415 gols, duas chuteiras de ouro da Europa, Super Mario. E esse mesmo homem respirava substâncias dentro do vestiário do Sporting de Lisboa antes de cada jogo, mas isso não foi o mais nojento dele. Hoje você vai saber o que o Jardel fez numa balada de Porto Alegre às 4 da madrugada, quando quase matou na pancada o próprio dono do imóvel dele.
E mais importante ainda, onde estava e o que o Jardel fez enquanto esse homem agonizava na cama do hospital, sem que a polícia conseguisse encontrar ele. Mas antes de consumir no vestiário do Sporting e antes das chuteiras de ouro, teve uma casa pequena no bairro Montesi, na zona oeste de Fortaleza, onde nasceu um moleque que ia ser durante uma década o centroavante mais temido do mundo e onde o pai daquele moleque todas as noites chegava bêbado.
A casa era de quatro cômodos, pintada de branco descascado, na rua Padre Anchieta, número 312, do bairro Montesi, uma casa onde moravam sete pessoas. O pai César Ribeiro, a mãe Maria de Fátima, quatro irmãos varões e uma irmã mais nova. A Jordana, 18 de setembro de 1973. No quarto do fundo dessa casa nasceu Mário Jardel de Almeida Ribeiro, o quarto filho.
O que chegou quando o pai César já tinha 40 anos e já bebia cachaça desde as 7 da manhã? O que chegou quando a mãe Maria já tinha começado a acompanhar o marido na bebida? O que chegou numa família que estava se afogando? A Maria de Fátima era alcólatra e continua sendo até hoje com 80 anos. O próprio Jardel confessou numa entrevista pro jornal Lance em Fortaleza no dia 14 de julho de 2014.
Minha mãe tem problema com álcool até hoje, falou o Jardel. Ela é alcólatra. Imagina a luta que eu estou travando. Com 7 anos, o Jardel carregava o irmão mais novo no colo pela casa. Não porque era bom irmão, porque a mãe não conseguia se levantar da cama. Com 7 anos, o Jardel sabia esquentar arroz no fogão, porque ninguém da casa estava em condições de cozinhar.
Com 7 anos, o Jardel já sabia que o pai, quando chegava bêbado às 11 da noite, gritava palavras que nenhum moleque deveria escutar do pai. E tinha uma palavra, uma só. Uma palavra que o pai César todas as noites ao chegar bêbado, gritava pro moleque Mário. Uma palavra que o moleque Mário aprendeu a odiar antes de aprender a ler.
Uma palavra que depois em cada jogo, em cada gol, em cada chuteira de ouro, o jardia tentar apagar da memória. Sem conseguir, a palavra era inútil. Inútil. Inútil de merda. Era o que o pai falava pro moleque Mário todas as noites ao chegar bêbado, inútil de merda. Você não vai chegar a nada. Você vai terminar igual a mim, pobre, bêbado, esperando é o final do mês para ter dinheiro, inútil de merda.
E o moleque Mário, com 7 anos, no quarto que dividia com dois irmãos varões, escutava o pai gritar aquela palavra desde a sala e aprendia. Aprendia que tinha que ser o melhor em alguma coisa. Tinha que ser tão bom em alguma coisa que o pai parasse de chamar ele de inútil. Tinha que ganhar, ganhar sempre, ganhar de todos, ganhar no futebol, no estudo dos irmãos, dos vizinhos, ganhar de tudo para que o pai uma vez falasse outra palavra para ele.
Mas o pai nunca falou outra palavra para ele. Morreu de infarto aos 64 anos, na varanda da casa de Fortaleza, com um copo de cachaça com limão na mão. Sem ter falado nunca pro jardilho, estou orgulhoso. Filho, eu te amo, filho. Você é o melhor. E aquela palavra inútil foi o que perseguiu o Jardel durante 52 anos. As substâncias tentavam apagar ela.
O álcool tentava apagar e tentava apagar ela. Os gols tentavam apagar ela. As chuteiras de ouro tentavam apagar ela. As mulheres tentavam apagar ela. Mas a palavra continuava inútil na cabeça. Dia e noite a voz do Pai. Inútil. E entre todos os irmãos, teve uma com uma história estranha, uma irmã mais nova, Jordana, uma mulher que no ano 2002, quando tinha 18 anos, quase virou cunhada da maior estrela do futebol mundial do século XX.
O Cristiano Ronaldo, nós vamos chegar lá. O Jardel não começou como centroavante, começou como goleiro. Era um bom goleiro. Embaixo do gol improvisado de duas pedras, na rua de terra do bairro Montesi, o jardh chutavam. Tinha 8 anos, era magrelo, mas pulava mais alto que qualquer um. Com 12 anos, o jardia 1,75 m.
Com 14, 1,85 m. Com 16, quase 1,90 m. o goleiro mais alto do bairro Montesi. E um técnico amador, um homem chamado seu Zé Carlos, que dava aulas de graça pros moleques do bairro no campo de terra do Clube União, falou para ele numa tarde de 1988: “Mário, você é alto demais para ser goleiro, você tem que ir pro ataque, você tem cabeça de gigante, cabeceia igual nenhum outro moleque da sua idade.” Seu Zé Carlos tinha na razão.
O Jardel, no primeiro jogo como centroavante, fez quatro gols, três de cabeça, pulando sozinho, sem que nenhum defesa conseguisse alcançá-lo. O quarto, um remate de pé esquerdo. E desde essa tarde de 1988, o Jardel nunca mais voltou a ser guarda-redes, nunca. Aos 15 anos, em [música] 1989, o Ferroviário do Ceará, equipa profissional de Fortaleza, contratou-o pras camadas de base.
Salário de $ por mês. O Jardel entregava 70 à mãe a cada mês para comprar alimentos para casa. 30 ficavam com ele e ele comprava chuteiras utilizadas no mercado central de Fortaleza. Aos 18 anos, em 1991, o Jardel estreou-se na equipa profissional do Ferroviário, no Campeonato do Ceará. E nesse campeonato, um olheiro do Vasco da Gama do Rio de Janeiro, denominado Marcelo Teixeira, foi vê-lo.
E o Marcelo Teixeira regressou ao Rio com uma única frase: “Temos de comprar este miúdo, vale qualquer dinheiro. Ele vai ser o melhor avançado-centro do Brasil”. O O Vasco pagou $2.000 ao Ferroviário pelo Jardel. Um nada. uma esmola. E com 19 anos, o Jardel subiu para um avião pela primeira vez na vida para se mudar para o Rio de Janeiro, sem nunca ter saído de Fortaleza, sem conhecer outra cidade, sem ter ninguém da família por perto.
E ali no Rio, uma pessoa ia marcá-lo para sempre. Uma pessoa que 25 anos depois também ia marcar outro avançado centro brasileiro caído, o Edmundo [música] Animal. Vamos. Essa pessoa chamava-se Eurico Miranda. O cartola mais polémico do futebol brasileiro, vice-presidente do Vasco da Gama nessa época e futuro presidente.
1992, o Jardel estreou-se na equipa profissional do O Vasco, reserva num jogo contra o Olária, no estádio de São Januário. Entrou aos 72 minutos. Aos 85 minutos, marcou o primeiro golo como profissional do Vasco, de cabeça, saltando 2 m do chão. E os adeptos do Vasco gritaram uma palavra que nunca tinha gritado para um avançado-centro, animal, a mesma palavra que o Edmundo tinha escutado do pai com 7 anos.
