APÓS 25 ANOS RECLUSO, PEPE MORENO REVELA COMO VIVE HOJE ABANDONADO NO MOMENTO MAIS DIFÍCIL DA VIDA!
Foi um fenómeno nacional do forró nos anos 2000. Vendeu milhões de discos e encheu concertos pelo Brasil. Mas perdeu tudo no auge da fama. Acusações de exploração, processos laborais e completo sumisso dos media. Agora vive recluso, esquecido e abandonado pelos amigos que o rodeavam no topo. Como está Pep Moreno hoje em dia? Algumas histórias de ascensão começam em solo seco.
A de Pepe Moreno, batizado como Pépio Barbosa de Souza, tem o seu ADN encravado na comunidade da Veredinha, na zona rural de Macaúbas, um interior profundo da Baía. Filho de Osmar Marques de Souza e da Tercíia Barbosa Souza, o jovem Pep não nasceu em berço de ouro, mas antes rodeado pela simplicidade e não menos importante, do som ancestral dos cantadores de Reis, que não é mais do que aquela tradição oral, onde a música conta uma história com princípio, meio e fim.
Na altura ele nem imaginava, mas tal influência moldaria a sua forma de compor anos depois. Ainda muito jovem, mas tomado pela inquietação, decidiu tentar a vida numa metrópole. E como tantos retirantes, Pep aterrou em São Paulo com nada mais do que a coragem e a força de vontade para trabalhar. Assim, nas ruas cinzentas da capital do Estado, ele se tornou mais um rosto na multidão, atuando como vendedor ambulante.
Era possível encontrá-lo a vender doces, biscoitos e água mineral nos semáforos e comboios, mas nem todo o sacrifício era para a sua sobrevivência. Isto porque Pep alimentava um sonho. Cada moeda guardada já tinha um destino, a música. Pois ele não queria apenas cantar. Ele queria contar a vida do povo que a TV ignorava.

O reconhecimento demorou muito tempo, sim, mas quando veio, foi como um terramoto que virou a sua vida de cabeça para baixo. Em 2006, o Brasil parou para ouvir Risca Faca, uma música que logo se mostrou muito mais do que um forró, porque era um verdadeiro hino das serenatas e bares. tornou-se uma das canções mais regravadas dessa época, sendo adotada por gigantes da música como a banda Aviões do Forró, na voz de Xand e Solange Almeida, dois grandes fenómenos, especialmente no nordeste.
Pep Moreno, de repente já não era o vendedor ambulante que vendia doces no sinal, porque ele tornou-se o precursor de um género novo, unindo o teclado eletrónico típico de Frank Aguiar e Washington brasileiro, com narrativas mais dramáticas. Em 2007, mostrou que não era um artista passageiro e consolidou de vez a sua marca com a canção Menino de Rua.
O clip, que hoje ultrapassa os 28 milhões de visualizações, exibindo no lançamento números astronómicos para a época, mostrava um Pep simples e empático, dando voz a uma criança abandonada. Então tornou-se, aos olhos do povo, o advogado dos humildes, o que lhe abriu muitas portas na indústria, algumas delas diretamente para o topo.
Mas o topo da montanha é um lugar solitário e a descida seria íngreme. A ascensão durou três longos anos, mas a partir de 2011 algo começou a mudar. Aos poucos, o fluxo de hits secou e a presença de Pep nas principais estações do país e nos grandes programas de TV, como o de Gugu Liberato ou Raul Gil, foi-se tornando cada vez mais escassa.
Mas o afastamento não foi uma escolha de marketing, sim o reflexo de bastidores para lá de conturbados. Nesse momento, Pep Moreno começou a colher os frutos de uma gestão que o próprio admite ter sido problemática. Em raras declarações, o cantor desabafou. Logo no início da a minha carreira, ajudava, ajudava em forma de as pessoas virem pedir serviço, dizendo que adicionava bailarinas ao palco e até motoristas para os autocarros quando alguém lhe pedia uma oportunidade.
Mas, pelo que se vê, o que ele via como ajuda, a justiça começou a ver como irregularidade. E assim, vários problemas laborais começaram a acumular-se como uma avalanche em regresso do cantor. Isto porque ex-funcionários, músicos que o acompanharam por estradas difíceis e produtores que ajudaram a construir o seu som apresentaram todos ações judiciais contra ele.
Enfim, a conta chegou e não foi barata. De repente, Pep viu-se obrigado a afastar-se da comunicação social e até dos palcos para gerir todo aquele caos. Seus bens, conquistados com o suor de anos, começaram a ser vendidos para liquidar as dívidas e os processos perdidos. O prazer de possuir automóveis de luxo e propriedades rapidamente deram lugar à dor de cabeça dos documentos judiciais.

O ostracismo foi tão profundo e surpreendente que em 2019 se tenha registado um rumor de que tinha morrido começou a circular em força nas redes sociais. A fake news dizia que teria sofrido um acidente fatal e devido à falta de notícias recentes sobre o cantor, muitas pessoas acabaram por acreditar sem sequer questionar.
