A Gaiola de Ouro em Ruínas: O Segredo Sombrio da Mansão Abandonada de Xuxa Meneghel.

A Gaiola de Ouro em Ruínas: O Segredo Sombrio da Mansão Abandonada de Xuxa Meneghel. Descubra como o maior símbolo de luxo e poder dos anos 90, a lendária Casa Cor-de-Rosa, se transformou num castelo fantasma a cair aos pedaços. Porque fugiu a Rainha dos Baixinhos do seu próprio paraíso?

POR DENTRO DA MANSÃO ABSURDA ABANDONADA POR XUXA MENEGHEL: A CASA ROSA (2026)  

Teve uma casa no Rio de Janeiro que durante anos foi quase um ponto turístico, um castelão cor-de-osa plantado no meio do verde, na zona oeste da cidade. Quem ia para o rio passava na frente só para ver de perto, do mesmo forma como parava para ver o Cristo Redentor. Já deve ter adivinhado de quem era. Era a casa cor-de-rosa da Xuxa.

 E para perceber o tamanho desta casa, você é preciso lembrar do tamanho que a Xuxa tinha. Nos anos 90, ela era o maior fenómeno que a televisão brasileira já tinha visto. Estava em todo o lado ao mesmo tempo, na TV de manhã, no disco que tocava em toda a casa, na capa de revista, no brinquedo da criançada.

 O país inteiro era apaixonado por ela. Era maior prazer. Ela podia tudo. E foi mesmo nesse auge que realizou um sonho antigo de menina. Levantou um castelo de verdade, um sonho cor-de-osa daqueles que toda a criança daquela época imaginava viver. Só que olha quanto tempo já passou disto, não é? A as pessoas cresceram, a vida foi empurrando para frente e aquele castelo que parou o O Brasil foi desaparecendo do mapa, esquecido num canto da memória.

 Até que esses dias bateu-me uma curiosidade misturada com nostalgia. Eu simplesmente me perguntava: “Como será que está hoje o castelo mais cobiçado dos anos 90, a famosa casa cor-de-rosa?” E foi essa a questão que me trouxe até aqui, porque vamos entrar de cabeça na vida da rainha dos baixinhos, a Xuxa Meneguel, e no seu castelo cor-de-rosa, como ele era por dentro e como está tudo hoje.

 Mas antes de nós começarmos, dá uma força ao canal, clica no botão subscrever aí por baixo do vídeo e ajuda-nos a chegar a mais pessoas e a contar histórias bonitas como a de hoje. E por por falar em lindas, vamos recuar no tempo. para bem longe, para uma época em que ninguém, mas mesmo ninguém, apostaria um cêntimo no futuro daquela menina.

 A história começa em 1963 numa cidade chamada Santa Rosa, ali no interior do Rio Grande do Sul. Foi aí que nasceu Maria da Graça Meneguel, a mais nova de cinco irmãos, filha de um pai militar numa família comum daquelas que encontrava em qualquer canto do Brasil daquela época. Repara só, ninguém ali tinha como adivinhar o que aquela menina ia virar.

 Era apenas mais uma criança gaúcha, de uma pequena cidade, longe de tudo. Quando tinha 7 anos, a família fez as malas e desceu para o Rio de Janeiro. E não foi para a zona sul chique, não. Foi viver para o subúrbio, na correria de quem precisava de se virar para viver. E foi crescendo assim, na simplicidade, até que aí, pelos 16 anos, aconteceu a primeira reviravolta.

 Uma menina bonita, de olhos claros, num Rio de Janeiro, cheio de oportunidade para quem tinha o rosto certo. A Maria da Graça tornou-se modelo e não foi um modelo qualquer. Em pouco tempo estava na capa de uma revista. Só num ano estampou mais de 80 capas. 80. O rosto dela começou a aparecer em toda a banca de jornal do país.

 E a tal da menina do interior já não era tão anónima assim. Mas modelo é uma coisa. O que veio depois é que mudou tudo. No início dos anos 80, ela foi parar à televisão, apresentando um programa infantil na extinta Rede Manchete, O Clube da Criança. E foi ali naqueles bastidores que ela se cruzou com uma mulher que ia mandar na vida dela pelas duas décadas seguintes, a Marlene Matos.

Guarda esse nome. Ele vai voltar nessa história mais paraa frente e não vai ser do jeito bonito. Por enquanto, o que importa é que resultou. Deu tão certo que a maior estação do país bateu na porta. Em 30 de junho de 1986, estreava na Globo, um programa que ia virar a manhã do Brasil de cabeça para baixo. O nome era Show da Xuxa.

