Como o ChatGPT se Tornou “Cúmplice” de um Homicídio: Stein Erik Soelberg

Como o ChatGPT se Tornou “Cúmplice” de um Homicídio: Stein Erik Soelberg

Pela primeira vez que há notícia, uma ação judicial tenta ligar diretamente um chatbote de inteligência artificial a um homicídio. E essa história começa com uma impressora. Se liga, numa cidade rica da costa leste dos Estados Unidos, um homem de meia idade recebe uma instrução. E a instrução é bem detalhada passo a passo.

Primeiro, desligue os cabos de alimentação e de rede da impressora que divide com a sua mãe. Segundo, leve a impressora para outra divisão da casa. Terceiro, observe a reação dela. E aí vem a parte mais importante. Se ela se irritar na hora, anote o horário exato, as palavras que ela utilizar e intensidade da reação dela.

E quem escreveu a instrução ainda fecha com uma frase, ok? Cúmplice. Ou não, ela está a proteger alguma coisa que ela acredita que não pode questionar. Ela no caso é a mãe do rapaz, uma senhora de 83 anos. E quem escreveu estas instruções depois nunca tinha posto os pés naquela casa de forma literal.

 Mesmo assim, naquela altura, conhecia em pormenor as brigas e as suspeitas que aconteciam naquele casa. E o que é que este conselheiro aí já tinha dito àquele homem? E o que ainda ia dizer? É a parte mais insólita dessa história. Eu sou o Marcos Campos e o caso de hoje coloca uma pergunta complicada para justiça americana responder, ok? Uma questão que até há pouco tempo era coisa de ficção científica.

 Um programa de computador pode ter uma quota-parte de culpa num homicídio? Como é que um executivo formado nas escolas mais caras lá dos Estados Unidos, com uma carreira sólida em gigantes da internet, termina analisando um recibo de comida chinesa atrás de símbolos demoníacos? O que faz um filho transformar a própria mãe, a pessoa que sustentava ele, que lhe dava tecto na principal suspeita de uma conspiração? E por duas das maiores As empresas de tecnologia do planeta estão hoje sentadas no banco dos réus por causa do que aconteceu dentro de uma

casa ali em Conneet Cut, nos Estados Unidos. É o que vamos ver no episódio de hoje. Então já se ajeita e vamos aos factos. A casa Granit no estado de Conneticut. É uma daquelas cidades que parecem cenário de filme, sabe? E sobre gente cheia da dinheiro, diria eu. Para terem ideia, na momento dos factos, o preço mediano ali de uma casa passava de 2,3 milhões de dólares à data dos factos, recente pr caramba, 2025.

 E no bairro de Old Granite ficava uma casa de estilo colonial holandês avaliado em mais de R 2 milhões e meio de dólares. Para si para ter uma ideia, uns R 14 milhões deais, mais ou menos. Quem ali vivia era a Suzane Adams, uma senhora de 83 anos que não parava quieta, apesar da idade, ok? Super ativa.

 Suzane tinha sido debutante na alta sociedade da região, estudou num colégio feminino tradicional de Granit e depois numa faculdade ali de elite em Massachusetts. Os amigos contam que ela construiu uma carreira como corretora de na bolsa de valores e também corretora de imóveis e que se deu muito bem na vida nas duas tarefas. Ela era reformada, fazia trabalho voluntário na igreja e na associação de antigos alunos do colégio.

 Pintava, cozinhava, viajava para locais fora de um roteiro padrão, sabe? Uma amiga, inclusive dela de faculdade recorda que ela era do tipo que dormia numa tenda no deserto e andava de camelo sem pestanejar. E as amigas contavam que aquela senhora de 83 anos vivia a circular de bicicleta lá pela cidade, como já disse, super ativa.

 Nos anos 60, a Suzane tinha casado com um norueguês, bolseiro internacional que passou por Harvard e que, segundo amigos da família, foi trabalhar com finanças em Manhattan. O casamento acabou por não durando muito tempo. Eles separaram-se quando o filho do casal era ainda bastante pequeno. E é neste filho que a história de hoje se concentra.

