A TRÁGICA e MISTERIOSA Morte de Gabriel Diniz: O que nunca nos CONTARAM 

A TRÁGICA e MISTERIOSA Morte de Gabriel Diniz: O que nunca nos CONTARAM 

A trágica e misteriosa morte de Gabriel Diniz. O que nunca nos contaram. Era uma segunda-feira. 27 de maio de 2019. Ao início da tarde, um avião monomotor sobrevoava a costa sul de Sergipe quando aconteceu algo que nenhum passageiro tem tempo de presenciar e sobreviver para contar. A aeronave não caiu inteira.

 Antes de tocar no chão, partes dela se desprenderam-se ainda no ar. Componentes do avião separaram-se da estrutura em pleno voo, sobre os mangais do povoado porto do Mato, no concelho de Estância. O que chegou ao chão já eram destroços. Três pessoas seguiam a bordo, nenhuma sobreviveu. E quando os primeiros bombeiros chegaram ao local e os documentos foram encontrados entre os destroços, o Brasil inteiro parou, porque a bordo daquele avião estava o homem cuja voz tinha dominado todas as rádios, todos os

aplicações de música, todos os carnavais do país nesse ano. O homem cuja música mais tocada no Brasil quase nunca chegou até ele. O homem que naquele preciso momento estava a tentar fazer a maior surpresa da vida da mulher que amava, que completava 25 anos naquele dia e nem sabia que ele vinha.

 Gabriel Diniz tinha 28 anos, tinha chegado ao topo do Brasil em menos de 5 meses e estava morto num mangal a 325 km do destino, dentro de um avião que, e este é o pormenor que este vídeo vai explorar com a profundidade que ele merece, não tinha autorização legal para transportar passageiro nenhum. Hoje você vai descobrir que o avião que matou Gabriel Diniz estava proibido de transportar passageiros e que os próprios proprietários deste avião sabiam disso.

Vai saber que duas versões completamente opostas foram dadas no mesmo dia sobre como parou naquele voo e que ninguém foi formalmente responsabilizado por isso. Você vai perceber o que o piloto fez nos minutos finais que a Força Aérea Brasileira classificou com uma palavra muito específica, indisciplina de voo.

 Você vai saber o que aconteceu com a investigação nos anos seguintes e vai descobrir o desfecho deste processo, que é, [a música] talvez, a parte mais perturbadora de toda a história. Se você ainda não subscreveu o canal Doce VIP, faça-o agora. Pressione o botão de inscrição e ative o sininho. Aqui os ficheiros são abertos.

 Todo o dossiê que lançarmos, vai ser o primeiro a saber. Fica até ao fim, porque o que este vídeo vai reunir nunca foi apresentado desta forma para o grande público. Nos primeiros minutos após a confirmação do acidente, algo muito estranho aconteceu e esse pormenor ficou enterrado no meio da comoção geral, esquecido pela velocidade com que as notícias sucederam-se naquele dia.

 Mas é exatamente ele que abre a maior questão desta história. Enquanto o Brasil ainda tentava absorver a notícia da morte de Gabriel Diniz, um representante do aeroclube de Alagoas deu uma declaração à imprensa. A versão era simples, quase casual. Os pilotos eram amigos pessoais do cantor e estavam a dar boleia a ele. Uma boleia entre amigos.

 Dois caras que conheciam o Gabriel, que tinham o avião disponível no fim de semana e que decidiram ajudá-lo a chegar mais rápido ao seu destino. Nada de contrato, nada de pagamento, nada de serviço comercial, uma boleia. Só isso. Mas poucas horas depois daquela declaração, Erivaldo Farias sentou-se em frente a uma câmara da TV Gazeta.

 Eriivaldo era o pai de Abraão Farias, um dos pilotos que morreu naquele avião juntamente com Gabriel. E o que ele disse destruiu completamente a versão apresentada pelo Aeroclube. Segundo Erivaldo, o voo tinha sido fretado por 4.000$. O seu filho tinha sido contratado para levar o cantor ao concerto na Feira de Santana e trazê-lo de volta para Maceió, porque a agenda não dava tempo para fazer o percurso de carro.

