Erasmo Carlos Desafiou Tim Maia em um Duelo de Violão — Tim Apenas Respondeu: “Eu Que Te Ensinei”

Em poucos minutos estavam cerca de 30 pessoas a formar um círculo à volta deles, músicos profissionais conhecidos, pessoas que percebia de música a sério e ia saber julgar quem tocava melhor. Erasmo olhou em redor, viu a plateia a formar-se e entendeu que não havia volta a dar, que agora tinha que tocar a sério e mostrar o que sabia.

O Tim terminou de afinar a guitarra, testou as cordas e disse com aquele sorriso de canto de boca: “Tu começas, Erasmo. Mostra lá o que o aluno aprendeu nestes anos todos.” Erasmo respirou fundo, posicionou os dedos no braço da guitarra e começou a tocar uma sequência complexa de acordes e dedilhados tentando impressionar logo de cara.

tocou durante uns três minutos, mostrando técnica, velocidade, domínio do instrumento. E quando terminou, algumas pessoas bateram palmas, reconhecendo que tinha sido bom. Erasmo olhou para Tin, aguardando a reação, e Tin apenas acenou com a cabeça, dizendo: “Não está mal, agora deixa-me mostrar-te como é que faz”.

Tim posicionou a guitarra no colo com aquela postura perfeita de quem tinha passado anos a praticar, ajustou a posição dos dedos e começou a tocar sem avisar nada. Os primeiros acordes que saíram do instrumento fizeram o bar inteiro ficar em silêncio numa questão de segundos. Conversas parando a meio, cervejas a ficarem esquecidas nas mesas.

Não era nada simples ou básico. Era uma sequência extremamente complexa de acordes com sétima e nona, mudanças de tonalidade rápidas e inesperadas, dedilhados intrincados que exigiam anos de prática diária para executar com aquela limpeza cristalina. O Tin tocava com uma naturalidade absurda, como se o violão fosse a extensão natural do seu corpo, os dedos a dançar pelas cordas sem esforço aparente nenhum, sem olhar para o braço do instrumento.

Erasmo sentiu o estômago apertar de nervosismo porque percebeu imediatamente que estava em outro nível completamente diferente. Quitin não só se lembrava de como tocar, como tocava melhor do que Erasmo. Algum dia na vida ia conseguir tocar. As pessoas em redor trocavam olhares impressionados entre si, alguns músicos profissionais respeitados, abanando a cabeça, reconhecendo a técnica absurdamente superior que estavam a presenciar ao vivo.

Tin continuou por mais dois minutos intensos, improvisando variações elaboradas sobre o tema harmonioso que tinha começado, mostrando o domínio completo e absoluto do braço da guitarra inteiro, alcançando notas agudas nas posições mais elevadas com precisão milimétrica. descendo para os graves com peso e presença, criando uma harmonia rica e complexa que normalmente precisava de dois ou três violões tocando em conjunto para conseguir aquela densidade sonora.

Alguns músicos experientes na plateia começaram a acompanhar batendo palmas ao ritmo que Tin estabelecia. Outros só observavam em silêncio, completamente admirado, tentando decorar mentalmente os acordes e progressões que Tinha estava a utilizar. Erasmo estava ali sentado na cadeira, segurando o próprio violão no colo, completamente paralisado e sem reação, vendo o amigo que tinha desafiado por brincadeira mostrar uma capacidade técnica absurda que ele tinha completamente esquecido que existia.

Tin nem sequer olhava para o braço do violão enquanto tocava aquelas sequências complicadas. Olhava diretamente para o Erasmo com aquele sorriso provocador de canto de boca, fazendo tudo de memória muscular pura acumulada em décadas, provando o ponto dele, sem ter de não falar absolutamente nada além do que a música já dizia.

Quando Tin terminou deixando o último acorde complexo ressoar no ar durante vários segundos longos, todo o bar explodiu em aplausos entusiásticos e gritos de reconhecimento. Gente a levantar-se das mesas e cadeiras, batendo nas superfícies de madeira, assobiando alto, atirando guardanapos pro alto em celebração.

Um dos músicos mais respeitados que ali estava, um guitarrista profissional de renome que tocava com os maiores nomes da MPB brasileira. Caminhou até Timão de admiração genuína e disse alto para todo o mundo ouvir: “Tim, eu trabalho com música há 20 anos e não sabia que o senhor tocava assim. Por que raio não toca guitarra nos seus discos e concertos?” Tin riu-se daquela gargalhada grave dele e respondeu sem falsas modéstias: “Porque eu prefiro cantar, é onde me sinto melhor, mas não quer dizer que eu esqueci-me como é que se toca um instrumento.”

Erasmo continuou sentado na cadeira, o violão ainda apoiado no seu colo, abanando a cabeça de um lado para o outro e rindo de si próprio pela situação. Olhou para Timpeado e disse reconhecendo a derrota: “Está bem, ganhou limpo. Fui um idiota completo de desafiar precisamente o gajo que me ensinou a tocar guitarra.

Tin levantou-se da cadeira, caminhou até onde Erasmo estava sentado e deu-lhe uma palmadinha amigável no ombro dele, sem maldade nenhuma na intenção. Disse com sinceridade: “Erasmo, tocas muito bem. Melhorou para caraças desde aquela altura, lá nos anos 60, que te ensinei os três acordes básicos de ré, lá e mi.

Desenvolveu um estilo próprio, tem swing, tem personalidade na forma de tocar. Mas esqueceu-se de uma coisa importante. Eu continuei a praticar guitarra todos estes anos, mesmo depois de tornar-se cantor principal. Só não pratico em público porque as pessoas me conhecem pela voz. Erasmo levantou-se também, estendeu a mão a Tim, mas este ignorou a mão e puxou-o num abraço de irmão, enquanto as pessoas ainda aplaudiam e comemoravam em redor.

