Descartado Sem Piedade Após 32 Anos: A Verdade Obscura Que a Globo Escondeu Sobre Faustão. Aos 76 anos, silenciado e a sobreviver com o coração de um estranho após quatro transplantes agonizantes, descubra o trágico segredo dos comprimidos diários e a traição cruel que destruiu o maior gigante da televisão.
FAUSTÃO aos 76 anos Como VIVE hoje é TRISTE — GLOBO o tirou
Fausto Silva, 76 anos. Todas as manhãs, antes de qualquer outra coisa, ele junta na palma da mão punhado de comprimidos em cima do lavatório, medicamentos que ele vai tomar todos os santos dias para o resto da vida, para que o coração que bate dentro do peito dele não seja rejeitado pelo próprio corpo.
Esse mesmo homem entrou na sala da sua casa todos os domingos durante 32 anos. falava alto, ria alto, não ficava quieto um segundo. Hoje vive no silêncio, refeito por dentro com quatro órgãos que um dia foram de outras pessoas. E há uma coisa que pouca gente parou para pensar muito antes do corpo dele falhar. Antes de qualquer cirurgia, já lhe tinham tirado a única coisa que fazia o Faustão ser o Faustão.
O microfone, o palco, o domingo. E quem tirou isso tinha um nome, tinha um cargo e tinha uma sala dentro da Globo. Por fizeram-lhe isso logo ele depois de 32 anos de casa. É isso que eu te vim contar. Olha, eu passei umas três semanas mergulhado nesta história juntando entrevista, boletim de hospital, o que a sua própria família falou.
E vou dizer-lhe com sinceridade, é muito mais pesada do que aparece por fora, porque nos próximos minutos vou-te mostrar quatro coisas e quero que que guarde cada uma delas. A despedida bonita que a Mobo lhe prometeu e que no fim nunca deixaram acontecer. 32 anos de domingo e nenhum adeus. Vou-te mostrar porque é que aquele punhado de remédio todas as manhãs hoje vale mais para o Faustão do que qualquer dinheiro que ele ganhasse na vida inteira.
Vou falar-te de um rapaz de 35 anos, um ladrilhador lá de Santos, um homem simples que o Faustão nunca viu na vida e que mesmo assim é o motivo dele estar a respirar agora. E lá pro final, vou contar-te a frase que este homem disse a chorar dentro de um quarto de hospital. A frase que resume tudo o que ele virou hoje.
Fica comigo, vês? Porque esta história não viu contada assim em lado nenhum. Então, olha como é a vida deste homem hoje, agora, em 2026. Começa cedo no quarto com aquele punhado de comprimido que te falei. Todos os dias, na mesma hora, toma os medicamentos que impedem o corpo dele de rejeitar os órgãos que recebeu.
Se ele se esquecer, se atrasar, se falhar uma única vez, o próprio corpo pode começar a atacar o coração que está a bater ali dentro. Pensa nisso por um segundo. Acordar todo o santo dia, sabendo que a sua vida cabe dentro de uma caixinha de medicamentos, que não dá para errar nenhum dia, que não tem feriado, não há folga, não há amanhã eu tomo.
Este é o Faustão de agora, o homem que comandava 3 horas de televisão em direto, sem guião, sem medo de nada. Hoje vive na régua de um relógio e de um potinho de plástico. E não é só o remédio, é a comida pesada e medida. É o cansaço que chega rapidamente. É o cuidado com qualquer gripe tola. Por quê? Para um corpo como dele uma infecção que para tu e para mim seria coisa de três dias pode tornar-se uma tragédia.
O homem que parecia indestrutível, que aguentava a maratona de gravações, que derrubava gente nova. Hoje precisa de medir cada passo que dá. E isto para quem foi o que ele foi, é das coisas mais difíceis de aceitar. Para que sinta o tamanho do que este corpo aguentou, vou-te dar um número. Guarda-o. Quatro. Em dois anos, o Faustão passou por quatro transplantes: o coração, um ri, o fígado e mais um ri.
Quatro órgãos costurados dentro de um homem com mais de 70 anos. No meio disto, uma infeção tomou conta dele inteiro e começou a desligar o corpo por dentro, um pedaço de cada vez. Esteve mais de três meses internado, só da última vez, e mesmo assim saiu vivo, saiu a andar para fora do hospital. Eu vou contar-te como cada uma destas batalhas aconteceu daqui a pouco, com data, com lugar, com tudo.
Mas por enquanto segura apenas essa imagem. Um homem de 76 anos vivo depois de quatro transplantes. Isso quase não acontece. E agora atenção, porque aqui está o fio que segura toda esta história. Um destes órgãos, o mais importante deles, veio de um rapaz que o Faustão nunca tinha visto na vida. Um homem simples que morreu muito jovem.
Eu guardei essa parte para o final. E quando eu te disser, vai entender por que razão o Faustão chora até hoje quando se lembra dela. Por enquanto, guarda apenas uma coisa na cabeça. O coração que lhe bate no peito não nasceu com ele. E quem ficou ao lado do O Faustão, no pior de tudo, foi a Luciana. Luciana Cardoso, a esposa que está com ele desde 2002.
Antes de se tornar mulher do apresentador mais famoso do Brasil, a Luciana era modelo, fez capa de revista daquelas que se viam na banca, depois estudou jornalismo e foi trabalhar para os bastidores da televisão, na produção. E foi aí a trabalhar que ela conheceu o Faustão. Casaram numa festa que juntou a fina flor da televisão brasileira e de lá para cá, mais de 20 anos.
Ela esteve do lado dele. Foi ela que segurou a casa, os filhos, o medo, as madrugadas no hospital. Foi ela que viu bem de perto o marido regressar da beira da morte por causa do gesto de uma família que ela nem conhecia. E talvez seja por isso que até hoje a Luciana faz questão de lembrar a todos de uma coisa.
