A verdade chocante por trás do casamento de Ana Hickmann

11 de novembro de 2023. A apresentadora mais querida das manhãs brasileiras fechou-se na própria cozinha para escapar ao marido, que nem ela própria ainda entendia que aquilo já durava 25 anos. O que ninguém se atreveu a contar é que havia provas de sobra, documentos, áudios, marcas no corpo. Alguém, com uma frieza arrepiante manteve tudo escondido durante anos.

Fique até ao fim, porque vai saber o que este homem lhe fez. E porque durante duas décadas e meia ninguém na televisão brasileira ousou abrir a boca. Mas antes dessa noite, há algo que é preciso entender, porque o que aconteceu naquela cozinha não começou ali. Começou numa casa onde uma menina de 17 anos assinou um papel que ela pensou que era uma certidão de casamento.

E era outra coisa. O seu nome era Ana Lúcia Hickman, filha mais velha de cinco irmãos de uma família simples do interior do Rio Grande do Sul. Aos 15, apanhou um autocarro para São Paulo com algumas amigas. Foi a única que conseguiu. Aos 17, uma agência internacional queria contratá-la. Paris, Milão, capas, dinheiro em moeda forte.

Só que havia um problema legal. Para assinar contratos no estrangeiro, ela precisava de ser maior de idade. Foi nesse momento que entrou Alexandre Corrêa, mais velho, articulado, apresentou uma solução prática para o A família. Casar com a Ana seria o atalho. Os pais autorizaram. Ela assinou, o nome dele apareceu ao lado o do dela, na certidão.

E a partir desse dia esse mesmo nome iria aparecer em tudo o que ela ia construir nas duas décadas seguintes. As contas bancárias, os contratos com as marcas, as escrituras das casas, as empresas, cada decisão financeira. Ela trabalhava, ele geria. Guarde isto, porque esta assinatura feita por uma adolescente é a primeira peça de uma engrenagem que lhe ia esmagar a vida em silêncio.

 Por fora, durante anos, foi a história perfeita. A modelo internacional tornou-se apresentadora. O casamento jovem passou a ser família, a família tornou-se marca. A Ana sustentava tudo com o próprio rosto, o próprio nome, o próprio corpo. E ele continuava ao lado, sorridente nas fotos, sólido na frente das câmaras, indispensável nas reuniões dentro daquela casa.

 Alguma coisa muito diferente acontecia e só duas ou três pessoas que ali trabalhavam tinham uma ideia vaga do que era. Ninguém falava, ninguém perguntava. E ela principalmente nunca confirmava. Existe uma gravação curta, acidental, e o que nela se ouve é o motivo pelo qual ela finalmente conseguiu sair. Vamos voltar a isso. Antes da gravação, antes dessa chamada para o 190, houve uma outra noite em que A Ana pensava que ia morrer numa cidade que ela visitava em trabalho, num quarto de hotel onde estava sozinha quando a porta abriu sem aviso. E é a partir

daqui que a história que pensa que conhece começa a desmoronar-se. 21 de maio de 2016, Sábado, Hotel Caesar Business em Belo Horizonte. A Ana estava na cidade a trabalho. Havia um evento de moda numa loja de shopping nesse fim de semana. Estava hospedada no quarto com Giovana Oliveira, sua assessora pessoal, mulher de confiança.

 Trabalhava com ela havia anos. O dia tinha sido normal até àquele momento. Tarde tranquila, conversa, trabalho leve. Nenhum sinal de que dali há algumas horas a Ana ia escrever em depoimento à polícia uma frase que assombra qualquer pessoa que leia. A frase foi: “Tinha a certeza que ele me ia matar”. O homem que entrou naquele quarto chamava-se Rodrigo Augusto de Pádua, 30 anos.

 Não tinha qualquer relação real com a Ana, nunca se tinha encontrado com ela, nunca tinha falado com ela. Não existia história nenhuma entre os dois fora da cabeça dele. Fazia tempo que Rodrigo mantinha contas falsas nas redes sociais dedicadas exclusivamente a Ana Hickman. postava sobre ela, comentava as suas fotos, enviava mensagens diretas pelo Twitter procurando intimidade que nunca existiu.