 Não era uma boleia, era um serviço, era um frete, era uma transação comercial, duas versões dadas no mesmo dia, sobre o mesmo voo, com três pessoas mortas que já não podiam falar. E aqui [a música] é onde a história começa a ficar pesada a sério, porque a diferença entre as duas versões não é apenas uma questão de narrativa, é uma questão jurídica.

 Se era uma simples boleia entre amigos, ninguém estava não cometendo nenhum crime. Mas se era um voo fretado por R$ 4.000, é, portanto havia transporte aéreo remunerado sendo operado por uma aeronave que não tinha autorização para tal. Havia, em linguagem técnica, aquilo a que a ANAC chama de transporte aéreo clandestino, um ilícito com consequências administrativas graves, com possibilidade de reenvio ao Ministério Público e à Polícia Federal.

 A versão da boleia protegia o aeroclube. A versão do frete o espunha e o pai de um dos pilotos mortos escolheu dizer o que sabia. A questão que vai atravessar este vídeo inteiro é esta: se era mesmo uma simples boleia entre amigos, por alguém precisou construir uma versão diferente da que a família de um dos pilotos mortos contou à televisão? Se quer entender como esta história desenvolveu-se nos anos seguintes, quem foi punido, o que a investigação concluiu e o que nunca chegou com clareza ao grande público, comenta aqui em baixo o que já sabias

sobre a morte de Gabriel Diniz. Porque a maioria das pessoas conhece apenas a superfície desta história. Para entender porque a versão da boleia importava tanto para o Aeroclube de Alagoas, é preciso olhar com atenção para o que era aquele avião e para o que ele legalmente não podia fazer.

 A aeronave que caiu com o Gabriel Diniz era um Piper Cherokei, modelo PA280, matrícula PT Calô, fabricado em 1974. 45 anos antes da queda. Era um avião monomotor com capacidade para quatro pessoas, incluindo a tripulação pertencente ao Aeroclube de Alagoas. No papel, a documentação estava em ordem. O certificado de aeronavegabilidade era válido até 2023 e a inspeção anual de manutenção estava em dia até 2020.

Mas havia um pormenor fundamental que estas certidões não cobriam. De acordo com o registo aeronáutico brasileiro e confirmado pela própria ANAC, aquela aeronave estava registada exclusivamente na categoria de instrução. Isso significava uma coisa muito clara. Ela só podia operar para atividades de treino e adestramento de voo promovidas pelo aeroclube.

Ponto. Transporte de passageiros remunerado, proibido. Táxi aéreo? Proibido. Qualquer serviço fora do finalidade de instrução. Proibido. Além disso, aquele avião não tinha radar meteorológico e não estava certificado operar sob as chamadas regras de voo por instrumentos. O que significa que se o piloto encontrasse chuva forte, nevoeiro ou nuvens fechadas, as regras da aviação civil determinavam uma única coisa: interromper o voo, aterrar ou dar meia volta.

 Que os dois pilotos a bordo, Linaldo Xavier e Abraão Farias, não eram pilotos contratados de alguma companhia aérea externa. eram diretores do próprio aeroclube de Alagoas, os mesmos homens que administravam a instituição proprietária do avião, os mesmos homens que, por isso, sabiam exatamente em que categoria aquela aeronave estava registada.

 E foi é precisamente esse o pormenor que a ANAC não ignorou. Na noite do acidente, ainda nessa segunda-feira, S agência suspendeu cautelarmente todas as operações do aeroclube de Alagoas. Nove aeronaves foram interditadas. Um processo administrativo foi aberto. Sabia que o avião que transportou Gabriel Dinis não tinha autorização legal para isso? Comenta aqui o que tu pensa e o que acha que deveria ter acontecido com os responsáveis.

Um ano e 5 meses depois da tragédia, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o SENIPA, ligado à Força Aérea Brasileira, apresentou o relatório final sobre a queda. E o que estava naquelas páginas construía, decisão a decisão, falha por falha, a história de como um voo que nunca deveria ter acontecido foi levado até ao pior desfecho possível.

O relatório apontou seis fatores contribuintes para o acidente. Seis, não um, não, dois, seis elementos que, somados criaram as condições para que catástrofe. O primeiro fator era a indisciplina de voo, o segundo, o julgamento de pilotagem, o terceiro, o planeamento de voo. O quarto, o processo de decisão.