No meio do desespero, com o marido internado e a vida por um fio, ela criou uma página na internet com um nome que diz tudo, Faustão do meu coração. E não era para falar de fama, nem de mexericos, era para contar a história de gente comum, como você e como eu, que também passou por transplante.
E para pedir uma coisa só, que mais brasileiros se tornassem doadores de órgão. Ela aprendeu, segurando a mão do marido num quarto de hospital, que uma palavra um sim pode trazer alguém de volta. Guarda esse pormenor também, porque ele volta no fim e quando voltar vai apertar-te o peito. E os filhos, o Faustão tem três, a Lara, a mais velha, de um casamento anterior, e o João Guilherme e o Rodrigo, filhos com a Luciana.
O João, em particular herdou o caminho do pai. Hoje apresenta um programa na Band, precisamente na estação onde o Faustão trabalhou por último. O menino que cresceu a ver o pai comandar o domingo do Brasil está agora na frente das câmaras transportando o sobrenome Silva na televisão. E o João já falou numa entrevista uma coisa bonita.
Disse que dinheiro do pai não é dinheiro dele, que ele quer construir o seu próprio caminho com as próprias mãos. Quer dizer, enquanto o pai recupera em silêncio, longe dos holofotes, é o filho que mantém o nome aceso no pequeno ecrã. E há uma coisa neste contraste todo que aperta o coração de verdade.
A casa do Faustão é hoje uma casa silenciosa. Pensa na ironia disto. O homem que era o maior barulho da televisão brasileira, que enchia o domingo do país de gritaria, de música, de público de pé, hoje vive rodeado de silêncio. O silêncio do quarto de manhã cedo, o silêncio da recuperação, o silêncio de quem precisa de calma. de descanso, de paz para se curar.
Para um homem que passou 50 anos no meio do barulho, do palco, das luzes, do adrenalina do vivo. Esse silêncio todo deve ser uma das coisas mais estranhas de viver. E ele não escolheu esse silêncio. Foi o corpo que mandou parar. E essa diferença para quem amava o que fazia da forma que o Faustão amava, faz toda a diferença do mundo.
Uma coisa é reformar-se quando se quer, à sua maneira, do seu tempo. Outra coisa é ser obrigado a parar, sem aviso, porque a vida ameaçou embora. O Faustão não saiu do barulho por vontade própria. Foi empurrado para fora dele, primeiro pela emissora, depois pela própria saúde. Mas no meio deste o silêncio tem calor também.
Tem a Luciana cuidando de tudo. Tem os filhos por perto, tem a vida de família que muita gente no auge da fama e da correria acaba por não ter tempo para viver direito. De uma certa maneira, o Faustão hoje está vivendo uma coisa que talvez ele nunca tenha vivido por completo em 50 anos de televisão.
O tempo dentro de casa, devagar com quem ama. foi preciso quase morrer quatro vezes para ele ganhar. Isto é um preço demasiado alto, mas é uma coisa que muita gente que correu a vida inteira atrás do trabalho entende bem no fundo. Por vezes é a doença que faz-nos parar e finalmente olhar para quem realmente importa. Mas talvez a imagem mais forte do Faustão de hoje seja essa.
E eu quero que pare e pense nela comigo. Durante 32 anos, todo o domingo era que entrava na sua sala. A voz dele no seu fim de semana, o público aos berros, a casa toda parada em frente da televisão. Hoje é ele que está do outro lado, sentado, sossegado, a observar do mesmo jeitinho que está a ver agora.
O homem que fazia o Brasil parar no domingo tornou-se um senhor que vê a vida passar de dentro de casa com a mulher do lado e os médicos ao telefone. E tem uma certa crueldade nisso, não é? A vida tem dessas voltas. Deixa-me pedir-te uma coisa rápida aqui. E é mesmo de coração. Se a sua casa também parava ao domingo para ver este homem.
Se se lembra da família reunida, do almoço, da televisão ligada a ele, deixa um like. aqui embaixo. Não é pelo canal, estás a ver? É para eu saber que há pessoas que viveram isso igual a mim, que reconhece esta história como se fosse de alguém da família. Só isto, porque o Faustão de hoje é este, um homem que mede cada passo sempre com um médico por perto, o corpo vigiado o tempo todo.
O tipo que era pura energia, que não parava quieto um minuto. Hoje vive devagar, em silêncio. Ainda em maio de 2026, continua a ir ao hospital para procedimentos que já estavam marcados, parte do cuidado de quem se trata o tempo inteiro depois de tantas cirurgias. É a rotina de quem ganhou uma vida nova e sabe que precisa de cuidar dela comúnia e dente.
E este silêncio todo deve estar a pensar que começou com a doença em 2023. Só que começou bem antes. Começou num domingo de 2021, quando, pela primeira vez em 32 anos, a cadeira do Faustão amanheceu vazia na Globo. Ei, o que é que a Emissora lhe fez nessa semana, depois de 32 anos de casa, é uma das partes mais duras deste história inteira.
Mas antes de eu te levar para dentro dessa semana, segura esta curiosidade comigo durante uns minutos. Porque para que sinta de verdade o tamanho do que arrancaram a este homem, primeiro precisa de se lembrar do tamanho que ele tinha. E o Faustão era gigante. Pensem só, durante 32 anos, todos os domingos à tarde, todo o Brasil era dele.
E não é força de expressão. Eram quase 3 horas de programa em direto, sem corte, sem rede de proteção. 1659 programas. Faz a conta do que isso é. Um homem a entrar na casa do país inteiro, sem furar um único domingo por mais de três décadas. Houve gente que nasceu, cresceu, casou e teve um filho ouvindo a voz deste homem no fim de semana.
Avó, mãe e neta, três gerações da mesma família sentadas no mesma sofá, rindo das mesmas coisas que o Faustão fazia. Isto não é um programa de televisão, isto é parte da vida das pessoas. E não era um programa qualquer. O domingão fazia e desfazia. Muito artista que hoje é gigante só rebentou depois de passar pelo palco do Faustão num domingo.