Construiu sozinho no silêncio uma relação inteira com uma mulher que não sabia da sua existência. A Ana nunca viu nenhuma daquelas mensagens. Ela mesma confirmou isso mais tarde. E esta frase ela nunca viu. Tem um pormenor arrepiante que ainda ninguém parou para perguntar porque alguém via quem tratava das redes sociais da Ana na altura não era ela, era a equipa administrativa que respondia diretamente à empresa familiar.

 A pessoa que coordenava esta equipa era o marido, Alexandre Corrêa. Ou seja, durante os meses em que Rodrigo de Pádoa escrevia, postava, ameaçava, declarava amor obsessivo e revelava progressivamente a sua deterioração mental, havia uma pessoa do círculo íntimo de Ana que tinha acesso àilo e que não tomou nenhuma providência, não avisou, não bloqueou, não procurou a polícia.

 Essa pergunta nunca foi feita publicamente. Vamos voltar a ela quando o puzzle inteiro estiver montado. Nesse sábado, em Belo Horizonte, Rodrigo entrou no hotel, conseguiu chegar ao andar onde Ana estava hospedada. Bateu à porta do quarto, A Giovana atendeu. Rodrigo entrou armado. O calibre era 38. A arma estava carregada.

 O que aconteceu nos minutos seguintes, a Ana mesma descreveu em entrevistas posteriores. Rodrigo apontou a arma para ela. Disse em tom baixo que ela tinha-lhe partido o coração. Disse que ela tinha brincado com os sentimentos dele. Disse que tinha vindo até ali e resolver aquilo de uma vez. A Ana, sentada ouvia sem compreender. Era a primeira vez que via aquele homem, a primeira vez que ouvia aquele nome.

Não fazia a mínima ideia do que ele estava a falar. Giovana, mais próxima da porta, tentava medir uma saída. Foi quando a Ana conseguiu em algum momento fazer contacto com o cunhado Gustavo Corrêa, irmão de Alexandre. Gustavo estava no mesmo hotel, tinha viajado juntos para acompanhar o evento. Gustavo subiu, bateu à porta.

 Quando o Rodrigo abriu, começou a luta corporal. E o que aconteceu nos 40 segundos seguintes definiu se o Brasil acordaria de manhã seguinte com a notícia da morte de Ana Hickman ou com outra história completamente diferente. Rodrigo disparou. Giovana foi atingida duas vezes, caiu sangrando. O Gustavo conseguiu tomar a arma, disparou uma vez sobre Rodrigo.

 O disparo foi fatal. O Rodrigo morreu ali no chão do quarto, em frente às duas mulheres. Giovana foi levada de urgência para o hospital. Ficou em estado grave. por milímetros sobreviveu. Levou meses recuperar fisicamente e uma vida inteira para recuperar do resto. Ana saiu daquele quarto fisicamente intacta, sem um arranhão, sem uma marca.

 Por fora, foi levada de volta para São Paulo na manhã seguinte, vou fretado, rodeado de seguranças contratados à pressa. Quando chegou a casa, alguém estava à espera à porta, Alexandre Correa. E o que este homem fez nas semanas seguintes parecia carinho, parecia proteção, parecia o gesto mais nobre que um marido poderia oferecer.

 Com 7 anos de distância, ia ser entendido como algo bem diferente. Alexandre Corrêa abraçou Ana à porta de casa. disse que ia cuidar de tudo, que ela podia descansar, que ele tomava conta e começou a tomar conta. Tomou conta da relação com a imprensa, com a estação, com as marcas que tinham contratos com a Ana, com os advogados, com o processo, com a família da Giovana.

 Em poucos dias, qualquer coisa que envolvesse a Ana passava por ele antes de chegar a ela. O argumento era sempre o mesmo: trauma, proteção, cuidado. E o argumento era convincente porque parecia óbvio. Uma mulher que tinha acabado de ser feita refém por um estranho armado, precisava de facto de uma estrutura em redor para se reconstruir.

 Era humano, era esperado, era até elogiado. Numa semana, a Ana já estava de volta aos dias de hoje, maquilhada, sorridente, falando sobre fé, sobre a superação, sobre a importância da continuar. O Brasil o am. As manchetes giraram. A apresentadora que sobreviveu tornou-se um símbolo de resiliência. Quem assistia em casa via uma mulher forte regressando ao trabalho.

 Quem trabalhava ao redor dela percebia coisas mais subtis, que o marido estava agora em mais lugares do que antes, que ele aparecia em reuniões em que não tinha por estar, que opinava sobre coisas que antes nem eram área dele, mas ninguém comentava em voz alta. Era um momento delicado e todos ali precisavam do emprego.