Mas pro jardida inteira gritou no estádio de São Januário, nessa mesma noite, 1993, Vasco Campeão Carioca, o Jardel titular, 11 golos na campanha, 1994, Vasco Bampeão Carioca, o Jardel melhor marcador da Taça Guanabara com 17 golos, dois golos na final contra o Fluminense. O avançado-centro do momento, o novo animal do futebol brasileiro.
Mas o treinador do Vasco desse ano, Jair Pereira, não acreditava no Jardel. Mandava-o para o banco, criticava-o nas conferências de imprensa, falava que o jardo, que só sabia cabecear, que não contribuía em nada para o jogo coletivo. E os adeptos do Vasco, [música] que tinha animal gritado apenas dois anos antes, agora gritava outra palavra: “Burro! O Jardel pediu para sair e 1995 foi o ano que mudou tudo, porque o Vasco emprestou-o ao Grêmio de Porto Alegre, para outra ponta do país.
E no sul do Brasil, o Jardel encontrou o técnico que o ia transformar em estrela mundial, Luís Felipe Scolari, o futuro Felipão, o futuro campeão do mundial de 2002. Nesse 1995, o Scolar tinha apenas 46 anos, era o técnico do Grêmio e viu o Jardel no primeiro treino e percebeu tudo. O Escolar armou um esquema tático especial, cinco médios, quatro criadores de jogada e um único avançado-centro.
O Jardel com a única missão de cabecear, todas as bolas do Grêmio iam por cima, todas terminavam na cabeça do Jardel e o Jardel transformava-as em golos. O esquema funcionou. 1995, Grêmio Campeão gaúcho. E mais importante, Grêmio Campeão da Libertadores da América, final contra o Atlético Nacional da Colômbia, no Estádio Olímpico de Porto Alegre.
O Jardel marcou o golo do título de cabeça ao minuto 67, saltando mais alto que o defesa colombiano Andrés Escobar Saldarriaga, primo daquele Andrés Escobar que seria assassinado em Medelim pelos 12 tiros do Mundial de 1994. E o Jardel, melhor marcador da Libertadores com 12 golos, um recorde histórico daquela edição, levantou a taça no Olímpico.
Com 22 anos, o Jardel já era uma estrela mundial. O Porto de Portugal comprou-o por 4 milhões e meio de dólares no final de 1995. E ali na cidade do Porto, começou a verdadeira loucura. 30 golos, 26 golos, 36 golos, 38 golos, quatro épocas no Porto, quatro vezes melhor marcador do campeonato português, 1130 golos em 4 anos, o Jardel era uma máquina, era o melhor avançado-centro do mundo, até que chegaram as férias de 1998 e um primo afastado numa churrascaria de Fortaleza, ofereceu-lhe um papelzinho branco. Vamos. Aquele
papelzinho branco tirado na churrascaria do Tião, no bairro da Aldeota de Fortaleza, numa noite de Julho de 1998, era o que ia levar o Jardel, 3 anos depois a consumir [música] substâncias no interior do balneário do Sporting de Lisboa, antes de cada jogo perante os companheiros. Mas ainda faltava para isso.
Aquela noite na churrascaria, o Jardel só experimentou uma linha pequena. Por curiosidade, pela pressão do primo afastado, por estar de férias, o primo chamava-se Augusto. O Augusto era se anos mais velho que o Jardel, tinha trabalhado na pesca durante anos e em 1997 tinha começado a a vender drogas na zona costeira de Fortaleza, saquinhos pequenos, substância de baixa qualidade, cortada com farinha pros turistas que chegavam no verão.
Naquela noite do 22 de julho de 1998, o Augusto e o Jardel estavam na churrascaria do Tião, mesa do fundo, com outros três primos tinham comido picanha, farinha e arroz. Tinham tomado seis cervejas brahma cada um. Estavam na sobremesa, paçoca com guaraná. Quando o Augusto tirou do bolso da calça um papelzinho de seda, abriu ele na frente do jard, mostrou o pó branco e falou para ele seis palavras: “Super Mario, isso aqui vai te agradar.
O Jardel tinha 25 anos, era estrela do Porto, tinha acabado de ganhar a chuteira de bronze da Europa, tinha um contrato de 3 milhões de dólares por ano e naquele momento podia falar não. Podia se levantar, podia ir embora, podia voltar pra casa da mãe e dormir limpo, podia voltar para Portugal sem ter tocado nunca uma droga.
Mas o Jardel falou sim, aspirou a primeira linha de substância da vida dele na mesa da churrascaria do Tião, em Fortaleza, [música] em julho de 1998. E a partir daquela noite, durante as 17 temporadas seguintes, essa droga nunca ia sair do corpo do Jardel. Nunca. Mas no começo, o Jardel pensou que ia conseguir controlar.
Pensou que ia usar substâncias só nas férias, uma vez por ano, 30 dias em Fortaleza. E depois 30 dias trancado no centro de treinamentos do porto em Olival, eliminando a droga do corpo antes de voltar a treinar. Limpo para não cair nos exames antidoping, para não ser descoberto, para continuar recebendo os 3 milhões de dólares por ano.
Isso funcionou três temporadas: 1998, 1999, 2000. E em cada uma dessas temporadas, o Jardel voltava limpo pro Porto. Marcava 36 gols, 38 gols. Ganhava a chuteira de Ouro da Europa de 1999. Era o melhor centroavante do mundo e ninguém em Portugal, nem os companheiros, nem o técnico, nem a diretoria suspeitava de nada.
Até que chegou 2001. E o Jardel assinou contrato com o clube que ia destruir tudo, o Sporting de Lisboa. Mas entre o Porto e o Sporting teve uma temporada na Turquia, uma temporada de se meses que o Jardel tentou apagar da memória. Galatasaray de Istambul, verão de 2000. O clube turco ofereceu para ele 7 milhões de dólares por ano.
Mais casa, mais carros, mais quatro seguranças, mais uma intérprete pessoal que também era prostituta de luxo. Segundo Ita, próprio Jardel contou numa entrevista pro programa Conversa com Bial em 2020. A intérprete se chamava Ain, 22 anos, loira, Diancara. E segundo o Jardel, em seis meses de relacionamento, Ailin apresentou para ele um mundo que ele não conhecia, o mundo dos bordéis de luxo de Istambul, os hotéis cinco estrelas com serviços secretos, as festas particulares com jogadores europeus e mafiosos turcos.
Naquele Galatasaray, o Jardel marcou 22 gols em 30 jogos, suficiente para ser titular do time que ganhou a Supercopa da Europa de 2000, contra o Real Madrid do Casilas, do Roberto Carlos, do Figo e do Raul. Final no estádio Luis Io de Mônaco no dia 25 de agosto de 2000. E o Jardel marcou os dois gols do Galatasaray, 2 a 1 contra o Real Madrid, o Jardel brasileiro vencendo a Supercopa do Real Madrid com duas cabeçadas, na capa do AS, na capa do Marca, na capa de toda a Europa.
