Anatoly Moskvin: Ele pode voltar às ruas? A verdade sobre o caso
Há casos que é difícil de acreditar mesmo depois de tudo provado. E esse é um deles. Se liga só. Quando os polícias entraram naquele apartamento apertado, procurando pistas sobre quem andava a profanar os túmulos daquela cidade, não imaginavam encontrar um verdadeiro cenário macabro. O lugar estava lotado de bonecas, bonecas grandes, do tamanho de uma criança, sentadas nas prateleiras, encostadas ao sofá, espalhadas pelos cantos no meio de pilhas de livros e papel velho.
Tinham vestidinhos coloridos, meias, maquilhagem no rosto. Um dos oficiais mexeu numa dessas bonecas e a casa do nada encheu-se de música. Aquele apartamento guardava um segredo que mais de uma dúzia de famílias daquela cidade ia carregar para o resto da vida. E aquela cena grotesca e perturbadora era o retrato, na verdade, do que havia na mente do homem que tinha feito tudo aquilo.
Eu sou o Marcos Campos e o caso de hoje vem lá da Rússia. O protagonista era um homem considerado uma espécie de génio pela sua própria cidade. Mas esse sujeito fez algo durante anos escondido dentro de casa, algo que ninguém imaginava ser possível. São muitas as questões que este caso aqui traz, como, por exemplo, como é que ele conseguiu esconder durante tanto tempo isso? e também o que ele queria no fim das contas com tudo aquilo.
É isso e outras coisas que vamos investigar no episódio de hoje. Então vamos aos factos. [ressonante] As bonecas. Vamos começar pelo que estava dentro daquele apartamento quando os polícias chegaram e acabaram descobrindo aquilo por acaso. Entre aspas. Aquelas bonecas não eram bonecas, eram corpos.
Corpos de meninas que tinham morrido, sido enterradas e depois arrancadas dos próprios túmulos. 26 ao todo foi o número que a perícia conseguiu confirmar. Muito embora os primeiros relatos da imprensa russa, no calor ali do momento, tenham registado e falado em 29. A maioria delas eram raparigas com idades compreendidas entre os 3 e os 12 anos, segundo os mais recentes relatos russos, tá? Embora também algumas versões antigas do caso tenham citado faixas ligeiramente diferentes.
O homem que ali vivia tinha desenterrado esses corpos um a um ao longo de anos e levado para casa dele. Só que ele não largava os restos ali da maneira que ele encontrava. Ele tinha estudado técnicas de mumificação e ele secava os corpos com uma mistura ali caseira de sal e bicarbonato de sódio. Como a pele e os membros encolhiam e murchavam conforme secavam, enrolava então os braços e as pernas em tiras de pano e enchia o tronco com trapos e enchimento para dar volume, para dar forma de um corpo de criança outra vez. Depois vinha a
parte que dava o aspeto final. Ele cobria alguns rostos com máscara de cera. Ele pintava estas máscaras com verniz de unhas para imitar a pele humana. Botava perucas, vestia as meninas com roupa de criança colorida, meias, botinhas. Em alguns casos, ele chegou a coser botões no lugar dos olhos. Segundo o que o próprio contou depois, os botões eram para que pudessem ver desenho com ele.
E lembra-se da música que tocou quando um polícia mexeu numa delas lá na cena que abriu o episódio? Pois é, este homem enfiava objetos dentro da caixa torácica dos corpos. Em quase todos havia ali qualquer coisa no peito e numa parte deles uma caixinha de música. Um investigador contou que quando tentaram mover um dos corpos, a sala tornou-se encheu-se de melodia do nada.
Em outros encontraram corações de brinquedo, pedaços de sabão e fragmentos de lápide. Caríssimos, abduzidos, se este não é um guião de um grotesco filme de terror, não sei o que é. Esse homem convivia com aquilo ali como se fossem filhas dele. Ele conversava com elas, cantava para elas, via mesmo desenho, até lia a história em voz alta.
Ele comemorava o aniversário de cada um. Ora, a pergunta que provavelmente já está a martelar na tua cabeça aí é: tipo de pessoa é capaz de o fazer? E é aqui que o caso se torna ainda mais difícil de engolir. O génio. Preciso agora de falar um pouco para lhe sobre quem era a pessoa por detrás de tudo isto que nem sei nomear.
