Cayetana Álvarez de Toledo desafia o sistema: A crua análise sobre a crise de soberania no México

Em um discurso que repercutiu fortemente nos círculos políticos e sociais, a política espanhola Cayetana Álvarez de Toledo ofereceu uma radiografia implacável da situação atual do México. Com um tom direto e distante das diplomacias convencionais, Álvarez de Toledo questionou a narrativa oficial do governo mexicano, concentrando sua crítica no que ela chama de três ameaças principais que, a partir do interior, estariam minando a verdadeira soberania do país: o crime organizado, o populismo autoritário e a instalada mentalidade de dependência.

A intervenção, realizada durante um evento anual do Grupo Salinas, buscou ir além das manchetes jornalísticas para explorar a profunda deterioração institucional e social que, segundo a analista, a nação enfrenta. Longe de ser um ataque externo, sua argumentação posicionou-se como um alerta diante de problemas que, conforme sustenta, foram minimizados ou disfarçados sob discursos nacionalistas que apelam ao passado para evadir as responsabilidades do presente.

O primeiro ponto de sua análise, e talvez o mais doloroso, referiu-se à crise de segurança. Álvarez de Toledo não hesitou em citar a trágica realidade dos desaparecidos, fazendo uma referência direta aos sapatos vazios encontrados em valas clandestinas em Jalisco. “Sapatos vazios não são uma estatística, são uma acusação”, enfatizou. Para a política, a soberania começa por algo tão elementar quanto a capacidade de um cidadão caminhar livremente pelo seu país sem precisar pedir permissão a uma organização criminosa, ou a possibilidade de abrir um negócio sem se submeter à extorsão.

Sob sua perspectiva, o Estado mexicano perdeu, em diversas regiões, o monopólio da força, permitindo que grupos criminosos ditem normas, cobrem impostos e decidam, em última instância, quem pode viver ou participar da vida pública. Essa situação a levou a questionar a pertinência das constantes demandas de perdão histórico dirigidas à Espanha, sugerindo que, enquanto se discute agravos de séculos passados, milhares de famílias mexicanas esperam por justiça por crimes ocorridos recentemente. A verdadeira soberania, argumentou, reside em garantir a segurança contemporânea, não em utilizar a história como uma “cobertura verbal” para ocultar a incapacidade de proteger os cidadãos.

A segunda grande ameaça identificada é o populismo autoritário, descrito por ela como um processo lento, porém metódico, de captura institucional. Segundo Álvarez de Toledo, esse fenômeno não se manifesta com estridências violentas, mas através do uso de decretos e maiorias parlamentares para desmantelar os contrapesos democráticos. A crítica focou em como o poder executivo busca absorver as funções de órgãos autônomos, juízes e reguladores, minando assim a democracia desde suas fundações.

“A democracia não consiste apenas em votar”, advertiu, assinalando que vencer eleições não concede um cheque em branco para desarticular os mecanismos de controle que protegem os cidadãos contra o abuso de poder. Este “ogro filantrópico”, como ela denominou ecoando a visão de Octavio Paz, utiliza uma fachada de bem-estar para avançar em uma estratégia onde as instituições, longe de serem reformadas para melhorar, são submetidas para servir a uma agenda política centralizada. Essa dinâmica, assegurou, é o que tem levado diversas agências internacionais a perceber o México não como uma democracia plena, mas como um sistema parcialmente livre.

Finalmente, o terceiro pilar da análise concentrou-se na “mentalidade de dependência”. Álvarez de Toledo distinguiu cuidadosamente entre a ajuda assistencial necessária para os grupos vulneráveis — a qual classificou como uma obrigação moral — e a criação de um modelo social baseado na dependência política. Ao transformar a transferência econômica no eixo da relação entre o Estado e o cidadão, debilita-se a capacidade deste último de dissentir. Um cidadão que depende inteiramente da vontade de quem governa é, em sua visão, um cidadão menos livre, menos soberano sobre seu próprio destino e com menos ferramentas para exigir contas.

