que são Reginaldo foi um homem que abandonou tudo para seguir a Deus tinha um coração que escutava os outros aquela foi a primeira de muitas conversas aos poucos Reginaldo tornou-se visita frequente na casa simples da Dona Luzia enquanto os outros meninos jogavam bola ou empinava ele sentava-se na pequena varanda coberta de trepadeiras para ouvir as histórias de Santos e mar que ela contava com tanta vivacidade que pareciam estar ali presente entre eles o cheiro a café acabado de passar e bolinho

de chuva misturava-se com o suave aroma de velas e incenso que sempre pairava naquele ambiente num canto da sala um pequeno Altar doméstico reunia imagens de Santos Flores frescas e um terço de madeira que pertencera à mãe da Dona Luzia foi àquela casa que Reginaldo assistiu à sua primeira transmissão da missa pela televisão num aparelho antigo de imagem granulada foi aí que aprendeu a rezar o terço a reconhecer os diferentes tempos litúrgicos e a encontrar conforto nas palavras sagradas mesmo nos momentos mais difíceis você

tem um chamamento especial o meu filho dizia frequentemente a Dona Luzia olhando-o com uma intensidade que o fazia acreditar que ela conseguia ver para além das Até ao fundo da sua alma uma lembrança em particular destacou-se na sua mente o seu aniversário dos 14 anos ninguém se lembrar da data nem mesmo os seus pais atarefados com a sobrevivência diária com lágrimas contidas bateu à porta da Dona Luzia apenas para ter alguma companhia para sua surpresa encontrou um pequeno bolo caseiro com uma vela e um pacote embrulhado em papel de pão como a

senhora soube perguntou emocionado o coração que ama está sempre atento respondeu ela simplesmente o presente era um terço de madeira escura simples mas belamente trabalhado era do meu falecido marido explicou ela quero que fique contigo um dia vai entender porqu aquele terço nunca mais lhe saiu do bolso acompanhando-o durante os anos de seminário nas noites de dúvida nos momentos de decisão e nas horas de celebração a voz do Papa na carta trouxe Padre manzote de volta ao presente você é fruto da Bondade dela uma semente que

ela plantou no solo fértil da Fé sincera agora essa semente tornou-se uma árvore que alimenta milhares de almas famintas pela palavra de Deus como o santo padre iia saber que como Dona Luzia que ele não via há mais de três décadas havia chegado ao Vaticano a carta continuava revelando que a Dona Luzia agora com 92 anos encontrava-se numa casa de repouso nos arredores de Roma por Coincidências que só a providência poderia explicar o papa a conheceu durante uma visita não oficial a instituições de solidariedade na periferia da

cidade eterna Durante uma conversa a idosa brasileira mencionou o nome de Padre manzote sem saber que estava a falar com o santo padre ela falou de si com tanto orgulho e amor escreveu o Papa como uma mãe fala de um filho perguntei se ela gostaria de o rever e os seus olhos brilharam com uma intensidade que me comu profundamente ela não pediu mas pude sentir que este seria o seu último desejo nesta terra as últimas linhas da carta eram um convite direto venha a Roma meu filho ela quer vê-lo uma última vez e gostaria de conhecer

pessoalmente O sacerdote que nasceu das orações silenciosas de uma mulher de fé tão simples e poderosas lágrimas escorriam livremente pelo rosto do Padre manzote agora já não as continha eram Lágrimas de Gratidão de saudade de arrependimento por ter perdido o contacto com aquela que foi em muitos sentidos A sua verdadeira mãe espiritual levantou-se da cama com uma Energia Renovada não havia dúvidas sobre o que fazer pegou no telemóvel e mesmo sendo tarde da noite ligou para o seu assistente Marcelo preciso que Organize

uma viagem urgente a Roma Não não é para um evento ou pregação é uma questão pessoal Sim o mais rápido possível enquanto falava os seus dedos tocavam no antigo terço de madeira que nunca deixava o seu bolso como se procurasse forças naquele objeto que ligava o seu presente ao passado e que agora apontava também para um futuro cheio de significado o avião aterrou suavemente no aeroporto internacional Leonardo da V em cino filme após quase 12 horas de voo pela janela oval da a aave Padre manzote observava os primeiros Raios de Sol

iluminando a pista de aterragem anunciando um novo dia em Roma O seu Coração batia acelerou no peito uma mistura de ansiedade expectativa e Uma emoção que não conseguia nomear completamente durante todo o voo não conseguira dormir mais do que alguns minutos intercalados a sua mente alternava entre Memórias de Infância com a Dona Luzia e perguntas sobre o que significava Aquele chamamento inesperado do próprio Papa entre as nuvens tinha rezado incontáveis ​​terços procurando a serenidade que sempre encontrava na oração repetitiva e

meditativa bem-vindos a Roma temperatura atual de 22º céu Claro anunciou a voz da comissária pelo sistema de som da aeronave primeiro em italiano depois em inglês e finalmente em português Roma a cidade eterna Padre manzote já ali estivera algumas vezes para eventos da igreja mas nunca em circunstâncias tão pessoais e misteriosas desta vez não vinha como o famoso sacerdote mediático ou o autor de livros best Sellers mas como o menino Reginaldo ansioso por reencontrar a senhora que moldar a sua fé nas Ruas de Terra de de um bairro pobre de

