CHOCANTE: Por que CARLOS EDUARDO DOLABELLA tinha medo do que o filho, DADO DOLABELLA, faria? tc

CHOCANTE: Por que CARLOS EDUARDO DOLABELLA tinha medo do que o filho, DADO DOLABELLA, faria? tc

Olá, amores. Bem-vindos ao canal Por Trás da Câmara, o seu ponto de encontro com a memória viva e os segredos mais bem guardados da televisão brasileira. Se, tal como eu, é fascinado por tudo o que acontece quando os refletores apagam-se e as cortinas se fecham, já aproveita agora, deixa o teu like, porque a história que eu trouxe hoje é um mergulho profundo na vida de um homem que foi a própria definição de elegância e talento no nosso pequeno ecrã.

Carlos Eduardo Dolabela não foi apenas um galã, foi um pilar da dramaturgia, um homem do mundo que carregava no apelido, no olhar, uma sofisticação que poucos conseguiram replicar. Mas por detrás de toda esta aura de cavalheiro existiam batalhas, paixões avaçaladoras, polémicas que fizeram o alto escalão da Globo tremer e um fim de vida marcado por uma luta silenciosa e emocionante.

Preparem o café, acomodem-se, porque hoje vamos desvendar cada capítulo da trajetória deste ícone que marcou gerações e deixou um vazio imenso na nossa arte. A nossa jornada começa em um Rio de Janeiro glamoroso no dia 11 de junho de 1937. Carlos Eduardo Bolsas Dolabela não nasceu em qualquer berço.

 Ele veio de uma linhagem de prestígio, filho de um diplomata, o que lhe conferiu, desde o primeiro choro, um passaporte para o mundo. Imaginem um jovem que, em vez de jogar à bola nas ruas de terra batida, estava sendo educado nos colégios mais rígidos e sofisticados da Europa. Ele foi enviado paraa Suíça, onde se formou em relações públicas no respeitadíssimo colégio de Labi. em São Morri.

 Ali ele não só aprendeu etiqueta, mas dominou cinco línguas com uma fluência que deixava qualquer embaixador com inveja. Nos bastidores da sua juventude, o comentário era que o destino de Carlos Eduardo estava selado nos escritórios do Itamarati ou nas grandes empresas do seu avô. Tinha o porte, a voz e a educação para ser um líder das relações internacionais.

 Mas o bicho da arte morde quando menos esperamos. E com Dolabela não foi diferente. Ao regressar para o Brasil, o jovem poliglota começou a namoriscar com o teatro amador, algo que pras famílias tradicionais da época era visto quase como uma rebeldia exótica. Ele precisou de coragem para dizer ao pai que a diplomacia dos palcos o atraía muito mais do que a das embaixadas.

 A A estreia profissional de Dolabela não foi nada discreta. Em 1965, subiu ao palco na peça A dama do Maxins e logo de imediato dividiu os reflectores com a deusa Tônia Carreiro e o gigante Paulo Altran. Fontes da época relatam que Altran, conhecido pelo seu rigor quase militar com o texto e a postura, foi o mentor que lapidou o talento de Carlos Eduardo.

 Ali ele aprendeu que ser ator não era apenas decorar falas, mas transportar uma presença. E presença ele tinha de sobra. Com um sorriso que misturava malícia e fidalguia, ele logo chamou a atenção da recém-nascida Rede Globo. Os seus primeiros passos na televisão foram em produções como O Amor tem Cara de Mulher, 1966, e a Rainha Louca, 1967.

Mas o verdadeiro ponto de viragem veio em 1970 com a icónica Irmãos Coragem. Na pele do comissário Falcão, Dolabela mostrou que não era apenas um rosto bonito, tinha autoridade em cena. A A novela de Janette Claire foi o primeiro grande fenómeno de audiência do país e o O delegado Falcão tornou-se uma referência de ordem no meio dos conflitos de coroado.

 A década de 70 foi, sem dúvida, o período em que a Dolabela se tornou uma divindade da teledramaturgia. Em 1972, viveu o Caio na primeira versão de Selva de Pedra. Era o auge das novelas de Janete Claire e Daniel Filho. E a química de Carlos Eduardo com o elenco era algo que as revistas de mexericos da época exploravam a exaustão. Mas o personagem que o imortalizaria na galeria dos grandes tipos brasileiros veio logo a seguir.

 Em 1973, o jornalista Neco Pedreira in O Bem Amado. Trabalhar o texto satírico de Dias Gomes exigia uma inteligência cénica apurada. Idolabela entregou um neco vibrante, ético e charmoso, que servia de contraponto ideal às loucuras de Odorico, Paraguaçu, o presidente da Câmara de Sucupira, vivido por Paulo Gracindo.

