Localizada no cimo de um monte, escarfado, com uma vista privilegiada para a praia do Léo, a propriedade não nasceu pronta. Ela foi uma obra viva que cresceu e se transformou ao longo de décadas. Com um terreno colossal de 4375 m², Clodovil não mediu esforços para criar o seu reino particular. Imagine trilhos ajardinados que serpenteiam a floresta, ligando uma estrutura de lazer digna de um resort.
piscina, sauna, hidromassagem, um lago artificial e até uma capela privativa. Cada cm deste laberinto, de 3200 m de área construída, tinha o toque minucioso do estilista. Não contratava apenas arquitetos, ele ditava onde cada pedra deveria estar. Mas esta obsessão pelo controlo e pela expansão teve um preço elevado. Como a mansão foi sendo ampliada de forma orgânica e muitas vezes sem autorização, ela acabou por se tornar o centro de uma batalha ambiental épica.
Clodoville queria dominar a natureza, mas a lei começou a cobrar a conta. Em 2008, o O próprio apresentador foi condenado por degradação ambiental, um prenúncio do que viria a acontecer após a sua partida. >> A situação da mansão de Clodovil em Ubatuba é complexa e envolve questões ambientais e judiciais. >> O resultado desta expansão desenfriada foi trágico.
Em 2016, a justiça determinou a demolição de cerca de 500 m da construção original. Hoje o que resta desse império é um cenário de guerra entre o betão e a selva. >> O futuro da casa milionária construída no meio da floresta continuam incertos. >> Mas o que realmente chamava a atenção não era apenas a dimensão da obra, e sim os detalhes surreais que Clodovil escondia lá dentro.
Agora vamos abrir as portas e mostrar as excentricidades que tornaram esta casa única no mundo. O que havia por detrás dos portões do clô. Diferente de muitos famosos que procuram o isolamento total para fugir aos holofotes, Clodovil Hernandes fez da sua mansão em Ubatuva uma extensão do seu próprio palco.
A propriedade nunca foi apenas um endereço, era uma peça central da sua narrativa pública. Os fãs não apenas sabiam que a casa existia, eles eram convidados a entrar através das lentes da TV. Em 2008, o programa de Amauri Júnior imortalizou o local numa entrevista icónico, fixando no imaginário popular a ideia de que ali era de facto o reino particular do Clo.
Você nunca tinha estado aqui em casa? >> Somos tão amigos que até parece que já estivemos juntos aqui também. Nunca achei, nunca imaginei que não tivesse vindo aqui. >> A casa servia de aluguer para festas memoráveis e ensaios fotográficos, funcionando como uma montra de um estilo de vida que misturava a sofisticação europeia com a exuberância tropical.
No entanto, por detrás deste glamor mediático, existia um lado profundamente íntimo e, por vezes, enigmático. Um dos grandes mistérios que rodeiam a residência é a presença da sua mãe, dona Isabel. Embora muitos acreditem que ela tenha ali vivido, não há informação de que ela tenha habitado a mansão de Ubatuba, uma vez que faleceu antes das grandes expansões do imóvel.
Contudo, a a sua presença era espiritual e absoluta. Clodovil construiu uma capela, um oratório particular a ela dedicado, que servia como coração afetivo do complexo. >> Linda Capelinha que o Crodovil construiu aqui na sua casa em Ubatuba. em homenagem à sua mãe. >> Ainda hoje, no meio das ruínas, a capela é um dos poucos elementos que resistem, como um memorial silencioso de uma devoção que ultrapassava a vida.

A parte social na mansão também seguia ritos rigorosos. Embora tenha sido o palco de encontros com a elite e famosos, Clodovil tornou-se mais recluso ao entrar na política. O círculo de a confiança diminuiu, transformando a casa numa fortaleza protegida. E quem conseguia atravessar esses portões deparava-se com que a mente de um génio excêntrico era capaz de criar.
Os cantinhos do Clô eram misto de luxo e bizarrice. Imagine uma casa de banho em meio a pedras e vegetaçal, equipado com frigorífico repleto de chocolates e soro fisiológico, onde o estilista utilizava rituais de beleza exaustivos ou ainda o lendário vaso sanitário com vista para o mar.
Um item que se tornou folclore, mas que relatos confirmam. Ele permitia ao proprietário contemplar o oceano em a sua forma mais vulnerável e livre. Talvez a maior excentricidade fosse a sala de areia, um ambiente concebido para simular o litoral dentro de casa, permitindo a Clodovil sentir a praia sobia pública, a qual evitava. Para completar o cenário de mistério, a mansão estava dotada de passagens secretas e saídas estratégicas para a floresta.