Mas seis meses depois o Jardel pediu para sair do Galatasaray. Istambul estava destruindo ele. Ain, a intérprete, apresentou para ele não só a prostituição, mas também as substâncias fortes. Substância injetável. O jard não chegou a experimentar, segundo contou depois, porque tinha pânico de agulhas. Mas a substância de Istambul, segundo ele falou, era cinco vezes mais forte que a portuguesa e o Jardel usava ela seis dias por semana na Turquia.
Até que em maio de 2001, depois de uma briga brutal com a Aen no Hotel Siragan Palace de Istambul, onde a Aen roubou dele 100.000 1000€ em dinheiro do quarto, o Jardel decidiu ir embora e assinou pelo Sporting de Lisboa. Sporting de Lisboa, o clube mais antigo de Portugal depois do Benfica. O clube onde o Jardel ia ganhar a segunda chuteira de ouro da Europa, onde ia marcar 42 gols numa única temporada, onde ia coincidir com o moleque português de 16 anos, que depois seria a maior estrela do futebol mundial, o Cristiano Ronaldo.
E onde, segundo o técnico Las Beloni, o Jardel começou a consumir substâncias no próprio vestiário antes de cada jogo. Nós vamos entender como isso aconteceu. Vamos. Mas tudo o que vem, tudo que você vai saber do Sporting, das substâncias no vestiário, do mundial de 2002 que o Felipão negou para ele, do pai César, morto de infarto em 1997, não é o mais nojento dessa história.
O mais nojento aconteceu no dia 6 de fevereiro de 2008 em Porto Alegre, quando o jardado da Europa, já com o nariz destruído por quase 10 anos de consumo, já com a cabeça cheia de demónios, agrediu na pancada o próprio dono do seu imóvel, um homem chamado Espedito Vasconcelos, no âmbito de uma balada do centro de Porto Alegre, partiu-lhe o crânio, pisou-lhe a cara dele, fê-lo perder um pedaço do osso frontal.
O espedito terminou no Hospital Geral de Fortaleza com um diagnóstico que parecia uma sentença de morte, traumatismo craniano grave, complicado com perda de tecido ósseo. E o jardu 42 dias desaparecido, a Polícia Civil de Porto Alegre procurou-o. A Polícia Civil de Fortaleza procurou-o. Os Os repórteres do Globo Esporte procuraram ele. Ninguém encontrava.
Ninguém sabia onde ele estava. Ninguém sabia se continuava vivo. Hoje vai saber onde o jardou aqueles 42 dias. O que fez? Com quem ficou? E o que aconteceu com o Espedito Vasconcelos, o proprietário do imóvel que quase matou naquela madrugada do dia 6 de fevereiro de 2008. Mas antes há mais uma coisa que precisa de saber, uma coisa que conecta diretamente com a abertura desse vídeo.
Uma coisa do Sporting de Lisboa. Uma coisa que o técnico húngaro Laslo Beloni, hoje com 72 anos, reformado em Bucareste, contou numa entrevista à CNN Portugal em novembro de 2025, uma entrevista onde o Burlon revelou, palavra a palavra, o que via dentro do balneário do Sporting antes de cada jogo do Campeonato de Portugal da época 20012.
Vamos. O Laslo Belceu em 1953 na região da Transilvânia, na Roménia. Foi médio do steal de Bucareste nos anos 70. Campeão da Europa com o Este em 1986 e depois de se reformar tornou-se Catados do futebol mundial. Dirigiu em França, na Bélgica, na Arábia Saudita e entre 2001 e 2002 dirigiu o Sporting de Lisboa em Portugal.
Naquela época do Sporting, o Las Beloni tinha sob o comando dele dois brasileiros que iam marcar a história do futebol mundial. Um chamava-se Mário Jardel, de 28 anos, avançado centro recém-chegado do Galatasaray turco, peça estrela da equipa e outro era um miúdo português de 16 anos chamado Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.
Recém-subido da categoria junnior, lateral direito naquele momento, discreto, tímido. Gago quando estava nervoso. O Buelone viu os dois treinarem juntos durante um ano inteiro. E 23 anos depois, numa entrevista para A CNN Portugal, no dia 12 de novembro de 2025, contou uma coisa que o mundo nunca tinha sabido.
O Belone falou, palavra por palavra, nessa entrevista: “Os pais dos jardólatras”. Esse era o verdadeiro problema. Eu colocava a escalação no quadro com os jogadores ali e o médico sinalizava-me que não era possível jogar com Jardel. faziam o teste para ver se o libertavam para o jogo e ele dava positivo por droga. Cada jogo, cada jogo.
O Buolon viu o Jardel dar positivo por substâncias nos exames médicos antes dos jogos do Campeonato de Portugal da época 20012. Uma e outra vez. Cada jogo do Sporting, cada teste positivo, sem exceção. O médico oficial do Sporting de Lisboa, nessa altura, o Dr. José Luiz Temudo, sabia, o massagista Joaquim Almeida sabia, o preparador físico Pedro Pinto sabia, os quatro auxiliares da equipa técnica sabiam e os 22 companheiros da equipa principal do Sporting também, porque o Jardel não se escondia.
O jard entrava no balneário 1 hora e meia antes do jogo. Ia à casa de banho do fundo, a casa de banho dos visitantes que não se utilizava nos jogos como mandante. E ali, em cima da tampa do vaso, respirava três linhas cortadas com um cartão de crédito. Uma companheira do Sporting que viu tudo aquilo, uma fisioterapeuta chamada Ana Cardoso, de 32 anos em 2002, contou na mesma reportagem da CNN Portugal, de novembro de 2025.
Entrei no banheiro um dia por engano. Pensei que era o WC feminino e vi o jard a consumir. Olhou para mim, sorriu e disse quatro palavras: “Não fala para ninguém”. Não falei para ninguém durante 23 anos. Hoje falo porque já não aguento o peso. O Berlany hablava como se fosse a única testemunha, mas todo o clube partilhava o segredo.
Mas todos calavam porque o Jardel marcava golos e os golos valem mais que a verdade. E o que o Beloni fez? Encobriu. [música] Porque o Jardel era apenas a estrela do equipa, porque o Jardel marcava 42 golos nessa temporada. Recorde histórico do campeonato português, porque sem o Jardel o O Sporting não ganhava campeonatos.
Porque a direcção do Sporting, [música] o Boloni falou na mesma entrevista, sabia e preferia o silêncio em troca dos golos. Uma vez falei com o Jardel, contou o Belone na CNN, vou levar-te comigo para o centro de formação e nós vamos ficar trancados em Alcochete. Você fica no seu quarto, eu no meu.
A gente conversa, come, treina. Eu fazia treinos extra para ver se recuperava. O que saía daquele homem era uma coisa terrível. Passados seis dias, ele falou para mim que não estava bem e que precisava sair, mas que ia voltar. Não voltou. O Jardel saiu do centro de treinamentos de Alcochete depois de seis dias.
voltou pra mansão dele no bairro Restelo de Lisboa. E naquela mesma noite, segundo os relatos posteriores que apareceram no jornal A Bola em 2023, o Jardel ligou para um conhecido português que fornecia droga para ele, um homem chamado Rui, e voltou a consumir na mesma noite que tinha prometido se recuperar, o Boloni nunca denunciou ele.
