A Fascinante Jornada de Paulo Roberto Falcão: Do Menino Catador de Garrafas ao Trono de Oitavo Rei de Roma e a Fortuna Silenciosa

O ano era 1963. Nas ruas simples e muitas vezes implacáveis de Canoas, no Rio Grande do Sul, um menino de apenas dez anos de idade despertava com os primeiros raios de sol. Diferente da maioria das crianças de sua idade, cuja única preocupação era a escola ou as brincadeiras infantis, a alvorada desse garoto tinha um propósito muito mais urgente e maduro: ele precisava ganhar a vida. Seus passos miúdos percorriam as calçadas em busca de garrafas vazias, objetos descartados que para ele representavam a chave para um sonho. Cada vasilhame resgatado era trocado por poucos centavos. Moedas suadas, sujas e pesadas que, juntas, garantiam o valor exato da passagem de ônibus até o campo de treinamento do Sport Club Internacional.

O pai desse menino, Bento, trabalhava duro como motorista, enfrentando o cansaço do volante para colocar o pão na mesa. Sua mãe, Azizi, passava horas debruçada sobre uma máquina de costura, unindo retalhos e remendando roupas para equilibrar o orçamento familiar que vivia constantemente no vermelho. Não sobrava absolutamente nada no fim do mês. Dinheiro era um conceito abstrato, uma luxúria inalcançável para aquela família de origens humildes. Mas, em meio a essa escassez de recursos materiais, havia uma riqueza incalculável que brotava magicamente: o talento absoluto. Quando aquele menino magricela calçava suas chuteiras desgastadas e colocava a bola nos pés, a gravidade parecia não existir. O tempo ao seu redor parava.

Esse menino, que contava moedas para poder treinar, chamava-se Paulo Roberto Falcão. Décadas mais tarde, ele não estaria mais catando vidros nas ruas de terra, mas sim caminhando pelos bulevares mais sofisticados da Europa. Ele se tornaria o dono do maior salário de todo o futebol mundial, estamparia as capas das principais revistas ao lado de estrelas de Hollywood e veria seu próprio rosto imortalizado no asfalto luxuoso de Mônaco, lado a lado com divindades do esporte como Pelé, Diego Maradona e Franz Beckenbauer. Hoje, aos 71 anos, Falcão vive uma realidade monumental, dona de uma fortuna impressionante. Esta é a trajetória de um homem que saiu do mais absoluto nada para ser coroado rei na cidade onde os deuses e imperadores costumavam caminhar.

Paulo Roberto Falcão veio ao mundo na pequena e pacata cidade de Abelardo Luz, encravada no interior de Santa Catarina. Contudo, foi a cidade gaúcha de Canoas que forjou o seu caráter, para onde a família se mudou buscando melhores oportunidades quando ele era apenas um bebê de dois anos. As raízes eram de muita luta. Do lado paterno, descendia de corajosos imigrantes calabreses que cruzaram o oceano vindos da Itália com o sonho de “fazer a América” nas terras gélidas do Sul do Brasil. A resiliência italiana misturada à garra dos pampas gaúchos desenhou a personalidade do garoto.

Desde muito jovem, o menino encontrou no Sport Club Internacional não apenas um clube para torcer, mas uma verdadeira segunda casa. Ele passava horas nas dependências do clube, absorvendo a atmosfera, sonhando de olhos abertos. Há um capítulo quase mítico e pouquíssimo conhecido sobre essa fase de sua vida que define perfeitamente sua ligação visceral com o colorado. Durante a conturbada e ambiciosa construção do Estádio Beira-Rio, a direção do Internacional fez um apelo público à sua apaixonada torcida: precisavam de braços voluntários para erguer o que seria um dos maiores palcos do futebol nacional. Foi um mutirão popular épico. Advogados, médicos, operários e donas de casa uniram-se na lama e na poeira, carregando cimento, tijolos e areia.