Mais do que faranoia, estes recursos faziam parte do teatro de Cludoville, o controlo total sobre quem entrava, quem saía e quem o podia ver. A casa não era apenas luxo, era uma narrativa de poder, segurança e uma solidão planeada que agora se encontra engolida pelo mato.
Mas o que acontece quando este mestre da estética deixa o palco de forma tão repentina? Como um império tão vigiado e detalhado começou a desmoronar-se em questão de meses. Em Março de 2009, o Brasil acompanhou em tempo real o fecho das cortinas para uma das suas personagens mais inesquecíveis. Cludovil Hernandes estava no auge da sua carreira política em Brasília, quando o destino interveio de forma súbita.
Na madrugada do dia 16, o deputado foi encontrado no seu apartamento funcional após sofrer um AVC hemorrágico. O homem, que sempre teve o controlo absoluto sobre a sua imagem e o seu espaço, via-se agora numa batalha onde a vontade própria já não bastava. Levado de urgência para o hospital, Clodovil enfrentou horas críticas.
O quadro, que já era grave, tornou-se irreversível após uma paragem cardiorrespiratória que o mergulhou num coma profundo. Na tarde de 17 de março desse ano, foi confirmada a morte cerebral. Morreu hoje aos 71 anos o estilista e deputado federal Clodovil Hernandes. >> Fiel ao seu espírito generoso, tinha manifestou o desejo de ser dador de órgãos, mas uma última paragem cardíaca permitiu que apenas as suas córneas fossem aproveitadas.
Um pormenor simbólico para alguém que sempre viu o mundo de forma tão única. O adeus foi digno de uma estrela. O seu corpo foi velado no rol monumental da ALESP, em São Paulo, onde uma multidão de fãs, amigos e autoridades, como o então presidente da Câmara, Michel Temer, prestou homenagem. Mas o momento de maior emoção ocorreu no cemitério do Murumbi.
Todovil foi sepultado exatamente ao lado de sua mãe, a D. Isabel. Ali o ciclo fechava-se, oindo mestre das tesouras e o seu único e verdadeiro porto seguro. A morte de Clodovil não terminou apenas um mandato barulento, ela deu início a um dos maiores mistérios patrimoniais do país. Sem herdeiros e com planos de uma fundação que nunca saiu do fafel ou que aconteceu com a sua fortuna.
No auge do seu esplendor, a mansão de Clodovil Hernandes funcionava com a precisão de um relógio suíço. Para sustentar o luxo e as excentricidades do proprietário, uma equipa fixa de seis funcionários trabalhava diariamente: mordomo, arrumadeira, segurança, jardineiros e um cuidador exclusivo para os seus 14 cães pug.
Nada ali era deixado ao acaso. Cada pétala de flor e cada grão de areia das As salas temáticas eram monitorizados sob o olhar atento do estilista. Contudo, com a sua partida em 2009, essa engrenagem ruiu instantaneamente. Sem a presença vibrante e controladora de Clodovil, a mansão mergulhou num silêncio seipul.
Nunca mais habitada, a propriedade foi rapidamente invadida pela humidade agressiva do litoral norte paulista, transformando mármore em bolor e os jardins planeados numa selva impenetrável. Hoje, o que resta é apenas a figura solitária de um caseiro, cuja única missão é tentar conter as invasões e o avanço do mato, sem qualquer autorização para realizar reparações.
estruturais. >> No início, ele tenta de qualquer maneira barrar a nossa equipa. >> Eu sou o António, mas estou proibido de dar qualquer entrevista. É a ordem da minha advogada. >> O abandono físico da casa reflecte um vazio ainda maior. Cludoville não deixou herdeiros diretos. Sem filhos, o cônjuge, o destino do seu património tornou-se um quebra-cabeiça jurídico.
Boatos de familiares perdidos, como a suposta irmandade Quatriz Mila Moreira, nunca passaram de lendas urbanas. Na realidade, o estilista estava sozinho. O seu último desejo era nobre, transformar a mansão na Fundação Isabel, um projeto social para acolher meninas órfãs, em homenagem à sua mãe.
Mas a burocracia foi implacável. Dívidas acumuladas e entraves ambientais paralisaram o testamento, condenando o imóvel a uma zona cinzenta da lei. O sonho das casas clô desvaneceu juntamente com as paredes da mansão, deixando para trás apenas uma ruína melancólica que pertence agora apenas ao tempo. Muitos imaginavam que após a partida de Clodovil Hernandes, a sua mansão em Ubatuba tornar-se-ia um memorial intocado.

Mas a realidade foi implacável. A justiça entrou no caminho quase imediatamente. O motivo, uma combinação asfixiante de dívidas, custos de manutenção e um espólio pressionado. Manter o império daquela magnitude no litoral não é apenas fechar a porta, é suportar impostos, segurança e reparações urgentes que drenam fortunas.
