O Deus Que Abandonou o Próprio Sangue: A Verdade Obscura Que a Família de Pelé Ocultou

O Deus Que Abandonou o Próprio Sangue: A Verdade Obscura Que a Família de Pelé Ocultou

PELÉ: : A NOJENTA VERDADE QUE A FAMÍLIA ESCONDEU POR 31 ANOS

três vezes campeão do mundo, 1000 golos, o rei, o melhor jogador da história. E esse mesmo homem abandonou uma filha durante 30 anos. Uma filha que só queria um abraço, que morreu de cancro chamando -lo pelo nome. E ele, no velório da própria filha nunca o foi. Só mandou flores. Hoje vai saber porque que ele nunca quis ver a sua própria filha.

 E saberá o mais nojento, o que fez ao próprio filho varão, que transportava o seu sangue e o apelido dele, o que arrastou o miúdo para o inferno antes de completar os 35 anos. Fica tome até ao fim, porque hoje você vai entender a entender que o rei do futebol, o Deus que deu alegria a milhões de pessoas, não soube dar alegria para o próprio sangue.

23 de outubro de 1940. Três Corações, Estado de Minas Gerais, sul do Brasil. Uma cidade pequena, de ruas de terra batida, casas baixas, com cheiro de café torrado de manhã. Numa casa modesta de paredes amarelas e telhado de telha, nasceu um miúdo. Pesou 3,800 g. Batizaram-no de Edson Arantes do Nascimento.

 O pai João Ramos do Nascimento, futebolista profissional conhecido por Dondinho, escolheu este nome pela inspiração do inventor norte-americano Thomas Edson. Queria que o filho trouxesse luz ao mundo. Ia trazer, mas também ia trazer sombras profundas. O pai Dondinho era um avançado mediano do Atlético Mineiro, 1,70 m, 70 kg, bom de cabeça, mas uma lesão grave no joelho em 1942, num particular contra o São Cristóvão do Rio de Janeiro, acabou com a carreira profissional quando o miúdo Edson tinha apenas 2 anos e começou a pobreza.

A família mudou-se para Bauru, no interior do estado de São Paulo, em 1942, à procura de trabalho, à procura de comida. A mãe, a dona Celeste, lavava a roupa para fora. O Dondinho trabalhava como funcionário público a tempo parcial e os quatro filhos, o Edson, o mais velho, dormiam os quatro no mesmo quarto em cima de dois colchões velhos atirados para o chão.

 Mas o miúdo Edson não era um miúdo qualquer, tinha alguma coisa lá dentro, qualquer coisa que 20 anos depois ia mudar o futebol mundial para sempre. E essa coisa não era natural, era o resultado de uma promessa que o miúdo fez ao pai Dondinho numa noite específica. Uma promessa que ia cumprir três vezes e que ia definir também o tipo de pai que ele próprio se ia permitir ser.

Vamos. 16 de julho de 1950. Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. Brasil contra o Uruguai. Final da Taça do Mundo. 200.000 pessoas no estádio, 0-0 no intervalo. E no final, o Uruguai ganhou 2-1. O Brasil inteiro entrou em luto nacional. Os jornais do dia seguinte publicaram capas negras. A selecção brasileira tinha perdido em casa perante 200.

000 compatriotas, aquilo que todos achavam ganho. Na casinha de Bauru, a dona Celeste chorava. Dondinho, sentado no velho sofá da sala, chorava em silêncio e o miúdo Edson, de 9 anos, viu o pai chorar pela primeira vez. Naquela tarde do dia 16 de julho de 1950, o pai chorava por um jogo de futebol e o miúdo, segundo contou ele próprio em centenas de entrevistas durante a toda a carreira, chegou perto do pai e disse uma única frase, uma frase que ia definir tudo.

 O miúdo Edson falou: “Pai, não chores. Eu vou ganhar a Taça para si. Eu vou ganhar a Taça para você. O Dondinho olhou para o miúdo, sorriu, passou-lhe a mão pela cabeça e não respondeu nada. Porque a frase de um miúdo de 9 anos numa casinha de Bauru, filho de um futebolista mediano lesionado, sem qualquer tipo de talento documentado ainda, suava como um consolo infantil.

Uma frase bonita, nada mais. Mas o miúdo Edson ia cumprir três vezes. Aos 15 anos, o Edson assinou um contrato profissional com o Santos Futebol Clube, um clube de média dimensão do estado de São Paulo. Pagavam 20.000 cruzeiros por mês, equivalente em reais de hoje, algo como 1.000 mensais.

 Mas para uma família que não tinha tido um tecto próprio em 15 anos, era uma fortuna. O Edson entregou o primeiro salário inteiro para a dona Celeste e ela a chorar comprou uma casa em Bauru nesse mesmo mês, a primeira casa da família Nascimento. Mas a rapidez com que aquele miúdo magrelo de Bauru transformou-se no melhor jogador do mundo não teve igual na história do futebol.

E ao lado de cada baliza, de cada taça, de cada capa, ia crescer um padrão silencioso, um padrão que só ia vir a tona 40 anos depois, quando uma mulher jovem, uma empregada doméstica de Santos, dissesse nos tribunais uma frase que sacudiu o Brasil inteiro. Vamos. 1958, Suécia, Campeonato do Mundo. O Edson tinha 17 anos, era o jogador mais novo da seleção brasileira.

apelidaram-no de Pelé. Um apelido que o próprio nunca entendeu de onde tinha saído. Um apelido que ia ficar marcado na história do futebol mundial para sempre. Na partida contra o País de Gales, quartos de final, o Pelé marcou o golo da vitória. 1-0. Nas meias-finais contra a França, marcou três golos.

 Na final contra o Embola Suécia, mais dois golos. Brasil campeão do mundo pela primeira vez. O Edson Arantes do nascimento, de 17 anos, com a taça Julie Rimê nas mãos, chorando como um miúdo. Porque era um miúdo e porque tinha cumprido 8 anos depois a promessa que tinha feito ao pai Dondinho na sala da casinha de Bauru. A frase do miúdo tornou-se realidade.

 Eu vou ganhar a Taça para si. O Pelé cumpriu e seguiu cumprindo. Em 1962, Taça do Chile, Brasil bicampeão. O Pelé lesionado no segundo jogo, mas a seleção ganhou o torneio. Em 1970, Taça do México, a mais lembrada da história. Brasil contra Itália, 4 a 1. O Pelé, com o golo 1429 da carreira, o golo da final, tricampeão.

três copas antes de completar 30 anos. Um registo que nenhum jogador do mundo nunca, antes nem depois igualou. O Pelé era um deus, o número 10 do Brasil, o número um do mundo. A foto no pódio com a taça Jules Rimê erguida, enquanto os companheiros o carregavam aos ombros no estádio Azteca da Cidade do México.

Nesse dia 21 de junho de 1970, a glória máxima do futebol mundial. E ao mesmo tempo, noutro lugar do Brasil, na cidade costeira de Santos, uma mulher jovem chamada Anísia Machado olhava para a televisão com medo. A Nísia tinha 20 ou 5 anos. trabalhava como empregada doméstica, limpava casas, lavava roupa para fora, tal como a dona A Celeste, a mãe do Pelé, tinha feito durante toda a infância do rei em Bauru.

