O romance terminou, mas a ligação entre eles não. Voltaram a ver-se, voltaram a conversar. Mas desta vez apenas como amigos. E essa amizade resistiria a tudo, até ao pior dos desfechos. Porque enquanto Nei tentava seguir a sua vida, Kuza estava prestes a mergulhar ainda mais fundo e o caminho que ele escolheria não teria retorno.
Enquanto a relação com o Nei Mato Grosso ficava no passado, Kusa começava a viver exatamente aquilo que sempre procurou: fama, reconhecimento e liberdade total. Foi neste período que explodiu no panorama musical brasileiro com o Barão Vermelho ao lado de Frejá. Todos os dias a insónia me convence que o céu >> conquistar o país com letras provocadoras, intensas e cheias de personalidade.
Canções como Bet Balanço e para o Dia Nascer Feliz. Pode seguir a tua estrela. O teu brinquedo >> não eram apenas sucessos, eram praticamente hinos de uma geração inteira que via em casusa um símbolo de rebeldia e autenticidade. Mas por detrás do crescente sucesso existia um problema que só aumentava, poro mesmo tempo em que a sua carreira subia de forma meteórica, a sua vida pessoal seguia em sentido contrário, mergulhando cada vez mais em excessos, festas intermináveis, drogas e relações sem limites. Era como se Cusa estivesse
vivendo sempre no extremo, como se soubesse que o seu tempo seria mais curto do que o normal. E talvez no fundo ele realmente sentisse isso. Mesmo depois do fim do romance, Nei ainda acompanhava de perto esta trajetória e chegou mesmo a dirigir alguns espectáculos do cantor, mostrando que, apesar de tudo o que viveram, o respeito e a ligação artística entre eles continuavam intactos.
Mas nem mesmo esta proximidade foi capaz de travar o comportamento autodestrutivo de Cuza, que parecia cada vez mais intenso, mais impulsivo, mais descontrolado, até que chegou o momento que mudaria tudo. Em 1987, após ter sido internado com uma pneumonia, Casusa recebeu um diagnóstico que naquela época soava praticamente como uma sentença de morte.
Ele era seropositivo. Mas o mais chocante é que o público só soube disso dois anos depois, em 1989, quando o próprio cantor decidiu revelar a verdade de uma forma direta, quase brutal, como tudo na sua vida. Durante uma entrevista, ele simplesmente pegou num copo, deu um gole e disse: “Escreve aí, a maldita é a Aides.
” Naquele instante, todo o Brasil parou. Era o fim de uma era de silêncio e o início da uma fase ainda mais dolorosa, porque mesmo perante um diagnóstico tão grave, Kusa não alterou completamente o seu estilo de vida. Ele continuou a viver intensamente como se desafiasse o próprio destino, como se recusasse a aceitar qualquer limite imposto pela doença.
Mas a conta inevitavelmente começaria a chegar e ela viria da forma mais cruel possível, porque a partir a partir daí o corpo de Kazusa começaria a dar sinais claros de que algo estava muito errado. E o artista que antes dominava os palcos com energia e presença, começaria pouco a pouco a desaparecer diante dos olhos do público.
Mas o que Nei viu de perto nos bastidores, nos momentos em que mais ninguém estava olhando, foi ainda mais devastador. A partir do momento em que a doença começou a avançar, tudo mudou. Cazusa, que antes dominava os palcos com energia e reverência e atitude, passou a aparecer cada vez mais frágil, abatido, irreconhecível para muitos fãs.
Com o passar do tempo, as imagens do cantor em cadeira de rodas começaram a circular na comunicação social, chocando o Brasil inteiro, porque ali já não estava o ícone rebelde do rock nacional, mas antes um homem lutando, dia após dia contra algo que parecia impossível de vencer. Mesmo assim, não parou.
Continuou gravação, continuou a criar e existem relatos de que nas suas últimas gravações já não tinha forças nem para se manter sentado, necessitando de cantar deitado, reunindo o pouco de energia que ainda tinha para transformar a dor em arte. Era como se cada palavra, cada verso fosse uma despedida silenciosa. E enquanto o mundo assistia de longe, Neymar Mato Grosso esteve lá presente nos bastidores, nos momentos mais difíceis.
Nei passou a visitar Casusa com frequência. E o que viu de perto foi algo que poucas pessoas tiveram coragem de relatar. Durante estas visitas, os dois passavam horas conversando, recordando momentos, partilhando silêncios, como dois amigos que sabiam no fundo que o tempo estava acabando. Em certos dias, Casusa sentia dores tão intensas que mal conseguia se mexer.