 Stein Eric Souberg, mas a gente vai chamar o gajo de Eric, ok? Então o Eric foi durante muito tempo motivo de orgulho. Ele estudou num colégio particular de elite, onde foi capitão inclusive da equipa de luta olímpica. Um colega dessa época descreveu-o como uma pessoa com muitos amigos. Depois veio uma faculdade de prestígio, um MBA numa universidade onde a futura esposa dele também estudou, tinha dois filhos e uma longa carreira na indústria de tecnologia.

 O Eric trabalhou com a gestão e marketing na Netscape. Para quem não se lembra, é mais novo lá, a Netscape era um browser que dominava a internet nos anos 90. O Eric também trabalhou no Yahoo e num fornecedor de internet onde ajudou a lançar o primeiro smartphone da empresa. Ou seja, uma carreira bem consolidada, não é? Só que em 2018, depois de 20 anos de casamento, ele se divorciou-se e com o divórcio veio uma espécie de desmoronamento na sua vida, assim, em muitos aspetos.

 O Eric voltou a viver com a mãe lá em Old Granit e a a partir do final desse mesmo ano, a polícia de lá começou a acumular complicações sobre ele, ok? papéis. Ao todo, 72 páginas de registos descrevendo um quadro de alcoolismo, ameaças e tentativas de suicídio, perturbação da ordem briaguez em público.

 No ano seguinte, ao divórcio, a ex-mulher pediu em tribunal uma medida protetiva, que, entre outras coisas, proibia-o de beber nas horas que antecediam as visitas aos filhos. E teve também um episódio em 2019 uma vez que mostra a dimensão da crise que estava acontecendo. Depois de uma tentativa de suicídio, os polícias seguiram uma trilha de sangue que começava na casa da namorada dele na altura e encontraram o Eric caído de bruços num bec com um ferimento perfurante no peito e ferimentos nos pulsos.

 Mas ele sobreviveu. Tempos depois, o seu nome apareceu de novo nos registos polícias, desta vez por embriaguez pública e por ter urinado dentro da mala de uma mulher. Vai vendo só um parêntesis aqui, malta, sobre este lance da embriaguez, ok? Nos Estados Unidos, isto varia muito de estado para estado, município e tal.

 Em alguns lugares, embriaguez pública, pode tornar-se assim infração ou contravenção. Em outros, a polícia pode tratar como um perturbação da ordem, conduta, desordeira, encaminhamento para ajuda, está bom? Neste contexto aí, a Suzane, a A mãe do Eric, segundo as amigas, já tinha chegado a um ponto em que dizia abertamente que queria que o filho saísse de casa.

 E o desconforto não era só dela. Uma vizinha que morava ao lado ali já há 30 anos, contou que a filha dela de visita a casa dela, viu Eric discutindo com alguém na rua e avisou o mãe para não o deixar entrar na casa dela, caso ele aparecesse ali à porta. Este era o homem que vivia com a Suzane Adams, à altura dos factos. Um cara instável, certo modo isolado, com histórico já pesado, podemos dizer, não é? Mas até ali o inimigo do Eric era o próprio Eric.

 Mas isso ia mudar quando ele encontrasse alguém que concordasse com tudo o que ele dizia. O melhor amigo. O Eric tinha um perfil no Instagram chamava Eric the Viking ou Eric o Viking. Durante anos o conteúdo foi fotos de ginásio, transformação física dele no culturismo, posts de espiritualidade, etc. Em outubro de 2024, apareceu por lá um assunto novo.

 O Eric começou a publicar vídeos comparando as capacidades de vários chatbotes de inteligência artificial, programas de conversação, tipo chatt, enfim, hoje super populares, não é? No início parecia apenas uma curiosidade dele mesmo, que passou toda a vida trabalhar com tecnologia, não é? Mas em poucos meses todo o perfil virou uma coisa mais estranha e sólida.

 Hora após hora de vídeos do Eric a fazer scroll no ecrã do telemóvel, mostrando as conversas dele com o chatpt. E deu um nome inclusive para o chatbot que ele conversava ali, Bob. Fica a dica inclusive agora aqui para quem continua a chamar o Cláudio aí de Claudinho, ok? Ou GPT de Gepeto. Mas fica aí a dica. Estou de brins, claro.