 O quinto, a atitude do piloto. E o sexto, as condições meteorológicas adversas. Para perceber o que este significa na prática, é necessário colocar estes fatores num contexto concreto. E quando se faz isso, o que emerge é uma sequência de decisões que vai para além da tragédia e entra no território do que poderia e deveria ter sido evitado.

 O piloto que conduzia a aeronave no momento da queda estava Linaldo Xavier. De acordo com o relatório, apenas ele estava exercendo a função de piloto naquele instante. Ilinaldo Xavier tinha no total da sua vida como aviador 83:50 de experiência de voo. 83 horas. Para ter uma referência, os pilotos comerciais necessitam de um mínimo de 15 horas para voar nas companhias aéreas regulares.

 Linaldo estava habilitado a pilotar um avião monomotor, mas exclusivamente em condições visuais. Isto significa que precisava de ver o horizonte, o céu e o solo para voar. Não havia formação, não existia certificação para voar dentro de nuvens ou em condições de visibilidade reduzida. exatamente as condições que a aeronave, como já vimos, também não estava equipada para enfrentar.

 E o que havia nesse dia sobre Sergipe? O relatório descreve camadas de nuvens baixas, precipitações de intensidade moderada a forte e instabilidade atmosférica severa. Era exatamente o tipo de condição para a qual aquele piloto naquela aeronave não estava autorizado nem equipado a enfrentar.

 A decisão que a FAB chamou de indisciplina de voo foi esta. Linaldo Xavier entrou na área de instabilidade atmosférica e continuou voando. As regras da aviação civil estabeleciam claramente os mínimos de visibilidade e distância de nuvens que precisam de ser respeitados em condições de voo visual. Ele não os respeitou.

 Ele seguiu em frente e o avião não aguentou. Sob as condições meteorológicas adversas, componentes da aeronave se desprenderam ainda em pleno voo, várias partes antes da queda. O relatório regista com precisão técnica: houve desprendimento de componentes da aeronave em voo, seguindo-se da queda da aeronave.

 Os destroços foram encontrados numa zona de mangais. A aeronave ficou destruída. O piloto e os dois passageiros sofreram lesões fatais. O relatório também registou que a aeronave tinha descolado com excesso de peso 113 kg acima do limite. Embora no momento da queda o peso estivesse dentro dos parâmetros do fabricante, porque o combustível consumido durante o voo tinha reduzido a massa total. O dado está lá.

 Aquele avião saiu de Salvador acima do peso permitido e voou assim por um bom troço até à catástrofe. Se este nível de pormenor te surpreendeu, [a música] deixa o like agora, porque o que vem a seguir sobre a investigação nos anos seguintes é ainda mais perturbador. Se você acompanhou tudo até aqui, pode estar pensando.

 Com um relatório destes da Força Aérea, com um avião proibido de transportar passageiros, com as versões contraditórias dadas no dia do acidente, a investigação deve ter chegado a algum resultado concreto, alguma punição, alguma responsabilização à altura do que aconteceu. O que aconteceu nos anos seguintes é exactamente o tipo de coisa que faz com que a família de uma vítima perca o sono durante anos.

6 meses após o acidente, novembro de 2019, o inquérito da Polícia ainda não tinha conclusão. Os relatórios periciais do Instituto Nacional de Criminalística estavam atrasados. Os relatórios do próprio SENIPA ainda não tinham sido entregues. A PF pediu nova prorrogação do prazo à Justiça Federal. O prazo, que inicialmente era de 30 dias após o acidente, foi alargado para fevereiro de 2020.

mais de um ano para um inquérito que deveria ter começado com urgência. Em agosto de 2019, menos de 3 meses após a morte de Gabriel Diniz, com o inquérito ainda aberto e o processo da ANAC em curso, o Aeroclube de Alagoas retomou as as suas atividades de instrução de voo. A suspensão cautelar tinha durado 90 dias.

Em maio de 2020, quase um ano exato após a tragédia, a ANAC divulgou finalmente a conclusão do seu processo administrativo. A confirmação era oficial. A aeronave A PTKLO estava a fazer táxi aéreo ilegal, transporte aéreo clandestino comprovado. O Aeroclube de Alagoas foi autuado com cinco autos de contraordenação.

