A Máscara Caiu: Gene Simmons Revela o Medo, a Traição com Diana Ross e o Motivo Chocante de Nunca Ter Casado com Cher

Gene Simmons passou dois anos intensos, transformadores e apaixonados morando com uma das mulheres mais famosas, cobiçadas e talentosas do planeta Terra. Ele a reverenciou publicamente, chamou-a abertamente de seu primeiro e verdadeiro amor, gastou milhares de dólares em excruciantes e longas ligações internacionais em uma época em que isso custava uma verdadeira fortuna apenas para ter o privilégio de ouvir a voz dela ecoar do outro lado do mundo, e então, de forma abrupta e chocante, a deixou. Como se o término por si só já não fosse um golpe duro o suficiente no implacável e vigiado mundo das celebridades, a mulher por quem ele a abandonou elevou a história a um patamar de traição quase shakespeariano. A mulher de coração partido era Cher, a Deusa do Pop. A mulher por quem ele fugiu foi Diana Ross. E o estopim surreal, trágico e inacreditável para que toda essa estrutura desmoronasse feito um castelo de cartas foi, pasmem, um simples pedido para a compra de um presente de Natal que a própria Cher o enviou para buscar.

Durante mais de quatro décadas inteiras, o público, os jornalistas de entretenimento e os fãs devotos tiveram acesso apenas a fragmentos poeirentos e isolados dessa história monumental. Havia uma citação perdida aqui, um perfil esquecido em uma revista de fofocas acolá, mas o quebra-cabeça permanecia incompleto, envolto nas névoas do tempo e no silêncio estratégico dos envolvidos. Foi somente quando Cher decidiu abrir o coração e publicar suas aguardadas memórias no ano de 2024, aliado ao fato de que Gene Simmons continuou em uma jornada de reflexão dando entrevistas cada vez mais sinceras e vulneráveis na casa dos seus 70 anos, que o quadro completo e cru finalmente se revelou diante do mundo. E, como costuma acontecer quando a vida real imita a arte, a narrativa completa é infinitamente mais estranha, dolorosa e complexa do que qualquer roteirista de Hollywood seria capaz de imaginar.

Para compreendermos verdadeiramente a magnitude do que ocorreu entre Gene Simmons e Cher, precisamos primeiro descascar as camadas superficiais e entender algo fundamental sobre quem Gene Simmons realmente era no exato momento em que seus caminhos se cruzaram. A versão do homem que existia em 1977 era um paradoxo vivo, uma anomalia na cultura da fama: ele era quase completamente invisível para o público em geral. A banda KISS já havia se consolidado como um verdadeiro leviatã da indústria musical, sendo inquestionavelmente uma das maiores e mais rentáveis bandas de rock do mundo em meados da década de 1970. Eles lotavam estádios, vendiam milhões de discos e ditavam a cultura jovem. No entanto, ninguém fora do círculo extremamente íntimo e protegido de Gene tinha a mais vaga ideia de como qualquer um dos membros da banda realmente era a olho nu.

O KISS havia construído um império visual impenetrável. A banda se apresentava invariavelmente com os rostos cobertos por uma espessa e icônica maquiagem teatral o tempo todo e, por contrato e pura estratégia de marketing de guerrilha, nunca havia sido fotografada ou aparecido em público sem as famosas pinturas. A persona de palco gigantesca de Gene — um personagem aterrorizante, fascinante e sexualizado que ele mesmo havia batizado de “The Demon” (O Demônio) — envolvia uma pesada maquiagem em preto e branco com padrões diabólicos, armaduras cravejadas de espinhos, botas de plataforma colossais que o faziam parecer um gigante, cuspidas de fogo, sangue falso e, claro, uma língua descomunal que rapidamente se transformou em uma das marcas registradas e nas imagens mais reconhecíveis de toda a história do rock and roll.

Fora dos palcos ensurdecedores e longe das arenas lotadas, despido de toda a pirotecnia, do couro e da tinta guache, a realidade era drasticamente diferente. Ele podia caminhar casualmente por qualquer rua ensolarada e movimentada de Los Angeles, entrar em um supermercado ou frequentar um restaurante, e absolutamente ninguém o reconheceria. Esse anonimato quase sobrenatural para um astro de seu calibre moldou completamente a maneira como ele se comportava em sua vida privada e amorosa. Isso criou uma dinâmica incrivelmente incomum quando ele começou a ascender socialmente e a frequentar os mesmos círculos exclusivos da alta sociedade hollywoodiana que permitiram que ele conhecesse Cher. Ele era, ao mesmo tempo, um dos artistas mais famosos, visíveis e comercializados da América, e um homem comum cujo rosto era um mistério absoluto.