 Nos bastidores de Sucupira, dizia-se que a harmonia entre Dolabela e Gracindo era absoluta, mas o clima de gravação era tenso devido à constante vigilância da censura federal. Dolabela, com o seu jeito diplomático, era muitas vezes o apaziguador do elenco quando os os ânimos exaltavam-se com as pressões políticas.

 Ao longo dos anos, a sua lista de personagens só cresceu, tornando-se um currículo invejável que misturava dramas densos e comédias requintadas. Ele foi o Otávio em O Espigão, 1974, o sedutor Percival em Pecado Capital, 1975, o Edmundo em Despedida de Casado, 1977. Uma novela que, refira-se, foi um dos maiores traumas da sua carreira por ter sido proibida integralmente pela censura na véspera da estreia e o Nossperato, 1978, na Vampugina.

 Já nos anos 80, ele se reinventou como o Bruno de Amor com amor se paga, 1984, onde defendia com unhas e dentes um nacionalismo acérrimo que servia de crítica social hilariante. Se também brilhou em Louco Amor, 1983, como Fernando Lins, Hipertensão, 1986, o folhetim O Bem Amado, reditando o seu Neco Pedreira de 1980 a 1984 e miniséries de peso, como o Portador, 1991, onde viveu a personagem Dr.

 Argemiro e Labirinto, 1998, no papel de cerqueira. No cinema, participou em cerca de 15 filmes, incluindo o clássico Matou a Família e Foi ao cinema, 1969, onde deixou de lado o fato impecável para explorar a crueza do cinema novo. Mas, meus amores, nem tudo eram rosas e aplausos. Se em frente das câmaras ele era o lord, nos bastidores Dolabela era conhecido por um génio forte e um rigor que roçava a impaciência.

 Ele era o que hoje chamaríamos de CDF. chegava com o texto decorado, palavra por palavra, e não admitia que os colegas não tivessem o mesmo nível de preparo. A relatos de que o clima aquecia quando trabalhava com atores mais jovens, os chamados galãs de rosto bonito, que, segundo o próprio Dolabela comentava com amigos mais próximos, não sabiam projetar a voz e não respeitavam o ofício.

 Esta postura aristocrática e exigente criava por vezes barreiras e houve quem lhe chamasse arrogante nos corredores da Vénus Platênia. No entanto, diretores como Daniel Filho sempre defenderam que esta era apenas a sua busca pela perfeição técnica e a vida amorosa. Ah, essa foi um capítulo à parte na imprensa de celebridades.

 Dolabela foi casado cinco vezes, mas nenhuma união foi tão icónica quanto o casamento com a atriz espanhola Pepita Rodrigues. Eles eram o Power Couple dos anos 70, bonitos, magnéticos e omnipresentes nas capas de revistas. O O amor deles nasceu entre os setes de filmagem e transformou-se em uma parceria que parecia inabalável.

 Juntos tiveram dois filhos, o Paulo Fernando e o polémico Carlos Eduardo Dolabela filho, o dado Dolabela. O público via aquela família como o ideal de felicidade, mas como toda a paixão, a relação era vulcânico. Rumores da época sugeriam que o temperamento forte de Pepita e a rigidez de Dolabela geravam confrontos épicos dentro de portas.

 Quando a separação aconteceu finalmente nos anos 90, foi um choque para a opinião pública. Carlos Eduardo foi também pai de Adriana, fruto do seu casamento com Érica Matfeld. de Fábio com Sandra Deps e de Fernando de outra relação. Era um pai que prezava pela educação rígida, tentando transpor filhos os valores suíços que recebeu, o que nem era sempre fácil num Rio de Janeiro cada vez mais livre e rebelde.

 Agora, se há um episódio que mostra quem era Carlos Eduardo Dolabela na sua essência, adepto e genioso, foi a polémica do Flamengo em 1998. Interpretava o empresário Arnaldo Mota na novela Por amor, um dos personagens mais marcantes da sua fase nadura, marido da vilã Branca Letícia, Susana Vieira.

 Numa cena de bar, Dolabela, inflamado pela situação real da sua equipa do coração na altura, soltou um caco, um improviso que não estava no argumento do autor Manuel Carlos. Ele detonou a direcção do Flamengo, chamando o clube de balcão de negócios e queixando-se da falta de profissionalismo. O que era para ser apenas uma cena de novela tornou-se um incidente diplomático desportivo.