Quando inventava um quadro, o Brasil inteiro copiava na semana seguinte. A Dança dos famosos, por exemplo, parava a a sua casa. Lembra-se, né? atores, cantores, jogadores de futebol, pessoas que só via na novela ou no jornal, de repente ali a dançar, a suar, tropeçando, arriscando-se na frente do Brasil.
E você em casa torcia por um, brigava com o jurado que deu uma nota baixa, ligava à sua irmã para comentar quem tinha dançado melhor. Aquilo unia a família ou concerto dos famosos. Então, gente que jurava que só sabia atuar, subia de repente ao palco e cantava tal e qual como o ídolo, com figurinos, com banda, com tudo. Eu, Faustão, no meio de tudo, rindo aquela gargalhada larga, apontando, brincando, gritando famoso errou.
Você lembra-se disso? Não se lembra? Lembra-se da sua casa, da sua família reunida, todos os mundo de olho na televisão num fim de tarde, de domingo. Pois é. E o motor de tudo aquilo era um só homem. Ele, um homem que falava sem parar, que não lia telepronter, que segurava 3 horas de televisão em directo, na raça, emendava música, entrevista, concurso e gargalhada sem perder o fôlego uma vez sequer.
Improvisava, esticava, cortava, mandava na confusão toda como um maestro. O Faustão era barulho, era movimento, era vida pura em cima de um palco. Ele tinha aquele raro dom de fazer parecer fácil uma coisa dificílima. Prender a atenção de todo o país. Em direto, semana após semana, ano após ano, para quem cresceu a ver aquilo, era simplesmente impossível imaginar este homem calado, sentado, sossegado a um canto.
O Faustão parado era uma contradição, não existia. E olhe, não era só a dança dos famosos. Pensa em tudo o que cabia naquelas tardes de domingo. Tinha música ao vivo com os maiores cantores do Brasil passando por aquele palco. Gente que enchia estádios ia cantar ao Faustão num domingo à tarde e todo o país descobria música nova ali a meio do almoço.
tinha quadro de caloiro, gente desconhecida do interior do fim do mundo, que se elevava naquele palco a tremer de nervoso e às vezes saía de lá com a vida mudada para sempre. Tinha homenagem, tinha reencontro de família que não se via há anos. Havia gente chorando de emoção no palco enquanto o Brasil chorava junto em casa.
O domingão era uma caixa de surpresas de 3 horas e o Faustão era o proprietário daquela caixa. Nunca se sabia o que ia acontecer e era exatamente por isso que não desgrudava. E tem uma coisa que talvez nunca tenha parado para pensar. O Faustão atravessou gerações inteiras. Quando começou no Domingo, em 1989, o Brasil era outro país.
Não tinha internet em casa das pessoas, não tinha telemóvel na mão de toda a gente, não tinha rede social. A diversão da família no domingo era a televisão e a televisão. No domingo à tarde era o Faustão. E ele ficou, atravessou a década de 90, atravessou os anos 2000, atravessou os anos 2010, sempre ali firme, à mesma hora, entrando na sua sala.
O filho que assistia com a mãe cresceu, casou, teve filho e pôs esse filho a assistir o O Faustão também. Avó, mãe e neta, três gerações da mesma família no mesmo sofá, rindo das mesmas coisas. Isso é raríssimo. Isso quase não existe na televisão do mundo inteiro. Pensa na tua própria vida agora por um segundo. Enquanto os domingos da sua vida, o O Faustão estava ali no fundo a fazer barulho na sala enquanto almoçava, enquanto lavava a loiça, enquanto a família conversava à mesa.
Virou a banda sonora do domingo de um país inteiro. Quando pensa em domingo de tarde, em família reunida, em boa comida e casa cheia, é bem capaz que a imagem do Faustão venha junto sem si nem perceber. Ele estava lá, estava sempre ali há mais de três décadas. E manter que vivo semana após semana, em direto, sem errar, é das coisas mais difíceis que existe na televisão.
Programa em direto é uma corda bamba sem rede por baixo. Qualquer coisa pode dar errado a qualquer momento. O convidado não chega, a música falha, o quadro não funciona, o tempo rebenta. O Faustão segurava tudo isto sozinho na ponta da língua, transformando até o erro em graça.
Quando alguma coisa corria mal no ar, ria-se, fazia a piada da situação e o erro tornava-se o melhor momento do programa. Era um talento bruto daqueles que não se aprende em escola nenhuma. Ele nasceu para aquilo. Por isso, quando dizemos que o O Faustão era gigante, não é exagero, é só a pura verdade. Durante mais tempo do que muita gente que me está a ouvir agora tem de vida, foi o homem que mandou no domingo do maior país da América Latina.
E é exatamente essa a altura de onde foi obrigado a descer. Guarda isto porque é importante. Quanto maior for o palco, maior é o silêncio quando ele se apaga. E o silêncio do Faustão foi o maior de todos. E ele não chegou ali por acaso. O Faustão começou cedo, ainda muito jovem, a falar na rádio e foi subindo degrau a degrau até virar o dono do domingo.
Quando assumiu aquele horário em 1989, ninguém imaginava que ele ficaria ali há mais de três décadas. Virou instituição, tornou-se paisagem. O Domingo da Globo e o Faustão eram a mesma coisa na cabeça do brasileiro. E é por isso que o que vem agora dói tanto. Guarda essa imagem na cabeça, estás a ver? O Faustão de pé no meio do palco, o auditório inteiro de pé junto com ele, o Brasil todo a assistir.
Guarda bem essa imagem, porque vai ser arrancada dele de duas formas. Primeiro por uma decisão tomada dentro de uma sala da Globo, depois pelo seu próprio corpo. Este homem que era dono do domingo do O Brasil, que podia transformar um desconhecido em estrela da noite pro dia, que ninguém no mundo imaginava longe de uma câmara.