Este modelo, afirmou, desincentiva o esforço individual e a produtividade, estagnando o crescimento econômico do país ao criar um ambiente de incerteza para o investimento e o empreendedorismo. O investimento requer confiança, regras claras e um marco jurídico onde o mérito valha mais que os contatos políticos. Ao substituir o caminho do esforço pela expectativa da dádiva, perpetua-se um ciclo que beneficia o poder político à custa da autonomia da sociedade civil.

Encerrando sua intervenção, a analista fez um apelo contundente às elites econômicas e aos cidadãos em geral. Sustentou que o erro de adaptar-se, negociar e esperar que o ciclo político passe é uma frivolidade que coloca em risco o futuro do país. Não há, a seu juízo, saúde econômica possível sem uma saúde democrática sólida; portanto, a defesa de juízes independentes, da imprensa livre e da segurança jurídica deve ser considerada uma condição material indispensável para a prosperidade.

A mensagem final foi de esperança, porém carregada de exigência: “que não fique por vocês”. Álvarez de Toledo instou os mexicanos a assumirem sua própria soberania no sentido mais profundo da palavra, sendo cidadãos donos de suas decisões, exigentes com seus governantes e corajosos ao enfrentar a degradação de suas instituições. A soberania, concluiu, não deve ser um slogan nem uma ferramenta de propaganda, mas a base sobre a qual se constrói uma vida digna, livre e segura para todos.

O impacto deste discurso não reside apenas na firmeza de suas palavras, mas na provocação que lança a uma sociedade civil que, em sua opinião, ainda conserva a energia moral necessária para corrigir o rumo. A pergunta que ela deixou sobre a mesa para os cidadãos mexicanos é se estão dispostos a transitar para essa “próxima gesta” cívica: a de resgatar, de maneira definitiva, a soberania frente ao medo, ao abuso e à dependência.

Ninguém imaginava que naquela mesma noite Kenia e Dun tomariam a decisão mais perigosa das suas vidas, fugir de batangas escondidas e atravessar o mar em busca de Alica no Brasil. Tudo começa quando Kenia já não consegue suportar o que está a ver. A cada dia que passa, Gendal torna-se mais cruel, mais violento e mais obsecado pelo poder.

 O homem que deveria proteger o seu povo agora espalha o medo por todo o reino. Com o coração apertado, ela procura de um em segredo. Até as paredes parecem perigosas naquele palácio. Quando finalmente o encontra, Kenia aproxima-se com os olhos cheios de lágrimas. Eu não aguento mais.

 D, o meu pai tornou-se um monstro. Dun sente imediatamente o peso daquelas palavras. Aquilo não era apenas um desabafo. Kenia estava assustada, revoltada e pronta para fazer algo que jamais imaginou fazer. Trair o próprio pai para salvar a batanga. Respirando fundo, ela revela o seu plano. Eles precisavam de fugir para o Brasil. Precisavam de encontrar a Lica em Barro Preto.

 Precisavam de trazer de volta a verdadeira princesa para recuperar a coroa que Gendal tomara. Dun fica paralisado durante alguns segundos. Aquilo não era apenas uma fuga, era uma declaração de guerra. Se Gendal descobrisse o plano, os dois poderiam ser mortos antes mesmo de chegarem ao porto. Mas Kenia já tinha tomado a sua decisão. Batanga estava a sofrer.

 Para ela, só a Lica poderia colocar um fim naquele pesadelo. D observa a jovem em silêncio. A coragem dela o impressiona. Naquele momento, escondidos na escuridão, os dois fazem um pacto. iriam atravessar o mar, iriam encontrar a Lica e devolveriam a Batanga a esperança que Gendal tinha roubado. Sem perder tempo, os dois deixam o esconderijo e seguem pelos fundos do palácio.

 Mas não percebem uma coisa. Uma sombra permanece imóvel no corredor. Alguém ouviu cada palavra daquela conversa? A figura misteriosa corre pelos corredores, transportando uma notícia capaz de mudar tudo. Por se Gendal descobrisse que Kenia e Dun estavam a fugir para buscar a Lica ao Brasil, a situação tornar-se-ia extremamente perigosa para todos os envolvidos.