 E a Anísia tinha um segredo, um segredo que carregava escondido desde 1964, um segredo que se chamava Sandra Regina. Mas antes de chegar à Nísia e à Sandra Regina, tem de perceber o que o Pelé estava a fazer em 1964. Porque o ano em que a empregada doméstica Anisia Machado engravidou do rei do futebol não foi um ano qualquer na vida do Pelé.

 Era o ano em que ele ia casar com outra mulher e faltavam apenas semanas para o casamento. Vamos. 21 de fevereiro de 1966, Igreja de Santo António do bairro do Embaré de Santos. O Pelé, com 25 anos, casou pela primeira vez. A noiva chamava-se Rosemery dos Reis Tolby, filha de uma família tradicional de Santos, branca de classe média.

Estudante da faculdade de letras da Universidade Católica de Santos. O casamento apareceu em todas as revistas do Brasil. O jornal O Globo dedicou a capa completa da segunda-feira seguinte ao casamento. A noiva vestida de branco. O noivo, o rei do futebol sorridente, a igreja lotada, a cidade de Santos nas ruas a festejar o ídolo do Santos Futebol Clube.

Mas anos antes desse casamento, em algures no ano de 1964, o Pelé teve um breve relacionamento, paralelo com uma mulher muito mais humilde, uma mulher que limpava a casa onde vivia como solteiro em Santos, uma empregada doméstica chamada Anísia Machado, 21 anos, morena, pobre, sem estudo, sem família influente, sem nada que a protegesse socialmente.

E a Anísia, em agosto de 1964, descobriu que estava grávida. A Anísia não contou nada ao Pelé. Segundo contou ela própria, décadas depois, em entrevistas para a Folha de São Paulo e para revista Veja, teve medo. Medo do pai do bebé, que era o homem mais famoso do Brasil. Medo da imprensa, medo de que a família tradicional de Santos perseguisse ela e medo, principalmente, de não ser acreditada.

Quem ia acreditar numa empregada doméstica de 21 anos? Quem ia acreditar que o rei do futebol, que estava prestes a casar com a branca e rica Rosemy Chobe, tinha engravidado esta mulher que limpava-lhe o chão? Anísia calou-se. E em 24 de agosto de 1964, numa sala de partos pública do Hospital Guilherme Álvaro de Santos, sem que o pai estivesse presente, sem que o pai soubesse, nasceu a Sandra Regina Machado, uma menina, filha biológica do homem mais famoso do futebol mundial, sem o apelido do pai, sem reconhecimento, sem pensão, sem nada. A

Sandra cresceu no bairro da Aparecida, em Santos. Um bairro pobre, de casas coladas umas às outras, ruas sem asfalto, vizinhos que se conheciam há décadas. A A mãe Anísia continuou a trabalhar como empregada doméstica e a menina Sandra, desde os 6 anos, sabia uma coisa, sabia que o pai dela era alguém importante.

A mãe tinha-lhe dito isso, mas a mãe nunca tinha dito o nome. “Vamos.” A Sandra Regina cresceu com uma desconfiança, uma desconfiança que a mãe confirmava pela metade. Sim, o seu pai é alguém conhecido. Não, não posso falar quem. Sim, um dia saberá. Não, agora não. A menina Sandra perguntava e a mãe Anísia desconversava durante anos.

Mas em 1975, quando a Sandra tinha 11 anos, aconteceu uma coisa. A televisão brasileira começou a transmitir um documentário sobre o Pelé, um programa especial, A vida do Rei do Futebol. E num plano específico, num close up do rosto do Pelé sorridente, a Sandra, sentada no sofá velho da casa do bairro da Aparecida ficou muda.

Por que razão viu? Viu naquele rosto da televisão os próprios olhos, o próprio nariz, a própria boca. A A Sandra virou a cabeça para a mãe Anísia, que estava na cozinha a lavar louça, e perguntou pela primeira vez: “Mãe, é ele, não é?” Aní na coin ficou paralisada, não respondeu, mas as lágrimas que caíram em cima dos pratos responderam por ela.

A Sandra, de 11 anos, soube nessa tarde que era filha do Pelé e soube também que o pai, o rei do mundo, nunca tinha querido conhecê-la. Naquela noite, segundo contou a própria Sandra, décadas depois na entrevista para o programa Domingo Espetacular da Rede Record, no ano de 2002, a menina de 11 anos fez para mãe Anísia uma pergunta, uma única questão, uma questão que ia definir a vida inteira da Sandra Regina Machado.

 A menina perguntou: “Mãe, porque é que o pai não nos quer? Porque é que o pai não quer a gente?” Esta foi a pergunta da menina de 11 anos. E a mãe Anísia, segundo contou a própria Sandra, não soube responder. Sentou-se no chão da cozinha, chorou e disse à filha, palavra por palavra, falou: “Meu amor, o teu pai é um homem que tem o Brasil inteiro, por isso ele não tem tempo para nós.

 O seu pai tem todo o Brasil, por isso ele não tem tempo.” Esta foi a resposta que a Sandra Regina carregou no coração durante os 14 anos seguintes, até perfazer 27 anos. Até ao momento em que decidiu fazer a única coisa. que a mãe Anísia nunca tinha tido coragem para fazer, procurá-lo, processá-lo, obrigá-lo a reconhecer.

Mas antes de chegar a esta ação judicial de 1991, tem de perceber o que aconteceu com o Pelé entre o casamento de 1966 com a Rosemy e os 25 anos seguintes. 25 anos em que o rei do futebol viveu a vida que o mundo inteiro invejou. Três copas, três filhos legítimos com a Rosemery. Mansões, automóveis, concertos, jantares com presidentes a digressão mundial com o New York Cosmos, A fama eterna.

 E, ao mesmo tempo, segundo se descobriria 40 anos depois, no documentário que a Netflix lançou no ano de 2021. Uma vida secreta. Uma vida que nem a Rosemeri, nem os filhos legítimos, nem o público do Brasil ia conhecer até muito tarde. Vamos. O Pelé viveu entre 1960 e 6990, uma vida dupla que ia rebentar muitas vezes. A primeira vida era a pública.

 Rei do futebol, marido dedicado da Rosemery Showy, pai orgulhoso de três filhos com ela. Kelly Cristina, nascida em 1967. Edson Chobe do Nascimento, conhecido como Edinho, nascido a 27 de agosto de 1970 e a Jennifer, nascida em 1978. Três filhos, uma família bonita nas capas das revistas, o rei do futebol como exemplo de pai brasileiro.

 A segunda vida era a parte cadalbes, a particular, a vida que quase ninguém conhecia, a vida dos casos paralelos, das amantes anónimas, dos filhos gerados sem reconhecer. E a primeira destas filhas era a Sandra Regina Machado, a menina do bairro da Aparecida de Santos. Mas não foi a única, porque em 1969, enquanto o Pelé estava casado com a Rosemery e a mãe Anísia criava sozinha a pequena Sandra de 5 anos, o Pelé teve outro relacionamento paralelo, desta vez com uma mulher chamada Lenita Curtz.

Daquele relacionamento, segundo se revelou muito mais tarde, nasceu também uma filha, Flávia Cristina, outra filha que o Pelé também não reconheceu durante décadas. Duas filhas paralelas, duas filhas sem apelido, duas filhas a crescer longe do pai famoso. Enquanto a Rosem Mary Shobby criava os três filhos legítimos, pensando que o marido era um homem fiel, sem desconfiar de nada durante anos.