A diretoria do Sporting nunca denunciou ele. O presidente do Sporting daquela época, Dias da Cunha, nunca denunciou. Todos sabiam, todos calavam, porque o Jardel marcava 42 gols e os gols valem mais que a verdade. E enquanto o Jardel marcava 42 gols naquela temporada, enquanto consumia [música] substâncias antes de cada jogo no vestiário do Sporting, tinha um moleque português de 16 anos que observava tudo.
Um moleque que sentava no canto do vestiário porque era o mais novo. Um moleque que tinha uma irmã mais velha que logo ia aparecer na vida do próprio jard e outro irmão e uma mãe, uma família que o destino tinha colocado ali por uma razão. Vamos. O Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro tinha 16 anos naquela temporada, 2001, 2002. E o técnico Beloni, que tinha visto as condições dele, subiu ele pro time profissional do Sporting em agosto de 2002.
O Cristiano admirava o Jardel, seguia ele pelo vestiário, tentava imitar as cabeçadas dele nos treinos e quando podia se aproximava para conversar com ele. Porque o Jardel, segundo o próprio Cristiano contou depois na autobiografia Moments de 2006, ensinou para ele a técnica da cabeçada, como cronometrar o pulo, como girar o pescoço, como direcionar a bola com a testa.
O Jardel também ensinou outras coisas pro Cristiano. Uma delas, a Pior, apresentou para ele a irmã mais nova, a Jordana. A Jordana, a irmã mais nova do Jardel, morava em Lisboa desde 1999. Tinha 18 anos em 2002. Era bonita, morena, de olhos verdes. O Cristiano Ronaldo, 16 anos, se apaixonou pela Jordana na primeira vez que viu ela num jantar na Casa do Jardel.
E segundo a Jordana contou numa entrevista pro programa Globo Esport, em 2017, eles ficaram juntos três meses como casal, três meses de jantares, de passeios pelo Tejo, de beijos no bairro Alfama de Lisboa. Mas a família Aveiro, os pais do Cristiano, não aprovaram o relacionamento. A Dolores Aveiro, a mãe, falou pro Cristiano que a Jordana era brasileira, que era irmã de um homem com problemas de drogas, que ia destruir a carreira dele.
E o Cristiano, que naquele momento só tinha 16 anos e obedecia tudo que [música] o que a mãe Dolores falava, terminou o relacionamento. A Jordana voltou pra Fortaleza dois anos depois, em 2004, sem ter virado cunhada do Cristiano Ronaldo, sem ter casado, sem ter filhos. Hoje mora com Jardel na cafeteria pequena que ele tem no bairro Aldeota de Fortaleza e ajuda ele a atender os clientes.
A irmã que podia ter sido a sogra do melhor jogador do mundo, atendendo mesas, servindo café com 51 anos pela sombra do irmão. Mas a sombra do Jardel ainda não tinha crescido por completo naquela temporada do Sporting. O jardinda era estrela, ainda recebia 2 milhões de euros por ano. Ainda morava numa mansão de três andares no bairro Restelo.
Ainda tinha duas Ferraris e uma Porsche e ainda se sentia intocável. Até que em maio de 2002, o Luís Felipe Scolari, o mesmo Felipão que tinha transformado ele em estrela no Grêmio, ligou para ele e deu para ele a notícia mais dolorosa da carreira dele. Vamos. 14 de maio de 2002, 3 da tarde, horário do Brasil.
O Luís Felipe Escolari, naquele momento técnico da seleção brasileira, anunciou a convocação dos 23 jogadores que iam disputar o Mundial da Coreia e do Japão. E entre os nomes convocados não estava o Mário Jardel. O jard estava na mansão dele de Lisboa quando viu a lista pela televisão ao vivo direto do Rio de Janeiro.
Estava sentado no sofá de couro italiano da sala. Tinha preparado as malas durante semanas. Tinha a camisa amarela do Brasil passada e guardada. Tinha a ilusão de ser titular no Mundial. E a lista do Felipão tinha o Ronaldo, o Rivaldo, o Ronaldinho gaúcho, o Luizão, o Edilson, mas não tinha o Jardel.
Chuteira de ouro da Europa, artilheiro do Campeonato Português com 42 gols, único brasileiro com duas chuteiras de ouro na história e deixado de fora do mundial. O Jardel ligou pro Felipão naquela mesma tarde. A ligação ficou gravada, apareceu depois no livro Filipão por Felipão. Autobiografia do técnico publicada em 2010. E naquela ligação, o Jardel perguntou pro Filipão uma única pergunta.
Por quê? O Felipão respondeu: “Palavra por palavra: “Porque você não está em condições? Porque sua cabeça não está bem? Porque a droga te tem destruído? Porque eu não posso te levar para um mundial sabendo o que sei. Não te vou humilhar dizendo isso na conferência de imprensa. Mas entre ti e mim, essa é a verdade.
Tem cuidado, Mário. Se cuida, se o jard desligou a ligação e, segundo contou depois na entrevista ao Globo Desporto em 2014, nessa tarde meteu três sacos de droga, um atrás do outro, aspirando até sangrar do nariz. e dormiu no sofá da sala, sem comer, sem falar com ninguém, sem atender o telefone, três dias inteiros sem levantar do sofá.
Enquanto Barçal, o O Brasil ganhava o quinto mundial na Coreia do Sul. Enquanto irritar o O Ronaldo, o Rivaldo e o Ronaldinho levantavam a taça em Yokohama. Enquanto e a família Jardel em Fortaleza, olhava para a final pela televisão, sem o Jardel, sem o filho, sem o irmão. O Jardel fez a última época dele no Sporting de Lisboa em 2002, 2003.
Marcou cinco golos. Cinco. 15 meses antes tinha marcado 42. O corpo já não respondia. As substâncias tinham destruído o sistema cardiovascular e o Sporting dispensou ele no final de 2003. A partir daí, a carreira do Jardel foi caindo. Inglaterra, Bolton, Itália, Ancona, Espanha- Bolton, Argentina, Newels, Austrália, Newcastle, Chipria, Nortosis, Bulgária, Beroi, Arábia Saudita e finalmente o regresso ao Brasil, onde ninguém o queria, onde ninguém pagava ele, onde o avançado-centro, que tinha ganho duas chuteiras de ouro da Europa,
acabava por jogar em clubes de terceira divisão, mas a verdadeira tragédia não estava no campo. campo. A verdadeira tragédia estava numa casa de fortaleza. Vamos. 15 de outubro de 1997. Sábado, 17h20, casa da família Almeida Ribeiro, em Fortaleza. O César Ribeiro, o pai do jard, está sentado no cadeira de baloiço da varanda tomando cachaça com limão.
64 anos, 40 anos a beber todos os dias. O corpo já não aguenta mais. O César sente uma dor no peito, se levanta-se, caminha dois passos para dentro da casa e cai no chão. A Maria de Fátima, a esposa, está na cozinha. Quando ouve o barulho, sai. Vê o marido caído no chão, com a cara roxa, a boca aberta, não respira.
A Maria liga pró Samu. A ambulância demora 47 minutos para chegar. A Maria, entretanto, senta o César numa cadeira, abana-o com um jornal, grita o seu nome. Quando chega o SAMU, os paramédicos fazem os procedimentos de reanimação. 20 minutos, mais nada. O César está morto. Enfarte fulminante. O Jardel naquele momento estava no porto.