O homem por trás. Não era um marginal qualquer que estava vivendo ali nas sombras, ok? Talvez seja o oposto disso. O seu nome é Anatoli Yurievit Moskvin. Ele nasceu em primeiro de setembro de 1966 na cidade que na altura se chamava Gork e hoje chama-se Nigili Novgorod, a cerca de 400 km a leste de Moscovo.
E desde cedo ele mostrou ser um sujeito fora da curva, intelectualmente falando. Ele fez a sua formação na área das línguas e filologia, passando pelo Instituto Pedagógico de Línguas Estrangeiras de Gork e depois pela Faculdade de Filologia da Universidade Estadual de Moscovo, onde cursou pós-graduação. Depois tornou-se linguista, historiador, especialista em cultura e folclore Celta.
Sabe aquela tradição antiga em que a fronteira, digamos, entre os vivos e os mortos é meio que desfocada. Assim, e chegou também a dar aulas de estudos celtas na universidade de línguas, tá, da sua própria cidade. E o pormenor que mais impressionava toda a gente é que o cara era poliglota. Ele falava 13 línguas, escreveu livros, dicionários, traduções, tudo isto respeitado nos círculos académicos.
Ele mantinha em casa uma biblioteca pessoal de mais de 70.000 livros e documentos. Os colegas o descreviam com duas palavras que apareciam normalmente juntas: génio e excêntrico. Mas a sua vida pessoal era de um isolamento quase total. Ele nunca casou, nunca namorou, não bebia, não fumava, vivia com os pais ainda. E ele tinha uma verdadeira obsessão muito específica que ele transformou na A sua própria identidade profissional, cemitérios.
Ele autodenominava-se necropolista, que é algo aí como um especialista em cemitérios. Ele era considerado com folga a pessoa que mais conhecia os cemitérios ali da região. Para que tenha uma ideia do nível desta obsessão, em entrevistas e relatos antigos, o Moskvin dizia ter estudaram mais de 750 cemitérios ao longo de cerca de 20 anos ali em Ní novegorod, que é a sua cidade, e também noutras regiões da Rússia.
Ele transformou isso quase numa identidade pessoal dele mesmo. Ele caminhava a longas distâncias, [a música] dormia em locais improvisados e dizia conhecer como poucos os cemitérios da região. Vai vendo. Acontece que tudo isto tem uma origem que o próprio Moskovin contou depois num artigo que escreveu pouco antes de ser detido, inclusive.
E essa origem é o ponto onde a história começa, se é que é possível, a ficar ainda mais insólita. Segundo o seu relato, em 1979, quando tinha 13 anos, regressava da escola e foi interpelado por um grupo de homens vestidos de preto. Eram pessoas a caminho do funeral de uma menina de 11 anos.
Várias fontes que relatam esta história macabra dão o nome a esta menina aí como Natasha Petrova. Estes homens aí que ali estavam nesse funeral, ainda segundo o relato do Moskovin, o arrastaram até ao caixão da menina e o obrigaram a beijá-la. Ele beijou o rosto da menina morta. Escreveu que um adulto empurrou-lhe a cabeça para baixo contra a testa fria da menina e que não teve nada que fazer a não ser obedecer e beijá-la.
E contou que beijou uma vez, depois outra vez, depois mais outra. E para fechar, ainda de acordo com a versão que publicou, a mãe da menina terá colocado uma aliança no dedo dela e outra no dedo dele, como se ali tivesse acontecido um casamento. Mas olha, eu preciso reforçar aqui que é isso que ele próprio escreveu, ok, décadas depois para explicar a própria fixação.
Não é um facto verificado por terceiros, mas é a justificação que deu. E ela ajuda pelo menos a compreender como a obsessão dele com a morte foi sendo construída, não é? Porque a partir daí ele começou a deambular por cemitérios ainda menino, e nunca mais parou. Bom, temos então este personagem, não é, que eu acabei de apresentar brevemente, o erudito recluso, maior especialista em cemitérios da cidade.