 E depois chegou 1991, o ano em que a Sandra Regina Machado completou 27 anos. O ano em que a menina que tinha visto o pai pela primeira vez na televisão aos 11 anos, decidiu que já não conseguia viver com a pergunta sem resposta. E o ano em que ela entrou num escritório de advogados no centro de Santos e assinou a ação judicial mais mediática da história da paternidade no Brasil.

Sandra Regina Machado contra Edson Arantes do Nascimento, uma empregada de comércio de 27 anos contra o rei do futebol. E o Pelé, ao receber a convocatória judicial na sua casa em São Paulo, fez o que a família Nascimento não esperava e o que o público brasileiro esperava e ainda menos. O Pelé contratou o escritório de advogados mais caro de São Paulo e começou uma guerra.

 Uma guerra contra a própria filha biológica. Uma guerra que ia durar 13 recursos judiciais, 5 anos, e que ia acabar da maneira mais nojenta possível. A guerra começou em março de 1991. A Sandra Regina Machado, de 27 anos, casada havia do anos com o pastor Osias Felinto da Assembleia de Deus, entrou no escritório de um advogado no centro de Santos e assinou a ação, ação de investigação de paternidade contra o Edson Arantes do Nascimento.

 O Pelé recebeu a intimação judicial na mansão dele do bairro do Morumbi em São Paulo. E segundo contou anos mais tarde pro jornalista Milton Neves, na entrevista do Cadeira Cativa de 2009, sentiu raiva porque, segundo as próprias palavras dele, estavam a acusá-lo sem provas. E porque, segundo as próprias palavras dele, não podia permitir que qualquer mulher aparecesse a queixar-se paternidade sem um exame científico de verdade.

Qualquer mulher, foi essa a palavra que o Pelé usou. referindo-se à própria filha biológica. O Pelé contratou o gabinete de advogados Sérgio Bermudes, um dos mais caros do Brasil, e aceitou o exame de ADN, convencido de que ia dar negativo. O exame foi feito em Maio de 1992, Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.

 E o resultado entregue em 7 de junho, foi brutal. Probabilidade de paternidade, 99,99%. A Sandra Regina era filha biológica do rei do futebol, confirmado pela ciência. Sem possibilidade de dúvida, o Pelé recebeu o resultado em casa, leu e falou ao advogado dele uma única frase. Falou: “Não interessa, a gente recorre do mesmo jeito.

 Não importa, a gente recorre do mesmo modo.” E começaram 13 recursos judiciais seguidos, entre 1990 e 2.99. 13 tentativas do rei do futebol para anular o resultado do ADN. Apelação. Pedido de um segundo exame. Questionamento do laboratório. Questionamento das amostras. Questionamento da jurisdição. 13.

º Negados um atrás do outro pelos juízes diferentes, em instâncias diferentes. A ciência era e a ciência. O Pelé era o pai. Ponto. Mas os 13 recursos conseguiram uma coisa: alongar o processo 5 anos. 5 anos em que a Sandra Regina viveu numa casa modesta do bairro da Areia Branca de Santos, sem pensão, sem apelido, sem reconhecimento. E durante estes 5 anos, os jornalistas perguntavam ao Pelé sobre o caso em cada entrevista.

 E o Pelé, numa entrevista à Folha de São Paulo de 1994, disse a frase que ia ficar marcada para sempre como a pior frase da vida pública dele. O Pelé disse: “Palavra por palavra, biologicamente pode até ser a minha filha, mas na parte sentimental eu não me posso preocupar com essa pessoa. Esta pessoa?” A Sandra leu a frase na mesa do pequeno-almoço nessa manhã e segundo contou depois ao programa Domingo Espetacular da Rede Record, saiu para o quintal, sentou-se no chão e chorou durante 3 horas seguidas.

 Porque a ferida já não era a falta de reconhecimento legal. A ferida já era pública. A ferida já tinha as palavras exatas do pai. esta pessoa como se fosse uma desconhecida qualquer, como se nunca tivesse existido. Em 1996, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou pela última vez o ADN. A Sandra passou a poder usar o apelido Nascimento, mas o reconhecimento legal não é a mesma coisa que o afetivo.

 E o Pelé, nos 10 anos seguintes, não lhe ligou, nunca, não a visitou, nunca, não mandou uma carta, nada. A Sandra entrou na política, vereadora de Santos pelo Partido Social Cristão e propôs uma lei municipal que ia fazer história, a lei do ADN gratuito para todos os brasileiros, para que nenhuma menina tivesse de crescer sem saber quem era o pai por não ter dinheiro.

 A lei foi aprovada e dois anos depois foi estendeu-se ao Brasil inteiro como lei federal. Mas a Sandra não chegou a ver a lei federal sancionada, porque em Fevereiro do ano de 2005, recém completados 40 anos, foi diagnosticada com cancro da mama avançado, metástase nos pulmões. Restava um ano. A Sandra fez a última coisa que o coração pedia.

 Mandou uma carta ao pai Pelé, manuscrita. Três páginas a pedir uma única coisa, um café, uma conversa. Antes de morrer, o Pelé recebeu a carta e, segundo declarou o marido Osés Felinto paraa Folha de São Paulo, não respondeu nem nesse mês, nem no seguinte. A Sandra esperou 10 meses sem receber nada. No dia 17 de outubro do ano de 2006, faleceu a Sandra Regina Nascimento, 42 anos, cancro metastático no Hospital Beneficência Portuguesa de Santos.

 E as últimas palavras dela, segundo o testemunho do marido Oséas, foram três. Pai, por favor, vem. O Pelé não foi no velório, enviou um ramo de rosas brancas e um pequeno cartão com quatro palavras escritas por uma secretária. Dizia: “Os meus sinceros sentimentos. O Edson não dizia pai, não dizia Sandra. Era a assinatura de uma pessoa desconhecida no velório da própria filha.

Mas o abandono da Sandra Regina não foi o mais repugnante, porque ao mesmo tempo que a menina do bairro da Aparecida cresceu sem pai durante os anos 70 e 80 e 80, dentro da própria casa legítima do rei crescia outro miúdo, um miúdo que tinha o nome do pai, Edson, e que ia viver na sua própria pele, o inferno que anos depois o ia levar para uma cela de prisão.

Chamava-se Edinho, o filho homem. E o que o pai lhe fez durante a infância inteira foi ainda pior do que o que fez com a Sandra. O Edson Chobe do Nascimento. Edinho, nascido a 27 de agosto de 1970. Santos, filho do Pelé e da Rosemery Cholby, o primeiro filho varão do rei do futebol. O que carregava o nome do pai, o que, segundo as expectativas do Brasil inteiro, ia herdar o talento lendário do progenitor.

O Edinho cresceu numa casa bonita do Morumbi durante os primeiros 4 anos de vida, até 1974, até ao dia em que o Pelé recebeu a proposta do New York Cosmos, 4,7 milhões de dólares durante três temporadas, a transferência mais cara da história. E a família mudou-se para Manhattan, apartamento no Upper East Side.