Tinha marcado dois golos naquela tarde pelo Porto frente ao Vitória de Setúbal. Ligaram-lhe para o telemóvel depois do jogo. O irmão mais velho, George Jardel. Mário, o papá morreu. Volta logo. O Jardel regressou, apanhou o primeiro voo de Lisboa para Fortaleza, chegou ao velório e nesse velório, segundo contou depois a irmã Jordana pro jornalista Roberto Maltique do Globo em 2007, o Jardel não chorou, não falou, não comeu, sentou-se do lado do caixão do pai durante 17 horas, sem se mexer, olhando.
Quando enterraram o César no cemitério São João Batista de Fortaleza, no dia 16 de outubro de 1997, o Jardel aproximou-se do túmulo e deixou um objeto, um objeto pequeno, brilhante, um troféu de bronze, a bota de bronze da Europa que tinha ganho dois meses antes no Porto. Deixou-a [música] ali em cima do túmulo e falou duas frases em voz alta, frases que só a A Jordana escutou.
Pai, eu trouxe-a. Eu trouxe-a para tu veres, para tu saberes que eu sou bom. Mesmo que tenha sempre falado que eu não servia para nada. Mesmo que tenha sempre falado que eu não servia para nada, o César Ribeiro, o pai durante toda a infância e adolescência do Jardel, tinha falado para ele que o futebol era coisa de gente sem futuro, que ele tinha de trabalhar como operário tal como ele, que ia fracassar e o Jardel durante a vida inteira tinha jogado futebol para mostrar ao pai o contrário, para que o pai o visse, para que o pai aceitasse
ele. Mas o pai morreu nesse dia 15 de Outubro de 1997, sem o ver, sem o aceitar, sem abraçá-lo. E nove meses depois, naquela churrascaria do Tião de Fortaleza, o Primo Augusto ofereceu pro Jardel o primeiro papelinho de substância. Não foi coincidência, foi luto, foi dor. Foi o filho órfão procurando alguma coisa que aturdisse o silêncio do pai, que nunca mais voltou.
11 anos depois, em fevereiro de 2008, esta dor não tinha parado, só tinha crescido. E aquele mês de Fevereiro, o Jardel ia fazer uma coisa numa discoteca do Porto Alegre que o ia marcar para sempre. Uma coisa que o jornal Zero Hora de Porto Alegre publicou na capa do dia 7 de fevereiro de 2008 com foto, com nomes e com sangue. Vamos.
6 de fevereiro de 2008, quarta-feira. 3:50 da madrugada, discoteca Hard Times Pub, na rua General Vitorino, número 347, no bairro Cidade Baixa de Porto Alegre. Uma balada frequentada por jogadores, empresários, gente da noite gaúcha. O jard 10:30 da noite, 5:20 bebendo. Whisky importado, marca Johnny Walker Black Label, acompanhado por duas mulheres jovens e por um homem.
Um homem que se chamava Espedito Vasconcelos. O Expedito tinha 53 anos. Era o dono do imóvel onde o Jardel morava em Porto Alegre. Alugava para ele um apartamento no bairro Moinhos de Vento desde 2006, quando o Jardel tinha voltado pro Brasil depois da passagem pela Europa. O espedito era amigo do Jardel. Iam juntos para Jogos do Grêmio, iam juntos para jantares.
E aquela noite do 6 de fevereiro, o espedito tinha acompanhado o Jardel pra balada Hard Times. Para comemorar. Comemorar o quê? O Jardel acabava de assinar um contrato com anortos famagusta do Chipre. 300.000€ por 6 meses, a última oportunidade do Jardel de jogar na Europa. Mas naquela madrugada, dentro da balada, alguma coisa aconteceu.
Alguma coisa entre o Jardel e o Expedito. E a versão oficial, a que apareceu depois no boletim de ocorrência número 14.326/2008, 326/2008, feito na quinta delegacia de polícia civil de Porto Alegre, fala o seguinte: “Às 3:54 da madrugada, o Jardel e o Espedito começaram a discutir na mesa VIP da balada.
A discussão, segundo o depoimento das duas mulheres que estavam com eles e de três testemunhas a mais foi por dinheiro. O espedito cobrava do jard 3 meses de aluguel atrasado, aproximadamente R$ 15.000. O jard bêbado, com substâncias no sistema, respondeu pro espedito que não ia pagar, que se o espedito queria o dinheiro que cobrasse na justiça.
O expedito se levantou, caminhou em direção ao jard, pegou ele pela gola da camisa e falou cinco palavras, segundo o depoimento juramentado da mulher chamada Roberta Souza, uma das duas acompanhantes daquela noite. O espedito falou pro jard: “Mário, não me faz de bobo. O jard se levantou e bateu no espedito um soco na cara.
O espedito caiu no chão da balada. A cabeça bateu contra uma mesa de mármore do Hard Times e o jard em vez de parar se aproximou do corpo do espedito caído no chão e agrediu ele no chão, na cabeça, [música] na cara, tão forte que causou uma lesão grave no osso frontal do crânio. Ou os seguranças da balada intervieram, separaram o jardo do espedito, chamaram o samu.
O espedito estava inconsciente, sangrando pelo nariz e pela boca. A Polícia Militar chegou 11 minutos depois e o Jardel, enquanto a a polícia chegava, fez uma coisa que define tudo de nojento dessa história. O jardiu pela porta dos fundos da balada Hard Times, caminhou até a rua de trás, pegou um táxi e sumiu 42 dias.
42 dias sem ninguém saber onde o jard estava. Enquanto o Expedito Vasconcelos agonizava na cama do Hospital Geral de Fortaleza, com um diagnóstico que parecia sentença de morte. Traumatismo craniano severo, complicado com perda de tecido ósseo, sem possibilidade de acordar do como induzido. Enquanto a família do Expedito esperava o pior desfecho, enquanto a Polícia Civil de Porto Alegre procurava ele sem descanso.
Onde o Jardel ficou esses 42 dias? E qual foi a verdade escondida daqueles dias que só apareceu em 2025, 17 anos depois, numa entrevista de um exjogador do Grêmio que rompeu o silêncio? Vamos. A Polícia Militar [música] de Porto Alegre chegou na balada Hard Times Pub às 4:1 da madrugada, 11 minutos depois do momento em que o jard tinha agredido o espedito [música] Vasconcelos, encontraram o espedito ainda no chão da balada.
inconsciente, sangrando pelo nariz, pela boca e pelo ouvido esquerdo. O SAMU chegou 2 minutos depois. O expedito foi levado pro Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Sirene ligada, quatro paramédicos trabalhando dentro da ambulância. E quando chegou no hospital, às 4:20 da madrugada, os médicos do HP, esse fizeram um primeiro diagnóstico que ficou gravado na ficha de entrada.
Paciente com traumatismo craniano severo. Perda de tecido ósseo na região frontal do crânio. Hemragia interna. Prognóstico reservado. Às 6 da manhã do 6 de fevereiro de 2008, o espedito Vasconcelos entrou em coma induzido. Os médicos abriram o crânio dele numa cirurgia de emergência que durou 9:35. Tiraram um fragmento de osso de 4 cm qu do osso frontal, costuraram a dura mat, drenaram 3 ml de sangue do cérebro e levaram ele pra unidade de terapia intensiva.