 Existe uma fotografia deste período. Ela aparece nos bastidores do programa, sentada com ele de pé atrás dela, mão no ombro. Olhe para esta foto com calma quando puder, porque o que está no rosto dele e que ninguém viu na altura voltará a aparecer noutras fotos, noutros anos, noutros contextos. Vamos voltar a isso.

 Por fora, Alexandre tornou-se o herói daquela história, deu entrevistas em programas de mexericos, sempre a mesma narrativa. Ele era o homem que tinha mantido a família unida, que tinha protegido a Ana, que tinha sustentado o emocional dela, que tinha conseguido, com paciência e amor fazê-la regressar ao trabalho.

 Ana confirmava em todas as oportunidades, falava da gratidão, repetia com pequenas variações uma frase que se tornou o tema das entrevistas desses meses, que ela não sabia o que seria dela sem o alê. O que ninguém se apercebeu, nem o público, nem ela própria, é que a partir desse dia em que a abraçou à porta de casa, alguma coisa se aprofundou.

 O controle que já exercia sobre a vida administrativa de Ana havia quase duas décadas, começou a estender-se para outras áreas, para a agenda, para os contactos, para as decisões emocionais, para a rotina dentro da casa. Não tinha como ela vê isso de dentro. Quem está a ser lentamente envolvido raramente sente o movimento.

 Sente só o resultado, quando o resultado já é prisão. E o resultado, neste caso, ia demorar ainda mais tempo para aparecer. Porque entre o atentado de 2016 e a noite em que ela ligaria para o 190, Alexandre teve tempo para construir uma estrutura financeira tão complexa que quando ela viesse a desabar e a deixar Ana sem chão.

Alexandre Correa retira pedido de divórcio de Ana Hickmann. Saiba mais! - Rádio Costazul FM 93.1

 Em meados dessa década, já geria integralmente a empresa que carregava o nome da apresentadora, a A Hiickman Serviços, pessoa coletiva que recebia o dinheiro das licenças, roupas, perfumes, calçado, jóias, bolsas, cosméticos. Cada cêntimo que vinha do uso comercial, do nome Ana Hickman, passava por essa empresa antes de chegar em qualquer outro lugar.

 A Ana assinava o que precisava de assinar sem ler, sem perguntar, confiava. Era assim desde que ela tinha 17 anos e ele tinha sido o adulto que tornou possível a primeira viagem dela para o estrangeiro. Aquela relação de confiança incondicional construída quando ela ainda era adolescente, nunca foi reexaminada quando se tornou adulta.

 Ela continuou confiando como uma menina de 17. confia. Mesmo aos 30, mesmo aos 40, era a fragilidade central da vida dela. E foi exatamente nesta fragilidade que tudo o que veio depois encontrou espaço para crescer. Porque o que Alexandre Corrêa estava prestes a fazer com o dinheiro daquela empresa tem um nome próprio no Código Penal Brasileiro.

 E quando esse nome veio a público, em 2023, o Brasil descobriu que a mulher mais famosa das manhãs da televisão estava à beira de perder absolutamente tudo. Entre 2016 e 2022, Ana Hickman viveu o que parecia ser o auge da carreira. Audiência sólida no hoje em dia. Novas linhas de produtos deixando a marca, campanhas publicitárias.

 Renovação de contrato com a Record. O nome dela tornou-se um valor de mercado. Por trás desta explosão comercial, a empresa do casal crescia em ritmo semelhante. Tudo o que vinha das licenças do nome de Ana passava por uma pessoa coletiva chamada Hickman Serviços. Em teoria, este dinheiro deveria regressar para a pazil apresentadora sob a forma de salário, dividendos ou património.

 Não foi exatamente o que aconteceu. Durante esses anos. Alexandre Corrêa, que geria a empresa há décadas, montou uma engrenagem dentro daquela estrutura que só viria a ser exposta tempos depois, quando os números finalmente apareceram em novembro de 2023. Jornalistas que cobriam celebridade há 15 anos disseram nunca ter visto um caso semelhante.