 E olha que sacada genial. Em vez de entrar no palco como qualquer apresentador, ela descia de uma nave espacial, uma nave espacial. A criançada ficava de queixo caído. Bom dia, amiguinho. Já cá estou, tenho tantas coisas para ti. E ela chamava a miudagem toda de baixinhos. Foi daí que saiu o apelido que colou para sempre.

 A rainha dos baixinhos. Aí, meu amigo, não houve mais volta. O beijinho, beijinho, tchau, tchau, virou o bordão na boca de todo o mundo. As xuxinhas no cabelo tornaram-se febre. Não havia nenhuma menina no Brasil que não quisesse uma. O programa ia para o ar de manhã, de segunda a sábado, e parava a casa.

 A criança acordava cedo, antes da escola, e já corria para a frente da televisão. Era um ritual, mas o tamanho do fenómeno só se entende quando se olha pros números. E é aí que a coisa fica impressionante, porque a Xuxa não dominava só a TV, ela dominava também as lojas de discos. O primeiro álbum do espectáculo, ainda em 1986, vendeu mais de 25 milhões e meio de cópias.

 Uma loucura para a época, um recorde na América do Sul inteira. E aquilo foi apenas o início, ano após ano, com milhões e milhões de exemplares vendidos numa época em que o disco era coisa séria que a família comprava na loja e ouvia juntos na sala e não parou no Brasil. A fama dela atravessou a fronteira. No início dos anos 90, a Xuxa tinha programa na Argentina, Espanha e até nos Estados Unidos.

 chegou a apresentar em quatro países ao mesmo tempo. Atingia dezenas de milhões de pessoas por dia. Pensa no tamanho disto. Aí veio a cereja no topo do bolo. Em 1991, uma das revistas mais conceituadas do mundo, a americana Forbes, aquela que lista os mais ricos do planeta, colocou a Xuxa numa lista de celebridades que mais faturaram.

 E ela foi a primeira latino-americana da história a entrar ali. A primeira, uma menina de Santa Rosa que um dia viveu no subúrbio do rio, figurava agora ao lado das estrelas mais ricas do mundo inteiro. Senta-se com esta informação um segundo da casa simples no interior gaúcho até às páginas da Forbes, em pouco mais de 10 anos.

 Agora responde-me o que falta para quem chegou a esse lugar. Quem tem o país aos pés, o nome em revista de bilionário, o dinheiro a entrar de todos os os cantos do mundo. O que mais esta pessoa quer? Ela quer realizar um sonho, um sonho que carregava desde menina. E foi exatamente aí, no topo de tudo, que nasceu a famosa casa cor-de-osa.

 E que sonho era este? Afinal? Não era de hoje e não nasceu do dinheiro. A vontade de ter uma casa assim vinha diantes da fama toda. Tanto que antes da casa cor-de-rosa, a A Xuxa já tinha tido uma casa toda branca, igualzinha à que viria depois, só que branca. Depois foi viver para um sítio e é neste sítio que aparece um lado dela que muita gente não faz ideia, porque a Xuxa tornou-se uma espécie de mãe de bicho perdido. Chegou a ter 54 cães. 54.

Isso mesmo que ouviu. Era até entidade mantenedora oficial do IBAMA. Tinha macaco, macaco, ave, bicho de toda a espécie ali com ela. O pessoal apanhava um animal abandonado por aí e largava-o na mão dela. E ela acolhia, cuidava, bancava tudo do próprio bolso. Não conseguia dizer não para um bicho.

 E é aí que está a chave para compreender a casa cor-de-rosa. Porque o que a Xuxa queria não era a ostentação, era um lugar grande, cheio de verde, onde ela pudesse ter o seu mundo e os animais dela longe da loucura lá de fora. Eu vivi na Casa Branca, era igualzinha a casa cor-de-rosa, só que toda branca. Depois fui para o sítio.

 Ali no sítio tinha, tive 54 cães. Eu era uma atenedor. Era um refúgio. Guarda essa palavra porque ela explica tudo o que vem depois. Foi deste sítio cheio de bicho que ela partiu para casa que o Brasil inteiro ia conhecer lá no início dos anos 90. E aqui já há um pormenor curioso. A tal casa cor-de-rosa não era nem cor-de-rosa verdadeira, era pintada de salmão.

