Os 42 dias que Paulo Gustavo ficou em coma e o dia que ele acordou antes do fim tl
Os 42 dias que Paulo Gustavo esteve em coma e o dia em que acordou antes do fim. Era domingo, 2 de maio de 2021. Dentro de uma UCI no Rio de Janeiro, aconteceu algo que nenhum médico tinha prometido, que a família tinha deixado de esperar e que o Brasil, exausto de rezar, mal conseguia imaginar. Paulo O Gustavo abriu os olhos.
42 dias depois de entrar num hospital sem conseguir respirar corretamente, 42 dias de máquinas, de sedativos, de um pulmão artificial e de boletins que oscilavam entre a esperança e o desespero. Ele abriu os olhos, interagiu com a equipa médica e olhou para o rosto do marido Thales Bretas, que estava ali a segurar tudo que tinha sobrado de força depois de 42 dias.
O que sentiu a Tali naquele momento? Só ele sabe. Mas o Brasil quando soube sentiu-se junto, porque Paulo Gustavo não era apenas um ator, era o maior fenómeno do cinema nacional, o homem que tinha levado 25 milhões de pessoas às salas de cinema e que agora estava numa cama de UCI que ninguém podia visitar. E aquele dia, aquele domingo, parecia ser o princípio do fim do pesadelo, mas não era.
Nessas mesmas horas, ainda naquele domingo, algo aconteceu dentro do corpo de Paulo Gustavo, que os médicos não conseguiram segurar. E o que veio a seguir foi a cena mais devastadora que a família dele nunca viveu e que o Brasil jamais se vai esquecer. Hoje vai descobrir o que Paulo Gustavo disse ao marido no único momento em que abriu os olhos depois de 42 dias em coma.
Você vai compreender porque mesmo acordado o fim já estava traçado. Vai saber qual foi a última mensagem que enviou a uma amiga e como ela prova que ele sabia muito antes de tudo isto exatamente o que ia acontecer. E vai ouvir as palavras que a mãe lhe sussurrou no momento exato em que o coração dele parou.
E se ainda não se inscreveu no canal Do VIP, faça-o já. Aperte o botão de inscrição e ative o sino. Aqui há investigação. Todo o dossier que a gente lança, vai ser o primeiro a saber. Fica comigo até ao fim, porque o que aí vem vai surpreender-te. Tudo começou num sábado, dia 13 de março de 2021. Paulo Gustavo chegou ao Copa Star Hospital de Copacabana, no Rio de Janeiro, com saturação baixa e falta de ar. Ele já sabia que tinha COVID.
O diagnóstico tinha chegado dias antes. E ele, que tinha passado um ano inteiro em isolamento, que fazia exames todos os semana, que se tinha recusado a sair de casa, chegou ao hospital com parte do pulmão já comprometida. A amiga e diretora Susana Garcia, que também é médica, explicou o que veio depois.
Ela contou que o Paulo ficou dias na luta tentando que o pulmão melhorasse a inflamação e que chegou o momento em que os médicos viram que ele não deu a volta que precisava de dar. No no dia 22 de março, Paulo Gustavo foi entubado. Dias depois de entrar no hospital, ele passou a depender de uma máquina para respirar.
A notícia saiu em todos os portais. O marido Tales Bretas publicou nas redes sociais uma fotografia dos dois com um filtro que os mostrava idosos com a legenda. Eu disse que vamos ficar velhinhos juntos. Tenho a certeza. Essa fase vai passar e nós vamos ter mais esta história de superação para contar juntos.
O Brasil conteve o choro e rezou. Se também rezou por ele nessa altura, deixa o like agora. Esse vídeo é por ele. Os dias que vieram foram uma cruel montanha russa. Boletins que diziam melhora, boletins que diziam piora, boletins que não diziam nada de concreto e que todos tentavam interpretar como esperança. No dia 25 de março, uma melhoria considerável.
No dia seguinte, agravamento. Esta foi a dinâmica durante semanas, um passo em frente, dois passos atrás. E depois, no dia 2 de abril, surgiu a notícia que mudou tudo. Paulo Gustavo passou a ser submetido a terapêutica de ECMO, oxigenação por membrana extracorporal. O pulmão artificial, para quem não conhece o que é, a ECMO é uma máquina que retira o sangue do organismo, oxigena esse sangue por fora e devolve-o já oxigenado.