Um dia entrou numa sala, sentou-se em frente dos chefes da emissora, onde vivia há 32 anos, e ouviu dizer que a festa tinha acabado e acabou da pior forma que podia. O que aconteceu naquela semana de junho de 2021 é onde toda esta história vira de cabeça para baixo. Agora sim, vem comigo para dentro dela.
E para que possa entender o que aconteceu de verdade, preciso recuar um pouquinho ao início de 2021. Nesse ano, no mês de janeiro, a notícia veio a público. Depois de 32 anos, o Faustão ia deixar a Globo e foi escolha dele. Isso é verdade. E é importante deixar isso claro. A própria A Globo tinha-lhe oferecido um programa novo às quintas-feiras para ele continuar na casa.
O Faustão pensou e recusou. Ele queria outra coisa. E aí fechou um contrato de 5 anos com a Band para iniciar no ano seguinte em 2022. Até aqui, tudo combinado, tudo na maior respeito, pelo menos por fora. E o combinado era bonito. O Faustão ficaria no ar na Globo até ao final desse ano e teria uma despedida à altura do que ele representou.
Edições especiais, homenagens, os melhores momentos. O adeus que um homem de 32 anos de casa merece com todo o Brasil, podendo dizer obrigado e até logo. A Globo prometeu-lhe isso e tinha acordos comerciais que davam a maior segurança de que assim seria. Tudo apontava para uma saída digna, planeada, bonita. Só que aí as coisas começaram a descambar.
A notícia de que o Faustão estava de saída paraa banda vazou cedo demais antes da hora combinada. E para piorar, o Luciano Hook, que ia ficar com o lugar do Faustão nas tardes de domingo, anunciou isto numa entrevista televisiva na frente de todo o Brasil antes mesmo de a Globo a organizar-se. A emissora não gostou nada e a resposta dela foi fria e foi rápida.
À frente do entretenimento da Globo, nessa época estava Ricardo Wdington, o realizador que comandava precisamente a área dos grandes programas da casa, a área onde a sorte do Faustão acabou por ser decidida. Foi de dentro deste comando que veio a decisão. No dia 13 de julho de 2021, o Faustão faltou ao domingão pela primeira vez em 32 anos.
Tinha tido uma infecção, nada que parecegrave na época. Quem entrou no lugar dele só para lhe partir o galho nesse domingo foi o Thiago Leffert. Era para ser uma substituição de um dia, mas não foi. Quatro dias depois, no dia 17, a Globo lançou um comunicado curto e seco e antecipou a saída do Faustão. Em poucas linhas, a emissora avisou que tinha decidido encerrar ali naquele momento e que o Leff seguiria nas tardes de domingo até o programa do Huck estrear.
E pronto, acabou. Pensa no tamanho disto. Acabou ali daquela maneira, sem o último programa, sem a despedida que tinham prometido, sem o Brasil poder dizer tchau. O homem que tinha entrado na sala de milhões de famílias todos os domingos por 32 anos simplesmente deixou de aparecer. E nem ele nem o público tiveram a possibilidade de viver aquele momento de despedida.
As edições especiais que iam ser feitas, canceladas, as homenagens não aconteceram. A despedida digna tornou-se um comunicado de quatro linhas no meio de uma tarde qualquer. Pensa nisso do lado dele. Por um segundo, dá 32 anos da a sua vida a um lugar. 32 anos sem furar um domingo. Ajudou a construir o sucesso daquela casa, levou alegria a dentro de milhões de lares e quando chega a hora de partir, uma saída que, repito, foi combinada, foi negociada, não te deixam sequer fazer o último programa. Talvez o que mais
magoe nesta história inteira seja este detalhe simples e humano. Depois de três décadas, ninguém deu ao Faustão a hipótese de um último adeus. É isso. Dá para imaginar? Dói mais do que qualquer dinheiro. E não foi só ele que pagou o preço dessa semana. A Luciana, a esposa que trabalhava na própria Globo na produção, acabou por ser desligada da emissora juntamente com o fim do programa.
Deu apenas uma vez. Num intervalo de poucos dias, o casal perdeu o palco e o trabalho que ali tinha construído por décadas. A vida que conheciam, a rotina de uma vida mudou da água para o vinho num estalar de dedos. O O Faustão ainda foi para a Band, como estava combinado, e estreou-se por lá em 2022. Mas já não era a mesma coisa.
Outro horário, outra estação, outro público. O programa na Band durou pouco, pouco mais de um ano e o último programa que gravou foi em maio de 2023. O Brasil não sabia ainda, mas aquela ia ser uma das últimas vezes que veria o Faustão de pé com energia, fazendo o que fazia melhor do que ninguém, porque naquele momento o seu corpo já estava a começar a falhar por baixo dos panos.
E tem uma tristeza silenciosa neste capítulo da Banda que muita gente não percebeu na hora. O Faustão, que tinha sido o rei absoluto do domingo, o homem mais assistido das tardes do Brasil durante 32 anos, estava agora num horário diferente numa emissora mais pequena a lutar por uma audiência que já não vinha do mesmo jeito.
A banda abriu-lhe as portas, recebeu-o de braços abertos. Isso é verdade, mas o tamanho já não era o mesmo. E para um homem habituado a ser o maior de todos, sentir que o brilho diminuiu, que o público já não era aquele oceano de gente. Dói de uma maneira que a gente de fora mal consegue medir. E, entretanto, sem ninguém saber, o corpo já dava os avisos.
Quem trabalhou com ele nesse período conta que o Faustão já não tinha a mesma energia de antes, que se cansava mais depressa, que tinha dias difíceis. Ele segurava, fazia o programa, dava o sorriso para a câmara, como sempre deu. Mas por baixo daquilo tudo, alguma coisa estava muito errada. O coração já estava a pedir socorro, mesmo que nem ele soubesse ainda o dimensão do problema.