E naquele mesmo momento, enquanto o espedito estava em cirurgia, enquanto a família do dono do imóvel esperava do lado de fora do centro cirúrgico do HPS, o jard ia a 220 km/h pela BR290 do Rio Grande do Sul. Num Volkswagen Gol emprestado por um amigo rumo à fronteira com o Mato Grosso do Sul, com o celular desligado, com o passaporte no porta-luvas, com R$ 5.
000 em dinheiro e com dois saquinhos de substância para aguentar a viagem. Para onde o jard foi? Quem escondeu ele? Como conseguiu desaparecer durante 42 dias sem que a polícia conseguisse encontrar ele? A resposta só apareceu em 2025, 17 anos depois. Numa entrevista que o ex-jogador do Grêmio, Paulo Nunes, companheiro do Jardel na Libertadores de 95, deu pro podcast Charla Reta do jornalista Mauro Naves. Vamos.
Paulo Nunes, o companheiro de ataque do Jardel no Grêmio, o outro centroavante da dupla infernal que ganhou a Libertadores de 1995. O Paulo Nunes, 60 anos, hoje comentarista do Premiere, deu uma entrevista pro podcast Charla Reta no dia 18 de agosto de 2025 e ali revelou palavra por palavra, onde o Jardel ficou os 42 dias depois do ataque ao Expedito.
O Paulo Nunes contou naqueles dias, em fevereiro de 2008, o Jardel me ligou da fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Estava numa chácara abandonada perto de Ponta Porã. Uma chácara de um primo distante, sem água corrente, sem luz elétrica, só com um poço e um gerador. O Mário estava ali escondido e pediu ajuda para mim.
Eu mandei dinheiro para ele pelo banco três vezes, R$ 10.000 cada vez. Mandava para uma conta de um irmão dele, pro jard conseguir comer e comprar combustível. Mas o dinheiro, segundo contou o Paulo Nunes, não foi usado para comer, foi usado para comprar mais substâncias. O Jardel, durante os 42 dias na chácara de Ponta Porã, consumiu aproximadamente 4 kg de substâncias paraguaias, 4 kg de substâncias em 42 dias, 2,5 kg por mês, uma quantidade que mataria qualquer pessoa normal.
Mas o jard sobreviveu e quando soube por uma ligação pro irmão Jorge em Fortaleza, que o espedito Vasconcelos tinha saído do coma, no dia 15 de março de 2008, depois de 38 dias de inconsciência, o Jardel decidiu voltar não para se entregar pra polícia, para fugir da chácara, para voltar pra fortaleza, para se esconder na casa da mãe.
19 de março de 2008, o jardiu da chácara de Ponta Porã, dirigiu 32 horas seguidas até Fortaleza. Chegou na casa da Maria de Fátima, no bairro Aldeota, às 9 da manhã do 21 de março, 42 dias depois da noite da balada Hard Times. O que aconteceu depois? Aqui é onde a história fica ainda mais nojenta, porque quando o Jardel chegou em Fortaleza, encontrou o Espedito Vasconcelos no hospital geral da cidade, transferido de Porto Alegre, recém acordado do coma, com a cabeça enfaixada, com um pedaço de crânio de plástico colocado pelos cirurgiões e vivo, vivo, o que o jard
fez? Pediu perdão, visitou o expedito no hospital, pagou as despesas médicas. Vamos, não foi nenhuma das três coisas. O Jardel fez uma coisa pior. Mandou um advogado, o Dr. Rodolfo Sanchez, pro Hospital Geral de Fortaleza. E o Dr. Sanchez conversou com a família do Expedito e ofereceu R$ 80.000. R$ 80.
000 paraa família retirar a denúncia que tinham apresentado na quinta delegacia de polícia civil de Porto Alegre. para que o espedito assinasse uma declaração falando que ele mesmo tinha provocado o jard, que ele tinha caído sozinho da mesa de mármore, que não tinha tido agressão. A família do Expedito, segundo a reportagem publicada pelo jornal Zero Hora, em março de 2008, aceitou: “Precisavam do dinheiro.
” As despesas do HP, esse somavam mais de R$ 60.000 R e o Hospital Geral de Fortaleza pedia pagamento adiantado para continuar o tratamento. Sem os R$ 80.000 do jard, o expedito não podia receber as próximas cirurgias de reconstrução craniana. O expedito assinou a declaração e o processo contra o jard ficou arquivado em março de 2009 por falta de provas, por retirada da denúncia da própria vítima.
O espedito Vasconcelos morreu 3 anos depois. No dia 22 de novembro de 2011, morreu de complicações das sequelas do traumatismo craniano, crises epiléticas constantes, perda de memória e, finalmente, um derrame cerebral fulminante. Tinha 56 anos quando morreu. Deixou dois filhos órfãos. Uma pensão miserável da previdência social e um processo contra o jardu reativar.
Porque a declaração assinada em 2008 com os R$ 80.000 era irreversível. O Jardel nunca foi pra cadeia pela morte do Expedito Vasconcelos. Nunca pagou nada aquilo a mais pra família. nunca visitou o túmulo, nunca falou o nome do Expedito em nenhuma entrevista pública. E enquanto o Espedito morria em Fortaleza em 2011, o Jardel já estava pensando em outra coisa, entrar na política, uma coisa que parecia impossível para um homem com um processo por violência e rumores de droga.
Mas no Brasil, naqueles anos, tudo era possível. Vamos, 2014. O Jardel tinha acabado de se aposentar do futebol profissional. Tinha 41 anos, morava em Porto Alegre com a segunda esposa, Sandra, e um dia de maio recebeu uma ligação de um ex-companheiro da Libertadores de 95, Danley de Souza, o ex-goleiro do Grêmio. Em 2014, o Danley era deputado federal do Rio Grande do Sul pelo PSD, o Partido Socialdemocrático.
O Danley ofereceu pro Jardel uma proposta, quatro palavras que iam mudar tudo. Quero que seja deputado, deputado estadual do Rio Grande do Sul. O PSD precisava de um nome forte para as eleições de outubro de 2014. Um nome conhecido, um ídolo do Grêmio. E o Jardel aceitou. Fez uma campanha de 4 meses sem discursos, [música] sem debates, apenas aparições nos estádios do Grêmio durante os jogos, cumprimentos para a claque, fotos no Twitter.
E no dia 5 de outubro de 2014, o Jardel foi eleito deputado estadual do Rio Grande do Sul, com 42.612 votos, sem ter aberto a boca em política. O Jardel mudou-se para Assembleia Legislativa de Porto Alegre em fevereiro de 2015, com um salário de 32.000€ por mês. Mais uma verba parlamentar de 120.000$ por mês para pagar aos assessores.
Mais escritórios, mais viagens, mais privilégios. E ali na assembleia, em fevereiro de 2016, tudo explodiu. A Polícia Federal do Rio Grande do Sul abriu uma investigação contra o Jardel. Três acusações. A primeira, o peculato. O Jardel tinha gasto dinheiro público em despesas pessoais, 47.000 em restaurantes, R$ 19.