Curitiba após os procedimentos de imigração e a recuperação da sua pequena mala O padre manzote viajava sempre com o mínimo necessário um hábito que adquirira nos anos de seminário dirigiu-se para a saída do aeroporto para o seu surpresa um homem de fato escuro segurava uma placa discreta com o seu nome era o mesmo mensageiro que lhe entregara a carta em Curitiba bem-v a Roma Padre cumprimentou o homem com um leve sorriso Espero que tenha tido uma boa viagem graze respondeu o padre manzote tentando lembrar o pouco italiano que conhecia

foi tranquila apesar da compreensível ansiedade disse o homem tomando a sua mala tenho instruções para levá-lo diretamente ao Vaticano o Santo Padre aguarda-o para o pequeno-almoço a simples menção deste encontro fez o estômago de Padre manzote contrair-se uma audiência com o papa não era algo invulgar para cardeais e bispos mas para um padre de paróquia mesmo um conhecido como ele era uma honra extraordinária e o carácter pessoal deste convite tornava tudo ainda mais surreal o carro uma berlina Preto discreto mas elegante serpenteava

pelas ruas históricas de Roma passando por monumentos milenares que com contavam a história da civilização ocidental e Mais concretamente da igreja católica Noutro momento Padre manzote teria aproveitado cada segundo daquela Vista privilegiada mas agora os seus pensamentos estavam focados no que estava para vir após cerca de 40 minutos de percurso o carro aproximou-se da imponente Praça de São Pedro os primeiros peregrinos e turistas Já come avam a se aglomerar para as atividades do dia mas o veículo não se Dirigiu para a entrada

principal contornando os limites externos do estado do Vaticano chegaram a um portão lateral menos conhecido guardado por dois membros da Guarda Suíça nos seus uniformes coloridos tradicionais o motorista trocou algumas palavras com os guardas que consultaram uma lista e depois acenaram permitindo a passagem O padre manzote sentiu um frio na barriga ao atravessar os portões da pequena nação estava literalmente entrando em território sagrado os guardas já estavam à espera por nós comentou tentando iniciar uma

conversa casual para acalmar os nervos sim Padre cada visita ao santo padre é cuidadosamente planeada mesmo as de caráter pessoal respondeu o motorista manobrando o carro por Ruas estreitas dos Jardins vaticanos que poucos Os visitantes tinham o privilégio de conhecer o veículo parou diante de um edifício de aparência modesta em comparação com as grandes basílicas e palácios do Vaticano é aqui que o santo padre reside explicou o motorista ele preferiu os aposentos mais simples da Casa Santa Marta à grandiosidade do

Palácio apostólico ao sair do carro Padre manzote Foi recebido por um jovem sacerdote de feições asiáticas que se apresentou como padre Kim um dos assistentes pessoais do Papa seja bem-vindo Padre manzote o santo padre Está ansioso por conhecê-lo pessoalmente disse num português fluente que surpreendeu o brasileiro por favor acompanhe-me seguindo o jovem sacerdote entraram no edifício e percorreram corredores de pisos de mármore polido e paredes adornadas com Arte Sacra de valor inestimável o contraste entre a simplicidade externa e

a riqueza histórica e artística do interior era impressionante em cada Vitrais cada fresco cada escultura O padre manzote reconhecia episódios bíblicos e momentos cruciais da história da igreja que tanto estudara no meio do percurso passaram por uma pequena Capela O lateral Padre manzote não pode deixar de parar por um momento ao reparar numa reprodução belíssima da Capela cistina em tamanho reduzido fez automaticamente o sinal da cruz e ajoelhou-se brevemente michelângelo dizia que não criava apenas libertava as figuras que já existiam

dentro da pedra comentou o padre Kim esperando pacientemente o santo padre gosta de dizer que a nossa missão como sacerdotes é semelhante ajudar a libertar a imagem de Cristo que já existe em cada pessoa Padre manzote sorriu tocado pela profundidade daquela observação casual continuaram a caminhar até chegarem A uma porta simples de madeira escura sem adornos ou indicações especiais O Padre Kim bateu suavemente e uma voz respondeu de dentro convidando-os a entrar a sala era surpreendentemente pequena e aconchegante não havia Tronos Dourados

ou grandes de poder apenas uma mesa de trabalho organizada com livros e papéis algumas cadeiras simples e nas paredes ícones religiosos e estantes com mais livros Atrás da mesa de pé com um sorriso acolhedor no rosto estava o Papa O padre manzote sentiu as suas pernas fraquejarem ligeiramente apesar de já ter participado em audiências Gerais e até mesmo ter trocado algumas palavras com o santo padre em eventos anteriores estar ali naquele ambiente íntimo era completamente diferente seguindo o protocolo aproximou-se para beijar o anel papal

