CASO NANDO: O Maior Serial K1ll3r de Mato Grosso do Sul!
Foi qualificado como um psicopata. Eh, foi aferido que Nando não tem empatia pelo próximo, que Nando não tem sentimento de de de remorço e com relação ao que faz. Que o Nando não tem e eh qualquer sentimento de de de desvalor dor alheia. Eh, mas ao mesmo passo foi constatado e documentado por um perito altamente qualificado, eh, que isso não exenta nando a sua responsabilidade criminal.
Durante 4 anos, as pessoas desapareceram em Campo Grande e quase ninguém se apercebeu que aqueles casos estavam ligados porque as vítimas tinham algo em comum. eram pessoas que viviam à margem da sociedade, consumidores de drogas, jovens envolvidos em pequenos furtos, mulheres exploradas sexualmente, gente que desaparecia sem mobilizar a cidade inteira.
Inicialmente nós tínhamos a notícia de um homicídio apenas que teria sido supostamente praticado por um adolescente. A época eu era delegada de infância e juventude. Então nós chamamos esse adolescente para que ele fosse ouvido. Durante a audição do adolescente, foi perguntado os motivos dele ter praticado, não é, o homicídio, que já que era confesso, tinha confirmado que de facto matou aquele homem.
Assim passou a alegar que teria matado por esta pessoa juntamente com outra estaria teria desaparecido com o irmão dele e que para além do irmão, outras várias pessoas teriam também desaparecido do bairro. Até que a polícia encontrou uma área utilizada para ocultar os corpos e conforme as escavações avançaram, a investigação revelou um cemitério clandestino, um dos maiores casos de assassinatos em série já registados em Mato Grosso do Sul.
Quando a investigação começou a ganhar forma, um nome aparecia repetidamente, Luís Alves Martins Filho, conhecido por Nando. Ele vivia há décadas na região do bairro Dânbio Azul. Não era rico, não comandava uma grande facção, mas exercia um tipo de poder que muitas vezes vale mais do que dinheiro, o medo. Ele é extremamente inteligente.
Ele conseguiu manipular um bairro inteiro durante 4 anos no temor. O Nando, ele mostra este perfil, [pigarreia] ele conversa bem. Tanto que levámos 15 dias a entrevistar, levando para local. E ontem passámos 5 horas interrogando Nando. Com o passar do tempo, Nando passou a agir como alguém que decidia quem podia continuar a circular pela região, quem roubava, quem causava problemas, quem merecia uma segunda oportunidade e quem deveria morrer.
O fundamento maior do estado de direito democrático é a inclusão social, é a proteção do cidadão, seja ele qual for. desde o cidadão mais abastado ao cidadão mais miserável, não se permitindo que eh uma pessoa se alvore no direito de eh vivendo numa comunidade carenciada, pobre de recursos, eh e de repente marginalizada pelo Estado, eh se socorre de cordas, correntes e de subterfúgios como eh emboscadas para no seu juízo escolher quais Quais são aqueles que na sua avaliação fazem mal à sociedade porque são toxicodependentes ou porque são prostitutas
ou que seja lá o que for? A lógica que orientava os crimes era extremamente distorcida. Nando acreditava que estava protegendo a comunidade, via em si próprio como alguém responsável por eliminar as pessoas consideradas problemáticas. Ele tenta desvalorizar estas vítimas por conta do uso de drogas e por conta dos furtos.
Ele acha-se superior e que lhe fez um favor, na verdade. Mas existia uma contradição brutal. Ao mesmo tempo que dizia combater crimes no bairro, mantinha envolvimento com tráfico de estupefacientes e exploração sexual de toxicodependentes. As vítimas começaram a assumir sem que os casos fossem imediatamente ligados. Entre 2012 e 2016, os desaparecimentos passaram a repetir-se.
Num primeiro momento, pareciam casos isolados. A maioria das vítimas tinha um historial de dependência química. Eu regressava com o meu irmão de carro da igreja. Eu avistei o Flávio e disse: “Para o carro, para o carro, meu irmão. Olha o meu filho.” Depois parou. O meu filho estava muito sujinho, muito magrinho e tava Eu disse-lhe: “Filho, vamos para casa. Eu tenho saudades de você.