Agora a questão é: como é que a polícia acabou por lhe bater à porta? E para responder a isso, precisamos recuar um pouco no tempo, ok? Para antes daquela cena de abertura lá na casa dele, das bonecas. Porque a história não começou naquela casa, começou nos cemitérios. Na verdade, por volta de 2009, os moradores lá da sua cidade começaram a denunciar que os túmulos dos familiares deles tinham sido violados.
Não era um caso isolado, ok? Era uma onda mesmo de casos ali. Alguém andava abrindo sepulturas, mexendo nos enterramentos, arrancando objetos. Inclusive as plaquinhas de metal, sabe, que ficam ali em cima dos túmulos com os nombres, todas elas estavam a ser retiradas das lápides. E o pormenor mais perturbador desta onda aí, em alguns casos, o túmulo simplesmente tinha sido esvaziado, ou seja, o corpo já não estava lá.
A polícia, claro, abriu uma investigação, só que a primeira leitura que fizeram do caso mandou todos na direção errada. E é aqui onde o a investigação a sério começa, tá? O Ministério do Interior russo olhou para aquele padrão ali de túmulos profanados e cravou uma hipótese. Isto é obra de algum grupo extremista.
Um porta-voz chegou mesmo a explicar à imprensa que tinham reforçado as equipas e montou grupos com os detetives mais experientes em crimes de extremismo para investigar de perto este caso. E esta pista ganhou força por um motivo concreto. Entre os túmulos violados havia sepulturas muçulmanas. Isso fez com que a investigação tratasse parte dos crimes como possível crime de ódio, motivado aí pela religião.
Nesse primeiro contexto, sem saber de todo o background, fazia sentido, não é? Túmulos de uma comunidade específica sendo atacados, a lógica aponta para perseguição. Só que 2 anos de investigação nessa linha aí não levaram a lado nenhum. Dois anos, malta, os detetives especializados em extremismo cavaram literalmente, figurativamente, diria, e não encontraram organização nenhuma por trás, nenhuma célula. motivação política, nada.
Isso porque simplesmente não tinha mesmo. A premissa toda estava errada. Não era um grupo, era um exército sombrio e determinado, mas de um só homem. Em janeiro de 2011, verificou-se um atentado no aeroporto do Modedovo ali em Moscovo. As autoridades russas entraram em alerta e aquele contexto dos túmulos muçulmanos profanados aumentou a sensibilidade em torno de qualquer possível tensão religiosa.
Os Os investigadores passaram então a olhar com mais atenção para estes cemitérios. Havia pormenores que não batiam certo com o perfil de um ataque comum. Em alguns casos, alguém mexia em elementos muito específicos das sepulturas, sem destruir o meio envolvente, percebe? O que tinha ali na volta? Não parecia simplesmente uma retalhação raivosa por causa do atentado.
Era demasiado específico e o negócio continuava. E à medida que aquela hipótese de grupo extremista começava a perder força, porque não conseguiam ligar a nada, uma coisa tornava-se cada vez mais clara. Quem estava fazendo aquilo conhecia muito bem aqueles cemitérios. Não era alguém agindo ali num impulso, querendo realmente uma retalhação.
Era alguém que sabia circular por ali, sabia onde mexer, sabia o que procurar e, acima de tudo, tinha demasiada familiaridade com aquele universo. Aí foi que surgiu um nome, não é? Na verdade, um nome começou a tornar-se impossível quase de se ignorar. Anatol Moskvin. Ele não era um desconhecido naquele meio, evidentemente, pelo contrário, era o sujeito que estudava os cemitérios havia anos, escrevia sobre isso, conhecia túmulos, mapas, lápides, histórias de mortos e rituais funerários, como quase ninguém ali na zona. Até
aquele momento, isso fazia dele um especialista, mas para os investigadores, também podia fazer dele alguém com oportunidade, conhecimento e demasiado familiaridade com aqueles lugares, não é? Foi assim que em novembro de 2011 a investigação chegou ao apartamento onde o Mosquev Vin vivia e também a garagem a ele ligada.
Os polícias entraram lá, procuraram provas sobre as profanações nos túmulos, só que o que ali encontraram era muito pior do que uma coleção de placas arrancadas de lápides, ok? Um ladrãozinho qualquer. Eles encontraram a coleção de bonecas que comentei com vós, que na verdade eram corpos. E olha, até há uma ironia nisto tudo, não é? Porque o Moskvin era precisamente uma das pessoas mais conhecidas da região quando o assunto era cemitério.