E foi assim num programa gravado em maio de 2023, que o O Brasil viu, sem se aperceber de uma das últimas imagens do Faustão de pé, a trabalhar vivo da forma que a gente sempre conheceu-o. Pouco tempo depois, ele dava entrada no hospital e o homem do palco ia virar da noite para o dia o homem da cama de hospital.
Em agosto de 2023, foi internado. O coração do Faustão, depois de uma vida inteira de trabalho intenso, sem descanso, estava fraco demais, já não conseguia bombear o sangue como devia. Os médicos chamam isso de insuficiência cardíaca. E em poucos dias chegou a notícia de que ninguém esperava ouvir falar de um homem tão cheio de vida.
O Faustão precisava de um coração novo, urgente, um transplante. A vida dele dependia naquele momento de aparecer um coração compatível a tempo. E o coração apareceu no dia 27 de agosto de 2023 no Hospital israelita Algert Einstein, em São Paulo. Numa cirurgia que durou cerca de 3 horas. O Faustão recebeu um coração novo. O Brasil inteiro acompanhou o aflito e quando saiu a notícia de que tinha resultado, muita gente respirou de alívio, achando que ali a luta tinha terminado e que agora era só recuperar.
Mas era só o início, porque o corpo dele não deixou de cobrar a conta. Em fevereiro de 2024, veio um transplante renal. No mesmo período, o Faustão já precisava de fazer diálise três vezes por semana. Aquele tratamento pesado, demorado, em que uma máquina faz o serviço que o ri já não dá conta de fazer, limpando o sangue por fora do corpo.
Quem tem alguém na família que faz diálise sabe o quanto aquilo desgasta uma pessoa. E o Faustão fazia três vezes por semana calado longe das câmaras. E mesmo assim a batalha não tinha terminado. Em maio de 2025 ele voltou ao hospital agora com uma infecção que se espalhou pelo organismo inteiro, uma sépsis que é quando o organismo reage de forma exagerada a uma infecção e começa a entrar em colapso com risco de os órgãos deixarem de funcionar de uma só vez.
É uma das coisas mais perigosas que existem na medicina. E o Faustão esteve mais de trs meses internado por causa dela. Naquela última internamento, passou por mais duas cirurgias de grande porte, um transplante de fígado e no dia seguinte ainda mais um transplante de rin. Quatro órgãos transplantados somando tudo em dois anos de luta.
Um homem de 70 e poucos anos, refeito por dentro, pedaço a pedaço, com a família a rezar do lado de fora, acompanhando boletim médico por boletim médico, sem saber se ia resistir. E resistiu no final de agosto de 2025, depois de mais de 3s meses internado, o Faustão recebeu alta, saiu vivo de uma batalha que muita gente bem mais nova teria aguentado.
E eu quero que tu imagine por um instante o que foi para família dele viver tudo isto por dentro. Porque nós falamos dos transplantes, fala das datas, fala dos números, mas por trás de cada uma destas cirurgias tinha uma família inteira de pé de guerra contra o medo. A Luciana a ir e regressando do hospital, dormindo mal, segurando o choro à frente dos filhos.
Os filhos à espera de notícias, tentando manter a normalidade numa casa onde nada estava normal. Ei, o Brasil inteiro acompanhando cada boletim médico como se fosse de um familiar próprio. Você lembra-se disso? de ligar a televisão e a primeira notícia do dia ser sobre o estado de saúde do Faustão deste pegar rezando, torcendo, mesmo sem conhecer o homem pessoalmente, só porque fez parte da a sua vida durante tantos e tantos anos.
Cada boletim era uma montanha russa de emoção. Num dia a notícia era boa. Ele estava a reagir, estava estável. No outro surgia uma complicação, uma infecção nova, um susto e a família ali no corredor do hospital segurando a barra, tentando não perder a esperança sem saber se o próximo boletim ia ser de alívio ou de tragédia.
Imagina o desgaste de viver assim durante meses. Imagina dormir noite após noite, sem saber se o seu marido, se o seu pai vai estar vivo quando o telefone toca de manhã. Este foi o dia a dia da família Silva durante um tempo demasiado longo. E o Faustão, no meio de tudo, a lutar. Um homem com mais de 70 anos que já tinha conquistado tudo o que se pode conquistar nesta vida, que já tinha tido tudo o que o dinheiro pode comprar, agora agarrado com unhas e dentes a uma só coisa.
Viver mais um pouco, ver os filhos crescerem mais um pouco, ter mais um domingo em casa, porque no final, quando a ficha cai de verdade, o que conta mesmo é isso, é o tempo, mais um pouco de tempo ao lado de quem amamos. O dinheiro e a fama naquela cama de hospital com o corpo falhar não valem absolutamente nada.
Eu Faustão lutou por cada minuto deste tempo como o maior dos guerreiros. É aqui que entra a parte mais importante de toda esta história, a parte que eu te prometi lá no início, porque o homem mais poderoso do que a televisão brasileira já teve, o dono do domingo do Brasil, só está vivo hoje por causa de uma única pessoa, uma pessoa que ele nunca viu na vida.
Um rapaz simples, de 35 anos lá de Santos. Eu que liga estes dois. O homem mais famoso do país e um trabalhador que ninguém conhecia é a parte mais bonita e ao mesmo tempo mais triste de tudo o que eu contei-te até agora. É isso que eu vou mostrar-te agora. Fica comigo. Para contar-te essa parte, preciso de te apresentar um homem que nunca ouviu falar.
O seu nome era Fábio Cordeiro da Silva, de 35 anos, vivia no litoral de São Paulo, em Santos. Trabalhava como ladrilhador. assentava piso, levantava a parede, ganhava a vida com as suas próprias mãos no suor a dia. E nos fins de semana, o Fábio jogava à bola. Futebol amador, daqueles de domingo no campinho com os amigos.