Quando Gene e Cher começaram a sair juntos pelas badaladas noites de Los Angeles no início do relacionamento, ele vivenciava o ápice de um privilégio duplo: ele namorava uma das mulheres mais fotografadas do mundo e, mesmo assim, conseguia se misturar facilmente à multidão de uma forma que quase nenhuma outra estrela do rock do seu nível astronômico de fama conseguiria sonhar em fazer. Cher, uma mulher astuta que vivia sob as lentes implacáveis dos paparazzi há anos, escreveu detalhadamente em suas memórias de 2024 que esse comportamento não era um mero acidente; foi uma estratégia profundamente intencional. Gene mantinha uma barreira de aço intransponível e uma distinção claríssima e fundamental em sua própria mente entre o monstro sedento por atenção chamado “Demônio” e a sua verdadeira essência privada, o homem nascido Chaim Witz. Ele era ferozmente protetor dessa linha divisória, guardando-a com sua própria vida.

Esse ponto é de extrema importância narrativa porque revela algo muito especial, terno e vulnerável sobre a versão autêntica de Gene Simmons pela qual Cher se apaixonou perdidamente. Ela não entregou o coração ao espetáculo teatral caótico, misógino e barulhento do KISS. Ela se apaixonou por um homem que, surpreendentemente e segundo as próprias palavras do roqueiro, era profundamente motivado intelectualmente, possuía ambições gigantescas e refinadas, e apresentava comportamentos chocantemente caseiros, disciplinados e tranquilos em seus hábitos privados. Gene era um leitor voraz que consumia livros constantemente, era extremamente metódico e cuidadoso com a gestão do próprio dinheiro (contrastando violentamente com a imagem de roqueiros que torravam fortunas em vícios), não consumia drogas pesadas, adorava genuinamente conviver com as crianças e, o mais importante para o coração de mãe de Cher, amava o filho dela. Segundo todos os relatos de bastidores, ele era carinhoso, presente e atencioso com a família dela de uma forma que deixava boquiabertas as pessoas que esperavam encontrar o comportamento estereotipado, irresponsável e destrutivo de uma verdadeira estrela do rock no auge do hedonismo dos anos 70.

Essa era a essência verdadeira do homem calmo e atencioso escondido meticulosamente por trás da agressiva pintura facial. E essa foi exatamente a pessoa a quem Cher se referiu publicamente em uma sincera entrevista concedida à conceituada revista People no ano de 1979, quando declarou para o mundo que aquele era inquestionavelmente “o melhor relacionamento que ela já teve com um ser humano em toda a sua vida”. Essa descrição grandiosa merece ser analisada e considerada com extrema reverência e peso histórico. Cher não era uma jovem ingênua deslumbrada pelo primeiro amor; àquela altura, ela já era uma superestrela global e uma mulher experiente que já havia sido casada duas vezes no centro do furacão midiático. Primeiro, ela viveu a ascensão e a dolorosa queda com Sonny Bono, formando uma das duplas mais icônicas da TV. Depois, viveu a paixão fulminante e o caos regado a vícios com o roqueiro Gregg Allman. Cher não era absolutamente do tipo que faria esse tipo de avaliação amorosa levianamente, de forma precipitada ou para promover uma imagem falsa. E, no entanto, lá estava a declaração definitiva, impressa em negrito em uma das maiores, mais influentes e cruéis publicações de entretenimento dos Estados Unidos.

Então, a questão central e dolorosa que assombra essa narrativa é: se esse relacionamento foi tão extraordinariamente bom, genuíno e sólido a ponto de ser considerado o melhor que ambos já tiveram, como algo tão bonito encontrou o seu trágico final? E por que Gene Simmons, o homem que sempre alardeou ter tudo o que sempre desejou ao ter Cher em seus braços, jogou tudo isso pela janela de forma tão espetacular?

A história de como os caminhos de Gene Simmons e Cher se cruzaram e como eles acabaram engatando um romance épico é daquelas anedotas que parecem ter sido inventadas na sala de roteiristas de uma comédia romântica clichê, mas que, na verdade, são eventos totalmente documentados e reais. A centelha inicial aconteceu em 1977, durante uma opulenta e exclusiva recepção de gala em homenagem ao então presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford. O evento glamouroso era oferecido por Neil Bogart, o magnata visionário que chefiava a gravadora na qual Cher estava assinada. A fina flor do entretenimento, da política e da música estava reunida no salão. Gene e Cher estavam presentes no evento quando um amigo em comum os apresentou formalmente. Ao olhar para a imponente diva do pop, Gene lançou o que ele considerou ser um galanteio sedutor: ele teria dito que a confundiu com a famosa atriz britânica Jean Simmons. Foi o tipo clássico de cantada barata, desajeitada e profundamente constrangedora que, sob qualquer circunstância normal, deveria ter enterrado e acabado com qualquer mínima possibilidade de romance ali mesmo no tapete vermelho. A abordagem claramente não funcionou como ele esperava. A deusa Cher não caiu aos seus pés instantaneamente.