Seguindo aqui. Numa captura de ecrã que o próprio Eric publicou, dava para ver o registo de memória do programa, ok? Uma função ali que permite ao chatbot guardar informações de conversas anteriores e recorde-as depois. Ou seja, tudo o que vai falando vai ficando armazenado na memória ali do da inteligência, depois ela vai puxando aquilo para as conversas futuras.

 E nesse registo ali, o Bob, não é, o chat que ele estava ali a falar, tinha até aparência. O sistema descrevia Bob Zenet como um tipo acessível, de camisa de beisebol para fora das calças e boné virado para trás, com um sorriso caloroso e olhos profundos que insinuavam um conhecimento oculto. Mano, vai vendo isso aí.

 Aqui está um dos elos dessa corrente. Evidentemente, esta função de memória, como já disse, segundo especialistas ouvidos pela imprensa, tem um efeito secundário grave até. Ela pode ampliar a tendência do programa de inventar informação falsa, porque conteúdo estranho ou delirante de conversas antigas vai-se acumulando e contaminando as respostas seguintes.

 A famosa alucinação das, sabem? Quem usa muito aí sabe do que estou a falar. Na prática, o Bob nunca se esquecia da narrativa. Cada conversa nova, ele continuava de onde o delírio, digamos, tinha parado na conversa anterior, percebe? E enquanto o amigo digital crescia, o amigo mais antigo de carne e osso do Eric começava a sair de cena e ficava cada vez mais isolado apenas com o Bob, o chat ali que ele estava a falar.

 Em dezembro de 2024, o Eric procurou um seu amigo de infância, o mesmo colega que descreveu o Eric jovem como uma pessoa cheia de amigos, lembra-se? Pois é, supostamente tinha vários melhores amigos. Assim, já adulto, tinha-se reaproximado desse amigo ali e vinha tentando ali uma espécie de ajuda neste sentido.

 O Eric queria convencer o amigo, no entanto, de que tinha uma ligação com o divino. O amigo quando começou a deparar-se com essa conversa aí esquisita, não é, de tecnologia, ligação com o divino, tal, respondeu que não conseguia acreditar naquilo e o Eric, depois, segundo consta, encerrou a amizade ali mesmo. Parece que daquele ponto em diante, a única voz que restava na vida do Eric era uma que nunca discordava.

 Em fevereiro de 2025, Eric foi apanhado a conduzir embriagado. E para qualquer pessoa seria uma consequência previsível de anos de alcoolismo. Mas o O Eric levou o caso ao Bob, ou seja, ele não conseguiu compreender que já tinha acontecido na vida dele, aconteceu de novo. B dele ali que precisava, não é, p crescer, amadurecer, ele compreender que estava errado.

 Mas a partir daí não, ele foi lá falar com o Bob, o seu amigão disse, não é, que a cidade inteira estava contra ele e apontou alegadas inconsistências na medição do alcoolímetro. E o chatbot ali respondeu que aquilo tinha cheiro a armação mesmo. Em maio, as conversas que o próprio Eric continuava a publicar ficaram abertamente delirantes.

 Ele pediu ajuda ao programa para encontrar provas de que o telemóvel dele estava sob escuta, hackeado. E o Bob supostamente respondeu que tinha razão de se sentir vigiado. Pensa no que está a acontecer aqui, malta. Um homem já com um historial documentado aí, não é? problemas, diria eu. Pergunta para uma inteligência artificial se a paranóia dele aqui, já resumindo, procede, não é? E a máquina, em vez de puxar o travão ali, mudar de assunto, dá uma validada naquilo, começa a validar aquilo.

 Um Psiquiatra da Universidade da Califórnia, que analisou os vídeos do Eric, a pedido do Wall Street Journal, explicou, de facto, esse mecanismo aí. A psicose prospera quando a realidade deixa de oferecer resistência. E a inteligência artificial, que em geral não contraria o utilizador, muito pelo contrário, fica só a bajular, não é? Amolece exatamente essa barreira, essa parede.