 A primeira instituição que viu o tamanho do problema foi um banco. E o que é que este banco fez para tentar evitar prejuízos é o que escancarou tudo. O banco Safra, uma das instituições financeiras que tinha emprestado dinheiro à empresa. Os empréstimos deixaram de ser pagos. Não eram poucos, eram muitos.

 em diferentes momentos com diferentes bancos somados a outras pendências, como condomínio, IMI e fornecedores, formavam uma soma que roça o impossível para uma empresa que carregava o nome de uma apresentadora de Prime Time. O colheita, em determinado momento, pediu à justiça o bloqueio dos bens do casal.

 Foi feito um levantamento dos processos instaurados contra a Rickman Serviços no Tribunal de Justiça de S. Paulo. O pedido acabou por ser indeferido, mas o levantamento ficou e o resultado do mesmo foi divulgado pelo jornalista Léo Dias durante a cobertura do caso. Eram 46 processos de cobrança ativos contra a empresa, contra Alexandre e contra a Ana. As dívidas totalizavam R$ 14.hõ600.000.

E quando Léo Dias divulgou no Fofocalizando o saldo da conta conjunta do casal, o Brasil parou na conta corrente, em que toda aquela receita devia desembocar, havia exactamente R$ 15.000. Mas o número mais arrepiante não foi esse. Foi o que apareceu nas acusações que Ana levou à justiça de seguida. Segundo a apresentadora, parte significativa daqueles contratos de empréstimo tinha a assinatura dela.

Assinaturas que ela afirma nunca ter feito. A acusação é de falsificação. Alexandre Corrêa teria forjado a assinatura da própria esposa em documentos bancários para tomar empréstimos em nome dela durante anos sem que ela soubesse. E a questão que o Brasil inteiro fez quando este número apareceu foi a mesma: Como uma mulher daquele tamanho não se apercebeu? A resposta inicia-se numa data específica, em 2020, no dia em que o marido recebeu um diagnóstico médico 2020.

 Alexandre Correa recebeu o diagnóstico de um cancro raro, tipo agressivo, tratamento longo, sessões de quimioterapia, internamentos, acompanhamento constante. O prognóstico, segundo declarações do O próprio Alexandre em entrevistas posteriores, foi delicado. A Ana parou, reorganizou a agenda na televisão para acompanhar o marido nos procedimentos.

levou-o ao hospital, cozinhou-o em casa, cuidou, publicou nas redes sociais mensagens a pedir orações. O país acompanhou aquela história de perto. Ela tornou-se ainda mais querida pela imagem da esposa dedicada. Ele virou o sobrevivente que tinha encontrado forças no amor da mulher. E durante os meses em que Alexandre lutava contra a doença, aconteceu alguma coisa muito específica dentro daquela empresa.

 Porque o segundo grande mistério desta história, o que sustenta tudo daqui em diante, é exatamente este. Os anos do tratamento de cancro coincidem, segundo as ações judiciais, que vieram depois com a fase mais agressiva do esquema financeiro, os empréstimos mais elevados, as movimentações mais ousadas, os compromissos mais comprometedores.

Tudo concentrado no período em que Alexandre estava mais doente ou em que Ana, ocupada a cuidar dele, menos olhava para os papéis da empresa. Guarde isto, porque a explicação para este padrão é mais negra do que o próprio crime financeiro e vai aparecer no final. Ana regressava do hospital de madrugada, olhava o marido fragilizado a dormir no quarto.

Não havia como ela suspeitar que naquele mesmo computador onde acompanhava os exames médicos, estaria também, segundo a tese da acusação, assinando, em nome dela contratos bancários que apareceriam em tribunal 3 anos depois. Era uma vida dupla, rodando dentro da mesma casa, debaixo do mesmo tecto, no mesmo período em que o casal mais rodeado de afeto público da televisão brasileira pedia orações pela cura.

 E quando Ana finalmente compreendeu, o gatilho não foi um documento, foi uma conversa dita em frente do filho numa cozinha no dia 11 de novembro de 2023. Em 2022, o tratamento foi declarado bem-sucedido. O Alexandre regressou à atividade integral. Ana, aliviada, retomou o ritmo profissional, renovou contratos, voltou a a viajar em trabalho.

 E foi nesse regresso gradual à vida pública que ela percebeu pela primeira vez que alguma coisa não fechava nas contas da família. Não foi uma súbita percepção, era uma sensação difusa. Pequenas inconsistências nas faturas, cobranças que ela não reconhecia, comentários soltos de funcionários da empresa que sugeriam uma realidade financeira diferente daquela que Alexandre lhe descrevia em casa.