No meio daquela multidão suada, lá estava o jovem Paulo Roberto. Com suas mãos pequenas, ele carregou os tijolos que ajudariam a levantar as arquibancadas do Beira-Rio. Ele não podia imaginar, nem nos seus devaneios mais ousados, que o cimento que ajudava a misturar se tornaria a fundação do templo onde, anos depois, ele mesmo seria cultuado como a maior divindade. Aqueles tijolos sustentaram os degraus onde milhões gritariam o seu nome.

O destino cumpriu sua profecia em 1972, quando, aos tenros 18 anos, Falcão fez sua estreia profissional pelo Internacional. Desde os primeiros toques na bola entre os profissionais, a crônica esportiva gaúcha e os veteranos do elenco perceberam que não estavam lidando com um atleta comum. Ele não era um jogador de explosão física ou de força bruta. Falcão era a personificação da elegância em campo. Sua postura era ereta, a cabeça sempre erguida escaneando o gramado. Seus passes possuíam uma precisão milimétrica, quase telepática, chegando aos companheiros de equipe antes mesmo que eles percebessem a necessidade do movimento.

Comandando o meio-campo com a batuta de um maestro de orquestra sinfônica, ele enfileirou conquistas épicas. Foi o cérebro e o coração do inesquecível Internacional que arrebatou o Brasil, conquistando três Campeonatos Brasileiros em um curto e intenso intervalo e dominando o Rio Grande do Sul com cinco títulos estaduais. Falcão não era apenas um jogador; ele era uma instituição dentro de outra instituição. O ápice de seu reconhecimento individual no país ocorreu quando recebeu a cobiçada Bola de Ouro, coroando-o como o melhor e mais letal jogador do futebol brasileiro na época. Ele se tornou o maior ídolo da história centenária do Internacional, uma coroa que ninguém conseguiu arrancar de sua cabeça nas quatro décadas seguintes.

O sucesso absoluto no cenário nacional transformou Falcão numa unanimidade, o que tornava sua presença indispensável para a Seleção Brasileira. A expectativa de vê-lo brilhar com a amarelinha na Copa do Mundo disputada na Argentina beirava o delírio. Ele figurava em todas as listas prévias, aclamado pela torcida e pela crítica. No entanto, o futebol, com sua política interna ácida e cruel, preparava-lhe um golpe brutal e devastador.

A convocação para o escrete nacional e o acampamento de preparação transformaram-se em um pesadelo nos bastidores. Afetado por problemas de saúde pontuais, Falcão apresentou-se à comissão técnica com um atraso de dois dias. Aquela pequena falha logística foi a munição que o técnico Cláudio Coutinho — um comandante de pulso firme e preferências bem estabelecidas, que abertamente favorecia um meio-campo armado por Rivelino e Zico — precisava. Sob a dura justificativa de que Falcão estaria fora de forma, o clima no vestiário desandou. Relatos apontam que houve uma discussão ríspida, uma batalha de egos em que a vaidade e a política falaram mais alto que o talento.

O resultado dessa queda de braço nos corredores de poder do futebol foi estarrecedor: o atual detentor da Bola de Ouro, o atleta mais brilhante do país em atividade, foi cortado impiedosamente da lista final. No seu lugar, embarcou Chicão, volante guerreiro do São Paulo. Enquanto a Seleção Brasileira caminhava aos trancos e barrancos no gramado argentino, caindo de forma melancólica e sem levar o caneco, Falcão experimentava a amargura profunda de assistir a tudo no conforto doloroso do sofá de sua sala. Aquela eliminação prematura de seu nome mostrou-lhe, da maneira mais fria possível, que nem sempre a técnica refinada é capaz de vencer as intrigas sombrias que habitam as entranhas do esporte.

A frustração com as artimanhas do futebol nacional acendeu em Falcão uma ambição que o Brasil já não podia conter. O ano de 1980 marcou a virada de página definitiva de sua vida. O poderoso mercado europeu, que começava a atrair as joias sul-americanas, bateu à sua porta com um caminhão de dinheiro. A Associazione Sportiva Roma, buscando recuperar o orgulho ferido na capital italiana, abriu os cofres e desembolsou a impressionante quantia de um milhão e meio de dólares para tirar o craque do Beira-Rio. Em valores atualizados e ajustados à inflação moderna, esse montante astronômico superaria a casa de milhões e milhões de reais, um verdadeiro absurdo financeiro que paralisou as redações dos jornais esportivos na Europa.