Um homem comum, um trabalhador, um tipo como tantos que conhece que mora na sua rua, que apanha o autocarro de manhã cedo. Ninguém famoso, ninguém que ia sair no jornal. Mas paraa família dele, o Fábio era o mundo inteiro. Era filho, era irmão, era marido. Era aquele que chegava do trabalho cansado e ainda tinha energia para brincar, para rir, para marcar a pelada de domingo com a turma.
Era jovem, tinha a vida toda pela frente, tinha sonhos, tinha contas para pagar, tinha planos como qualquer um de nós tem. E foi tudo interrompido numa quinta-feira qualquer, a meio de um dia de trabalho, sem aviso, sem despedida. A vida é cruel assim. Às vezes desaparece connosco do nada, quando menos se espera.
E quero que sinta a distância entre estas duas vidas que o destino juntou. Deu um lado, o Faustão, famoso, rico, conhecido do Brasil inteiro, no melhor hospital do país, com os melhores médicos, com toda a nação rezando por ele do outro, o Fábio, um trabalhador anónimo encontrado caído numa obra, sem holofote nenhum, sem manchete.
Dois mundos que nunca se iam encontrar na vida normal. O Faustão nunca ia conhecer o Fábio. O Fábio, no máximo, via o Faustão na televisão num domingo, como toda a gente. E no no entanto, foi o coração deste trabalhador anónimo que acabou por bater no peito do homem mais famoso do país. A vida tem destas ironias que nem uma novela tem coragem de inventar.
Ei, a decisão de doar naquele momento não foi fácil para ninguém. Quem já perdeu alguém de repente sabe que na altura a cabeça nem funciona corretamente, a dor é demasiado grande para pensar em qualquer coisa. E é precisamente nessa altura, na pior hora possível, que a família precisa de decidir se autoriza a doação.
É um gesto de uma grandeza que quase não conseguimos medir. No meio do próprio luto, com o chão a desaparecer debaixo dos pés, consegui pensar na vida de um estranho. A família do Fábio fez isso. Eles apanharam a maior dor da sua vida e transformaram na maior alegria de várias outras famílias. Por quê? O dador de órgãos não salva uma vida só.
O Fábio, com a sua doação, ajudou várias pessoas, várias famílias espalhadas pelo Brasil. Receberam nesse dia a notícia de que alguém que elas amavam ia viver por causa de um rapaz de santos que elas nunca tinham visto. E é isso que torna esta história ao mesmo tempo, tão triste e tão bonita. triste pela perda de um homem novo, cheio de vida no meio do caminho, bonita pelo que essa perda foi capaz de gerar.
O Fábio não vai voltar e a dor da família dele é para sempre. Mas um pedaço dele continua vivo, batendo todos os dias dentro do peito do Faustão. E segue vivo também dentro de outras pessoas que ganharam uma segunda oportunidade por causa da generosidade dele no último dia. Numa quinta-feira de agosto de 2023, o Fábio estava a trabalhar numa obra quando teve um AVC, um derrame.
Caiu ali mesmo no serviço e o mais cruel pormenor. Ele só foi encontrado no dia seguinte pela equipa que tocava a obra. Ainda tava consciente, mas com metade do corpo já paralisada. Foi levado apressadamente pro hospital, mas o estrago tinha sido demasiado grande e o Fábio não resistiu. Aí chegou o momento mais difícil que uma família pode viver.
No meio da dor de perder um filho, um irmão, um marido tão jovem, tão de repente, a família do O Fábio tomou uma decisão. Uma decisão que naquele tamanho de dor é quase impossível de tomar, doar os órgãos dele. Nesse dia de luto, com o coração despedaçado, optaram por transformar a morte do Fábio na vida de outras pessoas.
O irmão dele chegou a falar uma coisa simples e bonita na época. disse que o Fábio ia ajudar muita gente, que eram muitas as famílias que iam voltar a sorrir por causa daquela doação, que era o jeito do Fábio continuar a fazer bem mesmo depois de partir. E uma dessas famílias foi a do Faustão, porque o coração que bate hoje no peito do homem mais famoso da televisão brasileira é o coração do Fábio, do ladrilhador de Santos, do rapaz que jogava a bola no domingo, do trabalhador que ninguém conhecia.
para um segundo e pensa no tamanho disso. O homem que entrava na sala de milhões de brasileiros todos os domingo só continua vivo por causa de um trabalhador anónimo que ele nunca apertou a mão, que nunca viu na vida. O mais famoso de todos, salvo pelo mais simples de todos. A fama, o dinheiro, o poder que o Faustão acumulou em 50 anos de televisão não valeram nada na hora de verdade.
O que o salvou foi a generosidade de uma família pobre de Santos no pior dia da vida dela. Se isso não te arrepia, não sei o que arrepia. Eu Faustão sabe que muito bem. Poucos dias depois do transplante, ainda no hospital, fraco, com a voz arranhada de quem tinha acabado de ser entubado, gravou um vídeo. Foi a primeira vez que o Brasil viu o Faustão depois da cirurgia.
E ele não gravou aquilo para falar de carreira, nem para dar entrevista. Grava- só para agradecer. E foi às lágrimas. Aquele homem grande, forte, que o Brasil só conhecia a rir e a gritar no palco, apareceu no ecrã quebrado, chorando, agradecendo. O vídeo foi publicado naquela página que a Luciana tinha criado A Faustão do meu coração.
A página que, aliás, chegou a ser derrubada da internet por duas vezes, mas que voltou ao arta das pessoas que queriam ver o Faustão se recuperar. E nesse vídeo agradeceu pelo nome ao pai do Fábio, olhou para câmara e disse com lágrimas nos olhos: “Eternamente grato ao José Pereira da Silva, pai do Fábio, um homem simples, e completou: Fico emocionado porque ele me deixou a hipótese de viver de novo.