 A A Rosemary, a Kelly de 7 anos, o Edinho de 4 anos, todos juntos. Mas a família não durou unida porque o Pelé praticamente desapareceu da vida dos filhos durante aqueles anos. treinava no cosmos, viajava o mundo, jantava com presidentes e celebridades. E os filhos, segundo o próprio testemunho do Edinho, para o jornal espanhol lá na Sion, viam ele uma ou duas vezes por ano, nos aniversários, nos ocasiões especiais, nada mais.

 O Edinho falou para aquele jornal, palavra por palavra, quando nos mudámos para Nova Iorque, os meus pais separaram-se e eu fui criado por uma mãe solteira junto com a minha irmã, num apartamentinho pequeno. Eu não tinha contacto com o meu pai, via-o apenas em alguns aniversários, uma ou duas vezes por ano.

 Fui criado por uma mãe solteira. O Edinho cresceu passeando por Manhattan, pelo Harlin ocultando o apelido do pai. Quando os colegas de escola do Upper East Side perguntavam quem era o seu pai, ele respondia com evasivas. Não falava Pelé, não falava rei do futebol, dizia: “O meu pai vive no Brasil, trabalha com desporto por vergonha da pergunta seguinte, que vinha sempre e quando ele vem te visitar?” a pergunta que não sabia responder.

 E em 1978, quando o Edinho tinha 8 anos, a família se partiu oficialmente. O Pelé e a Rosemery assinaram o divórcio. Causa real, segundo se revelou anos mais tarde, os relações paralelas do rei com muitas mulheres diferentes. O Edinho, 8 anos, não percebeu bem. Só entendeu que o pai, que já quase não vinha, nunca mais ia vir. Vamos.

A Rosemery e os três filhos voltaram ao Brasil em 1984. O Edinho tinha 14 anos e naquela cidade da glória do pai tomou a decisão mais simbólica da vida dele. quis ser jogador de futebol no Santos Futebol Clube, o clube do pai, o campo da Vila Belmiro, o camisa branca e preta queria tudo, mas o Edinho não era avançado, não tinha o físico, não tinha o instinto e escolheu ser guarda-redes, a posição mais oposta para o pai, a posição que recebe os golos que O pai marcava e treinou no centro de treinos Rei Pelé dos Santos,

o centro que transportava, amarga ironia, o nome do pai que não o abraçava. E o Pelé não aprovou a decisão do filho. Queria que ele fosse avançado e falou à Folha de São Paulo em 1989, palavra por palavra: “O quedinho joga de guarda-redes porque não tem o mesmo talento meu. Se tivesse, jogaria no ataque. Se tivesse o meu talento, jogaria no ataque.

” Esta frase saiu em todos os jornais do Brasil. E o Edinho, de 19 anos, leu a frase na mesa da sala de jantar da casa da mãe em Santos. Levantou-se, subiu para o quarto e, segundo contou a própria Rosemy numa entrevista posterior, não saiu de lá durante dois dias, fechado à chave, lendo e relendo a frase, a ferida fundadora, a que ia marcar tudo o que vinha depois.

 O Edinho jogou como guarda-redes do Santos até 1998, sem partidas profissionais, mediano, segundo os analistas, os adeptos do Vila Belmiro insultava-o em cada jogo. Gritava um filho do rei sem talento, atiravam moedas da bancada. E o Edinho, segundo contou ao jornalista Mauro Betim, em 2016, bebia duas garrafas de whisky por noite para conseguir dormir e consumia cocaína nos fins de semana para conseguir esquecer para esquecer o pai que não ligava, o pai que só ligava para criticar as defesas falhadas, do pai que numa entrevista para a revista

O Placar tinha falado publicamente que o filho não tinha talento. O Edinho deixou de jogar profissionalmente em 1999. aos 20 voz de 9 anos, carreira fracassada e começou a treinar as categorias de base dos Santos como adjunto. Salário modesto, mas com acesso ainda ao apelido protetor. As novas amizades que apareceram nesses anos carregavam nomes que a A imprensa brasileira ia aprender a pronunciar muito depois.

 Naldinho, Nai, soldado, Velo. Quatro membros de uma organização criminosa que controlava o tráfico de cocaína na região do litoral de São Paulo. E tudo acelerou em junho do ano de 2005, quando a Polícia Federal Brasileira, após 2 anos de investigação, montou a operação Tucunaré. E na lista dos 18 envolvidos, no número 11, apareceu Edson Chobe do Nascimento, Edinho, 34 anos, filho do Pelé. Vamos.

 29 de junho do ano de 2005, 6 da manhã, apartamento do Edinho, no bairro em Baré de Santos, mesmo bairro onde o Pelé tinha casado com a Rosemery 39 anos antes. A Polícia Federal entrou à força, algemou o Edinho de pijama, à frente da esposa Cíntia e dos dois filhos pequenos, de três e 5 anos, que viram o pai a ser levado pela polícia como um delinquente comum.

 O Edinho foi levado para o quinto distrito policial de Santos, bairro do Bom Retiro. Cela coletiva 3 m por 3 m, com outros quatro presos comuns, sem colchão, sem banheiro. E naquela madrugada do dia 30 de junho do ano de 2005, o filho do rei do futebol passou a primeira noite da vida dele atrás das grades. As acusações eram graves: associação ao tráfico de estupefacientes, branqueamento de capitais, conspiração criminosa, penas previstas de até 33 anos de prisão.

E a imprensa brasileira publicou a notícia no dia seguinte em todas as capas. Jornal O Globo, Folha de São Paulo. Revista Veja: Filho do Pelé preso, Filho do Rei envolvido com o narcotráfico, A Glória do Pai e a queda do Filho, na mesma capa, com a mesma foto. O Pelé estava naquele dia 29 de junho num jantar oficial no estrangeiro, sem saber que o filho homem estava a ser algemado.

 A chamada do advogado chegou às 11 da noite. O Pelé ouviu e, segundo contou depois, um assistente do escritório Bermudes falou ao advogado uma única frase. O Pelé disse: “Resolvem, eu não posso aparecer nesse caso. Resolve, eu não posso aparecer. O pai não voltou ao Brasil, não foi no hospital para onde o Edinho teve de ser levado por uma crise nervosa na terceira noite de cela.

 Não fez uma declaração pública defendendo-o. Não pagou aos melhores advogados. Tratou o filho do sexo masculino durante o pior momento da vida do filho, igual à forma que tinha tratado a Sandra Regina nos 30 anos anteriores. Como um problema de imagem, como alguém que ia manchar o apelido. O Edinho, na cela do bom retiro, esperou pelo pai durante a primeira semana inteira.

Segundo contou ele próprio à jornalista Marlene Cabral do estado de São Paulo numa entrevista de 2018, palavra por palavra. Eu esperei pelo meu pai durante aquela primeira semana completa. Achei que ele ia vir, pensei que ele ia aparecer, nem que fosse só para me ver através da grade, mas ele não veio.

 E eu entendi naquela cela o que eu já sabia desde os 8 anos. O meu pai não era o meu pai, era o rei do mundo e eu era era apenas um problema de imagem. Eu era apenas um problema de imagem. O Edinho conseguiu a liberdade provisória 5 meses depois, mas o processo continuou 9 anos até ao 30 de maio de 2014. Sentença final: 33 anos de prisão por branqueamento de capitais do narcotráfico.