 Sem imaginar que foram denunciados, os dois continuam a avançar pelos fundos do palácio. Eles passam entre barris, tecidos e caixas de mantimentos, tentando não chamar atenção. A Kenia está cada vez mais nervosa. Ela olha para trás várias vezes. Dun apercebe-se do medo dela e segura o seu braço. Agora já não dá para voltar.

 Kenia fecha os olhos por um instante e respira fundo. Eu sei e não quero voltar. Entretanto, no salão principal, a notícia chega finalmente até Gendal. Um guarda entra a correr, ajoelha-se diante do tirano e sussurra algo ao seu ouvido. A reação é imediata. O rosto de Gendal muda completamente. Por um instante, a taça que segura quase lhe escapa da mão. Kenia.

 O guarda confirma. Mas quando o nome de Dun também é referido, a fúria explode. Gendal derruba tudo o que encontra sobre a mesa. Os objetos espalham-se pelo chão enquanto grita pelos soldados. Sem controlar a sua própria raiva, ordena que todos os portões do palácio sejam fechados imediatamente. A minha filha não vai fugir com este traidor.

 Nesse mesmo instante, Doom e Kenia chegam finalmente perto da saída das traseiras. O portão ainda está aberto, falta apenas atravessá-lo. Mas então os sinos do palácio começam a tocar. O som do sino checoa por todo o palácio. A Kenia sente o sangue gelar. Do entende imediatamente o que aquilo significa. Descobriram tudo.

Corre. Sem perder um segundo, os dois disparam pelos corredores. Gritos dos começam a surgir guardas por todos os lados. Passos apressados. Ordens sendo dadas. O caos toma conta do palácio. Kenia levanta o vestido e corre como nunca correu em toda a sua vida. O coração bate tão forte que ela mal consegue respirar.

 Dun segura-lhe a mão e puxa-a para a frente. Atrás deles, os soldados aproximam cada vez mais. De repente, uma flecha corta o ar, outra e mais uma. Uma delas atinge a madeira mesmo ao lado dos dois. Kenia solta um grito assustada. Dom reage rapidamente. Ele a segura-a pela cintura e empurra-a para trás de uma carroça estacionada no pátio. Confia em mim.

 Sem alternativa, Ken acompanha os seus movimentos. Os dois encontram abrigo dentro de uma carga de tecidos que estava prestes a sair em direção ao porto. Escondidos sob os panos, permanecem imóveis. Poucos segundos depois, os guardas passam correndo sem reparar em nada. Somente quando o perigo se afasta é que Kenia consegue respirar novamente.

 As lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto. Não eram lágrimas de arrependimento, eram lágrimas de medo. Naquele instante, ela compreende a dimensão da escolha que fez. Acabará de se tornar inimiga do próprio pai. Dun observa o sofrimento dela em silêncio. Então fala com sinceridade. Depois disso, o teu pai nunca mais te vai perdoar. Kenia limpa o rosto devagar.

Os olhos carregam agora tristeza, mas também determinação. E eu nunca vou perdoar o que fez à Batanga. A carroça segue o seu caminho lentamente. A cada metro percorrido, afastam-se do palácio. A cada metro também se aproximam de um destino sem retorno. Entretanto, dentro do castelo, a fúria de Gendal só aumenta.

 Consumido pelo ódio, dá uma ordem cruel aos soldados que encontrem a sua filha imediatamente e deixa um aviso assustador. Se Dun tentar fugir com ela, matem-no à frente de Kenia. Nem mesmo os guardas conseguem esconder o desconforto ao ouvir aquelas palavras, mas ninguém se atreve a desafiar o tirano. Horas depois, já ao fim da noite, o carroça aproxima-se finalmente do porto.

Dun e Kenia descem escondidos. O navio que partirá para o Brasil ainda está atracado. Trocam um olhar cheio de esperança. Talvez ainda houvesse tempo. Talvez conseguissem escapar. Mas então algo acontece. Kenia olha em frente e o seu coração quase para. Pascoal está ali parado no porto, como se estivesse esperando exatamente por aquele momento.