Foi o povo que apelidou de rosa e o apelido pegou tão forte que se tornou o nome oficial na cabeça de toda a gente. Até hoje ninguém chama de outra maneira. A casa ficava na Vargem Grande, na zona oeste do Rio. E quando eu te disser o tamanho do terreno, vai perceber porque aquilo tornou-se lenda. 78.

000 1000 m². Para que tenha uma ideia do que este significa, é como se a casa tivesse dentro dos próprios muros o espaço de uns 10 campos de futebol, um do lado do outro, tudo rodeado de mata fechada no meio da natureza. A área construída sozinha ultrapassava os 2000 m², uma casa que era do tamanho de um edifício inteiro deitado no chão.

 E aí pergunta: “Mas o que cabia dentro de um lugar desse tamanho? Quase tudo o que lhe puder imaginar. A casa principal tinha cinco suites. Tinha cinema privado, daqueles de salinha de projeção com tela e tudo. Dentro de casa tinha um estúdio de fotografia, tinha uma sala de jogos e o terreno era tão grande e o terreno era tão grande que para ir da casa principal até às outras construções lá dentro, a Xuxa deslocava-se de carrinho de golf.

carrinho de golfe dentro da própria propriedade. Nestas construções anexas tinha sauna, tinha jacuzzi, tinha piscina, mas o que fazia cair o queixo mesmo era o jardim. Tinha coqueiro, palmeira imperial daqueles gigantes, mangueira, eucalipto, bromélia, orquídea e no meio de tudo um lago. E não era um laguinho qualquer, não.

 Tinha cisne negro a nadar, tinha flamingo cor-de-osa, havia ganso, havia marreco. Parecia um cenário de filme, tinha um pomar para colher fruta e tinha um parque infantil com pula-pula para o Saas brincar. E os pormenores faziam ju à dona da casa. Na entrada, dois leões de pedra guardavam a porta como num verdadeiro castelo.

 Nas grades do portão, as iniciais dela em letras douradas, XM, Xuxa Meneguel, cravada na entrada para quem passasse na frente não ter a menor dúvida de quem morava ali. No interior, a cozinha, que era a parte preferida da Xuxa, era toda em preto e branco. a parede da sala, quadros pintados pela própria sa criança e uma imagem de Jesus Cristo.

 Agora você compreende porque é que aquela casa não era só uma casa, era uma personagem. E como todo o lugar lendário, ela teve os seus momentos de glória daqueles que pararam o país. O mais famoso de todos foi uma entrevista. O Gugu Liberato foi à Casa Rosa para entrevistar a Xuxa lá dentro, mostrando cada cantinho daquele mundo para o Brasil inteiro.

 E aquela entrevista parou a televisão. Era a hipótese de ver, com os próprios olhos, o que existia por detrás daqueles muros que toda a gente só conseguia imaginar de fora. O país inteiro ficou colado na tela. E não era só o Brasil que tinha os olhos naquela casa, o mundo também. Houve uma cena que o O Fantástico registou e que parece guião de filme.

 O Jean-Claude Van Dami. Isso mesmo, a estrela de Hollywood, o rei da pancadaria, no auge da carreira, veio ao Brasil para o lançamento de um filme dele. E o que é que ele fez? foi parar na casa cor-de-rosa. Aterriçou de helicóptero ali no jardim da casa da Xuxa. Pensa na imagem, um helicóptero pousando no quintal e de dentro dele descendo um dos maiores ídolos do cinema de ação do planeta.

 Encantado com a casa e com a sua dona. A Xuxa recebeu com um beijinho e saíram os dois passeando sozinhos por aquela imensa propriedade, acompanhados apenas pelo seu cachorrinho, o Zé do Pimpo, que não desgrudava da dona. E há a parte que a própria Xuxa contou rindo muito tempo depois. Segundo ela, o Vandame chegou demasiado animado.

 Veio de mala e cuia, pensando que ia ficar hospedado na casa. já desceu com a mala dizendo que ia dormir lá e a Xuxa teve que segurar a onda, explicar com jeitinho que aquele espaço era só dela. O homem atravessou o mundo e queria se mudar para o castelo cor-de-rosa. Olha o tamanho do magnetismo daquele lugar. Um estrela de Hollywood a aterrar de helicóptero no jardim a querer ficar.