A pena máxima. O recurso reduziu depois a pena para 12 anos e 10 meses. E o Edinho, em fevereiro de 2017, 46 anos, entregou-se para cumprir a pena na cadeia de Tremembé, no interior de São Paulo, conhecida como a cadeia dos famosos. Lá dentro, durante um ano e 7 meses de regime fechado, o Edinho recebeu três visitas.

A esposa Cíntia, a mãe Rosemery e uma irmã. O pai Pelé não foi nenhuma vez, não enviou uma carta, não enviou uma mensagem, não fez qualquer declaração pública defendendo-o. O inferno que o Hul prometeu não foi inventado, foi real e chamava-se assim: O filho do rei do o futebol passou pelo inferno.

 E o rei do futebol, ocupado com os anúncios mundiais, não teve conhecimento. Mas o abandono da Sandra Regina e o inferno do Edinho não foram ainda o mais repugnante da história. Porque no ano de 2021, apenas 8 meses antes de morrer, o Pelé concedeu uma entrevista que ia agitar o Brasil inteiro. Uma entrevista para um documentário da plataforma Netflix.

 3 horas de câmara sem censura prévia. E numa pergunta específica, o rei do futebol confessou em frente ao mundo inteiro uma coisa que nenhum pai em condições normais conseguiria confessar sem sentir vergonha. Uma confissão que ia revelar que a Sandra e o Edinho não tinham sido os únicos, que tinha muitos mais, que tinha no Brasil uma quantidade de filhos sem reconhecer que nem o próprio Pelé sabia calcular.

 13 de fevereiro do ano de 2021. Mansão do Pelé, no condomínio Tamboré, no município de Santana de Parnaíba, interior do estado de São Paulo. Uma moradia de 16 m², quatro suites, piscina, spa privado, campo de futebol sete, a residência do rei nos últimos anos comprada em 1999 por um valor estimado de 5 milhõesais na época.

 Uma equipa da plataforma A Netflix entrou nessa manhã com três câmaras profissionais: iluminação, som direto e o Pelé, de 80 anos, sentado num sofá de couro branco da sala principal, vestido com uma camisa pólo preta, aceitou responder a perguntas durante 3 horas meia, sem tema proibido, sem negociação prévia das respostas. A esposa Márcia Auk, terceiro casamento, esperava no quarto contigo.

 O documentário simplesmente chamado Pelé ia estrear na plataforma Netflix a 23 de de fevereiro do ano de 2021. Distribuído por 190 países, legendado em 32 línguas, visto, segundo dados oficiais da Netflix, divulgados em março desse ano por mais de 100 milhões de espectadores no primeiro mês. E dentro desse documentário, ao minuto 37 e 21 segundos, segundo dá para verificar ainda hoje na plataforma, surge a questão que ia marcar o fim do mito Pelé, a pergunta sobre os filhos, sobre a família, sobre o número total de

filhos biológicos. O Pelé respondeu em frente da câmara, palavra a palavra, com a voz pausada de um homem de 80 anos que já não tinha nada a esconder. O Pelé falou naquele minuto do documentário Netflix: “Sinceramente, eu nunca soube quantos filhos tive, porque viajei muito. Tive muitas mulheres e, por vezes, as as mulheres não me contavam.

 Apareciam dois, tr anos depois e diziam: “Olha, seu filho”. Eu acho que tenho sete reconhecidos, mas pode ser mais. Não sei. Eu nunca soube quantos filhos tive. Apareciam dois, três anos depois. Olha, o teu filho. Essa foi a confissão do rei do futebol mundial na Netflix. Perante 100 milhões de espectadores, em fevereiro do ano de 2021, a confissão de que tinha gerado um número indefinido de filhos, que não se tinha preocupado em saber quantos eram, que tinha deixado para as amantes resolverem o problema e que só reconhecia oficialmente os sete

que eram confirmados. Mas esta frase, dita sem culpa, sem lágrimas, sem pedido de perdão para as dezenas de filhos não reconhecidos que poderiam estar a viver no Brasil, marcou alguma coisa mais profunda. Porque a mãe Anísia Machado da Sandra Regina, a empregada doméstica de Santos, que tinha gerado a menina em 1964, não tinha sido a única empregada doméstica na vida do rei. Teve mais.

 E os nomes começaram a vir ao de cima depois da morte do Pelé. Vamos. A segunda filha não reconhecida durante décadas foi a Flávia Cristina, filha da Lenita Curts, uma comissária de bordo da empresa Varig, de 24 anos, com quem o Pelé teve um curto relacionamento em 1968. A Flávia nasceu no dia 14 de maio de 1969, no Rio de Janeiro, sem que o Pelé estivesse presente no nascimento, sem que o Pelé conhecesse ela durante os primeiros anos.

 Alenita Kurt, segundo declarou, numa entrevista pro jornal Estado de São Paulo, do ano de 2002, contou a história toda, falou palavra por palavra. O Pelé sabia que existia a Flávia desde o primeiro dia. Eu avisei-o, mandei fotos, pedi ajuda e ele durante 33 anos respondeu-me com silêncio.

 Só quando a Flávia decidiu ir aos tribunais, no ano de 2002, depois de ver aparecer o caso da Sandra Regina em todos os jornais, o Pelé finalmente aceitou o teste de ADN, deu positivo. E só então, passados ​​33 anos, a minha filha passou a usar o apelido Nascimento. 33 anos, tal como Sandra. Outra filha, outra batalha judicial, outro exame de ADN, outro reconhecimento legal forçado, outro progenitor ausente.

 Mas diferente da Sandra, que morreu vítima de cancro em 2006, sem ter abraçado o o pai, a Flávia A Cristina conseguiu sim um encontro com o Pelé. No ano de 2004, dois anos depois do reconhecimento judicial, o Pelé aceitou vê-la uma única vez na sua mansão do Morumbi. 40 minutos. E segundo contou a Flávia muito depois, numa entrevista paraa revista Caras, o encontro foi frio, sem abraço, sem lágrimas, sem palavras importantes, só um cumprimento distante, uma conversa desconfortável sobre o tempo em São Paulo e um programa de televisão

e a despedida. Sem promessa de um segundo encontro, sem telefone trocado, sem nada. A Flávia foi-se embora daquela casa, segundo contou a Caras, sentindo a mesma coisa que a Sandra Regina tinha sentido a vida inteira, que o pai não a queria, que o pai, mesmo tendo-a aceite legalmente, não queria ela emocionalmente, que o pai, no fundo, continuava a achar que ela era essa pessoa, como tinha falado da Sandra na Folha de São Paulo em 1994.

essa pessoa, essa outra pessoa também. E os filhos não reconhecidos que nunca chegaram aos tribunais foram, segundo a confissão Netflix, um número indefinido. Crianças que as amantes anónimas criaram sozinhas. Crianças que cresceram nos bairros pobres de São Paulo, de Santos, de Bauru, de Belém, sem apelido, sem pensão, sem saber por vezes nem sequer quem era o pai.

Crianças cuja existência o próprio Pelé admitiu que ignorava. Eu acho que tenho sete reconhecidos, mas pode ser mais, não sei. Pode ser mais, não sei. Essa foi a grandeza do rei do futebol mundial. Essa foi a outra face do melhor jogador da história, a grandeza pública, a miséria particular, a glória do Brasil e o abandono em série do próprio sangue.