 Um deles, referindo-se especificamente a irregularidades no diário de bordo, por nove infrações cometidas repetidamente, resultou numa multa de R$ 8.400. O caso foi encaminhado para a Polícia Federal de Alagoas para as providências criminais aplicáveis. E depois veio o episódio que é talvez o mais absurdo de toda esta história.

 Em setembro de 2021, 2 anos e quatro meses após a morte de Gabriel Diniz, o Aeroclube de Alagoas publicou nas suas próprias redes sociais uma nota. O conteúdo dizia que o processo tinha sido arquivado e que a instituição havia sido ilibada de todas as acusações. Inocentada. Dois anos depois de uma aeronave sua ter um passageiro num voo proibido que resultou em três mortes, o aeroclube publicou para os seus seguidores que estava limpo.

 A ANAC foi a público desmentir. Em nota oficial, a agência esclareceu que não existia qualquer decisão terminativa de mérito sobre o assunto, que o processo não tinha sido encerrado, que não havia qualquer arquivamento definitivo. O aeroclube tinha anunciado a própria inocência antes de qualquer julgamento final e tinha feito isso publicamente nas redes sociais para os seus seguidores.

 Na mesma publicação, a direção do aeroclube escreveu uma mensagem que dizia, entre outras coisas: “Sem o circo não há espetáculo”. Referindo-se nas entrelinhas à cobertura do caso que tinha exposto as irregularidades do voo, uma instituição pública nas redes sociais que foi ilibada. E a própria ANAC desmente publicamente.

 O que acha que diz sobre como esse caso foi tratado? Deixa nos comentários. Depois de tudo isto, dos aviões irregulares, das versões contraditórias, dos relatórios técnicos e dos processos administrativos, é preciso voltar ao que havia de mais humano nesse dia. E para o fazer, é preciso primeiro perceber quem era Gabriel Diniz, para além do hit que o Brasil inteiro cantou.

 José Gabriel de Sousa Diniz nasceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em 18 de Outubro de 1990. Ainda criança, a família mudou-se para João Pessoa, na Paraíba, e foi aí que ele cresceu. Foi aí que começou uma banda de garagem com os amigos da escola e foi aí que o talento chamou a atenção dos empresários locais.

O convite para ser vocalista dos Capim com Mel no Recife chegou quando ele ainda estudava engenharia eletrotécnica. A decisão não foi fácil, mas abandonou o curso e escolheu a música. Passou pelos cavaleiros do forró, criou a própria banda, lançou seis álbuns entre 2016 e 2019. E chegou então a música que mudou tudo e cuja história quase ninguém conhece de verdade.

 Jennifer tinha sido composta em Goiânia por oito pessoas. Antes de chegar junto de Gabriel, percorreu um caminho que dizia muito sobre o que o mercado musical achava dela. Foi oferecida a Wesley Safadão, que recusou. Depois foi parar às mãos de Gustavo Lima, que comprou os direitos, gravou a música, chegou a cantá-la em concertos e depois abandonou-a silenciosamente, porque a letra não combinava com a imagem que ele queria manter.

 A música ficou sem destino. Gabriel Dinizou nela. que nenhum dos outros tinha visto. Lançou Jennifer em setembro de 2018. Em janeiro de 2019 era a música mais tocada do Brasil. No carnaval era o hino nacional não oficial. O nome Jennifer disparou no Tinder em todo o país. Mais de 307 milhões de visualizações no YouTube.

 O cachet de Gabriel foi às alturas em semanas. E no centro de todo o este sucesso havia um homem completamente diferente da personagem desprendido que ele cantava. Carolina Calheiros era uma psicóloga alagoana, tinha 25 anos, namorava com Gabriel há 2 anos e meio. E ela não sabia que ele estava naquele avião naquela segunda-feira.

 Era uma surpresa. Gabriel tinha feito o show em Feira de Santana na noite de domingo e tinha uma decisão a tomar, como chegar a Maceió a tempo do seu aniversário no dia seguinte. A distância de carro era inviável com a agenda que tinha o avião. Então, aquele avião. A última publicação que Gabriel fez no Instagram foi uma foto desse concerto em Feira de Santana.

Sorria, o público ao fundo, o palco iluminado. Na legenda, agradecia a recepção do público baionense. Milhares de gostos chegaram nos minutos seguintes. Ele não publicou mais nada. Caroline fechou o próprio Instagram depois da confirmação da morte. O cantor que escreveu sobre um rapaz desapegado no Tinder era na vida real o homem que embarcou num avião proibido num dia de tempestade para não perder o aniversário da mulher que amava.