Com o passar dos anos, o dinheiro em conta foi desaparecendo para pagar processos e a mansão, antes impecável foi abandonada à sua sorte. >> A situação da mansão de Clodovil em Ubatuba é complexa e envolve questões ambientais e judiciais. >> O primeiro sinal de que o reino estava em colapso veio em 2017.
Nessa altura, o imóvel já não guardava os pertences pessoais do estilista. Tudo que tinha valor imediato foi retirado ou vendido para liquidar passivos. A casa que antes fervilhava com uma equipe completa de jardineiros e mordomos passou a ser vigiada por um único caseiro. Uma figura solitária paga apenas para evitar invasões e tentar conter o mato que já começava a engolir as paredes.
>> Atualmente, quem cuida da segurança do local é um caseiro pago pelo espólio do estilista. Sem autorização judicial para reinformar, ele assistia de braços cruzados à degradação da estrutura. Foi então que começou a novela pública do leilão. Em 2017, a primeira tentativa de venda terminou em um silêncio constrangedor.
Zero lances, nenhum interessado apareceu. O mercado imobiliário já via a casa como um ativo tóxico. Em 2018, surgiu apenas um único lance de R$ 750.000 feito por uma moradora de Campinas. Mas o que parecia uma solução virou um pesadelo jurídico. Ao perceber que estava comprando mais problemas e restrições do que uma propriedade real, a compradora lutou para anular o negócio, alegando que o edital omitia o peso das leis ambientais sobre o terreno.
Mas a compradora desistiu do negócio, alegando que não sabia que o imóvel ainda carregava problemas ambientais não resolvidos. >> Em 2019, a justiça finalmente anulou o leilão, mas isso não trouxe paz para a compradora, não. O valor ficou judicializado e a casa voltou ao limbo. Ninguém assume, ninguém reforma, ninguém resolve.
A mansão está presa em uma tríplice trava, o risco físico de desabamento, a disputa judicial sem dono estabelecido e a vigilância rigorosa da lei ambiental, que considera a construção uma anomalia em uma área de preservação. Hoje, o destino da mansão oscila entre o pedido de demolição do Ministério Público e as negativas do Tribunal de Justiça.
É uma zona cinzenta onde o concreto apodrece e a Mata Atlântica avança com pressa. >> O Ministério Público passou a exigir que toda a área do imóvel venha abaixo por estar em uma área de proteção ambiental. Antes de a mansão ser engolida pela mata e lacrada pela justiça, ela foi o palco de um homem que impunha o luxo como lei.
Clodovil Hernandes não apenas usufruía da soficação, ele a exigia como parte da sua identidade. Como pioneiro da alta costura, transformou seu atelier na Oscar Freire em um templo de exclusividade, onde a elite brasileira buscava peças que eram verdadeiras obras de arte, bordadas com precisão cirúrgica.
Na televisão, o estilo Clodovil tornou-se um fenômeno rentável. No auge, os seus ganhos mensais chegavam a R$ 150.000, R, sustentando uma vida com direito a Mercedes com motorista, joias de diamantes e um padrão europeu de consumo. O seu refinamento era tamanho que ele chegou a dar um sinal para comprar um apartamento em Paris, buscando sempre o padrão internacional de sofisticação.
Adorava ostentar, mas também investia pesado na própria imagem, submetendo-se a várias cirurgias plásticas. para manter a aparência impecável sobre as luzes dos estúdios. Porém, esse brilho tinha um custo alto. Entre investimentos deficitários, processos judiciais e um consumo extravagante, Clodovil gastou grande parte de sua fortuna tentando manter o mundo de perfeição.
Ele era o homem que desdenhava canetas de luxo no ar, por considerá-las comuns demais. >> >> refletindo um ego fascinante e, por vezes, arrogante. Hoje o contraste é cruel. O gênio, que não aceitava o mediano, deixou como legado uma ruína que a natureza, sem pedir licença, está destruindo. Cruzar os portões da mansão de Clodoville hoje é entrar em um mundo onde a natureza decidiu apagar os vestígios da glória humana.
O que antes era uma propriedade icônica dividida em 20 cômodos luxuosos entre as praias do meio e do Léo, transformou-se em um esqueleto de concreto e memórias. Graças às expedições de exploradores urbanos e registros de drones, o Brasil pôde finalmente ver o que restou do reino, uma completa e melancólica destruição.
A área externa é o primeiro choque. A famosa piscina, outrora o coração social da casa, teve os seus azulejos engolidos pelo mato e pela lama. onde circulavam celebridades. Hoje há apenas água parada e vegetação bloqueando o sol. O lago artificial que abrigou espécies exóticas agora é um pântano coberto por plantas selvagens.