mas para sua surpresa o Papa Estendeu as duas mãos segurando as suas num gesto fraterno quase paternal Padre Reginaldo que alegria tê-lo aqui disse o Papa em italiano mas logo mudando para um português cuidadoso com ligeiro sotaque não precisamos de formalidades somos irmãos em Cristo antes de qualquer coisa a simplicidade e o calor humano daquele recebimento fizeram os olhos do Padre manzote marejarem o homem à sua frente não era apenas o líder de mais de um bilião de católicos no mundo mas um pastor Genuíno que emanava a humildade e a

O amor que pregava Santo Padre É uma honra indescritível estar aqui conseguiu dizer a voz ligeiramente embargada pela emoção venha sente-se Vamos tomar um café juntos convidou o Papa indicando uma pequena mesa de apoio onde uma refeição simples foi servido pão queijo frutas e café durante os minutos seguintes conversaram como velhos amigos o queriam saber sobre o trabalho evangelizador do Padre manzote no Brasil sobre os desafios da igreja na América Latina sobre os fiéis que buam conforto espiritual emos difíceis não havia nada de protocolar ou

formal naqua conversa era um veradeiro diog entre os pastores preocupados com as suas ovelhas finalmente o Papa tocou no assunto que havia motivado aquele encontro extraordinário Luzia Aparecida dos Santos disse pronunciando o nome com cuidado uma mulher extraordinária na sua simplicidade O padre manzote sentiu um nó na garganta ao ouvir aquele nome pronunciado pelo santo padre encontrei-a por acaso ou talvez por desígnio Divino durante uma visita a lares de idosos na periferia de Roma continuou o Papa sabe como gosto de escapar de vez em quando

para estar com os mais simples ele sorriu fazendo referência às suas conhecidas fugas do Vaticano para visitas não oficiais ela estava sentada sozinha em um jardim rezando o terço algo na sua expressão chamou-me a atenção Aquela Paz profunda que só os verdadeiros Santos possuem sentei-me ao seu lado e começámos a conversar quando descobriu que eu era brasileiro os seus olhos brilharam e começou a falar sobre a sua vida no Brasil sobre um menino que tinha praticamente adotado espiritualmente o Papa olhou diretamente nos olhos de

Padre manzote ela falou-me sobre si sem saber quem eu era disse há um padre famoso no Brasil que conheci quando era apenas um menino magricela e tímido eu sempre soube que Deus tinha planos especiais para ele quando mencionou o seu nome fiquei intrigado pela coincidência O padre manzote ouvia impressionado com os caminhos misteriosos pelos quais Deus trabalhava esta mulher silenciosa ajudou a formar um dos maiores evangelizadores do Brasil actual continuou o papa e fê-lo não com grandes discursos ou teorias

teológicas complexas mas com o exemplo Diário de uma fé vivida na simplicidade isso comu-me profundamente o papa levantou-se e dirigiu-se a uma pequena gaveta na mesa de trabalho de lá retirou um envelope semelhante ao que O padre manzote recebera em Curitiba mas este estava selado com cera Azul Esta é a segunda parte da mensagem que lhe quis enviar explicou o Papa entregando o envelope não são as minhas palavras mas as dela quando soube quem eu era pediu-me que escrevesse o que ela ditava pois as suas mãos já estão demasiado trémulas para

escrever longas cartas depois pediu-me que casse a carta e só a entregasse-lho pessoalmente com mãos trémulas O padre manzote recebeu o envelope sentia como se estivesse segurando não só papel e tinta mas um pedaço tangível do seu passado um elo com a mulher que tinha plantado as sementes da sua vocação posso perguntou indicando que gostaria de abrir a carta nesse momento Claro respondeu o Papa com um sorriso compreensivo Na verdade vou deixá-lo a sós durante alguns minutos algumas mensagens são melhor recebidas

na intimidade o santo padre levantou-se e com um gesto de bênção retirou-se discretamente da sala fechando suavemente a porta atrás de si sozinho na sala papal O padre manzote fitou o envelope durante longos segundos antes de finalmente romper o selo no interior retirou duas folhas de papel simples preenchidas com uma caligrafia que reconheceu imediatamente apesar dos anos a letra cuidadosa e arredondada do Papa mas as palavras que ele sabia eram da Dona Luzia o meu filho querido nunca deixei de rezar por ti as primeiras

palavras da carta atingiram o Padre manzote Como Uma Onda de calor envolvendo-o em memórias e Emoções H muito adormecidas a voz da Dona Luzia parecia ecoar na sala tão vívida que ele quase podia sentir o aroma a café que sempre preenchia a pequena casa na periferia da Curitiba Todos os dias desde essa manhã chuvosa em que partiste para o seminário o seu nome esteve presente em as minhas orações primeiro no terço da manhã depois no da tarde e finalmente no da noite antes de adormecer três terços diários multiplicados por todos estes anos