Quando se soltaram, Erasmo tinha uma expressão pensativa no rosto, como se tivesse acabado de se lembrar de algo importante sobre a amizade que tinham e sobre respeitar as competências que cada um carregava escondidas. Algumas pessoas começaram a pedir ao Timar mais alguma coisa, gritando nomes de músicas conhecidas, mas levantou a mão pedindo calma e disse que por hoje já tinha sido suficiente, que tinha provado o ponto dele, e agora só queria voltar a beber cerveja em paz com o amigo.

Erasmo concordou rindo, devolveu o violão emprestado ao dono do bar agradecendo e voltou para a mesa, onde Tim já estava sentado de novo. Os dois pediram mais uma rodada de cerveja. Brindaram a um com o outro, sem rancor nenhum. E Erasmo disse, abanando a cabeça: “Meu, que burro que fui. Conheço-te há 20 anos e esqueci-me completamente que tocas desse jeito.

Só me lembrava de ti cantando.” Tin acenou concordando, tomou um longo gole da cerveja e os dois ficaram ali a conversar sobre outros assuntos enquanto o bar aos poucos voltava ao movimento normal habitual. Depois da cerveja, alguém no bar gritou, pedindo aos dois para tocarem juntos. E a ideia pegou rapidamente com outras pessoas, começando a pedir também.

Tin olhou para Erasmo. Erasmo encolheu os ombros sorrindo e os dois pegaram nos violões de volta. Começaram a tocar uma música conhecida de João Gilberto que todos ali sabia. Tin a fazer a base harmónica enquanto Erasmo improvisava melodias por cima, complementando-se naturalmente, como faziam quando eram miúdos aprendendo música juntos.

O ambiente no bar mudou completamente. O que tinha sido um duelo tenso, tornou-se pura diversão. Os dois sorrindo um para o outro, trocando olhares quando acertavam uma transição difícil. Várias pessoas começaram a cantar junto. Outros pegaram instrumentos que por ali tinham e se juntaram. E em 15 minutos, o beco das garrafas tinha-se tornado uma gem session espontânea com alguns dos melhores músicos do Rio a tocarem juntos só pelo prazer de fazer música.

Tin continuou cantando nos anos seguintes, lançando discos, fazendo concertos lotados, sendo reconhecido pela voz e pelas composições. O violão ficou guardado na maior parte do tempo. Ele raramente pegava no instrumento em público, mas quando pegava era sempre em momentos muito específicos e especiais. Algumas vezes em estúdios durante as gravações, quando precisava de mostrar um acorde específico para os músicos, outras vezes em festas particulares de amigos próximos, onde o clima pedia uma música mais íntima. Cada vez que tocava, quem estava

presente ficava impressionado com o nível técnico que mantinha, mesmo tocando tão pouco, provando que aquela habilidade estava enraizada demasiado fundo ser perdida só por falta de prática constante. Erasmo, sempre que estava junto nessas raras ocasiões, olhava e abanava a cabeça, lembrando-se da noite que tinha sido humilhado no beco das garrafas.

A amizade dos dois continuou forte até ao fim. construída em cima de respeito mútuo profundo, provocações constantes que faziam parte da dinâmica deles e a memória partilhada de quando tinham começado tudo juntos, ainda adolescentes. Erasmo nunca esqueceu a lição que tinha aprendido nessa noite, que subestimar alguém baseado apenas no que ela mostra ao mundo é sempre um erro perigoso.

mim, por sua vez, guardou aquela noite como prova de que não tinha de provar nada para ninguém constantemente, mas que quando escolhia provar, fazia-o com tanta qualidade que não restavam dúvidas. Os três acordes que ele tinha ensinado ao Erasmo décadas atrás continuaram a ser a base de milhares de músicas brasileiras. E cada vez que Erasmo tocava nesses acordes, lembrava-se de quem tinha sido paciente o suficiente para se sentar com ele e ensinar quando os dois eram apenas rapazes com o sonho de serem músicos.

Essa história ensina-nos que você vai subestimar as pessoas constantemente, baseado apenas no que elas mostram para você. E vai ficar surpreendido quando descobrir que têm capacidades inteiras escondidas que nem imaginava. Olhas para o colega de trabalho e vê apenas a função dele. Esquece que ele tem a vida inteira fora dali, com talentos e experiências que nunca surgiram no meio profissional.

Olha para o amigo e vê só um lado da personalidade dele. Ignora tudo o que ele desenvolveu-se sozinho quando não estava por perto e faz a mesma coisa com você mesmo. Se limita ao que as pessoas esperam, esconde competências porque acha que não vão servir para nada ou porque ninguém perguntou.

Mas a verdade é que toda a gente é mais complexo do que aparenta. Toda a gente tem camadas que só aparecem quando a situação exige ou quando alguém provoca da forma certa. Então, deixa de colocar as pessoas em caixinhas. Deixa de achar que conhece alguém completamente só porque vê-a fazer uma coisa bem. E, principalmente, deixa de esconder o que sabe fazer só porque não é o que as pessoas esperam de si.

Às vezes, vale a pena surpreender, mostrar que se é muito mais do que a imagem que construíram sobre si. Se gostou desta história, subscreve o canal, deixa o teu like aqui em baixo e ativa o sininho para não perder os próximos vídeos. Conta-me aqui nos comentários de onde está a ver esse vídeo. A as pessoas adoram saber de que parte do mundo acompanham-nos os fãs desta lenda da música brasileira.

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