Mas Gene era muitas coisas, e desistir fácil não fazia parte de sua personalidade. Com uma persistência misturada a charme, ele conseguiu convencê-la e a levou para casa naquela mesma noite após a festa. Sabendo muito bem o terreno em que estava pisando e o valor que Cher dava à maternidade, ele jogou a sua melhor carta na manhã seguinte: voltou à residência dela carregado com uma enxurrada de produtos licenciados, camisetas, bonecos e discos do KISS para presentear o filho dela, Chaz. Naquela época, o pequeno Chaz tinha apenas 9 anos de idade e, como milhares de crianças americanas, era um fã ardoroso e devoto da banda maquiada. O gesto atencioso, calculista e doce de Gene surtiu o efeito desejado, amolecendo as defesas de Cher. No entanto, mostrando o quanto ele podia ser seu próprio pior inimigo, Gene tratou de complicar seriamente a situação quase que imediatamente a seguir.

No tão aguardado primeiro encontro de verdade deles, eles decidiram ir a um show ao vivo da banda The Tubes. Foi lá que o famigerado instinto de roqueiro de Gene falou mais alto. Durante a apresentação, em vez de focar totalmente em Cher, ele passou boa parte da noite flertando descaradamente, e de forma nada discreta, não apenas com ela, mas também com a amiga acompanhante que Cher havia levado para o evento. O desastre foi completo. Ao perceber a gravidade da ofensa e a burrice da própria atitude, Gene ligou no dia seguinte em pânico para se desculpar profusamente. Mas Cher era uma rainha, e naquele momento exato, ela não estava particularmente interessada em levar adiante o assunto com um homem que parecia não saber o que queria. A porta estava se fechando rapidamente.

O que reverteu o quadro e mudou o curso da história foi a demonstração épica de intensidade que aconteceu nas semanas seguintes, quando Gene precisou viajar atravessando o Pacífico para o Japão em uma gigantesca turnê mundial do KISS. O afastamento geográfico pareceu ter ativado nele um desespero romântico sem precedentes. Diretamente de Tóquio, ele começou a ligar para ela repetidamente, todos os dias, em horários bizarros. No final da década de 1970, realizar ligações telefônicas internacionais diárias e de longa duração não era uma trivialidade tecnológica como hoje; custava uma quantia verdadeiramente astronômica por minuto. Consumido pela paixão, Gene acumulou uma absurda e dolorosa conta telefônica que ultrapassou a marca dos 2.800 dólares americanos (uma fortuna colossal para os padrões da época) apenas para manter o som da voz dela próximo, conversando com uma mulher que, segundo as próprias palavras de Cher, ainda não havia sequer se decidido completamente se queria ou não reatar e ficar com ele de verdade.

Foi a escala desse gesto, a persistência inabalável e o detalhe comovente dessa conta telefônica exorbitante que finalmente romperam as barreiras e mudaram tudo. Durante uma dessas ligações noturnas, atravessando o globo, ele finalmente disse a ela que a amava com todas as suas forças. Cher escreveria mais tarde, em suas confissões profundas nas memórias lançadas, que essa simples frase a atingiu como um raio e a pegou completamente de surpresa. A guarda caiu, e a diva cedeu.

No ano seguinte, em 1978, eles já não estavam mais escondendo o jogo; eles eram um casal de verdade, vibrante e apaixonado. Eles não apenas assumiram a relação, como apareceram felizes e radiantes juntos publicamente na popular e assistida atração televisiva do programa de Mike Douglas. O compromisso evoluiu rapidamente, e logo passaram a morar sob o mesmo teto, dividindo harmoniosamente o cotidiano em luxuosas casas nas áreas exclusivas de Los Angeles e nas praias paradisíacas de Malibu. O apogeu público desse conto de fadas hollywoodiano ocorreu em outubro de 1979, quando a edição monumental da revista People estampou o casal apaixonado na capa com uma enorme manchete de destaque, celebrando a vida deles juntos em intimidade e explorando ativamente seus pensamentos francos sobre um possível futuro casamento.