O rosto de Kenia perde a cor. Dun apercebe-se imediatamente do perigo e puxa-a para trás de alguns caixotes. Mas já era tarde. Pascoal reparou no movimento. Um sorriso discreto surge no seu rosto. Um sorriso arrogante de alguém que acredita estar com a vitória nas mãos. Ele se aproxima-se devagar.

 Eu sabia que tu viria atrás dele, princesa. A Kenia sente um profundo sentimento de repulsa. Tudo nela quer responder. Tudo nela quer enfrentá-lo. Mas Dum aperta-lhe a mão e sussurra: “Não reage, ainda dá para escapar. Kenia força-se a permanecer em silêncio. Então os dois observam o porto com atenção. A situação é pior do que imaginavam.

 Os soldados estão espalhados por toda a parte. Alguns junto ao navio, outros vigiando a entrada, outros circulando entre barris e mercadorias. Aquilo não era uma simples busca, era uma verdadeira caçada organizada por Gendal. Enquanto conversa com marinheiros e trabalhadores do porto, Pascoal continua observando tudo em redor, procurando qualquer sinal dos fugitivos.

 Ken aprende a respiração. O medo aperta o seu peito novamente, mas Dom mantém a calma. Os seus olhos percorrem cada canto do cais, até que algo lhe chama a atenção. Uma grande carga de café está a ser levada para o interior do navio. Dun observa os carregadores durante alguns segundos e percebe uma oportunidade.

 Dom percebe a oportunidade no mesmo instante. Sem pensar duas vezes, ele segura a mão de Kenia e os dois saem a correr no meio dos trabalhadores que transportavam a carga para o navio. Tudo acontece rápido demais. Gritos ecoam pelo porto. Soldados apontam na direção deles. Os marinheiros assustam-se sem entender o que está a acontecer.

 No meio da correria, Kenia quase tropeça. As pernas já não aguentavam o cansaço daquela fuga desesperada. Antes que ela caísse, Dum segura-a pela cintura. Continua. Ele puxa-a para a frente e conduz-na para dentro do navio, escondendo-a atrás dos grandes sacos de carga. Nesse momento, Pascoal vê-os finalmente.

 Os seus olhos se arregalam. Eles estão ali. A gritaria toma conta do Cis. Os soldados começam a correr. São dadas ordens de todos os lados. Um dos homens tenta fechar a rampa da embarcação antes de os fugitivos escapem. Mas já era tarde. O navio começa a afastar-se lentamente do porto. Metro após metro, cada vez mais distante, Pascoal corre até à extremidade do Cais.

 A raiva estampada no seu rosto é impossível de esconder. Grita ameaças, aponta para a embarcação, exige que os soldados façam alguma coisa, mas as suas palavras já não conseguem alcançar Kenia e Dun. Pela primeira vez desde que deixaram a batanga, estavam fora do alcance imediato de seus perseguidores. No porão do navio, Kenia desaba.

 Ela senta-se no chão de madeira, tremendo dos pés à cabeça. O coração ainda dispara, as mãos não param de tremer. Dun também está exausto, sem ar, sem forças. Durante alguns segundos, nenhum dos dois consegue dizer uma única palavra. Só existe o som das ondas embatendo contra a embarcação. Só existe o silêncio pesado deixado pelo medo.

 Então as lágrimas voltam aos olhos de Kenia. Ela baixa a cabeça. Eu deixei tudo para trás. A dor na sua voz é impossível de ignorar. Ela tinha abandonado a sua casa, seu reino, toda a sua vida. Dom a observa por alguns instantes. Então responde com calma. Não, deixou o Gendal para trás. Ele faz uma pequena pausa. Batanga ainda está consigo.

