No glamour efêmero e muitas vezes turbulento de Hollywood, construir uma relação que resista ao teste do tempo é uma das tarefas mais complexas para qualquer celebridade. Poucos casais conseguiram ostentar o título de “união exemplar” com tanta propriedade quanto a lendária cantora e diretora Barbra Streisand e o ator e diretor James Brolin. Juntos há quase três décadas, eles se tornaram um símbolo de estabilidade e afeto mútuo. No entanto, a calmaria aparente da vida conjugal esconde uma trajetória rica em superações, debates intensos, terapia de casal e o desafio constante de equilibrar duas personalidades gigantescas sob o mesmo teto.
Para compreender a solidez — e as fissuras — do casamento atual com James Brolin, é fundamental revisitar o passado de Barbra, uma mulher cuja vida amorosa sempre foi tão intensa e dramática quanto suas performances nos palcos.
O Primeiro Casamento e o Peso do Sucesso
A jornada romântica de Barbra começou de forma humilde e peculiar em 1961, nos bastidores do musical da Broadway I Can Get It for You Wholesale. Com apenas 19 anos, Barbra era uma jovem ambiciosa, mas ainda desconhecida. Foi ali que ela conheceu Elliot Gould, o galã principal da produção. O início do namoro foi marcado pela simplicidade: dividiam um apartamento de apenas um quarto e uma cama de solteiro.
Casados em 1963 e pais de Jason Gould, nascido em 1966, a felicidade do casal começou a ruir à medida que a carreira de Barbra decolava rumo ao estrelato global, especialmente após vencer o Oscar por Funny Girl em 1968. Enquanto a fama dela explodia, Elliot se via ofuscado, recebendo da imprensa o doloroso apelido de “Sr. Streisand”. O desgaste psicológico e o distanciamento resultaram em divórcio em 1971. Durante o declínio dessa união, Barbra envolveu-se romanticamente com figuras de peso, como Sydney Chaplin e o então primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau, a quem descrevia como uma mistura magnética de Albert Einstein e Napoleão.

A Era Jon Peters e Romances Arrebatadores
Após o término com Gould, Barbra iniciou um relacionamento de quase uma década com o cabeleireiro que se tornou produtor de cinema, Jon Peters. A conexão entre eles, classificada por ela como “cósmica”, gerou grandes frutos profissionais, incluindo o sucesso do filme A Star Is Born (1976). Contudo, o temperamento explosivo de ambos era tão evidente que eles chegaram a construir cinco casas diferentes em suas propriedades simplesmente porque brigavam demais durante a construção da primeira. O romance terminou em 1982 devido à obsessão de Barbra pelo projeto do filme Yentl.
Nos anos seguintes, a diva viveu romances intensos e breves com personalidades diversas, desde o herdeiro Richard Baskin, passando por Don Johnson e Liam Neeson, até o jogador de tênis Andre Agassi, 28 anos mais jovem, que comparou a experiência de namorar Barbra a “vestir lava derretida” — brilhante, apaixonada e difícil de suportar por muito tempo.
“Aos 50 anos, eu já havia me acostumado a viver sozinha e a encontrar conforto na solidão”, confessou Barbra anos mais tarde, refletindo sobre a rapidez com que a felicidade parecia surgir e desaparecer em sua vida.
O Encontro Destinado com James Brolin
A vida de isolamento voluntário mudou radicalmente em 1996, durante um jantar às cegas organizado de forma inusitada pela ex-esposa de seu antigo namorado, Jon Peters. Desconfortável com a situação, Barbra tentou evitar os convidados escondendo-se no andar de baixo para brincar com as crianças. Quando finalmente subiu, deparou-se com um James Brolin completamente diferente do homem rústico e barbudo que imaginava: ele estava de cabelo raspado e perfeitamente barbeado.
Sem papas na língua, a primeira frase de Barbra para o futuro marido foi uma provocação direta: “Quem estragou o seu cabelo?”. Longe de se ofender, Brolin se apaixonou instantaneamente pela autenticidade e crueza da artista. O primeiro encontro oficial ocorreu em julho daquele ano, dando início a um namoro que resistiu até mesmo à distância geográfica quando James precisou viajar para a Irlanda logo nos primeiros meses de relação. Para manter a chama acesa, passavam horas ao telefone — a ponto de Barbra adormecer no chão do banheiro com o aparelho no ouvido.
O casamento dos sonhos aconteceu em 1998 na propriedade de Barbra em Malibu. Foi uma cerimônia cinematográfica, com direito a alto-falantes reproduzindo sons de selva tropical e rock and roll para despistar os paparazzi. Diante de convidados ilustres como Tom Hanks e John Travolta, Barbra superou seu histórico medo de palco e cantou duas músicas de amor exclusivas para James.

As Armas Secretas contra as Crises Conjugais
O segredo para a longevidade da união entre Streisand e Brolin foge aos padrões tradicionais de Hollywood. James revelou que o melhor conselho que já recebeu foi fazer terapia de casal seis meses antes do matrimônio para estabelecer métodos saudáveis de resolução de conflitos. Ambos adotaram a prática de consultar um profissional sempre que as discordâncias começavam a se acumular.
E as discordâncias existiram. Em 2003, uma forte turbulência política abalou o casal quando James interpretou Ronald Reagan em uma minissérie controversa. Sendo Barbra uma ferrenha defensora de pautas liberais e crítica da gestão Reagan, a mídia a acusou de manipular a atuação do marido, gerando forte desgaste público para ambos.
Mais recentemente, fontes próximas ao casal apontaram um novo foco de desgaste na rotina dos dois. James estaria perdendo a paciência com a tendência de Barbra de idealizar e mencionar frequentemente seus namorados do passado em entrevistas e conversas cotidianas, especialmente o ator Robert Redford. Essa tensão ganhou força após uma performance pública recente de Barbra em homenagem ao antigo colega de elenco.
Apesar das diferenças gritantes de personalidade e dos pequenos embates do dia a dia, o respeito mútuo e a escolha diária de permanecerem juntos têm falado mais alto. No aniversário de casamento, Brolin emocionou o público ao escrever para a esposa:
“Lar não é um lugar, lar é uma pessoa. Você sabe que alguém é certo para você quando gosta de estar com essa pessoa o tempo todo. E quando eu partir, eu ainda amarei você.”
Barbra, por sua vez, continua a usar suas redes sociais para reforçar que James Brolin foi o homem que chegou tarde, mas que trouxe o amor mais pleno e curativo de sua vida. No turbulento cenário das celebridades, eles provam que o amor maduro não vive de perfeição, mas sim da paciência e da arte de aceitar as imperfeições do outro.