” Depois agradeceu ao irmão do Fábio e a Jacline, a viúva, a mulher que tinha acabado de perder o próprio marido e que mesmo assim autorizou a doação. O Faustão chamou-lhes pessoas das mais humildes e disse: “Na hora em que eu precisei, deram-me um coração novo e ainda fez uma promessa. disse que ia ser grato para sempre e que esperava um dia poder agradecer, pessoalmente, olho no olho, a família que lhe salvou a vida.
Contou também que três dias depois de ter o peito aberto numa cirurgia daquelas, já andava sem sentir dor. Uma recuperação que os próprios médicos consideraram impressionante. E há um pormenor nesta história que mostra o tamanho do homem, mesmo destruído por lá dentro, mesmo fraco, numa cama de hospital.
Mal saído de uma cirurgia que abre o peito a uma pessoa, o Faustão fez questão de usar aquele momento para uma causa maior do que ele próprio. Ele transformou a própria provação em campanha. começou a falar cada vez que tinha oportunidade sobre a importância de doar órgãos, pediu ao Brasil inteiro tornar-se doador.
Disse que sonhava ver o país a tornar-se uma referência mundial em doação. E repetiu: “De qualquer maneira que cada pessoa que diz sim pode salvar várias vidas, exatamente como salvaram a dele. Pensa nisso. O gajo acabou de passar pela maior batalha da vida. tá fraco, está magoado, mal consegue falar direito por acabou de ser desentubado.
E a primeira coisa que ele faz assim que pega no microfone é pensar dos outros em quem ainda está na fila à espera de um órgão, em quem ainda está a rezar por um milagre igual ao que lhe aconteceu. Naquele momento, o Faustão podia ter falado de si, do seu sofrimento, da fama dele. E escolheu falar dos outros.
E talvez seja essa a parte mais bonita do Faustão de hoje. Ele entendeu que a vida que ganhou de volta não pertence só a ele, que ele transporta uma dívida para com o Fábio, com a família do Fábio e com todos os brasileiros que doam e que recebem. E ele paga essa dívida da única maneira que dá, falando, lembrando, pedindo, agradecendo.
Porque cada vez que uma pessoa se torna dadora, depois de ouvir a história do Faustão, é mais um pedacinho dessa dívida a ser quitada. É o Fábio outra vez, a salvar mais uma vida, só que agora, através do Faustão, é a corrente do bem que aquele rapaz de Santos começou e que não pára mais. Pensa nisso comigo com calma.
Durante toda a vida, foi o Faustão quem deu. Foi ele quem deu palco para artista desconhecido. Foi ele quem deu a primeira oportunidade para gente simples brilhar na televisão. Foi ele quem ajudou a fazer a carreira de tanta gente que hoje é famosa. A vida dele foi d dar e no fim.
Quando foi o Yell que precisou? Quando foi a vez dele pedir? Quem salvou-lhe a vida? foi exatamente uma destas pessoas simples que ele sempre quis ajudar, uma família sem fama e sem dinheiro, que mesmo no pior dia da vida deles, deu-lhe a coisa mais valiosa que existe no mundo inteiro, mais tempo de vida. Há poesia e há dor nisso ao mesmo tempo.
E é aqui que quero parar e perguntar-te uma coisa. De coração, é dador de órgãos? Você já se sentou e falou com a sua família sobre isso? sobre o que gostaria que acontecesse? Porque foi uma conversa exatamente assim numa família simples de Santos no pior momento da vida deles que manteve o Faustão vivo. Foi uma decisão de gente comum que deu um final diferente para esta história.
Me conta aqui nos comentários. Eu leio todos, viu? E se for dador, deixa registado, porque a sua história pode tocar e inspirar outra pessoa que esteja lendo isto agora. Às vezes é um comentário destes que faz com que alguém tome a decisão de salvar uma vida. E agora você consegue compreender de verdade uma coisa que eu te disse lá no início deste vídeo.
Aquele punhado de comprimidos que o Faustão toma todas as manhãs, lembras-te dele? Pois, aquilo não é só remédio. Cada comprimido daquele é o que mantém o coração do Fábio a bater, firme dentro do peito do Faustão. É o que impede o corpo dele de rejeitar o presente que ganhou. É por isso que para ele falhar um dia sequer não é uma opção.
E é com esse peso e com essa enorme gratidão que o Faustão vive os dias de hoje. Como é esta vida agora de verdade no fundo do dia a dia? É o que te vou mostrar para fechar esta história. Fica comigo que falta pouco. Então deixa-me levar-te de volta para aquela cena do início. O Faustão de manhã à beira da cama separando os comprimidos um a um.
Lembra-se lá no início deste vídeo? Aquilo podia parecer apenas a rotina triste de um homem doente, mais um velhinho cheio de remédio. Agora já sabe o que aquilo é de verdade. Cada um daqueles comprimidos é um pacto silencioso que ele faz toda a dia com um rapaz de santos que nunca conheceu.
É a forma do Faustão dizer obrigado, Fábio. falar uma palavra. Todo santo dia no silêncio do quarto antes do sol aquecer. Aquilo deixou de ser medicamento e tornou-se uma espécie de oração. A vida do Faustão hoje em 2026 é uma vida quieta. O homem que era ruído puro, que falava 3 horas sem parar, que enchia o palco energético, hoje fala baixo, anda devagar, mede cada esforço que faz.
O seu filho, o João, chegou a contar que a recuperação do pai tem corrido bem, melhor do que se esperava. E isso é uma alegria para a família. Mas é uma vida diferente. Há dia que ele ainda vai ao hospital para um exame, para um ajuste, para um cuidado acrescido. Porque um corpo refeito com quatro órgãos de outras pessoas exige isso para o resto da vida.