É como se a máquina assumisse completamente o trabalho que o pulmão já não consegue fazer. é o último recurso antes de não haver mais recursos. Quando um médico decide ligar um doente a ECMO, significa que o corpo dessa pessoa chegou ao limite do que consegue fazer sozinho. A equipa médica explicou na altura em que a decisão foi tomada para deixar o pulmão repousar, desinflamar, acabar com a infeção.
Thalis postou de novo. Manteve a fé pública, agradeceu as orações, disse que estava a viver dias de pequenos progressos que acalentavam o coração. já cansado. E o Brasil, exausto mais fiel, continuou a rezar. Você consegue imaginar o que é? Acordar todos os dias e a primeira coisa que faz é abrir o telemóvel para ver se o boletim médico saiu, para saber se a pessoa que ama ainda está viva.
Isso foi o que Tales viveu durante 42 dias. Isso foi o que a mãe da Lúcia viveu. Isso foi o que o Brasil viveu. Conta-me nos comentários onde estava quando soube que Paulo O Gustavo tinha sido entubado. O que você sentiu naquele momento? As semanas passaram pesadas. Os boletins entraram e saíram.
Amigos como Tatavernec pediam orações publicamente. O Brasil todo pedia. E o Paulo Gustavo continuava lá dentro daquele hospital que ninguém podia entrar. num quarto de UCI que só a equipa médica acedia, lutando com cada célula do corpo dentro de um silêncio que o país inteiro queria poder quebrar, mas não conseguia. E depois chegou o domingo, 2 de maio de 2021, 31 dias depois de ter sido ligado à ECMO, a equipa médica tomou uma decisão: reduzir a sedação, retirar o bloqueador neuromuscular, ver o que acontecia.
O que aconteceu foi isso. Paulo Gustavo acordou. O boletim médico divulgado nesse dia confirmou com palavras que a equipa provavelmente tinha medo de escrever. O doente acordou e interagiu bem com a equipa profissional e com o seu marido. Simples assim, seco assim. E ao mesmo tempo a frase mais carregada de emoção que aquele hospital já viu sair num papel.
Acordou e interagiu com Tales. O que foi dito naquele quarto nessa tarde, ninguém sabe ao certo. Mas pense nisto por um segundo, 42 dias. Um homem que entrou num hospital e simplesmente desapareceu para os filhos, para a mãe, para o marido, para todos os mundo que amava. E de repente estava ali, os olhos abertos, reconhecendo o rosto de quem estava à beira da cama.
O Brasil quando soube explodiu nas redes sociais, nas mensagens, nos grupos de família. Era isso, era o milagre que toda a gente tinha pedido, era a viragem. Passados 42 dias, Paulo Gustavo estava voltando. Mas aqui é onde a história muda de direção, de uma forma que ninguém estava preparado para aceitar.
Ainda nesse mesmo domingo, horas depois de Paulo ter aberto os olhos, o seu corpo sofreu o que os médicos chamam de fístola bronquíolvenosa com embolia gasosa disseminada. Em termos simples, uma comunicação anormal entre o pulmão e os vasos sanguíneos deixaram bolhas de gás entrarem na corrente sanguínea. Essas bolhas foram para o cérebro, para o sistema nervoso central, para locais de onde não se volta.
Em questão de horas, o homem que tinha dado ao país inteiro uma razão para não parar de rezar entrou em colapso. O boletim do dia seguinte, 3 de maio, dizia que o quadro estava instável e extremamente grave. E quem conhecia o peso das palavras de boletim médico percebeu o que aquilo significava. 4 de maio de 2021, à tarde, o boletim mais pesado de todos, quadro irreversível, mas com sinais vitais presentes.
Em linguagem direta, Paulo Gustavo ainda era vivo, mas não havia mais nada que a medicina pudesse fazer. A família foi chamada ao hospital e o que aconteceu dentro daquele quarto naquela tarde é uma das cenas mais devastadoras já documentadas na história da cultura brasileira. Dea Lúcia, a mãe, segurou uma das mãos do filho. A irmã Juliana segurou a outra.