 Não há ironia mais cruel do que essa. Subscreve o canal e ativa o sino, porque é com este nível de profundidade e respeito que cada história é aqui contada. Há um ponto nesta história que nunca foi dito com clareza suficiente e ele muda a forma de ver tudo. Os únicos indivíduos que poderiam responder criminalmente pela decisão de fazer aquele voo eram Linaldo Xavier e Abraão Farias.

 Eram eles que decidiram colocar uma aeronave registada para instrução numa rota comercial. Eram eles que decidiram fazer isto com um piloto de 83 horas numa rota com tempestade confirmada. Eram eles que sabiam, melhor do que ninguém, que aquela aeronave não podia transportar passageiro remunerado, porque eram diretores do aeroclube, proprietário do avião, e morreram nesse avião.

Isto significa que não havia ninguém de fora para responsabilizar individualmente. A única pessoa que entrou naquele avião sem saber de todas as estas irregularidades foi Gabriel Diniz. E também não saiu. O aeroclube como instituição foi autuado pela ANAC, cinco autos de contraordenação. A multa mais significativa registada publicamente foi de 8.

400 por irregularidades no Diário de Bordo. A instituição reabriu em menos de 90 dias. Do anos depois, anunciou nas redes sociais que havia sido ilibada, enquanto a própria ANAC desmentiu que qualquer decisão final havia sido tomada. A Polícia Federal recebeu o caso, mas até hoje nenhuma condenação criminal relacionada com a morte de Gabriel Diniz foi publicamente confirmada.

 Isto não é teoria, não é especulação, é o registo documental do sucedido. Um avião proibido de transportar passageiros transportou um passageiro. Esse passageiro morreu. A ANAC confirmou a ilegalidade. O inquérito foi aberto e o desfecho público desse processo foi uma coima administrativa, uma reabertura daqui a três meses e uma publicação nas redes sociais, comemorando uma inocência que a própria agência reguladora disse que ainda não havia sido declarada.

 O que nunca nos contaram é simples e pesado ao mesmo tempo. O sistema tratou a morte de Gabriel Diniz como um problema administrativo e o Brasil seguiu em frente. No final, o que fica de Gabriel Diniz não cabe num processo administrativo, não cabe num relatório de acidente, nem sequer cabe neste vídeo. 28 anos, uma carreira construída do zero, da corajosa decisão de abandonar a engenharia eletrotécnica até ao topo das paradas nacionais num movimento que demorou anos a construir e 5 meses a explodir.

Um homem que entrou num mercado que rejeitava a música em que acreditava, que apostava onde os outros recuaram e que conquistou o Brasil inteiro a uma velocidade que poucos os artistas vivem para contar. Uma vida interrompida numa tarde de segunda-feira de maio dentro de um avião que não deveria ter levantado voo a caminho de uma surpresa que nunca foi entregue.

O que fica é o sorriso daquela última foto no palco da Feira de Santana. O que fica é o refrão que todo o Brasil ainda canta. O que fica é a memória de alguém que em menos tempo do que a maioria das pessoas leva para encontrar o seu caminho. Já havia deixado uma marca que se anos mais tarde ainda não se apagou.

Este vídeo não tem a pretensão de encerrar o que não foi encerrado. As questões sobre responsabilidade, sobre aquilo que o inquérito concluiu nos seus termos finais, sobre o que foi realmente dito entre os envolvidos nesse dia, continuam abertas. O que este vídeo fez foi reunir num só local o que estava espalhado em relatórios, processos administrativos, declarações à imprensa e notas das agências reguladoras para que pudesse ver o quadro inteiro, para que Gabriel Diniz não fosse recordado apenas como o cantor de

Jennifer, mas como alguém cuja história merecia ser contada com a seriedade que ela exige. Se este vídeo te fez conhecer Gabriel Diniz de uma forma diferente ou lembrou-te de quanto ele foi embora cedo demais, partilha com alguém que também se lembra dele e nos comentários conta qual a música dele que ficou na sua vida.

 Porque a melhor forma de manter viva a memória de alguém é continuar a falar sobre quem ele foi.

 

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