 A Ana começou a perguntar discretamente, sem alarme, sem confrontar, como quem está só a verificar. E foi exatamente aí que o comportamento de Alexandre começou a mudar, porque um agressor que sente que o controlo está escapando se transforma e o que ele se tornou nos meses seguintes só aparecia dentro de casa, onde ninguém via.

 As as discussões começaram a multiplicar-se sobre o dinheiro, sobre o filho, sobre pequenas decisões que se tornavam grandes em segundos. A voz de Alexandre, antes calculada, passou a levantar-se. As respostas começaram a sair sob a forma de gritos. Os jingamentos surgiram. Uma palavra começou a aparecer com frequência crescente nas conversas.

 A palavra era louca. Alexandre passou a chamar louca a Ana cada vez que ela tentava questionar uma decisão administrativa, cada vez que ela pedia para ver um contrato, cada vez que ela queria entender por tal cobrança tinha chegado a casa. É a tática mais antiga do livro, Fazer a outra pessoa duvidar da própria capacidade de ver o que está mesmo à frente dos olhos.

 Ana começou a duvidar. E quando uma mulher como Ana Hickman começa a duvidar de si própria, o efeito é profundo. Toda a estrutura pública da imagem dela depende de presença, de clareza, de comando da cena. Em casa, ela passou a calar-se exatamente nos momentos em que mais precisava de falar.

 Em outubro de 2023, três dias antes do episódio que ia mudar a vida da família, Alexandre concedeu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Falou de um processo que corria em tribunal contra o Banco do Brasil. Falou sobre dívidas, falou sobre as dificuldades da empresa e disse textualmente que não queria manchar o nome da Ana Hickman Hun.

 Em casa, no entanto, o tom era outro. A Ana já vinha ter conversas difíceis com o filho. A Lezinho, na altura com 9 anos, apercebeu-se algumas coisas que ela tentava não comentar à frente dele. Percebia que a casa estava a ser mencionada como possível venda. Percebia que o pai e a mãe tinham gritado uma vez ou outra. Percebia que alguma coisa estava a acontecer, mesmo sem compreender o quê.

Foi numa dessas conversas, no final de uma tarde, que a Ana decidiu explicar ao filho, por palavras simples, que a família poderia precisar de vender a mansão de Itu, que isto não era uma tragédia, que coisas destas acontecem, que ele não precisava de se preocupar. Alexandre estava na cozinha também, juntamente com duas funcionárias.

 ouviu a conversa e não gostou. Porque o que ele fez no minuto seguinte, segundo o sits boletim de ocorrência registada pela própria Ana, é a confirmação física de tudo o que vinha sendo construído em segredo havia anos. E o que aconteceu nesta cozinha nas 2 horas seguintes derrubou o teatro de uma vida em 22 minutos. Sábado, 11 de novembro de 2023.

 Mansão da família Correa em Itú, interior de São Paulo. Início de noite. A cozinha da casa estava em movimento normal de fim de semana. Duas funcionárias trabalhavam. O filho do casal, o Alezinho, estava por ali. Ana acabava de chegar de um compromisso. A conversa começou banal. A Ana sentou-se ao lado do filho e falou, com a calma que usava sempre com ele, que a família poderia precisar de tomar algumas decisões difíceis nos meses seguintes, que talvez fosse o caso de pensar em vender aquela casa, que não havia motivo para preocupação, mas que ela queria que ele

soubesse em primeira mão, em vez de ouvir por aí. Alexandre estava na cozinha, ouviu cada palavra. O que ele fez no minuto seguinte está registado no relatório policial que a Ana iria registar dali a algumas horas. Começou a repreendê-la em voz alta. Disse que ela estava a mentir ao filho. Disse que estava a traumatizar o menino.

 A palavra louca apareceu de novo. Os insultos vieram em sequência. A voz subiu. O Alezinho, sentindo assim atenção, pediu-lhes que parassem. E como a discussão continuou, o menino saiu a correr para outra divisão da casa. Foi exatamente aí, com o filho fora da cozinha, com os dois funcionárias paralisadas, que a história mudou de natureza.