E Nei, com todo o cuidado, se sentava-se ao lado dele e massajava pés, tentando aliviar um pouco daquele sofrimento. um gesto simples, mas carregado de um significado profundo, porque ali não existia mais fama, polémica ou passado. Só existia cuidado, só existia amor. Mas foi nestes encontros que aconteceu algo que até hoje surpreende.
Já nos últimos anos de vida, Casusa começou a usar um medicamento chamado AZ, um dos primeiros tratamentos contra o VIH na época. E em meio à fragilidade, à dor e à confusão emocional, fez um pedido completamente inesperado para Nei. Ele queria que o Nei tomasse o medicamento junto dele, não por necessidade médica, mas para que os dois ficassem na mesma onda.
Sim, mesmo naquele estado, Kusa ainda carregava aquele espírito impulsivo, intenso, quase inconsequente. Nei, por seu lado, recusou. Não sabia quais seriam os efeitos daquilo no seu corpo, mas respondeu de forma direta, deixando claro que não tinha de fazer aquilo para estar ao lado do amigo, porque no fundo já estavam na mesma sintonia.
Era um misto de loucura, carinho e desespero. E talvez esse tenha sido um dos momentos mais sinceros entre os dois, porque enquanto o corpo de Casusa enfraquecia, a ligação entre eles parecia ficar ainda mais forte, mas havia uma verdade que já não podia mais ser ignorada. O fim estava cada vez mais próximo e dessa vez não havia nada que pudesse impedir.
O desfecho, infelizmente, era inevitável. No dia 7 de julho de 1990, Casusa morreu aos 32 anos, vítima das complicações causadas pelo HIV. O Brasil inteiro parou. Não era apenas a morte de um cantor, era o fim de um símbolo, de uma geração, de uma voz que dizia o que muitos não tinham coragem de dizer. Um artista que viveu intensamente e pagou um preço alto por isso, mas ao mesmo tempo deixou uma obra que o tornaria eterno.
Para Nei Mato Grosso, no entanto, não era só a perda de um ícone, era a perda de alguém que ele amou. E talvez por isso, durante muito tempo, ele preferiu o silêncio. Mas os anos passaram e algumas verdades começaram a vir à tona. Neja revelou em entrevistas que conviveu de perto com pessoas soropositivas, incluindo o próprio Cuza e também seu ex-companheiro, o médico Marco de Maria, que faleceu em 1993, também vítima da doença.
E por causa disso, surgiu até um mito curioso ao redor dele, o de que Nei seria imune ao HIV. Histórias diziam que ele teria sido estudado por cientistas como se fosse um caso raro, quase inexplicável. Mas ele mesmo tratou de desmentir tudo. Disse que nunca foi imune, que apenas se cuidou e que, acima de tudo, teve sorte.
Sorte de ter sobrevivido a uma época em que o vírus avançava de forma devastadora, levando amigos, parceiros e deixando marcas profundas em toda uma geração. E mesmo depois de tudo isso, Nei seguiu em frente, seguiu vivendo, seguiu se apresentando, seguiu provocando. Anos depois, já com mais de 80 anos, ele ainda chama a atenção, seja pela vitalidade no palco, seja por episódios inesperados, como quando em 2021 acabou publicando um nude por engano nas redes sociais.
Um momento polêmico que rapidamente viralizou, mas que ele tratou com naturalidade, reforçando algo que sempre fez parte da sua essência, a liberdade. Liberdade para ser quem é. liberdade para viver sem rótulos. E talvez seja exatamente isso que sempre o conectou a Casusa, porque no fim das contas o relacionamento entre os dois pode até não ter durado, mas o sentimento esse nunca acabou.
Segundo o próprio Nei, existe um tipo de amor que nem a morte consegue levar. E tudo o que eles viveram, o beijo, as brigas, os excessos, o cuidado nos últimos dias, prova exatamente isso. E aí, você já conhecia essa história entre Cazusa e Nei Mato Grosso? Um amor intenso, caótico e, ao mesmo tempo profundamente humano.
Agora me conta aqui nos comentários, você acha que essa relação teria dado certo se fosse em outro momento da vida deles? E se esse tipo de história te surpreende, já se inscreve no canal, porque tem muito mais revelações como essa vindo por aí. Nos vemos no próximo.