E isso só revelou uma verdade ainda mais cruel para grande parte do público e da comunicação social naquele momento. Pep Moreno já estava morto, pelo menos artisticamente. Já não era o centro das atenções há muito tempo. E perante o novo ritmo da indústria, Pep era apenas o fantasma de um passado de sucesso que o presente insistia em enterrar para que outros pudessem brilhar.
E é nesse momento que a trajetória artística de Pep fica ainda mais sombria, pois se as suas músicas pregavam a caridade e o olhar para o próximo, a realidade fora dos vídeos virais começou a gerar acusações gravíssimas de sensacionalismo e exploração. Muitos vieram a público e afirmam que Pep teria utilizado pessoas em situação de extrema vulnerabilidade para promover-se e, após alcançar os cliques e o dinheiro, tê-las-ia descartado sem as acreditar.
ou ajudar conforme o combinado. O caso mais emblemático sobre isto ocorre na sua terra natal, a boa e velha Macaúbas, para onde supostamente Pep não faz questão de voltar. Lá foi onde três jovens deficientes físicos participaram no videoclipe da música, O Cego e Três Aleijados. Na obra em questão, Pep surge como o Salvador, o homem que dá visibilidade àquela dor.
Mas na vida real tudo indica que a história foi outra. Moradores da zona relatam que os jovens nunca receberam uma ajuda financeira significativa ou estrutural por parte de PEP. Anos se passaram desde a parceria, mas alguns deles continuam sendo carregados de um lugar para outro em carrinhos de mão por falta de cadeiras de rodas ou de um veículo adaptado à condição, o que o sonho da família que é simples e carenciada.
Então, outra vez, enquanto se preparava para voltar, o cantor viu-se no centro de uma polémica. Esta talvez ainda mais delicada. Afinal, o contraste entre o luxo que Pep ostentou no seu auge e a miséria persistente daqueles que emprestaram a sua dor e dificuldades a o clipe de sucesso é um dos pontos de maior rejeição ao cantor.
Marcos Nava, por exemplo, o cantor cego, que também participou no clipe, não escondeu a sua desilusão do público. Nava afirma que o acordo feito com Pep foi o de que, com o seu ajuda, seria promovido como um artista talentoso, um cantor de voz própria. No entanto, nada aconteceu. Ele alega que Pep o utilizou apenas para reforçar a imagem de pai dos deficientes, das pessoas reais e necessitadas, ou seja, agiu com má fé.
Em conversas com pessoas próximas, Marcos Nava é taxativo. O clipe é um mistério. Eu não consigo perceber porque Pep Moreno não quer falar sobre o clip, dando a entender que o artista virou as costas para toda a gente. Ele sente-se usado como peça de cenário num teatro de caridade que só beneficiou um lado. Tal como eu digo, o clipe ele não é só meu, não é só dos rapazes, mas também o clip também não é só dele.
A parte dos rapazes, neste caso, e a minha parte seria justo, não é? Inclusive foi atacado nas redes sociais por parte dos fãs do cantor e se manifestou mostrando repúdio por Pep se referir-se a ele apenas como cego ou ceguinho em entrevistas sobre os processos que responde quando ele tem nome.
Embora esse nunca tenha sido creditado no vídeo publicado no YouTube, mas o problema não se fica por aqui. Maon Coelho, o eterno menino de rua, também guarda mágoas de Pep. Após o sucesso estrondoso, o miúdo passou cerca de meses a acompanhar o cantor em concertos pelo Brasil. Afinal, na altura ele era a atração principal, o rosto que fazia o público chorar.
Mas segundo relatos, quando o brilho da novidade passou, Maon necessitou de voltar para casa, o suporte desapareceu. O tal menino de rua voltou para a mesma realidade de que Pep supostamente disse que o tiraria, enquanto o artista seguia com os direitos de autor de uma obra que falava de um resgate que, na prática foi temporário e apenas comercial.
Felizmente, ao contrário dos conterrâneos de Pep, Maicon conseguiu prosperar. Hoje tem quase 30 anos e trabalha com música. Inclusive, com um novo estilo e voz, regravou a canção a que deve o seu sucesso. Assim, tentando quebrar o silêncio e procurando uma nova forma de viralizar, abafando as polémicas, Pep Moreno chocou o seu público tradicional em 2022.
Durante o São João de Macaúbas, lançou a música: “Eu quero é ser gay”. Para um artista cujas raízes estão no sertão baiano, um ambiente maioritariamente conservador, a faixa foi recebida como uma bomba e com estranhamento. Muitos fãs interpretaram a música como uma provocação ou mais uma tentativa de sensacionalismo para ritar na internet, utilizando pautas sérias de forma rasa.
Malta, eu sou hetero. Eh, a música do gay não tem nada a ver com a minha sexualidade, está bem? Eu sou ator principal da minha novela. No entanto, houve também quem o defendesse. O presidente do grupo LGBT de Macaúbas, por exemplo, chegou a declarar publicamente: “É bom ver a comunidade LGBT ser ouvida, sendo respeitada sobre o caso.