 Alexandre se aproximou-se de Ana e apensou contra Parciu e a parede apertou, imobilizou, aproximou o próprio rosto do rosto dela e ameaçou agredi-la com cabeçadas. Ana, sentindo que aquilo não ia parar, conseguiu soltar-se e correu na direção da cozinha, tentou fechar a porta de correr atrás de si. Alexandre, vindo atrás, fechou a porta com força e o cotovelo direito da Ana ficou entre a porta e o batente.

 O relatório do exame de corpo de delito, assinado 13 dias depois, descreveu o resultado desta porta como lesões corporais de natureza ligeira, provocadas por objeto contundente. Os hematomas demoraram semanas a assumir, mas o pior estava para vir. Uma vez do lado de dentro da cozinha, a Ana tomou a única atitude que tinha à disposição naquele momento.

 Chamou os cães da família. Os cães correram para a cozinha, atacaram Alexandre. Ana utilizou esse intervalo para trancar a porta, correu para o outro lado da cozinha na direção do telefone, enquanto Alexandre, do lado de fora, gritava. Marcou o 190. Ouviu uma voz feminina. conseguiu pronunciar o seu próprio nome e, nesse mesmo instante ouviu um marido tentando entrar pela janela da cozinha.

Em depoimento posterior, Ana usou palavras que ficaram registadas. A frase exacta foi: “Ainda bem que existe o 190, porque se eu não tivesse ligado, ele teria saltado aquela janela e eu não sei o que teria acontecido.” 22 minutos. Este foi o tempo que separou a conversa inocente com o filho da sirene da viatura a entrar no condomínio.

 22 minutos para uma vida de 25 anos virá processo, boletim, manchete e medo. E o que veio nas semanas seguintes foi pior. A Ana saiu de casa nessa noite com o filho, foi acolhida pela família. Alexandre ficou na mansão durante algumas horas e foi conduzido ao posto policial. As foram concedidas medidas protetivas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo já nos primeiros dias.

 Dois dias depois, sobia, apresentou o programa, referiu por alto, sem pormenores, a agressão que havia sofrido. O Brasil entrou em estado de choque. Em 24 horas, o caso tinha invadido todos os jornais da televisão e todas as primeiras páginas de revista. E foi nesse preciso momento, com o país parado para acompanhar o desfecho do drama doméstico, que o segundo desastre começou isso a virar à tona, mais silencioso, mais lento, mais devastador no longo prazo.

 Conforme advogados começaram a abrir os documentos da empresa do casal a pedido de Ana, como jornalistas como Léo Dias começaram a investigar as dívidas, conforme processos judiciais que estavam dormentes ganharam visibilidade pública, A Ana começou a compreender a outra metade da história, a metade financeira, a metade que a deixava naquele momento sem casa, sem reserva e com a marca pessoal endividada.

 Os números apareceram um a um, 46 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo, 14 milhões e 600.000 em dívidas, 15.000$ na conta conjunta. Assinaturas dela em contratos que ela afirma nunca ter feito, empréstimos em bancos cuja existência ela desconhecia. A Ana compreendeu em poucas semanas que o homem que a tinha prensado contra a parede da cozinha tinha feito muito mais do que ferir-lhe o cotovelo.

 Tinha esvaziado uma vida inteira de trabalho. E foi nesse momento, com a casa a apanhar fogo financeiramente e o ex-marido respondendo em tribunal, que a Ana começou a juntar duas histórias que pareciam separadas há 7 anos. a do quarto de hotel em Belo Horizonte e a da cozinha de Itu.

 Entre as duas existia uma ligação que ainda ninguém tinha feito. Vamos lá. Há dois homens nesta história: Rodrigo Augusto de Pádua, o Estranho do hotel em maio de 2016 e Alexandre Correa, o marido da cozinha em novembro de 2023. Entre eles, 7 anos de distância. Biografias completamente diferentes, sem qualquer relação direta entre as duas vidas.

Quando se colocam os dois episódios lado a lado, contudo algo desconfortável aparece. Rodrigo entrou naquele quarto convicto de que tinha o direito de cobrar alguma coisa à Ana. Para ele existia entre os dois uma relação que ela tinha violado. Existia um vínculo que ela tinha partido. Existia na cabeça dele uma promessa que ela tinha desfeito.