 As palavras tocam o coração de Kenia. Por um breve momento, ela sente um pouco de conforto, mas apenas por um breve momento, porque no fundo ela conhece o próprio pai e sabe que Gendal nunca aceitaria aquela humilhação. E é exatamente isso que acontece no palácio. A notícia da fuga chega rapidamente. Quando descobre que Kenia e Dun conseguiram embarcar para o Brasil, Gendal perde completamente o controlo.

Ele grita, derruba móveis, parte objetos. ordena a prisão de guardas que considera responsáveis ​​pelo insucesso. A fúria toma conta do salão, mas não se fica por aqui. Consumido pelo ódio, faz uma promessa sombria. Se a Lica voltar a a Batanga, ela não encontrará um trono, encontrará uma guerra.

 Enquanto isso, longe dali, o navio continua a cortar o mar. Escondidos na cave, Kenia e Dom enfrentam dias difíceis. fome, frio, incertezza. Nenhum dos dois sabe se chegarão vivos ao Brasil. Mesmo assim, continuam a resistir. Numa das noites da viagem, Dom observa o horizonte através de uma pequena fenda na madeira.

 O seu olhar demonstra preocupação. Quando chegarmos a Barro Preto, a Alica precisa de acreditar em nós. Kenia sente um aperto no peito. Uma dúvida que ela tentava evitar finalmente escapa-lhe dos lábios. E se ela não acreditar? Dom demora a responder, porque aquela era a pergunta mais difícil de todas. Se a Lica recusasse voltar, se ela não acreditasse na verdade, Batanga continuaria nas mãos de Gendal, e todo o seu sacrifício teria sido em vão.

 O silêncio entre os dois diz mais do que qualquer resposta. Dias depois, o navio continua a avançar pelo mar. Entretanto, em Batanga, Gendal toma outra decisão. Ele ordena que uma mensagem seja enviada para Barro Preto, uma ameaça direta destinada a Lica. Mais uma tentativa de proteger o poder que roubou.

 Finalmente, após uma viagem marcado pelo medo e pela tensão, o navio chega ao Brasil. Doom e Kenia desembarcam escondidos. Estão cansados, sujos, quase sem forças. Mas não há tempo para descansar. Eles precisam chegar a Barro Preto o mais possível. Kenia mal consegue continuar andando. O corpo parece prestes a ceder. Percebendo isso, Dom segura-lhe a mão com firmeza e tentando dar-lhe coragem, diz apenas: “Só mais um bocadinho.

 Nós precisa de encontrar a Lica”. As palavras de Dun carregam todo o peso da viagem, de tudo o que tinham arriscado para chegar até ali. Entretanto, em Barro Preto, a vida seguia aparentemente normal. No atelierê, Alica tentava se concentrar no trabalho ao lado de Teresa. Vestidos estavam espalhados sobre as mesas.

 Tecidos coloridos ocupavam cada canto do local. Tudo parecia tranquilo, mas dentro dela algo estava errado. Um aperto estranho no peito, uma inquietação difícil de explicar. Miara percebe imediatamente. Ela conhece a Lica melhor do que ninguém. Está inquieta, minha filha. A Lica tenta sorrir, tenta fingir que está tudo bem, mas nem ela consegue convencer-se a si própria.

 Parece que Batanga está a chamar-me. Ao dizer aquelas palavras, ela sente um arrepio percorrer o seu corpo, como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer. E estava pouco depois, a porta do atelier tornou-se abre. Dom aparece. Alica vira o rosto na direção da entrada e fica completamente surpresa.

 O tecido quase escapa às suas mãos, mas o choque aumenta quando outro pessoa surge logo atrás dele. Kenia. Por alguns segundos, o silêncio domina o ambiente. Ninguém consegue reagir. A atmosfera parece congelar. Naquele mesmo instante, Tónio entra no local. Assim que vê Kenia, o seu semblante altera-se. Os olhos estreitam-se imediatamente.

 A desconfiança é inevitável. Esta moça é filha de Gendal. As palavras pesam no ambiente. Kenia baixa a cabeça. Ela já esperava aquela reação. Sabia que carregar o apelido de Gendal era carregar também toda a rejeição que ele havia construído. Não havia defesa fácil para aquilo. Antes que alguém dissesse mais alguma coisa, Dum dá um passo à frente.