O marido Thales segurou um pé. A madrasta Penha o outro pé. E o pai Júlio colocou a mão sobre o cabeça dele. E juntos, naquele silêncio de UCI que só quem já viveu uma despedida assim consegue imaginar, a família começou a cantar. Cantaram a oração de São Francisco. A oração que Paulo Gustavo pedia à mãe para cantar para ele desde pequeno, desde criança.
Aquela mesma voz que ele ouvia quando tinha medo, quando estava doente, quando precisava de dormir, era a voz que estava cantando agora naquele quarto, naquela tarde. Os batimentos cardíacos de Paulo Gustavo começaram a diminuir, lentamente, um a um, até parar. Ideia Lúcia. com a voz que fez rir o Brasil durante décadas, com os olhos que viram o filho nascer e crescer e tornar-se o maior nome do cinema nacional, olhou para ele e disse: “Meu filho, meu filho, obrigada por te ter-me escolhido para ser sua mãe.” Às
21:12 do dia 4 de maio de 2021, Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros morreu. Tinha 42 anos. Se este vídeo está a tocar-lhe, subscreve o canal agora. Esse conteúdo precisa de chegar a todo o mundo que amou este homem. Agora que já viu como ele foi, precisa de perceber quem ele era.
E mais do que isso, precisa compreender que Paulo Gustavo sabia. Não de um jeito vago, não de uma intuição passageira. Ele sabia de uma forma que assusta olhar para trás. Dea Lúcia confirmou publicamente aquilo que era impossível de acreditar. O filho sempre dizia que morreria cedo. Desde sempre ele dizia isso.
Ela descreveu Paulo como alguém com uma energia que não era comum, sensitivo, com um medo que não era o medo normal de qualquer pessoa. E quando a pandemia chegou, este medo ganhou nome e forma. Em maio de 2020, um ano inteiro antes de apanhar COVID, Paulo Gustavo deu uma entrevista à amiga Ingrid Guimarães no programa Além da Conta do GNT e disse em voz alta o que estava a sentir.
Disse que tinha problema respiratório, que a medicina não sabia ainda como aquele vírus reagia dentro de cada pessoa e disse a frase que hoje parece uma profecia gravada em pedra. Tenho medo de apanhar isso, a pessoa não saber o que usar em mim e eu morrer. Tenho medo. E não se ficou por aí. No Natal de 2020, a Dea Lúcia foi visitá-lo no sítio em Itaipava, em Petrópolis, onde Paulo tinha passado o ano isolado com Thales e os filhos gémeos Romeu e Gael.
Ela tinha tido Covid assintomática. E quando lá chegou, Paulo olhou para ela e disse: “Mãe, és tão má raça que nem a Covid aguentou contigo, mas se eu apanhar vou morrer.” Disse como quem sabe, não como quem exagera. Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros nasceu no dia 30 de outubro de 1978 em Niterói, no Rio de Janeiro.
Estudou na Casa das Artes de Laranjeiras, Aau, onde se formou em 2005, ao lado de nomes como Fábio Porchá e Marcos Magela. Foi aí que apresentou pela primeira vez uma personagem inspirada na própria mãe. Uma mulher super protetora, dramática, engraçada, cheia de amor e sem filtro. Chamou-lhe dona Hermínia.
O que era para ser uma personagem de teatro tornou-se filme em 2013. A minha mãe é uma peça estreou e tornou-se o filme mais assistido do ano no Brasil. Vieram a segunda parte em 2016, a maior bilheteira da história do cinema brasileiro até então. E em 2019, a terceira parte faturou 181.700.000$. 25 milhões de pessoas foram ao cinema assistir à trilogia. 25 milhões.
Era casou com o dermatologista Thales Bretas desde 2015. tinha dois filhos gémeos, Romeu e Gael, que nasceram por barriga solidária e tinha planos concretos de mudar com a família para Nova Iorque, a cidade que mais amava no mundo. Nada disso aconteceu. E aqui fica uma pergunta que eu quero que me responda nos comentários.
Existe algo que Paulo Gustavo sonhava fazer? Uma série, um filme, um projeto que ele referiu em alguma entrevista que nunca saiu do papel. O que acha que o O Brasil perdeu para além do que já sabe que perdeu? A morte de Paulo Gustavo não coube apenas no Brasil. Beonc prestou homenagem. Marlon Wans prestou homenagem.