 O então presidente do Flamengo, Cléber Leate, processou a emissora e exigiu direito de resposta. A Globo, para evitar uma crise maior, obrigou a personagem a fazer uma cena forçada, elogiando a gestão do clube dias depois. Nos bastidores, comentava-se que o puxão de orelhas que Dolabela levou da direção da estação foi monumental, mas nunca baixou a cabeça, mantendo a postura de quem fala o que pensa, doa a quem doer.

 O final dos anos 90 trouxe os primeiros sinais de que a máquina impecável estava falhando. A Dolabela sempre lidou com o diabetes, mas a doença começou a cobrar um preço demasiado elevado. Ele passou a se afastar. A sua imagem ficou mais rara na TV e o público começou a questionar por onde andava o grande Galã.

 Em 2002, recebeu o convite para viver a personagem Rodrigo na novela O beijo do vampiro. Seria o seu grande retorno, mas o coração não aguentou. Pouco antes de começar a gravar, sofreu um enfarte gravíssimo. Foi levado às pressas pro hospital e submetido a uma cirurgia complexa de 5 horas para colocação de três pontes de safena e duas de mama.

O ator Mário Gomes foi escalado às pressas para o substituir na novela enquanto a Dolabela iniciava a maior batalha da sua vida. Foram 102 dias de internação. Imaginem a agonia deste homem, sempre tão activo e poliglota, lutando agora contra a pneumonia e a insuficiência renal, que o obrigava a sessões diárias de hemodiálise.

 A mídia acompanhava cada boletim médico com uma mistura de respeito e sensacionalismo. E a família, liderada por uma Pepita Rodrigues incansável, mesmo após a separação, fazia vigílias constantes. Um pormenor poucos comentam, mas que nos bastidores era muito comentado por pessoas próximas, é que durante este período de internamento, a carreia do seu filho Dado Dolabela estava a explodir.

Dado era o novo it Boy da Globo, protagonizando Malhação, mas já começava a apresentar um comportamento rebelde e temperamental que contrastava com a sobriedade do pai. Relatos indicam que Carlos Eduardo, mesmo no hospital, manifestava preocupação com o futuro do filho no meio artístico, temendo que a sobre exposição e as polémicas pudessem manchar o apelido que tanto lutou para manter associado à excelência.

 Infelizmente, a cortina se fechou para este mestre no no dia 26 de Maio de 2003. Carlos Eduardo Dolabela faleceu de falência múltipla de órgãos decorrente de um enfarte do miocárdio no hospital samaritano, no Rio de Janeiro. A sua morte causou uma comoção nacional. Tinha apenas 65 anos, uma idade em que ainda teria muito a entregar à arte brasileira.

 O legado que deixou, no entanto, é indestrutível. Foi o ator que uniu a elegância da velha guarda com a modernidade necessária paraa televisão colorida. Quando assistimos às repetições de O bem amado ou por amor, vemos um homem que dominava a técnica, que tinha o tempo da comédia e o peso do drama, e que nunca, em momento algum entregou um trabalho menos que impecável.

 Hoje, a memória de Dolabela vive não só nos arquivos da Memória Globo, mas na forma como ele influenciou toda uma geração de atores que procuravam nele o exemplo de como ser um cavalheiro diante e atrás das câmaras. Ele foi um homem de contrastes, diplomata e ator, reservado e polémico, pai rigoroso e amante e intenso.

 Acima de tudo, Carlos Eduardo Dolabela foi um artista brasileiro que nunca se esqueceu das suas raízes, mesmo falando cinco línguas e tendo o mundo aos seus pés. Ele faz imensa falta, sobretudo nos dias de hoje, onde a sofisticação parece ser um artigo de luxo cada vez mais raro na nossa televisão. Bem, meus amores, esta foi a trajetória completa, emocionante e repleta de bastidores deste ícone da nossa TV.

Agora quero saber de vocês, qual é a cena da Dolabela que nunca mais saiu da sua cabeça. Lembra-se daquele climão com o Flamengo ou prefere as memórias românticas dele com a Pepita Rodrigue? Deixa aqui nos comentários. Vamos bater esse papo nostálgico. E se gostou deste mergulho profundo na vida das as nossas estrelas, não se esquece de se subscrever aqui no canal por trás da câmara, ativar o sino para receber todas as notificações e, claro, deixar aquele like caprichado que ajuda muito o nosso trabalho. Partilhe esse

vídeo com quem adora a história da televisão brasileira. Eu vou ficando por aqui, mas encontramo-nos no próximo vídeo com muito mais segredos e emoções dos bastidores. Um enorme beijinho e até a próxima.

 

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