Falcão não decepcionou. Consciente de que estava em uma nova arena, cercado por gladiadores implacáveis de defesas fechadas, ele usou sua inteligência acima da média. No seu primeiro ano, priorizou a adaptação cultural. Estudou o idioma com afinco até dominar o italiano de forma fluente e elegante. Para combater a solidão opressora do Velho Continente e manter as raízes que o forjaram, convenceu a mãe, dona Azizi, e a irmã a deixarem a tranquilidade do Rio Grande do Sul e irem morar com ele na efervescente capital romana. A estrutura familiar foi o seu grande pilar.

Dentro das quatro linhas, ele teceu sua mágica gradativamente. Não tinha a pressa afobada dos novatos; jogava no seu ritmo cadenciado, ditando as regras como se fosse o dono da bola. Mas foi na inesquecível e avassaladora temporada daquele início de década que o vulcão entrou em erupção. A Roma não sabia o que era erguer a taça da primeira divisão — o mítico Scudetto — há insuportáveis 41 anos. Eram mais de quatro décadas de humilhações silenciosas diante dos rivais de Milão e de Turim. E então, Falcão chamou a responsabilidade.

Com atuações que misturavam a bravura de um guerreiro romano e a precisão de um cirurgião, ele quebrou a maldição, conduzindo a Roma a um título nacional que paralisou o país. O êxtase da torcida giallo-rossa cruzou a barreira da razão. A paixão inflamou-se de tal maneira que a fervorosa massa de torcedores nas arquibancadas o batizou com uma alcunha que entraria para os anais da história: O Oitavo Rei de Roma. Em uma cidade erguida e mitificada sobre o sangue e a lenda de sete reis da antiguidade, os fanáticos adicionaram à sua mitologia o nome de um menino pobre do sul do Brasil, filho de um simples motorista e de uma amorosa costureira.

Naquele momento glorioso, ele foi reverenciado como o melhor jogador a pisar nos campos italianos, não por quebrar recordes de gols, mas porque apresentou aos europeus uma sofisticação estética que estava adormecida há anos. A realeza tem o seu preço, e o de Falcão era colossal. Ele passou a receber um salário tão exorbitante que deixaria até os maiores executivos da época perplexos. Com ganhos milionários que garantiam cifras semanais inimagináveis para o cidadão comum, ele reinava absoluto como o jogador de futebol mais bem pago da face da Terra.

Entretanto, como em toda grande ópera trágica, o apogeu logo cede lugar à vertigem da queda. O escuro reverso da fama guardava-lhe um capítulo angustiante. Embalada pelo sucesso doméstico, a Roma de Falcão chegou à finalíssima da Liga dos Campeões da Europa. O palco não poderia ser mais perfeito e intimidador: o Estádio Olímpico de Roma, entupido com uma massa humana impressionante torcendo pelos donos da casa, enfrentando o temível e frio Liverpool da Inglaterra.

Falcão estava machucado. Uma lesão séria no joelho transformava cada passo seu em uma tortura. Ele foi a campo, no sacrifício brutal exigido aos ídolos, mas não estava pleno. A partida foi um épico tenso, ríspido, que acabou empatado e arrastou-se até a temida disputa por pênaltis. E foi nesse exato instante que a história cobrou o seu preço cruel: Falcão se recusou a bater uma das penalidades.

O jogador de maior salário do mundo, o monarca incontestável, abdicou de cobrar o chute mais importante da história da instituição sob a alegação incontestável de que seu joelho destruído não aguentaria a pressão do movimento. A Roma vacilou e perdeu, vendo os ingleses erguerem a taça mais cobiçada da Europa em pleno solo romano. A torcida não perdoou. A recusa do ídolo foi interpretada pelas massas enlouquecidas como um ato de covardia esportiva. O amor cego virou ódio fulminante; italianos passionais não costumam esquecer um abandono no campo de batalha.

