A QUEDA DE CHICO ANYSIO: AMORES FRACASSADOS, DÍVIDAS, BRIGA COM FILHO E DEPRESSÃO

A QUEDA DE CHICO ANYSIO: AMORES FRACASSADOS, DÍVIDAS, BRIGA COM FILHO E DEPRESSÃO

Olá,  eu sou o Mateus. Sejam todos bem-vindos ao canal Detetive das Celebridades. Foi um dos maiores génios da comédia brasileira, um artista completo, ator, argumentista, imitador e criador de mais de 200 personagens inesquecíveis. Mas por detrás do humor acutilante e do sorriso fácil, havia um homem em colapso.

Chico Anísio foi casado seis vezes e um desses casamentos seria o início da sua ruína, psicológica, emocional e financeira. Ele próprio dizia: “Foi o maior erro da minha vida”. Brigas familiares, traições, confissões chocantes. Por que razão Chico excluiu o próprio filho do testamento? Qual era o vício secreto que lhe drenou a fortuna? e o que realmente aconteceu nos seus últimos dias de vida.

Hoje as cortinas abrem-se para revelar o Chico Anísio que poucos conheciam, o génio, o homem e os seus segredos mais obscuros. Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho nasceu a 12 de abril de 1931 em Maranguape, no interior do Ceará. Desde pequeno que já demonstrava uma inteligência acutilante e um humor natural que chamava a atenção até dos adultos.

Mas A sua infância esteve longe de ser tranquila. O seu pai era dono de uma pequena empresa de autocarros e durante um incêndio devastador perdeu toda a sua frota. A família, que vivia com um certo conforto, mergulhou em dificuldades financeiras da noite para o dia. Esse episódio marcaria Chico profundamente. Em busca de uma vida melhor, Chico, o seu mãe e os seus irmãos mudaram-se para o Rio de Janeiro.

O pai ficou no Ceará para tentar recuperar a sua empresa. No Rio de Janeiro, o jovem Francisco passou a viver no subúrbio enfrentando privações. Sonhava em ser advogado, mas o talento artístico falou mais alto. Durante um teste na Rádio Guanabara, algo aconteceu. Ao improvisar uma piada para aliviar a tensão, o Chico fez todos os rirem.

Aquele instante mudaria o rumo de a sua vida. O locutor deu lugar ao humorista e nascia aí um talento raro. Nos anos 50, conquistou espaço na televisão. Chegou a trabalhar em duas emissoras, na TV Tupi e na TV Rio. Chico transformava as dores da vida em humor, como se rir fosse a sua forma de sobreviver. Em 1969 foi contratado pela Rede Globo e ele se transformou num verdadeiro fenómeno.

Chico Anísio criou mais de 200 personagens, cada um com voz, três jeito e universo próprios. Entre eles o professor Raimundo, o Bzó, o Painho, o Bento Carneiro, Alberto Roberto, Justo Veríssimo, entre outros. O seu programa Chico City estreou em 1973 e tornou-se um sucesso absoluto. Depois vieram Chico Anísio Show, Estados Anísios de Chico City e o lendário Escolinha do Professor Raimundo, onde reuniu alguns dos maiores talentos do humor brasileiro.

Nos bastidores, Chico era conhecido como um perfeccionista incansável. trabalhava dia e noite rever guiões, testando piadas e exigindo a excelência de todos. Ele dizia: “Eu não faço humor para rir, faço humor para pensar”. Durante mais de duas décadas, Chico reinou soberano na Globo, mas a partir da segunda metade dos anos 1990, o cenário começou a mudar.

Em novembro de 1997, com a saída de Bone da direção da Globo, Chico começou a perder espaço na emissora. No mesmo ano, um acidente grave que lhe provocou a fratura da mandíbula afastou-o ainda mais das gravações. Na verdade, este afastamento já vinha sendo anunciado há anos. Em 1989, tinha desabafado a revista Veja, criticando o facto de a Globo estar a dar prioridade aos mais jovens e deixando de lado quem construiu a sua história.

Com o tempo, o brilho do passado deu lugar ao silêncio dos bastidores. Em 2009, aos 77 anos, Chico admitiu à Folha de São Paulo, que já se estava até a habituar a ficar no frigorífico. Ou seja, o Chico era contratado, mas não trabalhava. Era o fim de uma era. Chico, além de humorista, é escritor, pintor e participou em novelas e filmes.