Vamos para casa, filho. Não precisa ficar ali na rua abandonada, mercer deste jeito, filho. Tem família, tem quem [música] tu amas. Vamos, a mãe está com saudades de ti. Vamos. Aí ele veio comigo nesse dia. Ele ele tomou banho, sempre tinha uma veste limpa, bonita. [música] Vestiu, jantou, dormiu e foi a última vez que vi o meu filho.
Momento em que ele desapareceu, ficámos até pensando que ele estava a dormir na casa de algum amigo, não é? Esperemos durante cerca de 48 horas para poder prestar o auto de notícia. E tinha esperança que ele tinha [música] fugido com alguma guria, alguma coisa por aí, certo? E essa nossa esperança, ela encerrou aí quando encontraram a sexta ossada.
Quantas vezes ela chegou aqui mal eh eh dormia, dormiu uma um dia, uma noite [música] drogada, nem quisemos acordá-la, deixou-a dormir. Aí ela levantou-se no outro dia do domingo, falei assim: “Vai, vou a casa buscar uma roupa”. Eu disse: “Ok, befia, vá”. Depois ela foi e nunca mais voltou. Enquanto isso, os assassinatos continuavam.
Pouco a pouco surgiu um padrão. As vítimas frequentavam os mesmos pontos, conheciam as mesmas pessoas, circulavam pelos mesmos ambientes e quase todas acabavam cruzando o caminho de Nando. Aqui é difícil nestes 16 homicídios eu lhe apontar algum que se destaque. Eles são todos planificados num nível extremamente elevado, diria eu num nível altíssimo de frieza, de brutalidade.
Os assassinatos não aconteciam no meio de perseguições ou ataques impulsivos. As as vítimas eram normalmente atraídas. Algumas recebiam convite para utilizar drogas, outras eram chamadas a encontros sexuais. Também havia situações em que eram levadas para consumir bebida alcoólica junto do grupo. Aquilo não despertava suspeita.
O gajo era uma pessoa que todo o mundo aqui conhecia [música] ele. Ele fazia portes para todo mundo. Ele andava com filho de várias, entre as quais uma mulher que foi morta uma tal Diana. Aí ele andava com os [música] filhos dela para lá e para cá, miúdo pequeno dentro do carro para lá e para cá, não é? Então veja o risco que estas pessoas também correram.
Eu próprio, para falar a verdade, eu até ele já até fez três fretes para mim. O que mais surpreendeu o senhor Nivaldo na morte do filho foi a participação da Nora, que era casada com o seu filho mais velho, que está preso por tráfico de estupefacientes. Dar uma hora, apoio para ela, tudo. [música] Nunca nos esperava uma coisa desta dela, não é? E quando ficamos sabendo que ela estava por trás de tudo isso, daí não restam dúvidas [música] nenhuma que ela tarra mesmo, tu entende? Toda a gente já tava suspeitando, porque o único motivo que poderia
[música] ter e que é o motivo que a gente acredita seria somente este dele ter visto alguma coisa que ele não poderia ver. [música] Esse foi o motivo pelo qual foi eliminado, não é, por este trio, não é? De acordo com os vizinhos, Nando vivia nesta casa aqui sozinho, sem a companhia de ninguém.
No muro está escrito: “Não está à venda. [música] Eu, Nando, comprei ao Marcos”. O que muito surpreendeu quem aqui vivia próximo da casa do Nando foi a notícia dele ser um assassino em série, pois muitos viam-no como uma pessoa tranquila e normal. Ele ajudava toda a gente, ajudava a vizinha ali da rua. Ele foi até uma vez ir buscar a minha irmã à escola que estava a passar mal, mas a gente não sabia de nada. Ele era tranquilo.
Mas depois que vi na televisão, era uma pessoa como conversava, ia na igreja, o que é que ele fazia? Não, eu via só ele a passar no carro dele, mas parecia ser uma pessoa sossegada. Muitas vezes o grupo seguia até uma zona isolada junto ao bairro Jardim Veraneio. Era um local afastado, pouco movimentado, perfeito para que ninguém ouvisse pedidos de socorro.
Foi aí que boa parte das mortes aconteceram. Ali no interior é um aterro que, de acordo com a polícia, era frequentado pelo assassino em série. Neste local, neste [música] momento, os polícias procuram mais ossadas, vítimas do Nando. A cada novo interrogatório, novas informação no sentido de esclarecimento [música] contra as mortes, peculiaridades, pormenores.