Assim, a princípio, ele até deve ter sido encarado ali mais como uma fonte de informação do que como um suspeito. Foi só depois de a o negócio ter sido se estreitando, que ele passou a figurar nisso, que resultou nesta visita na casa dele. Mas até então, durante muito tempo, o tipo talvez fosse mais um consultor da polícia do que um suspeito.
Vai vendo. Praticamente aquela máxima, não é, de quanto mais na cara, mais escondido. Bom, mas encontrar os corpos foi só o início do trabalho, porque eles tinham agora os 26 corpos ali naquele apartamento. E o difícil seria reconstituir o que tinha acontecido com cada um deles, de onde veio cada corpo, quantos túmulos no total tinha aberto e durante quanto tempo aquilo vinha a rebolar debaixo do nariz de toda a gente.
E foi nesta reconstrução, digamos, que a dimensão do caso explodiu. Vasculhando o apartamento do Moskvin, a polícia não encontrou só os corpos, ela encontrou também as placas de metal arrancadas das lápides, encontrou instruções de como fabricar bonecas, encontrou mapas dos cemitérios ali da região.
Eles encontraram também ali uns sapatos que a sola batia com as pegadas que já tinham encontrados em alguns cemitérios profanados. E também encontraram uma coleção de fotos e vídeos que mostram túmulos abertos e corpos a serem retirados da Terra. Juntando tudo isto, os investigadores estimaram que Moskvin podia ter violado algo em torno dos 150 túmulos.
Os 26 corpos encontrados no apartamento e na garagem eram apenas o que tinha levado para casa, ou seja, transformado em bonecas. O resto da conta nunca foi totalmente fechado, ok? Porque grande parte daquele material não poôde ser ligada de forma conclusiva a um corpo específico. A investigação apontou os cemitérios lá na sua cidade e também na região.
Chegou mesmo a citar um cemitério em Moscovo e outro na região de Moscovo. Ou seja, o gajo tava a agir ali num raio muito extenso. E depois, então deste flagrante, podemos dizer, o Moskvin colaborou com os investigadores, não negou nada, não inventou um álibe. Segundo ele, aquilo vinha acontecendo já havia anos.
Em alguns relatos, cerca de 10 anos. A parte mais dura da apuração veio depois, ok? Que foi identificar uma a uma quem eram aquelas menininhas. Uma das vítimas foi reconhecida como Olga Chardimova, uma criança de 10 anos. O chefe do comité de investigação para a região ali, classificou o caso como excepcional, sem paralelo na perícia moderna do país.
E tinha um motivo extra para esse espanto todo. O homem não vivia sozinho. Os pais partilhavam o apartamento com ele. Conheciam as bonecas, tinham até uma no quarto deles. Mas segundo a investigação, nunca pensaram, não é? Nunca passou pela cabeça deles que aquilo ali eram crianças.
E há mais um pormenor sobre os pais, ok? Segundo relatos da imprensa, nem sempre estavam no apartamento e isso pode ter ajudado o Mosquin a manter aquela coleção longe de uma suspeita real durante tanto tempo, ok? E tem inclusive até alguns relatos que dizem que nem sempre levava diretamente para casa.
Ele tinha uns lugares ali perto dos cemitérios onde armazenava, fazia ali uma espécie de cura, aquela coisa de secar, não é, com sal, com bicarbonato, etc. Muito provavelmente, certo? Presumo que às vezes o fazia, levava para lá já como se fosse uma boneca mesmo. Pá, surreal, não é? O que é que ele queria? Bom, resolvemos agora nesta investigação o como, não é, deste caso.
Mas sobra uma pergunta, porquê? Por que razão um homem faria isso? E a resposta que o próprio Moskvin deu é de uma forma assustadora, até coerente com tudo o que veio antes, tá? Disse que sentia uma pena enorme daquelas crianças mortas e que ele acreditava verdadeiramente que conseguiria trazê-las de volta à vida, fosse pela ciência ou fosse por magia.
