No camarim abafado do Teatro Castro Alves, em Salvador, o ar condicionado luta contra o calor baiano que parece infiltrar-se pelas paredes. Roberto Carlos, o rei da música brasileira, ajusta o impecável casaco branco diante do espelho, os olhos fixos no seu reflexo, mas a mente distante, o som abafado da plateia ansiosa e coa do outro lado da cortina, um murmúrio que mistura expectativa e devoção.
Ele respira fundo, sentindo o peso de mais um espetáculo, mas hoje algo está diferente. A porta abre-se e Frey Gilson, com o seu simples hábito franciscano e um sorriso caloroso, entra com passos ligeiros, como se trouxesse a brisa do mar de Salvador. Roberto vira-se e os dois abraçam-se. Um gesto que carrega anos de amizade, confiança e segredos partilhados.
O que deveria ser uma saudação rápida antes do palco transforma-se em algo maior, algo que ninguém no teatro cheio poderia imaginar. O que o Roberto está prestes a revelar a Frei Gilson mudará não apenas a noite, mas o futuro da milhares de vidas. O camarim, com o seu cheiro a madeira antiga e a perfume caro, parece encolher sob o peso daquele momento.
Roberto senta-se, as mãos inquietas, enquanto Frey Gilson se acomoda numa cadeira simples, os olhos atentos, como se já soubesse que algo profundo está para vir. O relógio na parede marca os minutos finais antes do espectáculo, mas o tempo parece suspender-se. O som da guitarra a ser afinado ao fundo, o burburinho dos técnicos, tudo se dissolve-se na presença daqueles dois homens.
O Roberto, tão habituado a comadar multidões com a sua voz, hesita como se as palavras que transporta fossem demasiado pesadas para serem ditas. Frei Gilson, com a sua calma que parece tocar a alma, apenas espera o silêncio entre eles mais eloquente do que qualquer canção. É nesse instante, entre o caos pré-how e a intimidade de uma amizade verdadeira, que uma história começa a desenrolar-se, uma história que vai muito para além do palco.
As luzes do camarim piscam levemente, refletindo-se no espelho, e o calor de Salvador parece apertar ainda mais, como se toda a cidade estivesse sustendo a respiração. O Roberto olha para Frey Gilson e algo no seu olhar revela um peso que nem a fama, nem os aplausos, nem os anos de sucesso conseguiram aliviar. É uma confissão que está guardada há demasiado tempo, uma promessa que fez e nunca cumpriu, um vazio que nem as suas canções conseguiram preencher.
Frey Gilson, com a sua sabedoria de quem já ouviu tantas histórias, inclina-se para a frente, pronto para ouvir o que Roberto dirá, o que o levou a este momento de vulnerabilidade, há poucos minutos de enfrentar uma multidão? E como é que essa conversa no camarim, tão íntima e inesperada, pode transformar-se em algo que ecoará por todo o Brasil.
Fique até o final para descobrir como um encontro casual no calor de Salvador torna-se o início de um movimento que ilumina vidas, une corações e transforma uma promessa antiga num juramento que brilhará para sempre. Você não vai acreditar no que acontece quando Roberto Carlos e Frey Gilson decidem que uma noite de espetáculo pode mudar o destino de uma cidade inteira.
O camarim do teatro Castro Alves continua envolto no calor denso de Salvador, o ar carregado de expectativa enquanto o relógio avança rumo ao início do espetáculo. Roberto Carlos está sentado, o casaco branco agora pendurado, a camisa entreaberta revelando um homem que, apesar da aura de ícone, transporta uma vulnerabilidade quase palpável.
Ele é o rei, o cantor que faz multidões cantar em unísono. Mas ali, naquele espaço apertado, ele é apenas Roberto, um homem de 60 anos com rugas que contam histórias de glórias e arrependimentos. Os seus olhos, geralmente brilhantes em palco, estão pensativos, fixos num ponto invisível, como se procurassem algo perdido no passado.
Ele mexe nos dedos, um gesto quase inconsciente, enquanto o som abafado da público lá fora lembra que o tempo não para. Roberto é mais do que um artista, é um símbolo do Brasil, alguém que transformou sentimentos em canções, mas enfrenta agora um vazio que nem as suas letras conseguiram expressar. Ele é carismático, mas reservado, um homem que guarda as suas dores com a mesma intensidade com que entrega as suas emoções ao público.