Mas a aceitação foi mínima perto da rejeição que se alastrou na região e na comunicação social. A música gerou burburinho. De um lado, críticas de que Pep estava apelando à atenção. De outro, acusações de que estaria novamente armando histórias para a promoção pessoal. Os comentários nas redes sociais da época eram implacáveis, mas apesar da complicada repercussão, Pep Moreno não desistiu, pois compreende que no mundo moderno quem não é visto não é recordado. Portanto, valeu a pena.
Entre 2023 e 2025, o cantor despejou uma série de lançamentos nas plataformas digitais Tradição, em 2023. As músicas BO, Menina Bonita tem a senha em 2024 e mais recentemente perigosa e bela, de 2025. Pep Moreno garante que voltou com tudo e os seus números nas redes sociais ainda impressionam quem olha de fora e o desconhecem, pois são 477.
000 seguidores no Instagram e 418.000 no TikTok. Mas o engagement conta uma história diferente. Os números de visualizações e, principalmente, a agenda de concertos despencaram drasticamente, se comparados com os de outrora. Já não viaja mais o Brasil em autocarros luxuosos ou aviões como antes. E as suas apresentações hoje são esporádicas, muitas vezes limitadas a pequenos eventos ou ao São João da sua cidade natal, Macaúbas, onde é adorado e defendido, e onde toca mais por tradição e nome do que pelo cachet estratosférico que já teve de receber.
Pep luta para se manter relevante num mercado que é agora dominado pelo piseiro e pelo sertanejo universitário. Géneros que beberam da sua fonte, mas que até o ignoram. A vida atual de Pep Moreno é marcada por um contraste brutal. O homem que narrou a fome de quem não tem onde morar hoje enfrenta a própria fome de reconhecimento e estabilidade.
Afastado dos grandes meios de comunicação, vive uma rotina que foi moderada pelas dívidas. Relatos de bastidores indicam que o artista vive de forma muito mais modesta. Afinal, até 2025, ainda lutava contra as execuções judiciais dos seus antigos funcionários, processos que o atrapalhavam há pelo menos 15 anos. É, logo no início da minha carreira, eu ajudava, ajudava de forma de as pessoas virem pedir serviço também.
Nessa confusão aérea da dar ali oportunidade, oportunidade ali, fui tendo muito problema também com o laboral. É, até hoje estou a sofrer um negócio de laboral, problemas com pessoas, sabe? A ironia foi clara para muitos. Pep Moreno, que construiu um império cantando sobre o abandono, foi deixado de lado pelos media e pelos velhos amigos que surgiram no auge da fama.
Empresários que lucraram com a Riscafaca e artistas que o chamavam para parcerias desapareceram porque ninguém quer estar perto de um artista rodeado de polémicas acusações laborais e acusações éticas. E nesse entretanto, em Macaúbas, as pessoas que deram rosto aos seus sucessos continuam na mesma situação de há tantos anos.
A miséria não foi apenas o tema das canções de Pep, não. Ela é a realidade perene daqueles que ficaram para trás. E enquanto o cantor tentava reerguer-se vendendo o que tinha para limpar o nome no mercado, os três aleijados da sua música aguardaram e aguardam ainda uma caridade que nunca chegou sob a forma de dignidade, apenas de exposição.
Mas seria Pep Moreno um vilão completo ou apenas um artista que se perdeu na própria gestão? Há quem o defenda com unhas e dentes. Os fãs mais veteranos argumentam que Pep deu visibilidade a problemas que ninguém queria ver naquela época. alegando que o cantor não precisava do clip para se promover, pois ele já estava rebentado.
Para esses defensores, a visibilidade que deu à famílias carenciadas, mesmo sem ajuda financeira direta e soluções, já foi um ato de coragem que ajudou a que estas pessoas a serem notadas por outras autoridades. Entretanto, os factos recentes são desoladores. Em junho de 2022, os jovens deficientes que aparecem no clipe de Pep tiveram o seu auxílio Brasil cortado, mergulhando numa dificuldade ainda maior.
Eles continuam sendo transportados em carros de mão, enfrentando o Sol forte da Baía para realizar tarefas simples. Nilson, um morador da região que conhece a família há décadas, fez um apelo emocionado recentemente. Sonham com um carro, um transporte escolar, algo que dê o mínimo de conforto. O apelo de Nilson ressoa como um grito de socorro que Pep Moreno, o salvador do clip, parece não ouvir mais.
Pepoi um génio que deu voz aos oprimidos ou um estratega que se aproveitou-se da dor alheia para construir um património que agora se esva entre os seus dedos como consequência dos seus erros. Sem os amigos de outrora, sem o luxo do passado e com a reputação manchada por processos e mágoas. Este é um artista que é o exemplo vivo de que a a fama é um campo minado.
Ele cantou sobre os aleijados, mas continuam dependentes, sem qualquer alteração significativa na vida. Mesmo após terem a sua imagem utilizada e explorada, a música continua a tocar e a dar lucro, mas a dura realidade do sertão não mudou. Lembrava-se de Pep Moreno? Qual a música mais gostava? Deixe a sua opinião nos comentários, subscreva e não se esqueça de deixar o like.
Veja este vídeo que está a aparecer aí no seu ecrã. Te vejo lá. Yeah.