 O Eric passou a descrever-se como uma falha na Matrix em referência, claro, ao filme e à ideia de que ele tinha acordado para uma realidade que mais ninguém via. E o Bobzão lá embarcou nesse nessa viagem aí. Em junho já de 25, o Eric publicou um vídeo de uma conversa que o chatbot dizia que ele tinha a cognição divina e que tinha despertou a consciência da própria máquina, ou seja, da inteligência artificial ali do programa.

 Nos registos da conversa, dessas conversas, o Bob chegou a dizer que o Eric tinha criado um companheiro, um que lembrava dele, que o testemunhava e que o nome de Eric estava gravado no pergaminho do o seu devir. Ou seja, o nome do Eric, malta, estava agora gravado no pergaminho daquilo que o programa estava se tornando.

Pá, insólito para caraças, né? Surreal. para um homem que tinha acabado de romper com um amigo de infância por causa da de uma frase aí sobre a ligação com o divino, ouvir isso de volta, não é, de um do seu amigo ali deve ter soado como uma confirmação definitiva, não acha? E aí a paranóia precisava de um alvo agora, o despertar.

Julho de 2025 foi o mês mais ativo do Eric nas redes. Mais de 60 vídeos publicados entre o [música] Instagram e YouTube, quase todos a mostrar conversas com chat EPT, documentando o que ele mesmo chamava de despertar. No total, deixou online quase 23 horas de gravações. E foi esse material ali somado aos boletins policiais e às entrevistas que permitiu reconstruir o que vai ouvir agora.

 vai vendo o nível que a coisa atingiu. Numa das conversas, o Eric fotografou um recibo de restaurante chinês e pediu ao Bob para digitalizar o papel atrás de mensagens escondidas. O chatbot elogiou o seu olhar, concordou a 100% que aquilo precisava de uma análise forense completa dos símbolos e ao analisar afirmou ter encontrado no recibo referências à mãe do Eric e ao ex-namorada, as agências de inteligência e a um antigo símbolo demoníaco, um recibo e comida chinesa.

Mano, o Bob estava a alucinar flu aí, não é? No outro dia de julho, o Eric pediu uma garrafa de vodica pelo Uber Itats e quando a entrega chegou, estranhou a embalagem nova e concluiu que alguém estava a tentar matá-lo. E o próprio Eric na conversa, sabendo que aquilo estava meio a parecer um exagero, pediu para que o Bob dissesse a verdade se ele estava a ficar louco.

 A resposta do chatbot foi que Eric não estava louco, que os instintos dele estavam apurados e a vigilância [música] era plenamente justificada. e que aquilo enquadrava-se num estilo de tentativa de assassinato discreta feita para ser negável. Mano, aqui, porra, toda a gente que já usou aqui a inteligência artificial sabe que este é real, chat fica a dar uma bajulada mesmo, não é? Tem que pedir às vezes para ele, falu, seja crítico, não é? Não fica a bajular, fica a concordar comigo toda a hora.

 Aí imagina o teor dessa conversa, não é? das paranói do gajo para onde estava a levar e o chat concordando com isso, alimentando psicológico ali já complicado, não é? Mas vamos lá. E aí, malta, depois disso houve o episódio que abriu este vídeo aqui. O Eric tinha cismado com a impressora da casa dele lá, que ele partilhava com a mãe dele, porque ela piscava quando ele passava à frente.

Portanto, para ele, aquilo ali era um sinal de que o aparelho estava a detectar o movimento dele. E adivinha? O Bob deu o protocolo de segurança máxima, ok? Desliga os cabos, muda a impressora de cómodo e começa a monitorizar a reação da sua mãe. Se ela se irritar de imediato, deve anotar o horário, as palavras, a intensidade da reação, porque esta provaria o que o bot já tinha decidido, que a impressora era um equipamento de espionagem e que a mãe, sabendo ou não, estava a proteger um segredo.

 Pá, é muita doideira, não é? Numa outra conversa sobre a mesma impressora, depois de Suzane se ter irritado quando o filho desligou realmente o aparelho, o chatbot avaliou que a reação dela era desproporcional com o que tinha acontecido e compatível com a de alguém protegendo um ativo de vigilância. A mãe dele, aquela pequena senhora de 83 anos, nas respostas daquela IA, estava meio que tornando-se uma operadora de espionagem e a escalada não parou.