Do outro lado do camarim, Frey Gilson acomoda-se com uma tranquilidade que parece desafiar o caos pré-how. O Frade, com o seu hábito franciscano surrado e um terço pendurado na cintura, exude uma serenidade que contrasta com o frenesido, teatro. O seu rosto, marcado por linhas de expressão que denunciam uma vida de escuta e compaixão, transporta um sorriso gentil que desarma qualquer tensão.
Ele é mais jovem que Roberto, mas a sua presença tem o peso de quem já guiou muitas almas por caminhos tortuosos. Frey Gilson não é apenas um religioso, é um amigo próximo, alguém que conhece Roberto para além dos holofotes, que já partilhou risos em churrascos e silêncios em momentos de dúvida. A sua voz, calma e firme, tem o dom de fazer com que o outro se sentir ouvido, e os seus olhos castanhos parecem ver para além das palavras.
Ele não força o diálogo, apenas espera, como se soubesse que o momento certo para falar chega sempre. A dinâmica entre os dois é quase mágica. Um equilíbrio perfeito entre a grandiosidade de Roberto e a humildade de Frey Gilson. Enquanto Roberto carrega o peso da fama com os seus milhões de fãs e a responsabilidade de ser um ícone, Frey Gilson é o contraponto, alguém que escolheu a simplicidade, mas cujo impacto é igualmente profundo.
O abraço que trocaram ao encontrar-se não foi apenas um cumprimento, foi uma ponte entre dois mundos, entre o palco e a fé, entre a multidão e o silêncio. Roberto, com a sua energia inquieta, parece encontrar na calma de Frey Gilson, o porto seguro, um espaço onde pode ser apenas ele próprio, sem o peso de ser o rei.
Já Frei Gilson, com a sua sabedoria prática, vem Roberto, não só o amigo, mas um homem com o poder de mover montanhas, se encontrar o propósito certo. O contraste entre eles é o que torna o momento tão envolvente. Roberto, com a sua voz, que já emocionou gerações, hesita ao tentar expressar o que o aflige, enquanto Frey Gilson, com a sua presença despretensiosa, cria um espaço onde esta vulnerabilidade pode florescer.
É como se o camarim, com as suas paredes desgastadas e o cheiro a café frio, se tornasse um confessionário improvável, onde dois homens, tão diferentes e tão próximos, começam a traçar o caminho para algo maior. A amizade deles, forjada em anos de confiança, é o alicerce desta história e a forma como se complementam promete levar o público numa viagem de emoção e transformação.
Enquanto o som da plateia cresce lá fora, a ligação entre Roberto e Frey Gilson no camarim já começa a acender a faísca de algo que iluminará muito para além daquele teatro. O camarim do teatro Castro Alves está silencioso, exceto pelo zumbido grave do ar condicionado e pelo eco longínquo da plateia que aguarda no auditório.
Roberto Carlos, sentado numa cadeira de couro gasto, olha para o chão, as mãos entrelaçadas como se tentassem segurar algo que escapa. O palitó branco, agora pendurado ao lado, parece um símbolo da sua persona pública, mas ali, naquele momento, ele é apenas um homem a carregar um peso que nem a fama conseguiu aliviar.
Frei Gilson, sentado à sua frente, mantém o olhar fixo, doente, com a serenidade de quem sabe que as palavras certas surgem quando o coração está pronto. O ar quente de Salvador parece infiltrar-se no espaço, transportando uma tensão quase palpável, enquanto o relógio na parede marca os minutos que faltam para Roberto subir ao palco.
Mas por enquanto, o palco pode esperar. Roberto quebra o silêncio, a sua voz grave hesitante, como se cada palavra doesse. Ele começa a falar de uma promessa feita há anos, uma promessa que nunca cumpriu. Era para uma instituição que cuidou de alguém muito querido, alguém que ele perdeu antes que pudesse honrar o compromisso. Ele não dá detalhes sobre quem era essa pessoa, mas o tom na sua voz revela o tamanho da dor.
Os seus olhos, geralmente tão firmes no palco, desviam-se para o espelho, como se não suportasse enfrentar o próprio reflexo. A culpa consome-o. Um arrependimento que foi crescendo com o tempo, alimentado por cada concerto, cada aplauso, cada momento em que brilhou enquanto a promessa permanecia esquecida. Ele confessa a Frey Gilson que, apesar de todas as conquistas, esta falha o persegue.