Daquela noite maldita em diante, tudo começou a ruir. O joelho não apresentava melhoras, transformando a temporada seguinte num verdadeiro calvário de inatividade. O craque parou de brilhar nos cadernos esportivos, mas, em compensação, seu rosto tomou de assalto as revistas de fofocas internacionais. A vida boêmia de Roma abraçou-o. Falcão engatou um romance de cinema com a belíssima atriz Ursula Andress, nada menos que a primeira e lendária “Bond Girl” da história cinematográfica. Passeios noturnos pela iluminada Fontana di Trevi ao lado de uma das mulheres mais fotografadas do mundo enquanto a torcida chorava pelos resultados ruins do time foram a gota d’água para a diretoria, que estava espumando de raiva ao ver o maior salário da folha do clube estampando manchetes de escândalos em vez de balançar as redes adversárias.

O rompimento não teve nenhuma cerimônia. Cansado das dores que o atormentavam, Falcão viajou em segredo para Nova York com o intuito de passar por uma cirurgia complexa com um médico de sua absoluta confiança. A diretoria da Roma soube pela imprensa. Quando ele colocou os pés de volta na Itália, o castelo havia desmoronado: a carta de rescisão contratual já estava sobre a mesa. A despedida foi melancólica. Após mais de cem jogos, dezenas de gols e de ter ressuscitado a alma de um clube imenso, o maior estrangeiro que a Roma já vira ser dispensado de forma hostil pela porta dos fundos.

O retorno ao Brasil marcou os últimos suspiros do craque com as chuteiras nos pés. Ele desembarcou no São Paulo, mas os anos dourados haviam ficado para trás. Ainda garantiu uma vaguinha no elenco do Brasil na Copa do Mundo disputada no México, aparecendo com a camisa da Seleção apenas como uma figura decorativa e reserva. Depois da fatídica eliminação para a equipe de Platini e da França, o joelho cobrou a conta final. Aos 33 anos, Paulo Roberto Falcão pendurava suas sagradas chuteiras, encerrando o capítulo mágico dentro dos gramados.

Porém, um homem que respira o esporte não consegue ficar muito tempo afastado. Uma nova e conturbada fase teve início quando ele decidiu abraçar a difícil e insana carreira de treinador de futebol. Contrariando toda a lógica natural da profissão, a estreia de Falcão no banco de reservas não aconteceu em um clube pequeno ou de série C, mas logo comandando a imponente e pressionada Seleção Brasileira. A experiência à beira do gramado foi uma montanha-russa emocional, e após resultados que não agradaram plenamente e o vice-campeonato amargo na Copa América do Chile, sua jornada mudou de rota.

Aí reside um detalhe que as grandes mídias esquecem de mencionar com frequência: longe do Brasil, no frenético futebol do México, ele transformou-se em um campeão formidável. Comandando o lendário Club América, ele não teve piedade dos adversários e empilhou troféus pesados, incluindo títulos que cimentaram a sua capacidade estratégica na zona técnica. Uma trajetória internacional que incluiu uma exótica passagem como comandante da Seleção Japonesa nos anos noventa, revelando um perfil de profissional que não tinha medo de desbravar terrenos totalmente novos enquanto grande parte de seus pares preferia a zona de conforto local. No Brasil, ele ainda passaria por gigantes como o próprio Internacional e o Bahia, colecionando vitórias honestas e marcando o seu nome em diferentes cantos do país.

Se a prancheta de treinador oscilava entre a aclamação e as duras críticas, foi do outro lado da lente das câmeras que Falcão encontrou seu lugar no imaginário de uma nova geração. Durante impressionantes catorze anos consecutivos, o ex-Oitavo Rei de Roma sentou-se na cadeira mais cobiçada do jornalismo esportivo brasileiro, atuando como o principal e mais respeitado comentarista da TV Globo. Aquele menino de Canoas que batia de frente com as defesas adversárias se transformou em uma voz de conforto nas tardes de domingo das famílias brasileiras.