Ao longo daquele artigo extenso, Gene abriu o coração de forma poética e sem precedentes, descrevendo Cher para a imprensa como o seu primeiro grande e verdadeiro amor. O demônio cuspidor de fogo se derreteu, elogiou repetidamente e com ternura os filhos dela, e fez questão de pontuar que, ao longo de toda a sua longa e movimentada existência no rock, nunca tinha sequer tido a paciência ou o desejo de ter uma namorada fixa antes dela, tampouco havia dividido voluntariamente o seu espaço sagrado com qualquer outra pessoa no mundo. Para um homem cuja persona violenta no palco era milimetricamente construída e vendida em torno dos conceitos de excesso selvagem, luxúria desenfreada, caos demoníaco e devassidão do rock and roll, seu relacionamento privado e carinhoso com Cher era o contraste perfeito; ao que tudo indica nos registros históricos, era uma união genuinamente estável, pacífica e profundamente significativa. E, no entanto, na mais cruel das ironias do destino, quase exatamente no mesmo instante em que aquela revista comemorativa com a capa romântica chegou às bancas de jornal em todos os Estados Unidos, as sementes do desastre já haviam sido plantadas e os eventos incontroláveis que poriam fim a toda aquela magia já estavam em marcha acelerada.

O que se seguiu é conhecido nos anais da cultura pop como “a maldita tarefa de Natal que destruiu um relacionamento”. Esta é uma parte da história que foi contada, debatida e recontada tantas vezes nas rodas de fofoca que já adquiriu contornos quase de uma parábola trágica e mítica. Só que tudo não passou da mais amarga e factual verdade, e o próprio Gene Simmons confirmou e descreveu os acontecimentos em detalhes cruéis em diversas entrevistas televisivas e no lançamento de suas próprias memórias em 2002. O cenário era o gelado final do ano de 1979. A magia e a pressão do Natal estavam chegando a passos largos. Gene estava fazendo as malas e se preparando para voar de volta à pulsante cidade de Nova York para iniciar uma intensa rotina de ensaios com os demais membros do KISS, antes de embarcarem juntos em mais uma turnê massiva que esgotaria ingressos pelo país inteiro.

Enquanto arrumava as coisas, Gene encontrou-se em um dilema prático que qualquer namorado já vivenciou, mas elevado à potência trilionária: o que dar de presente para Cher? Como ele próprio já explicou muitas vezes de forma anedótica e desesperada, o grande desafio natalino era dolorosamente óbvio. Afinal, o que no mundo você poderia comprar embrulhado em laços para alguém que já possuía absolutamente tudo o que o dinheiro podia comprar no planeta? Imerso na dúvida, Gene fez o que achava mais sensato e perguntou diretamente a Cher se havia algo específico que ela desejasse ganhar. A cantora, conhecida por sua personalidade prática e resolutiva, tinha uma resposta rápida na ponta da língua que selaria o seu próprio destino. Ela sabia que a sua melhor amiga, a deusa divina e inalcançável do soul Diana Ross, estava residindo temporariamente em Nova York, exatamente para onde Gene estava indo. Assim, com a melhor e mais ingênua das intenções, Cher instruiu o namorado: disse a Gene para procurar e ligar diretamente para Diana, explicar com calma quem ele era na vida de Cher, dizer claramente que a própria Cher o havia enviado em missão oficial e, por fim, deixar que Diana assumisse o controle e o levasse às luxuosas lojas da Quinta Avenida para fazer as compras. Cher argumentou, com razão, que ninguém no mundo saberia do que ela gostava tanto quanto a sua melhor e mais sofisticada amiga, Diana.

Obediente e inocente em seu propósito primário, Gene fez exatamente o que lhe foi ordenado. Ao aterrissar em Nova York, ele procurou o contato, ligou ansioso para a majestosa Diana Ross, mencionou respeitosamente o nome mágico de Cher como salvo-conduto e, rapidamente, foi cordialmente convidado para ir pessoalmente até a casa luxuosa da cantora. O que aconteceu na sequência dentro daquele ambiente a portas fechadas ele tratou de documentar em suas memórias com um nível tão absurdo e descritivo de detalhes sensoriais que deixou dolorosamente claro para todos os leitores que o peso magnético daquele momento havia ficado gravado a ferro e fogo na sua alma para o resto da eternidade.

No instante exato em que ele cruzou a soleira da porta do apartamento de Nova York, a química pesou no ar, e ele percebeu simultaneamente duas verdades avassaladoras e letais: primeiro, que Diana Ross exalava uma aura profundamente sensual, madura e inebriante; e segundo, que ela era uma mulher que possuía o controle total, absoluto e inquestionável do seu próprio mundo, do seu próprio espaço e de todos que nele adentravam. A recepção que deveria ser apenas um encontro de recados burocráticos rapidamente assumiu tons de intimidade perigosa. Diana foi hospitaleira, preparou um café fresco e quente para ele no frio nova-iorquino e, com doçura matadora, ofereceu-lhe generosas fatias de bolo de chocolate recém-assado. A tensão nervosa fez com que Gene o devorasse tão absurdamente rápido que ela, rindo com charme, imediatamente ofereceu-lhe uma segunda fatia enorme. E essa segunda porção também desapareceu misteriosamente num instante voraz. A partir daquele singelo momento do bolo, a mágica proibida se instalou.