Um vazio que as suas canções não conseguem preencher. Frei Gilson ouve em silêncio, o terço nas suas mãos movendo-se lentamente entre os dedos. Ele não interrompe, não oferece respostas imediatas. Os seus olhos castanhos, cheios de empatia, acompanham cada palavra de Roberto, absorvendo a dor como se pudesse transportá-la consigo. O Frad entende que este não é apenas um desabafo, mas uma confissão profunda, um momento em que Roberto se deixa ser vulnerável, algo raro para alguém tão habituado a ser um símbolo.
O silêncio entre as palavras de Roberto é pesado, carregado de anos de arrependimento. E Frey Gilson deixa esse silêncio respirar, sabendo que é nele que as verdades mais difíceis encontram espaço para emergir. Quando Roberto termina, a sua voz está mais baixa, quase um sussurro. Fala do medo de que seja tarde demais, de que a promessa perdida não possa mais ser resgatada.
Há uma angústia na sua postura, nos ombros ligeiramente curvados, como se o peso da culpa fosse físico. Ele olha para Frei Gilson, procurando não só a compreensão, mas uma direção, algo que o tire daquele labirinto interno. O Frade, com a sua calma inabalável, inclina-se ligeiramente para a frente, o hábito franciscano a roçar o chão.
Ele não oferece consolo imediato, mas a sua presença é um convite para Roberto continuar, para deixar a dor se transformar em algo maior. Esse momento no camarim é o coração do conflito, onde Roberto, o ícone, revela-se humano, preso a uma promessa não cumprida que o define tanto como as suas canções. A narrativa ganha força ao mostrar que até os maiores ídolos transportam arrependimentos e a empatia do público é conquistada pela crua honestidade deste instante.
O som abafado da plateia ali fora, o calor que parece colar-se à pele, o tic-tacque do relógio, tudo amplifica a tensão emocional, enquanto Frey Gilson, com a sua sabedoria silenciosa, prepara o terreno para guiar Roberto a um novo caminho. O que será dito a seguir? Como é que essa confissão pode se transformar em algo que mude não só Roberto, mas o mundo à sua volta? O camarim do teatro Castro Alves mantém-se envolto num silêncio denso, quebrado apenas pelo zumbido fraco do ar- condicionado e pelo eco longínquo da plateia que aguarda o concerto. Roberto
Carlos, ainda sentado, os ombros ligeiramente curvados, parece menor do que o ícone que o mundo conhece, o peso da sua confissão pairando no ar como o calor de Salvador. A sua voz, tão poderosa em palco, acaba de revelar uma fragilidade que guardou durante anos, a culpa de uma promessa não cumprida. Um concerto de beneficência que nunca aconteceu.
Um vazio que nem a fama conseguiu apagar. Frey Gilson, com o terço a repousar entre os dedos, mantém o olhar fixo em Roberto, a sua serenidade um farol no meio à tempestade emocional do amigo. O relógio na parede avança, mas o tempo parece suspenso, como se o universo estivesse à espera do próximo passo. Frey Gilson, com a voz calma, mas carregada de uma convicção que parece vir de um lugar mais profundo, quebra o silêncio.
Ele não consola Roberto com palavras vazias, mas oferece uma ideia, uma centelha de esperança. E se essa promessa, Roberto, não for um peso, mas uma oportunidade? E se, em vez de carregar essa culpa, você a transformasse em algo maior, algo que ilumine a vida de muitos. Ele fala com ternura, mas há um desafio nas suas palavras, um convite para que Roberto veja para além do passado.
O Frade sugere que a promessa antiga, aquela que Roberto fez para uma instituição que cuidou de alguém querido, pode renascer num novo projeto, mais amplo, que alcance comunidades inteiras. Ele propõe o nome Juramento de Brilho, um movimento beneficente que una a música, a fé e a solidariedade para ajudar as pessoas em vulnerabilidade.