A postura no microfone era um reflexo espelhado do que ele apresentava em campo: não gritava, não perdia a linha de raciocínio, passava longe de chiliques desnecessários. Analisava falhas, méritos e táticas com um rigor cirúrgico, porém com a fineza de um mestre-sala. Ele se recusava a chafurdar no jornalismo popularesco das polêmicas baratas; as colunas brilhantes que assinava de punho próprio no prestigiado jornal Zero Hora gaúcho provavam sua capacidade literária, analisando a complexidade do jogo como um cientista. Essa etapa marcante de sua vida era a prova definitiva de um homem que, mesmo tendo a conta bancária transbordando a ponto de jamais precisar assinar um contracheque novamente, o fazia pura e simplesmente por um amor incandescente e inextinguível ao jogo.

E por falar em fortuna e legado imaterial, há um aspecto mágico na jornada deste gaúcho que arrepia até o mais cético dos fãs esportivos. Do outro lado do continente, na Colômbia, um pai apaixonado que assistiu à Copa e aos torneios europeus decidiu homenagear o homem que ele considerava o maior do planeta. Ele não colocou o nome do filho em homenagem a Maradona ou a Pelé, e sim à elegância personificada do camisa 5. O resultado foi o batismo de um bebê que cresceria para aterrorizar defesas no Porto, no Manchester United e no Atlético de Madrid: o implacável goleador Radamel Falcao Garcia. O nome “Falcão” nas costas do artilheiro colombiano rodando o globo é uma homenagem perpétua e viva de que a elegância do brasileiro moldou gerações de forma inesquecível.

As glórias alcançaram também o sagrado panteão dos deuses europeus muito recentemente. Em um evento deslumbrante na costa rica de Mônaco, patrocinado pelo próprio Príncipe Albert, a nobreza europeia curvou-se à trajetória do sul-americano. Falcão foi eleito Lenda do Futebol Mundial, e seus pés, aqueles mesmos que andavam descalços recolhendo lixo em Canoas, foram afundados no concreto molhado da famosa Promenade des Champions, cristalizando sua presença ao lado de nomes gigantescos da história. É um troféu monumental de superação.

Hoje, as cortinas se fecharam para os holofotes frenéticos, os microfones da televisão e os escândalos com estrelas de Hollywood, mas a grandeza de Falcão se reflete num patrimônio financeiro de cair o queixo, embora mantido a sete chaves pela sua impressionante discrição. Ele não se expõe ao escrutínio cruel das redes sociais. Não faz vídeos de dancinhas e não mendiga os aplausos virtuais dos novos tempos. O silêncio de sua rotina esconde a consolidação de quem jogou com sabedoria as cartas da vida.

Apenas como reflexo do império que o cerca, basta analisar o padrão de seus investimentos imobiliários expostos timidamente ao mercado: uma de suas residências posta à venda não há muito tempo — um palácio moderno e esplendoroso dentro de um condomínio cercado por segurança de elite — contava com valor avaliado na assombrosa cifra de mais de treze milhões de reais. É um reflexo palpável do suor e do sacrifício recompensados após uma era onde as carreiras se desintegravam como pó. O DNA da bola, por sua vez, está a salvo nas mãos de seu filho homônimo, um poderoso empresário e agenciador de grandes estrelas do gramado.

Da pobreza impiedosa nos pampas frios aos restaurantes mais luxuosos da capital italiana, e da taça mais pesada às críticas mais avassaladoras, Paulo Roberto Falcão transitou por todos os corredores que a vida tem a oferecer. A elegância irretocável que sempre definiu o seu caminhar resistiu ao tempo e à fúria de um mundo efêmero e traiçoeiro. A coroa pode até ser invisível hoje, mas seu peso histórico repousa sereno sobre a cabeça daquele que é, e para sempre será, o Oitavo Rei de Roma.

 

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