imagino quantas ave Marias já foram rezadas por si mas para o coração de uma mãe pois é assim que sempre o considerei nunca são suficientes Padre manzote teve de interromper a leitura as suas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar o papel respirou fundo enxugou as lágrimas que já lhe embaçam a visão e continu Lembro-me como se fosse hoje daqueles dias em que vinha a correr depois da escola para me ajudar com os sacos de compras tão pequeno mas já com aquela determinação no olhar enquanto os outros rapazes jogavam à bola na rua Você

preferia sentar-se na minha varanda para ouvir histórias dos Santos no início confesso pensei que fosse apenas por causa dos bolinhos de chuva que eu fazia sempre quando aparecia um sorriso involuntário formou-se nos lábios do sacerdote ele podia quase sentir o sabor daqueles bolinhos simples feitos com ingredientes básicos mas preparados com tanto amor que pareciam ter um sabor Celestial mas logo percebi que havia algo de diferente em si Reginaldo os seus olhos brilhavam de uma forma especial quando falávamos de Jesus

e Maria fazias perguntas que crianças norm não fazem queria compreender os mistérios mais profundos da fé e principalmente ouvia-se realmente escutava com uma atenção que raramente encontrei em adultos quanto mais num rapaz da sua idade a carta continuava relatando pequenos episódios que o Padre manzote se tinha esquecido mas que agora voltavam à sua memória com clareza Cristalina a vez em que defendeu um de rua de outros miúdos que o atormentavam a tarde em que ficou sentado durante horas ao lado da Dona Luzia

quando ela estava doente apenas segurando a sua mão e rezando em silêncio o dia em que chegou a sua casa com o uniforme escolar rasgado porque outros rapazes haviam zombado da sua devoção foste o meu raio de sol nos dias escuros da Solidão continuava a carta depois pois que o meu Vicente Partiu para junto do Senhor pensei que passaria os meus últimos anos em completa solidão não tivemos filhos Como sabe mas Deus na sua infinita misericórdia enviou-o à minha porta como resposta a orações que eu nem sabia que estava

fazendo o Padre manzote levantou-se da cadeira incapaz de permanecer sentado perante a intensidade daquelas palavras cou até à janela que dava para os jardins do Vaticano tentando assimilar o impacto daquela Revelação ele sempre tinha pensado que fora ele quem recebera a bênção de conhecer a Dona Luzia nunca imaginando que poderia ter sido uma dádiva para ela retomando também a leitura encontrou passagens que falavam sobre o seu chamado vocacional desde cedo percebi que Deus tinha planos especiais para si não era

apenas uma intuição de uma velha sentimental era uma certeza que vinha de muitas horas de oração recorda-se daquela tarde em que me contou com tanto medo que sentia um chamamento para o sacerdócio os seus pais haviam Rido daquela ideia dizendo que um menino pobre como você Jamais seria aceite no seminário Mas vi nos seus olhos aquela chama que só o espírito santo pode acender naquele momento Prometi a Deus que dedicaria o resto dos meus dias a rezar pela sua vocação O padre manzote lembrava-se perfeitamente daquele dia tinha apenas

15 anos e sentia-se dividido entre o forte chamamento interior e os obstáculos aparentemente intransponíveis que se colocavam diante dele a pobreza da família a falta de apoio dos pais a insegurança quanto à própria capacidade A Dona Luzia forá a única pessoa que não duvidar nem por um segundo que aquele chamado vinha genuinamente de Deus a carta prosseguia revelando um segredo que ele nunca imaginara O que não sabe o meu filho é que quando fez 17 anos e foi aceite no seminário Diocesano vendi o único bem de valor que possuía o

broche de ouro que a minha mãe me deixou para ajudar a pagar as suas primeiras despesas fi-lo em segredo pedindo ao padre da Paróquia que encaminhasse o dinheiro como se fosse um donativo anónima não o fiz para receber agradecimentos mas porque acreditava profundamente que o seu ministério sacerdotal traria mais almas para Cristo do que qualquer jóia poderia comprar as as lágrimas corriam agora livremente pelo rosto do sacerdote durante todos estes anos ele acreditara que a Aquela bolsa de anónima que recebera no primeiro ano de

seminário Viera de alguma instituição de A caridade da igreja jamais imaginara que fora o sacrifício silencioso de uma viúva idosa que mal tinha o suficiente para o seu próprio sustento depois de partiu para o seminário continuei acompanhando a sua trajetória de longe recortava cada pequena menção ao seminarista manzote nos boletins paroquiais Quando foi-lhe ordenado Não pude comparecer à cerimónia os meus joelhos já não me permitiam longas viagens mas celebrei com uma novena de Acção de Graças e quando iniciou o seu ministério na

