Como a Seleção DESPERDIÇOU o Jogador Mais Talentoso da História

Um time inteiro construído em cima de um só jogador. Tira esse jogador e não sobra nada, literalmente nada. E pensa: “OK, lição aprendida. Depois de 2014, o Brasil vai montar um plantel equilibrado, dividir a responsabilidade e reduzir a dependência. Não aconteceu. 2018, Rússia, Neymar vinha de uma fratura no pé que quase tirou do Mundial.

Jogou tomando medicação, carregou a equipa de novo. O Brasil caiu nos quartos contra a Bélgica e o debate mundial girava em torno de se o Neymar simulava demais. Ninguém perguntou por que razão a seleção brasileira dependia de um tipo que tinha acabado de sair do centro cirúrgico. 2022, Qatar. Neymar se lesiona-se no primeiro jogo, volta contra a Croácia, marca um golaço no prolongamento e empata o recorde de golos do Pelé pela seleção.

A Croácia empata nos descontos, penáltis, eliminação. O Neymar nem bateu. Três copas. Em todas as as três, o Neymar era o melhor jogador do Brasil. Em todas as três estava jogando lesionado, regressando de lesão. Em todas as três não havia ninguém no mesmo nível do lado dele. Pode chamar a isto do que quiser, mas o fracasso do Neymar não combina.

Insucesso de um país que jogou três mundiais dependendo de um só jogador, combina muito mais. Em 2017, o Neymar tomou a decisão mais polémica da carreira dele. Largou o Barcelona, deixou o Messi e assinou o contrato mais caro da história do futebol. Todo mundo chamou de ganância, mas o que aconteceu depois e que ninguém tinha forma de prever transformou o melhor jogador do Brasil num eterno paciente de hospital.

E aí a conta tornou-se impossível de pagar. 2017, o PSG paga 222 milhões de euros para tirar o Neymar do Barcelona. Até hoje, a transferência mais cara da história. O mundo criticou na hora, saiu por ego, quer ser o protagonista e provavelmente havia um bocadinho disso também, mas também havia outra coisa que ninguém falava no Barcelona.

A pressão era dividida entre três monstros. No PSG seria dele e na seleção brasileira já era dele há anos. O Neymar estava habituado a carregar tudo, achava que aguentava mais. Começo foi absurdo. Golos de todos os tipos, domínio total do campeonato francês, lances que só ele fazia, mas depois o corpo começou a cobrar e não mais parou.

Fevereiro de 2018. Fratura no quinto metatarço do pé direito, 3 meses fora. Janeiro de 2019, mesma fratura, mesmo pé, mais 3 meses. Junho de 2019, rutura ligamentar no tornozelo. Fevereiro de 2021, lesão no adutor. Novembro de 2021, entorse no tornozelo, dois meses de ausência. Fevereiro de 2023, tornozelo outra vez.

Março de 2023, cirurgia à Dorra. Perdeu o resto da época inteira. E depois veio a pior de todas. Outubro de 2023, Uruguai contra o Brasil pelas eliminatórias. Neymar sai a chorar do campo no primeiro tempo. Diagnóstico, rotura do ligamento cruzado anterior e do menisco do joelho esquerdo. Um ano inteiro fora dos relvados.

Em seis anos do PSG, o Neymar ficou lesionado em todos eles. A mesma fratura no mesmo pé duas vezes seguidas, o mesmo tornozelo quatro vezes e no final o joelho inteiro. Num dos momentos mais difíceis da recuperação, publicou um vídeo e disse: “Há dias em que quero desistir, é difícil passar por tudo isto”. Agosto de 2023, pouco antes da lesão do joelho, o Neymar tinha sido vendido ao Alrilal da Arábia Saudita.

90 milhões de euros de transferência, salário estimado em 150 milhões de euros por ano, seis vezes mais do que ganhava no PSG, 67.000 pessoas na apresentação. E o que ele conseguiu entregar? Sete jogos, um golo, três assistências, 17 meses no clube. A maior parte do tempo a tratar o joelho dentro de um centro médico. O técnico Jorge Jesus declarou em conferência de imprensa: “Nymar já não tem condição de acompanhar a equipa fisicamente.

” O CEO da Alrilal completou. Ele já não era capaz de entregar o que esperávamos. A imprensa internacional discutiu se esta tinha sido a pior contratação da história do futebol. O Neymar rescindiu um contrato em Janeiro de 25 e regressou ao Santos. E aqui precisa de ficar claro, ele não escolheu a Arábia Saudita porque quis se aposentar rico.

Ele foi porque ninguém mais queria pagar. O Barcelona era o único clube europeu interessado, mas não tinha condições financeiras. Com 32 anos e o historial de lesões que tinha, nenhuma grande equipa da Europa bateu na porta. Janeiro de 2025, Neymar regressa para casa. Em 2025 pelo Santos, 28 jogos, 11 golos, quatro assistências, com problemas físicos constantes, mas produzindo quando entrava em campo.

Em 2026, os números melhoraram. Seis jogos, três golos, duas assistências. Participação direta no golo em 83% das partidas. O Sofacore apontou que nenhum jogador da Série A precisa de menos minutos para participar num golo do que ele. O talento continua lá. Aos 34 anos, com tudo o que o corpo passou, o Neymar ainda faz coisas que ninguém no futebol brasileiro consegue.

O problema é que entre um jogo e outro, ele precisa de gelo, de fisioterapia e de rezar para nada rebentar de novo. No dia 18 de maio, a Ancelote vai anunciar os 26 jogadores que vão representar o Brasil no Campeonato do Mundo. Neymar nunca foi chamado para Ancelote. Para entrar nesta lista, ele precisa de quebrar uma escrita que dura há 28 anos.