 Mas o documentário da A Netflix teve também uma consequência que a família Nascimento não tinha previsto, uma consequência que abalou o Brasil inteiro durante os meses seguintes ao lançamento, porque depois da confissão do rei, começaram a aparecer nos tribunais brasileiros mulheres que durante décadas tinham tido medo de denunciar.

E os nomes começaram a vir ao de cima. Vamos. Entre março e dezembro do ano de 2021, nos meses que se seguiram à estreia do documentário Pelé na plataforma Netflix, segundo informaram os jornais Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, chegaram ao Tribunal de Família da capital do país pelo menos quatro novas ações judiciais pedindo o reconhecimento de paternidade.

Quatro novas mulheres, quatro novos filhos, quatro novas histórias de décadas de silêncio. Os nomes das quatro denunciantes não foram publicados por decisão judicial, mas os processos existiram sim e continuam até hoje em 2025, tramitando em juízos diferentes de São Paulo, sem possibilidade já do exame de ADN direto com o Pelé, porque o Pelé está morto, mas com possibilidades técnicas de comparação com os sete filhos oficialmente reconhecidos, caso a família Nascimento autorize as amostras.

A família Nascimento, no entanto, pediu em cada um dos quatro processos que não fosse autorizado aos o exame. Os advogados do escritório Sérgio Bermudes, os mesmos que defenderam o Pelé contra a Sandra Regina 30 anos atrás, continuam agora a defender os herdeiros oficiais e continuam a alegar em cada audiência que as denunciantes são oportunistas, que estão apenas atrás da herança, que não tem provas suficientes para autorizar testes genéticos.

A mesma estratégia, o mesmo escritório, a mesma argumentação. 30 anos depois. E, ao mesmo tempo, em algures no Brasil, em bairros pobres de São Paulo, de Santos, de Bauru, de Recife, tem homens e mulheres jovens que cresceram desconfiados, que tiveram mães que um dia lhes contaram a verdade, que um dia viram o pai na televisão durante uma partida do Santos, durante uma entrevista da Rede Globo, durante uma homenagem da FIFA e compreenderam, olhando aquele rosto famoso, que o sangue deles vinha dali, mas nunca

puderam aproximar-se, nunca puderam tocar nele. Nunca puderam sequer escrever uma carta para ele. As crianças que hoje são adultos, que têm os seus próprios filhos, que carregam sem ter escolhido metade da genética do rei do futebol mundial, mas sem o apelido, sem a herança, sem o reconhecimento, sem a foto do avô Pelé na parede da sala, crianças invisíveis.

E no final do documentário Netflix, numa sequência que poucos espectadores repararam logo, tem uma imagem específica do Pelé, uma imagem de 3 segundos. Uma imagem que depois da morte dele, os analistas brasileiros começaram a estudar com pormenor, porque naquela imagem o rei do futebol mundial mostra uma coisa que ninguém tinha visto antes nele. Vamos.

 No minuto 52 documentário Pelé da Netflix, durante uma sequência de arquivo onde se misturam fotografias dos anos 70 do rei com o New York Cosmos, tem um corte abrupto para o rosto do Pelé no presente. 80 anos, no sofá branco da mansão do tamboré, sem maquilhagem, sem o sorriso típico do rei nas entrevistas oficiais. E os olhos durante exactamente 3 segundos enchem de lágrimas.

 O Pelé não chega a chorar, não solta uma única gota, mas os olhos enchem, a boca aperta. E durante estes 3 segundos, antes de o equipa da Netflix cortasse para a próxima tomada, o rei do futebol mundial mostra uma emoção que nunca tinha mostrado publicamente em 70 anos de câmara. Uma coisa que parece com vergonha ou com arrependimento ou com medo de um homem que sabe que já não resta muito tempo para ele reparar nada.

 Os analistas brasileiros, depois da morte do Pelé, em dezembro de 2022, identificaram este momento como a única vez na vida pública inteira do rei em que o homem, por detrás do mito, apareceu. 3 segundos na Netflix, onde o Pelé entendeu pela primeira vez em frente de uma câmara o que tinha feito com a própria família.

 E no dia seguinte da estreia do documentário, segundo se revelou muito mais tarde, numa entrevista do biógrafo norte-americano César Romero pro programa Roda Viva da TV Cultura do ano de 2022, o Pelé ligou para uma pessoa, uma única pessoa, ligou-lhe às 9 da manhã do dia 24 de fevereiro do ano de 2021, 20 horas depois da estreia mundial do documentário Netflix, a pessoa que recebeu a chamada foi a Flávia Cristina Curtes Nascimento, a segunda filha não reconhecida, a que tinha sido reconhecida judicialmente no ano de 2002,

a que só tinha encontrado o pai uma vez na vida, no ano de 2004, durante 40 minutos na mansão do Morumbi. A Flávia atendeu a chamada. Era o pai, sem avisar, sem secretária, ligando diretamente. E o Pelé, segundo contou a própria Flávia muito depois para o biógrafo César Romero, pediu desculpa para ela pela primeira vez depois de 52 anos de existência da Flávia.

 pediu desculpa por não ter ido atrás dela, por não ter abraçado-a, por não a ter visto crescer, por não ter estado no casamento dela, por não ter conhecido os dois filhos dela, os netos do Pelé, que a Flávia tinha criado sem nunca ter o avô por perto. A conversa durou 43 minutos, segundo contou a Flávia, o Pelé chorou durante quase toda a ligação, a A Flávia também.

 E no final, segundo contou a Flávia pro biógrafo Romero, o pai pediu uma coisa específica para ela, uma única coisa. Pediu que se um dia a imprensa perguntasse ela perdoava-o, ela dissesse que sim. Pediu que ela protegesse a imagem do rei do futebol depois da sua morte. Pediu que ela falasse publicamente que o pai tinha amado ela.

 A Flávia, segundo contou ao biógrafo Romero, não prometeu nada para ele, mas também não disse que não. Só chorou. e desligou a chamada quando o Pelé começou a torcer pelo esforço emocional. Aquela foi a última vez que a Flávia Cristina Nascimento falou com o Bai. 21 meses depois, o Pelé morreu no Hospital Albert Einstein. E a Flávia, segundo declarou pro programa Domingo Espetacular da Rede Record, em janeiro do ano de 2023, um semana depois do funeral, falou apenas uma frase, uma frase que os meios irmãos dela não esperavam. A Flávia disse: “O meu

pai pediu-me perdão. Eu escutei. Não não lhe disse nada, mas escutei. Eu escutei. Não lhe perdoou, mas escutou ele. E aquela diferença, segundo os analistas brasileiros, foi tudo e o que o rei do futebol mundial conseguiu no fim da vida perante as filhas que tinha abandonado. Não perdão, apenas escuta, apenas a oportunidade de falar as palavras que tinha guardadas durante meio século.