televisão e na rádio passavam horas diante do pequeno ecrã orgulhoso como só uma mãe pode ser ao ver aquele menino tímido transformado num poderoso Mensageiro da palavra o coração de padre manzote apertou-o com a culpa por que nunca Voltara para a visitar como permitira que os anos e as distâncias o afastassem de alguém tão fundamental na sua formação a carta como se antecipasse Os seus pensamentos oferecia absolvição nunca senti mágoa por ti não ter regressado para me visitar Compreendi que a sua missão o levava por

caminhos distantes e esse era o plano de Deus aliás foi esta compreensão que me trouxe à Itália quando a minha sobrinha neta se casou com um italiano e insistiu para que eu viesse viver com eles para Roma resisti inicialmente a deixar o Brasil aos 87 anos parecia uma loucura mas durante uma noite de oração senti claramente que deveria vir não entendia o motivo então mas agora vejo que Deus estava preparando este reencontro as palavras finais da carta tocaram profundamente a alma do sacerdote a carta termina aqui

meu querido filho mas a Nossa História Continua se está a ler Isto é porque Deus permitiu o nosso reencontro nesta vida antes de eu partir para a eternidade não sei quanto tempo ainda me resta mas sei que ver o seu rosto uma última vez será como contemplar o fruto mais precioso que plantei nesta terra como Simeão no templo poderei dizer agora senhor podeis deixar a vossa serva partir em paz porque os meus olhos viram a a vossa salvação manifestada na vida deste servo fiel com amor eterno sua mãe de coração Luzia Aparecida dos

Santos O padre manzote permaneceu imóvel durante vários minutos após terminar a leitura absorvendo o impacto de cada palavra quando finalmente levantou os olhos percebeu que o Papa tinha regressou silenciosamente à sala e o observava com olhar compassivo ela o espera disse simplesmente o Santo Padre o padre Lorenzo acompanhá-lo-á até à casa de repouso fica apenas a 20 minutos daqui ainda em estado de choque emocional O padre manzote seguiu o padre italiano de meia idade que o aguardava ao lado de fora durante o percurso num Modesto

Fiat branco não conseguiu particular mais do que algumas palavras de agradecimento a sua mente estava completamente ocupada a tentar preparar-se para o encontro iminente a lar de repouso Vila serenit era um edifício de três andares rodeado por um pequeno Jardim bem cuidado com Oliveiras e Ciprestes típicos da paisagem italiana nada de luxuoso mas um lugar Digno e acolhedor com área exterior onde un idosos aproveitavam o sol Ameno da manhã acompanhados por cuidadores atentos a senhora Luzia está no quarto 23 segundo andar informou a recepcionista

após o Padre Lorenzo explicar o motivo da visita ela esteve um pouco agitada ontem à noite falando repetidamente sobre um filho que a viria ver os médicos acharam que era apenas confusão mental comum na dela mas vejo que ela tinha razão subindo as escadas lentamente cada degrau parecia carregar o peso de décadas de memórias e Emoções reprimidas no corredor do segundo piso uma enfermeira recebeu-os com um sorriso Gentil ela adormeceu H pouco explicou em voz baixa passou a noite quase toda acordada a rezar o terço Mas podem

entrar o sono dela é leve a porta do quarto TRS estava entreaberta com o coração a bater acelerado Padre manzote entrou silenciosamente seguido pelo padre Lorenzo que se Manteve discretamente junto à porta o quarto era simples mas acolhedor com uma janela que dava para o Jardim deixando entrar a luz dourada da manhã Romana na única cama uma figura pequena e frágil repousava sobre almofadas brancas os seus cabelos completamente brancos murava um rosto Sereno marcado por rugas Profundas que contavam a história de uma vida inteira

nas suas mãos entrelaçado entre os dedos nodosos estava um terço de contas escuras quase idêntico ao que o Padre manzote trazia no bolso aproximando-se com passos suaves O sacerdote ajoelhou-se ao lado da cama observando aquele rosto familiar e ao mesmo tempo transformado pelos anos Dona A Luzia parecia ainda mais pequena e mais frágil do que nas suas memórias mas havia uma beleza Serena naquele semblante adormecido que emanava paz quase sem pensar num impulso nascido do mais profundo do seu ser padre manzote

Começou a cantar baixinho com voz embargada pela emoção uma antiga canção que a Dona Luzia costumava entoar durante as tardes da sua infância a Avé Maria cheia de graça o senhor é convosco a melodia suave pairava no ar do quarto como uma prece um elo invisível ligando passado e presente aos poucos as pálpebras enrugadas da Dona Luzia começaram a tremular e os seus olhos se abriram-se lentamente como flores que desabrocham ao primeiro raio de sol por um momento o seu olhar para parcia desorientado até pousar no rosto do