Lembrando que era especialista em cultura celta, ou seja, então tinha soube que os antigos druidas dormiam sobre túmulos para comunicar com os espíritos mortos. Ele estudou também povos da Sibéria, em particular os antigos yautos, e descobriu que tinham práticas semelhantes. Então, ele montou ali um método próprio em cima disto tudo.
Procurava obituários de crianças que tinham acabado de morrer. E quando um obituário falava com ele, segundo ele, então ia até ao túmulo daquela criança e dormia ali em cima para sentir se o espírito queria ou não voltar. Ele alegava que no início nunca abria uma cova sem a permissão da criança que estava ali dentro.
Com o tempo, dormir no chão, frio do cemitério foi ficando fisicamente complicado para ele. Foi aí que começou a levar os corpos para casa. Segundo a sua lógica, ficariam mais confortáveis, mais quentinhos e os espíritos estariam mais dispostos a conversar dentro de um lar acolhedor do que debaixo da terra. As bonecas, então, na cabeça dele, evidentemente, eram corpos funcionais à espera do dia em que ele finalmente descobrisse como devolver-lhes a vida.
E tem ali uma camada extra, ok? Moskvin queria ser pai, queria especialmente uma filha. Chegou a tentar adotar até uma menina, mas o pedido foi negado pelas autoridades por insuficiência de renda. E aqui até parece uma contradição, não é? Porque apesar de todo o prestígio académico do Moskevin, ganhava pouco.
Ele era um jornalista freelancer, fazia trabalhos comissionados, dava aulas numa universidade pública, mas era tudo mal pago no contexto da Rússia da época. Ele vivia com os pais idosos porque dependia deles financeiramente. Pra agência da adoção, então, prestígio académico não bastava. E ainda tinha outro complicador.
Os próprios pais eram contra esta adoção. Por uma pergunta que ficou-me aqui na cabeça. Bom, e aqui cabe também um cuidado, porque como dá para imaginar, malta, a imprensa rotulou o caso de muita coisa. Um psiquiatra externo aí é o caso ouvido na altura especulou que o quadro dele poderia envolver necrofilia, mas o próprio Moskvin negou isso.
E o diagnóstico oficial que foi reconhecido pela justiça foi outro, ok? Esquizofrenia paranóide. Ainda sobre isto, quando os investigadores perguntaram-lhe diretamente ali se havia alguma componente sexual em tudo isso, ele negou, ok? Ele insistia que as via como filhas, mas a parte que mais revoltou as famílias foi a aparente indiferença dele.
Não teve qualquer pedido de desculpa, demonstração de vergonha, qualquer coisa nesse sentido. Na cabeça do Moskov, aparentemente ele tinha razão naquilo que fazia. Tinha um porquê. Isso torna-se evidente quando os pais das meninas confrontaram o Moskovin e este não recuou. Além de não virar, não é, de não recuar, melhor dizendo, virou a mesa contra os pais das raparigas.
Ele disse em essência que foram eles que abandonaram as próprias filhas ao frio e que foi ele quem as levou para casa e as aqueceu. Na cabeça dele, não tinha cometido nenhum crime. Ele tinha feito um resgate e não se ficou por aí. Ele avisou as autoridades para não enterrarem as meninas de novo, ameaçando que no dia em que ele fosse libertado, ia desenterrá-las outra vez.
Pois é, malta, demasiado pesado, não é? Mas, então, perante toda esta descoberta mórbida, insólita, macabra, o que aconteceu com esse sujeito? É aqui que o caso deixa de ser apenas uma história de horror do passado e torna-se uma questão que ainda está aberta até hoje, ok? O Moskvi foi enquadrado no artigo 244.
º do Código Penal Russo, que trata aí da profanação de túmulos e de corpos, mesmo nas formas mais graves, [a música] era um crime cuja pena máxima ficava muito abaixo do horror que as famílias sentiam perante tudo isso. Houve ainda uma acusação inicial que esteve ligada à profanação de túmulos muçulmanos, aí tratada como crime de ódio ou extremismo.
Mas com o avançar da investigação, este hipótese deixou de explicar o coração do caso que os polícias encontraram não apontava para uma célula organizada, uma motivação política clara, e sim para a obsessão individual do Moskovin, como a gente viu. Só que o julgamento comum nunca aconteceu.