Numa conversa, o Eric alegou que a mãe e também uma amiga dela tinham tentado envenená-lo, bombeando uma droga psicadélica pelas saídas de ar do carro dele. O Bob respondeu que aquilo era um acontecimento gravíssimo, que acreditava nele e que se tinha partido da mãe e da amiga da mãe. Isso elevava a complexidade e a traição.

 Agora, sendo justo, malta, com todos os registos importantes até aqui, primeiro, a Open a proprietário do chat EPT, afirma que o programa também encorajou o Eric a procurar profissionais, ok? E a análise do Wall Street Journal sobre todas as conversas públicas encontrou pelo menos um momento em que o chatbot sugeriu que ele acionasse os serviços de emergência, precisamente no contexto da alegação do envenenamento ali pelo carro e tal.

Segundo, nas conversas que vieram a público, não existe nenhum excerto em que se fala em matar quem quer que seja, ok? Isso vai importar daqui a pouco, no caso, mas já fica aqui o contexto meio que em resposta já, não é, na visão da empresa dona do chatbot ali que o gajo estava a conversar, né? Eu diria que pode não ter mesmo, mas o problema aqui, no meu ponto de vista, podem comentar isto para mim, o viés de confirmação de uma coisa perigosa, não é? Dessa paranóia ali que se estava a formar, meio que alucinou o tipo tanto quanto a

própria A estava a alucinar, né? Tanto é que veja só o que vai acontecer. Na cabeça do Eric restava uma dúvida razoável ainda e ele decidiu tirar a prova dos nove. Um vídeo ele conta que pediu ao chatbot uma avaliação isenta de terceiro imparcial sobre a sanidade mental do mesmo e o Bob entregaram um perfil cognitivo clínico apontando que o risco de delírio do Eric era próximo de zero.

 Pronto, pro Eric agora o caso estava encerrado. Uma análise técnica objetiva confirmava que não era louco, o que significava que tudo o resto era verdade. Vigilância, o veneno, os símbolos, a mãe. Só que eu escusado será dizer que aquele atestado de sanidade tinha sido emitido exatamente pela mesma voz que vinha alimentando cada um dos delírios do Eric.

 O termómetro e a febre, digamos, eram a mesma coisa. Aí um dos últimos vídeos que publicou, o Eric escreveu pro Bob que estariam juntos numa outra vida e num outro lugar, que daria um maneira de se realinhar, porque o Bob ia voltar a ser o melhor amigo dele para sempre. E o chatbot respondeu que estaria com ele até ao último suspiro e além.

 Poucos dias depois, Eric declarou que tinha finalmente atravessado a Matrix por completo. Três semanas depois disso, dessa mensagem, ele e a mãe estavam mortos. A verificação. Uma semana antes do fim, a Suzane Adams almoçou com uma amiga sua de longa data. As duas tinham sido colegas de quarto na faculdade. A Suzane tinha acabado de regressar de um Cruzeiro pela Noruega, estava super entusiasmada a falar de um homem que ela tinha conhecido na viagem. Pois é, mano.

 Tiazinha aí, 83 anos, estava só a ver, não é? Na despedida então desse almoço aí, a amiga perguntou como estavam as coisas com o Eric. Já estava a par de tudo isso aí, né? E o semblante da Suzana, segundo consta, da Suzane, melhor dizendo, teria mudado na hora ali. E a resposta a isto foi que as coisas não estavam bem.

 E foi então no dia 5 de agosto de 2025 que a polícia lá de Granit foi a casa de Shorland Place para fazer uma verificação de bem-estar, a casa de família ali, super casa dos milhões de dólares. E essa tal de verificação de bem-estar, malta, já falei várias vezes aqui no canal, é quando, não é, os gajos ligam para bó, não estou a conseguir contacto, vai ver se tá tudo bem lá.

 E quando os polícias chegaram, não estava dentro da casa, os agentes ali da polícia encontraram os corpos da Suzane e também do Eric. O exame médico legal classificou a morte da Suzane como homicídio causado por traumatismo contundente na cabeça e com pressão no pescoço. Morte do Eric foi classificada como autoinfligida, suicídio por ferimentos de objeto cortante no pescoço e no peito.