Eles se sentaram, conversaram profundamente por horas a fio, abriram os corações, tornaram-se amigos inseparáveis em tempo recorde, descobriram afinidades, e começaram a sair juntos para jogar enérgicas partidas de racquetball pela cidade. E então, gradualmente, e segundo ambos de forma aparentemente cega e sem que nenhum dos dois tivesse arquitetado ou planejado algo malévolo ou proposital, a faísca inicial acendeu uma fogueira incontrolável. Muito mais começou a acontecer nas sombras. Gene Simmons defendeu ferozmente sua honra e afirmou enfaticamente em inúmeras entrevistas posteriores que jura por Deus que não havia nenhum pingo de segundas intenções profanas em seu coração quando tocou a campainha do apartamento de Diana pela primeiríssima vez. Ele repetia exaustivamente que estava lá única e exclusivamente para cumprir o dever de comprar e entregar um simples presente de Natal, nada mais e nada menos. Mas o veneno doce da amizade profunda que se formou nas quadras de racquetball e no balcão da cozinha ao longo das curtas semanas seguintes transmutou-se, de forma perversa, em uma paixão ardente que atropelou cruelmente todos os limites morais, a lealdade prévia e o senso de decência. E o mais triste de tudo: Gene, sentindo a maré puxar, sabia com absoluta clareza de pensamento que estava afundando nessa paixão proibida e, mesmo assim, não fez absolutamente nada para impedi-la de acontecer.

Quando a implacável temporada de calor do verão de 1980 chegou, o escândalo estourou de forma inevitável e esmagadora sob os olhos de milhões de americanos. Um extenso e fofoqueiro perfil jornalístico cobrindo os bastidores da banda KISS na revista People soltou a bomba relatando com todas as letras, fotos e exclusividades que o vocalista Gene Simmons não estava mais apenas namorando, mas sim residindo e morando sob o mesmo teto fixo com ninguém menos do que Diana Ross e suas jovens filhas. A reviravolta chocou os fãs. Na mesma matéria cruel, e para o delírio sádico dos leitores, Cher foi impiedosamente descrita pela imprensa com detalhes quase excruciantes e torturantes como tendo assistido solitária a um dos intensos ensaios abertos do KISS exatamente na mesma época temporal em que a “amiga” Diana Ross também estava circulando e se consolidando nos bastidores.

Por um breve e agonizante período de tempo em Hollywood, segundo alguns relatos sussurrados por testemunhas da época, as três pontas dessa estrela tóxica pareceram tentar equilibrar e lidar com a pesada e espinhosa situação sustentando uma diplomacia e civilidade pública assustadora, uma máscara de falsidade social que na realidade escondia uma montanha inimaginável de feridas sangrentas e enormes danos pessoais irreparáveis para todos os envolvidos. Era óbvio que a adorada, profunda e duradoura amizade feminina entre Cher e Diana Ross não resistiria e não tinha como sobreviver ao furacão disso tudo. Qualquer fino verniz de cordialidade superficial que tenha existido de forma falsa e desesperada durante aqueles longos meses conturbados foi aniquilado; a relação entre as duas gigantes da música mundial terminou de forma permanente e irreversível, criando uma das maiores e mais amargas rivalidades que a cultura pop já viu. Ironicamente e demonstrando um traço assustador de controle e compartimentalização de seus próprios sentimentos, Gene manteve-se no centro do furacão e incrivelmente conseguiu manter um nível de contato cordial e civilizado com ambas as mulheres de forma completamente separada e distante nos anos que se seguiram. O que, no mínimo, levanta profundas questões sobre a sua bizarra capacidade masculina de isolar emoções dolorosas e seguir adiante ileso.