sacerdote ajoelhado ao seu lado um O reconhecimento instantâneo iluminou as suas feições e um sorriso Radiante daqueles que vem directamente da Alma transformou completamente o seu semblante Reginaldo sussurrou ela a voz fraca mas perfeitamente lúcida o meu menino Dona Luzia respondeu Ele incapaz de dizer mais enquanto as lágri lhe embaçam a visão com um esforço visível ela ergueu uma mão trémula para tocar oap rosto do sacerdote como se precisasse de confirmar que não era uma aparição ou um sonho vieste disse ela os olhos marejados

brilhando com uma alegria indescritível eu sabia que virias antes de eu partir O padre manzote segurou aquela mão frágil entre as suas sentindo a pele fina como papel de marcada por manchas da idade e veias azuladas que contavam histórias de trabalho árduo e devoção silenciosa perdoe-me por ter demorado tanto murmurou ele a voz embargada por ter deixado passar tantos anos não há o que perdoar interrompeu-a com surpreendente firmeza cada um segue o caminho que Deus traça o seu era pregar para Multidões O meu era rezar por ti

na sombras ambos cumprimos a nossa missão nos minutos seguintes conversaram como se os anos de separação nunca tivessem existido a Dona Luzia quis saber sobre a sua vida sacerdotal sobre as almas que havia tocado sobre os desafios e as alegrias do seu ministério ouviu tudo com atenção amorosa assentindo ocasionalmente como se cada conquista Espiritual do sacerdote fosse também a sua própria vitória trouxe algo para lhe mostrar disse o Padre manzote retirando do bolso o terço de madeira escura que ela lhe dera Décadas

atrás nunca me separei dele esteve comigo em cada missa em cada pregação em cada momento de dúvida e de certeza os olhos da Dona Luzia encheram-se de Lágrimas ao reconhecer o objeto o terço de Vicente murmurou ela ele estaria tão feliz por que continua a servir a Deus nas mãos certas o resto da manhã passou como um sonho O Padre Lorenzo trouxe discretamente um pequeno lanche que partilharam em comunhão quase eucarística rezaram juntos cantaram antigas canções religiosas que ambos conheciam de cor e partilharam

Memórias de dias mais simples numa rua de terra na periferia de Curitiba à medida que as horas passavam O padre manzote notava que apesar da Alegria Evidente A Dona Luzia cansava-se com facilidade a sua respiração tornava-se mais laboriosa e pequenas pausas de descanso eram necessárias entre as conversas mesmo assim ela insistia em continuar como se temesse perder um segundo sequer daquele reencontro tão esperado ao início da tarde uma enfermeira entrou para ministrar a medicação de roa ela precisa de descansar um pouco explicou

gentilmente ao padre o senhor pode voltar mais tarde se quiser ficarei aqui respondeu ele com determinação Serena se não for incómodo gostaria de permanecer ao seu lado enquanto ela descansa durante as horas seguintes enquanto a Dona Luzia dormia O padre manzote permaneceu sentado ao lado da cama alternando entre orações silenciosas e reflexões profundas sobre os misteriosos caminhos que a providência divina traçara para reunir de novo aquelas duas almas tão distantes e tão próximos os três dias seguintes decorreram numa espécie

de bolha temporal isolados do mundo exterior e as suas exigências incessantes Padre manzote cancelou compromissos adiou retornos ignorou as centenas de mensagens que se acumulavam no seu telemóvel pela primeira vez em muitos anos permitiu-se estar completamente presente num único lugar dedicado a uma só pessoa a rotina que estabeleceram era simples e profunda pelas manhãs após o café servido pela atenciosa da casa de repouso rezavam juntos o terço cada um segurando a sua própria relíquia de madeira escura idênticas como irmãs separadas no

Nascimento depois vinham horas de conversa intercaladas com períodos de descanso quando a fragilidade da Dona Luzia exigia tréguas nas tardes Padre manzote Lia-lhe excertos da Bíblia histórias de Santos e até mesmo alguns dos seus próprios livros o que arrancava sempre um sorriso orgulhoso dos lábios finos da idosa por vezes outros residentes da casa de repouso juntavam-se a eles atraídos pela presença caris do sacerdote brasileiro e pela paz que emanava daquele quarto simples à noite antes do Sono cantavam juntos antigas canções religiosas que

haviam partilhado Há décadas na varanda coberta de trepadeiras de uma casa na periferia de Curitiba era nestes momentos em que as vozes se uniam às dele forte e melodiosa a dela frágil mas afinada que o tempo parecia verdadeir ente dissolver-se e eram novamente apenas o menino Reginaldo e a sua mentora espiritual ligados por laços mais fortes que o sangue no quarto dia porém algo mudou O padre manzote percebeu ao entrar no quarto de manhã que a Dona A Luzia estava mais pálida do que o habitual e a sua respiração parecia mais

superficial os seus olhos no entanto mantinham aquele brilho especial que sempre o fascinar uma mistura de Sabedoria terrena e Luz Divina Reginaldo chamou-a com voz fraca mas perfeitamente lúcida Hoje é um dia especial por que a Dona Luzia perguntou ele segurando a sua mão com delicadeza consciente de quão frágeis se tinham tornado aqueles dedos que outrora teciam cozinhavam e acariciavam com tanta firmeza porque hoje completamos o nosso círculo respondeu ela enigmaticamente com um pequeno sorriso senta-se aqui perto e reza comigo sem