Ele se considerava um rapaz tímido e preferia ficar em casa. E segundo o seu amigo Carlos Alberto de Nóbrega, Chico era o cara mais carrancuda que conheceu, mas tinha um coração enorme. Chico Anísio não foi apenas um homem de muitos personagens, foi também um homem de muitos amores e muitos casamentos. Ao longo da vida, casou seis vezes.

O seu primeiro casamento foi com a atriz e comediante Nancy Vanderley, com quem teve Lug de Paula, o eterno seu boneco, da escolinha do professor Raimundo. Depois veio Rose Rondelli, mãe de Nizo Neto e Rico Rondelli, dois filhos que herdaram também o talento artístico do pai. Chico viveu ainda uma relação com Regina Chaves, ex-membro das frenéticas, com quem teve Cícero Chaves, que trabalhava como DJ, mas ele, infelizmente, faleceu jovem aos 39 anos e mais tarde casou com Alion Mazeo, mãe do ator e argumentista Bruno Mazeu. E

claro, ouve Zélia Cardoso de Melo, a mulher que mudaria completamente o rumo da sua história, mas essa história merece um capítulo à parte. Já na maturidade uniu-se à empresária Malga de Paula, com quem permaneceu até ao fim da vida. Chico adotou também André Lucas, a quem criou como filho. Nos bastidores, Chico Anísio também viveu conflitos familiares profundos.

O mais doloroso foi com o filho Lug de Paula, o eterno o seu boneco da escolinha do professor Raimundo. Pai e filho tinham uma relação difícil, quase não se falavam e quando se encontravam discutiam. Com o tempo, Lug afastou-se completamente, dizendo aos familiares que o pai dele já tinha morrido para ele.

O Chico ficava magoado, pois sempre o considerou o seu filho mais talentoso. Num momento de raiva e mágoa, Chico decidiu tirá-lo do testamento. Três meses depois, Chico foi internado em estado grave e faleceu sem ter tempo para desfazer o gesto. Lugareceu ao velório do pai. O testamento acabou sendo anulado pela justiça, uma vez que não incluía o nome de Lug e deixava mais de metade dos bens à viúva, Malga de Paula, incluindo um apartamento de luxo avaliado em R milhões de reais em Copacabana.

Os filhos ficaram com o património intelectual do humorista, mas até hoje a família e a viúva ainda travam uma batalha judicial pela herança. Chico é irmão da falecida atriz Lupe Gigliote e é tio do ator Marcos Palmeira e da atriz e encenadora Sininha de Paula. Chegou o momento decisivo, o casamento que mudou a vida de Chico Anísio para sempre.

Vinham de mundos completamente diferentes. Ele, o génio do humor popular, ela a mulher mais poderosa da economia brasileira. Zélia Cardoso de Melo ficou conhecida em todo o o país como a ministra do polémico Plano Color, aquele que confiscou a poupança dos brasileiros em 1990 e mergulhou milhões de famílias no desespero.

Temida por uns, admirada por outros, Zélia era vista como uma mulher fria, calculista e inacessível, a personificação do poder. Mas o destino tinha outros planos. Anos depois de deixar o ministério, foi convidada para uma participação especial no escolinha do professor Raimundo. Zélia contaria mais tarde que após a gravação foram os dois jantar e ali nasceu uma ligação improvável.

O artista e a economista se encantaram um pelo outro, mesmo pertencendo a universos opostos. Via nela a inteligência e a firmeza. Ela via nele sensibilidade e genialidade. O casal tornou-se notícia em todos os jornais e alguns amigos do Chico tentaram alertá-lo para não casar com ela. E por ironia do destino, o homem que mais fez rir o Brasil casou com a mulher que mais fez chorar o Brasil.

E Chico teve dois filhos com Zélia, que cresceram a viver com conforto e luxo nos Estados Unidos. Segundo Carlos Alberto de Nóbrega, amigo íntimo de Chico, enquanto Zélia vivia num apartamento luxuoso em Nova Iorque, Chico vivia de forma simples num apartamento barato e Zélia não o deixava entrar na casa dela.

Chico não estava a adaptar-se nos Estados Unidos e passava perrengues financeiros. Carlos Alberto dizia não perceber para onde foi toda a fortuna de Chico, aquele império construído ao longo de décadas de trabalho e sucesso. E o próprio Chico confidenciava aos amigos que aquele casamento acabou com a sua saúde física, emocional e financeira.

O humorista acabou por voltar para o Brasil enquanto Zélia permaneceu nos Estados Unidos com os dois filhos. Para Chico, aquela relação seria o marco da a sua ruína pessoal. E ele próprio diria anos depois, foi um erro casar com ela. Contra a Zélia, mas cada um Não, tudo contra o Zé. Não, não tudo. Fui a casa do Chico, gente, quando estava em Nova York, Parque do Avenil.

Parque Avenil, que é o local mais caro, talvez do mundo. Do mundo. Ele pagava 2.000 aluguel. O aluguer do do apartamento dele. Ela ficou lá. Não, ela foi viver para lá. Ela foi viver. E foi viver há 1 hora médio de Nova Iorque, que eu fui a casa dele lá, ele estava sozinho. É, por causa daquela mulher. Eles tm um gémeos, certo? Tem.

É, não são gémeos. São gémeos. Acho que são gémeos. Portanto, eu sei o quanto ele sofreu que ele perdeu tudo o que tinha. Ela tem um temperamento muito forte. Tem, certo? Está viva. Ela tem um temperamento muito forte, não é? Epá, isso é uma coisa inédita aí. Tudo quanto a demais sagrado. Nunca vou perdoar esta mulher porque vê o Chico Anizo atirado para um canto como eu vi.

O génio de Chico Anísio sempre caminhou lado a lado com a dor. Atrás do riso havia um homem doente, frágil e exausto, lutando há décadas contra o próprio corpo e a própria mente. Nos anos 1990, um acidente grave afastou-o da televisão. Chico caiu e fraturou a maxilar, ficando meses em recuperação. A partir dali, a sua saúde começou a tornar um obstáculo constante.

Chico desenvolveu enfizema pulmonar por fumar demais, mas o cigarro não foi o seu único problema. Tinha outro vício bem extravagante, o de comprar cavalos de raça, muitos deles importados. Chegou a manter um aras com cerca de 80 animais, o que acabou por drenar grande parte de a sua fortuna.

Segundo o seu filho, Niso Neto, o Chico era hipocondríaco, acreditava estar sempre doente e vivia rodeado de medicamentos, médicos e diagnósticos. Pagava inclusive um farmacêutico para ir todas as semanas à sua casa aplicar-lhe injeções. Adorava cirurgias. Dizia que se sentia revigorado após cada uma, como se o bisturi fosse uma forma de renascer.

Mas por detrás desta rotina havia algo mais profundo, a depressão. Durante 24 anos, Chico travou uma batalha silenciosa contra a doença. Num vídeo gravado para o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, confessou com a voz embargada: “Sou depressivo. Se não tivesse feito tratamento, não teria feito 20% do que fiz na vida”.

Foram anos de medicamentos, terapias e recaídas, mas também de resistência e trabalho. Mesmo quando parecia fraco, Chico continuava a criar, a escrever e a sonhando com novas personagens. Em dezembro de 2010, a sua saúde finalmente cobrou o preço. Foi internado com falta de ar, diagnosticado com obstrução das artérias coronárias e submetido a uma angioplastia.

Passou 109 dias internado, a maior parte na UCI. Teve alta em março de 2011 e surpreendeu o público ao regressar à TV pouco depois, no Zorra Total, interpretando a sua personagem Salomé em um diálogo fictício com a presidente Dilma Roussef. Mesmo debilitado, ele insistia em trabalhar, mas o corpo não resistiu.

Em novembro de 2011, voltou a ser internado por infecção urinária. Depois, uma hemorragia digestiva, seguida de infecção pulmonar e falência renal. No dia 23 de março de 2012, aos 80 anos, Chico Anísiio morreu no Hospital Samaritano no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla de órgãos. O velório decorreu no Teatro Municipal do Rio, aberto ao público.

Milhares de fãs, amigos e artistas compareceram para despedir-se do homem que transformou a dor em riso. O Chico pediu para ser cremado, com parte das cinzas enviadas para Maranguape, sua cidade natal, e outra parte levada para os estúdios da Globo, onde a sua alma artística permaneceria para sempre. Deixou bens, dívidas e disputas familiares, incluindo a polémica de ter excluído o filho Lug de Paula do Testamento.

Mas o que realmente deixou foi um legado incomensurável, o de um homem que fez o Brasil rir enquanto lutava todos os dias contra a depressão. No final das contas, Chico Anísiio foi um génio que fez o mundo rir enquanto chorava por dentro. De todos os papéis que viveu, o mais difícil foi ser ele próprio. Se você gostou deste vídeo, não se esqueça de se subscrever e deixar o seu like.

Até a próxima.

 

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