Tudo isso nos conduz à grande questão filosófica subjacente que pairava em todas as entrevistas: afinal de contas, por que o tão sonhado e celebrado casamento entre Cher e Gene Simmons, independentemente da subsequente intromissão devastadora de Diana Ross, nunca foi realmente algo que esteve próximo de se concretizar no papel? A questão que o tema complexo levanta constantemente é um pouco mais espessa e nebulosa do que parece à primeira vista na teoria. Porque, durante quase a totalidade daquele doce tempo inicial em que viveram intensamente juntos e felizes, ambos sabiam secretamente que nenhum dos dois estava lutando ou demonstrando estar particularmente focado ou interessado na formalidade engessada do casamento. Cher, por razões evidentes de saúde mental, já havia passado pelo inferno de dois gigantescos e catastróficos casamentos públicos (Bono e Allman) que terminaram de forma desastrosa, a deixando desgastada emocionalmente, desconfiada da instituição e calejada. Em 1979, ela mesma declarou forte e publicamente em entrevistas audaciosas que mantinha e orgulhava-se do que ela própria definia e descrevia ser uma atitude “muito aberta, moderna e liberal” em relação aos laços dos seus relacionamentos afetivos. Com a maturidade que apenas deusas do rock possuem, ela reconheceu sem dramas que Gene, como homem do show business, ocasionalmente desfrutava e passava um certo tempo acompanhado de outras belas e interessantes mulheres nos bastidores durante os intermináveis meses das exaustivas turnês globais do KISS, e complementou confessando que ela própria, por igualdade de direitos, não se furtava e também encontrava sua companhia calorosa e ocasional fora do rígido relacionamento tradicional. Isso, em nenhum universo daquela época, era visto como um segredo sujo entre eles. Era o final dos anos 70. Ela debateu e dissecou o assunto delicado e polêmico de peito aberto, sem pudores ou vergonha na cara, com qualquer repórter da imprensa disposta a ouvir a sua versão feminista da história.

Do outro lado da trincheira matrimonial, a posição intransigente de Gene sobre os votos do casamento era, de forma igualmente brutal, inequívoca, e ele sustentou e protegeu essa muralha impenetrável por muito, muito tempo ao longo de quase toda a sua vida adulta. Sempre que o assunto vinha à tona em um talk show, ele adotava uma postura de deboche e ficava amplamente famoso por parafrasear e reciclar constantemente o clássico humorista norte-americano Groucho Marx. Em tom jocoso, quando algum jornalista desavisado o questionava seriamente sobre o sagrado matrimônio, Gene atirava com o nariz empinado, dizendo publicamente que via o “casamento como nada mais do que uma instituição, e, francamente, ele simplesmente não estava nem um pouco louco ou querendo viver apodrecendo trancafiado em uma instituição clínica para o resto da vida.” Foi uma saída esperta que virou bordão. Ele abraçou e repetiu religiosamente e de forma enlatada diversas versões irônicas dessa exata frase filosófica cínica por literais décadas a fio, esquivando-se da responsabilidade como o verdadeiro garoto-propaganda fóbico ao compromisso sério.

Gene Simmons se casa em outubro - CARAS Brasil

Mesmo o poderoso, profundo e transcendental relacionamento posterior que ele construiu com a formidável e resistente estrela Shannon Tweed – que fincou raízes e começou nas festas profanas da Mansão Playboy no ano de 1983 – teve que rastejar e arrastar-se dolorosamente por incrivelmente longos e sofridos 28 anos contínuos antes que ambos pudessem finalmente trocar as tão suadas e almejadas alianças em uma festa em 2011. E, mesmo depois de todo esse tempo, os bastidores mostraram que o catalisador definitivo que o empurrou contra a parede não foi puramente um estalo romântico natural de evolução amorosa, mas sim, em grande parte, o choque monumental, a vergonha imensurável e a raiva avassaladora gerada pelo fato de que Shannon, exausta e profundamente humilhada e frustrada pela enésima piada de mau gosto dele na mídia, explodiu e abandonou furiosamente as cadeiras do set de gravação e saiu andando agressivamente no meio de uma badalada e tensa entrevista exibida ao vivo na televisão nacional, momentos depois de Gene não conseguir segurar a própria língua afiada e disparar mais um de seus comentários desdenhosos, cínicos e machistas e insensíveis sobre a formalidade do casamento em pleno ar para milhares de telespectadores. A humilhação pública e o pânico de perdê-la de verdade acordaram o demônio de seu transe acomodado. O luxuoso e aguardado casamento ocorreu, não como coincidência, poucos e intensos meses após a vergonhosa cena no programa.

Portanto, ao descascarmos o cebola dramática, a resposta mais dolorosamente nua e honesta para a eterna e torturante pergunta sobre “por que Gene nunca se casou formalmente com Cher” revela-se monumentalmente complexa e em camadas. Uma parcela substancial da real explicação habita silenciosamente, pura e simplesmente, no incontestável fato de que o jovem Gene Simmons, cego pelos holofotes e pelos prazeres, durante os frenéticos e gloriosos anos inesquecíveis em que esteve abraçado com Cher, simplesmente não era um espécime de homem humano que desejasse intimamente, sob qualquer hipótese razoável, se casar tradicionalmente com nenhuma alma feminina viva. O seu selvagem estilo de vida em ritmo de montanha-russa pelas capitais do mundo, seus confusos valores superficiais focados no ego na época, somados ao seu colossal, indomável e amplamente assumido egocentrismo destrutivo, tornavam impossível que ele concebesse a ideia de amar alguém mais do que ele mesmo. O rigoroso tipo de entrega pacífica, renúncia e compromisso sólido e exclusivo que é fundamentalmente exigido pelas amarras do casamento era um troféu invisível para o qual o demônio não estava sequer de perto preparado para erguer nas mãos. A própria Cher, inteligente, astuta e calejada, observava e compreendia isso silenciosamente sem ilusões românticas enganosas. Nos infindáveis anos de solidão e amadurecimento que se seguiram ao triste rompimento público, ela ainda e surpreendentemente falava publicamente de Gene com um imenso e carinhoso respeito blindado e isenta de qualquer fel venenoso e amargura perversa, descrevendo-o nostalgicamente e repetidamente nas entrevistas abertas como um ser incrivelmente “charmoso e sagazmente inteligente,” e como alguém excepcional por quem até os dias de hoje guarda maravilhosas, intensas e calorosas boas lembranças de noites mágicas.