 Depois faz algo que surpreende todos. Ajoelha-se diante de Alica. Princesa. Ela está o nosso lado. Alica fica sem palavras. Dun levanta os olhos e continua. A voz sai carregada de emoção. Batanga está sofrendo. Gendal está a destruir o povo. A senhora precisa de voltar. Cada palavra parece atingir a Lica diretamente no coração.

 Ao lado dele, Kenia já não consegue conter as lágrimas, mas não tenta convencer ninguém com discursos elaborados. Não inventa desculpas. Não procura justificar o injustificável. Ela apenas diz a verdade. O meu pai virou um monstro. A sua voz falha. Ela respira fundo antes de continuar. Eu não quero mais carregar o nome dele em silêncio.

 A dor nos seus olhos é real e todos os percebem isso. Alica sente o impacto daquelas palavras. Tony observa a cena com preocupação. Miara leva a mão ao peito. Teresa nem sequer sabe o que fazer. Parte dela quer ouvir, outra parte quer fechar a porta e afastar todo aquele perigo.

 Assim, Dun revela a notícia mais grave de todas. Gendal enviou uma ameaça para Barro Preto. O silêncio volta a dominar o ambiente. Ele sabe que a Alikia está viva e sabe onde ela está. Naquele instante, tudo muda. A tranquilidade que existia até então desaparece completamente. Agora o perigo era real e estava cada vez mais próximo. Tô se aproxima-se imediatamente de Alica.

 O olhar dele demonstra proteção e firmeza. Então ele vai ter de passar por mim. Alica observa cada pessoa que tem à sua frente. Olha para o Dom, olha para a Kenia, olha para o Tô e naquele momento compreende algo importante. Ela não podia continuar fugindo da própria história. O seu povo precisava dela. Batanga precisava dela.

Respirando fundo, ela toma finalmente a sua decisão. Se o meu povo está sofrendo, eu volto. A emoção toma conta do ambiente. O António nem espera que ela termine completamente a frase. Ele já sabe qual é a sua escolha e também sabe qual será a dele. Para onde quer que vá, eu vou junto.

 Kenia leva as mãos ao rosto e volta a chorar, mas agora as suas lágrimas são diferentes. Pela primeira vez em muito tempo, ela sente esperança. Na sua frente estava a mulher que nunca abandonaria o seu povo, a verdadeira rainha de Batanga. Do lado de fora do atelier, um homem desconhecido observa tudo através da janela.

 Em silêncio, ele ouve a conversa. Vê a Lica aceitar regressar a Batanga. Depois afasta-se rapidamente para levar a notícia agendal. Dentro do atelier, porém, a decisão já estava tomada. AC decide regressar a Batanga e pronto. Barro O preto nunca mais seria o mesmo depois daquela decisão. Assim que Alica aceita regressar a Batanga, tudo começa a acontecer à pressa.

 Tô assume a liderança dos preparativos. Cada minuto agora é precioso. Miara tenta ser forte, mas não consegue esconder as lágrimas. Teresa caminha de um lado para o outro, tomada pela preocupação. E a Kenia. Kenia finalmente senti o peso de tudo o que fez. Por mais que soubesse que estava a lutar pelo lado certo, a culpa ainda apertava o seu coração.

 Ela conhecia melhor Gendal do que ninguém. Sabia exatamente como reagiria quando descobrisse a verdade. E ele reage da pior maneira possível. A notícia chega ao palácio mesmo antes do navio partir. O homem que ouviu toda a conversa no atelier envia a mensagem em segredo. Quando Gal descobre que Alica aceitou regressar a Batanga ao lado de Dun, Kenia e Tô, a sua fúria explode. Ela não vai tomar o meu trono.

O grito ecoa por todo o salão. Consumido pelo desespero, ordena o reforço em todas as entradas. Manda aumentar a vigilância. Manda prender qualquer pessoa que mencione o nome de Alica, mas as suas ordens chegam tarde demais. Entretanto, o navio já segue o seu caminho pelo mar. Alica, Dun, Kenia e Ton atravessam as águas, sabendo que podem estar a caminhar diretamente para o perigo.