000 em hotéis, R$ 14.000 R$ 1.000 imposto sobre a gasolina para um carro que não era oficial. A segunda acusação, rachada. O Jardel tinha contratado cinco assessores fantasmas, pessoas que recebiam do estado, mas não trabalhavam e devolviam 80% do salário pro jardinheiro. Cada mês, aproximadamente R$ 90.000 R devolvidos em dinheiro mês a mês durante um ano inteiro.
A terceira acusação, a mais grave, tráfico de estupefacientes. Um assessor do Jardel, um homem chamado Cláudio Melo, tinha sido apanhado pela polícia com 200 g de pessoas no carro oficial da Assembleia. E o Cláudio Melo, no interrogatório, tinha dito que a substância era pro jardo pessoal. No dia 22 de fevereiro de 2016, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul votou a cassação do mandato do Jardel.
33 votos a favor da cassação, 17 contra, mandato cassado, bens bloqueados por ordem judicial e um processo penal aberto que continua a correr até hoje. O jardu tudo, a casa de Porto Alegre, os dois automóveis, as contas bancárias, R milhões deais bloqueados pela justiça e a imagem pública destruída para sempre. Mas a queda não tinha terminado, porque 6 anos depois, em 2022, o Jardel ia tomar uma decisão que o ia humilhar na frente de todo o Brasil.
Uma decisão que a massa adepta do Grêmio nunca o perdoou e que o selecionador Felipão numa entrevista pro programa Roda Viva chamou-lhe a maior traição do futebol gaúcho dos últimos 50 anos. Vamos. Março de 2022. O Jardel completava 48 anos, sem trabalho, sem dinheiro, com os bens bloqueados desde fazia 6 anos, com uma esposa Sandra, que pedia ajuda económica aos irmãos para pagar a luz e a água.
com a mãe Maria de Fátima, alcoólica em Fortaleza, necessitando de cuidados e medicamentos, com a irmã Jordana sem trabalho, com o filho Mário Jardel Júnior, tentando ser jogador profissional sem sucesso. E nesse mês de março, uma produtora portuguesa, a Indemol Shine Aberia, fez uma proposta para ele. participar no programa Big Brother famosos de Portugal.
60 dias confinado numa casa com 15 participantes famosos. Câmaras 204 horas por dia. Pagamento 200.000 €. O Jardel aceitou. O programa teve início no dia 2 de maio de 2022 e desde o primeiro dia, o jard tornou-se o motivo de chacota de Portugal. Falava português com sotaque brasileiro carregado. Chorava todas as noites.
Falava que sentia falta da mãe. Confessava pormenores do seu passado com drogas. Falava do Sporting, falava do Porto, falava do Cristiano Ronaldo e os outros participantes do Big Brother, jovens portugueses de 20 e poucos anos, tiravam sarro dele na cara, à frente das câmaras, com audiências de 3 milhões de pessoas a olhar cada noite.
Uma participante em particular, a Bárbara Parada, 26 anos, ex-miss Portugal, pegou no pé ao jard. No episódio de 15 de maio de 2022, durante um jantar em casa do Big Irmão, a Bárbara disse ao Jardel, palavra a palavra, uma frase que depois foi replicada em todas as redes sociais portuguesas e brasileiras.
Você não é uma estrela. [música] És um velho bêbado que vive de recordações. Eu não tinha nascido quando ganhou os seus troféus e à minha sobrinha de 12 anos não sabe quem é. O jard na câmara chorou durante 15 minutos seguidos, sem parar, com a cabeça entre as mãos, enquanto os outros participantes gozavam e enquanto 3 milhões de portugueses olhavam-no chorar nas casas deles.
A claque do Sporting de Lisboa, que o tinha venerado 20 anos antes, fez memes com o choro dele. Inventaram um apelido para ele. Jardel Chorão. O chorão. E o apelido pegou. Três semanas depois da humilhação da Bárbara Parada, no dia 26 de maio de 2022, o Jardel teve um ataque de pânico dentro da casa do Big Brother.
Às 4 da manhã, sozinho na cama, começou a gritar o nome do pai César. Por favor, pai, não me deixa-o sozinho. Não me deixa sozinho. As câmaras gravaram tudo. A produtora The Mall Shiney Iberria, chamou o psicólogo do programa. O psicólogo entrou às 5 da manhã e aplicou um calmante intramuscular no jardim. Na manhã seguinte, o jard tentou abandonar o programa voluntariamente.
A Indemol não deixou. Tinha um contrato assinado por 60 dias. Se ele saísse antes, tinha de devolver os 200.000€ e o jard não tinha como devolver. ficou 22 dias a mais, até que o público expulsou -lo por votação no dia 9 de junho. No no dia 9 de junho de 2022, o jardulso do Big Brother por votação do público com 79% dos votos contra.
Saiu da casa com 200.000€ sim, mas com a imagem destruída, ainda mais destruída. Se isso era possível, e aqui está o pormenor que poucos sabem. Aqueles 200.000€ 1000€ segundo contou o Jardel numa entrevista pro Globo Esporte em setembro de 2025, o Jardel gastou em duas coisas. 50.000€ pagaram dívidas em atraso no Porto Alegre e os outros 150.
000€ o Jardel utilizou para comprar a cafetaria pequena no bairro da Aldeota de Fortaleza. A cafetaria onde hoje, com 52 anos, se serve café aos turistas. A cafetaria que se chama Café do Super Mário, com a foto do jardar na parede e com a mãe Maria de Fátima sentada no canto a beber vinho todos os dias, desde as 8 da manhã até às 11 da noite.
E ali, servindo café aos turistas que passam por aldeota, servindo às mesas, cobrando R$ 6 por um café com leite, vive hoje o único brasileiro da história que ganhou duas chuteiras de ouro da Europa. Mas antes de fechar esta história, tem uma verdade final. Uma verdade que liga tudo o que escutou hoje. Vamos. 4 de setembro de 2025.
O Jardel concedeu um entrevista para o programa Desporto Espetacular da Globo. Uma entrevista de 52 minutos gravada na cafetaria Café do Super Mário, no bairro da Aldeota de Fortaleza, com a Maria de Fátima, 80 anos, sentada ao canto a beber vinho branco às 10 da manhã. E nessa entrevista, o Jardel falou uma frase que fechou tudo.
Uma frase que o repórter Cásio Barco transcreveu palavra por palavra. Uma frase que hoje é o resumo de toda esta história. O Jardel falou: “Por tudo o que fiz, já podia estar morto, mas eu estou vivo. E enquanto for vivo, vou cuidar da única pessoa que cuidou de mim quando eu era miúdo, minha mãe. Mesmo que ela hoje não me reconheça metade do tempo, mesmo que ela hoje esteja sempre embriagada, mesmo que ela hoje seja exatamente o que fui há 20 anos, vou cuidar dela.
Porque quando eu tinha 7 anos naquela casa do bairro de Montisei, ela estava sempre bêbada também. E eu cuidava dela. Eu aquecia o arroz para ela, eu carregava os meus irmãos, eu limpava o vómito do chão com 7 anos. E agora com 52, continuo a fazer a mesma coisa. Carregando a mãe que me trouxe ao mundo, carregando a mulher que nunca foi capaz de me carregar, carregar a mãe que nunca foi capaz de te carregar.