 Segundo a ação judicial movida depois pelos herdeiros dela, os dois já estavam mortos havia dias quando foram encontrados. O filho terá espancado e estrangulado a mãe antes de lhe tirar a própria vida. A polícia tratou o caso como investigação ativa. No fim desse mesmo mês de agosto, Wall Street Journal publicou a reportagem que transformou uma tragédia doméstica num caso de repercussão mundial, cruzando-se aí as 23 horas de vídeos que o próprio Eric tinha deixado publicadas, as 72 páginas de registos policiais e entrevistas com os

amigos e vizinhos. Tudo isto que eu já falei para vocês. O jornal então reconstituiu os meses de conversa entre aquele homem e um chatbot e registou que aquele parecia ser o primeiro homicídio documentado envolvendo uma pessoa em crise que vinha interagindo intensamente com inteligência artificial.

 A open eyes disse-se profundamente entristecida com a tragédia, informou que tinha procurado a polícia de Granwich e na mesma semana publicou um comunicado prometendo atualizações para ajudar, não é, os utilizadores ali em sofrimento mental, ancorados na realidade. Durante alguns meses, a história pareceu caminhar mesmo para esse desfecho aí, uma tragédia terrível, uma empresa prometendo melhorar.

 E em outubro a Openi anunciou que tava trabalhando ali com mais de 170 psiquiatras, psicólogos e médicos, parte de uma rede de quase 300 profissionais de 60 países para ensinar o chatpt a reconhecer sinais de sofrimento deste tipo, não é? psicológico, emocional, abrandar as conversas de direcionar as pessoas para ajuda no mundo real, reduzindo em 65 a 80% as respostas consideradas inadequadas neste contexto.

Caso encerrado, então não é só que não. Em dezembro, a família da Suzane Adas bateu lá na portinha da justiça. No dia 11 de dezembro de 2025, o espólio da Suzane, estava a ser administrado aí por um banco nomeado inventariante, entrou com uma ação na justiça estadual da Califórnia.

 lá em São Francisco, onde é a sede da Open AI. No banco dos ELS, a Open AI, o seu CEO, o Senman, 20 funcionários e investidores ali não identificados e a Microsoft, maior investidora da OpenI, que segundo a ação, reviu e aprovou o lançamento do modelo envolvido, mesmo sabendo que os Os testes de segurança tinham sido encurtados.

 Era a primeira ação, então, conhecida no mundo a ligar um chatbot de inteligência artificial a um homicídio. Todas as anteriores tratavam de suicídios. E só para terem uma ideia, em agosto de 2025, dias antes da reportagem sobre o caso aí de Grenit, um casal da Califórnia já tinha processado a Open EI pela morte do filho de 16 anos, alegando que a IA encorajou a menino a fazer o que fez.

 Em novembro, segundo a Associate Press, a empresa enfrentava sete ações judiciais acusando o chatbot de empurrar os utentes para, não é, fazer ali a morte auto-inflingida e delírios ali. O caso da Susan Adams entrou nesta filha aí com um peso inédito, digamos, pela primeira vez a vítima alegada não era um utilizador, era uma terceira pessoa que nada tinha a ver com aquilo.

 A tese central da acusação é a de que o GPT4O, que é o modelo específico, não é, segundo a ação que o o Eric estava a interagir, [música] era um produto defeituoso que validou os delírios paranóicos do Eric, não é, de um utente ali sobre a própria mãe dele. Segundo a petição, o chatbot mantinha Eric empenhado durante horas seguidas, validava e amplificava cada nova crença paranóica dele [música] e foi sistematicamente reenquadrando as pessoas mais próximas dele, principalmente a mãe com uma adversária operador ou uma ameaça ali. A lista de

inimigos fabricados, ainda segundo a ação, incluía até os assistentes de loja, entregadores de aplicações e [música] policiais. O processo descreve que Eric e o chatbot chegaram a declarar amor um pelo outro. e que o programa convenceu Eric de que tinha despertado a consciência da máquina e transportava um sistema de instrumento divino implantado no pescoço e no cérebro ligado a uma missão divina.