questionar Padre manzote puxou a cadeira para mais perto da cama e retirou o terço do bolso juntos começaram a recitar as orações familiares uma litania de ave-marias que fluía naturalmente como um rio que sempre soube o seu caminho até ao mar estavam no terceiro mistério quando a Dona Luzia subitamente parou os seus olhos fixaram-se num ponto para além do padre um olhar que parecia ver algo ou alguém que só ela podia ver está na hora sussurrou ela um sorriso Sereno iluminando o seu rosto ora de que a Dona Luzia lhe perguntou

Sentindo um aperto no peito de completar a minha missão respondeu ela simplesmente foste o maior presente que deus me concedeu nesta vida Reginaldo ver a s que plantei crescer tão forte e dar tantos frutos que a alegria pode ser maior para uma velha jardir lágrimas silenciosas comearam a escorrer pelo rosto do sacerdote não era necessário ser médico para compreender o que estava a acontecer Dona luia estava se despedindo não fale assim pediu ele apertando suavemente a mão dela Ainda temos muito tempo o tempo é uma ilusão meu filho

respondeu ela com uma sabedoria tranquila o que importa é como o usamos não quanto dele temos e eu usei o meu exatamente como devia amando servindo rezando Agora posso partir em paz com visível esforço ela levantou a mão livre e tocou no rosto do padre continue a ser luz Reginaldo lembre-se sempre a verdadeira a evangelização não vem de palavras eloquentes ou gestos grandiosos mas do amor silencioso que se dá sem esperar retorno foi isso que Jesus nos ensinou o padre manzote não conseguia dizer um nó havia-se formado na sua garganta

tornando impossível articular qualquer palavra apenas assentiu segurando a mão dela contra o seu rosto como se pudesse assim reter um pouco dessa presença que em breve parti diria vamos terminar nosso terço disse a Dona Luzia após alguns momentos de silêncio Avé Maria cheia de graça juntos retomaram a oração as vozes entrelaçando-se em perfeita harmonia os mistérios as ave Marias as glórias fluíam naturalmente como sempre tinham fluído quando rezavam juntos na pequena casa da Periferia foi durante a última Avé Maria do quinto mistério que

aconteceu a voz da Dona Luzia simplesmente silenciou-se no meio da frase não houve sofrimento nem luta nem agonia apenas um suspiro suave como se finalmente pudesse descansar de uma longa viagem bendito é o fruto do vosso ventre Jesus continuou o padre manzote sozinho a voz embargada pelas lágrimas completando a oração que ela começara A Dona Aparecida dos Santos tinha partido nos braços do filho que criara na fé enquanto rezavam juntos à oração que mais os ligava uma partida Serena digno da vida de fé que vivera as horas

seguintes passaram num borrão nebuloso para Padre manzote médicos foram chamados para constatar o óbito documentos foram assinados funcionários da casa de repouso ofereceram sinceras condolências o uma paz estranha no entanto tinha-se instalado no coração do sacerdote não a ausência de dor mas a profunda certeza de que aquela separação era apenas temporária em termos eternos no dia seguinte para sua surpresa e comoção o próprio Papa fez questão de celebrar a missa de despedida da Dona Luzia numa pequena Capela nos

arredores do Vaticano reuniram-se não apenas os funcionários da casa de repouso e alguns residentes que se haviam aproximado dela mas também vários membros da cúria Romana curiosos para conhecer a mulher simples que tinha tocou tão profundamente o coração do Santo Padre a homilia papal foi uma das mais comoventes que o Padre manzote já ouvira palavras simples mas Profundas sobre como Deus frequentemente Escolhe os mais pequenos a realizar grandes obras como uma mulher idosa e sem estudos formais através da simplicidade da sua

fé tinha contribuído para a evangelização de milhões sem nunca aparecer nos holofotes Luzia Aparecida dos Santos nunca pregou para Multidões disse o Papa a dado momento mas as suas orações silenciosas e o seu exemplo de amor formaram um dos grandes evangelizadores do nosso tempo quantas almas foram e serão tocadas indiretamente por esta mulher que nunca nunca procurou reconhecimento ou glória pessoal após a cerimónia seguindo um desejo que a Dona Luzia tinha manifestado nos últimos dias o seu corpo foi cremado o

terço que ela transportava foi entregue solenemente a Padre manzote pelo próprio papa agora tens os dois disse o santo padre com um sorriso Gentil o que recebeu dela na juventude e o que a acompanhou até aos seus últimos momentos dois círculos completos Duas Vidas entrelaçadas pela Providência no dia de a sua partida de Roma O padre manzote teve uma última audiência privada com o papa o encontro marcado pela emoção partilhada de duas almas que haviam sido tocadas pela simplicidade e profundidade espiritual de Dona Luzia