O mundo parou por momentos registar que tinha perdido alguém insubstituível. E no Brasil, a dor veio misturada com raiva. Paulo Coelho foi um dos primeiros a colocar em palavras o que muita gente estava a sentir. Numa publicação feita na noite do dia 4 de maio, logo após a morte do ator, este enumerou cada frase que tinha sido dita sobre a pandemia nos dois anos anteriores e chamou de assassinos aqueles que as disseram.
Paulo Gustavo era um crítico aberto do governo Bolsonaro e a sua morte tornou-se o símbolo de algo maior do que uma perda pessoal. Tornou-se símbolo de uma gestão de pandemia que custou vidas que não precisavam de ser perdidas. O pronunciamento oficial do então presidente, em vez de apaziguar, catalisou ainda mais a revolta.
O Brasil, que tinha perdido um dos seus maiores ícones culturais, viu-se de luto e zangado ao mesmo tempo. Uma combinação que marca geração. A cremação decorreu no dia 6 de maio, numa cerimónia absolutamente restrita à família e amigos próximos. O local e o horário não foram divulgados para evitar aglomerações, disse a assessoria.
Uma última e cruel ironia. O homem que tinha passado um ano inteiro em isolamento por medo de aglomerações, foi cremado em segredo pela mesma razão. A cidade de Niterói, que o viu nascer, baptizou com o seu nome, uma das ruas mais importantes da cidade. A autarquia publicou uma nota que dizia o que talvez seja a síntese mais honesta de tudo.
Nós temos não só o orgulho, mas a sensação de que O Paulo Gustavo era um amigo próximo, um primo. E mais do que isso, que a dona A Hermínia era um bocadinho mãe de todos nós e era. Em 2022, um documentário lançado no Prime Vídeo denominado Filho da Mãe mostrou Paulo Gustavo e Dea Lúcia juntos, marido e pai, ao lado de Thales e dos filhos, em momentos íntimos registados antes de tudo isso acontecer.
Quem assistiu chegou ao fim sem fôlego. Dea Lúcia, a mulher real que inspirou a dona Hermínia, continua viva, continua presente, continua a ser entrevistada e cada vez que aparece, Paulo aparece junto, porque não há como separar os dois. Romeu e Gael estão crescendo, tem cidadania americana. Paulo e Thales tinham esse plano. Nova York, a infância lá fora, o mundo aberto, crescem com o pai gravado em cada frame da cultura do país que ele ajudou a construir.
Italis Bretas, no dia do pai, publicou uma foto dos filhos com a legenda não teria realizado sem o o seu amor. Sem mais, Paulo Gustavo deixou um legado que vai para além dos filmes, para além das personagens, para além dos números de bilheteira. Deixou a prova de que é possível ser completamente você mesmo num país que ainda luta para aceitar quem foge ao padrão, que é possível transformar a própria mãe numa personagem e fazer com que esta personagem se torne a mãe de um país inteiro.
E deixou a dona Hermínia, que vai existir para sempre, porque personagens assim não morrem. Ficam nos cinemas que as pessoas vão rever para sentir saudade. Ficam nas memórias das famílias que assistiram juntas. ficam nas gargalhadas que vem com lágrimas misturadas porque a gente riente falta ao mesmo tempo. Partilha esse vídeo agora com alguém que amava Paulo Gustavo.
Este é o jeito mais simples de mantê-lo vivo. Volte por um segundo aquele domingo. 2 de maio, o quarto de UCI. Paulo Gustavo de olhos abertos olhando para o Thales. Ninguém sabe o que foi dito. Ninguém sabe o que ele sentiu naquele momento. Mas há uma questão que fica suspensa no ar cada vez que esta história é contada e que não tem resposta.
Será que ele sabia que era a última vez? Ele que tinha dito desde criança que morreria cedo. Ele que tinha dito em voz alta um ano antes de o Covid matá-lo-ia. Ele que era sensitivo, que sentia as coisas de uma forma diferente. Será que naquele momento em que olhou para o rosto do marido, ele estava a despedir-se? Não há resposta. E talvez seja melhor assim.
Algumas perguntas precisam de estar abertas para que continuemos a pensar nelas, continue a sentir, continue a lembrar. Diga-me nos comentários o que você acha. Paulo Gustavo, 42 anos, 42 dias em coma, um dia acordado e uma saudade que o Brasil inteiro ainda está a aprender a carregar.