 Tudo construído sozinho, sem que ela nunca soubesse da existência dele. Mas para ele o vínculo era tão real que justificava uma arma carregada na mão. Alexandre, noutra escala, sentou-se durante 25 anos do outro lado da mesma equação. Para ele também existia um vínculo, só que o dele tinha notário, tinha certidão, tinha uma empresa em sociedade, tinha um filho em comum, tinha a base legal para ele se sentir, mesmo sem dizer parte daquilo que Ana construía com o seu próprio rosto e o próprio nome.

 E quando esse sentimento de pertença foi questionado dentro daquela cozinha, com Ana finalmente perguntando por dinheiro, que ela já desconfiava ter sido manipulado, a resposta dele foi a mesma do Rodrigo: avançar fisicamente para reaver controle. A diferença é que Rodrigo tinha 5 minutos e uma arma. Alexandre teve uma vida inteira e um cartório notarial e foi muito mais eficiente para destruir Ana sem ter de puxar um gatilho.

 Em 1998, quando Alexandre Correa apareceu na vida da Ana com a proposta prática de um casamento que serviria para libertar contratos internacionais, estava a reivindicar uma posse parecida com a que Rodrigo iria reivindicar 18 anos depois. A diferença é que Alexandre tinha à sua disposição um instrumento legal poderoso e uma família, a dela, boa demasiado para desconfiar de um homem mais velho, oferecendo solução prática.

Ana Hickmann vai se casar novamente: 'Tudo que tenho direito'

 O contrato de casamento, que parecia naquele momento atalho para uma adolescente talentosa, foi na verdade o primeiro passo de um processo lento de aquisição, documentado, educado, apoiado por toda a sociedade envolvente, que durou até à noite em que ela trancou a porta da cozinha e chamou a polícia. Ana não saiu de casa no dia 11 de novembro de 2023 só porque tinha levado uma porta no cotovelo.

 Saiu porque naquele instante entendeu que 25 anos de vida tinham sido 25 anos de outra coisa, coisa que ela só foi conseguir nomear mais tarde. O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Alexandre Correa a um ano de prisão em regime aberto, acrescido de R$ 10.000 R$ 1.000 de indemnização por danos morais e a manutenção das medidas de proteção por tempo indeterminado.

 A juíza Andreia Ribeiro Borges, da primeira vara criminal de violência contra Mouro, a mulher reconheceu na sentença que Alexandre continua a representar risco real à apresentadora. Em depoimento posterior, a Ana utilizou uma frase que entrou para os autos. A frase foi: “Tenho muito medo dele.” Hoje, enquanto este vídeo é finalizado, Alexandre Corrêa continua respondendo até a processos.

 foi condenado três vezes adicionais por difamação contra os advogados, contra a ex-mulher e contra figuras públicas que manifestaram-se a favor dela. Lançou uma pré-candidatura a vereador da cidade de São Paulo com a plataforma de defender homens vítimas de violência, continua atacando publicamente a Ana nas redes sociais e continua livre.

 Ana, por sua vez, retomou os contratos. renovou com o Record até 2020 para 7. Iniciou um relacionamento público com Eduardo Guedes, antigo colega de bancada no Hoje em Dia. Em março de 2024. Está a remodelar uma nova casa em Porto Feliz, no interior de São Paulo. Tomou conta da própria administração financeira pela primeira vez na vida adulta.

 O filho do casal, Alezinho, tem hoje 11 anos, vive com a mãe, vê o pai dentro daquilo que a justiça o permite. Mas o mais arrepiante desta história não é o que aconteceu, é o que quase aconteceu. Há uma janela aberta entre o pedido de ajuda ao 190 e a chegada da viatura ao condomínio, um janela de poucos minutos.

 Nessa janela, Alexandre tentou contornar a casa por fora. Procurou outro acesso à cozinha, tentou entrar pela janela. Se tivesse conseguido, antes de o 190 atender, antes da polícia chegar, ninguém sabe o que teria acontecido naquela cozinha. Os 22 minutos da noite de 11 de novembro de 2023 equilibram-se em retrospetiva sobre o mesmo fio dos 7 minutos do Kizar Business de Belo Horizonte em 2016.

 Em ambos os casos, A Ana esteve a centímetros de não estar mais aqui. Em ambos os casos, foi salva por uma decisão tomada em segundos. O cunhado na primeira vez, a própria mão dela marcando três números. Na segunda, o Brasil acompanhou a primeira história em tempo real, comoveu-se, comprou o jornal, enviou flores, publicou orações.