Esta era a casa cor-de-rosa e tinha um pormenor que dava ainda mais brilho àquela época. Era o tempo em que a Xuxa vivia um romance com nada mais nada menos que Airton Sena, o maior ídolo do desporto brasileiro. Pensa na cena. O homem que parava o Brasil nas tardes de domingo a correr de Fórmula 1 e a mulher que parava o Brasil nas manhãs de semana com a criançada.

 Os dois maiores fenómenos do país juntos naquele castelo cor-de-rosa. Era o auge absoluto de um lado e do outro. E houve a festa que entrou para a história. Em 1999, a Sasha completou um aninho e a festa de aniversário de uma criança de 1 ano juntou mais de 1000 pessoas naquele terreno. 1000 convidados, mais gente do que vive em muita aldeia do interior do Brasil.

 E houve uma lembrança que ainda hoje dá que falar. Distribuíram coelhos vivos para os convidados levarem para casa. Coelhos verdadeiros. Dá para imaginar a cena. Esse era o mundo cor-de-rosa da Xuxa. Parecia um conto de fadas, não parecia? E para que possa entender de onde saía o dinheiro que sustentava tudo isso, deixa-me dar-te um número.

Lembra-se dos discos da Xuxa? Teve uma música chamada Ilarie. É a turma da Xa que vai dizendo o seu olá. O disco dela vendeu mais de 3 milhões de cópias e foi durante 10 anos seguidos o disco brasileiro mais vendido da história inteira do país. Entrou pro Guinness o livro dos recordes mundiais como o álbum infantil mais vendido de todos os tempos.

 do mundo inteiro, não do Brasil, do mundo. Esse era o império que erguia o castelo cor-de-osa. Mas aqui, no meio de toda esta beleza, há um pormenor que pouca gente parou para pensar, porque por detrás do verde, do lago com flamingo, dos leões de pedra na porta, havia uma verdade que a Xuxa só foi confessar muito tempo depois e é de cortar o coração.

 Ela contou que se sentia numa gaiola de ouro. foram as palavras exatas dela. Linda, mais uma gaiola, um lugar de onde ela não podia simplesmente sair pela porta. Para pôr o pé para fora, precisava de segurança, precisava de esquema, tinha que se planear como quem planeia uma operação. Ela tinha construído um mundo inteiro ali dentro, precisamente porque lá fora a fama não a deixava viver em paz.

 O refúgio tinha-se transformado em cela, mas uma gaiola onde não podia sair porque tinha de sair em segurança. E havia mais. A Xuxa revelou que com o tempo descobriu que a Marlene Matos, lembras-te do nome que te pedi guardar lá no início? Controlava até os telefonemas dela, vigiava com quem ela falava, quanto tempo ficava na linha.

 E a própria Xuxa usou uma palavra dura para descrever aquilo tudo, prisão. Ela disse com todas as letras que vivia numa prisão. Pensa que coisa. A mulher mais famosa do Brasil, dona do castelo que era o sonho de todos, se sentindo-se presa dentro da própria casa. Tinha tudo o que o dinheiro podia comprar, menos a coisa mais simples de todas, a liberdade de abrir o portão e andar na rua como qualquer pessoa.

Aquele império parecia que ia durar para sempre. A casa, os animais, o lago, os leões dourados à porta, tudo tinha cara de eternidade. Só que o tempo tinha outros planos. E o que aconteceu com a casa cor-de-rosa depois é a parte que te vai deixar de queixo caído. Pois é. E o tempo começou a mexer ali as suas peças por volta de 2007.

 Foi nesse ano que apareceu à porta daquele castelo a placa que ninguém esperava. Vende-se a casa cor-de-rosa, o sonho cor-de-osa, o refúgio dos bichos estava à venda e o preço pedido foi de 8 milhões deais. E aí pergunta-se: “Mas por ela ia vender uma casa daquelas depois de tanto tempo?” A resposta é mais simples do que parece e tem a ver com a vida.

 Seguindo em frente, a sasia já estava a crescer. A escola, os amigos, as atividades da menina, tudo isso ficava demasiado longe daquela casa enfiada no meio da mata ali em Vargem Grande. O que um dia foi a vantagem da casa estar isolada, escondida, rodeada de verde, tornou-se o problema, demasiado longe de tudo.

 E a Xuxa decidiu que era altura de mudar para mais perto da correria do dia a dia. Ender a casa no fim foi a parte fácil. Difícil foi o que veio depois, porque aqui começa a parte triste desta história. Aquele castelo que um dia houve cisne negro no lago e estrela de Hollywood a aterrar de helicóptero no jardim foi sendo deixado de lado aos bocadinhos, sem ninguém para cuidar, uma casa daquele tamanho não resiste muito tempo.