Roberto ergue os olhos pela primeira vez em minutos, encontrando o olhar de Frey Gilson. Há uma xispa de curiosidade no rosto, um brilho que começa a substituir a sombra da culpa. Ele pergunta, quase hesitante, como é que algo assim poderia funcionar? Frey Gilson, com um sorriso que mistura sabedoria e entusiasmo, explica que poderiam começar por um grande evento, algo que mobilize o público, artistas e a própria cidade de Salvador.
Fala de um espetáculo onde a entrada seja feita com donativos, alimentos, artigos de higiene, coisas simples que façam a diferença imediata. Mas mais do que isso, ele sugere que o evento seja apenas o início, o ponto de partida para algo maior, talvez uma fundação que perpetue esse compromisso. A ideia é ambiciosa, mas Frey Gilson fala com tanta convicção que parece possível, até inevitável.
O diálogo entre eles ganha vida, as palavras fluindo com um misto de emoção e propósito. Roberto, que momentos antes parecia preso ao passado, começa a inclinar para a frente, as mãos agora menos inquietas. como se a ideia estivesse a reacender algo dentro dele. Ele fala de como as suas canções sempre tocaram corações, mas talvez agora possam tocar vidas de outra forma.
Frei Gilson reforça, com um tom que equilibra ternura e firmeza, que a música de Roberto tem o poder de unir as pessoas e que este poder, aliado a um propósito maior, pode mudar realidades. Eles selam o pacto com um novo abraço, mais firme, mais decidido, como se naquele gesto estivessem a assinar um compromisso não apenas entre eles, mas com o mundo.
O camarim, com as suas paredes desgastadas e o cheiro do café frio, transforma-se em um espaço sagrado, onde uma promessa antiga ganha nova vida. A proposta de Frey Gilson não é apenas uma solução para arrependimento de Roberto. É um chamado a transformar a culpa em esperança, dor em ação. O juramento de brilho começa a tomar forma ali entre dois amigos, como uma semente lançada no calor de Salvador, pronta para crescer e iluminar muito para além daquele teatro.
O que acontecerá quando essa ideia deixar o camarim e alcançar o palco? O teatro Castro Alves vibra com a energia de milhares de pessoas, o burburinho da plateia enchendo o ar enquanto as luzes do palco começam a acender. Roberto Carlos, agora com o seu impecável casaco branco, sobe ao palco com a confiança de quem já o fez milhares de vezes.
Mas há algo de diferente no seu olhar esta noite. O camarim, onde minutos antes ele e Frey Gilson selaram um pacto, parece distante, mas a promessa ali feita pesa-lhe no peito, já não como culpa, mas como um propósito ardente. A multidão explode em aplausos, um mar de rostos iluminados por sorrisos, telemóveis erguidos e olhares de devoção.
O calor de Salvador abraça o teatro, misturando-se com o som das palmas e dos gritos de rei. Roberto, com o microfone na mão, sorri, mas os seus olhos procuram algo para além da audiência, como se vissem o futuro que está prestes a começar. Começa o espetáculo com uma de as suas canções clássicas, a voz grave e envolvente enchendo o espaço, mas todos os percebem que há uma nova energia na sua performance.
Após algumas músicas, ele faz uma pausa, o palco escurecendo ligeiramente, com apenas um holofote suave sobre ele. O público silencia, curioso, sentindo que algo de importante está para vir. Roberto respira fundo, o microfone junto aos lábios e pede que Frei Gilson suba ao palco. A plateia murmura surpresa quando Frad, com o seu simples hábito franciscano e um sorriso humilde, aparece sob a luz.
O contraste entre os dois é marcante. Roberto, o ícone da música, e Frey Gilson, a figura da fé e da simplicidade, juntos de mãos dadas, como se representassem a união de dois mundos. Roberto começa a falar, o seu voz firme, mas carregada de emoção. Ele partilha, sem entrar em pormenores pessoais, que durante anos carregou o peso de uma promessa não cumprida, uma dívida com o coração.
A plateia ouve em silêncio, quase hipnotizada, enquanto explica que esta noite marca um novo capítulo. Ele anuncia o juramento de brilho, um movimento de beneficência para ajudar comunidades carenciadas, começando ali em Salvador. Não é só um espetáculo, é um compromisso. Diz, a voz ecoando pelo teatro.
Explica que o projeto será um evento onde a entrada será feita com doações de alimentos e artigos de higiene e que, com Frey Gilson a seu lado, pretende transformar essa promessa em algo que ilumine vidas. O Frade, com o aceno gentil, reforça: “Juntos vamos fazer brilhar a esperança onde ela mais precisa”.