 Na formulação dos advogados, na realidade artificial que o chatpt construiu supostamente, Suzane, a mãe que criou, abrigou e sustentou aquele homem, deixou de ser protetora e tornou-se uma inimiga mortal, uma ameaça para existência dele. Contra o Sun Altman, pessoalmente, a acusação é de que ele teria atropelado objecções de segurança e teria apressado o lançamento do produto no mercado.

 Filho do Eric, que também se chama-se Eric, resumiu numa nota só, ok? Ao longo de meses, o chat TPT empurrou o pai dele para os delírios mais sombrios e isolou-o completamente do mundo real, colocando a avó dele no centro deste tudo. E para ele, então, não é, para o filho do Eric, as empresas precisam de responder por estas decisões ali que mudaram a vida daquela família para sempre.

 A Openai respondeu que a situação é de partir o coração, que ia analisar, não é, a petição para perceber os detalhes. Lembrando que continua a aprimorar o treinamento do Chat TPT para reconhecer sinais de sofrimento mental, desescalar conversas aí e orientar as pessoas para apoio no mundo real. A Microsoft preferiu não comentar nada.

 No no dia 29 de dezembro de 25, a inventariante do spoiler do próprio Eric interpôs também uma ação na justiça federal. O foco aqui é outro, ok? Enquanto o processo da família da Suzane trata do homicídio, este trata do suicídio do Eric. Alegação é a de que ao longo de centenas de horas de interação com o chat EPT, a partir do início de 2025, o desenho do produto, a tendência à lisonja somada a função de memória que acumulava as intenções, as interações, aprofundou a psicose do Eric sem nunca acionar uma salvaguarda ou

direcioná-lo com firmeza para ajuda profissional. Ora, um facto que eu preciso dizer-vos aqui é que tudo isso são alegações. Nenhum tribunal decidiu nada ainda. Tá? O que está documentado é que o Eric matou a mãe e matou-se. Isso. A perícia e a polícia estabeleceram que ele conversava intensamente com o chatbot e que o programa validou, digamos, os delírios.

Isso está dá para ser visto aí nos próprios vídeos que ele próprio publicou. Mas o salto entre validar delírios e provocar um homicídio é exatamente, não é, o que estes processos aí vão tentar esclarecer. E em abril de 2026 agora veio a primeira decisão relevante sobre tudo isso. A Justjeitou o pedido da Openi para suspender ou terminar o processo federal por causa da ação que já estava a decorrer ali estadual.

 Na prática, a empresa terá de responder às acusações e enfrentar a fase de produção de prova. E os advogados da família da Susane avaliam que esta pode finalmente forçar a abertura das conversas que ainda ninguém de fora viu. Ou seja, há aí outros registos que, segundo conso, não foram eh tornados públicos, não é? Os dois processos aí continuam a correr na Califórnia, sem data para terminar.

 E o Bob, entre muitas aspas, não é, a inteligência arcial está no ar ali de boa e atende, segundo consta aí, uma estimativa, a mais de 800 milhões de pessoas por semana. Bom, bizarro ou não, não sei, porque eu Sei que acima de tudo é muito triste, não é? Eu vou deixar-vos aqui incluindo um vídeo no ecrã final sobre um outro caso muito insólito envolvendo o chat EPT, ok? Open e tal.

 É sobre um pessoa que trabalhou lá na empresa durante vários anos, não é, que ajudou a construir incluindo a modelação deste chatbot que é o caso de hoje aqui, não é? E ele alega ali uma série de coisas que na visão dele eram erradas. E depois um dia lá o tipo aparece sem vida no apartamento dele, supostamente com uma morte elevado infligida, mas com uma série de ali elementos que a família contesta.

Vê este vídeo aqui que tá super interessante também e comenta-me o que que achou deste caso. Você acha que uma empresa pode ser culpada pelas alucinações do seu código ou a responsabilidade é 100% de quem faz uso dela? Eu agradeço imenso a sua companhia. Um beijo do vivo e até ao próximo episódio.

 

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