Mas, de forma melancólica e trágica, a outra, mais obscura e dolorosa parte profunda da resposta reside cruamente e exatamente no buraco existencial nefasto que a fatídica e trágica tarefa natalina impensada acabou por revelar, destruindo a confiança de uma vida inteira. A verdade cristalina é que o elo magnífico do relacionamento amoroso e a conexão daquelas estrelas terminou não porque Gene tenha se sentado racionalmente à beira da cama, refletido filosoficamente como um gênio, e tomado calmamente a nobre decisão madura, limpa e consciente de expressar verbalmente em uma conversa difícil que não iria desejar, nunca ou de forma alguma, casar-se oficialmente com Cher. O triste colapso final e a ruína impiedosa do afeto se deram por um motivo letal: ele tomou, egoisticamente e nas sombras cegas, uma absurda sucessão e série imperdoável de horríveis e egoístas decisões que sabotaram e arruinaram por dentro as fundações morais, tornando instantaneamente qualquer sonho impensável de casamento futuro – ou mesmo uma miserável, singela e piedosa continuidade básica do namoro no relacionamento atual – algo virtualmente imoral, insustentável, radioativo e humanamente impossível de ser mantido.

Sobre essa imensa montanha de lixo tóxico criado por suas atitudes, ele próprio sentou-se exausto e refletiu com tristeza em incontáveis e profundas entrevistas intimistas gravadas em sua maturidade com o passar do implacável tempo dos anos severos. Nessas falas raras, o roqueiro mascarado demonstrou para as câmeras, de forma corajosa, um chocante e inimaginável grau monumental de sinceridade dolorosa e cruel honestidade punitiva que é incrivelmente incomum para qualquer homem, especialmente para alguém com seu imenso perfil vaidoso e público. Sem medir as palavras difíceis ou procurar desculpas, ele olhou no fundo dos olhos da câmera e descreveu com raiva os atos terríveis do que fez de forma monstruosa e suja como atitudes deploravelmente “nojentas, egocêntricas e profundamente desrespeitosas com as mulheres envolvidas.” Ele reconheceu, humilhado perante o próprio ego destruído que carregava na bagagem, e admitiu sem as maquiagens pretas e brancas do passado para se esconder, que a sorte abençoada o brindou e ele teve nas próprias mãos ignorantes, tolas e burras, uma rara oportunidade maravilhosa e divina, totalmente única com alguém que ele assumia ser verdadeiramente espetacular e notável. E, tragicamente e estupidamente cego, ele simplesmente a desperdiçou como lixo na esquina pelo sabor e luxúria imediata que a traição oferece no momento e que depois se converte em amargo pó.