Nando evitava as armas de fogo sempre que possível. A maioria das vítimas foi morta por estrangulamento. As cordas eram utilizadas nas execuções. O motivo por ele apresentado era perturbador. Em criança teria presenciado a morte da própria mãe num episódio de violência doméstica. Desde então dizia não suportar a visão de sangue.
Isto não reduzia a brutalidade dos crimes. Na prática, significou que muitas vítimas morreram lentamente, frente a frente com o próprio assassino, sem hipótese de escapar. Que é do interesse da justiça saber se ele tem alguma perturbação mental, é um insano. E o médico disse que ele é uma pessoa normal. Ele sabe o que está a fazer ou o que fez.
Ele tem noção no tempo, no espaço. Em alguns casos, Os comparsas ajudavam a imobilizar as vítimas antes das execuções. Depois vinha a etapa seguinte: ocultar os corpos. O senhor conheceu esta vítima de nome Flávio Soares da Correia? Não, senhor. Có coisa enforcou aí por Costa. Enforcou a vítima. Sim, senhor.
Nem um momento gostei de uma mão dele nem nada. A delegada Aline, que cuidou do primeiro distância do caso, chamou-me lá, mostrou a foto do meu filho pro pro Nando, não é? E reconheceu, disse: “Sim, esse é o Flávio, este matei por tu taraste e e porque tu tinhas alguma recha de via algo para si entopescente ou alguma coisa assim, porque é que o mataste?” E ele disse: “Não, só matei porque não gostava dele.
Eu odiava-o só porque era homossexual. As primeiras escavações encontraram ossadas humanas. Depois outra, depois outra e mais outra. À medida que a Terra era removida, surgia a confirmação de que os desaparecimentos escondiam uma sequência de homicídios em série. Ele preenche alguns requisitos da dessa personalidade perturbada e tem o sadismo sexual, a disfunção urinária, a manipulação, inteligência.
As retroescavadeiras passaram a ser utilizadas. Peritos permaneceram dias a trabalhar na região. Novas buscas eram realizadas porque continuavam a surgir indícios de que mais vítimas poderiam estar ali enterradas. A região do bairro acabou por ficar conhecida como um verdadeiro cemitério clandestino. Era neste local que fica a cerca de 1 km do bairro da Núbia Azul, que o Nando e os Os comparsas praticavam todo o ritual do crime.
As vítimas eram atraídas para aqui com a proposta de um programa sexual. Quando já estavam envolvidas, eram asfixiadas e enterradas numa cova estreita. O assassino fazia questão de enterrar todos os corpos de cabeça para baixo. Demonstram uma frieza eh eh difícil de ser percebida eh nos casos com que nos deparamos eh quotidianamente a remover toda a terra que aqui estava, que era a oriunda do do da escavação, remover, retirar esse material e agora inicia-se então esta nova fase.
Ao longo do tempo, o proprietário estava e eh depositando aqui materiais e restos de construção. A descoberta reforçou algo que já começava a aparecer nos depoimentos. Os os assassinatos não eram apenas eliminações impulsivas. [música] Existia uma componente simbólica, uma espécie de ritual. Nando via aquelas pessoas como criminosos que precisavam de ser castigados e os enterros pareciam funcionar como uma continuação desta punição, mesmo depois da morte.
Jardim Veranei, o bairro que fica às margens da BR163, na região norte de Campo Grande. Por aqui, sem habitação e muita vegetação. Rua dos Astronautas, esquina também aqui com a rua Alise Rosa. Estas ruas, segundo a polícia, são os locais onde mais foram encontrados restos mortais e também ossadas de vítimas feitas por Nando, que tem 49 anos.
Por aqui notamos muita terra revirada. De acordo com a polícia, Nando acabou por transformar este bairro [música] num cemitério clandestino. Após as detenções, surgiu uma informação que impressionou até os polícias experientes. Nando costumava visitar as covas regularmente. Sabia exatamente onde cada vítima estava enterrada.