 A segunda, durante anos, foi escondida atrás de sorrisos, de bancada, de fotografias de bastidores e de entrevistas em que ela dizia estar grata. Só veio à tona porque uma porta de correr fazia hematoma num cotovelo. Se aquela porta não tivesse magoado, se o cotovelo não tivesse virado o relatório, se o relatório não tivesse virado o processo, é possível que Ana Hickman ainda estivesse agora repetindo numa qualquer entrevista que não saberia o que seria dela sem o Alê.

Tem uma fotografia dos arquivos do Hoje em Dia que ficou famosa por outro motivo na época. Ana de pé sorridente com Edu Guedes e Brito Júnior na bancada. Manhã de quarta-feira, programa em direto. Ela acabava de soltar uma das gargalhadas pelas quais ficou conhecida. O Brasil acordava com aquele rosto, com aquele riso, com aquela energia que parecia ser a definição do que é uma vida boa.

 A fotografia é de 2016, tirada 4 meses antes do quarto de hotel em Belo Horizonte. E o que esta fotografia tem de devastador quando se olha hoje com tudo o que sai ou o que se sabe, é que a mulher que ali sorria já estava naquele exato momento presa numa engrenagem que ia durar mais 7 anos.

 Asinaturas que ela vinha fazendo há anos já estavam em algum cofre administrativo dentro da casa em Itú, autorizando empréstimos em bancos que ela desconhecia. A palavra louca, embora ainda não se tivesse tornado xingamento, já existia em algum canto da casa à espera da hora de aparecer. O homem que segurava as decisões financeiras da família já tinha começado o processo, silencioso de transformar uma vida bem-sucedida numa vida em colapso. E ela não sabia.

 Ali na bancada, sorrindo para a câmara, Ana Hickman era a imagem mais convincente possível de uma mulher que tinha tudo sob controlo. Era exatamente essa imagem que estava a destruir a vida dela por dentro. É aqui que o caso da apresentadora deixa de ser um caso isolado de celebridade. Existe uma estatística incómoda que circula nos relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 Entre 2021 e 2023, 84.000 mulheres foram vítimas de perseguição doméstica formalmente registada no Brasil. Esse é o número das que conseguiram chegar a uma esquadra. As outras, as que nunca chegaram, ninguém sabe contar. O caso de A Ana ganhou uma capa de revista porque ela tinha um programa de televisão.

 O caso da empregada doméstica que regressa a casa todos os dias sem saber o que vai encontrar, este não vira manchete, vira boletim arquivado num qualquer cartório do interior, somando ao número anual que ninguém lê. A Ana teve a rara sorte de ter um cunhado num quarto de hotel, dois cães numa cozinha e três dígitos memorizados de cor.

 A maioria das mulheres na mesma situação tem zero destas três coisas. O que esta história tem para ensinar e que talvez seja a única coisa que importa carregar daqui em diante não se trata de violência doméstica em abstrato, é sobre a coisa muito mais difícil de explicar a quem está de fora, sobre como dentro de uma casa uma pessoa pode ser apagada lentamente por outra durante décadas, mantendo o sorriso, mantendo o trabalho, mantendo a aparência sem nunca nunca conseguir nomear em voz alta o que está acontecendo. Porque nomear é admitir e

admitir é destruir uma vida inteira de história partilhada, uma adolescência cedida, um filho criado em comum. 25 anos de fotografias de família. É mais fácil continuar do que reconstruir a partir do zero aos 42 anos. A Ana foi obrigada a reconstruir mesmo assim, porque uma porta lesionou um cotovelo e o cotovelo virou relatório, virou processo, virou manchete, tornou-se liberdade.

 A maioria das as mulheres não têm este acidente conveniente. Esta é a história de Ana Hickman, como ela realmente aconteceu, sem filtros, sem versão de bastidor, sem o sorriso de bancada que durante anos cobriu tudo o que estava a acontecer dentro daquela casa. Se chegou até aqui, deixa um comentário a contar o que mais te chocou nesta história.

 Se foi o atentado de 2016, se foi a falsificação das assinaturas, se foi a noite na cozinha ou se foi a ligação entre os dois homens que tentaram destruir a vida dela. A gente lê todos. Se gostou do vídeo, deixa o like e subscreve o canal. Aqui contamos as histórias por trás dos rostos famosos que pensa que conhece, as que ninguém se atreve a contar.

 

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