Mas o detalhe que mais impressiona é a segurança atual. Para evitar curiosos, um ganso solitário faz a guarda entre os escombros da área de hóspedes. Um vigia inusitado para o império que já teve até segurança armada. Ao entrar nos cômodos, a sensação é de desolação. O interior está quase inacessível.
O telhado, em grande parte já não existe. Respondo às entranhas da casa às interferes. Paredes com rachaduras profundas dividem espaço com infiltrações que criam desenhos de mofo no teto. Os quartos que um dia ostentaram o que havia de melhor na decoração mundial estão vazios. A mobília foi retirada para quitar dívidas do espólio, restando apenas poeira e sujeira acumulada.
Ainda assim, alguns fragmentos da personalidade de Clodovil resistem bravamente. A cafelinha em homenagem à sua mãe, permanece de fé com o altar e o chão pintado à mão, ainda identificáveis. Um ponto de cor em meio ao cinza do abandono. A lendária sala de areia, onde o estilista oferecia jantares de gala para simular o litoral sem pisar na praia pública, hoje é um cômodo sombrio tomado por fendas nas colunas e mato que brota do piso.
A área do banheiro panorâmico, que já foi o ápice da excentricidade, é agora uma lembrança vaga. O famoso vaso sanitário original foi arrematado por apenas R$ 30 em o bazar de liquidação. A estrutura do quarto, em homenagem à mãe, com uma cama de docel em madeira maciça, ainda resiste ao tempo, mas é cercada por humidade e silêncio.
Vale lembrar que a casa que vemos hoje é menor do que a original. Cerca de 500 m² foram demolidos. Por ordem judicial, há 6 anos, o antigo quarto de Clodovil, o canil e a parte da cozinha, construídos em uma área de preservação, foram transformados em entúrio por determinação do Ministério Público.
Onde antes floresciam 3000 espécies de plantas cuidadas por jardineiros, hoje reina o mato nativo. O acesso é difícil. As portas estão bloqueadas por si pós e o perigo de desabamento é real. A fortaleza que ele construiu para se esconder do mundo foi finalmente vencida pela própria natureza que ele tanto tentou moldar ao seu redor.
O desfecho da mansão de Clodovil Hernandes é talvez a sua última e mais complexa polêmica. O imóvel não é apenas uma herança física, tornou-se um dos maiores impasses jurídicos e ambientais do litoral paulista. Presa entre o mar e a rigidez da mata atlântica, a mansão hoje flutua em uma zona cinzenta, onde o direito de propriedade colide frontalmente com a preservação ecológica.
Três caminhos tentam desenhar um final para essa história, mas todos esbarram em obstáculos colossais. Da demolição total é o grande fantasma. O Ministério Público insiste que a estrutura é uma anomalia dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Embora a justiça tenha negado pedidos recentes de derrubada, a pressão ambiental é uma faca no pescoço do espólio.
Por outro lado, a manutenção do status qu, o abandono vigiado é a triste realidade atual. Sem dono pleno e com o inventário travado por dívidas, a casa apodrece enquanto a mata avança. Uma solução híbrida de reforma controlada. Parece um sonho distante, dada a burocracia e às restrições severas da área protegida. O episódio do leilão em 2018 ilustra perfeitamente esse presente de Grego.
Arrematada por R$ 750.000, R. A mansão revelou-se um pesadelo para a compradora, que ao descobrir que não poderia sequer reformar o que comprou, lutou na justiça para devolver a mansão. Da decisão judicial de 2019 de cancelar a venda, provou que na mansão abandonada de Cludovil, o dinheiro não compra o sossego.
Ela entrou com processo justamente pedindo para cancelar o o leilão. Só que não pode fazer isso. >> O que resta na prática é um paradoxo. Onde antes havia o melhor do design e do luxo, hoje há uma estrutura que ninguém pode ocupar, ninguém pode consertar e ninguém sabe se amanhã ainda estará de fé.
A mansão tornou-se um monumento à efemeridade, uma cápsula de glória que a natureza e a lei juntas decidiram retomar. O reino do clô agora pertence ao silêncio e ao tempo. Se você tivesse o dinheiro e o poder de decisão hoje, o que faria? Lutaria para restaurar a mansão e transformá-la em um museu do Cludovil? ou concordaria com a justiça e deixaria a natureza demolir tudo para proteger o meio ambiente.
Comenta aqui embaixo o que você achou de conhecer um pouco mais dessa história. Ó, não esquece de deixar o seu like e dizer de onde você está assistindo. Eu vou deixar outro vídeo para você aqui nos cards que é sobre a mansão abandonada da Ev Camargo. Basta clicar aqui nesse card que você vai saber o que aconteceu com a mansão onde ela morou por tantos anos. Não restou mais nada.
É um vídeo bastante interessante que vale a pena ver. Eu vou ficando por aqui, mais um aviso, meu muito obrigado e até o nosso próximo vídeo.