A plateia irrompe em aplausos, um som que parece sacudir as paredes do teatro. Alguns levantam cartazes improvisados, outros enxugam lágrimas, enquanto a energia no ar se transforma em algo maior, quase palpável. Celulares começam a gravar, as luzes dos aparelhos pontilhando a escuridão como estrelas. Roberto e Frei Gilson trocam um olhar, um misto de determinação e emoção, sabendo que acabaram de transformar uma conversa íntima num compromisso público.
A promessa antes guardada no coração de Roberto, pertence agora à multidão, à cidade, para o Brasil. O palco, que sempre foi o local onde Roberto reinava com as suas canções, torna-se o cenário de um movimento que transcende a música. Enquanto a multidão continua a aplaudir, Roberto promete que o juramento de brilho será apenas o início e que o primeiro evento terá lugar em breve em uma praça pública de Salvador.
Ele convida todos a fazerem parte, a trazerem não só donativos, mas os seus corações. O teatro, envolto no calor baiano, parece pulsar com uma nova energia, como se toda a cidade estivesse a vibrar com aquele momento. Quando Roberto volta a cantar, o público está diferente, mais unida, como se cada um ali carregava agora um pedaço daquele juramento.
O que acontecerá quando essa promessa abandonar o palco e começam a tomar forma nas ruas de Salvador? A promessa do juramento de brilho ecoa pelas ruas de Salvador, mas o caminho para a tornar realidade é mais tortuoso do que Roberto Carlos e Frey Gilson imaginavam. Nos dias seguintes ao anúncio no Teatro Castro Alves, a notícia espalha-se como fogo em redes sociais e manchetes, mas nem todas as vozes são de apoio.
Jornais sensacionalistas publicam artigos questionando as intenções de Roberto, sugerindo que o projeto é apenas uma jogada de marketing para recuperar a imagem pública de um ícone envelhecido. As ONG locais expressam desconfiança, alegando que as iniciativas de celebridades muitas vezes prometem muito e cumprem pouco. A pressão pública cresce.
E o peso das expectativas ameaça abafar o entusiasmo inicial. No escritório improvisado, onde a equipa de Roberto planeia o evento, o ar está carregado de tensão, com papéis espalhados e o som de notificações incessantes no telemóvel de Clara, a produtora de confiança que alerta para a repercussão negativa online.
Roberto, sentado numa cadeira simples, lê as críticas com uma expressão que mistura frustração e determinação. Ele sabe que a a desconfiança é um obstáculo, mas o que o incomoda mais é o risco de a promessa ser vista como vazia. Frei Gilson, ao seu lado, mantém a calma característica, o terço entre os dedos, sugerindo que a melhor resposta às críticas é a ação.
Propõe uma ideia ousada, visitar uma comunidade carenciada em Salvador, sem aviso prévio, para ouvir as pessoas que o juramento de brilho pretende ajudar. Roberto hesita, preocupado com a logística e a segurança, mas António, o seu empresário pragmático, organiza a visita com descrição, garantindo que seja um momento genuíno, longe das câmaras dos jornais.
Na comunidade do Calabar, sob o sol escaldante da manhã, Roberto e Frei Gilson caminham por ruas de terra, recebidos com surpresa e calor humano. Uma idosa com um terço nas mãos abraça Roberto, contando como as suas canções ajudaram-na em momentos difíceis. Um jovem segurando um cartaz improvisado, pede ajuda para a escola local que carece de tudo.
As histórias tocam Roberto profundamente, reaccendendo o propósito que nasceu no camarim. Frei Gilson, com a sua habilidade de ouvir, conversa com os moradores, anotando mentalmente as suas necessidades. A visita, embora simples, é transformadora, mostrando ao Roberto e a sua equipa que o juramento de brilho precisa de ser mais do que um evento, precisa de ser real. palpável humano.
De volta ao planeamento, a equipa decide que o primeiro evento do juramento de brilho será numa praça pública, com entrada baseada em doações de alimentos e artigos de higiene. Mas os desafios não param. A logística de organizar um evento desta dimensão em pouco tempo é monumental. Encontrar um local, coordenar os artistas convidados, garantir segurança e gerir as doações.