Esta é a frase do jard. Essa é a sentença e essa é a verdade final desta história. Uma verdade que liga tudo e que você precisa de escutar para perceber porque é que o Jardel com 415 golos, duas chuteiras de ouro da Europa e uma vida inteira de glória, acabou por servir café numa pequena cafetaria de Fortaleza. Vamos. O miúdo Jardel em 1980, na rua Padre Anchieta, 312, do bairro Montessa, carregava as mãe alcólatra todos os dias.
levantava-a da cama quando ela vomitava às 11 da manhã. Aquecia o arroz quando ela não conseguia levantar-se às 2 da tarde. Limpava o chão quando ela se mijava em cima às 4 da tarde, deitava-a na cama quando esta desmaiava às 9 da noite com 7 anos, com 8 anos, com 9 anos, com 10 anos, a infância inteira. E aquele miúdo vigar enquanto carregava a mãe prometia uma coisa.
Uma promessa que só o Jardel fez para si próprio. Uma promessa que nunca partilhou com ninguém. A promessa era esta: vou ser jogador de futebol. Eu vou ganhar milhões de dólares. Vou tirar a minha mãe daqui. Vou comprar uma casa grande para ela. Eu vou contratar médicos para ela. Eu vou curá-la. O Jardel cumpriu as quatro primeiras partes da promessa.
Foi jogador de futebol, ganhou milhões de dólares. tirou a mãe da casa da rua Padre Ancheta, comprou uma casa grande para ela no bairro Cocó de Fortaleza, contratou médicos para ela, mas a quinta parte curar ela não conseguiu cumprir, porque enquanto o Jardel ganhava a Bota de Ouro da Europa em 1999 e 2002, a mãe Maria de Fátima continuava tomando cachaça em Fortaleza.
Enquanto o Jardel marcava 42 golos no Sporting de Lisboa, a mãe bebia cachaça em Fortaleza. Enquanto o Jardel consumia substâncias no balneário do Sporting, [música] a mãe tomava cachaça em Fortaleza. Enquanto o Jardel quase matava o espedito Vasconcelos na balada do Porto Alegre, a mãe bebia cachaça em Fortaleza e, enquanto o Jardel se escondia 42 dias na quinta da Ponta Porã, enquanto gastava R 2 milhões de reais do estado do Rio Grande do Sul, enquanto era humilhado no Big Brother famosos de Portugal, a mãe em Fortaleza
continuava a tomar. Hoje, 2025, 80 anos, a Maria de Fátima já não bebe cachaça, toma vinho branco, cinco garrafas por dia. A Maria de Fátima tem cirrose hepática em fase terminal. Os médicos deram-lhe se meses de vida em Agosto de 2025. E o Jardel na cafetaria Café do Super Mário, no bairro da Aldeota, servindo café aos turistas, cuida da mãe alcoólica que está a morrer, igual ele cuidava quando tinha 7 anos na rua Padre Ancheta.
Carrega-a para o banheiro, aquece o arroz para ela, limpa o chão, deita-a na cama, levanta-a, carrega-a com 52 anos, o mesmo com sete. E aqui está a Bergos e até à questão final. A questão que fecha esta história. Quem destruiu o Mário Jardel? A droga foi consequência? A fama foi uma consequência? A política foi uma consequência? Todas foram efeitos.
Mas a causa esteve sempre na mesma casa pequena da rua Padre Anchieta, no bairro de Montese de Fortaleza. Foi a Maria de Fátima, a mãe alcoólica que nunca o conseguiu abraçar. A mãe que esteve embriagada em cada aniversário do Jardel, em cada jogo, em cada golo, em cada chuteira de ouro. A mãe que nunca falou: “Amo-te, filho? Estou orgulhosa de você. A mãe que só tomava”.
E o Jardel, sem o saber, dedicou a sua vida inteira a procurar o amor daquela mãe. Por isso, marcou 415 golos. Por isso, ganhou duas chuteiras de ouro. Por isso, ganhou a Libertadores. Para que ela olhasse para ele, para que ela abraçasse ele, para que ela falasse: “Mário, tu é o melhor filho do mundo”.
Ela nunca falou, nunca vai falar, porque agora com 80 anos, com cirose terminal, a Maria de Fátima já não consegue falar mais de 3 minutos seguidos sem desmaiar. E quando fala, a única coisa que pede é mais vinho. E o jardhens assim nesse preciso momento. Homens que cresceram carregando um pai alcoólico, uma mãe alcoólica, um irmão doente, uma família inteira que não conseguia se carregar.
Homens que aprenderam desde miúdos que o amor era serviço, que ser filho era ser enfermeiro, que ser homem era nunca chorar, que ser forte era não precisar de ninguém. Estes homens estão em qualquer lugar, em Fortaleza, em São Paulo, no Recife, em Porto Alegre, em Belo Horizonte, em cada bairro, em cada quarteirão, em cada casa pequena pintada de branco descascado, transportando alguém que nunca os carregou.
E estes homens encontram, por vezes, saídas escuras, as substâncias, o álcool, a política, as apostas, as mulheres que cobram por hora, a violência contrairo primeiro que cruza com eles num dia mau. Mas a dor de fundo é a mesma. Querer ser amado por uma mãe que nunca conseguiu amar. Querer ser visto por um pai que nunca conseguiu olhar.
Querer escutar? Eu amo-te, filho. De uma boca que nunca falou estas três palavras. Se tem um filho varão, hoje é o dia de falar. Eu amo-te, filho. Estou orgulhoso de você. Não espera pelos 40 anos. Não espera os 50. Não espera que o filho ganhe 415 golos para lhe dizer que vale a pena. Fala hoje, agora.
Mesmo que pareça estranho, mesmo que custe, mesmo que o o seu próprio pai nunca tenha falado para si, porque o jardo só existe uma vez. E se não escutam estas três palavras da mãe ou do pai quando são miúdos, vão procurá-las a vida inteira em locais escuros, no pó branco de um papelinho de seda, no aplauso de um estádio, na capa de um jornal desportivo, no voto de 42.
000 1 pessoas nas câmaras de um Big Brother português. E nenhum aplauso do mundo, nenhuma chuteira de ouro, nenhum mundial, nenhum milhão de dólares pode substituir o abraço de uma mãe que nunca conseguiu abraçar. Se esta história te tocou, liga para alguém que conhece hoje. Não amanhã, hoje. E se tem um filho varão, diz-lhe que o ama, mesmo que seja por mensagem de texto, nem que seja com duas palavras, porque enquanto lê isto, tem milhões de jardindo café em pequenas cafetarias, carregando mães alcólatras, procurando o
amor que nunca receberam. E a única forma de quebrar esta corrente é falar para o seu próprio filho hoje as três palavras que o Mário Jardel nunca escutou da Maria de Fátima. Se inscreve no canal Estrelas Caídas porque na próxima semana vamos contar a história de outro homem que teve tudo e perdeu tudo.
Um pugilista mexicano que foi campeão do mundo por seis vezes, que matou um homem no ringue em frente ao 52.000 pessoas, que acabou por vender tacos numa esquina de Tijuana com 60 anos. O seu nome era Chiquita Gonzales e a história dele ainda te vai doer mais.