 Durante a viagem, o silêncio acompanha grande parte do percurso. Em uma das noites, Alica observa o mar escuro. O vento toca-lhe no rosto, mas não consegue aliviar o peso que carrega. Tô percebe a sua preocupação. Então ela faz a pergunta que guardava dentro do peito. E se não conseguir salvar o batanga? Tô segura a sua mão com firmeza.

 O olhar dele transmite confiança. Você já está salvando só por ter voltado. As palavras emocionam a Lica e também emocionam Kenia. Em silêncio, ela limpa algumas lágrimas, porque naquele momento compreende que perdeu o pai que um dia conheceu, mas também compreende que escolheu defender o seu povo e não se arrepende-se disso.

 Dias depois, finalmente chegam a batanga. Longe dos olhos de Gendal, Ain e Ladisa já aguardam escondidos ao lado da resistência. Não há tempo a perder. O plano é simples e direto. Entrar pela antiga passagem secreta, neutralizar os guardas e levar a Lica perante o povo. Mas Gendal também estava preparado. Desconfiado de tudo, ele organiza a sua própria armadilha.

Soldados rodeiam o salão do trono. Cada entrada é vigiada. Cada corredor está protegido. Quando Alica finalmente entra no salão, encontra gendal exatamente onde imaginava. sentado no trono, sorrindo com arrogância, como se fosse o verdadeiro dono de Batanga. Os olhos dele se fixam nela. Você voltou para morrer aqui.

 Tô dá um passo em frente imediatamente. A raiva toma conta dele, mas Dom impede. A Lica mantém-se calma, não grita, não mostra medo. Ela apenas avança alguns passos. Então encara Gendal diretamente nos olhos. Esse trono nunca foi seu. O silêncio domina o salão. A frase atinge Gendal como uma lâmina. Ao lado de Alica, Kenia permanece firme.

 O tirano volta o seu olhar para a filha. O ódio no seu rosto é evidente. Traidora. As lágrimas aparecem nos olhos de Kenia, mas desta vez ela não baixa a cabeça. Ela responde com coragem: “Traidor é quem destrói o próprio povo”. As palavras ecoam pelo salão e naquele momento tudo começa a mudar. O povo entra. Aim, Ladisa e os membros da resistência aparecem a controlar os guardas já rendidos.

 Gendal levanta-se desesperado, olha para todos os lados, procura ajuda, procura aliados, mas ninguém se mexe, ninguém responde, já ninguém está disposto a protegê-lo. A verdade finalmente veio à tona. Dum aponta para o tirano. Chegou o seu fim, gendal. A multidão explode em gritos. Alica sobe lentamente os degraus do trono. Tô permanece ao seu lado.

 Ken observa o pai sendo cercado. E pela primeira vez em muito tempo, Gendal sente medo. Medo verdadeiro. Os soldados prendem-no diante de todo o reino. Ele tenta resistir, grita, ameaça. Chama traidora a Kenia, chama Dum de rato, chama Lica de impostora, mas as suas palavras já não têm força. Já ninguém acredita nele. A máscara caiu.

 O reino inteiro finalmente viu quem ele realmente era. Pouco depois, diante do povo reunido, a lica é coroada. A emoção toma conta de Batanga. Muitos choram, muitos festejam, muitos celebram o fim de um período de sofrimento. Dun abraça Kenia. Tô segura a mão de Alica. E, finalmente, a verdadeira rainha ocupa o lugar que sempre lhe pertenceu.

 A esperança volta a nascer em Batanga e o povo vê o seu reino recomeçar sob a liderança de quem nunca abandonou a sua verdadeira missão. Ninguém consegue destruir a verdade para sempre. De 0 a 10. Que nota dá a Doom e Kenia por terem trazido a Lica de volta e ajudado a derrubar gendal? Se gostou deste resumo, clique no botão de gosto e comentar de que cidade acompanha a novela.

 

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