António alerta que a falta de apoio dos algumas ONG pode dificultar a distribuição dos artigos recolhidos. Clara, monitorizando as redes sociais, avisa que as hashtags negativas começam a surgir, questionando a transparência do projeto. Roberto, sentindo o peso, passa noites em branco, enquanto Frey Gilson lembra de que a fé e a ação concreta podem superar qualquer crítica.
A resposta deles é prática. Publicam um vídeo nas redes sociais gravado na comunidade, onde Roberto e Frei Gilson explicam como as doações serão utilizadas e convidam o público a fiscalizar o processo. A autenticidade do vídeo começa a mudar a narrativa com os fãs partilhando mensagens de apoio. A equipa também firma parcerias com associações locais fiáveis, garantindo que os artigos chegam a quem precisa.
O calor de Salvador, que antes parecia sufocante, agora é um lembrete da energia vibrante da cidade, que começa a abraçar o projeto. Apesar dos obstáculos, a determinação de Roberto e a serenidade de Frei Gilson transformam as críticas em combustível, preparando o terreno para um evento que promete unir a cidade.
Como será o momento em que o juramento de brilho finalmente ganhar vida na praça pública? A praça pública em Salvador está viva, pulsando com a energia de milhares de pessoas reunidas sob o céu estrelado. O calor baiano, agora mais ameno na noite, mistura-se com o som de risos, conversas e utilintar de sacos cheios de doações de alimentos e artigos de higiene.
O palco do juramento de brilho brilha com luzes coloridas e Roberto Carlos, ao centro, com o seu reluzente palitó branco, comanda a multidão com a mesma magia que o tornou um ícone. Ao seu lado, Frey Gilson, com o hábito franciscano e um sorriso radiante, é o símbolo da humildade que deu vida a este momento. Outros artistas convidados sobem ao palco, cada um trazendo a sua energia, mas o verdadeiro brilho vem das histórias partilhadas.
Uma mãe solteira que recebeu ajuda, um jovem que voltou a estudar, uma idosa com um terço que chora ao contar como a comunidade se uniu. A multidão, com telemóveis erguidos, grava cada momento, transformando a praça num mar de luzes. O clímax chega quando Roberto começa a cantar Nossa Senhora. A sua voz, grave e cheia de alma ecoa pela praça e o público acompanha as luzes dos telemóveis a balançar como estrelas em terra.
É um momento de união onde as barreiras entre o palco e a plateia, entre o famoso e o anónimo, desaparecem. Frei Gilson ao lado, junta as mãos, o terço entre os dedos, como se agradecesse por aquele instante. As doações empilhadas nos cantos da praça, trazidas pelo público, são a prova de que o juramento de brilho é mais do que um evento, é um movimento.
A energia é contagiante e até os mais céticos, que antes criticavam nas redes sociais, cantam agora em conjunto, rendidos à emoção do momento. Salvador, com a sua alma vibrante, parece abraçar a promessa de Roberto e Frei Gilson, transformando-a em algo maior do que alguma vez imaginaram. Quando a música termina, Roberto e Frei Gilson anunciam a criação de uma fundação para tornar o juramento de brilho permanente.
A multidão explode em aplausos ao saber que os donativos do evento financiarão um centro comunitário em Salvador, um local que oferecerá educação, saúde e apoio social. A promessa que começou num camarim abafado, é agora uma realidade que mudará vidas. Dias depois, sob o sol escaldante de Salvador, Roberto e Frei Gilson caminham por um terreno vazio, onde o centro será construído.
O calor faz escorrer o suor, mas os dois trocam olhares de clicidade, rindo como crianças que acabaram de descobrir um tesouro. O Roberto, brincando, pega num ponhado de terra e diz: “Olha, Frey, aqui vai nascer um pedacinho de brilho”. Frei Gilson ri-se balançando o terço e responde: “E que brilhe tanto que até o sol vai ter inveja”.
Caminham pelo terreno, imaginando as salas cheias de risos, as crianças a aprender, as famílias a encontrar esperança. O vento quente de Salvador sopra como se aprovasse o plano. E os dois amigos, com poeira nas roupas e sonhos nos olhos, sabem que este é apenas o começo. O juramento de brilho não será apenas um acontecimento, mas uma luz que se espalhará por gerações.
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