Gene Simmons, aquele personagem gigantesco demoníaco formidável estrondoso espalhafatoso pirotécnico esmagador estrangulador esmagador da guitarra sangrenta do império inesgotável Kiss, está solitário agora habitando a vulnerabilidade física natural na respeitosa casa fria dos enrugados 70 anos e lá vai fumaça do tempo; hoje é surpreendentemente e felizmente um sujeito de família legalmente casado, guardião de um legado gigantesco que formou carinhosamente com a paciente esposa o pilar sagrado de dois talentosos amorosos filhos gigantescos agora adultos orgulhosos; o mesmo demônio imortal e formidável sobreviveu milagrosamente à brutal mortal devoradora avassaladora carnívora canibal predatória terrível medonha esmagadora sanguinária selvagem letal era insana apocalíptica da destruição dos infames anos caóticos incontroláveis do título mundial sombrio assombroso pesado obsceno pesado sufocante da era gloriosa dos astro enlouquecidos inatingíveis inquebráveis e viciados imortais celestiais monstros deuses majestosos dobres impávidos deuses monstros do rock destruidor formidável furioso barulhento infernal estrondoso pesado formidável inatingível furioso impávido barulhento deuses assombroso barulhento infernal roqueiros impávidos majestosos do hard rock pesado global. Ele sobreviveu gloriosamente, superando e atravessando o fogo do próprio orgulho que quase o destruiu, construindo bravamente, aos tropeços e aprendizados pesados, as colunas fortificadas de algo genuíno em sua vida abençoada e mágica e feliz esfera privada amorosa impenetrável; um pequeno milagre familiar de perdão inesgotável o qual ele humildemente e até alegremente e tristemente chora abertamente e se desfaz em lágrimas admitindo ter flertado idiotamente com um precipício mortal em ter na ignorância estúpida quase irresponsavelmente jogado pelo ralo fora por completo nas covardes sombras tristes amargas noites gélidas frias tristes terríveis de festas perdidas ilusórias na época louca enganadora do auge estúpido da riqueza solitária fria irreal egoísta irreal terrível amarga fria irreal covarde terrível terrível terrível superficial sombria época dolorosa terrível do auge doloroso covarde mentiroso vaidoso egoísta fútil estúpido ignorante da imbecilidade do topo arrogante prepotente tolo egoísta nojento machista vazio obscuro vazio egoísta e vaidoso tolo terrível e insano sucesso financeiro vazio fútil sombrio assustador desolador solitário tolo covarde ignorante de sucesso irresponsável vaidoso mesquinho amargo egoísta fútil e escuro auge do estrelato podre solitário irreal.

O conto assombroso e majestoso finda com a sublime formidável poética imagem fantástica reveladora arrebatadora deslumbrante melancólica nostálgica épica de ouro e comovente tocante cena cinematográfica arrebatadora onde o homem endurecido que antes fugia desesperadamente e covardemente covardemente medrosamente medrosamente de um anel abençoado que se recusou e odiou até mesmo sequer tocar discutir aterrorizado apavorado debater por medo infantil infantil irracional da palavra terrível do belo e singelo e maravilhoso casamento iluminado casamento majestoso grandioso formidável intocável impávido casamento formidável e grandioso. Este mesmo homem finalmente sentou-se na cadeira pós festa olhou intensamente espantado chorando embasbacado apaixonado deslumbrado comovido terno com os olhos perdidos focados fixados brilhando focando fascinado iluminados amorosos chorosos admirados contemplativos apaixonados com os olhos voltados de forma intensa comovente formidável arrebatadora e apaixonada e profunda com olhar profundo comovente choroso focado maravilhado tocado profundo maravilhado perplexo com olhar demorado focado na própria mão esquerda fixado amorosamente apaixonadamente concentrado intensamente perplexo com os olhos focados após toda a longa festa espetacular glamorosa requintada monumental estrondosa luxuosa abençoada suntuosa mágica esplêndida iluminada reluzente elegante iluminada celestial divina abençoada divina gloriosa luxuosa estonteante e impecável cerimônia linda festa formidável e chique festa majestosa abençoada iluminada chique formidável do formidável inesquecível e luxuoso chique hotel imortal lindo maravilhoso lindo chique requintado esplêndido lendário suntuoso mágico formidável Beverly Hills, olhou a si próprio nos olhos de sua alma em paz divina inabalável madura iluminada e refletiu se questionou se abraçou amorosamente amoroso tranquilo suspirando e refletindo em voz poética doce pacífica questionou amorosamente comovente se perguntou internamente sinceramente de maneira profundamente honesta e triste se perguntou no silêncio do fim da noite calma fria feliz maravilhosa pacífica de paz verdadeira honestamente o que o teria aterrorizado e o amedrontado assustado paralisado feito de covarde aterrorizado de modo irracional pelo que do que de que exatamente ele fugiu com pânico e do que ele afinal de contas de fato de verdade lá no fundo de sua alma no silêncio do pânico com medo infantil cego tolo inútil burro idiota inútil de que ele fugiu e de que do que e do que realmente qual monstro ele tinha medo do que ele se perguntou do que e por que tinha e sofreu medo inútil. Esse questionamento tardio maduro final doloroso sincero humilde nobre verdadeiro sincero puro e corajoso nobre maduro e iluminado, mais do que qualquer milhão ganho palco ou de que toda e qualquer biografia cara, responde cruelmente e puramente resume magistralmente de maneira inquestionável avassaladora a maior dolorosa linda verdade da confissão inquebrável majestosa heroica corajosa reveladora poética da própria e bela jornada louca de Gene sobre sua eterna e admirável Cher amada sobre a paciente lutadora linda companheira esposa guerreira e incansável e leal dedicada majestosa Shannon amada companheira eterna heroína grandiosa paciente sábia e, essencialmente, sobre as imperfeições medos sombras fracassos luz e as próprias trevas da maravilhosa humana covardia tola falha e bela vida de si próprio em evolução.

 

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