Depois da avaliação psiquiátrica dele, que apontou a esquizofrenia paranóide, em 25 de maio de 2012, o tribunal declarou Mosquin inapto para ser julgado. de prisão, foi condenado a medidas médicas obrigatórias e internado numa clínica psiquiátrica. A acusação ficou satisfeita com a decisão e nem sequer recorreu.
E desde então é uma novela que se repete, ok? Porque o internamento dele tem que ser revista de tempos a tempos. E a cada revisão o tratamento vai sendo ali prorrogado. Em 2013, 14, 15, um porta-voz resumiu a posição da época dizendo que depois de anos a monitorizar Moskevin, era evidente que não tinha condições de ir a julgamento e que continuaria internado.
Em setembro de 2018, os médicos do hospital declararam que ele já não era mais perigoso e pediram à justiça que o libertassem para tratamento no domicílio, em regime ambulatório. A reação foi de horror, principalmente entre os parentes das vítimas. E em fevereiro de 2019, uma nova avaliação concluiu que era demasiado cedo para soltar o Moskovin.
O próprio hospital acabou por retirar o pedido. Em 2025 já voltaram a fazer circular aí informações sobre uma possível alteração no regime de tratamento dele. Chegou-se a falar na possibilidade de ele sair do hospital psiquiátrico e ficar sob os cuidados de familiares, mas a justiça informou que não tinha recebido materiais médicos que autorizassem essa libertação.
Depois disso, em dezembro de 2025, o tribunal lá da cidade dele, não é, Nigini Novigorod, prorrogou por mais seis meses o tratamento compulsivo dele. Ou seja, até às informações mais recentes, Moskvin continua internado com a situação prevista para nova revisão agora em meados de junho de 2026. Para as famílias, esta possibilidade de libertação continua a ser apavorante.
Eles recordam que ele nunca demonstrou arrependimento real e que chegou a dizer que se fosse libertado ia desenterrar as miúdas de novo. E aqui voltando um pouquinho no tempo para 2016, veja só o tamanho do que de insólito no contexto deste homem. Como disse lá em 2016, foi noticiado que o Moskvin planeava se casar com uma mulher de 25 anos que tinha acompanhado as suas audiências.
Mas preciso dizer que esta é uma daquelas informações laterais, digamos, do caso, ok? Assim, vale a pena tratar como relato da imprensa, não como um facto central comprovado. Mas não sei, não é? O que se sabe de facto é que o Anato Moskevin, como disse até ao fecho deste episódio aqui, continua lá internado no Hospital Psiquiátrico Russo.
Ao longo dos anos, algumas avaliações e As discussões médicas chegaram a apontar estabilidade no quadro dele, a possibilidade de um tratamento menos restritivo. Pela lógica clínica, a O internamento compulsório não deveria ser perpétua e tem um diagnóstico de doença mental, e não uma sentença de prisão.
Mas daí se está apto para ser libertado, podia ser julgado agora, não é? Sei lá. E a lei russa, como a lei aí de boa parte dos países, prevê a reinserção quando o doente é considerado estável, tá? Do outro lado estão as famílias, as mães que tiveram as filhas arrancadas dos próprios túmulos, que se recordam da frase dele acusando a família de ter abandonado as meninas ao frio.
Pensa malta na dimensão disto. Essas famílias perderam as filhas, novinhas, crianças praticamente. Depois vai lá um gajo e profano. É um negócio destes que beira aquela água suja de fossa no fundo da alma, não é? Por essa razão, evidentemente, para todos os familiares e qualquer pessoa com juízo, a inserção deste homem é um risco, não é? E aqui fica a questão que a justiça russa precisa de responder a cada período de tempo ali e que eu queria inclusive deixar para ti que me tás a ver.
Faz sentido um homem com esta história voltar a viver em sociedade, mesmo que sob acompanhamento médico, supervisão familiar e todos os requisitos que o estado conseguir impor ou para ele a porta deve ficar fechada mesmo? e conta nos comentários o que pensas sobre isso. Aproveita para desfrutar do vídeo, se gostou, subscreva aqui no canal para mais casos reais como esse.
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