 E o que sobrou hoje é de partir o coração de quem viveu aquela época. A tinta cor- deosa ou salmão, como a Xuxa fazia questão de lembrar, está a descascar, a cair aos pedaços das paredes. O mato, aquele verde que era o seu orgulho, cresceu sem controlo e engoliu tudo. Engoliu o jardim, engoliu os caminhos, subiu pelas paredes, a piscina vazia, os brinquedos que um dia foram o recreio da sasha, desmontados, largados.

 E os leões de pedra que guardavam a porta agora guardam o quê? Uma casa vazia, um castelo fantasma no meio do nada dá um aperto, não é? A casa mais cobiçada do Rio de Janeiro, paragem obrigatória de quem visitava a cidade, hoje parece aquelas casas assombradas de filme. Mas aqui vale a pena pararmos para pensar numa coisa.

 Por que razão isso acontece? Por que que um imóvel tão valioso, tão cheio de história, simplesmente vira ruína? E a resposta é mais dura do que a gente imagina. Porque manter uma casa daquele tamanho é um peso que muito pouca gente no mundo consegue carregar. Pensa 78.000 m² para sachar, para cuidar, para vigiar. O imposto que cai todos os anos, a manutenção de cada divisão, de cada cano, de cada metro daquele jardim.

 É o que o pessoal chama de elefante branco. Uma coisa linda, valiosa, mas que custa tão caro a manter que acaba por se tornar um problema em vez de um presente. E há mais. Uma casa daquele tamanho, com aquela história toda é difícil até de voltar a vender. Quem é que tem dinheiro para comprar e ainda por cima bancar a renovação de um castelo abandonado? São poucos, pouquíssimos.

 Então ela vai ficando ali parada à espera. É o lado da fama que ninguém mostra na novela. A gente vê o brilho, o auge, o helicóptero a aterrar no jardim, mas não vê o que acontece quando as luzes se apagam e resta apenas a conta para pagar. E aí vem o pormenor que mais mexe connosco nesta história toda.

 A própria Xuxa voltou a pisar naquela casa. Foi em dezembro de 2022, quando esta regressou ao terreno para gravar cenas da história da vida dela. E olha o que ela disse com a voz embargada ao ver de novo aquele lugar, que foi ali que a sasha foi gerada, que foi aí que a filha deu os primeiros passos, que foi naquela casa que ela viveu alguns dos melhores momentos da sua vida, e contou uma coisa que aperta o peito, que toda a vez que passava perto da casa, depois de tê-la vendido, ela lamentava ver que tinham arrancado as plantas, aquele

verde todo de que ela tanto cuidou, que era A alma do lugar tinha partido. Imagina a cena. A mulher passando de carro à frente do que um dia foi o castelo dela e vendo aquilo morrer aos poucos pela janela. A casa cor-de-rosa, no fim das contas, tornou-se um retrato. Um retrato de que nada, por mais belo e grandioso que seja, dura para sempre se ninguém cuidar.

 Mas e a rainha? O castelo dela caiu, tornou-se ruína. E ela? Como será que está a Xuxa hoje depois disto tudo? É para lá que vamos agora. Então vamos lá. Se o castelo caiu, o que será que aconteceu com a rainha? A boa notícia é que a história da Xuxa, ao contrário da casa, não terminou em ruína. Muito pelo contrário, hoje, em 2026, a Xuxa vive numa casa muito mais modesta.

 Modesta para os padrões dela, claro, porque não deixa de ser uma bela casa, mas nada perto daquele castelão de 78.000 m². E há uma simbologia bonita nisso. A mulher que um dia se sentiu presa numa gaiola de ouro, vive hoje num espaço onde ela cabe, onde ela respira. Trocou o tamanho pela liberdade e, pelos vistos, fez um bom negócio.

 Lembra-se daquela história dos animais, dos 54 cães, dos macacos, das aves que ela ali acolhia no sítio? Pois aquilo nunca foi uma fase. Era quem ela é de verdade. E hoje, longe dos holofotes que a perseguiram a vida inteira, a Xuxa abraçou de vez este causa. Tornou-se vegana, tornou-se ativista da proteção animal, daqueles que usam o nome e a voz que ainda tem para defender os bichos.