Conhecia os pontos da floresta, reconhecia as covas e regressava ao local com frequência. Nando estava realmente sentindo, sentia prazer quando ele matava. Como é que os outros sabiam os locais? Qual era o troféu do Nanto? A visita aos locais. Diariamente ia até ao local porque ele ele trabalha com limpeza de terrenos e quintais.
diariamente ia pro local, visitava todos os os locais onde estavam enterrados, sepultadas as vítimas. E segundo o Jean, ele ficava, e o Wagner também fala, ele ficava a olhar para o horizonte. Por isso que ele próprio é que quem indica com absoluta certeza onde estão os corpos. O comportamento foi descrito como alguém observando troféus, [música] como se aqueles enterros representassem conquistas pessoais.
Aência de remorço aparecia repetidamente. Ele falava sobre os assassinatos com naturalidade, sem demonstrar culpa, sem demonstrar empatia, sem [música] demonstrar arrependimento. Mesmo perante os corpos encontrados, Nando continuou a tentar explicar os crimes. Depois de preso, passou a repetir uma narrativa. dizia que as vítimas roubavam os moradores, roubavam idosos, roubavam ferramentas, roubavam comerciantes.
Na sua visão, que justificava os assassinatos. Em uma entrevista, chegou a afirmar que algumas vítimas já tinham passado da hora de sair do bairro. Também culpava os familiares, principalmente as mães dos toxicodependentes. A hora que ele estava na esquadra, tinha uma mãe a chorar e eu perguntei-lhe se ele havia escutado.
Ele falou, disse assim: “Senhora, sabe quem é a mãe dele? A mãe dele é exviciada também e vendia droga também. Foi ela que o pôs nessa vida. Se tivessem paz que não botassem, não tinha acontecido isso. A investigação deixou de procurar pessoas desaparecidas, começou a procurar vítimas de homicídio. [música] O medo dominava a região.
Muitos moradores sabiam que algo estranho acontecia, mas quase ninguém falava. Alguns tinham receio de represálialhas, outros conviviam diariamente com o tráfico de droga e violência. Acho que é importante que a sociedade compreenda que o silêncio ele impõe a continuidade de um crime que só chegará o conhecimento por vezes da polícia quando desencadeou uma reação desta natureza, certo? Portanto, é as [música] pessoas mesmo intimidad elas precisam de se sentir com liberdade [música] de procurar a autoridade policial. A
influência exercida por Nando ajudou a manter esse silêncio durante anos e que permitiu que os assassinatos continuassem a acontecer. Para muitas famílias, o sofrimento não começou com a descoberta das covas, começou anos antes, no momento em que os filhos, irmãos ou familiares simplesmente desapareceram, sem telefonemas, [música] sem explicações, sem notícias.
A identificação das vítimas exigiu meses de trabalho pericial, exames genéticos, comparações de material biológico, análises de ossadas. As prisões terminaram uma sequência de crimes que durou anos. As investigações resultaram na prisão de Nando e de vários membros do grupo. Os processos se acumularam, os depoimentos reconstruíram a cronologia dos assassinatos, as perícias ligaram vítimas aos locais de ocultação e as condenações ultrapassaram mais de 140 anos de prisão.
Mas nem isso encerrou completamente o caso. Talvez ninguém saber exatamente quantas vítimas existiram. Mesmo depois das condenações, uma dúvida permanecia. Todas as vítimas foram encontradas? Porque alguns desaparecimentos registados naquele contexto jamais tiveram resposta definitiva. E essa incerteza continuou a acompanhar o caso anos depois.
Talvez seja esse o aspecto mais perturbador de toda esta história. Não apenas os assassinatos. Não só as covas clandestinas, [música] mas o facto de muitas vítimas passaram anos desaparecidas sem que a cidade percebesse que aquilo fazia parte da mesma sequência de crimes. Quando o cemitério clandestino foi descoberto, os corpos apareceram, os responsáveis foram presos, mas a questão continuou enterrada juntamente com o caso.
Quantas pessoas desapareceram antes que alguém finalmente percebesse o que estava a acontecer? Peço que a justiça de Deus e que todos estes cidadão que tem família, que tem um filho, que possa sentir essa mesma dor que sinto hoje, que sinto. Vou carregar esta dor com a perda dos meus filhos, bem como de muitas outras mães, percebe? que foi cortado o ciclo da vida, foi retirado o direito a um cidadão viver ali naquela mesa do escrivão.
Foram mais de 16 pastos que eu vi lá de desaparecidos, de mães que choram até hoje a falta do filho. Não é justo que um ser humano tire a vida de outro. Este é um dos casos que MS não esquece.