 À Sandra Regina Nascimento, em compensação, não recebeu essa ligação. A Sandra Regina já estava morta 16 anos antes e o Pelé, nesses 20 meses finais, entre fevereiro do ano de 2021 e dezembro do ano de 2022, segundo contou a enfermeira Adriana Vasconcelos do Hospital Albert Einstein pro portal G1 da Globo, mencionou a Sandra Regina uma única vez, a noite de novembro do ano de 2022.

quando perguntou à enfermeira se era tarde para pedir perdão a alguém que já tinha ido embora. Era tarde, a Sandra Regina já não podia receber a chamada. A Sandra Regina já estava no quadro 22 do Memorial Necrópole de Santos, esperando durante 16 anos o abraço que nunca ia vir. E a enfermeira Adriana, segundo contou para o G1 da Globo, tomou uma decisão naquela noite de novembro do ano de 2022.

 Uma decisão que a família Nascimento não lhe tinha pedido para tomar, uma decisão que o Pelé, no estado dele já não podia pedir, mas uma decisão que, segundo a Adriana, era a única coisa certa de se fazer. Vamos. A Adriana Vasconcelos, enfermeira do Hospital Albert Einstein de São Paulo, 43 anos, duas filhas, residente no bairro Vila Mariana de São Paulo, fez o seguinte: procurou no sistema interno do hospital os números de telefone dos sete filhos reconhecidos do Pelé, achou o da Flávia Cristina, ligou-lhe e contou sem a autorização da família Nascimento, sem a

autorização da direção do hospital, sem a autorização do Pelé, que já quase não estava consciente, a conversa que tinha tido com o rei nessa noite. Falou para Flávia: “O teu pai perguntou-me hoje à noite se era tarde para pedir perdão para uma pessoa que tinha partido. E acho que devia saber isso.” A Flávia, segundo contou depois ao revista Caras e escutou, agradeceu e pediu à enfermeira Adriana só uma coisa.

Pediu que se o Pelé voltasse a falar da Sandra Regina, ela dissesse ao pai, palavra a palavra, uma frase. Pediu à Adriana para dizer ao Pelé. A A Sandra escutava-te mesmo não estando mais aqui. As irmãs ouvem sempre. A A Sandra escutava-te. As irmãs sempre escutam. Esta foi a frase que a Flávia Cristina, a segunda filha não reconhecida, mandou dizer ao pai moribundo em nome da Sandra Regina, a primeira filha não reconhecida que já estava enterrada.

Duas filhas que o rei do futebol tinha negado durante décadas e que nos últimos momentos finalmente se ligavam entre si. sem que o pai as visse juntas, sem que o pai as abraçasse, mas conectadas, enfim, no reconhecimento mútuo do abandono partilhado. A enfermeira Adriana, segundo contou pro G1, disse a frase ao Pelé três noites depois, em dezembro do ano de 2022, um semana antes da morte do rei.

O Pelé, segundo contou a Adriana, escutou a frase com os olhos fechados. não respondeu, mas concordou lentamente com a cabeça. Uma única vez, como se finalmente entendesse, como se finalmente aceitasse, como se finalmente, depois de 58 anos de existência da Sandra Regina, passados ​​16 anos da sua morte, depois de um velório para onde mandou só flores, o rei do futebol mundial pedisse perdão à filha primeira, sem palavras, apenas com um movimento de cabeça numa cama de hospital.

 Era tarde, mas era alguma coisa. E faltavam apenas duas semanas para que o relógio final do rei acabasse de parar, para que o Brasil inteiro saísse às ruas em luto nacional, para que a imprensa mundial dedicasse as capas ao homem que tinha definido o futebol do século XX. Sem saber quase ninguém naquelas ruas, nem naquelas capas, as histórias verdadeiras que o rei tinha escondido durante décadas.

Vamos ao fim. Setembro do ano de 2021. Hospital israelita Albert Einstein de São Paulo. O Pelé, de 81 anos, foi internado para uma cirurgia de rotina de cálculos renais. Mas os exames pré-operatórios revelaram uma coisa inesperada, um tumor no cólon avançado com metástase incipiente. A operação foi feita no dia 4 de setembro.

tiraram-lhe parte do intestino grosso, fizeram biópsia, confirmaram cancro maligno e iniciaram-se as sessões de quimioterapia. De 15 em 15 dias, no Hospital Albert Einstein, durante os 15 meses seguintes, o Pelé passou por um calvário físico que a imprensa brasileira, por respeito à imagem do rei, quase não documentou.

Perdeu 30 kg num ano. A pele ficou amarela pela insuficiência hepática. Os pés incharam pela insuficiência renal. E, segundo contou depois a enfermeira Adriana Vasconcelos, que o acompanhou durante os últimos seis meses no hospital numa entrevista ao portal G1 da Globo, naqueles meses finais, o Pelé fez uma coisa que poucos desconfiavam que ele conseguia fazer. Chorava.

chorava todas as noites sozinho no quarto do hospital, com o rosto encostado ao travesseiro. Para que ninguém visse. A enfermeira Adriana descobriu por acaso uma noite de outubro do ano de 2022 ao entrar no quarto para dar a medicação. E a partir dessa noite, segundo contou para o G1, passou a entrar mais devagar para não interromper o choro do rei.

A Adriana contou ao G1 uma conversa específica. Uma noite, em novembro do ano de 2022, um mês antes da morte do Pelé, ela entrou no quarto. O Pelé estava sentado na cama, acordado, com os olhos vermelhos de tanto chorar, e perguntou à enfermeira, palavra por palavra, perguntou: “Adriana, se eu pedisse perdão para uma pessoa agora, passado tanto tempo, seria tarde?” Se eu pedisse perdão para uma pessoa, seria tarde.

Adriana, segundo contou ao G1, não soube o que responder. Perguntou ao Pelé para quem queria pedir perdão. O Pelé virou a cabeça para janela, olhou o horizonte de São Paulo, iluminado de madrugada e respondeu à enfermeira com cinco palavras. Só cinco palavras, falou. Paraa minha filha que se foi. Paraa a minha filha que se foi.

A Sandra Regina Nascimento, falecida 16 anos antes, sem nunca ter recebido um abraço do pai, sem ter obtido resposta para carta manuscrita de três páginas. Apenas um ramo de rosas brancas com a assinatura de uma secretária. E agora na cama do Hospital Albert Einstein, o pai, no fim da própria vida, finalmente compreendia o que tinha feito e perguntava-se se ainda tinha tempo de pedir perdão. Não tinha.

 No 29 de dezembro do ano de 2022, às 3:27 da tarde, o Pelé morreu. Falha multiorgânica causada pelo cancro. A esposa Márcia e os seis filhos sobreviventes à volta da cama. Sem a Sandra. A Sandra já estava no quadro 22 do cemitério Memorial Necrópole de Santos, esperando sem saber o pai que finalmente já morto ia passar perto dela.

O velório do Pelé foi um dos maiores da história do Brasil. Três dias de homenagem no estádio Urbano Caldeira, conhecido por Vila Belmiro, Casa dos Santos Futebol Clube, o estádio onde o Pelé tinha feito a maior parte dos 1429 golos oficiais da sua carreira. 230.000 pessoas passaram pela capela improvisada no centro do campo.

 32 horas seguidas de fila. Alguns viajaram 3.000 km desde o norte do Brasil para se despedir do rei. O cortejo final do Vila Belmiro até ao cemitério Memorial Necrópole Ecuménica de Santos foi feito no dia 3 de Janeiro do ano de 2020 por3. Um camião dos bombeiros a levar o caixão, a claque santista inteira nos dois lados das ruas, camisola branca, bandeiras com o número 10 e muitas lágrimas.