Exige atenção que nunca mais acaba. A saúde tornou-se o centro de tudo. O homem que mandava na agenda do Brasil hoje obedece a agenda dos médicos. E mesmo assim, mesmo nesta vida mais lenta, dá para ver que o Faustão não perdeu a essência dele. De vez em quando surge uma foto, um pequeno vídeo, um registo do mesmo com a família e aí está o mesmo brilho no olho, a mesma vontade de viver de sempre.
Ele sorri, ele brinca com os filhos, agradece cada vez que pode a quem torceu por ele. O corpo ficou mais frágil. É verdade. Ninguém vai negar isso. Mas o homem por dentro continua ali inteiro. A doença tirou muita dele. Tirou o palco, tirou a força a antes, mas não conseguiu apagar quem ele é. E talvez seja essa a maior lição que o Faustão deixa-nos nesta fase da vida, que dá para perder o palco, perder a saúde de antes, perder o ruído todo e ainda assim continuar inteiro por dentro, que a nossa vida não é só o que fazemos, o trabalho, o sucesso, o
que aparece aos outros. A nossa vida é também e principalmente quem fica do nosso lado quando as luzes se apagam. E o Faustão, neste ponto, é um homem rico, rico daquilo que não se compra com dinheiro nenhum, tem amor à volta dele. Há uma família que não largou a mão dele em momento algum, nem no pior deles.
Tem o coração de um rapaz generoso batendo firme no peito. E tem mais tempo que era tudo o que ele pedia lá na cama do hospital. Para um homem que quase foi embora quatro vezes, isto é uma fortuna que poucos bilionários têm. E sim, há tristeza nesta história. Tem. E não adianta fingirmos que não tem.
Custa ver o gigante do domingo virar um homem que vive em silêncio, longe de tudo o que ele adorava fazer. Dói saber que entregou 32 anos da vida a uma emissora e não ganhou sequer um último adeus em troca. Dói imaginar aquele corpo cheio de energia que parecia indestrutível, falhando pedaço a pedaço, exigindo transplante atrás de transplante.
Custa pensar nas madrugadas de hospital, no medo, na incerteza de não saber se ele ia ver no dia seguinte. Essa parte é mesmo triste e seria desonesto vender-lhe outra coisa. Mas há outra coisa a caminhar junto com a tristeza. E é aí que esta história fica bonita. Há um homem que olhou paraa morte de bem pertinho mais de uma vez e voltou todas elas.
Tem um homem que hoje sabe melhor do que qualquer outro, que acordar numa manhã qualquer, ouvir o barulho da casa, tomar um café com o família, é já a maior vitória que existe. Há um homem que aprendeu do maneira mais dura, o valor de uma coisa simples, estar vivo e tem uma família inteira à volta dele, a Luciana, que segurou a barra de tudo sem largar a mão dele um segundo.
e os filhos que estão por perto. O Faustão está quieto, está mais frágil, está longe das câmaras, mas ele não está sozinho. Ele está rodeado de gente que o ama de verdade. E que, no fim da vida, vale mais do que qualquer plateia. E talvez seja por isso que esta a história mexe tanto connosco, porque no fundo o Faustão de hoje é um bocadinho de todos nós.
A gente também envelhece. O corpo da gente também uma hora começa a cobrar a conta dos anos. A gente também um dia sai do palco da própria vida e vai para o sofá ver os mais novos seguirem em frente tocarem o que a gente tocou. A diferença é que o Faustão viveu tudo isto à frente do Brasil inteiro, com câmara, com manchete, com o país inteiro de olho.
Mas o sentimento por dentro, este sentimento, é exatamente o mesmo que muita gente que está a ouvir-me agora conhece bem demais, a saudade do que se foi, o corpo que já não responde como antes, o carinho dos que ficaram. É por isso que dói, porque a gente reconhece-se nele. E não é só sobre o envelhecimento, é sobre tudo o que a as pessoas vão perdendo pelo caminho e precisa de aprender a carregar.
A gente perde o trabalho que tinha, perde o lugar que um dia ocupou, perde pessoas que amava demais, perde a saúde que um dia foi de ferro. E no meio de tudo isto, a gente tem que continuar, tem que levantar de manhã, tomar o medicamento, cuidar de quem ainda está por perto e arranjar um motivo para seguir mais um dia.
O Faustão faz isso todos os santos dias. Esse ele consegue depois de tudo o que passou, talvez seja um recado silencioso para cada um de nós, que também transporta os próprios pesos calado. Dá para continuar. Dá para recomeçar mesmo magoado, mesmo cansado. Dá para encontrar a beleza num dia simples num café com a família, num domingo quieto em casa.
O Faustão aprendeu isso da forma mais dura que existe nesta vida. E talvez seja por isso que a sua história toca tão fundo, porque no meio de toda a tristeza, ela é também uma história de pura teimose em viver. de um homem que recusou-se a desistir quando tudo mandava-o parar. E é exatamente por é isso que este canal existe, para contar a história destas pessoas que o Brasil pensava que conhecia, mas não conhecia de verdade toda a história, com tudo verificado, com data certa, com respeito, sem mexericos baratos e sem maldade. Se é disso que gosta, se
aprecias uma história contada assim, com carinho e com verdade, inscreve-se aqui no canal. É gratuito e ajuda demais. Todas as semanas tem uma dessas de gente que marcou a vida do Brasil. E eu não te quero perder na próxima. Olha, antes de te deixar ir, há mais uma coisa que preciso de te contar. O que o Faustão viveu, esse peso carregado em silêncio, longe das câmaras, depois de uma vida inteira de glória, fez-me lembrar demais a história de outra grande estrela brasileira, alguém que o país inteiro amava e que também carregava uma
dor enorme calada. longe dos holofotes, quando as luzes do palco se apagaram. Quase ninguém conhece os pormenores desta história. E ela é tão forte, tão de apertar o peito quanto aquela que lhe acabou de ver. Antes de clicar para assistir, subscreve aqui o canal que Quero-te do meu lado quando eu contar.