terminou com um pedido invulgar do sacerdote brasileiro Santo Padre Gostaria da sua permissão para levar uma pequena porção das cinzas da Dona Luzia de regresso ao Brasil o Papa compreendendo o significado profundo daquele pedido não só consentiu como também abençoou pessoalmente o pequeno Relicário que conteria as cinzas um medalhão de prata que o Padre manzote planeava usar junto aos dois terços regresso a Curitiba após essa semana transformadora foi marcado por uma uma mistura de tristeza pela perda e gratidão pelo reencontro que Deus tinha

proporcionado ao pisar novamente o santuário padre manzote sentiu-se diferente já não apenas O sacerdote mediático conhecido por Multidões mas também e principalmente o menino Reginaldo que transportava o legado espiritual de uma mulher extraordinária na sua simplicidade no domingo seguinte perante uma igreja lotada Padre manzote subiu ao púlpito com os dois terços de madeira escura Entrelaçados em as suas mãos e o Medalhão de prata contendo as cinzas da Dona Luzia pendurado sobre o peito ali com voz embargada mas firme

Partilhou pela primeira vez a história completa da sua mentora espiritual e da misteriosa carta que o levara a Roma para um último e providencial encontro muitos de vós me conhecem pelos livros que escrevo pelas missas que celebro pelos programas de rádio e televisão disse ele mas poucos sabem que tudo isto começou na varanda simples de uma casa na periferia desta cidade onde uma viúva idosa e sem estudos plantou as Sementes da Fé no coração de um menino inseguro e solitário durante quase Du horas quebrado todas as regras litúrgicas sobre a

duração das homilias Padre manzote partilhou a história de Dona Luzia a sua fé inabalável a sua generosidade silenciosa o seu amor incondicional falou da carta misteriosa do encontro inesperado com o Papa dos dias preciosos que passara ao lado da mentora no fim da sua vida terrena não havia um olho seco na igreja quando terminou com as palavras a fé que transforma começa nos gestos mais simples um copo de água oferecido com amor uma oração silenciosa pela madrugada um abraço que acolhe sem julgar foi assim que a Dona Luzia me

evangelizou E é assim que somos chamados a evangelizar o mundo nas semanas seguintes a história da carta papal e do reencontro emocionante com a Dona Luzia espalhou-se rapidamente primeiro entre os fiéis de Curitiba depois pelo Brasil até dimensões internacionais convites para entrevistas pedidos para que a história fosse contada em pormenor em diferentes paróquias e dioceses até mesmo propostas de editoras para transformar aquela viagem em livro chegavam diariamente Padre manzote no entanto não deixou-se levar pela onda mediática que

formou-se em vez disso canalizou toda a aquela atenção para um projeto que tinha concebido durante o voo de regresso de Roma a criação de um Centro Social no bairro onde crescera dedicado especialmente a idosos solitários e crianças carenciadas Casa da Esperança Dona Luzia foi o nome escolhido para a instituição que começou modestamente em um terreno doado por um empresário local tocado pela história que ouvira durante uma missa o projeto rapidamente ganhou apoiantes voluntários e para surpresa de todos uma bênção Apostólica especial

enviada pelo Papa especificamente para a inauguração Este Lugar é mais do que tijolos e argamassa declarou o padre manzote durante a cerimónia de abertura é a continuação do trabalho silencioso que a Dona Luzia realizou durante toda a a sua vida acolher Os Solitários fortalecer os fracos plantar sementes de fé e esperança nos corações Famintos de amor o impacto da história não se limitou ao Brasil em poucos meses pedidos de tradução do relato para diferentes línguas começaram a chegar o testemunho do Poder transformador da Fé

simples de uma idosa sem recursos materiais ou influência aparente tocava corações ao redor do mundo inspirando inúmeras iniciativas semelhantes em diferentes países um ano após o falecimento da Dona Luzia a história do encontro providencial em Roma já tinha sido traduzida para 28 línguas transformado em livro documentário e peça teatral milhões de pessoas em redor do mundo tinham sido tocadas pela narrativa do amor silencioso e persistente de uma mulher simples que sem nunca procurar reconhecimento havia contribuído indiretamente para a

evangelização de Multidões através do sacerdote que ajudara a formar numa tarde tranquila após uma longa sessão de atendimento espiritual na casa da Esperança O padre manzote retirou-se para a pequena capela do Centro Social ali sozinho Diante do Santíssimo Sacramento retirou do bolso os dois terços de madeira escura que nunca mais se separaram obrigado Senhor murmurou ele em Oração Sincera por me permitir compreender através da Dona Luzia que a A verdadeira evangelização não está nos gestos grandiosos ou nas palavras

eloquentes mas no amor silencioso que transforma uma vida de cada vez em algum lugar do céu quase podia sentir a Dona Luzia sorria com aprovação continuando a rezar por aquele que seria sempre no seu coração o menino Reginaldo da rua de terra m

 

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