E o que é que esta convocatória vai revelar sobre o futebol brasileiro é mais pesado do que qualquer outro resultado dentro de campo. Quando as pessoas falam no Neymar, falam da simulação, de festa, de Instagram, do cabelo, quase ninguém olha para o que o cara de facto entregou. 79 golos pela seleção brasileira, o maior goleador de todos os tempos com a amarelinha.

Mais que o Pelé, mais que o Ronaldo, mais que o Romário. 128 jogos. Dezenas deles jogando em sacrifício, lesionado, regressando de cirurgia. No Barcelona, ​​fez parte do trio MSN com Messi Soares, que venceu a Liga dos Campeões, Liga Espanhola e Taça do Rei na mesma temporada. No PSG, levou a equipa à primeira final da Liga dos Campeões da história do clube.

Na seleção, foi melhor marcador da Taça das Confederações, campeão olímpico com um golo decisivo na final e o jogador que mais ocasiões criou em todas as taças que disputou. Esses números colocam Neymar objetivamente entre os melhores jogadores que já pisaram um campo de futebol, mas ele é tratado como se fosse insuficiente e o motivo é um só. Campeonato do Mundo.

O Brasil mede os seus jogadores por taças e o Neymar não tem nenhuma, o goleador máximo da seleção sem Mundial, porque a equipa ao redor dele nunca conseguiu ganhar. Mas a maior evidência de que o Brasil desperdiçou o Neymar não está no que aconteceu, está no que está a acontecer agora. Estamos em 2026. O Mundial começa daqui a dois meses e o Brasil ainda está discutindo se um jogador de 34 anos com joelho reconstruído, que joga no campeonato brasileiro deveria ou não estar na lista.

Em 13 anos de Neymar na seleção, o Brasil não produziu um substituto. O Vini brilha no Real Madrid, mas o Ancelote diz mesmo que tem dúvidas sobre vagas no ataque. Rafinha é consistente, mas ninguém olha para ele e pensa: “Este é o gajo”. Hendrick tem 19 anos e o próprio técnico trata como projeto de futuro. O Rodrigo Oscila, o maior exportador de jogadores do planeta, o país com maior base de talentos do mundo, não conseguiu formar um jogador capaz de vestir a camisola 10 sem que todos olhem para o lado e pergunte: “Mas e o Neymar?”

13 anos, sem sucessor. Isto não é problema de um jogador, isso é problema de um país inteiro que se habituou a depender de um craque e esqueceu-se de construir a equipa. A convocatória final é dia 18 de maio, 26 nomes. Ancelote já disse que tem quatro ou cinco vagas em aberto.

Neymar apareceu em pré-lias, mas nunca foi efetivamente chamado desde que Ancelote assumiu. Na última entrevista, o técnico foi direto: “Neymar com bola está muito bem. A questão é física. Eu preciso de jogadores a 100%. E o Neymar respondeu: “Ainda falta uma convocatória final. O sonho continua.” E o Mbappé, que já jogou com o Neymar no PSG e já foi comandado por Ancelote no Real Madrid, deu uma declaração que ficou no ar. O Mundial é das estrelas.

Não vejo um Mundial sem Neymar. Para entrar na lista, Neymar precisaria de ser o primeiro jogador em 28 anos, convocado diretamente para Taça, sem ter participado em qualquer jogo no ciclo de preparação. A última vez que isso aconteceu foi em 98, quando o Zagalo chamou o lateral Zé Carlos de última hora.

O tipo com mais golos da história da seleção brasileira, a precisar de um milagre estatístico disputar mais um Campeonato do Mundo. Neymar pode nunca mais vestir a camisola da seleção numa Copa. Se isso acontecer, ele retira-se como o maior artilheiro do Brasil, sem o título mundial. E antes de decidir de quem é a culpa, vale a pena olhar para a última coisa.

O futebol brasileiro funciona assim há décadas. Parece um craque, atira-lhe tudo para as costas e espera que ele resolva. Pelé resolveu, Garrincha resolveu, Romário resolveu, Ronaldo resolveu, mas todos eles tinham pessoas juntas, havia uma equipa, havia uma estrutura que funcionava mesmo quando não estavam em campo. O Neymar nunca teve isso.

Em 2014 saiu lesionado e a equipa levou sete. Em 2018 jogou partido porque sem ele não dava. Em 2022 marcou o golo mais bonito da Copa contra a Croácia. E assim mesmo não foi suficiente. Ele é perfeito? Claro que não. As festas decorreram. A Arábia aconteceu, as simulações aconteceram. Mas se resumirmos a carreira do Neymar a isso, nós ignoramos que este cara marcou 79 golos com a camisola da seleção mais pesada do mundo, jogou três copas magoado e mesmo assim a culpa de não ter ganho nenhuma caiu toda nele.

Se por algum milagre o Ancelote colocar o seu nome na lista de 26 jogadores em maio, sabe o que é que vai acontecer? 24 anos de frustração vão ser atiradas de novo nos ombros de um jogador de 34 anos com joelho reconstruído, porque é esse o padrão. O Brasil encontra um craque, empilha o mundo às costas dele e quando ele quebra procura o próximo.

Só que o próximo não apareceu já há 13 anos e a fila continua vazia. Pergunta não é se o O Neymar merece ir ao Mundial. A questão é: por que que em 2026 o Brasil ainda não aprendeu a jogar sem ele? Se gostou deste vídeo, deixe o like e veja este outro.

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