 O que era um cantinho escondido da vida dela tornou-se uma das coisas mais importantes. Repara que bonito. A menina que não conseguia dizer não para um bicho perdido tornou-se a mulher que faz disso uma missão. E a família? A família floresceu. A Sasha, aquela bebé cuja festa de um ano juntou 1000 pessoas no castelo, hoje é uma mulher feita.

Casou, seguiu o seu próprio caminho, virou-se estilista. E a Xuxa, que um dia foi a mulher mais solitária dentro da própria mansão apinhada de gente, hoje tem ao lado companheiro, o Júno Andrade, com quem está há mais de 10 anos. Uma relação tranquila, longe do escândalo, da forma que ela sempre quis e nunca pôde ter ali atrás.

 Mas talvez a reviravolta mais bonita seja outra. Aquela mulher que se sentiu uma prisioneira, vigiada até nos telefonemas, controlada por quem deveria cuidar dela. Esta mulher sentou-se e contou tudo com as próprias palavras do próprio jeito. Ela revisitou a história da vida dela, voltou aos lugares que marcaram incluindo a casa cor-de-rosa e dividiu com o Brasil as feridas que carregou caladas durante décadas.

 A gaiola de ouro, a sensação de prisão, tudo o que nós falou neste vídeo veio dela própria, finalmente livre para falar. E sabe o que é mais impressionante? Depois de tudo, do auge, da queda, das mágoas, do castelo a tornar-se ruína, a Xuxa não desapareceu. Ela voltou, voltou a aparecer no pequeno ecrã à maneira dela, no tempo dela, falando das causas que ela escolheu abraçar.

 Não como a rainha dos baixinhos de antigamente, presa a uma personagem, mas como a Maria da Graça, que ela sempre foi por baixo de tudo aquilo. Porque é é o que esta história toda mostra. O castelo cor-de-osa caiu, as muralhas descascaram, o mato tomou conta, os leões de pedra ficaram a guardar no vazio, mas a mulher que ali vivia, essa não caiu junto.

 O reino ruiu, a rainha não. E talvez seja exatamente aí que mora a maior lição de tudo isto. Uma lição que vale para a Xuxa e vale para si e vale para mim. E que lição é esta? Olha, a casa cor-de-rosa começou por ser um sonho, aquele sonho de menina, de ter um lugar grande, cheio de verde, cheio de bicho, onde ela pudesse ser feliz da forma dela.

 E durante um tempo, foi, foi castelo, foi um conto de fadas, foi a morada mais cobiçado do país. Mas a vida ensina uma coisa que nos custa aprender. As paredes não seguram a felicidade. O dinheiro levanta o castelo, paga os leões de pedra à porta. enche o lago de flamingo, mas não compra a paz de abrir o portão e sair a caminhar na rua. A Xuxa tinha o maior dos castelos e sentia-se presa nele. Pensa nisso.

 E quando a as pessoas olham para aquela casa hoje, descascada, tomada pelo mato, o que dá não é só pena, dá uma certa reflexão. Porque tudo o que parecia eterno, o brilho, o age, a multidão à porta, passou. E o que sobrou de verdade não foi a casa. foi a mulher. A Xuxa seguiu, reinventou-se, encontrou a paz que o castelo nunca deu.Xuxa Meneghel lamenta desrespeito de mulher após levar cuspe no rosto ·  Notícias da TV

 A construção de tijolo tornou-se ruína, mas a pessoa, essa ficou de pé. E talvez seja este o recado, que esta casa cor-de-rosa abandonada deixa que, no fundo, não é o tamanho da casa que mede a vida de alguém, é o que construímos por dentro, a família, os afetos, aquilo que nós realmente é quando as luzes se apagam, os leões de pedra continuam ali a guardar um castelo vazio.

 Mas a rainha já tinha compreendido há muito tempo que o reino de verdade era outro. E agora quero saber de ti. Na sua opinião, o que deveria acontecer com a Casa Rosa? Acha que ela merecia tornar-se um museu para eternizar a história da Xuxa? Acha que devia virar um projeto social, fazer um bem a alguém? Ou acha que é certo deixar como tá? E cada um que cuide do que é seu, escreve lá em baixo nos comentários que vou ler.

 E tenho a certeza que vai dar uma boa conversa por ali. E se você gostou desta história, se ela lhe trouxe uma boa memória dessa época, faz uma última coisa por mim. Se inscreve no canal, é gratuito e é o que me ajuda a continuar a desenterrar essas histórias que o tempo quase levou.  

 

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