 O Brasil inteiro chorando o rei. Mas no caminho do cortejo, entre o Vila Belmiro e o cemitério, o camião passou por uma rua específica, a Avenida Ana Costa, avenida que liga o centro de Santos com o bairro da Aparecida, o bairro onde a Sandra Regina tinha crescido durante a infância inteira sem pai. E ao passar por aquela avenida naquele tarde do dia 3 de janeiro do ano de 2023, o camião que transportava o caixão passou a 200 m, exatamente do quadro 22 do cemitério memorial Necrópole.

 O quadro onde a Sandra Regina Nascimento esteve enterrada há 16 anos. O camião passou sem parar, sem homenagem para filha enterrada a 200 m, sem que o Edinho, no carro seguinte mencionasse a irmã, sem que a Kelly, sem que a Jennifer, sem que nenhum dos seis filhos sobreviventes lembrasse da Sandra Regina nessa tarde, sem que a imprensa brasileira na transmissão nacional falasse o nome da Sandra, uma única vez.

 O rei foi sepultado no nono andar do Memorial Necrópole. Numa sala particular com ar- condicionado com vista para o estádio Vila Belmiro, mausoléu de 1500 m quados. Custo estimado, segundo declarações da família Nascimento, de R$ 5 milhõesais. Pago pela herança do Pelé, R8 milhões deais em bens, propriedades, direitos de imagem.

 e a Sandra Regina, a filha primeira, enterrada no quadro 22, sem mausoléu, com uma simples placa que diz apenas o nome Sandra Regina Nascimento. 24 de agosto de 1964, 18 de outubro do ano de 2006, 42 anos, vereadora da Câmara Municipal de Santos, autora do lei do ADN gratuito, a filha que esperou toda a vida por um abraço do pai. sepultada a 200 m do cortejo do pai, sem que o pai, nem na morte a visse, e o Edinho, o filho varão, o que carregou a cela do bom retiro, o que passou pelo inferno, saiu da cadeia de Tremembé em regime semiaberto no ano de 2020. E no

ano de 2022, quando o pai, o pai Pelé estava no hospital a morrer de cancro, o O Edinho foi visitá-lo pela primeira vez em anos. E segundo contou ele próprio para revista Veja, numa entrevista de Março do ano de 2023, três meses depois da morte do Pelé, o pai nessa visita do último mês, finalmente falou ao filho o que o filho tinha esperado escutar a vida inteira.

 O Pelé segurou a mão do filho, apertou e disse cinco palavras para ele. Só cinco palavras. Falou: “Filho, perdoa-me por tudo. Perdão. Filho, perdoa-me. Perdão. Essa foi a única vez. 52 anos, depois de uma vida inteira de abandono, o rei do futebol finalmente pediu perdão ao filho varão e morreu três semanas depois, sem ter tido tempo, sem ter tido coragem de pedir perdão a Sandra Regina, a filha primeira, a do bairro da Aparecida, a que esperava o perdão desde 1964.

Quem matou a Sandra Regina Nascimento? A pergunta é difícil. O cancro matou-a biologicamente, mas o cancro entrou num corpo que transportava 40 anos de ferida fundadora de um pai que não abraçava ela. Os médicos reconhecem hoje que o O stress crónico, a depressão prolongada, a sensação de não ser querido enfraquecem o sistema imunológico e abrem as portas às doenças.

A Sandra morreu de cancro, mas morreu também de nunca ter sido abraçada. Quem destruiu o Edinho Nascimento? A pergunta também é difícil. A cocaína destruiu-o? As amizades erradas destruíram-no, as más decisões destruíram-no. Mas por detrás de tudo que tinha um filho de 4 anos num apartamento de Manhattan esperando que o pai ligasse.

 Tinha um miúdo de 8 anos andando pelo Harlin escondendo o apelido do pai por vergonha de não ter ele por perto. Tinha um adolescente de 19 anos a ler no jornal que o pai desprezava-o publicamente porque ele não tinha o talento dele. O Edinho caiu no inferno. Mas o inferno começou muito antes da cela do Bom Retiro.

 O inferno começou em 1974, quando o Pelé voou para o New York Cosmos e deixou para trás um miúdo de 4 anos. E os filhos não reconhecidos, os que apareceram dois tr anos depois, os que as mães trouxeram para a mansão do Morumbi falando: “Olha, o teu filho”. os que cresceram nos bairros pobres de São Paulo, de Santos, de Bauru, os que nunca vão ter o apelido nascimento, os que nunca herdarão um único real dos 78 milhões que o Rei do Futebol deixou.

 Os que mal existem como suspeita, como boato, como confissão gravado pela Netflix numa tarde de fevereiro do ano de 2021. Estes também foram vítimas do rei. O Pelé foi o melhor jogador da história do futebol mundial. Três vezes campeão do mundo, 1279 golos oficiais em 1363 partidas. Recorde do Guinness Mundial. Prémio FIFA jogador do séc.

Ídolo do Brasil, embaixador mundial do desporto, ministro dos desportos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a lenda maior do futebol que já existiu. E ao mesmo tempo foi um pai ausente em série. Um pai que negou uma filha durante 30 anos. Um pai que abandonou o filho do sexo masculino quando este tinha 4 anos.

 Um pai que não foi ao velório da filha primeira. Um pai que não visitou o filho homem na prisão. Um pai que confessou na Netflix não saber quantos filhos tinha gerado. As duas verdades coexistem: o rei eterno e o pai serial ausente. A glória do mundo e a ruína do próprio sangue. Se um homem deu alegria a milhões de pessoas no planeta inteiro durante 70 anos, mas não soube dar alegria aos próprios filhos, que tipo de grandeza é a dele? A grandeza do futebol vale mais do que a grandeza do afeto? O golo 1 no O Maracanã pesa mais do que a mão que não

abraçou a Sandra Regina no leito de morte? As taças Jules Rimê no pódio pesam mais do que a visita que nunca foi feita para a cela do bom retiro? Cada brasileiro tem a sua resposta, mas a verdade do Edson Arantes do nascimento é, enfim, este foi o rei do futebol e foi também o pior pai da própria família dele.

Se esta história te tocou em alguma fibra, se o fez pensar em algum pai ausente da própria vida, em alguma pessoa da família que ainda transporta sem ter sido abraçada, liga esta noite. Não espera por amanhã, não espera pelo próximo Natal. Liga já antes que seja tarde. Como foi tarde para a Sandra Regina? Como foi quase tarde para o Edinho, como foi tarde pros filhos não reconhecidos do Rei do Futebol.

 Subscreve o canal Estrelas Caídas, porque na próxima semana vamos contar a história do pugilista mais temido do século XX, o campeão do mundo mais novo da história com apenas 20 anos, que mordeu a orelha do Evander Hollyfield em frente ao 90.000 pessoas em Las Vegas, que passou 3 anos na cadeia por violação, que perdeu 400 milhões de dólares numa década, que viu a filha de 4 anos morrer debaixo de uma passadeira ergométrica e que aos 59 anos ainda está vivo, lutando contra o Jake Paul, procurando ainda a redenção que nunca chegou.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *