OS LUXOS ABSURDOS ABANDONADOS POR JESSÉ APÓS A SUA MORTE | ASSIM FOI SUA VIDA E MORTE  tl

OS LUXOS ABSURDOS ABANDONADOS POR JESSÉ APÓS A SUA MORTE | ASSIM FOI SUA VIDA E MORTE  tl

Há vozes que o brasileiro ouve uma vez e nunca mais esquece. A saudade lembra de recordações santas. Aquele tipo de voz que sai do rádio do carro num domingo de manhã e faz-nos baixar o volume da conversa para prestar atenção. Aquela voz que entrava no Fantástico no final dos anos 80 e prendia a família inteiro no sofá depois do almoço.

Porto Solidão na palmada da minha mão. Com aquele vozeirão que parecia vir de dentro da terra, voa a liberdade. Eu voar à sua altura agarrado à cintura, a passar nas FMs no meio da década. Solidão de amigos que cantávamos no carro sem sequer saber bem de quem era. Pois é, tudo isto é o mesmo cantor. O seu nome é Gessé, um dos maiores intérpretes que este país já teve.

 Só que há uma parte desta história que ainda dá um aperto no peito. 29 de março de 93, madrugada, estrada do interior paulista. Um Ford Escortível azul a 190 porh perde o controlo numa curva e capota dentro do carro Gessé 40 anos. Voz no auge, não resiste. Numa curva o Brasil perdeu uma das vozes mais potentes que já tinha produzido.

Jessé sofreu um traumatismo craniano e foi transferido aqui para a Santa Casa de Ourinhos. O cantor não resistiu e morreu hoje, ao início da tarde. E aí começa o que ninguém acabou de entender direito. O que resta dele? Onde foi parar esta fortuna? Que dizem por aí? Por se falar em luxos absurdos abandonados e por o Brasil ter deixado esta voz cair no esquecimento? Para responder isso, precisamos de voltar bem antes do acidente para uma casa de pastor evangélico em Brasília.

 Senta-se no sofá, pega num café, que esta história merece ser contada por inteiro. A história começa em Niterói, 25 de abril de 1952. Jessé Florentino dos Santos nasce numa família evangélica, pai pastor presbiteriano, mãe sergipana, casa simples, vida arregrada pela igreja. Aos 6 anos, a família faz as malas e desce para Brasília.

 A capital ainda tava a erguer-se e é ali, no meio daquela cidade nova, de poeira vermelha e quadras numeradas, que o menino vai crescer. A música entra na vida dele pela porta da igreja. Não tinha como ser diferente. O pai pregava, a mãe cantava nos cultos e o pequeno Jessé desde cedo era empurrado para cantar junto, tímido, encarando aquele público de fiéis com vergonha, mas cantando os hinos que o pai escolhia.

Sou influenciado pela música desde quando ouvia os meus pais cantar, não é? E cantavam em igreja. A minha família toda evangélica, ve família evangélica. E o pai foi a primeira pessoa a perceber. antes do próprio menino, antes de qualquer professor, antes de qualquer um, o pai descobriu que aquele filho tinha um dom.

 Aos 10 anos, Jessé já tocava órgão e guitarra, acompanhava os hinos, fazia o ofício sozinho. Aos 13 era do coro da igreja. Tudo caminhava pelo caminho que o pai sonhava, o púlpito, o ministério, a vida pastoral. Só que aos 14 veio a primeira rotura. O rapaz montou uma banda de baile. 24 de Junho de 66, primeiro baile fora da igreja.

 Tocou contra baixo, divertiu, recebeu o primeiro aplauso de um público que não tinha vindo rezar. E quando a notícia chegou ao pastor, a resposta foi seca. Jessé estava proibido de cantar e tocar nos cultos. A luta muda entre pai e filho começou ali e ia durar a vida inteira. Aos 22 anos, tomou a decisão que não tinha volta a dar.

 Pegou a mala e desceu para São Paulo. Era 1974, cidade enorme, cantor desconhecido, sonho grande no peito. Começou como Kruner de discoteca, cantando de madrugada para a mesa cheia de whisky, ganhando o que dava para pagar a renda. Pouco a pouco foi entrando em banda. Corrente de força primeiro, depois placa luminosa.

 Foi com a placa luminosa que ele gravou demasiado velho. É que estou a ficar velho demais. Demasiado velho. Tema da novela sem lenço, sem documento da Globo. A música tocou na novela inteira. Ninguém na rua sabia que era ele. E aí entra um pormenor desta história que pouca gente conhece. Nos anos 70 havia uma moda no Brasil de cantor adotar nome em inglês para parecer importação americana.

 Vendia mais, ficava mais chique. Jessé entrou nessa onda. Primeiro tornou-se Christie Berg em 76. Depois tornou-se Tony Stevens. Como Tony Stevens, ele fez sucesso fora do país, vendeu um disco no México, Itália. Uma das suas músicas em inglês até se tornou tema de uma novela da TV Tupi. E ele assistia àquilo da poltrona de casa, ouvia a sua própria voz na televisão e ninguém na rua, ninguém na padaria, ninguém no autocarro apontava para ele.

 Era famoso e invisível ao mesmo tempo. Anos de estúdio, anos de bastidores, anos de cantar sob o nome de outrem. O Brasil ouvia a voz dele sem saber, até que ele cansou. E em 1980 tomou uma decisão que ia mudar tudo. Resolveu inscrever-se num festival de televisão usando o nome de batismo, o verdadeiro nome, Gessé.

 E o que decorreu nessa noite no auditório da Globo ninguém esperava. 1980, auditório da Rede Globo Lotado, Festival MPB Shell, um dos eventos mais importantes da música brasileira naquela década o Brasil parava em frente da televisão para acompanhar e entre os candidatos desse ano tinha um cantor que ainda ninguém conhecia direito.

Subiu ao palco para interpretar Porto Solidão, composição de Zeca Bahia e Jinco. E depois aconteceu uma coisa difícil de explicar. Quando aquele homem abriu a boca, todo o auditório travou. Aó encheu o estúdio de uma forma que não tinha tido em festival nenhum até ali. Era grave, era potente, estava cheia, parecia que vinha de dentro da terra.

 Os jurados entreolharam-se. O público ficou em silêncio até à última nota. E quando terminou, o aplauso veio em onda. Jessé venceu o festival Shell daquele ano como o melhor intérprete. No domingo seguinte, a voz dele entrou no Fantástico a cantar Voa Liberdade. E foi aí que o Brasil inteiro descobriu o cantor de uma só vez.

 De norte a sul, toda a gente perguntando quem era aquele homem da voz absurda. A coisa não parou. 1981, voltou ao festival Shell e ganhou de novo, melhor intérprete pela segunda vez seguida. Agora com a música Estrela Reticente. Em 82, o álbum Volume 3 trouxe a Solidão de Amigos, que rebentou nas rádios de todo o país.

 A gente punha o rádio do carro de domingo para fazer as compras e a música estava lá tocando, mas o ápice ainda estava por vir. 1983, Festival da Canção da OTI, organizado pela Organização das Televisões Iberoamericanas em Washington, nos Estados Unidos. Um dos festivais de música mais importantes da América Latina.

 Cantor brasileiro a disputar com cantor mexicano, argentino, espanhol, português. E Jessé subiu para cantar Estrela de Papel, uma parceria sua com o artista plástico Elifas Andreato. E aí aconteceu o que quase nunca acontece em festival. Gessé não ganhou um prémio nessa noite, ganhou três. Melhor intérprete, melhor canção, melhor arranjo, os três principais.

 Numa noite só num festival fora do Brasil, foi a consagração internacional. A partir dali, tornou-se figura constante na televisão brasileira. Globo de ouro, fantástico. Programa de auditório, 12 álbuns gravados em Vida. Alguns deles duplos, como O sorriso ao pé da escada e Sobre Todas as Coisas, discos de Ouro, Show lotado em todo o lado.

 Em 1989, chegou a viajar para os Estados Unidos para gravar um LP em Nashville, capital do country americano. Em entrevista da época, Jessé deu uma definição própria para aquele dom que tinha. Ele dizia que sentia-se mais um instrumentista do que um cantor, que a voz era o instrumento dele e que quando cantava sentia uma grande extensão dentro do peito.

 Uma voz que parecia maior do que ele próprio. Frase dele. Uma voz maior do que eu e quem ouvia compreendia exatamente o que ele queria dizer. Só que tinha um pormenor neste auge que pouca gente da época percebeu. Enquanto o público enchia o show e comprava um disco, a crítica musical especializada do Brasil torcia o nariz.

Chamava a Jessé cantor brega, não levava-o a sério. Existia uma divisão muito clara naquela época entre a MPB, que os críticos consagravam, Caetano, Chico, Gil e a MPB, que o povo realmente ouvia na rádio. GC ficou do lado popular, o lado que vendia, mas não recebia a coluna de jornal elogiosa. Esta divisão silenciosa que parecia pormenor na época e apesar de muito anos depois, quando ele morresse e ninguém da grande crítica se mexesse para preservar a memória.

 Parecia tudo certo na vida do Jessé. Prémios na parede, voz no Fantástico, multidão no concerto. Mas no fim dos anos 80, o vento começou a virar. E a viragem não veio só do mercado fonográfico, veio de dentro dele. O fim dos anos 80 foi cruel com muito artista brasileiro. O mercado discográfico estava virando rapidamente. O sertanejo universitário começava a tomar conta das rádios.

 Roberto Carlos consolidava o trono no romântico e o estilo do Jessé, aquela MPB de voz potente, festival de televisão, balada vigorosa, começou a ficar fora de moda. Não era culpa da voz dele, era o gosto do país que estava mudando. A sua editora na altura, a RGE, apercebeu-se do movimento e quis empurrar o Gessé para o sertanejo.

 chamou -lhe numa reunião e propôs que ele gravasse novo repertório encaixado na onda que estava a vender. Jessé recusou. Disse que não ia abandonar o que ele era. Briga feia, rutura. E Jessé fez o que pouca gente teria coragem de fazer naquele momento da carreira. Saiu da grande gravadora e fundou um selo próprio independente, batizado de luz.

Em 1992, lançou pela editora própria o álbum Raizes, disco honesto, com a voz dele toda, sem repertório imposto, mas sem grande alavanca comercial, sem grande aposta de divulgação. As rádios já estavam cheias de outras coisas. O disco passou quase em silêncio e tinha uma outra coisa a rolar na vida dele que ninguém o entendia bem.

 Gessé adorava velocidade, adorava conduzir depressa, adorava motas, adorava carro potente. E em 1990, 3 anos antes do fim, já tinha dado o primeiro aviso. Sofreu um acidente de motociclo em alta velocidade, capotou na estrada, quase morreu. Ficou um tempo se a recuperar e quando voltou voltou conduzindo do mesmo jeito.

 Em 1992, 7 meses antes do acidente final, Gessé deu uma entrevista ao Clodovil Hernandes na televisão. E o Clodovil, que era acutilante nas perguntas, olhava bem nos olhos dele e perguntou-lhe diretamente: “Você corre muito. Adora a velocidade? Estás a fugir de alguma coisa?” E Jessé respondeu a uma frase que ninguém percebeu na hora.

 Olhou para o Clodovil e falou: “Eu corro bastante de mim também”. 7 meses depois, na madrugada de 29 de março de 1993, entrou no carro pela última vez. A história foi a seguinte: Jessé tinha um concerto marcado para a noite desse dia em Terra Rica, no interior do Paraná. Saiu de São Paulo cedo no Ford Escort XR3 descapotável azul dentro do carro ele dirigindo.

 A esposa Rosana Cozer, grávida de 5 meses sentada ao lado e o técnico de som Valmir Capelo, no banco de trás, já tinham passado da cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo quando aconteceu. velocidade próxima dos 190 porh. Autoestrada secundária, curva fechada à frente. Jessé não conseguiu segurar o carro.

 O scorte capotou violentamente na pista, ficou destruído. O socorro chegou rápido. Os três foram levados para o hospital regional de Ourinhos. Rosana sobreviveu, mas perdeu o bebé dias depois. Walmir, o técnico de som, também escapou com vida. Jessé sofreu traumatismo craniano grave, foi internado em estado irreversível. E por volta do meio-dia, desse mesmo 29 de março, foi confirmada a morte cerebral.

40 anos completaria 41 anos no dia 25 de abril, menos de um mês depois. Teve fraturas por todo o corpo e perdeu o bebé. Jessé sofreu traumatismo craniano e foi aqui transferido para a Santa Casa de Ourinhos. O cantor não resistiu e morreu hoje, no início da tarde. A notícia espalhou-se rápido pelas rádios e pela televisão.

 O Brasil acordou no dia seguinte sabendo que tinha perdido o cantor dos Porto Solidão, Velório em Santo André, em São Paulo. Sepultamento no cemitério de Getseman. No início, o corpo seria transferido depois pró cemitério sagrado. Coração de Jesus, na mesma cidade. Família destruída, fãs em choque, esposa hospitalizada, bebé perdido.

 O caixão fechou, as manchetes ocuparam os jornais durante uns dias e aí começou uma história que ninguém esperava. A história do que ficou para trás, ou melhor, do que dizem que ficou para trás. Desde 1993, quando o caixão fechou em Santo André, começou a circular no Brasil uma história que sobreviveu até aos dias de hoje, que o Gessé tinha deixado luxos absurdos abandonados, que tinha mansão escondida nalgum canto do país, que tinha fortuna oculta em conta, que existia uma herança gigante à espera que alguém ponha a mão. A pesquisa nos cartórios e nos

registos públicos conta uma história bem diferente. Não tem mansão registada em nome dele, não tem quinta, não tem frota automóvel, não tem cofre de jóias em banco. Nos anos de maior sucesso, em que ele estava a ganhar os festivais e a tocar no Fantástico, Jessé vivia em casas alugadas em São Paulo. Casas comuns sem ostentação.

 O único veículo que aparece confirmado nos registos públicos é o Ford Scort XR3 descapotável azul, o mesmo do acidente. Pega neste contraste para entender o tamanho da história. Gessé vendeu mais de 1 milhão de discos no Brasil. Ganhou três prémios numa só noite num festival nos Estados Unidos. Encheu o auditório durante mais de uma década e quando morreu não tinha uma única casa registada no nome dele.

 O luxo abandonado dele nunca foi material, foi a voz. Agora entra outra parte desta história que pouca gente conhece. Jessé deixou seis filhos reconhecidos, seis, de relações diferentes em momentos diferentes da vida. Os nomes são Diva, Rebeca, David, Marcelo, Vanessa e Jéssica. Vanessa e Jéssica chegaram a seguir a carreira musical depois, mas o caso da Diva é o mais curioso.

 Em 2020, 27 anos depois da falecimento do pai, Diva Marques Mendonça Santos, então com 50 anos de idade, conseguiu comprovar a paternidade através de exame de ADN. confirmação científica de que era filha do Gessé. E quando isso se tornou oficial, ela tomou uma decisão que surpreendeu toda a gente. Ela quis renunciar à herança, não quis pegar nada.

 Disse à imprensa que só tinha procurou a justiça para ter o nome do pai reconhecido, não para disputar bem nenhum, mas a juíza responsável pelo caso vetou a demissão. Olha que pormenor interessante. A juíza explicou que os direitos de autor das músicas não se extinguem por renúncia de um herdeiro. Quem é herdeiro de cantor com obra registada continua herdeiro mesmo querendo abdicar.

 O processo segue até hoje, sem resolução pública conhecida. Quer dizer, a única herança real do Gessé não está em mansão, não está em jóia, não está em conta bancária, está nas músicas, nos direitos de autor que continuam a render cada vez que o Porto A solidão toca em algum lugar do mundo. E aí vem a parte mais triste de tudo.

 Hoje no streaming, as músicas dele somam dezenas de milhares de ouvintes mensais para um cantor que vendeu 1 milhão de discos, que venceu o festival da Globo por duas vezes, que arrebatou três prémios em Washington. É um número modesto, presença, sim, mas não a popularidade. Não tem documentário oficial sobre Gessé, não tem biografia publicada por grande editora, não tem museu, não tem espaço cultural, não tem programa de televisão dedicado, as fitas master de programas antigos de auditório, os vídeos de espectáculos,

as entrevistas, tudo isto descansa em algum arquivo de emissora ou em coleção particular. Sem se tornar acervo público acessível, o túmulo em Santo André é simples. Lápide modesta, sem visitação organizada, sem placa, contando a história do homem que está ali em baixo. Aí fica a pergunta que ninguém respondeu direito até hoje.

 Como é que um tipo que ganhou o que ganhou, que cantou o que cantou, que tinha uma das vozes mais potentes da música brasileira, tornou-se nota de rodapé na própria história do país? A pergunta fica suspensa no ar. Como é que isso aconteceu? Como é que um cantor deste tamanho tornou-se esquecimento? A resposta não é simples e tem várias camadas que se somaram.

 A primeira é a mais óbvia e a mais cruel. Jessé morreu cedo demais aos 40 anos, sem ter tempo para envelhecer no ofício, sem ter tempo para fazer aquela carreira longa-metragem que constrói memorial sozinha. Cantor que chega aos 70, 80 anos, vai sendo recordado pela própria presença, vai dando uma entrevista, vai sendo regravado, vai sendo homenageado em vida. Jessé não teve esse tempo.

 A vida dele parou na curva de ourinhos num momento em que ainda estava a se reinventando. A segunda razão é aquela divisão silenciosa de que falámos antes. A A crítica musical brasileira nunca abraçou o Gessé, torceu sempre o nariz e quando morreu foi essa mesma crítica que em geral decide quem fica na história e quem desaparece.

 Caetano vira a matéria de capa de revista. Chico vira a tese de doutorado. Jessé, que enchia um auditório, não teve ninguém de peso na crítica, defendendo o seu nome depois da morte. E tem uma terceira camada que pesa também. Não houve uma família organizada, uma fundação, uma estrutura cuidando da memória. A herança virou processo, os direitos de autor viraram disputa e entretanto, as fitas iam envelhecendo no arquivo, os espectáculos iam saindo de circulação e o nome ia-se apagando lentamente.

 Mas há uma coisa que continua viva, mesmo no esquecimento, a obra Porto Solidão continua lá à espera quem quiser ouvir. Voa Liberdade está no streaming. Basta um clique. Solidão de amigos, estrela reticente, estrela de papel. Tudo acessível para quem procura. A voz dele continua exatamente onde ele deixou.

 Numa das últimas entrevistas que deu, Jessé disse uma frase que faz mais sentido hoje do que na época. Ele disse que se sentia um pastor que pregava com a música, que a igreja do Pai virou o seu palco e que cantar era a forma que ele tinha encontrado de cumprir a missão. No final, cumpriu mesmo. Pregou toda a vida com aquela voz absurda.

 O problema é que o Brasil deixou de escutar. E talvez seja essa a reflexão que sobra desta história toda. O verdadeiro luxo nunca foi a mansão que não teve, a fortuna que ninguém encontrou, os bens que dizem ter sido abandonados. O luxo abandonado foi a voz, foi o legado, foi a obra de um dos maiores intérpretes que este país já produziu.

 E essa sim ficou ali parada, à espera que alguém queira ouvir de novo. A boa notícia é que hoje, com um clique, qualquer um pode resgatar isso. Botar Porto Solidão para tocar no carro indo para o trabalho. Ouvir voa liberdade no auricular fazendo caminhada. mostrar aos filhos quem era este homem que cantava como se a voz fosse maior que o próprio peito.

 Talvez seja por isso que alguém precisa de contar essa história outra vez, de vez em quando. E aí fica uma pergunta para si que chegou até aqui. Qual destas três músicas do Gessé toca mais forte no seu coração ainda hoje? Porto Solidão, voa liberdade ou Solidão de Amigos? Escreve aí em baixo nos comentários. Eu vou ler todos.

 Se esta história tocou-te de algum jeito, deixa o teu like, subscreve o canal, ativa o sininho. Aqui no Simon Flix, a gente conta a história completa dos grandes nomes que este Brasil produziu, sem pressa, sem corte, da forma que merece ser contado. E no próximo vídeo a gente mergulha na vida de outro nome inesquecível da música brasileira, outro história de glória, de queda e de coisas que pouca gente sabe até lá.

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